The Last of US: Episódio 1 – A Suspeita cidade acima de qualquer suspeita

The Last of US: Episódio 1 – A Suspeita cidade acima de qualquer suspeita

 

Cena 01: (rodovia 278 – entre os estados de New York e Maine – Dia – Ext.)

Primeiro Ato.

Fade Out / Ângulo Alto:

Abre a imagem e se revela a rodovia 287 vazia, cercada por um vasto campo seco. O carro antigo, Wolksvagem, num desbotado prata, desliza em alta velocidade, dentro está Emily, concentrada, de cabelo preso em um coque e vestindo um casado marrom. Ela liga o radio e começa a cantar a musica a plenos pulmões. O telefone toca e mesmo com dificuldade, ela consegue atender.

Emily: (entediada) Oi pai! (pausa) Não, eu não estou com o celular no ouvido. Eu não… (suspira fundo)

Liga o “viva voz” do aparelho e o acomoda no painel do carro.

Emily: Pronto, pai pode falar.

Pai: Emily você tem que ser mais responsável. Você faz ideia da percentual de pessoas que estavam ao telefone e que sofreram acidentes?

Emily: (chamando a atenção) Pai!

Pai: Ok, ok. (entusiasmado) Só queria saber como está sendo sua primeira viagem sozinha, com a mão no volante de um carro. Empolgante hein?!

Emily: (irônica) Eba! Sorte a minha!

Pai: Ah filha, que isso. Encare o que está acontecendo como um, recomeço.

Emily: Mais um você quer dizer, né? Só esse ano eu já recomecei pelo menos umas três vezes.

Pai: Olha. Eu sei que é sempre ruim estar mudando de cidade, mas esse é meu trabalho.

Emily: Pai, você é o único reverendo que muda de congregação a cada seis meses e esse ano conseguiu bater o recorde. E não consigo entender por que tenho que ir antes de todo mundo. (pausa) É que é tudo tão recente. Parece que estamos fugindo de New York.

Pai: Ei! Nós não fugimos. Você foi vítima tanto quanto os outros.

Emily: E porque eu me sinto culpada por ser a única a sobreviver? (emocionada) Tantas pessoas, tantos alunos e só eu. Por que só eu?

Pai: Ao invés de se sentir culpada, deveria se sentir agradecia. A mão de Deus estava sobre você aquele dia. Sobre todos nós. Você perdeu uma amiga muito querida. A Keith era como se fosse da família.

Emily observa uma foto de Keith, dentro de uma moldura e pendurado no retrovisor central com uma fita.

Pai: Bom, acho melhor desligar, não é aconselhável dirigir e falar ao celular ao mesmo tempo. Vá com Deus querida. Logo estaremos juntos. Seus avós estão ansiosos para lhe ver.

Emily: Tudo bem pai. Assim que chegar eu aviso.

Pai: É bom mesmo.

Os dois riem.

A viagem prossegue e o celular toca novamente. Emily reluta em atender, mas a insistência a faz pegar o aparelho e então vem à surpresa. No visor do celular aparece o nome “Keith Brastow”. Emily engole “seco” e por um momento esquece a autoestrada. Ao recobrar a consciência, ela se depara com um animal (não identificado) atravessando a via, ao tentar desviar o carro de Emily capota.

Flash Back

Flash do carro rodando mesclando com cenas do acidente com o ônibus escolar, caindo na ponte, pessoas gritando e imagens distorcidas em meio à água onde Emily foi única sobrevivente.

Fade In / Travelling

Clareia a imagem surge o carro acidentado de “cabeça para baixo”, Emily está atordoada e bem machucada.  Ouvem-se passos como de um cavalo.

POV

Através da visão turva, Emily consegue ver as patas do que parece ser um equino, mas antes de ter certeza ela desmaia.

Corta.

Cena 02: (Hospital de Mirella – Dia – Int.)

V.O

Na escuridão ouvem-se barulhos, gritos destorcidos e desconectados (lembranças do acidente com o ônibus de Emily, misturados com o dos médicos e enfermeiros).

Close-Up

Emily arregala os olhos, como se saísse do fundo do mar prestes a se afogar.

Emily: Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Ela consegue ver pessoas de branco de um lado para o outro. Algumas ao seu redor e outras mexendo em equipamentos nos cantos da sala.

Enfermeira: A paciente acordou, aplicando sedativo.

Médico: Aumente a dosagem do Passadin em 3mlg.

Uma das enfermeiras, jovem e de voz suave, se aproxima.

Enfermeira 2: Ei, ei, ei! Meu nome é Nancy. Você consegue me dizer o seu nome?

Emily, atordoada, olha para todos os lados tentando entender o que está acontecendo.

Nancy: Querida, preciso que me diga seu nome.

Conforme a enfermeira aplica o sedativo, Emily vai se acalmando.

Nancy: Isso, isso. Acalme-se. Vai dar tudo certo.

Emily cai em sono profundo.

Tudo está escuro, mas o som ainda está claro. Uma voz masculina toma o comando da situação e a única voz identificável ainda, é a de Nancy.

V.O

Homem: Ela acordou?

Nancy: Sim, mas por pouco tempo.

Homem: Emily, Emily. Você pode me ouvir?

Emily pode ouvir, mas não consegue responder. Agora nem ouvir ela pode mais.

Corta.

Cena 03: (Quarto de hospital – Dia – Int.)

Emily abre os olhos lentamente. Os olhos ardem com os raios de sol que atravessam a janela. O leito está vazio e tudo no seu devido lugar. No quarto, apenas a cama hospitalar, um criado mudo, um pequeno vaso com flores frescas e uma cadeira do lado da porta. Ela se põe sentada com dificuldade e observa a copa das árvores pela janela.

Uma voz vinda por trás lhe chama a atenção.

Nancy: Ei! O que está fazendo sentada?

Nancy coloca algumas roupas sob a cadeira e tenta deita-la, mas Emily resiste.

Nancy: Você não pode se esforçar. Não até que o doutor Burke diga o contrário.

Emily: Eu estou bem, só um pouco tonta.

Nancy: Só não faça muito esforço. Você bateu a cabeça e não…

Emily: (interrompendo) onde eu estou?

Nancy: No hospital.

Emily: É eu sei. Mas onde fica o hospital?

Nancy: (relutante e tentando mudar de assunto) Oi, meu nome é Nancy. Nancy Wright.

Emily: Você sempre evita responder as perguntas dos pacientes? O que é isso? Um tratamento anti, choque?

Emily tenta se levantar e com dificuldade vai até a janela.

Nancy: Você está em Mirella. Fica ao sul do mapa.

Emily: (riso tímido) Impossível. Eu estava indo para o Maine e ele fica ao norte. Como eu vim parar aqui?

Nancy: Você sofreu um acidente na rodovia 278 e foi trazida pra cá. O doutor Burke cuidou de você.

Emily: Burke? Onde ele está?

Nancy: Ocupado. Parece que não foi só você que se envolveu em um acidente essa semana.

Nancy vai até o criado mudo.

Nancy: Troquei suas flores essa manhã.

Emily olha para o singelo vaso e depois para a enfermeira com olhar de questionamento.

Emily: Trocou?

Nancy: Faz três dias que você está aqui Emily.

Emily: O quê?!

Nesse momento uma voz masculina toma parte da conversa.

Homem: Isso mesmo, três dias.

O homem alto e imponente, caracteristicamente vestido de branco e com um estetoscópio jogado no pescoço, vai em direção a Emily e estica o braço lhe dando a mão.

Homem: Prazer. Doutor Abraham Burke. Você sofreu uma contusão cerebral posterior, criando um pequeno coágulo entre a têmpora frontal, então achei melhor mantê-la sedada até que o problema sumisse.

Emily: (preocupada) Eu estou aqui há três dias. Alguém avisou meus pais?

Dr. Burke: Desculpe-me, mas não encontramos nenhum número de telefone ou aparelho celular com você. Não avisamos ninguém.

Emily: Meu Deus, eles devem estar desesperados atrás de mim. Eu preciso de um telefone.

Dr. Burke: Claro, no final do corredor, na recepção. Mas tome um banho primeiro, troque de roupas, vai se sentir melhor. Afinal o que são alguns minutos para quem já esperou três dias?

Emily: Eu só quero ir embora.

Dr. Burke: Eu entendo. Mas Mirella pode ser sua casa também. Não se esqueça disso.

Burke sai de cena, acompanhado por Nancy. Emily permanece imóvel tentando assimilar todas as informações.

Corta.

Cena 04: (Banheiro do quarto de hospital – Dia. Int.).

Emily toma banho e tenta relaxar debaixo do chuveiro, mas algumas lembranças do acidente não deixam. Ela tenta se concentrar.

Emily desliga o chuveiro e permanece parada por um tempo.

Cena 05: (Quarto do hospital – Dia – Int.)

Emily sai do banheiro enrolada em uma toalha e seca o cabelo com outra. Respira fundo tentando sentir-se melhor. Pega as roupas deixadas pela enfermeira em cima da cadeira, examina com cara de desdém e as coloca de volta no ligar. Vai até o armário embutido e examina o que tem dentro e ao fechar a porta do mesmo, se revela um homem no seu quarto, que salta para perto dela. Emily se assusta.

Homem: Shh! Shh! Você está bem? Vamos! Vem! Temos que sair daqui, antes que eles voltem.

Emily tem na expressão um misto de medo, surpresa e confusão.

Fade To Black

Segundo Ato.

Fade to Clear

Cont. Cena 05: (Quarto de hospital – Dia – Int.)

Emily está parada, “congelada” e não sabe como reagir com o estranho que invadira seu quarto e que continua falando coisas sem nexo.

Homem: Vamos Emily, não temos muito tempo!

Emily começa a caminhar para traz.

Emily: Quem é você? Como sabe o meu nome?

Homem: (falando baixo) Não temos tempo para isso. Depois prometo responder todas as suas perguntas, mas agora, precisamos ir!

Emily: Ir para onde? Do que você está falando?

Homem: Aqui não é seguro para você. Esse lugar não é seguro para ninguém.

Emily: Não sei se você percebeu, mas isso aqui é um hospital. Acho que é um lugar bem seguro.

Homem: Olhe pela janela. Apenas olhe.

Emily vai até a janela.

Homem: Agora olha nas extremidades dos portões e me diga o que você vê.

Emily observa homens de vestimentas pretas e botas no estilo militar, fortemente armados fazendo guarda próximo os portões, controlando a entrada e a saída. Emily estranha, mas não se convence.

Emily: (ironizando) E o que tem? Eles prezam pela segurança, fazem o controle de quem entra. Digamos que eles sejam meio paranoicos. O que tem demais?

Homem: Não acha um pouco de exagero, guardas tão bem armados para fazer a segurança de um hospital de cidade interiorana? A missão desses caras é controlar quem entra e sim impedir que alguém saia.

Emily começa a se preocupar com o que está realmente acontecendo.

Homem: Meu nome é Breff Conroy, eu moro em Mirella há quatro anos. Desde que sofri um acidente de carro na rodovia 278 e fui trazido para cá desacordado. Eu não estava indo de New York para as praias da Califórnia, estava indo para o Maine.

Emily: Não estava indo para o sul. Estava indo para o norte.

Breff: Igual a você.

Emily: Mas o doutro Burke…

Breff: O que te disse? Que aqui pode ser seu lar também? (irônico) Não se sinta especial, ele diz para todos. (pausa) E então, você vem ou não?

Corta.

Cena 06: (Estacionamento do pátio – Dia – Ext.)

A imagem acompanha Breff caminhando rapidamente, mas sem chamar a atenção e é seguido por Emily, ainda confusa, sem saber se está fazendo o certo. Breff é um jovem alto e magro, a barba por fazer e a jaqueta envelhecida, confunde o pré-julgamento de Emily. Logo à frente, um rapaz, dentro de um carro (tipo caminhonete), faz sinal para que os dois se apressem. Os dois entram no carro.

Rapaz: O que é? Estava tentando nos matar?

Breff: Relaxa, é que foi difícil convencer a moça aqui a me acompanhar. A propósito, esse é Pedro.

Pedro estende a mão, mas Emily não corresponde.

Pedro: (sem graça) Prazer!

Emily acena com a cabeça.

Pedro: (meio sem jeito) Ok. Bom como vamos passar pelos guardas sem que a vejam?

Breff: Ela vai ter de se esconder.

O carro para do lado de uma guarita, antes de uma barra de ferro que faz o controle de quem sai. Um homem de preto e bem armado se aproxima com uma prancheta na mão.

Guarda: Nome?

Breff: Breff Conroy.

Pedro: Pedro Sanchez.

O guarda observa que no banco de traz, uma grande lona cobrindo alguma coisa.

Guarda: O que tem debaixo da lona?

Breff: (Balbuciando) Hã… Comida. Salgada demais.  Pediram para vir buscar a comida de volta. Sabe como é, sal, pressão arterial e hospital. Péssima combinação.

Guarda: Entendi. Peça para Mimi maneirar no sal da próxima vez.

Pedro: Pode deixar. Acho que a velha está apaixonada por alguém. Só resta saber por quem. Espero que não seja por mim.

Ainda rindo do comentário de Pedro, o guarda libera o carro dando dois tapas na lataria da caminhonete.

Corta.

Cena 07: (Ruas de Mirella – Dia- Ext.)

O carro segue pelas ruas de Mirella. Poucas pessoas caminham pelas calçadas, dando o ar de uma tranquilidade anormal ao lugar. Emily permanece coberta pela lona, até que Breff a descobre.

Breff: Ei, pode sair. Está segura agora.

Emily: (gritando) Parem o carro?

O carro para imediatamente.

Pedro: Garota, o que você tem no lugar das cordas vocais? Um megafone?

Emily: Vocês podem me dizer o que está acontecendo?

Breff: Calma Emily. Assim que chegarmos ao nosso destino, eu te explico tudo.

Emily: (irritada) Eu sofri um acidente, fiquei por três dias desacordada e meus pais nem sabem o que houve comigo. Então um maluco entra no meu quarto dizendo que estou correndo perigo e eu, mais maluca ainda, decido fugir do hospital com ele e o amigo mexicano dele.

Pedro: Porto Riquenho.

Emily: Tanto faz! Então não venha me pedir para ter calma, nem para continuar dentro desse carro com vocês. Esse carro só anda depois que me explicarem o que está acontecendo.

Breff suspira e olha para frente.

Breff: Droga!

Pedro olha para frente.

Pedro: Ai caramba, é o Charlie. Ele está vindo para cá.

Breff: Tudo bem, não entrem em pânico.

Emily: E porque eu entraria?

Breff: Apenas não diga uma palavra.

Charlie para na janela, no lado do passageiro.

Charlie: Meu querido irmão, Sancho Pança (dirigindo-se a Pedro e fazendo menção ao fiel escudeiro de zorro e em seguida para Emily) e você… Eu te conheço?

Antes que Emily possa responder, Charlie toma a frente da situação.

Breff: É claro que conhece. Essa é… É a… Mindy! Ela vive conosco na fazenda.

Charlie: Tem certeza? Acho que me lembraria de já a ter visto.

Breff: (irônico) Talvez seja a idade.

Charlie: Qual a nossa diferença de idade?

Breff: Mas eu me refiro à idade daqui.

Breff bate com o indicador na testa.

Os dois se entre olham, desafiadoramente.

Charlie: O que você está aprontando Breff?

Breff: Para que você quer saber? Para sair correndo e contar a seu chefinho? Charlie.

Pedro: Olha. Eu realmente aprecio esse convívio familiar, mas temos que ir. Certo Breff?

Os dois continuam se encarando.

Breff: Certo cara. Nem todos nós estamos com a vida ganha.

Charlie: Nem todos, fizemos às escolhas certas.

Breff: Tchau, Charlie!

Charlie: Tchau, Breff. Sancho.

Pedro acena com a mão.

Charlie: Mindy, ou seja, lá qual for o seu nome.

O carro segue, deixando Charlie, no meio da rua e intrigado, enquanto observa a caminhonete se distanciando. Nesse momento, surge Charlotte, do outro lado da rua, chamando a atenção de Charlie. Ele corre e atravessa a rua encontrando sua noiva na calçada.

Charlotte: Ei!

Charlotte abraça o noivo calorosamente e lhe beija.

Charlie: Ei Você.

Charlotte: Tudo bem? Parece tenso.

Charlie: Tudo bem. É apenas meu irmãozinho aprontando das suas.

Charlotte: Você e seu irmão, essa relação parece algum tipo de carma. Vocês estão sempre envolvidos direta ou indiretamente nos mesmos eventos e sempre de lados opostos.

Charlie: Eu sempre tentando consertar as besteiras dele, você quer dizer né? (pausa) Seu pai tem acesso aos arquivos da cidade, certo?

Charlotte: Sim. Todos os moradores de Mirella já passaram pelo hospital. Nós sabemos que isso é quase que um ritual por aqui. Por que a pergunta?

Charlie: Será que você consegue achar o arquivo de uma pessoa para mim?

Charlotte: Acho que sim. Qual o nome da pessoa?

Charlie: Procure por Mindy.

A imagem se afasta para o alto, deixando os dois parados na calçada.

Fade to Black

Terceiro Ato

Fade to Clear

Cena 08: (Estrada de Mirella – Dia – Ext.)

A câmera aérea segue a caminhonete por uma estrada cercada por campos abertos de ambos os lados.  Mais a frente surge uma fumaça densa, vista ao longe.

Pedro: (apontando com o queixo) Breff!

Mais à frente a caminhonete para a beira da estrada e sai, Emily permanece dentro da caminhonete, curiosa.

Ao longe se vê um antigo farol, porém muito imponente na paisagem horizontal. Pedro caminha até a beira da estrada e observa a paisagem ao longe.

Breff se aproxima e para ao lado do amigo.

Breff: O que será que houve?

Pedro: Não dá para saber. Será que foram eles?

Emily: Eles quem?

Emily se aproxima com os braços dentro dos bolsos traseiros.

Breff: É complicado dizer.

Emily: Você podia tentar. Sabe o que eu acho? Que vocês são os caras ruins aqui, que eu deveria ter ficado no meu canto, esperando o doutor Burke me dar alta e dar o fora daqui. Eu acho que ele é o bom moço aqui.

Pedro: Não, não é! Pode acreditar que salvamos a sua vida!

Pedro sai andando visivelmente irritado e incomodado com aquela situação.

Emily: (constrangido) O que está acontecendo aqui?

Breff: Emily, essa não é uma cidade como as outras. Coisas acontecem com as pessoas e nem sempre conseguimos explicar. A irmã do Pedro foi uma delas.

Emily: O que aconteceu? Ela morreu?

Breff: Provavelmente, (pausa) ela desapareceu, há dois anos. Enquanto brincava perto daquele antigo farol.

Emily: E o que a policia diz sobre isso?

Breff: Digamos que a policia não se empenha muito nesses casos.

Breff caminha até o carro, onde Pedro está encostado.

Emily: Porque não? Eles têm medo de não conseguir desvenda o caso?

Breff: Não, eles têm medo é do que vão descobrir.

Breff encosta na caminhonete ao lado de Pedro e joga o braço no ombro do amigo tentando conforta-lo.

Corta.

Cena 09: (Hospital de Mirella – Dia – Int.)

Vemos o corredor do hospital, bem movimentado. A imagem acompanha o Doutor Howard Stevens, que anda apressado até entrar em um quarto, onde encontra Burke, Nancy e o Delegado Tuk.

Bradley Tuk termina de escutar as ultimas informações dadas por Nancy.

Nancy: Foi coisa de minutos. Quando voltei, ela já não estava mais aqui.

Tuk: Tudo bem Nancy, acho que já é o suficiente.

Stevens entra e se dirige a Burke, sem perceber as demais pessoas no ambiente.

Stevens: O que houve aqui? Fiquei sabendo que a garota sumiu? Como isso foi acontecer Abraham?

Burke: Doutor Stevens essa não é a melhor hora…

Stevens: Melhor hora? Nós sabemos o que o desaparecimento dessa garota pode nos representar.

Tuk: E o que pode representar?

Ao perceber que não estão a sós, Stevens se mostra surpreso.

Burke: Desprestigio ao nome do hospital. Doutor Stevens é muito preocupado com a imagem do hospital.

Tuk: (desconfiado) Bom, acho que já acabamos por aqui.

Burke: Ela não fez isso sozinha.

Tuk: Desculpe doutor Burke, não entendi.

Burke: Ela não fez isso sozinha, não saiu daqui sozinha. Teve ajuda de alguém. Ela está machucada e não conseguiria sair pelos portões sem ser notada.

Tuk: Não se preocupe doutor Burke, nós vamos encontrar a moça.

Burke: Faça isso Tuk. Já está anoitecendo e nós sabemos o que pode acontecer quando anoitece por aqui.

Tuk: Bom, com licença e qualquer novidade entre em contato comigo.

Tuk sai do quarto e é seguido por Nancy.

Burke: Tome mais cuidado Stevens, assim como o desaparecimento dessa jovem, a sua falta de descrição, também pode nos trazer problemas.

Burke se volta para a janela e observa a movimentação do lado de fora.

Burke: Foram eles Howard. Eles estiveram aqui.

Stevens: Aqui? Mas eles não entram aqui.

Burke: Parece que agora entram.

Corta.

Cena 11: (Orfanato – Dia – Int.)

Charlotte entra em uma grande sala, onde estão muitas crianças, acompanhada de Charlie. As crianças são assistidas por alguns adultos

Charlie: É incrível o que você faz por essas crianças.

Charlotte: Elas precisam de algum tipo de apoio. Acho que as crianças são as maiores vítimas do que acontece por aqui.

Charlie: Char, não vamos começar com essa história de novo. Pessoas morrem todos os dias. É assim aqui, como em todo o resto do mundo.

Charlotte: Você sabe que Mirella não é como o resto do mundo.

Charlie: É sim.

Charlotte: Então me diga quantas cidades são comandadas por um prefeito que ninguém conhece e tem como executor de suas ordens, um médico que praticamente mora em um hospital que é a porta de entrada e de saída da cidade, onde a polícia não faz a mínima questão de procurar por seus desaparecidos e que joga os filhos desses em um orfanato, esperando eles crescerem e serem os próximos? Quantas covas vazias têm nessa cidade Charlie?

Charlie: O seu pai é um homem muito delicado à profissão. E a prefeitura faz o que pode para amparar as crianças que ficam sem seus pais.

Charlotte: Diz isso porque você faz parte dessa elite. É você que tapa os buracos deixados pelos acontecimentos. Você está sempre esperando pela próxima bizarrice dessa cidade.

Nesse momento um grito vindo da sala ao lado, assusta a todos. Uma mulher corre até a sala principal onde estão Charlotte e Charlie.

Mulher: Oh meu Deus! Ali, na outra sala!

Os dois correm seguidos por algumas crianças até a sala do lado, onde esta apenas um garotinho sentado no canto, virado para a parede.

Charlotte: Ei, tudo bem?

Charlotte caminha cautelosamente.

Charlotte: Está tudo bem querido. Você está bem?

O menino parece estar comendo alguma coisa enquanto libera um agudo e baixo gemido.

Charlotte está hesitante, quando Charlie se põe a frente e puxa o menino, revelando uma cena chocante.

Charlotte: Meu Deus!

O menino chora enquanto mastiga o próprio braço.

Menino: Me ajuda.

Charlie carrega o garoto envolto a um lençol encharcado de sangue, em direção ao carro e o acomoda no banco de trás.

Charlie: Fique calmo! Vai ficar tudo bem. (pausa) O que você fez garoto?

Charlotte é seguida por uma funcionaria do orfanato.

Mulher: Meu Deus, como isso foi acontecer?

Charlotte: Tem muita coisa que eu não sei explicar.

Mulher: Mantenha-nos informados! Aqui estão os documentos.

Charlotte pega os documentos do menino e segue para o carro.

Charlotte: Qual o nome dele?

Mulher: Benjamin Evan!

Charlotte entra no carro e o mesmo dispara em direção ao hospital.

Fade to Black

Quarto Ato.

Cena 12: (Fazenda – Dia – Ext.)

A caminhonete segue por uma estrada que adentra aos limites de uma grande fazenda, ao fundo uma grande casa de madeira. Emily observa pessoas exercendo tarefas na extensão da propriedade. O carro para e eles descem, Pedro pega algo no porta-malas e Emily se posiciona ao lado de Breff.

Emily: Que lugar é esse?

Breff: Alguns chamam de fazenda, outros de base. Eu chamo de lar.

Emily: Quantas pessoas moram aqui?

Breff: Somos em vinte e um.

Emily: (admirada) Nossa quanta gente!

Pedro: Isso agora, pois, éramos trinta e dois.

Emily recebe o comentário de Pedro com surpresa.

Breff: Vamos! Tem uma coisa que quero te mostrar.

Mimi sai da casa e vai em direção aos três recém-chegados.

Mimi: Estava preocupada com vocês.

Breff: Você se preocupa demais. Foi tudo bem.

Emily se aproxima.

Breff: Mimi, essa é Emily. Emily, essa é Mimi. A “comandante” de todos por aqui.

Mimi: Eu prefiro ser chamada de “mãe” de todos.

As duas se cumprimentam.

Mimi: Você deve estar cansada, precisando de um banho.

Breff: Antes eu quero mostrar uma coisa a ela.

Mimi: Tudo bem, mas não demorem, já está escurecendo.

Breff e Emily tomam um rumo diferente de Mimi e Pedro, que seguem para a casa grande. Os dois caminham para a parte de trás da casa perto de um grande celeiro.

Emily: O que o Pedro quis dizer com “éramos trinta e dois”?

Breff: Exatamente isso. Perdemos onze dos nossos.

Emily: Eles desapareceram?

Breff confirma com a cabeça.

Emily: E a polícia nada fez para encontra-los? Eu não entendo. Por que isso?

Breff: Emily, para entender esse lugar é preciso ficar mais tempo aqui.

Emily: (rindo) Me desculpe, mas não conseguiria morar numa fazenda. Sabe, sou urbana, gosto de poluição, do barulho da cidade grande. Ar puro? Plantação de trigo? Não Obrigado!

Breff: É por isso que eu dei duro para arruma-lo pra você.

Eles param diante de um grande objeto coberto por uma lona surrada.

Breff puxa a lona e se revela o Wolksvagem de Emily. Sem acreditar no que vê, Emily adentra e se maravilha com seu carro novo em folha.

Emily: Mas… Como?

Breff: Eu esperei você ser levada para o hospital. Depois, com a ajuda do Pedro, o trouxemos pra cá. Agora você pode ir à cidade sempre que quiser tudo bem que a poluição de Mirella não se compara a de…

Emily: Como assim? Ir à cidade?

Breff: Emily existe coisas que…

Emily: Eu não vou ficar aqui. Você diz que as pessoas daquele hospital são perigosas, que querem me convencer a ficar aqui e você está fazendo a mesma coisa. Eu tenho família lá fora, pessoas que devem estar preocupadas comigo. Me desculpe, mas se passou pela sua cabeça que eu poderia considerar a ideia de ficar aqui, brincando de fazendeira…

Breff: Isso não uma brincadeira. E está longe de ser diversão, mas se quer ir embora, tente. Talvez nada do que eu diga adiante. Eu também custei a acreditar.

Emily: Está vendo! Você não diz coisa com coisa. O que é que eu preciso acreditar? Por que eu?

Breff: Você verá Emily, e você vai voltar.

Sem dizer mais nada, Breff se afasta deixando Emily intrigada com a conversa.

Corta.

Cena 13: (Hospital – Dia – Int.)

Charlie tenta obter informações com uma recepcionista, enquanto Charlotte permanece sentada, quando Dr. Burke atravessa o corredor em direção aos dois.

Burke: Ele vai ficar bem.

Charlotte suspira de alívio.

Charlie: Qual o problema desse garoto? Ele estava mastigando o próprio braço.

Charlotte: Qual o quarto que ele está?

Burke: Ele está na ala de isolamento.

Charlotte: Por quê? Acha que é algo contagioso? Que as pessoas que ficarem perto dele, começarão a mastigar parte de seus corpos?

Charlie: Char, por favor.

Charlotte: O que? O que vai acontecer com ele?

Burke: Nós vamos fazer o que for necessário para ajuda-lo.

Charlotte: Como? Desaparecendo com ele também?

Charlie: Já chega. Você está nervosa, vamos para a casa.

Burke: Eu queria saber quem está colocando essas ideias na sua cabeça.

Charlotte: Eu não sou cega como a metade dessa cidade pai.

Burke: Então é a outra metade.

Charlie: Me desculpe, doutor Burke. Vamos Char.

Charlie puxa Charlotte, enquanto a mesma encara o rosto de Dr. Burke se afastar.

Corta.

Cena 14: (Compilação de cenas)

Cena 1. Breff observa Emily se distanciar com o carro e pegar a estrada que a leva para fora dos limites da cidade.

Cena 2. No hospital, Nancy olha alguns prontuários, em mais uma noite de trabalho.

Cena 3. Breff arruma algumas coisas dentro da pequena casa de madeira. Sai e tranca a porta. Ao se virar, sua expressão de surpresa revela que algo o observa do lado de fora. Um grande clarão se derrama sobre seu rosto. Ele esta atônita, sem reação.

Cena 14: (Estrada – Noite – Ext.)

Emily dirige em uma velocidade considerável. A estrada, muito bem conservada, parece um tapete esticado e Emily está contente por estar indo embora. Ela observa ao longe, o imponente farol que viu mais cedo ao lado de Breff e Pedro. O carro começa de balançar e Emily tira o pé do acelerador, fazendo o carro parar lentamente. Emily não acredita no que vê. Intrigada. Ela sai do carro e caminha até a frente do carro e a sua frente, o fim da estrada, simplesmente interrompida por uma grama alta (como se a estrada estivesse inacabada). Chateada, Emily vira-se na intenção de voltar para o carro. Outro susto! A autoestrada por aonde vinha deslizando com seu carro, simplesmente sumiu. Agora Emily esta parada com seu carro cercada de mato por todos os lados.

Continua…

 

Escrito por:

CLAYTON CORREIA RIBEIRO

Nesse episódio:

BENJAMIN EVANS 

BREFF CONROY 

CHARLIE CONROY 

CHARLOTTE BURKE 

  1. ABRAHAM BURKE 
  2. HOWARD STEVENS 

EMILY EVERETT 

NICKOLAY GRANDJEN (Homem) 

MIMI CASTRREL 

NANCY WRIGHT 

PEDRO SANCHEZ 

XERIFE BRADLEY TUK 

  • Charlotte Marx

    Adoro ganchos! Esse final foi de arrepiar. O que acontecerá com Emilly?

    Confesso que a sinopse me chamou bastante a atenção, não só pela história, mas também pelo seu comprometimento em construir um enredo ousado. Adoram dizer por aí que sou uma leitora voraz, eu já me considero na categoria apaixonada pela atividade e nada mais, haha. Porém nunca tive contato com algo parecido na literatura, você resgata um pouco o estilo de cinema, do audiovisual e cria um arranjo altamente harmônio com a narrativa em roteiro. Você quebra um pouco aquele mecanicismo do sai cena, entra cena, fica algo fluído, natural. Que continue assim.

    Ansiosa para os próximos capítulos.

    • Clayton Correia

      Fico feliz e emocionado pelas palavras!