A oeste do paraíso – conto – chamada

 

Lar: Local onde mora uma família = CASA

 

 

 

 

… Talvez não para Marcelo

 

 

 

 

 

 

 

-Me deixa em paz!

Marcelo gritava ferozmente ao mesmo tempo em que lutava para se desvencilhar das garras de seu pai, que num último esforço tentava segurá-lo pelas costas da camisa.

-Me deixa em paz – ele repetiu entre os dentes – Nunca mais nem você e nem ela vão encostar as mãos em mim, entendeu?

 

 

 

 

 

 

– Não conseguiu ir adiante, seu merdinha? – Armando arqueou uma das sobrancelhas antes de descer o último degrau do lance de escadas que levava ao segundo andar da casa – O mundo aí fora te mostrou que o lar, doce lar, é o melhor lugar para estar, não é mesmo? – completou com um sorriso cínico rasgando os seus lábios.

Marcelo respirou fundo e permaneceu imóvel, aguardando a aproximação do pai, que aconteceu sem pressa, enquanto o media de cima a baixo.

Quando, por fim, apenas alguns centímetros os separavam, sentiu a mão pesada de Armando lhe cair sobre um lado da face. Não reagiu de imediato, permanecendo em silêncio, como sempre, entretanto não demorou a levantar o rosto para encarar o pai de maneira firme e decidida, disposto a pagar o preço que fosse por aquele gesto de extrema coragem, na verdade, uma emergencial coragem.

– Por onde você andou seu filho da puta para chegar aqui desse jeito, maltrapilho, cheirando a azedo?

Armando o empurrou com força, e mesmo tentando se equilibrar, Marcelo acabou caindo sentado sobre o sofá, batendo com as costas violentamente em um dos apoios de braços.

Marcelo recebeu outro tapa no rosto antes mesmo de conseguir alcançar com uma das mãos o lado das costas atingido.

A energia que o pai depositara naquele gesto o projetou sobre o encosto do sofá, onde caiu com o rosto virado para a entrada da cozinha, percebendo, então, a mãe parada sob o batente da porta segurando com força os ombros de Bruna.

Fechando e abrindo os olhos rapidamente, Marcelo voltou-se na direção do pai, e o encarou, desafiador, ao mesmo tempo em que ensaiava um movimento para se colocar de pé.

Fechando e abrindo os olhos rapidamente, Marcelo voltou-se na direção do pai, e o encarou, desafiador, ao mesmo tempo em que ensaiava um movimento para se colocar de pé.

 

O ódio entre pai e filho atingira um patamar inconcebível, e Armando, ao visualizar o semblante de Marcelo carregado de cólera e também desprezo, saltou sobre ele com extrema violência.

 

 

Hoje, as 21h, 

um conto de Francisco José Siqueira

Francisco José Siqueira
Um belo dia, comecei a escrever sem saber que me acorrentara para o resto da vida a um amo nobre, mas impiedoso... Deus quando nos dá um dom também entrega um chicote a ser usado especialmente na autoflagelaçao. - Truman Capote - * email para contato: f.araujo72@ig.com.br