The Last of US: Episódio 7 – Seu Anjo da guarda (Penúltimo episódio da temporada)

The Last of US: Episódio 7 – Seu Anjo da guarda (Penúltimo episódio da temporada)

 

Episódio escrito por: Clayton Correia

Classificação indicativa: 

 

PENÚLTIMO EPISÓDIO DA TEMPORADA

PRIMEIRO ATO.

Fade In.

Cena 01: (Fazenda – Dia – Ext.)

Sonoplastia suspense. A CAM vista de baixo, acompanha a corrida de um homem por entre a mata fechada.

Corte Descontínuo. Corta a sonoplastia. Vemos a movimentação usual da fazenda. Pessoas cumprindo suas tarefas, Breff carrega alguns baldes de água, Mimi estende roupa com a ajuda de outras mulheres e Ben, que brinca na varanda da casa.

Corta Descontínuo. Volta á sonoplastia. Agora o homem corre por uma mata baixa, uma espécie de plantação. A CAM sobe e vemos Tuk se aproximar das pessoas na fazenda, ofegante. Ele se curva apoiando as mãos sobre as pernas. Sua respiração é forte. Breff se aproxima dele, sem entender o que esta acontecendo. Todos encaram Tuk por um instante.

Tuk: (ofegante) Onde está o Pedro?

Corta.

Cena 02. Cont. cena 12 do episódio anterior: (Hospital – Dia – Int.)

Emily se coloca sentada na cama e tem no rosto a expressão de medo. Sr. Harris se aproxima da cama lentamente. Ele tem a voz calma e quase sussurrante.

Sr. Harris: Como você está filha? (Emily permanece calada) Eu fiquei preocupado com você, dizendo todas aquelas sem sentido. Eu espero que agora esteja melhor.

Emily: (assustada) Por que está fazendo isso?

Sr. Harris: Fazendo o que?

Emily: Isso! Tudo isso! Por que não me procurou antes? Não sabia que eu estava em Mirella?

Sr. Harris: Eu não sei do que está falando mocinha.

Emily: Você é o Sr. Harris. Eu sei que é. (ele continua se aproximando) Eu vi aquele ônibus cair no rio. Eu vi você cair junto!

Sr. Harris: Tem certeza do que você viu?

Emily: Disseram que todos estavam mortos.

Sr. Harris: Se todos estavam mortos, como isso é possível? Eu, aqui, conversando com você. Tem uma resposta para isso?

Emily balança a cabeça negativamente.

Sr. Harris: Eu sou o padre Harris, Nelson Harris Thompson, e nunca dirigi um ônibus na minha vida. (ele continua se aproximando e agora desliza a mão sobre a cama) Você está passando por problemas Emily, por muitos problemas. Deixe-me ajudar a supera-los.

Emily está visivelmente assustada e se arrasta para o canto da cama.

Sr. Harris: Eu posso acabar com toda essa dor Emily. Basta me deixar te ajudar.

Ele se aproxima ainda mais. Uma voz feminina e familiar invade o local.

Voz Feminina (em off): Sr. Harris?

Sr. Harris vira-se e a imagem mostra Nancy, vestida com seu uniforme de enfermeira, impecavelmente branco, segurando uma bandeja de alumínio.

Sr. Harris: (desconcertado) Nancy. Como vai?

Nancy: Eu estou bem e o senhor?

Sr. Harris: Também estou bem, com a graça de Deus. Soube que estava afastada.

Nancy: É eu estava (ela segue até o criado mudo próximo a cama e repara na expressão de medo no rosto de Emily), mas já estou de volta.

Sr. Harris: Eu espero que esteja bem. Nunca mais te vi na igreja.

Nancy: Sim, eu estou bem padre, é que… Eu tenho conversado com Deus em casa mesmo.

Sr. Harris: Mas é sempre bom visitar a casa de Deus.

Nancy: Vou me lembrar disso padre. (pausa) Agora se me permite…

Sr. Harris: Claro! Você precisa cuidar da paciente. Eu vou indo. Tchau Emily. Nos vemos em breve.

Emily não responde, mas acompanha tudo com olhos atentos. Sr. Harris sai do quarto. Nancy volta-se para a bandeja e para Emily.

Nancy: Oi, tudo bem? Finalmente nos reencontramos.

Emily: Eu quero sair daqui.

Nancy: Eu sei que quer.

Nancy entrega um copinho de plástico com um comprimido dentro. Emily observa o interior do copo.

Emily: Por que acha que vou tomar qualquer coisa nesse hospital?

Nancy: É um remédio para a sua cabeça. Vai se sentir melhor depois que toma-lo.

Emily: E por que eu devo confiar no que você me diz?

Nancy: Por que eu sou sua única chance de sair desse lugar.

As duas se encaram por um instante.

Corta.

Cena 03: (Farol – dia – Ext.)

A imagem vista de cima, acompanha o percurso de um rio calmo, cercado por margens cheias de vegetações e arvores.

Corta. Agora a CAM se aproxima rasteira, pelo chão cheio de cascalho e beirando o rio. Ao longe, Pedro está agachado e mexe em uma espécie de rede de pesca. Ele se levanta ao perceber a aproximação de um carro.

Full Shot. O local é amplo, num chão coberto de cascalho perto da margem e de grama rasteira, mais próximo á floresta. O rio corre perto de um imponente farol, em estilo europeu, feito em pedras desformes e no alto, uma grande hélice de quadro pás, gira vagarosamente. O cenário é acompanhado pelo som da fauna local, como pássaros e sons vindos da mata que cerco o local.

A caminhonete se aproxima e para bem em frente de Pedro. É possível ver Tuk, dentro da caminhonete. Ele desce do carro e se aproxima de Pedro.

Pedro: Olha delegado, se veio me acusar de ter…

Tuk: Essa sua cara de pobre e coitado não me enganam Porto Riquenho. Eu sei que você ajudou o estrangeiro a fugir.

Pedro recolhe a rede.

Tuk: (caminha e observa o lugar) Belo local para fugir das responsabilidades.

Pedro: Eu não estou fugindo de nada.

Tuk: Não, eu não acho que esteja. (pausa) Eu acho que está esperando alguém.

Pedro: Por favor, deixe-me em paz.

Pedro caminha em direção ao farol, carregando a rede.

Tuk: Eu acho que encontrei o paradeiro de sua irmã. (Pedro para, como se congelasse) A pequena Rose.

Pedro vira-se.

Pedro: O que?! Onde?

Ele se aproxima de Tuk.

Tuk: Eu tenho um mapa. Eu não sei se é seguro, mas é o melhor que nós temos.

Pedro: Eu quero esse mapa!

Tuk: Eu sei que você quer. Mas você tem algo que eu quero também. Informações.

Pedro olha para Tuk desconfiado.

Tuk: Eu quero saber onde está Nickolay Grandjen.

Close Up. A imagem fecha no rosto de Pedro.

A cena fecha com um baque.

Fade Out.

SEGUNDO ATO.

Fade In.

Cena 04: (Fazenda – Dia – Ext.)

Breff caminha em direção a casa carregando algumas ferramentas como, enxadas e rastelos. Ele está pensativo. Mimi, carregando um cesto com roupas, aproxima-se e agora os dois caminham juntos.

Mimi: Alguma notícia sobre o Delegado Tuk ou Pedro?

Breff: Não. Nada ainda.

Mimi: Será que é algo sério?

Breff: Pela expressão no rosto do delegado? Deve ser. Mas eu não vou me meter. Sabe Mimi, você tem razão, eu não posso querer proteger o mundo dele mesmo. Por que no final das contas, as pessoas fazem o que elas querem.

Mimi: Está se referindo a Emily?

Breff: Também. Depois de tudo que ela viu e passou, ainda prefere confiar nos outros. Então vou deixar que ela caminhe com as próprias pernas.

Mimi: Talvez seu irmão tenha sido mais convincente do que você.

Breff: Ele sempre é. Por isso vou fazer o que acho que tenho de fazer e vai começar hoje.

Breff para de caminhar e Mimi para em seguida. Ele observa uma janela que da para a cozinha da casa, através dela é possível ver Dr. Stevens e o pequeno Ben, sentados á mesa.

Breff: Ainda não entendi, por que o Dr. Stevens passou a noite aqui.

Mimi: Foi um pedido do Ben. Ele disse que o doutor era uma boa pessoa e foi seu único amigo no hospital. O garoto passou por muita coisa nesses últimos dias. Achei que faria bem para ele estar com alguém de sua confiança.

Breff: Eu não sei, mas não gosto nada disso.

Mimi: Breff, nem todas as pessoas têm de serem ruins.

Breff: Então por que elas sempre são?

Corta.

Cena 05: (Fazenda – Dia – Int.)

A CAM mostra a janela e através dela podemos ver Breff e Mimi ao longe. A CAM desliza até enquadrar Stevens e Ben, sentados à mesa, um de cada lado. Xícaras saindo fumaça e pães caseiros de diversos tipos revelam que eles estão tomando café da manhã.

Stevens tem uma expressão preocupada e está de cabeça baixa. Ben toma um gole do conteúdo da xícara e olha fixamente para o médico.

Ben: (tom sério e autoritário) Você entendeu tudo Dr. Stevens?

Stevens permanece de cabeça baixa.

Ben: Howard?

Stevens: (respira fundo) Eu entendi.

Ben: E posso confiar que as tarefas serão cumpridas?

Stevens afirma positivamente com a cabeça.

Ben: Howard, a vida de muita gente depende disso. Muitas vidas estão em suas mãos agora. Inclusive a da pequena Suzi.

Stevens: (temeroso) E se isso não der certo? E as coisas saírem do controle?

Ben: Não vão sair. Sabe por quê? (pausa) Por que é a assim que tem que ser. Por que esse é o nosso destino.

Stevens: Eu não sei.

Ben: Está na hora de ser um homem de verdade Howard. Um homem que você nunca foi. E mais lá na frente, você será recompensado.

Os dois se encaram.

Corta para fora da casa. Howard abre a porta do carro e antes de entra, olha mais uma vez para Ben. O garoto está na varanda acompanhado de Mimi e Breff. Stevens entra no carro e parte deixando muita poeira para trás.

Cena 06: (Carro – Autoestrada – Dia.)

O carro segue pela autoestrada em alta velocidade. O dia está claro e o sol brilha a pino. Corta para o interior do carro. Howard tem a expressão preocupada e confusa, seus olhos estão mareados.

Stevens: Isso é loucura! Loucura!

Corta para fora do carro. O carro derrapa ao para brusca mente. Corta para dentro do carro. Close Up. Os punhos de Stevens estão cerrados e as mãos seguram firmes no volante. Stevens tenta segurar o choro, quando sua atenção é chamada por algo do lado de fora do carro. Close Up. A expressão de Howard muda de confuso para assustado.

Full Shot. Um enorme leão, imponente atravessa vagarosamente a autoestrada. Howard está assustado e “congelado” sem conseguir se mover. O leão caminha, olha para o interior do carro, direto nos olhos de Howard, e segue seu caminho tranquilamente para o outro lado da autoestrada.

Howard permanece com o olhar fixo na estrada, sem acreditar no que vê e aos pouco vira a cabeça a procura do grande leão. Mas o animal desaparecera como em um passe de mágica.

Full Shot. O carro permanece parado em meio á autoestrada, que agora está livre e perturbadoramente quieta.

Corta.

Cena 07: (Casa de Charlie – Dia – Int.)

Charlie está sentado no sofá e estranhamente desalinhado. A camisa com dois ou três botões abertos, os sapatos colocados de lado. Ele olha fixamente, várias fotos que estão espalhadas sobre a mesa de centro e ali também, uma xícara onde podemos ver uma fumaça saindo.

A CAM caminha sobre a mesa de centro e mostra fotos de Charlie e Charlotte em momentos felizes e descontraídos.

Charlie pega uma das fotos na mão, nessa, ele e Charlotte tomam sorvete em algum cenário ensolarado.

Full Shot. Charlie tem os olhos mareados e o rosto visivelmente cansado, como se não tivesse conseguido dormir a noite toda.

Charlie, em um rompante, joga todo o conteúdo da mesa, inclusive a xícara, chão. Ele levanta-se e caminha de um lado para o outro, leva a o antebraço a boca e não consegue segurar o choro que vem compulsivamente. Depois de alguns instantes, ele respira fundo e se controla. Charlie olha toda a bagunça e se abaixa para limpar a sujeira feita pelo conteúdo da xícara e se surpreende com o que vê. Do lado da xícara o conteúdo derramado forma a palavra “MATE”. Apesar de assustado, Charlie permanece olhando a palavra no carpete da sala.

Cena 08: (Hospital – Dia – Int.)

Emily termina de se arrumar, quando Nancy entra no quarto carregando um uniforme de enfermeira nas mãos.

Nancy: Você não pode vestir isso. (coloca a roupa sobre o criado mudo e se apressa em fechar a porta) Vai ser percebida assim que colocar o pé no corredor. (ela pega a roupa e mostra para Emily) Você vai vestir isso.

Emily pega a roupa e observa por um tempo. E começa a trocar de roupa.

Emily: Por que está me ajudando?

Nancy: Por que eu sei que isso é o certo a fazer.

Emily: É? E como sabe disso?

Nancy: Por que eu sei o que acontece nesse lugar.

Emily: E você acha que é seguro eu sair daqui assim? Sem uma escolta?

Nancy: Você tem uma escolta? Um grupo de resgate?

Emily: (pensativa) Eu achei que teria.

Nancy: Hoje é perfeito. Dr. Burke não está no hospital e tudo fica mais calmo quando ele não está. Foi assim que conseguimos tirar o Ben daqui.

Emily olha para Nancy com compaixão.

Emily: Você também ajudou a tira-lo daqui?

Nancy: Eu não queria que ele fosse para aquele instituto ou que acontecesse coisa pior.

Emily termina de se arrumar.

Emily: Instituto? Que instituto?

Nancy: Não é nada. Agora temos de ir.

Emily: Você está falando do instituto de Esmerald Hill?

Nancy: (surpresa) O que você sabe a respeito desse lugar?

Emily: Eu sei que existe uma ligação entre a cidade de Mirella e esse instituto. E o que você sabe?

Nancy: Eu sei o caminho para chegar lá.

Emily se surpreende com a revelação.

Corta.

Cena 09: (Hospital – Sala de Burke – Dia – Int.)

A porta se abre e Nancy e Emily entram sem fazer barulho. Nancy liga a luz da sala que está toda organizada como de costume. As duas caminham na ponta dos pés e sussurram.

Nancy: Se existe algo para provar uma ligação entre o hospital e esse instituto, nós vamos achar aqui na sala do Dr. Burke.

Emily: E pelo que eu procuro?

Nancy: Qualquer documento que tenha o nome do instituto ou o nome de Ben. Procure por Benjamin Evans.

Emily: Ok!

As duas vasculham a sala, mas não encontram nada.

Agora Nancy está olhando uma pasta em cima da mesa de Burke e Emily termina de vasculhar o arquivo de metal no canto da sala. Nancy fecha a pasta.

Nancy: Não é possível que não tenha nada.

Emily: (pensativa) Pera ai. Se você tivesse muito dinheiro, onde guardaria? No caixa, no balcão da frente? Ou no cofre no fundo da loja?

Nancy permanece confusa e olhando para Emily.

Corta.

Cena 10: (Casa do Dr. Burke – Dia – Ext.)

A CAM caminha e mostra de longe a fachada da casa de Burke.

Emily e Nancy se aproximam da casa e olham para os lados na esperança de que ninguém as observa. Emily olha pela janela da casa e observa que não tem nenhuma movimentação no seu interior. Nancy se mantém um pouco afastada.

Nancy: O que agora? Vamos invadir a casa do Dr. Burke? Eu não acho uma boa ideia.

Emily: (ainda olhando pela janela) Se existem respostas, tenho certeza que elas estão aqui dentro. Vem!

Emily segue para a lateral da casa e é seguida por Nancy.

Emily procura por alguma entrada.

Nancy: (com medo) Emily, eu tenho certeza que até aqui em Mirella, invasão de domicilio é crime.

Emily: E ajudar na invasão de um hospital e sequestro de um paciente, não é?

Nancy não sabe o que responder. Emily tenta abrir uma janela, mas ela está trancada. Ela força, mas sem sucesso.

Emily: Agora só precisamos encontrar uma maneira de entrar.

Nesse momento o vidro da janela de estilhaça depois que uma pedra é arremessada nela.

Emily e Nancy se agacham e levam as mãos á cabeça, assustadas. Breff se aproxima das duas moças.

Breff: Pronto, já pode entrar.

Emily olha para Breff com alívio.

A cena fecha com um baque.

Corta.

Fade Out.

TERCEIRO ATO.

Fade In.

Cont. Cena 10: (Casa do Dr. Burke – Dia – Ext.)

Breff se aproxima de Emily e Nancy. As duas ainda se recuperam do susto.

Emily: Breff!

Emily corre e se joga nos braços de Breff. Eles dão um terno abraço.

Emily: O que está fazendo aqui?

Breff: O que você está fazendo? Estávamos preocupados.

Emily: Eu me senti mal e fui parar no hospital.

Breff: O Charlie te levou para o hospital?! Aquele desgraçado eu…

Emily: Não! Não, ele só quis me ajudar. Aconteceu muita coisa nessas ultimas horas.

Breff segura o rosto de Emily com as duas mãos de forma carinhosa.

Breff: Olha. Desde que te tirei daquele hospital, eu me sinto responsável por você. Então, por favor, não faça nada sem me comunicar antes. Eu me preocupo com você.

Emily olha nos olhos de Breff por um instante.

Nancy: Gente… É… Não querendo ser chata, mas, temos uma janela quebrada e uma casa para invadir.

Os dois se afastam e focam na missão de invadir a casa de Burke.

Breff: Vocês não precisam fazer isso. Não precisam entrar comigo.

Emily: O quê? Acha que viemos até aqui e vamos ficar montando guarda aqui fora?

Nancy: Seria bom se alguém ficasse.

Emily: Então você fica. Por que eu vou entrar.

Emily tira o casado que esta vestida, enrola na mão e começa a quebrar o vidro que restou na janela.

Emily: Me ajuda?

Breff solta um tímido sorriso no canto da boca, admirando a atitude da moça e logo a auxilia a passar pela janela.

Nancy: (com medo) Não demorem!

Breff afirma com a cabeça e entra pela janela, logo atrás de Emily.

Corta.

Cena 11: (Casa do Dr. Burke – Dia – Int.)

Emily entra na casa e seguida por Breff. A sala está ordeiramente arrumada e as cortinas fechadas. Eles caminham lentamente para n fazer barulho. Emily segue para perto do corredor e Breff se dirige a porta de saída. Ele se agacha perto da porta e pega um molho de chaves, observa e reconhece como sendo de Charlotte.

Breff: (para si mesmo) Charlotte?!

Emily: (sussurrando) Breff.

Breff vira-se para Emily.

Breff: Então o que estamos procurando?

Emily: (sussurrando) Nancy disse que o Ben ia ser mandado para o instituto de Esmerald Hill. O mesmo instituto que aquela voz que eu ouvi no telefone dentro daquele casebre, se referia. Esse tal instituto tem muita influência na cidade. Talvez se chegarmos até ele, possamos encontrar a saída de Mirella. (Breff olha para Emily) Eu quero ir embora desse lugar Breff e eu sei que você também quer.

Breff: Vamos procurar por qualquer coisa que fale a respeito desse tal instituto. Papéis, cartões, números de telefone, enfim, tudo!

Emily se dirige ao corredor que para os quartos da casa e Breff começa a revirar a gaveta de um pequeno móvel na sala.

Corta para um quarto da sala. Emily entra, sorrateiramente, em um dos quartos da casa. O quarto amplo está delicadamente arrumado, denunciando que é o quarto preparado para uma moça. Cama é em estilo colonial com quatro, grandes mastros, um em cada ponta e que fazem apoio para um tecido rendado que cobre o leito. A também um grande guarda roupas com as portas espelhadas, dois criados mudos e uma grande estante recheada de livros.

Emily caminha pelo ambiente, pensando por onde começar sua procura e vai até o criado mudo. Logo em seguida ela parte para a estante com os livros.

Corta para outro quarto da casa. Breff entra em outro quarto, agora todo mobilhado em estilo vitoriano. Os móveis são escuros na sua maioria em madeira marrom. Os vários quadros e diplomas na parede denunciam que aquele é o quarto de Abraham Burke.

Breff abre o grande guarda roupas com suas portas talhadas e começa a revirar seu interior. Ele abre algumas caixas de papel e em uma delas encontra várias fotos onde Burke aparece ao lado de uma linda mulher, branca de cabelos longos e escuros. Eles parecem muito felizes. Em outras foto é possível reconhecer uma pequena Charlotte, brincando na praia e ainda muito pequena. Breff sorri.

Corta para o outro quarto. Emily continua sua busca, e em meio a tantos livros que ela revira na estante um titulo lhe chama a atenção.

E.V.A – O INÍCIO DE UM NOVO MUNDO

Nesse momento, o ronco de moto de um carro chama a atenção de Emily. Rapidamente, ela coloca o livro preso na parte de trás da calça e Breff adentra no cômodo procurando pela jovem.

Breff: Alguém está chegando, precisamos sair daqui rápido!

Sem dizer uma palavra, Emily acompanha Breff. Corta para a sala. Os dois atravessam a sala em direção a janela pela qual entraram, Breff ajuda Emily a sair pela mesma e logo em seguida faz o mesmo. Corta para fora da casa. Breff termina de descer a janela quando avista Nancy se aproximando da parte de frente da casa.

Nancy: É o seu irmão! É o Charlie que está chegando!

Emily: O que vamos fazer?

Nancy: O meu carro está estacionado na frente da casa.

Breff pensa por um instante.

Breff: Me dê á chave do seu carro. – Nancy entrega a chave para o Breff e ele entra a de seu carro para a enfermeira. – A caminhonete está estacionada aqui perto, eu parei afastado da casa por temer que algo desse tipo acontecesse. Vocês vão embora e depois eu levo o seu carro.

Nancy: (relutante) mas…

Emily: (puxando Nancy pelo braço) Vamos Nancy! O Charlie não pode saber que você me ajudou a fugir do hospital. Vamos!

Mesmo relutante Nancy acompanha Emily. Breff respira fundo por dois segundos, e caminha em direção a parte frontal da casa.

Corta para frente da casa. A CAM desliza mostrando um panorama da casa de Burke. Na varanda, Charlie bate mais uma vez na porta, mas ninguém responde. Close Up. Charlie tem uma expressão preocupada e nervosa.

Breff (em off): Parece que nós dois não tivemos sorte.

Charlie vira-se e a imagem revela Breff no “pé da escada”.

Charlie: E você estava aqui procurando por quem?

Breff: (pausa) Dr. Burke.

Charlie: (desconfiado) E o que você queria com ele?

Breff: Que isso meu irmão? Indiscrição a sua. Meu assunto com o Dr. Burke é pessoal. (pausa) E você o que veio fazer aqui?

Charlie: (sarcástico) Se você não sabe, aqui mora minha noiva, Charlotte.

Breff se mostra incomodado.

Breff: É verdade, eu não me lembrava.

Charlie: (tom ameaçador) É bom não se esquecer.

Os dois se encaram por um instante.

Breff: Bom! É melhor irmos, não tivemos sorte. Parece que não a ninguém em casa.

Breff começa a se afastar e Charlie observa tudo, parado, ainda na varanda da casa.

Charlie: A propósito. Eu ia te procurar, preciso te dizer uma coisa.

Breff para de caminhar. Assustado, ele demora alguns segundos para virar-se para seu irmão.

Breff: O que é?

Charlie: É sobre Charlotte, (longa pausa) e eu. (longa pausa/Charlie desce o lance de escadas lentamente) Eu e ela, vamos nos casar.

Breff: Eu sei disso.

Charlie: Não, não, não. Nós vamos nos casar de verdade. Pra valer.

Breff: Ok, eu já entendi essa parte.

Charlie agora está bem próximo de Breff:

Charlie: Ela será minha esposa e viveremos felizes para sempre. (os dois se encaram mais uma vez de forma ameaçadora) Longe daqui.

Breff mostra-se surpreso.

Breff: O que você quer dizer com “longe daqui”?

Charlie: Eu quero dizer longe de Mirella.

Breff: Mas isso é impossível.

Charlie: Não para o meu futuro sogro. Esse será o nosso presente de casamento. (sarcástico) “Presentão” não?

Breff não sabe o que responder.

Charlie: Está sem palavras, não é? Que nem eu quando recebi a notícia. Eu tentei incluir você no pacote, mas as passagens eram apenas de ida e para dois. (pausa) Fica feliz por mim “irmãozinho”.

Breff: E você veio até aqui para dar a boa notícia para Charlotte?

Charlie: É. Mas como você mesmo disse parece que “não tive sorte”. (longa pausa) Bom, já que você está avisado, acho que posso começar a arrumar as malas. (Charlie da um abraço em Breff, que o retribui meio sem jeito) Infelizmente nem tudo acontece como queremos.

Charlie se afasta de Breff que permanece parado. A CAM vai se afastando de Breff.

Corta para dentro do carro. Breff senta na poltrona do motorista e bate a porta com raiva. Ele procura organizar seus pensamentos. Está visivelmente irritado e bate no volante com as duas mãos. Ele coloca a chave na ignição e liga o carro. Corta para parte de trás do carro. A CAM mostra a parte de trás do carro e por dentro uma mariposa, pousada sobre o vidro traseiro. O carro começa a se mover e a imagem sobe lentamente.

Fade Out.

QUARTO ATO.

Fade In.

Cena 12: (Floresta – Dia – Ext.)

Pedro caminha por entre a mata densa, raízes e folhagem. Ele carrega uma grande mochila e na cintura coisas como, lanterna, uma faca de serra e uma garrafa com agua, nas mãos carrega um pequeno papel com um mapa desenhado pelo delegado Tuk. O sol a pino o faz transpirar. Ele para ao ver a mensagem “Qual o seu nome?” escrita por Tuk, no chão de terra batida. Ele tira a mochila das costas e senta-se sobre uma pedra. Toma um gole de água e espera.

Nesse momento, um barulho vindo da mata ao seu redor lhe chama a atenção. Ele levanta-se e observa por um instante. O barulho, como o caminhar de alguém, se torna mais audível. Pedro está apreensivo e saca a arma de fogo que carrega na cintura.

Pedro: Quem é? Quem está ai?

O barulho segue mais alto e agora a sua frente é possível ver a mata se mover.

Pedro: Se der mais um passo, eu atiro!

O barulho cessa. Uma voz masculina, com um sotaque carrega e conhecido, surge por trás dos arbustos.

Voz (em off): (cansada) Não atire. Não atire.

Nickolay surge por de trás do arbusto, cambaleando e com a mão envolta em sangue, pressionando o lado esquerdo da barriga.

Pedro, surpreso e assustado, empunha a arma.

Pedro: Seu desgraçado! Coloca as mãos para cima! Agora!

Nickolay dá mais dois passos e cai de joelhos no chão. Pedro observa um grande ferimento na barriga de Nickolay, que cai no chão meio desacordado. Pedro corre para acudir o estrangeiro.

A CAM se afasta para o alto, dos dois, até deixar o grande megafone em primeiro plano. Nesse momento uma estática, como se alguém fosse falar algo surge, mas logo é silenciada.

Corta.

Cena 13: (Casa de Nancy – Dia – Ext.)

A caminhonete estaciona na frente da casa de Nancy. Corta para dentro do carro. Emily está na direção e Nancy se prepara para descer do carro.

Emily: Obrigado por me acompanhar nessa missão quase suicida.

As duas riem.

Nancy: Não precisa agradecer. Eu também tenho interesse nessa história. Só espero que o seu amigo esteja bem.

Emily: Ele está. O Breff sabe se cuidar.

Nancy faz menção de sair do carro.

Emily: Nancy. Vamos fazer de tudo para descobrir algo sobre esse Instituto Esmerald Hill. Eu conto com você.

Com apenas um sorri no canto da boca, Nancy sai do carro e Emily parte com a caminhonete.

Nancy caminha até a porta de entra de sua casa. Plano Médio: Nancy procura sua chave dentro da bolsa, respira fundo e entra. Desfoque: Dr. Stevens observa toda a movimentação, de dentro de seu carro do outro lado da rua, protegido pela sombra de uma arvore.

Corta para dentro do carro. Stevens tem uma expressão nervosa e tensa. Ele transpira e segura o pedaço de papel que Ben deu a ele. A CAM aproxima do papel e é possível ver uma lista escrita nele. A imagem fecha no primeiro item da lista.

“MATAR A ENFERMEIRA NANCY”

Corta.

Cena 14: (Lugar desconhecido – Int.)

O panorama mostra uma sala de paredes cinza. Em um dos cantos, uma escrivaninha e uma cadeira. O chão é de cimento batido. A imagem para ao enquadrar a uma porta. Ela se abre e Abraham Burke entra na sala. Ele veste um terno muito alinhado preto e camisa preta.

A CAM acompanha os pés de Burke caminhando e ao fundo é possível ver uma cama de ferro se aproximar.

Burke senta-se na cama e observa por um momento.

A imagem agora mostra Charlotte, dormindo, deitada de lado. Ele observa acesso venoso preso ao braço da filha e acompanha a mangueira até o soro que está pendurado em um suporte. No soro é possível ler em um esparadrapo a palavra “sedativo” escrito a mão.

Ele olha para Charlotte e agora seus olhos estão mareados. Com a mão ele tira o cabelo da testa da filha.

Burke: (com a voz embargada) Oi bebê. Como você está? (pausa) estão te tratando bem? Sabe logo isso vai acabar e você vai poder viver uma vida normal. O Charlie vai concordar em te acompanhar, e vocês vão se casar, terão filhos. – Burke da um beijo na testa de Charlotte. – Eu volto amanhã para te ver.

Burke se levanta e segue até a porta enxugando os olhos.

[música: “Your Guardian Angel” – The Red Jumpsuit Apparatus]

Burke caminha até a porta, para, olha Charlotte e abre a porta, revelando o Sr. Harris a sua espera do outro lado.

Sr. Harris: Vamos Abraham.

A porta se fecha atrás de Burke.

Corta.

Cena 15: Compilação de cenas.

[música: “your Guardian Angel” – The Red Jumpsuit Apparatus]

Cena 1: Emily está sentada na escada que da para a varanda da fazenda. Ela folheia o livro que encontrou no quarto de Charlotte. Ela lê tudo atentamente.

Cena 2. Mimi e Ben estão na cozinha da fazenda. Os dois riem enquanto comem pão e tomam café.

Cena 3. Pedro termina de fazer um curativo na barriga de Nikolay, que está febril e ainda caído no mesmo lugar.

Cena 4. Charlie está em casa, sentado no sofá e pensativo.

Cena 5. A CAM se aproxima do carro e pode-se ver Breff segurando a chave de Charlotte.

Cena 16: (Floresta – Noite – Ext.)

Música cessa.

Pedro está sentado em uma pedra e comendo algo enlatado. Uma pequena fogueira foi armada para protegê-lo do frio da noite. Ao seu lado Nikolay está ainda desacordado.

Pedro observa o estrangeiro por um tempo. Ele se levanta e aproxima-se do mesmo. Pedro o observa por um tempo e saca a arma e a aponta. Seus olhos estão lacrimejados. Ele não consegue segurar o choro e engatilha a pistola.

Nesse momento uma estática é ouvida, chamando a atenção de Pedro. Ele observa o grande e imponente megafone.

Ângulo Alto: A estática permanece por um instante, até que uma voz fina e doce ecoa por toda cena.

Voz (em off): Não faz isso.

Pedro se surpreende ao ouvir a voz.

Voz (em off): Você não é assim. Você me prometeu que nunca ia matar ninguém. Você se esqueceu?

Pedro: Rose?! Rose é você?!

Pedro reconhece a voz de sua irmã e não segura o choro.

Voz (em off): Não chora. Eu to bem. E logo, (pausa) logo vamos estar juntos.

A cena fecha com um baque.

Fade Out.

Continua…

 

Escrito por:

CLAYTON CORREIA RIBEIRO

Nesse episódio:

BENJAMIN EVANS Kodi Smith-McPhee

BREFF CONROY Logan Marshall-Green

CHARLIE CONROY Billy Boyd

CHARLOTTE BURKE Ashley Greene

  1. ABRAHAM BURKE David Shwimmer
  2. HOWARD STEVENS Noah Emmerich

EMILY EVERETT AnnaSophia Robb

NELSON HARRIS THOMPSON Anthony Anderson

NICKOLAY GRANDJEN (Homem) Haley Joel Osment

MIMI CASTRREL Francis Fisher

NANCY WRIGHT Mandy Moore

OLIVER TEDSON (VOZ) Jake Abel

PEDRO SANCHEZ Wilmer Valderrama

XERIFE BRADLEY TUK Jason Preistley