Vernissage – Capítulo 02

VERNISSAGE – CAPÍTULO 02:

 

CENA 01 – NOITE – DELEGACIA DE ESPERANÇA – INTERNA

 

Helena adentra toda afobada ao recinto.

 

Helena, ao delegado: Doutor. Sou Helena Rangel, mãe de João Victor Vieira Rangel. Cadê o meu filho?

Delegado: Calma dona Helena. Seu filho está encarcerado. Você sabe que ele só sai daqui com o pagamento da fiança não é?

Helena: eu pago o que for preciso, doutor. Mas solta o meu filho, por favor.

O delegado olha sério para Helena.

CENA 02 – NOITE – CASA DOS BARRETO – INTERNA

 

Joana observa o marido e o filho conversando, em off, e fica pensativa, aflita, como alguém que esconde alguma coisa. Olavo a vê.

*Trilha Musical: Photograph – Ed Sheeran

Olavo: Mãe… Mãe….

*Fad Out da trilha

Joana, se assustando: Oi meu filho, tava tão distraída…

Francisco: pois é, meu bem. Você olhava pra gente com um ar de aflição. Aconteceu alguma coisa, quer nos contar algo?

Joana: Não, não é nada disso, Francisco. A verdade é que estou meio indisposta mesmo. Bom, vou descansar. Me acompanha, amor?

Francisco: Claro, meu bem. Vou lhe fazer uma massagem que vai te deixar boa na hora – ele ri.

Olavo: Ih hoje tem então hein

Joana: Olha o respeito, menino. E desligue essa TV e vá dormi.

Olavo: Ah, mãe! Agora que o filme tava ficando legal!

Joana: não tem nada de filme legal! Já pra cama que você tem escola amanhã cedo!

Olavo: Ta bom!

CENA 03 – NOITE – CARRO DE HELENA – INTERNA

 

Helena e João estão indo pra casa, em silêncio. De repente, Helena o quebra

Helena: Meu filho, você hoje passou dos limites! Eu te dou toda liberdade pra…

João, interrompendo: mãe, para! Já levei um pito dos policiais, chega por hoje.

Helena: Mas João Victor, presta atenção no que você ta fazendo. Hoje eu paguei a sua fiança, e amanhã? Se eu não tiver aqui? Poxa, não foi assim que seu pai e eu te criamos!

João: Meu pai… meu pai é um bosta! Nos abandonou por uma mulherzinha qualquer.

Helena: Ta bom, João. Seu pai não é a melhor pessoa do mundo, mas por favor. Promete pra mim, sua mãe, que você não vai mais se meter em confusão. Promete?

João: aff mãe, ta bom! Prometido!

Helena: ótimo.

CENA 04 – NOITE – CASA DE DANIEL – INTERNA

 

Fernanda e Daniel se beijam no quarto.

Fernanda: e então, meu amor. Conversou com a ‘leninha’?

Daniel: ahh… Não sabe o quanto foi difícil conversar com ela. Ela é irredutível.

Fernanda: Mas meu querido, ela tem que se tocar. Colocar na cabeça que a galeria é sua, que foi você quem a fundou, ela entrou de gaiato nessa história.

Daniel: Também não é assim né, Fernanda. Por que, como ela disse pra mim, se não fosse o dinheiro dela, a galeria não teria o que tem e não chegaria ao patamar de hoje.

Fernanda: Pode até ser. Mas ela tem que se tocar, cuidar da vida dela. E é bom ela se cuidar por que se não esse jeitão teimoso dela pode lhe trazer conseqüências drásticas.

Daniel: Credo, Fernanda. Falando assim você até me assusta. Bom, vou tomar um banho.

(ele beija Fernanda).

Fernanda, falando sozinha: Helena, maldita. Ta empacando os meus planos. Eu preciso fazer algo urgente.

Fad Out na imagem

*Trilha Sonora: Venenosa – Rita Lee.

Amanhece o dia em esperança. Câm. Aérea mostra cenas da cidade movimentada em mais um dia de trabalho e termina na praia.

*Fad Out da trilha.

 

CENA 05 – MANHÃ – PRAIA DOS ESPERANÇOSOS – EXTERNA

 

Ofélia e Aristides caminham na praia

Ofélia: Ari, meu amor. Fazia tanto tempo que eu não vinha pra essa praia.

Aristides: Mas, também, toda vez que eu te convidava, você sempre negava. Eu amo esse lugar, o clima, a brisa marítima – ele olha pra uma moça de biquíni – a gente bonita que vem aqui…

Ofélia, incomodada: Mas o que é isso, seu Aristides Rangel? Sossega esse periquito aí hein. Ou eu terei que ficar de biquíni e mostrar que estou com tudo em cima? Hã?

Aristides: Não se atreva! Que você está com tudo em cima, disso eu sei, mas é tudo meu! – os dois riem.

Ofélia, colocando a mão na cabeça: Ari, espera. Eu não to muito bem, eu to…  – ela desmaia.

*Trilha sonora – tensão

Aristides, desesperado, a segurando: Meu Deus, meu amor… Alguém me ajuda, alguém, por favor!!!

Algumas pessoas vem ajudar Aristides. Eles a colocam num carro e a levam para um hospital.

CENA 06 – MANHÃ – APARTAMENTO DE HELENA – QUARTO DE MIRELLA – INTERNA

 

Mirella, ao telefone: Uma Festa? Claro que vou… Quando?… Isso, melhor… Se você for pra faculdade hoje, eu pego o convite lá com você, pode ser?… Tudo certo, estarei lá amiga!… Beijo… Tchau.

Mirella desliga o telefone e se joga na cama: Ai… essa é a minha chance. Eu sinto que o meu verdadeiro amor vai estar lá! Bom, vou ligar pra mamãe porque eu preciso de um vestido novo.

CENA 07 – TARDE – APARTAMENTO DE HELENA – SALA – INTERNA

João Victor está assistindo um filme, enquanto Mirella desce as escadas do apartamento.

Mirella: João, avisa a Zoraide que eu e a mamãe não vamos almoçar em casa tá? Beijo, tchau.

João finge que nem ouve, e Mirella nem liga, sai toda apressada.

No Corredor do prédio, Mirella encontra com Daniel, seu pai.

Daniel: Oi, Filha – a beija no rosto.

Mirella: Oi, pai, tudo bem? Eu estou de saída e a mamãe não está em casa.

Daniel: Seu irmão está lá?

Mirella: está sim.

Daniel: Bom eu vou lá falar com ele.

Mirella: Ta bom, pai. Tchau! – os dois se beijam e ela entra no elevador, que fecha as portas.

 

A Campainha do apartamento toca.

João: Zoraideeeee…. Zoraideeeeeee. – ele não é correspondido. – Ai caramba, não sei pra que empregada, pra campainha tocar e o patrão ter que… – ele abre a porta, é Daniel. – Pai?! O que você quer aqui?

Daniel: Filho, eu quero conversar com você

João: Mas eu não tenho nada o que conversar com você. Some daqui. Some da nossa vida.

Daniel: eu não posso pelo menos entrar?

*Trilha sonora – tensão!

Os dois se olham. Close no olhar de João, nervoso.

A imagem congela e vira um quadro pintado a óleo em uma grande exposição.

FIM DO CAPÍTULO 02: