Voyeur: Capítulo 2

Voyeur: Capítulo 2

Cena 01| Família Baker| Frente da Casa| Exterior| Noite.

Do lado de fora da casa de Anne, na escuridão da noite, a trás de um arbusto tinha alguém irreconhecível tentando flagrar  algo que deixasse sua noite um pouco mais excitante. Quando de repente Anne e Nick saem a rua.

Anne – Será que ainda está aqui?

Nick – Deve está, a foto é do nosso beijo de agora há pouco. Mas, vem cá, como ele conseguiu? As janelas não estavam fechadas?

Anne – Estavam… Eu não sei. Nick dorme aqui essa noite, por favor, eu estou com muito medo.

Nick – Eu queria muito, mas não vai dar.. Já vou indo.

Ele se despede dela com outro beijo.

Clique. Clique.Tiram outra foto dos dois.

Cena 02| Família Levil| Quarto de Nick| Interior| Noite.

Nick tinha acabado de chegar a seu quarto. O rapaz foi surpreendido ao olhar para sua cama e avistar uma caixa.

Nick – Quem será que deixou isso aqui?

Ele abre a caixa e se depara com um bilhete e varias fotos.

Nick – (lendo) “Foi divertido esse dia, hein? Ela manda bem no boquete? Acho que a Anne adoraria ver isso.” que merda é essa?

Nick começa a ver as fotos. E se depara com momento intimo onde Sabrina Araujo fazia sexo oral nele. A garota estava atracada com o pênis do rapaz.

Cena 03|STOCK-SHOTS| EXTERIOR| NOITE/ DIA.

Não demora muito e chega um lindo e denso dia em ambas as capitais, as pessoas seguem num ritmo acelerado e agitado como sempre.

Em Fortaleza…

Cena 04| Rodoviária de Fortaleza| Salgam de embarque | Interior| Dia.

A chuva fina já escorria pela janela do ônibus, dando um ar ainda mais triste para aquele dia. O motorista já estava posicionado com um olhar impaciente para o lado de fora do ônibus, Ariel foi a primeira a entrar e por uma grande sorte o seu lugar era o último, aquele que fica bem escondido atrás de todas as outras poltronas, aquele que também fica na frente do banheiro, se é que se podia chamar aquilo de banheiro.

Lucas – Oi!

Ariel– Oi. (off) Um menino de olhos esverdeados, cabelos castanhos meio bagunçados e um pouco encaracolado se senta ao lado da jovem, ele parecia muito alegre, o que a fez ficar ainda mais desanimada.

Ariel viaja em seus pensamentos…

Lucas– Meu nome é Lucas e o seu? 

Ariel(off) Ótimo, agora ele queria me conhecer também. Não me entenda mal. Eu gosto quando as pessoas estão felizes, pois muitas vezes o humor dos outros acaba transformando o meu humor também, mas hoje, nem se eu estivesse no rock in’ rio de cara com o Axl Rose, meu humor ia melhorar. –Meu nome é Ariel.

Lucas – Nome bonito, Ariel e bem diferente.

Ariel– Estranho seria o melhor termo a se usar, não?

Lucas– Um estranho bonito.

Imediatamente ela sorri, sem nem perceber, o que a fez se sentir ainda mais boba. Ariel poderia ser a pessoa mais azeda e mal-humorada do mundo, quando queria, mas se tem uma coisa da qual ela não resisto, essa coisa é um elogio. Às vezes pode até ser falso, mas elogios têm a capacidade de deixa-la sem armas, sem defesa.

Cena 05| Colégio Helenita| Sala de aula| Interior| Dia.

A aula já tinha começa a alguns minutos, quando de repente todos ficam em silêncio com a entrada de Nick, super atrasado.

Nick –– Com licença, professor! Posso entrar?

Prof. Alvoro –– Pode sim Nickolas!

O garoto vai em direção a sua carteira. Anne fica preocupada com o atraso do amado.

Anne –– O que houve? Você nunca chega atrasado, amor.

O garoto responde grossamente.

Nick –– Sempre tem uma primeira vez, Anne.

Anne –– Está tudo bem, Nick?

Nick –– Anne, depois conversamos. Agora deixe-me prestar atenção a aula.

Anne –– Ok!

O professor começa a explicar o novo conteudo.

Prof. Álvaro –– Bom gente, nós iremos estudar um novo gênero. Esse gênero é o suspense. Alguém conhece o…

Anne ––  Alfred Hitchcock, o “mestre do suspense”.

Prof. Alvoro –– Muito bem, Anne. Agora me digam, vocês sabem porque Alfred Hitchcock recebe esse titulo de: “mestre do suspense”?

Todos da sala ficam sem resposta quando de repente alguém levanta a mão.

Prof. Álvaro –– Pois não, Gregório?

Gregório ––Porque, além de saber manipular bem os elementos de um filme, Alfred Hitchcock era um gênio do marketing.

Prof. Álvaro –– Isso. Alfred soube inovar. O cara realmente sabia prender atenção do público. Alguém pode me dizer umas das cenas clássicas de Hitchcock no cinema?

Anne –– O assassinato no chuveiro Janet Leigh, que ocorre aos 46 minutos de Psicose.

Prof. Álvaro –– Olha, tem alguém aqui que está facinado pelo “mestre do suspense”, hein Anne. Bom, quem aqui já ouviu falar em voyeur ou voyeurismo?

Nick, Anne, Fred, Gustavo, Ranya e Samantha se entre olham ao ouvir as palavras ditas pelo professor. Samantha começa a cochichar.

Samantha –– Gente, vocês ouviram?

O professor a interrompe.

Prof. Álvaro –– Diga, Samantha?

Samantha –– Nada, eu só disse que fiquei curiosa, por esse assunto.

Prof. Álvaro –– É um tema bem polemico. Bom Hitchcock se aproveitava bastante da ideia do voyeurismo: o prazer de observar os outros em situações íntimas ou de sofrimento. É um elemento central em Janela Indiscreta em que o protagonista bisbilhota a vida de seus vizinhos e acaba descobrindo um assassinato.

O sinal toca indicando o fim da aula.

Cena 06|STOCK-SHOTS| EXTERIOR| DIA/ TARDE.

Fortaleza. Não demora muito e a tarde cai sobre a capital cearense e  em ambas as capitais, as pessoas seguem num ritmo acelerado e agitado como sempre.

Cena 07|Fortaleza|  Ônibus| Interior| Dia

Lucas –– Quantos anos você tem?

 Ele perguntou enquanto desenrolava, totalmente sem jeito, o fio do fone de ouvido.

Ariel –– Dezesseis. E você?

Lucas –– Dezessete.  Mais que droga de fio, nunca mais jogo nenhum fone dentro da mochila. – resmungou um pouco mais baixo.

Ariel –– Me deixa tentar? – Falei enquanto via que ele já estava prestes a jogar o fone de volta à mochila.

Lucas –– Boa sorte. – Falou enquanto jogava o fone em cima do meu colo. Peguei-o rapidamente e comecei a desatar os nós. Em menos de dois minutos eu desenrolei tudo, passei os dedos pelos fios para conferir se estava tudo ok mesmo e joguei os fones no colo dele, que até agora olhava atentamente para o que eu estava fazendo.

Lucas –– Nossa –– ele disse surpreendido –– você realmente é boa nisso, provavelmente eu passaria uns vinte minutos tentando e acabaria arrebentando os fones.

Ariel –– A pratica leva a perfeição. Nos últimos meses eu trabalhei na loja de bijuteria de minha tia, então tive que desenrolar muitos cordões, e eles são bem piores que fones de ouvido.

Lucas –– Uau, meus parabéns e muito obrigada, mesmo! Você salvou a minha viajem.

Alguns minutos de silencio tomaram conta do local. Todas as pessoas já estavam acomodadas em seus assentos e o ônibus já tinha saído da rodoviária.

♪♫

I’m a hard case that’s tough to beat* (trecho da musica paradise city do Guns n’ roses, tradução: Eu sou um caso complicado que é difícil de alcançar)

 

Quase não acreditei no que tinha acabado de escutar. Virei rapidamente à cabeça, que antes estava encostada na janela, e dei de cara com o Lucas mordendo os lábios e batucando os indicadores na sua mochila, enquanto um único lado do fone estava em seu ouvido, deixando o outro caído sobre sua camisa preta. 

Imediatamente abri um enorme sorriso, não estava acreditando que ele também gostava de escutar Guns n’ roses, só de ouvir, mesmo que bem baixinho, a voz do Axl Rose me subia um arrepio, de repente a musica parou e ele subitamente se virou para mim, tão rápido que nem consegui desviar o olhar e fingir que não estava observando ele.

Lucas –– Gosta? –– Ele se virou completamente para meu lado, deixando sua mochila, que até o momento estava em seu colo, cair sobre seus pés, enquanto tirava o outro fone do ouvido e dava pause na playlist.

Ariel –– Sim, bastante. –– Falei meu sem graça. Odiava quando as pessoas me interrompiam e me faziam tirar os fones de ouvido e acredito que ele também não gostava, mas também a culpa não foi minha, eu estava apenas olhando ele, não disse nada.

Lucas –– Ah, então veja bem, temos uma gunner aqui. – Ele falou enquanto levantava uma sobrancelha, um ato invejável, sempre quis fazer isso, mas, obviamente, nunca consegui. E como se não bastasse, ele deu um sorriso meio torto, meio de lado. Sério, aquele garoto queria me matar do coração e o pior era que ele estava quase conseguindo.

Ariel–– E você? É um gunner ou apenas um admirador da boa musica?

Lucas –– Os dois.

Ele falou com um sorriso meio sarcástico e conquistador.

Lucas –– Bem, você quer dividir essa playlist comigo? Como você pode ver eu só costumo usar somente um lado do fone.

Ariel –– Ooh, não, eu acho melhor não. Não quero te incomodar, aliás, foi mal ter te tirado da sua playlist.

Lucas––  Ah, por favor! Pare de besteira.

 Disse enquanto colocava um lado do fone no seu ouvido e estendia o outro lado para mim.

Lucas –– Vamos lá, não é sempre que você encontra um garoto gentil e com bom gosto musical sentado ao seu lado no ônibus.

Peguei o fone da mão dele enquanto revirava meus olhos e tentava segurar um sorriso, além de tudo era convencido. Assim que coloquei o fone nos ouvidos, senti um arrepio se estender pelo meu corpo começando pelo pescoço e percorrendo cada centímetro do meu corpo enquanto aquele assobio passava através dos fones, entrando nos meus ouvidos, me fazendo fechar os olhos, morder os lábios, jogar a cabeça para trás e suspirar.

♪♫

Shed a tear because I’m missing you (Chorei, porque eu sinto sua falta)

I’m still alright to smile (Eu continuo bem para sorrir)

*trecho da musica Patience do Guns n’ roses.

Ariel ––Droga!

De repente tentei abrir meus olhos, mas não consegui, pelo menos não imediatamente.  Aos poucos fui abrindo os olhos, enquanto os esfregava para ver se ajudaria a ver melhor, mas de primeiro a única coisa que percebi foi que estava com a cabeça encostada ao lado de… Ai meu Deus! Levantei tão rápido que senti minha cabeça dá voltas.

Ariel –– Nossa, desculpa. Aí, nossa nem sei o que dizer. Geralmente não costumo adormecer nos ombros de ninguém.

Naquele momento ele parou para me olhar, e vi que sua expressão de aborrecimento tinha ido embora, porém o divertimento, do meu constrangimento, tomou conta de seu rosto.

Ariel –– Vou ao banheiro, devo está parecendo uma panda, não sei o que passou pela minha cabeça quando fui esfregar os olhos com os cílios cheios de rímel.

Ele puxou sua mochila, que estava em cima do seu pé, para seu colo, deixando um espaço um pouco melhor para me conseguir passar, mas mesmo assim ainda esbarrei em seu joelho e tive que me segurar na poltrona da frente para não cair em seu colo.

Entrei cambaleando no banheiro e tentei tocar nas coisas que tivessem o aspecto mais limpo possível. Joguei uma água no rosto enquanto estava sendo jogada de um lado para o outro. Peguei um elástico que estava no meu bolso e prendi meu cabelo no melhor rabo de cavalo que consegui fazer.

Assim que abri a porta do banheiro vi que o Lucas estava olhando para mim, o que fez minhas bochechas queimarem. Dei dois passos, e já estava praticamente em minha poltrona – esse é o lado bom de sentar no fundo do ônibus-, mas quando estava passando para minha poltrona, simplesmente tropecei em algo que estava aos pés do Lucas e no meio do meu caminho, o que imediatamente me fez tombar sobre o colo dele.

Sinceramente, não sei como essas coisas acontecem comigo. Primeiro eu praticamente roubo o fone do garoto, depois eu adormeço no seu ombro, agora eu vou e simplesmente caio no seu colo e o detalhe é que não tem nem meia hora de viagem ainda.

O susto foi tão grande que ficamos alguns segundos sem dizer nada, aliás, esses foram os segundos mais longos da minha vida. Essa seria uma boa hora de cavar um buraco no chão e entrar, ou simplesmente sair correndo e me trancar no banheiro até que ninguém mais estivesse dentro do ônibus.

De repente comecei a escutar uma risadinha e percebi que a tal risada era do Lucas. Imediatamente pulei para a minha poltrona, mas mesmo assim ele continuava a rir e cada vez mais alto, até que sua risada me contagiou e eu dei umas risadas sem graça.

Lucas ––Você ta bem?

Ele se virou para mim enquanto tentava segurar o riso.

Ariel –– É, acho que sim. Se é que se pode ficar bem em uma situação dessas. 

Falei enquanto senti meu rosto queimar novamente. Eu sempre ficava vermelha quando alguém me olhava nos olhos e sorria, ainda mais quando se tinha um sorriso igual ao dele.

Lucas ––Você fica uma graça quando está constrangida, sabia?

Ariel –– Ah!

Foi tudo o que consegui dizer. Os olhos deles ainda me fitavam e cada vez mais minha respiração falhava, em um ato de impulso ou desejo, mordi os lábios e só esse pequeno e delicado gesto foi o suficiente.

De repente eu já estava colada nele, passando minha mão por aqueles cabelos encaracolados que eram ainda mais macios do que parecia. Um frio começou a subir pelo meu estomago, mas do lado de fora do meu corpo parecia que eu estava dentro de uma fogueira. Milhares de coisas se passavam na minha cabeça, mas nada era concreto, nada fazia sentido.

A cena congela no beijo de Ariel e Lucas com o disparo

de um flash.