Bom dia Vida: Modelo de felicidade

Bom dia Vida: Modelo de felicidade

PARE DE IMPOR SEU MODELO DE FELICIDADE AOS OUTROS

Texto de Duda Costa

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Há pouco mais de dois meses eu percebi que havia engordado um pouco, me incomodei, fui ao médico e fiz alguns exames. Quando os resultados chegaram, eu descobri que embora eu sempre tenha gostado de praticar esportes, meu percentual de gordura estava elevado e meus índices de quase tudo alterados. Tomei um susto porque até então eu achava que minha alimentação era razoavelmente saudável e percebi que era hora de fazer algumas mudanças.

Desde então eu intensifiquei minha prática de exercícios, comecei a seguir uma dieta mais nutritiva e diminui muito o consumo do álcool, que eu desconfio que tenha sido o grande inimigo dos meus exames devido às muitas festinhas, happy hours e jantarzinhos regados a vinho e bom papo.

Como eu sempre me dei bem com mudanças, confesso que embora essa transição tenha demandado disciplina e um bom bocado do autocontrole que antes me faltava, ela vem sendo mais prazerosa do que sacrificada. Eu realmente venho curtindo esse momento e decidi, pelo menos por enquanto, que esse tende a ser um novo estilo de vida e não apenas uma fase.

Mas como toda mudança tende a repercutir positiva e negativamente em nossas vidas, é claro que há certas coisas das quais eu tive que me privar. Os happy hours estão menos frequentes, os jantares agora não têm tanto vinho (embora continuem tendo bom papo), e as festinhas que só tinham graça devido às grandes quantidades de álcool eu preferi trocar por noites de pernas para o ar no conforto de casa. Tudo isso é diferente e vem sendo bom para mim, mas eu percebo que há outras pessoas que estão um pouco incomodadas.

Minha tia disse em tom de reprovação que nunca ouviu falar em café-da-manhã sem pão francês. A vizinha acha que esse tal de Crossfit faz mal. Um amigo fez piada dizendo que viver sem álcool pode até ser bom, mas que com álcool é muito mais legal.

Minha avó disse que esse calo de academia na minha mão é horrível. Uma amiga disse que quem não come coxinha é chato. Um colega machista disse que bom mesmo é mulher parceira que enche a cara e come pizza e que desse jeito vai ser difícil arrumar namorado.

A verdade, eu venho percebendo, é que minha mudança tem incomodado. Fiquei pensando no por que disso acontecer e notei que ser humano é um bicho meio narcisista mesmo. Nós somos meio prepotentes. Nós temos essa mania louca de achar que o que nós não fazemos está errado.

Percebi que até eu, que até pouquíssimo tempo atrás me embebia em gin-tônica três vezes por semana, comecei a olhar com olhos de piedade para as crianças tomando Coca-Cola na mesa ao lado e tive que me policiar para não começar a palestra motivacional no meio de um papo gostoso com um amigo que prefere ser sedentário. Percebi, em meio a tudo isso, que é muito fácil cair na besteira de querer impor aos outros o modelo de felicidade que para nós faz sentido, mas que para eles pode não ser adequado.

É claro que quando algo nos faz bem é natural que nós queiramos compartilhar essa experiência e incentivar o outro a experimentar os benefícios que aquilo nos tem causado. Ainda assim, não é raro que isso se converta em puro preconceito e julgamento precipitado. Não é raro que a gente resista a aceitar que o outro não é feliz fazendo o que a gente faz e que tudo bem com isso; não há nada de errado.

Comecei a refletir sobre esse nosso narcisismo e percebi que a dificuldade de assimilar que há diversos caminhos para a felicidade pode extrapolar os limites da implicância e se transformar em preconceitos e imposições sociais. Percebi que é justamente essa dificuldade que gera olhares tortos à mulher que decide não ter filhos, ao praticante de outra religião e ao gay que ama um semelhante. Percebi que essa dificuldade é tóxica e que nós precisamos urgentemente aprender a aceitar que a felicidade do próximo não precisa vir do mesmo lugar que a nossa.

No fim das contas, é muito bom perceber que felicidade é um conceito subjetivo e que seria realmente muito sem graça se existisse uma receita padrão para encontrá-la. É muito bom perceber que o legal da vida é tentar descobrir a felicidade aos poucos. É bom construir nossa própria felicidade e entender que respeitar o próximo é um sinal de sabedoria daqueles que já estão sendo felizes e não se incomodam com nenhuma outra felicidade

Wellyngton Vianna

Recifense, 23 anos, CEO fundador do CYBER SÉRIES.

“Escrever liberta, podemos criar, recriar e inovar. Podemos tornar públicas as nossas idéias”.