Gêmeos – A Face Oculta – Prólogo e Primeiro Capítulo

Gêmeos – A Face Oculta – Prólogo e Primeiro Capítulo

PRÓLOGO

A Lenda dos Cavaleiros

Saint seiya as 12 Casas

Grécia, berço da Civilização Ocidental. Pátria de inúmeros heróis legendários e incontáveis deuses hoje aparentemente relegados a um longínquo passado de glórias e sensacionais batalhas, lembradas atualmente pela humanidade apenas pela mitologia desse povo admirável. Esse passado glorioso pode ser revivido pelos turistas que vão até lá todos os anos, através da observação das muitas ruínas de templos e outros prédios que se encontram espalhados por todo o país. No entanto, o que muito poucos sabem, é que ainda existe, em uma remota região desse país, um santuário ainda em atividade dedicado em honra de Athena, deusa da sabedoria. Esse santuário encontra-se situado em uma área muito escarpada e é constituído por um imenso complexo de prédios interligados uns aos outros por longas escadarias. A construção mais importante, e talvez por isso, localizada em nível superior a todas as outras, é o templo de Athena. Logo abaixo está a casa do Mestre, o qual sempre foi escolhido, desde a era mitológica, dentre os mais valorosos Cavaleiros que juraram proteger a deusa, não somente pelo seu poder, mas principalmente pela sua sabedoria e fidelidade a ela. Em níveis progressivamente mais abaixo, localizam-se as casas que são defendidas pelos Cavaleiros que formam a guarda de elite de Athena: os Cavaleiros de Ouro. São em número de doze e , assim como os oitenta e oito Cavaleiros, eles recebem seu poder, também chamado de cosmo, das suas respectivas constelações protetoras. Temos, então, as Casas de Peixes, Aquário, Capricórnio, Sagitário, Escorpião, Libra, Virgem, Leão, Câncer, Gêmeos, Touro e Áries. Além destas, existem outras construções mais modestas, destinadas a abrigar os Cavaleiros de posição inferior, os aspirantes e os guardas que protegem os limites do Santuário e ajudam a manter a ordem naquele local. Por último, estão os campos de treinamento para os aspirantes. Estes são palcos de árduos treinamentos e sangrentas disputas, pois dentre as centenas de candidatos que se apresentam todos os anos, apenas poucos conseguem alcançar o status de Cavaleiro de Athena, sendo muitos os que morrem tentando conseguir esse privilégio.

Lá também existe um lugar chamado Starhill, que é uma espécie de altar natural, e que, segundo alguns dizem, é o local mais próximo do céu. Este altar sempre foi usado pelos mestres do Santuário como um observatório, ou mesmo um oráculo, pois ali, através da contemplação da posição e dos movimentos dos corpos celestes, eles puderam ler os destinos da Humanidade, como em um livro sobrenatural, cujo misterioso conteúdo somente alguns poucos escolhidos têm permissão de conhecer.

E foi ali que começou nossa história, há quinze anos atrás…

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CAPÍTULO 1

A Profecia: Prenúncios de uma Nova Era

No alto do observatório, se encontra o Mestre, em uma de suas longas temporadas de meditação e observação das estrelas. Pela sua expressão grave e sombria podemos supor que algo de extraordinário e terrível acaba de lhe ser revelado. Em seu olhar pode se observar uma profunda tristeza e resignação mescladas, como o de um homem que tomou conhecimento de sua própria morte.

– Nosso velho mundo passará por grandes mudanças. – suspirou o Mestre. – O Mal, mais uma vez, ameaçará dominar a Humanidade. Mas, felizmente, os deuses enviarão novamente Athena em nosso auxílio e também jovens e valentes Cavaleiros que a ajudarão nessa difícil tarefa. Espero que o Bem prevaleça novamente…

Sua atenção foi, então, despertada por estranhos ruídos que vinham da base da montanha. Parecia que algum intruso se atrevera a vir àquele lugar sagrado sem permissão e fora impedido pelos guardas. Curioso para saber quem seria o impertinente, ele desceu pelo caminho secreto até o local onde se passava a discussão.

– Não pode ir adiante, Cavaleiro! Não sabe que este lugar é proibido a todos os Cavaleiros do Santuário, com exceção do Mestre? – advertiu um dos guardas enquanto outros quatro tentavam a custo barrar-lhe a passagem.

– Não estou aqui para lutar com vocês. Quero apenas conversar com o Mestre. – replicou o intruso. – Espero que não tentem me impedir!

– Impediremos, se for necessário! O Mestre não gosta de ser incomodado durante sua meditação. Já foi avisado, Cavaleiro. Não poderá prosseguir! Se persistir, teremos de usar a força. –insistiu o guarda.

– Foram vocês quem pediram! – gritou, furioso, o Cavaleiro misterioso. – Preparem-se para enfrentar a ira de um Cavaleiro de Ouro!

Seu corpo inteiro começou, então, a brilhar, com a força do seu poderoso cosmo. Podia sentir o medo nos corações dos guardas, que, no entanto, não cederiam um milímetro no cumprimento de seu dever que era cuidar da segurança do Mestre. O Cavaleiro já se preparava para desferir seu golpe, quando se ouviu uma voz poderosa:

– Parem! O que pensam que estão fazendo? Não sabem que é proibido haver lutas neste local sagrado? – disse o Mestre.

– Perdoe-nos, Santidade! Não queríamos incomodá-lo. – respondeu, amedrontado, o guarda. – Mas este Cavaleiro insistiu em falar com o senhor no Observatório e tentávamos convencê-lo de que isso não seria possível.

O Mestre voltou-se para o Cavaleiro intruso e observou-o por um momento. Na verdade, o belicoso jovem e o Mestre apresentavam alguma semelhança entre si. Ambos apresentavam alta estatura e longos cabelos escuros: o Cavaleiro, negros com tons algo azulados, sendo que no Mestre eram de um peculiar tom castanho esverdeado, embora, obviamente, observavam-se os sinais provocados pela passagem dos anos no rosto e alguns raros fios brancos em sua vasta cabeleira, os quais apenas serviam para lhe dar uma aparência mais venerável.

Finalmente, um olhar de reconhecimento iluminou-lhe a face congestionada e ele falou:

– Ah! É você, Saga de Gêmeos. Eu ia mesmo mandar chamá-lo. Creio que sei o que o traz até aqui. É sobre sua irmã, não é?

– Sim, Grande Mestre. – disse, espantado, o Cavaleiro de Gêmeos. – Queira desculpar minha ousadia em vir aqui e a rudeza de minhas maneiras, mas é que estava ansioso para fazer-lhe um pedido. – concluiu, fazendo uma profunda reverência.

– Pode falar, Saga. Se for justo, o atenderei com prazer.

– Como deve saber, senhor, minha irmã, afinal, completou seu treinamento. Gostaria de saber se ela poderia vir ocupar o seu lugar ao meu lado na guarda da Casa de Gêmeos.

– Sabe que ela terá que passar por alguns testes para provar seu valor e o seu merecimento à tão grande honra, não sabe?

– Sim e não os temo, assim como sei que também ela não os temerá. – disse Saga, erguendo orgulhosamente a cabeça. – Afinal, eu mesmo a treinei, da mesma forma que meu pai me treinou. Além disso, ela é uma das mais hábeis e corajosas guerreiras Amazonas que eu já conheci. Digo isso, é claro, não levando em conta o fato dela ser minha irmã gêmea.

– Está bem, Gêmeos. Diga a sua irmã que venha ao Santuário o quanto antes, e que o cosmo e as habilidades dela falem por si mesmos.

– Obrigado, Mestre. Entrarei em contato com ela imediatamente. Estou certo de que ela não nos decepcionará. – agradeceu Saga, inclinando-se.

– Agora deixe-me só. Preciso continuar minha meditação. – voltou-se o Mestre, dando a conversa por encerrada.

– Com sua licença. – inclinou-se Saga novamente em despedida.

A vinda dessa moça é o primeiro sinal da anunciada volta de Athena. – pensou o Mestre, enquanto Saga se afastava. – As coisas estão acontecendo mais rápido do que imaginei que aconteceriam. Enfim, que se cumpra a vontade dos deuses. – acrescentou, com um suspiro.

*****

Novamente aquele sonho. A medida que seu cosmo se fortalecia, ele se tornava cada vez mais vívido e mais frequente. E lá estavam eles outra vez: o arqueiro centauro e a guerreira Amazona correndo, correndo sempre. A princípio, eles pareciam estar lutando furiosamente, em perseguição mútua. Mas, com o passar do tempo, eles pareciam estar correndo juntos, felizes, como se fossem um só, não mais se perseguindo. E tudo ao redor deles era maravilhoso, toda a Natureza parecia estar em festa, como se estivesse celebrando o nascimento de um novo amor puro e sem limites. Nunca se vira um céu tão azul e nunca grama dos prados fora tão verde e, por onde os dois passavam, as flores do campo se abriam, uma a uma, com cores que somente poderiam existir no coração dos apaixonados, e jamais antes a suave brisa da manhã fora tão doce ou sequer levara um perfume mais delicado que aquele.

Entretanto, de repente, algo começou a mudar naquele idílico cenário. Aos poucos, sem que os dois notassem, o céu foi mudando seu tranquilo tom azul para um feio e ameaçador cinzento e daí para um negro de tempestade, e a suave brisa que antes delicadamente brincava com os longos cabelos da bela Amazona, agora aumentava perigosamente sua intensidade, tornando-se um terrível vento de furacão. Quando já era tarde demais, eles perceberam a mudança, alarmados. Foi quando, então, vindo não se sabe de onde, um enorme raio caiu no meio deles, separando-os. O centauro sumiu nas chamas que se ergueram, sem que ela pudesse fazer nada para ajudá-lo, pois ela própria estava sendo tragada para um imenso abismo negro, frio e sem fundo. Enquanto ela caía e lentamente mergulhava na inconsciência, no interior de sua mente uma voz suave, que parecia vir dos primórdios de sua infância recitava em gaélico:

A thuilleadh àlainn eachdraidh,

shiorruidh a chadal agus cha bhi

le milis pòg a ghràidh,

i aon latha dùisg.1

Sua queda foi, então, subitamente suspensa pelo aparecimento da imensa aura branca de um pássaro. Ao mesmo tempo, ela sentiu que uma mão segurava as suas com uma ternura que pensava nunca mais tornar a sentir, e lábios beijaram os seus lábios frios com tanto ardor que foi como se o seu coração voltasse a bater e seu sangue voltasse a circular, devolvendo a vida ao seu corpo enregelado. Ela, então, abriu os olhos lentamente, piscando para uma imensa luz que a ofuscou a princípio. Conforme sua visão voltava, aos poucos ia distinguindo um vulto à sua frente. Era um jovem que a observava atentamente, mais por mais que se esforçasse só conseguia distinguir-lhe os olhos, pois seu rosto estava envolto em sombras. Eram olhos muito azuis, aonde podia ler uma tristeza infinita aliada a uma imensa doçura. Suavemente, as sombras que escondiam o seu rosto começaram a se dissipar, e ela finalmente poderia ver quem era seu salvador…

Como sempre nesse ponto do sonho Ying despertou. Sonolenta ainda, ficou pensando na visita que fizera à sábia Nevara, a fim de discutir com ela sobre o real significado daquele estranho sonho.

Nevara, em sua juventude, fora sacerdotisa em Avalon, onde a mãe de Ying, a rainha Hipólita II, fora educada, tendo sido ela própria sua preceptora. Fora tão dedicada à jovem soberana, que esta fez questão de levá-la com ela, como conselheira, quando teve que assumir seu trono. Quando a rainha renunciou em favor de sua filha mais velha, Hipólita III, e decidiu voltar para Avalon, pediu que ela ficasse e continuasse como conselheira real, mas, principalmente, que ajudasse a cuidar de sua filha mais nova Ying e que a educasse como fizera com ela própria, pois sabia que um grande destino lhe estava reservado. Nevara sabia que a nova rainha era suficientemente sábia para poder reinar sem seus conselhos, apesar de ser ainda jovem, mas concordou em ficar por causa de Ying. Quando a jovem princesa se tornou adulta e já lhe havia ensinado tudo o que podia, resolveu ir morar em um recanto escondido do Vale das Amazonas, um pequeno bosque encantado, ensinando o caminho apenas para sua pupila Ying, para que esta pudesse procurá-la sempre que precisasse de um conselho.

– Mestra, sou eu, Ying. Preciso de sua sabedoria. – sussurrou a princesa, chegando ao local onde costumavam se encontrar.

– Estou aqui, minha jovem. Estava à sua espera. – disse Nevara, surgindo silenciosamente por detrás dela.

Ying estava acostumada com aquelas aparições repentinas. Sua mestra, como costumava chamá-la respeitosamente, sempre sabia quando precisava dela. Como agora.

– Mestra, tive aquele sonho de novo, só que agora consigo me lembrar de quase tudo. Por favor, gostaria que a senhora me esclarecesse quanto ao seu significado.

– Conte-me tudo que puder se lembrar e verei o que posso lhe dizer.

Ying contou a ela tudo, inclusive sobre o jovem que a salvava quando caía no abismo negro, mas de cujo rosto não conseguia se lembrar porque nunca conseguia vê-lo. À medida que falava, a expressão de Nevara ia se modificando visivelmente da postura atenta que assumira a princípio para a de alguém que recordava coisas dolorosas e que desejaria que ficassem para sempre esquecidas. Quando chegou ao fim de sua narrativa, Ying reparou no olhar sombrio e distante de sua mestra, mas ainda assim perguntou:

– Bem, e então? O que significa tudo isso? A senhora pode interpretar o meu sonho?

Inspirando profundamente, como se estivesse voltando de um transe, ela respondeu:

– Sim, eu posso. Mas não sei se devo lhe dizer o que ele realmente significa.

– Ora, e por que não? – perguntou Ying, surpresa. – Afinal, pode ser algo importante sobre o meu destino. A senhora sempre me ensinou que, algumas vezes, os sonhos podem ser proféticos, nos mostrando vislumbres do nosso futuro ou até mesmo ecos do passado ou passagens do presente que nos passaram despercebidas e que ainda poderão influir em nossas vidas.

– É verdade. Mas você também deve se lembrar o que eu disse sobre o perigo de se conhecer o próprio destino.

– Sim, eu sei. Mas trata-se do meu destino! Creio ter o direito de conhecê-lo! – replicou, exaltada, mas arrependendo-se em seguida, acrescentou: – Desculpe-me, mestra. Não deveria ter falado desse jeito. Mas a verdade é que… – interrompeu-se como se fosse muito difícil para ela dizer o que diria a seguir. – Bem, eu sei que em breve terei de deixar o Vale e ir para o Santuário da deusa Athena, na Grécia, para ficar ao lado de meu irmão e a verdade é que estou com…

– Está com medo, não é, meu bem? – completou Nevara, sorrindo com doçura.

Ying assentiu com a cabeça, incapaz de falar e admitir com palavras o que considerava uma fraqueza imperdoável de sua parte. Afinal, ela era uma Amazona, mais ainda, uma princesa e agora também estava prestes a se tornar parte do restrito rol dos Cavaleiros de Ouro de Athena, uma vez que completara o treinamento com seu irmão Saga, o Cavaleiro de Ouro de Gêmeos. Tinha muito orgulho de tudo isso, sendo, aliás, esse um de seus piores defeitos, apesar de sua boa índole e sua personalidade leal e franca.

– Não há por que se envergonhar de sentir medo. – explica Nevara, pacientemente. – Todos, até mesmo os mais bravos guerreiros, já sentiram medo alguma vez em suas vidas. Faz parte do instinto de sobrevivência de qualquer ser vivo, ajudando-o a conhecer e respeitar seus próprios limites, ou quando necessário, até mesmo superá-los. Além disso, você está prestes a enfrentar uma situação nova e o ser humano, por natureza, teme as mudanças, embora, nem por isso elas se tornem menos fascinantes para nós.

– Sim, é verdade. Como sempre, a senhora está com a razão, pois ao mesmo tempo em que sinto um aperto no peito ao deixar para trás tudo o que sempre me cercou: a senhora, minha irmã Hipólita, meu povo e este vale, estou cada vez mais ansiosa por me juntar a meu irmão Saga no Santuário e seguir o meu destino. Por isso que devo mais uma vez insistir para que me esclareça algo sobre esse sonho, mestra. Sinto que ele está ligado a coisas importantes que ainda estão por acontecer.

Sentindo a hesitação de Nevara, Ying acrescentou:

– Sei bem que pode ser perigoso conhecer o próprio destino. A senhora já me ensinou isso. Mas, pense bem e me responda: Que mal pode haver em saber, se, de qualquer forma não poderei mudar nada? Ao menos poderei me preparar melhor para o que está por vir.

– Seguindo a sua lógica, posso lhe responder com outra pergunta: Para que saber, se você não poderá mudar o Inevitável? Melhor seria ignorar e viver a vida, momento a momento.

– Eu até poderia concordar com a senhora, mestra, se não fosse por uma coisa: O sonho. Como posso ignorar o futuro, se há esse sonho atormentando-me todas as noites? E a voz que sempre ouço, durante ele, recitando aquele estranho encantamento? Por Deus, Nevara, aquela voz é sua! Só agora me dei conta disso! Então? Pode me dizer o que significa tudo ou não?

Ying parou de falar e ficou observando sua mestra. Ela continuava a fitá-la com olhos vagos como quem olha para o infinito.

– Bem. – continuou Ying, rompendo o silêncio que se estabelecera. – Vejo que não conseguirei vencê-la pela lógica. Faço, então, aqui e agora, um juramento perante a senhora e perante este bosque sagrado: Não sairei daqui, não me moverei sequer um milímetro da posição em que me encontro agora, enquanto não me disser o que vim saber hoje. Mesmo que seja necessário permanecer aqui pelo resto dos meus dias!

Nevara olhou bem no fundo do olhos de Ying e pôde ver toda a determinação que lhe era característica desde o dia em que nascera. Sabia que ela estava falando sério e, conhecendo-a bem como, melhor do que ninguém, a conhecia, sabia que nem mesmo todo o exército das Amazonas, com suas cinco mil guerreiras, conseguiria tirá-la dali, se ela não quisesse sair por livre e espontânea vontade.

Suspirando profundamente, Nevara assentiu:

– Seja. Mas você terá que prometer que se contentará com o que eu lhe disser, sem me perguntar mais nada, pois nada mais poderei lhe dizer. Está de acordo?

– Sim, prometo que me contentarei, seja o que for. – disse Ying, ansiosa.

– Então, está bem. Em primeiro lugar, diga-me uma coisa: O que você sabe com relação ao seu nascimento?

– Ao meu nascimento? Mas o que isso tem a ver com o meu sonho ou o meu futuro?

– Apenas responda, minha jovem. Prometo que você irá entender tudo.

– Bem… – começou Ying, procurando colocar as ideias em ordem. – Tudo o que sei é que meu pai foi um Cavaleiro muito corajoso e honrado. Na verdade, ele foi o último Cavaleiro de Ouro de Gêmeos antes de meu irmão Saga. Sei também que, de acordo com a nossa lei, ele foi obrigado a partir alguns meses depois do nosso nascimento, levando meu irmão. Minha mãe nunca gostou muito de falar sobre isso. Lembro que toda vez que eu perguntava sobre eles, isto nas raras vezes em que a via, ela ficava com um olhar triste e distante e não me respondia nada. Alguma coisa eu consegui saber pelas babás, mas elas eram muito reticentes, pareciam ter medo de me contar algo que eu não pudesse saber…

– Então, preste bastante atenção, minha cara Ying, pois irei lhe contar agora tudo o que você sempre quis saber acerca das circunstâncias que envolveram o seu nascimento e você acabará entendendo como estas irão influenciar o seu futuro que, aliás, é o que o seu subconsciente está tentando mostrar através desse sonho recorrente.

– Conte, estou ouvindo. – disse Ying, empalidecendo.

– Ying, ao contrário de sua irmã mais velha e da maioria das Amazonas, o seu nascimento foi o fruto de um grande amor. Só que, infelizmente, como tantos outros, era um amor impossível. Tudo aconteceu há 20 anos atrás, quando o Império Japonês decidiu mandar um pequeno contingente de técnicos e soldados para explorar esta região em busca de minerais preciosos e outros recursos naturais. Apesar da grande superioridade em relação à armamento e da perícia dos soldados japoneses, a tentativa de invasão deles foi rechaçada. Como estava próximo a festa da Celebração da Primavera, que como você sabe, é o período em que as Amazonas se preocupam com a garantia de uma nova geração de guerreiras, foram selecionados os guerreiros mais fortes e corajosos para servirem como “zangões”. Estes, então, foram levados ao palácio para que a rainha tivesse o privilégio de escolher em primeiro lugar dentre eles o que melhor lhe aprouvesse.

– Meu pai era um deles? – perguntou Ying.

– Na verdade, não. O seu pai, Yang era o nome dele, quando soube da captura dos soldados, se ofereceu como embaixador ao imperador japonês com o intuito de negociar a liberdade deles. Graças a isso, ele ganhou salvo-conduto até o palácio.

– Foi aí que eles se conheceram?

– Foi. Ele chegou na noite da Celebração ou Beltane, como chamamos em Avalon e a rainha ainda não havia escolhido nenhum dos guerreiros capturados para seu consorte. Mas no momento em que ela o viu, percebi que sua atenção foi imediatamente atraída para ele, o que, aliás, foi mútuo, pois ele também não conseguia desviar os olhos de sua mãe, embora as mais belas guerreiras do reino estivessem presentes no salão real naquela noite. Ambos se aproximaram um do outro como se estivessem atraídos por um poderoso imã e então Hipólita perguntou se ele não gostaria de se juntar a ela nas festividades daquela noite. Sem dizer uma única palavra, completamente esquecido de sua posição ali como embaixador, ele segurou delicadamente na mão dela e beijou-a, dirigindo-se os dois para os aposentos reais, gesto que foi imitado por todos os pares já formados, os quais foram se retirando, cada um para os seus aposentos, até que o salão principal ficasse completamente vazio. O que aconteceu depois, você deve imaginar. Depois que a gravidez das guerreiras foi confirmada, os homens foram libertados, com o devido cuidado, é claro, de ministrar-lhes primeiramente uma poção que os fizesse esquecer totalmente o que acontecera. Eles voltaram para sua pátria pensando que haviam sido libertados logo após o término da batalha, como resultado das negociações do embaixador enviado por seu imperador, e que não havia nada por ali que valesse a pena explorar. Entretanto, nem todos partiram. Seu pai ficou, graças à influência de sua mãe junto ao Conselho. Ela evocou o antigo privilégio das rainhas de conservar o seu consorte pelo prazo máximo de um ano.

– Ela devia estar muito apaixonada por ele, mesmo isso não sendo permitido à uma Amazona… – sussurrou Ying, com o olhar distante.

– É verdade. Tentei alertá-la sobre a enorme decepção que ela teria quando tivesse que mandá-lo embora. Afinal, seria melhor para ambos cortar os laços o mais cedo possível, antes que eles se tornassem estreitos demais para serem rompidos. Mas foi inútil. Ela me disse que já era tarde demais, porém sabia que chegaria o momento em que teria que escolher entre seu coração e o dever para com seu povo. Enquanto esse momento não chegava, queria aproveitar cada segundo de felicidade ao lado dele e da criança que iria nascer como fruto daquele amor. E foi assim que aconteceu. Os dois viveram intensamente cada instante daqueles meses como se fosse o último que passariam juntos. A felicidade, então, se multiplicou quando eles souberam que seriam quatro os bebês que estavam à caminho…

– O que a senhora está dizendo?! – exclamou, incrédula, a princesa. – Quatro? Mas pensei que eu só tivesse um único irmão gêmeo que é Saga! Onde estão os outros três e por que eu nunca soube sequer da existência deles?

– Calma! Por favor, Ying, sei que isso tudo que estou lhe dizendo deve ser um choque para você, mas lembre-se de que você mesma quis ouvir. Além disso, eu ainda não terminei. Procure ter paciência e ouvir tudo até o fim, está bem?

– Sim, mestra. Sinto muito, prometo que tentarei não interrompê-la mais. – disse Ying, contendo-se a custo.

– Está certo. Bem, como eu estava dizendo, a rainha estava esperando quadrigêmeos e toda a nação Amazonas torcia para que fossem todas meninas, pois assim seriam quatro novas guerreiras de sangue real para a glória do país. Passaram até a olhar para o seu pai com certo respeito. É claro que algumas das anciãs lembraram do antigo tabu contra os gêmeos, os quais eram sempre sacrificados ao nascer por se acreditar que traziam má sorte, mas eu fiz questão de lembrar a elas de que esse costume provinha do tempo em que as Amazonas não passavam de uma tribo nômade, a qual não tinha condições de alimentar todas as crianças que nasciam, e que não tinha mais razão de ser há muitos séculos, desde que se estabeleceram neste vale escondido. Yang e Hipólita pareciam não se preocupar muito, tão enlevados estavam um com o outro e ficavam fazendo planos e construindo castelos no ar, embora soubessem que nunca se tornariam realidade. Entretanto, uma nova ameaça além da certeza da iminente separação surgiu para toldar-lhes a felicidade. Alguns anos antes, seu pai, o Cavaleiro de Gêmeos, após uma terrível batalha, baniu para uma dimensão distante o irmão mais moço do Mestre do Santuário, Arles, a mando do próprio Mestre. Foi, então, que certa noite…

– Por Artémis! – interrompeu mais uma vez Ying. – Como pôde o mestre do Santuário de Athena mandar seu próprio irmão para o exílio!?

– Ele teve um bom motivo para isso, minha jovem impaciente. – disse Nevara, censurando-a com o olhar por interromper sua narrativa outra vez. No entanto, ela sabia que Ying não fazia por mal. – Ele descobriu que seu irmão, na verdade, era Ares, o deus da Guerra, renascido. Por isso pediu ajuda a seu pai, que ele sabia ser o Cavaleiro mais poderoso, para isolá-lo antes que ele causasse um mal maior.

Ao ouvir o nome de Ares, Ying empalideceu. A simples menção desse nome sempre a perturbou de uma maneira que ela nunca conseguiu explicar. Talvez fosse a lembrança do suposto parentesco entre ele e as Amazonas, pois conta a lenda que elas seriam descendentes diretas dele e da ninfa Harmonia. Sempre causou-lhe horror pensar nas terríveis atrocidades cometidas por ele e pelas Amazonas em seu nome. Naquela época, suas irmãs Amazonas eram temidas não apenas por sua ferocidade nas batalhas como também por certos costumes bárbaros que possuíam, como matar seus consortes e os meninos nascidos dessa união, os quais algumas vezes não eram mortos, mas mutilados ou cegados, conservando apenas as meninas. Destas era-lhes retirado, na puberdade, um dos seios com intuito de facilitar-lhes o manejo da lança e do arco. Felizmente, desde muito antes da sua aliança com Athena, mesmo quando ainda eram nômades, tais costumes foram abandonados pelas Amazonas, as quais também passaram a lutar somente para defender seu território ou o de nações amigas. Desde então, as Amazonas passaram a não ser mais temidas, mas sim respeitadas.

Nevara esperou que ela serenasse para poder continuar sua narrativa. Quando sentiu que poderia prosseguir, ela disse:

– Como eu estava dizendo… Certa noite seus pais estavam nos aposentos reais quando, de repente, uma terrível ventania irrompeu quarto adentro e do interior de uma nuvem escura de tempestade, surgiu a impressionante figura de Ares. Com voz de trovão, ele ameaçou:

“Yang, seu tolo, sem saber, você me forneceu o canal que eu esperava há tanto tempo para poder retornar e promover a minha vingança! Então, você não sabia que as Amazonas são minhas filhas? Pois agora eu lhe digo, por ironia do destino, o qual você escreveu com suas próprias mãos, eu voltarei para essa dimensão por intermédio de um de seus filhos! E quanto a você, Hipólita, não pense que eu me esqueci da traição que vocês me fizeram quando se aliaram a Athena, minha arqui-inimiga! Mas ela também não perde por esperar. Eu lhe digo, filha ingrata, não darás mais guerreiras ao teu povo. Eu me encarregarei pessoalmente de destruí-las…”

– Dito isto, ele desapareceu e tudo voltou a serenar. Yang e Hipólita ficaram abraçados durante algum tempo, ainda atônitos com o que lhes acabara de ser revelado. Yang, então, contou a ela tudo o que se passara entre ele e Ares. E ao contrário do que seria de se esperar, eles não perderam tempo culpando-se um ao outro. Foram imediatamente me procurar para contar o que acontecera, com a esperança de que eu tivesse alguma solução para esse terrível problema.

Na verdade, eu já sabia do que se tratava, pois assistira a tudo na minha fonte mágica e estava esperando que viessem. Eu lhes disse que teríamos que esperar o momento do parto para poder tomar algum tipo de atitude contra Ares. Somente nessa ocasião, eu poderia ter uma ideia do verdadeiro potencial de sua força. Preocupado, Yang insistiu em saber se eu acreditava que poderia fazer alguma coisa para detê-lo. Eu, então, fui sincera e disse a ele que, provavelmente, o meu poder não seria suficiente para deter para sempre ou totalmente a influência de Ares, mas que faria todo o possível para isso. E disse mais:

– Há um outro ponto a nosso favor. Como você pode ver em sua própria armadura, Cavaleiro de Gêmeos, o Bem e o Mal sempre andam lado a lado. Isso significa que se Ares fizer sentir o seu poder, podem estar certos de que, a protetora das Amazonas Artêmis, ou sua irmã Athena, nossa maior aliada, também estarão presentes ao nosso lado. Devemos contar também com o espírito de luta, o cosmo, dessas crianças. – falei, acariciando o ventre de quase nove meses de Hipólita. – Estou certa de que eles não se deixarão dominar tão facilmente.

– Mas eles são tão pequenos ainda, tão indefesos… – murmurou Yang, em tom de desalento, abaixando-se e encostando a cabeça no ventre de sua amada.

– Nevara tem razão, meu amor. Não se deixe abater. Afinal você já derrotou Ares uma vez. –

disse Hipólita, tentando animá-lo. Pondo a mão em sua barriga, acrescentou: – O cosmo deles é forte, eu posso sentir. Desta vez iremos enfrentá-lo juntos. Devemos sempre ter esperanças.

– Sim… – murmurou Yang, seu olhar se iluminando e a esperança crescendo. – Sim! Eu também estou sentindo! Eles possuem um cosmo extraordinariamente forte para quem nem sequer nasceu ainda, especialmente dois deles… Tem razão, meu amor. – disse, erguendo a cabeça e encarando-a com um sorriso. – Devemos confiar em Athena!

Nevara fez uma pausa.

– Finalmente, o dia tão temido quanto esperado chegou cerca de duas semanas depois do que acabei de lhe contar. – continuou Nevara. – O parto foi muito difícil e, a princípio, para o nosso desespero, as ameaças de Ares pareciam estar se cumprindo. O primeiro bebê que nasceu era uma menina, mas estava morta, o que foi considerado um mal presságio pelas parteiras. Logo em seguida, nasceu você, agarrando-se em seu irmão Saga, que veio logo depois, lutando furiosamente com seu outro irmão, Kannon, no que parecia uma impressionante tentativa de protegê-la.

Sufocada pela emoção que lhe proporcionou a lembrança daquele momento, Nevara deteve sua narrativa por alguns instantes, que pareceram eternos para Ying, que a ouvia atentamente, quase sem respirar. Recuperando-se, Nevara continuou:

– Assim que a peguei em meus braços constatei que você parecia não estar sofrendo a influência maligna de Ares, estando aparentemente sadia. Entretanto, um súbito vislumbre de seu futuro me fez entoar o encantamento que, desde aquela ocasião povoa os seus sonhos:

Ao ouvir isso, Ying levantou-se e começou a andar de um lado para o outro, como se estivesse presa de forte emoção. Em dado momento parou, olhou para sua mestra e exclamou exaltada:

– Como pôde? Como pôde fazer isso comigo, Nevara? Eu sou uma Amazona, uma princesa, tenho cinco mil guerreiras sob minhas ordens e em breve serei também um Cavaleiro de Ouro. Como pôde colocar o meu destino nas mãos de um homem?!

– Ora vamos, Ying, deixe de tolices! Você está se comportando como uma criança mimada! Lembre-se do que lhe falei sobre o perigo do orgulho desmedido! – respondeu Nevara, em tom severo. Depois, suavizando a voz, mas sem perder a expressão séria, acrescentou: – Eu não fiz o seu destino, Ying. fui apenas um instrumento dele para salvá-la. Não havia outra saída. Não fale como se eu tivesse lançado uma maldição sobre você. O amor não é uma maldição, ao contrário, ele é uma benção, mesmo para uma Amazona. Não se esqueça de que é graças ao amor que este mundo continua existindo, apesar de haver tanto ódio e destruição.

Ouvindo essas palavras, Ying se acalmou e pediu desculpas à sua mestra, apesar de não concordar com tudo o que Nevara dissera. Afinal, não lhe agradava nem um pouco a ideia de que um homem teria a vida dela em suas mãos e, tampouco, desejaria acabar seus dias triste e amargurada como sua mãe, suspirando por um sonho perdido.

Vendo que a belicosa princesa sossegara, Nevara continuou:

– Assim está melhor. Como eu estava dizendo, você parecia estar bem, assim como seus dois irmãos. No entanto, não tínhamos como saber se eles estavam ou não sob a influência de Ares. De qualquer forma, como era o costume, eles seriam levados para o quarto dos meninos, enquanto que você permaneceria no aconchego de sua mãe. Aconteceu, então, algo totalmente inesperado. Você e Saga se agarraram de tal maneira que foi impossível separá-los. Em vista disso, somente Kannon foi levado para lá. Nessa ocasião se deu um dos fatos mais extraordinários de que já se teve notícia no reino das Amazonas: o estranho desaparecimento de Kannon. Todas as precauções foram tomadas para a segurança dele, afinal, apesar de se tratar de um bebê do sexo masculino, não se podia esquecer que ele era de sangue real. Por isso, foi designada para cuidar dele uma das mais corajosas guerreiras do reino. No entanto, para nosso espanto, esta mesma guerreira, que antes já havia enfrentado alegremente situações que fariam tremer as mais fortes e destemidas, foi encontrada na manhã seguinte, ao lado do berço vazio, em um estado lastimável: pálida como um cadáver, olhos fixos que fitavam o vazio e balbuciando sem parar palavras ininteligíveis. A única coisa que se conseguiu arrancar dela após muito esforço e paciência foi o bizarro testemunho de que a terrível sombra da morte viera buscar o menino e o levara para a escuridão. Você pode imaginar o clima tenso que se estabeleceu, então, daí por diante.

– E o que aconteceu depois?

– Bem, alguns meses depois, findou o prazo de permanência concedido a seu pai pelo Conselho, e como o menino Saga já pudesse ser desmamado e estivesse forte o suficiente para viajar, foi determinado que Yang deveria partir juntamente com seu filho varão o quanto antes. Foram inúteis os apelos da rainha para que ele ficasse, principalmente depois do que acontecera com Kannon, além do fato disso ser absolutamente contrário às tradições das Amazonas. A decisão do Conselho era inapelável. – Nevara deu um longo suspiro e continuou:

– No dia seguinte, deu-se, então, o que ficou registrado em minha memória como uma das despedidas mais dignas e, talvez por isso, a mais triste que já havia tido a oportunidade de presenciar. Eles não derramaram uma só lagrima, mas a intensidade de sentimentos que se lia no olhar de ambos dizia tudo sobre a imensa dor que eles sentiam. Apesar de tudo o que eles já haviam conversado, Yang ainda suplicou que Hipólita fugisse com eles, levando você. No entanto, ela se manteve firme em sua decisão de não abandonar o seu povo. Apesar do imenso amor que sentia por ele, seu senso de dever era ainda mais forte e ela disse que jamais conseguiria ser inteiramente feliz a seu lado com o pensamento de que havia traído a sua gente. Entretanto, ela também disse que jamais voltaria a ser a mesma, pois Yang estava partindo levando com ele uma parte dela que era o seu coração. Como os membros do Conselho já estivessem impacientes, eles finalizaram suas despedidas com um prolongado e apaixonado beijo e a promessa mútua de que, quando chegasse a hora, seus filhos, Saga e Ying, se reuniriam novamente e juntos combateriam pela honra da deusa Athena. Então, ele partiu para sempre, levando Saga com ele.

Com um longo suspiro, como o de alguém que acabara de realizar árdua tarefa, ela finalizou:

– Bem, esta é a história de seus pais e o princípio da sua. Espero que a ajude a compreender o que é necessário, pois isso é tudo o que posso lhe revelar.

– Mas… – começou a dizer Ying.

– Lembre-se que você prometeu se contentar com o que eu tivesse a lhe dizer.

– Sim, tem razão, mestra. – admitiu Ying e respirando profundamente, acrescentou. – Seja como for, eu já entendi que esse sonho me alerta sobre um grande mal que ainda me ameaça e que haverão dois homens que, aparentemente, exercerão um papel decisivo em meu destino. Entretanto, Nevara, uma coisa eu lhe prometo aqui e agora… – Ying abaixou a cabeça e fechou os olhos por um momento, para, em seguida, erguê-la novamente com fogo no olhar. – Eu não me deixarei atingir pelo Mal assim tão facilmente e estou certa de que não precisarei da ajuda de homem nenhum. Sou uma Amazona. Eu não posso, não quero e não vou me apaixonar por ninguém, está me entendendo?

– Ora, ora, minha jovem indomável! Não diga tolices e, principalmente, não faça promessas que não possa cumprir. Todavia, sim, mantenha sempre esse espírito de luta, pois você precisará dele para a grande batalha que está por vir em sua vida. Mas esteja certa de uma coisa, minha querida criança, você jamais estará sozinha! Jamais!

Ying concordou com a cabeça e disse, após alguns instantes, com voz que procurava firmar: – eu lhe agradeço, Nevara, por tudo que me disse aqui hoje e também por tudo o que me ensinou durante todos esses anos. A senhora foi muito mais do que minha mãe e eu nunca poderei esquecer tudo o que fez por mim.

Sem poderem conter mais a emoção que as envolveu naquele momento, elas se abraçaram, sem dizer nada, por um longo tempo.

Então, ela realmente sabe que o momento decisivo da partida está cada vez mais próximo. Isso é bom. Significa que ela está pronta. – pensou Nevara e dirigindo-se à sua pupila, disse, em voz alta: – Agora vá, sua irmã já deve estar preocupada com a sua ausência.

Ying concordou e se voltou para ir embora, mas, antes que ela se fosse, Nevara a chamou: –

Mais uma coisa. Acautele-se quanto a seu irmão Saga. Visto o que aconteceu com Kannon, não acredito que ele venha a sofrer alguma influência de Ares, mas, em todo caso, não custa ficar alerta.

– Bem, realmente não acredito que Saga venha representar algum perigo para mim. – disse Ying, um tanto surpresa com as palavras de sua mentora. – Afinal, ele sempre foi uma pessoa tão doce e não posso me esquecer que foi ele que me ensinou como elevar o meu cosmo até o sétimo sentido, me transformando em um Cavaleiro de Ouro igual a ele e ao nosso pai. Mas, de qualquer forma, se a faz feliz, prometo que tomarei cuidado, principalmente com relação a alguma possível aparição de Kannon. Está bem assim?

– Está bem, Ying. Que assim seja. Confiarei em seu bom senso e em sua intuição. Espero que confie nelas também. Adeus, Ying.

– Adeus, Nevara.

Ying virou-se novamente e começou a se afastar. Ainda uma vez, virou a cabeça para olhar para àquela que havia representado um papel tão importante em sua vida até aquele momento, mas Nevara já havia desaparecido.

Ying e Nevara

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1Assim como a bela da história,

eterno seu sono não será e

com um doce beijo de amor,

um dia ela acordará. (Tradução do gaélico. N.A.)

Continua…

Agradecimentos:

Palavras são poucas e ineficientes em certas horas…E olha que é difícil uma geminiana sem palavras. rsrs… De coração, a todos que me ajudaram: Isa que me apresentou o site e me ajudou com o vídeo do elenco; Fabi com a capa maravilhosa, dando um rosto e figura à minha Ying de Gêmeos além da ajuda de informática com o site, e claro ao Wellington  e toda a equipe do Cyberseries pela linda abertura e todo o apoio. Obrigada do fundo do coração a todos que me ajudaram e deram força. Continuem comigo nessa que vem muitas emoções por ai!

Andrea Figueiredo Bertoldo

“Que a minha vontade seja a minha força.”

  • As coisas começaram bem…O capitulo me deu uma nostaugia danada. rsrs

    • Andrea Figueiredo Bertoldo

      Legal que tenha gostado e acredito que a sensação aumentará e muita gente deve estar sentindo isso.^^ espero que goste

  • Isa Miranda

    O que é bom tem que ser mostrado… Agradecida pela apresentações como se precisasse, você é talentosa e Cyber é agora nossa casa. Vamos “Nerdilizar e otakuzar” tudo aqui o/

    Ótima discrição, quando ler imaginamos realmente as cenas e a parte da Ying é maravilhoso, prefeita introdução dela na história geral. Show … aguardando o próximo capítulo. <3

    • Andrea Bertoldo

      Awnn…<3…Obrigada,Isa!!Fico muito feliz que tenha gostado.Não tem noção da injeção de ânimo que ne deu agora.kkkk. Que bom,sinal que estou no caminho certo. Não temos imagens numa tela(por enquanto) mas meu objetivo é sempre esse levar as pessoas a verem o que eu vejo na minha imaginação. Aguarde que ainda vem muito mais coisa até Ying partir pro Santuário. *-*

  • Fabi Prieto

    Bem vinda, Ying! Que comece a sua jornada! 😀
    E awn <3 obrigada pelo agradecimento e disponha!

    • Andrea Bertoldo

      Ying agradece. Rs Você merece muito mais,Fabi! Conte sempre comigo também. <3