O portal dos Sonhos: Capítulo 7

O portal dos Sonhos: Capítulo 7

 

Já tinha se passado mais de uma hora que estava enfiada na banheira, a água já havia esfriado. As palavras de Matt perturbavam meus pensamentos não dando lugar a mais nada. Suspirei fundo mantendo meu olhos fechados por mais alguns segundos.

Podia sentir em meus ossos todo o cansaço do dia, mas o que mais me afligia era ter que contar para minha mãe sobre a visita de Matt, não tinha pior hora para ele aparecer, ainda mais com informações de meu pai, minha mãe tremia só de pensar nele. Levantei da banheira puxando a toalha que estava sobre a pia enrolando-me nela, procurando cobrir meu corpo da brisa que entrava pelo vão da janela entreaberta me causando calafrios.

Por alguns segundos fiquei observando meu reflexo no espelho, e pensando como entrar no assunto, já eram quase dez horas, minha mãe podia chegar a qualquer momento. Ainda enrolada na toalha, fui até meu quarto e liguei meu rádio.

Para minha alegria estava tocando a música “Paramore – Decode.” Que eu amava, adoro viajar em meus pensamentos ouvindo-a. Aumentei o som e fui até a janela abrindo-a para respirar um ar fresco. A rua estava deserta, havia apenas uns cachorros fuçando o lixo. Procurando esquecer, Matt, minha mãe, meu pai e todos os problemas que insistiram aparecer todos juntos de uma vez só, tentei pensar em algo que me trouxesse um pouco de paz… Breno! Mas ao pensar nele, além de seus olhos lindos, seu corpo escultural e aquelas mãos firmes, não conseguia deixar de lembrar o acontecimento no curso (o surto inesperado do professor e sua tentativa de me matar, sinceramente não fiz nada para que ele pirasse, ele devia estar muito chapado naquele dia, apesar de não ter conhecimento de ele usar algum tipo de droga) e a reação suspeita de minha mãe quando contei da volta de Breno a cidade.  Não sei qual mistério resolver ou procurar entender primeiro, tem alguma coisa muito errada aí… Mas eu vou descobrir. Levei às mãos a cabeça ainda deitada na cama, e antes de me levantar respirei fundo tentando dispersar todos os pensamentos. Meu estômago estava me avisando que estava na hora de comer alguma coisa. Abri o guarda-roupa pegando o primeiro pijama em minha frente, um conjuntinho que eu havia ganhado da minha mãe, era meio infantil, mas eu adorava, o short era curtinho com corações vermelhos e a blusa tinha um casal de ursinhos, bem fofo. Sorri ao lembrar-me do dia que minha mãe me deu, ela sorria observando minha reação. Minha cara de espanto meio que dizia (Até parece que vou usar isso mãe, se você não percebeu, eu cresci) Mas na verdade havia adorado, e ela sabia disso.  Passei o os olhos no relógio novamente, estranhando a demora de minha mãe, já devia ter chegado, já eram dez e meia, mas como ela sempre se atrasa não dei muita importância.

Aumentei mais o radio para que pudesse escutar a música na cozinha, essa hora só passava musicas boas, desci as escadas dançando ao ritmo de Stronger – Kelly Clarkson, amo ela! Às vezes me sinto uma completa doida desvairada. Sorri aliviada por estar sozinha. Abri a geladeira pegando uma geleia de morando deliciosa, margarina e fiz um sanduiche da hora. Enquanto subia as escadas indo para meu quarto, ouvi um barulho forte que parecia vir da rua, o estouro era semelhante de uma bomba, nem o som da música abafou o estrondo, parei na metade da escada e desci correndo indo até a porta. Abrindo- a, corri desembestada para fora, oque não costumava fazer, mas levada por impulso quando me dei conta já era tarde. Olhei para os lados procurando o motivo do barulho, e há alguns metros da minha casa, avistei dois carros que haviam batido de frente bem próximo de uma árvore, a fumaça que saia deles impediu que eu reconhece os dois caras que estavam brigando. O vento forte fazia com que as folhas voassem em minha direção, com a mão sobre o rosto tentando impedir a cortina de poeira que vinha em minha direção, me aproximei para ver se alguém havia se ferido. Mas para minha surpresa e espanto, eram as duas pessoas que eu nunca imaginaria ver ali, quase em frente minha casa. Breno e Matt.

– O que vocês estão fazendo aqui uma hora dessas? Vocês se conhecem? Perguntei intrigada.

– Eles pararam de brigar encarando-me em silêncio. Breno e Matt se entreolharam como se estivessem combinando o que responder…

– E então, o gato comeu a língua de vocês? Vocês dois estão me vigiando? Ergui a sobrancelha irritada, ao colocar a mão na cintura, me dei conta que segurava o pão e que estava de pijama na rua. Senti meu rosto corar na mesma hora, enquanto os dois me olhavam de cima em baixo.

– O que estão olhando, não vão falar nada?

O silêncio deles estava me deixando furiosa. Breno estava lindo, calça Jeans preta, e uma camisa polo vermelha apertada, a cara de safado dele me deixava doida. Enquanto Matt estava de bermuda xadrez e blusa regata branca, o que ressaltava ainda mais seus olhos e cabelos, deixando-os ainda mais negros na noite.  Matt também era bonito, meio despojado, e sabia ser divertido quando queria, mas não existia mais nada entre nós, não havia sentimento algum, além de desprezo. Matt tinha um jeito de playboy encrenqueiro, enquanto Breno tinha um porte de homem maduro e decidido, um pouco sedutor demais eu confesso, resumindo, um era o oposto do outro, sendo que havia algo em comum neles, os dois eram misteriosos. E agora eles teriam que me explicar o que estavam fazendo nos arredores da minha casa.

– Você esta muito sexy! Disse Breno com aquele sorriso malicioso.

– Coloca sexy nisso! Resmungou Matt, com um olhar pretencioso.

– Vocês só podem estar zoando com minha cara e paciência né, para quem estava quase se matando, agora estão em concordância? Olhei para a casa em frente e notei movimento na cortina, os vizinhos estavam espiando-nos atraídos pelo barulho.

– Vocês vão ou não me responder o que estão fazendo aqui? Minha mãe esta para chegar e não vai gostar de me ver aqui na rua conversando com vocês, ainda mais com esses trajes. Olhei para eles apreensiva esperando uma resposta.

– Eu estava passando quando esse otário bateu no meu carro! Disse Matt encarando Breno que retornou o olhar com raiva.

– Ele que bateu no meu carro esse… Bufou Breno.

– Hei, gritei.

– Eu só queria saber se você estava bem, já que não apareceu e nem ligou. Disse Breno Fuzilando Matt impaciente.

– Espera aí, tem alguma coisa errada, Matt, por que você estaria passando aqui essa hora sendo que você nem mora por aqui? Inventa outra.   Esbravejei sem conter minha raiva, conhecia bem suas mentiras deslavadas… Prossegui…

– Breno, desde quando você se preocupa comigo, mal nos conhecemos, e como poderia te ligar se nem tenho o seu número? E só para esclarecer, não apareci na casa da Susan, por que não moro lá, e já havia saído de manha, por que voltaria?

– Espera aí, você dormiu com esse cara? Perguntou Matt voando para cima de Breno que sem perder tempo socou a cara dele.

– Parem com isso, parecem crianças. Eu vou entrar e vocês somem daqui, já vi que não vão falar mesmo o porquê estavam rondando minha casa. Tenho mais coisa para fazer.  Falei me afastando.

– Catherine, espera. Disse Breno vindo em minha direção.

– Desculpa, não queria te chatear, disse ele passando a mão em meus cabelos, senti meus pelos arrepiarem.  Vim aqui porque precisava te ver. Prosseguiu… Precisava saber se você estava bem, seu braço parece estar bem melhor.  Sussurrou ele aproximando-se do meu ouvido. Você esta incrível com esse pijama. Senti seu hálito quente em meu pescoço. Antes que algo a mais acontecesse o empurrei para trás. Contendo-me para não agarrá-lo ali mesmo.  Antes de se afastar por completo, ele enfiou a mão no bolso da calça jeans pegando uma caneta, e puxando minha mão rabiscou alguma coisa nela. Dando um beijo em minha testa voltou para o carro, dando um empurrão em Matt que estava em seu caminho em silêncio nos observando. Tchau, até breve, disse ele antes de sair arrancando o carro, cobrindo eu e Matt de poeira. Continuei a andar em direção á minha casa, sem dar atenção a Matt que continuava parado me olhando.

– Não vai nem dar tchau, também quero um beijinho na testa. Berrou Matt quase se afogando em sua raiva.

– Vai embora Matt… Dando uma pequena pausa continuei…  E pra sua informação não fui eu que o beijei. (Devia ter pedido para o Breno) Provoquei olhando-o por cima do ombro dando uma piscada antes de se aproximar do quintal da minha casa.

– Você sabe o que vai acontecer Catherine se você continuar com isso! Berrou Matt enquanto eu batia a porta. Ignorando-o.

Após entrar em casa encostei-me à porta suspirando profundamente, enquanto tentava digerir o que acabará de acontecer. Olhei para o pão em minha mão o colocando sobre a mesa, havia perdido a fome. Enquanto ia para meu quarto abri a mão olhando o que Breno havia rabiscado.

(98577-00xx)

“Me liga anjo! Bj”

Balancei a cabeça sorrindo. Era só o que me faltava, não quero nem imaginar quando Susan souber disso. Há dois dias estava sozinha, agora tem dois caras me cercando, apesar, que só um me interessa. Resmunguei me jogando na cama, (Mesmo que não quisesse precisa admitir, eles ficaram ainda mais gatos brigando) Sorri sem acreditar em meus pensamentos… Já era quase meia noite, com essa confusão acabei esquecendo-se de ver se tinha mensagem da minha mãe. Levantei rápido procurando o celular que estava em cima da minha cômoda. Cinco mensagens e quatro ligações perdida.

“Minha mãe vai me matar” pensei.

– Catherine esta tudo bem aí?

– Porque não responde e não atende minhas ligações, estou preocupada!

– Assim que ver me liga, ou me responda. Amanhã terei uma reunião bem cedo e resolvi ficar por aqui mesmo, se cuida!

Bj Mamãe!

Respondi rápido escrevendo a primeira desculpa que veio em minha cabeça.

Oi mãe cheguei tão cansada que acabei dormindo, só vi agora…

Estou bem, não se preocupe… Boa reunião… Bjs

Após enviar a mensagem, respirei aliviada por minha mãe não ter vindo, ela iria pirar se visse o que aconteceu além que eu teria que falar com ela sobre o aviso de Matt. Coloquei o celular no criado mudo e deitei, precisava dormir… Após algum tempo me revirando de um lado para o outro adormeci.

 

CONTINUA…

Cainara Biondo

Produtora/ diretora de divulgação – Cyber Séries

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