O portal dos Sonhos: Capítulo 4 – Perguntas sem respostas

O portal dos Sonhos: Capítulo 4 – Perguntas sem respostas

– E então, como esta seu braço? Perguntou quase encostado totalmente em meu corpo.

– Ah, ja esta bem melhor, obrigada… Fez um bom trabalho.  Respondi rapidamente dando um passo para trás… Não sei se ele fazia de propósito, mas ele era muito bom em me deixar sem graça. Não sei por que tem pessoas que tem a mania de conversar quase que nos beijando, ou toda hora encostando. Que chato… Ele sorriu como se estivesse lendo meus pensamentos e discordando deles. E antes de pensar qualquer outra coisa estúpida, ele se aproximou sendo mais ousado dessa vez. E sem perder tempo, ele se lança sobre mim levando suas mãos em minha cintura… Olhando fixamente em meus olhos ele sussrura em meu ouvido.

– Não tenha medo, vou proteger você. Senti o arrepio dominar todos os pêlos do meu corpo.

Assim que processei o que acabará de ouvir. Respirei fundo, levando minha mão em seu peito nu afastando-o, mas não tão ráido como deveria. Por mais difícil que fosse, era preciso. Afinal não sabia nada dele, nem mesmo que existia até poucas horas atrás. Mesmo não sentindo assim, ele era um completo estranho.

– Porque esta fazendo isso? Eu… Nunca ninguém como…

– Já sei oque você quer falar Catherine… Nunca ninguém como eu se sentiu atraído por você! É isso? Perguntou, apertando ainda mais suas mãos em minha cintura. Senti meu corpo esquentar numa frequencia sem controle ao sentir o calor de seu corpo, não havia mais nenhum espaço entre nós.

-Sim… Não… Quer dizer… Não sou o tipo de mulher que atraem caras como você. Falei dando novamente um passo para trás e me desvenciliando dele. Notei que ele revirou o olho chateado, e com um leve movimento inclinou a cabeça para o lado. Andando pelo quarto, enquanto eu me sentei na cama olhando fixamente para o nada.

Por mais que o achasse lindo, atraente, gostoso, não podia ser assim, não o conheceço, não sei quem ele é. Para o primeiro dia que nos conhecemos, acho que ele esta indo com muita sede ao pote. Não que eu não quisesse matar a sede dele e algumas coisinhas a mais… Apesar de que, imaginar deitar em seu peito, se enroscar em seus braços e…  Ai meu Deus…

– Posso saber no que esta pensando? Perguntou enquanto pegava um porta retrato em cima do criado mudo.

– Melhor não, mordi os lábios tentando me conter. Ele franzui a testa sorrindo.

– Há quanto tempo conhece a Susan? Perguntou olhando fixamente para o retrato dela comigo. Colocando-o em seguida em seu lugar.

– Fez um ano que nos conhecemos, por quê? Assim que nos mudamos para London ela foi a primeira a se aproximar dando boas vindas. Mas não eramos de andar juntas como hoje.

– Há, não me espanta, ela sempre foi assim… Receptiva e atenciosa. Até demais às vezes. Nada demais, fiquei curioso, conheci algumas amigas dela, mas não me lembro de ter visto você. E se tivesse visto seu rosto jamais esqueceria. Nesse instante senti meu rosto corar. Enquanto ele me lançanvada novamente um sorriso, mas dessa vez um pouco mais dissimulado.

– Hum, senti uma pontada de ciúme aí da irmazinha! Comentei sorrindo prosseguindo em seguida. – Nem tinha como me conhecer, você não ficou fora por mais de um ano? Por falar nisso, por onde você andou sem dar notícias? Ele desviou o olhar abaixando a cabeça. Parecia ter se incomodado com minha pergunta. Sem graça, continuei…

 

– Já nos conhecíamos antes, mas só fomos ficar amigas quando comecei a fazer estagio na Livraria um ano atrás, na verdade Susan foi bem generosa em me arrumar emprego lá, adoro aquele lugar.  Enquando ele andava no quarto esibindo seu peito lindo e nu, notei algo que me fez lembrar do surto do professor. Em suas costas havia uma tatuagem, mas como ele não ficava parado não conseguia identificar o que era, parecia um símbolo.  Mas havia algo ali que parecia ser bem recente. Um enorme aranhão, e não parecia ser de uma mulher insatisfeita.

-Breno, como você apareceu no curso? E quando chegou lá, o que você viu?  Perguntei desconfiada.

– Hum…  Quer falar mesmo disso?

– Quero algum problema com minhas perguntas?

– Claro que não, é que pensei…

-Pensou errado.  Desta vez eu que cortei sua frase ao meio.

– Nossa não imaginava que você fosse assim…

-Assim como? Direta? Retruquei desta vez séria.

– Não sei o que você pensou de mim, mas, já vou avisar, não sou desse tipo de mulher que você esta acostumado a jogar seu charme. Conclui indo até a janela e abrindo-a, precisa de um pouco de ar. Mesmo me sentindo atraida por ele, ele não precisa saber disso.

– Hei calma. Porque tanta agressividade?

-Não muda de assunto Breno. Não estou sendo agressiva e sim direta. Pelo jeito você não esta acostumado a lidar com isso né? – Porque os homens quando se sentem encuralados adoram mudar de contexto? Franzi as sombrancelhar encarando-o.

– Bem, parece que começamos mal. Não estou reclamando do seu jeito, gosto de como você é.  E só para você saber, não estou tentando mudar de assunto, você que não para de falar e fazer perguntas, sem contar que você não me deixa terminar de falar. Seja clara, o que você quer saber?

Como você apareceu no curso? E quando chegou lá, o que você viu?  Repeti impaciênte.  Enquanto ele passava a mão sobre seu cabelo, percebi ele franzir o cenho contraindo sua mandíbula.

– Você quer saber o que aconteceu lá no curso? É melhor se sentar. Disse ele enquanto puxava a cadeira da escrivania de Susan sentando ao contrário nela. Com os olhos frios e penetrantes ele começou.

– Quando seu professor surtou e espulsou todo mundo da sala menos você, Susan ficou assustada e me enviou uma mensagem pedindo para ir buscar vocês. Quando cheguei lá, ela estava no carro, tremendo com medo e me contou o que havia acontecido, em seguida pediu que eu entrasse e pagasse você. Assim que entrei na sala, você estava desacordada.

– Mas, e o professor, o que ele estava fazendo? Perguntei ansiosa.

– Caty, não havia mais ninguém lá além de você! Ele falou desviando o olhar.

– É mesmo? E esse aranhão em suas costas, parece ser recente! Provoquei. Franzindo meus olhos desconfiada.

– Esse aranhão não tem nada haver com o que aconteceu lá.  Senti uma oxilação em sua voz.

– Tem certeza né, não esta mentindo? Insisti.

– Porque mentiria pra você Catherine? Nos conhecemos há algumas horas, quer dizer, logo ja fará um dia que nos conhecemos…  Mesmo em um clima tenso ele ainda conseguiu largar um sorriso dissimulado.  Assustei-me ao olhar para o relógio na parede do quarto, ja era de madrugada e nem havia dormido.  Iria trabalhar exausta. Achei melhor deixar à conversa para outro dia, ja que ele parecia não querer dizer a verdade.

– Breno, preciso tentar dormir um pouco, passamos a noite conversando e… Esta quase na hora de você ir buscar sua mãe no aeroporto né! Devia descansar algumas horas antes de dirigir. Assim que amanhecer, vou pra casa, preciso pegar minhas coisas antes de ir trabalhar! Desculpe qualquer coisa. Menti. Assim como sabia que ele também estava mentindo. Peguei meu celular buscando alguma desculpa esfarrapada de Susan por não ter voltado para casa. Já devia imaginar que ela me deixaria sozinha com o irmão.

– Não precisa pedir desculpas anjo. Eu que peço pela minha ousadia. Não sei o que esta acontecendo comigo quando estou perto de você.  Disse ele com a voz meiga dando-me um beijo na testa. Por um momento, quase acreditei em suas palavras. Enquanto caminhava lentamente até a porta, aproveitei para dar mais uma olhada em suas costas largas e muito bem torneada.

– Hei, você não me respondeu todas as perguntas! Desta vez, eu que lhe agraciei com um sorriso provocativo.

– É mesmo? E qual pergunta não respondi dona Catherine? Sorriu encostando-se à porta.

– Por onde você andou nesse último ano? Repeti.

– Na hora certa te conto, tem coisas que é melhor ficar em segredo. Ele fez uma pausa… Ainda mais, em um primeiro encontro. Olhando sobre seu ombro, lançou uma piscada antes de desaparecer por completo. Joguei-me na cama suspirando profundamente, enfim estava sozinha.  O relógio marcava 04h00min da madrugada, Faltavam poucas horas para o dia clarear, não me sentia preparada para enfrentar toda a rotina desse novo dia. Sem conseguir pensar em mais nada peguei no sono. Pra ser mais exata… Desmaiei.

Cainara Biondo

Produtora/ diretora de divulgação – Cyber Séries