O portal dos Sonhos: Capítulo 3 – Pensamentos impuros

O portal dos Sonhos: Capítulo 3 – Pensamentos impuros

Com os olhos entre abertos por causa da claridade, tentei identificar o vulto que havia passado ao meu lado.

– Vamos dorminhoca hora de acordar! Disse Susan abrindo a janela do quarto. Um cheiro suave de café se misturou ao o aroma doce de seu perfume fazendo meu estômago embrulhar.

– Por que me trouxeram pra sua casa, não quero incomodar. Falei enquanto me levantava da cama. Notei que meu braço estava enfaixado e mesmo sem ver o tamanho do ferimento a dor já me alertava que iria ter problemas ao chegar em casa. Gemi levando a mão sobre a atadura.

-Meu Deus, minha mãe vai me matar, quanto tempo fiquei dormindo. Perguntei preocupada.

– Não se preocupe, liguei pra sua mãe quando estávamos vindo, falei que iríamos estudar para a prova, e que depois do trabalho você iria dormir aqui. E você ficou apagada umas quatro horas. Falei que iríamos te trazer pra cá, não se lembra? Por um segundo vagamente lembrei-me de algo do tipo, mas a lembranças do professor surtado e suas palavras não saiam de minha cabeça. (Preciso cumprir a promessa que fiz á ele. É a sua vida ou a minha.) O que ele quis dizer com isso? Pra quem ele prometeu? Que promessa era essa?

– Trouxe algo para você comer. Disse Susan tirando-me de meus devaneios… Precisa repor suas energias, esta quase na hora de eu ir para a livraria, não devo demorar, vou só confirmar uns pedidos que chegaram. Não se preocupe, se alguém perguntar por que você não foi invento uma desculpa. Tente descansar, quando eu chegar se você ainda estiver acordada conversamos, ok?  Breno saiu, mas disse que não iria demorar, ficará em boas mãos. Ela me olhou sorrindo. (Boas mãos? Não gostei nenhum pouco do seu tom de voz).

– Minha mãe não perguntou por mim? Não perguntou por que você ligou pra ela no meu lugar? Estranho…  Não acredito que ela não esteja furiosa em casa, preparando um belo discurso para quando eu chegar. Respirei fundo enquanto olhava para ela. “E que história é essa de Breno? Não posso ficar sozinha com ele, não vou saber o que fazer nem o que falar… Ai meus Deus… Pensei, torcendo para que meus pensamentos não tivessem fugido da minha cabeça, já que tenho um problema sério de dar voz á eles…”.

Que horas é Susan? Perguntei enquanto andava até a janela de seu quarto, tentando não demonstrar minha vontade súbita de sair correndo dali.

– São nove horas. Por quê? Não esta pensando em ir embora essa hora e ainda mais sozinha né? Susan me olhou apreensiva, enquanto pegava seu casaco no guarda-roupa. Relaxa… Você já esta bem grandinha pra ficar na saia da mãe. Ela riu enquanto mexia em seu celular. (Ela fala isso porque não conhece bem minha mãe).

Mas e aí, como você esta… Que dia hein? Como esta seu braço? Breno tentou caprichar no curativo, achei que ficou bom.  Eu ia fazer, mas… Como ele insistiu, eu deixei. Ela sorriu novamente. Mas podia ver em seus olhos que por trás daquele sorriso havia outra coisa… Preocupação.

– Estou me sentindo cansada, ainda não acredito no que aconteceu, tudo foi tão inesperado pra não dizer estranho e ridículo, que se meu braço não estivesse doendo, diria que tudo não passou de um tremendo pesadelo.

“Susan me olhou sem dizer nada“…

– Não sabia que seu irmão era médico! Prossegui notando seu silêncio…   Tentando não mostrar interesse. Mas na verdade, queria muito lhe fazer várias perguntas sobre ele, e porque ela nunca comentou nada sobre seu irmão.

– Não diria que somos médicos, apenas que aprendemos os primeiros socorros com nosso pai. Tentamos ser um pouco de tudo Caty, às vezes na vida precisamos ser a caça e outras vezes o caçador! Você nem tocou na comida, procure relaxar um pouco… Não queria te deixar sozinha, mas não posso faltar hoje, ainda mais que você não vai… Já estou até vendo Lilith fofocar com as outras estagiárias na recepção… “Catherine e Susan devem ter tido uma noite boa, tão boa que a ressaca não as deixou vir trabalhar…” Ela procurou imitar a voz de Lilith, oque além de engraçado á deixou ridícula. Sorri, era difícil se manter séria por muito tempo ao lado de Susan. Ela é de uma humildade tão generosa, que ninguém a vê como dona de uma das maiores livraria de London, ela acabava sempre se divertindo com os comentários dos novos funcionários e até mesmo de alguns clientes que pedem á ela para falar com o responsável. Ficando surpresos ao descobrir que ela com seus 22 anos é a responsável e dona da livraria. O que acaba sempre por ficar tudo bem depois que observam sua grande experiência e excelência no atendimento mesmo com pouca idade!

– Olha só! …  Que bom ver que já se recuperou! – Disse Breno ao entrar no quarto…  Ajeitando o cabelo se aproximou com um largo sorriso. Tentei segurar minha cara de “Ai meu deus”, mas acho que não consegui, e percebo isso assim que observo a cara dos dois que riam provavelmente da minha cara de babaca. Breno estava sem camisa, o que deixava completamente exposto e em evidencia seu belo peitoral, seus braços torneados e sua barriga trincada… que barriga era aquela… A única coisa que ele vestia era uma calça jeans preta desbotada, procurei rapidamente bloquear meus pensamentos, antes de deixar escapar alguma expressão que fosse me arrepender depois. Tentei segurar meu queixo para não cair aos seus pés. Discretamente voltei a respirar.

-Não sabe mais bater na porta irmãozinho? Esse tempo fora te fez perder os bons modos? … Ela sorriu abraçando-o. – Podíamos estar conversando alguma coisa em particular.  Provocou ela me atentando enquanto envolvia seus braços em volta das costas de Breno apertando-o. “Que sortuda… refleti.”

– Hum, e o que poderia ser? Serie sobre namorado? Quem seria esse cara de sorte? Ironizou buscando meu olhar. O que me deixou completamente sem graça e perdida. O jeito que ele me olhava, parecia querer me despir por inteira, engoli a seco. Seu olhar era fatalmente hipnotizante.

-Deixa de ser fofoqueiro… Você não era assim Breno, disse ela enquanto o estapeava. Susan, percebendo o olhar pervertido de seu irmão, não deixou passar a oportunidade de me deixar ainda mais constrangida.

– Hum, acho que estou atrapalhando alguma coisa… Bem, já estou em cima da hora mesmo preciso ir. E vocês…  Juízo hein. Ela me olhou por cima do ombro de Breno com aquela cara de quem queria dizer. “Aproveita” dando uma piscada safada, pegou sua bolsa que estava em cima da cama, jogou seu casaco no braço e saiu. Enquanto puxava a porta no intuito de fecha-la…

– Melhor deixar aberta né? Ela nos olhou sorrindo mostrando-nos a língua. Com os olhos cerrados respondi com o mesmo gesto, só que além de mostrar a língua, fiz uma careta torcendo para que ela entendesse o recado. “Você me paga“. Enquanto Breno sorria demonstrando estar se divertindo com as travessuras de sua irmã e sem dúvida com meu nervosismo com sua presença.

– Há… Breno, Falei com a mãe, ela ligou para dizer que o voo dela foi adiado por causa da chuva e só vai chegar amanhã. Portando, não vai sumir antes que ela chegue, como não avisei que você voltou, não estrague a surpresa. Aliás, ela chega no voo das 05:00, podia ir buscá-la no aeroporto, desembarque portão 3. Antes que ele respondesse ela desapareceu. Deixando-nos sozinhos em seu quarto.

Ele se aproxima de mim pegando no meu braço enfaixado, e como quem não quer nada, encurta a distância cada vez mais de nossos corpos. Deixando-me completamente perdida e sem ar.

CONTINUA…

Cainara Biondo

Produtora/ diretora de divulgação – Cyber Séries

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