Garota de Ipanema – Capítulo 31

Garota de Ipanema – Capítulo 31

 

NOVELA DE: EDUARDO MORETTI

(CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO ANTERIOR)

 

{Tocando: Samba da Benção – Bebel Gilberto}

 

Adna fica olhando séria para Beatriz, depois da as costas para ela e vai andando, mas Beatriz a cerca.

ADNA – O que você quer Beatriz? Me deixa em paz!

BEATRIZ – Pra começar fazer um brinde ao seu sucesso. (Diz estendendo de novo a taça para tia).

ADNA (Nervosa) – Não se faça de boba, Beatriz. Você sabe muito bem que eu não posso beber, eu estou sóbria há quinze anos. (Diz olhando para os lados).

BEATRIZ – Tai uma coisa, que eu nunca irei entender… Sim, porque vocês alcoólatras enchem a boca pra dizer que estão sóbrios há tantos anos e tal… Qual o problema de beber então? Vocês deveriam ter o controle da situação, de poder beber quando quiserem e parar quando bem entenderem, ou eles não ensinam isso no A.A?

ADNA – Você não entende nada mesmo, nunca entendeu… E sabe por quê? Porque você é egoísta, sempre foi e sempre será. Você só vê o seu lado das coisas, só entende o que lhe é útil e conveniente. Agora me da licença, que eu preciso socializar com os meu convidados. Você sabe o que é isso?

Nesse momento, Beatriz se coloca na frente dela e a impede de passar… Depois aproveita outro garçom que passava e entrega as taças para ele…

BEATRIZ (Sorri) – Toma, por favor… Eu me esqueci completamente que ela não pode beber… Freqüenta o A.A e tudo, coitada. Obrigada.

ADNA – Pelo amor de Deus! O que você quer de mim, Beatriz?

BEATRIZ – Hoje e aqui eu não quero nada. O que eu tenho pra falar com a senhora é em particular… Hoje eu só vim mesmo marcar presença e combinar um encontro amanhã as nove da manhã na Garota de Ipanema. Nós precisamos ter uma conversa definitiva. A senhora vai né?

ADNA (Categórica) – Eu estarei lá, não se preocupe. Agora, saia da minha exposição, que como você mesma disse: Você não foi convidada.

BEATRIZ – Com o maior prazer… E ai da senhora se não for, porque eu te caço nem que seja no inferno e acabo de uma vez por todas com a sua vida miserável. E bico fechado, fui clara?

Helô que viu a cena de longe, foi até a tia para ver o que estava acontecendo…

HELÔ – Algum problema, tia? (Indaga olhando séria para Beatriz).

BEATRIZ (Sorri cínica) – Problema nenhum, irmãzinha. Eu só vim dar um beijo na tia Adna e parabenizá-la pelo seu grande dia. Mas eu já estava mesmo de saída. Parabéns mais uma vez tia, foi muito bom rever a senhora tão bem e sóbria finalmente. Eu faço votos de que para o seu próprio bem, a senhora continue assim… Tchau Helô, boa noite.

Beatriz sai séria e de cabeça erguida, deixando Adna desconcertada…

HELÔ (Preocupada) – O que ela queria com a senhora, tia?

ADNA (Nervosa) – Nada não, Helô. Só encher as paciências como ela faz com todo mundo. Eu vou falar com os convidados, da licença… (Diz sorrindo e sai).

Helô fica pensativa, olhando a tia se afastar…

 

CORTA DIRETO PARA: BARRA DA TIJUCA – MANSÃO DE TEODORA – QUARTO DE RODRIGO.

Débora fica desesperada com medo de que Rodrigo bata nela…

 

DÉBORA (Com medo) – Rodrigo, guarda esse cinto. Não vai fazer nenhuma besteira meu amor… Vamos conversar, por favor!

RODRIGO – Com você não tem conversa, Débora… Só partindo pra ignorância. Talvez seja isso que você precise pra aprender a ser gente e a respeitar os outros. Uma boa surra de cinto, coisa que os seus pais não fizeram quando você era criança. Quem sabe agora você não seria uma pessoa melhor, mas sempre é tempo de corrigir uma criança mimada… Vamos, você ainda não me respondeu. Vai por bem ou por mal?

DÉBORA – Nem uma coisa, nem outra. Eu vou ficar aqui nessa casa, porque aqui ao seu lado que é o meu lugar. (Diz o enfrentando e descendo da cama) – E se quiser me bater, me bate! Mas bate bem aqui ó… Na minha barriga. (Diz passando a mão na barriga) – Porque se você é mesmo homem e tem coragem de bater numa mulher, na sua noiva que te ama, vai ter que ser homem pra bater no seu filho também…

Rodrigo a olha espantado e fica confuso, sem saber o que dizer…

DÉBORA (Desequilibrada) – É isso mesmo que você ouviu… Eu to grávida. Você vai ser papai, meu amor. Eu fiz dois testes de farmácia hoje cedo e os dois deram positivo.

RODRIGO (Atônito) – Não pode ser… Esses testes não são cem por cento confiáveis.

DÉBORA – Dizem que não. Mas dois testes dando positivo, eu acho difícil de estarem errados… Mas eu irei procurar o meu médico ainda essa semana pra confirmar essa gravidez. Agora se eu fosse você, ia terminando o seu casinho com essa vagabunda que você esta, e apressava logo o nosso casamento, porque o nosso filho vai precisar de uma família, da mãe e do pai perto dele… Caso contrário, eu sumo com ele no mundo e você nunca vai conhecer o seu filho… Ah, e nem preciso dizer que eu continuo sim nessa casa. Eu e o meu filho… (Diz sorrindo) – É tão bom falar isso sabia? Meu filho… Eu chego a falar essa frase de boca cheia. Pode estar cedo ainda, mas eu já me sinto mãe… Eu mal posso esperar para dar a notícia pra Teodora, ela vai vibrar de felicidade… Se bem que conhecendo como eu a conheço, sou capaz de apostar que ela não vai gostar nada, nada de receber o título de avó. Bom eu vou pro meu quarto agora, e você procure descansar e dormir bem, meu amor. Porque quando esse bebê nascer, acabam-se as noites tranqüilas de sono. Tenha uma boa noite, sonhe com o nosso filhote e durma com Deus.

Débora sai do quarto toda feliz, enquanto Rodrigo desaba na cama, triste e pensativo, com os olhos cheios de ódio e lágrimas. Ela passa as mãos pela cabeça, inconformado e parecendo não aceitar a nova realidade…

 

CORTA DIRETO PARA: MUSEU DE ARTES MODERNAS DO RIO.

 

{Tocando: Quiet Nights, Of Quiet Stars (Corcovado) – Stacey Kent}

 

PEDRO – Nossa eu adorei aquela tela de Ipanema… O casal olhando para o mar, sentados na beira da praia, eu achei tão a nossa cara. (Diz sorrindo) – Eu vou ficar com ele pra decorar o nosso apê. O que você acha?

HELÔ – Lindo mesmo… A tia Adna é muito talentosa. Eu acho que você deve ficar com ele sim, ou eu fico. (Diz rindo).

ADNA (Sorrindo) – Amor em Ipanema. (Diz se aproximando) – Esse é o nome da tela, e eu confesso que quando eu a pintei foi pensando no amor de vocês dois… Vocês foram a minha grande inspiração, pra deixar o amor de vocês imortalizado nessa tela.

HELÔ (Emocionada) – Que bacana tia, obrigada. Agora que a gente vai levar a tela com toda certeza. (Diz sorrindo) – E eu faço questão de dividir o valor com você, Pedro.

ADNA – E olha que essa tela foi muito disputada essa noite hein… É uma pena que ela já esteja reservada.

PEDRO – Ah não, eu não acredito nisso. Quem comprou? Eu preciso falar com a pessoa e comprá-la de volta, nem que eu pague o dobro por ela. Essa tela é a nossa história de vida… Ela tem que ser nossa.

ADNA (Ri) – Calma Pedro. A tela esta reservada sim, mas não foi vendida. Eu a reservei para vocês… É um presente meu e de coração.

HELÔ – Mas nem pensar, tia Adna. Nós não podemos aceitar, é o seu trabalho. A senhora agora é uma artista e tem que viver da sua arte, das suas telas…

PEDRO – A Helô tem toda razão, Adna… Por favor!

ADNA – Por favor, digo eu. Então agora eu não posso mais presentear quem eu amo? Vocês não vão me tirar esse prazer não. Já está decidido, a tela é de vocês… Um presente meu, dado de coração e um presente dado de coração não se aceita devolução, já dizia minha mãe, que Deus a tenha. (Fala sorrindo) – Depois graças a Deus a exposição foi um sucesso. Todas as telas foram vendidas…

HELÔ (Feliz) – Que maravilha, tia. Bom então a gente aceita, né amor? Muito obrigada tia.

PEDRO – Obrigado, Adna. Que você possa cada vez mais prosperar e ser feliz nessa nova etapa da sua vida.

ADNA – Obrigada, meus amores. Depois vocês me passam o endereço direitinho do apartamento de vocês, que eu mando embalar a tela e entregar o dia que vocês acharem melhor. Agora, vamos fazer um brinde… Garçom, por favor.

O garçom se aproxima trazendo a bandeja com três taças… Adna os serve e pega a sua.

ADNA – Obrigada. Champanhe para vocês e água com gás pra mim… Um brinde a vida, e a nova etapa que estamos vivendo, que vocês dois sejam muito felizes… À vida!

PEDRO E HELÔ (JUNTOS) – À Vida!

O barulho de TIM TIM das taças, somado a felicidade dos três encerrava a noite com muito sucesso…

 

CORTA PARA:

 

ABERTURA:

 

CENA 1. EXTERNA |DIA AMANHECENDO |CLIPE DE IMAGENS DO RIO.

{Começa tocar: Let Her Go – Passenger}

 

Cam – Mostra o dia amanhecendo, o por do sol sobre o mar… Surfistas pegando onda, pessoas fazendo caminhada no calçadão, exercícios na areia, mergulhando no mar, tomando sol…

 

CORTA DIRETO PARA: PRAIA DE IPANEMA.

Pedro mais uma vez pegava altas ondas, como agora era de costume em todas as manhãs antes de ir para o trabalho. E agora ele tinha um parceiro… Bruno que já tinha melhorado e bastante o seu desempenho e amava pegar onda… Deitados na areia e cansados, eles conversavam…

 

PEDRO – Você melhorou bastante, Bruno. Gostei de ver a onda que você pegou…

BRUNO – Imagina… Eu ainda tenho muito que aprender pra chegar a ser um Pedro na vida. (Diz rindo) – Mas eu chego lá… E quando esse dia chegar, eu vou te deixar comendo poeira.

PEDRO (Sorri) – Tenho certeza que sim, afinal você teve o melhor professor… Agora chega de bufar e vamos tirar a areia do corpo que eu preciso ir para o trabalho. O último a chegar paga os cocos… (Diz se levantado e saindo correndo em direção ao mar).

Bruno se levanta em seguida e sai correndo atrás dele… Já dentro do mar, eles brincavam um com o outro de jogar água e dar caldos…

 

CORTA PARA:

CENA 2. INTERNA |DIA |ATHELIÊ – GAROTA DE IPANEMA.

Cam mostra a fachada da empresa e depois corta para a sala de Beatriz que recebe Adna…

 

ADNA (Séria) – E então… Aqui estou eu, Beatriz. O que você quer de mim?

BEATRIZ – Sabe que eu to gostando de ver a empáfia da senhora? Essa nova fase da sua vida, não lhe deu só vergonha na cara pra parar de beber não, deu coragem também. Afinal de contas, é preciso se ter muita coragem, pra querer brincar com o fogo, sem sair queimada.

ADNA – Escuta aqui Beatriz, eu não tenho mais medo de você, se essa é a sua intenção. O grupo de apoio aos alcoólatras anônimos, nos dá todo tipo de suporte e um deles é enfrentar os nossos receios e medos, sejam eles do que ou de quem for… E eu tenho muito orgulho de mim, e sabe por quê? Porque eu não só venci na vida, como também me tornei uma mulher mais forte e corajosa sim. Hoje em dia, eu converso de igual pra igual, olhando no olho e se preciso parto até pra ignorância. Agora se você for direto ao ponto, eu agradeço, porque eu tenho mais o que fazer com o meu tempo. Fui clara?

BEATRIZ (Ri, sarcástica) – Muito bem. Eu não pretendia fazer rodeios mesmo, sempre fui mulher de ir direto ao ponto… Então, vamos lá. Nós duas sabemos direitinho o que aconteceu com a filha da Helô, há vinte e dois anos atrás. Mas ela não sabe até hoje, e eu quero garantir que esse segredo vai continuar só entre nós duas. E que você assim como eu, irá levá-lo para o túmulo. A Helô não pode saber que a filha dela está viva e que é a minha Paloma, mas de jeito nenhum.

ADNA – Você é um monstro. Sabe que esses anos todos, eu ficava só me perguntando como foi que você teve coragem de tirar a filha da sua própria irmã? Armando tudo pra que ela pensasse que a menina havia morrido e depois pegando ela pra criar como sua filha adotiva e do Pedro, que nem imagina que é o pai dela de verdade… Como você pode colocar a cabeça no travesseiro e dormir a noite toda e depois se olhar no espelho todas as manhãs, como se o que você fez fosse a coisa mais normal do mundo? Me responde! (Diz a enfrentando).

BEATRIZ – Simples… Eu tinha um objetivo, uma meta. Eu tracei um caminho, o percorri tudo direitinho e mesmo aos trancos e barrancos, consegui chegar aonde eu queria. E isso é o que separa vencedores de perdedores… Quando o destino não esta a nosso favor, nós temos que pegar ele a unha e trazê-lo até nós. Eu só lutei pelo que eu queria… Quem é que pode me crucificar por isso, hein?

ADNA – Mas existem limites… A gente não pode querer a nossa felicidade a todo e qualquer custo, e passando por cima da felicidade dos outros. O castelo que você construiu é de areia, Beatriz. E já esta desmoronando, caso você não tenha percebido. No fim das contas, você vai ver que tudo foi em vão, que você sujou as suas mãos pra nada, além de ter arrastado um tanto de gente com você nesse mar de sofrimentos. Felicidade feita em cima da felicidade dos outros, não dura. Mais cedo ou mais tarde, a vida nos cobra. E você vai aprender isso da pior maneira possível… Que é no sofrimento e o que é ainda pior, na solidão. Porque quando todos souberem quem você é de verdade e tudo o que você fez… Nem mesmo as tuas filhas irão ficar do seu lado.

BEATRIZ – Será mesmo? Quando esse dia chegar e se ele chegar mesmo, a gente conversa ta bom? Agora vá rogar as suas pragas pra bem longe de mim, sua cachaceira agourenta.

ADNA – Não é praga. Eu seria incapaz de rogar uma praga a quem quer fosse, muito menos em você. É só a lei do retorno… Bom, eu já vou indo. (Diz se levantando) – E quanto à verdade sobre a Paloma, pode ficar tranqüila, que eu não vou falar nada. Pelo menos por enquanto… A vida da Helô, do Pedro e da própria Paloma já estão bagunçadas o suficiente. Eles não merecem passar por mais um furacão nesse momento… Mas é só por enquanto viu. Tenha um bom dia. (Diz e sai).

Beatriz fica pensativa e com raiva da tia…

BEATRIZ – Miserável… Você que ouse abrir esse bico de bêbada imunda, que você vai amanhecer um belo dia é com a boca cheia de formiga. Isso eu garanto…

 

CORTA PARA:

CENA 3. INTERNA |DIA |LEBLON |APARTAMENTO DE FLÁVIA.

 

FLÁVIA – Mas isso que você esta me propondo é loucura, Helô. Não sei não. É muito arriscado… Você acha mesmo que a Beatriz, esperta como ela é cairia nessa história toda de laranja?

HELÔ – E porque não? Ela não te conhece e depois você vai estar usando peruca, roupas diferentes e com uma nova identidade. O importante é que ela acredite que esta vendendo metade da empresa pra você, que se tornará sócia dela na Garota de Ipanema. Você fecha negócio com ela, e depois de um ou dois dias eu me apresento diante dela já com a documentação toda no meu nome e assumindo a minha parte na sociedade da marca. E então, eu posso contar com você? Você faria isso pela sua amiga?

FLÁVIA (Sorri) – Pedindo assim, como eu vou poder negar hein? É claro que eu faço. Eu enfrento a fera da Beatriz e te ajudo a se tornar sócia da Garota de Ipanema, deixa comigo.

Helô e Flávia sorriem e depois apertam as mãos firmando assim a parceria no plano de Helô…

 

CORTA PARA:

CENA 4. INTERNA |DIA |BARRA DA TIJUCA – MANSÃO DE TEODORA.

Teodora e César estão tomando café da manhã e Débora desce…

 

DÉBORA (Radiante) – Bom dia, meus queridos. Nossa eu hoje acordei com uma fome, que eu seria capaz de devorar essa mesa toda. O Rodrigo já foi para o trabalho?

TEODORA (Curiosa) – Já sim, ele saiu tem vinte minutos. Eu posso saber o motivo de tanta alegria e disposição assim, logo cedo?

DÉBORA – Claro que sim Teodora… Bom não tem como eu ficar ensaiando pra falar, então vai na lata mesmo… Você vai ser vovó. Eu e o Rodrigo estamos grávidos!

Nesse momento Teodora que bebia um pouco de suco, se engasgou e César correu para acudi-la, batendo em suas costas…

CÉSAR – Que brincadeira é essa Débora? Isso é coisa que se diga na mesa do café?

DÉBORA – E qual é o problema, César? A Teodora perguntou, eu falei. E depois não é brincadeira… Eu estou mesmo grávida. A Zilu mesma quem comprou pra mim dois testes na farmácia, eu fiz e os dois deram positivo. Mas na sexta eu vou ao meu médico e confirmo pra valer.

TEODORA – Bem… (Diz ainda em meio a tosses) – Acho melhor esperarmos o médico examinar então e dar a palavra final. Se quiser eu acompanho você ao médico na sexta.

DÉBORA – Eu agradeço, mas não será preciso. Agora se vocês me dão licença, eu vou ligar para a minha mãe dando a notícia… Até mais. (Diz e sai da mesa toda feliz, subindo as escadas).

CÉSAR (Chocado) – Meu Deus! Se isso for mesmo verdade Teodora, e você for ser avó… Então isso faz de mim, um vovô! Não, eu ainda não estou preparado pra isso. Eu sou muito novo pra ser avô e irei proibir qualquer um, inclusive esse bebê de se referir a mim de tal forma.

TEODORA – A minha maior preocupação agora é com o Rodrigo… Se essa história de gravidez se confirmar mesmo, o meu filho está perdido e ficará pra sempre amarrado a Débora.

 

CORTA PARA:

CENA 5. INTERNA |DIA |IPANEMA |COBERTURA DE BEATRIZ.

 

BEATRIZ (Grita) – Chica… Chica.

CHICA – Sim, dona Beatriz? (Diz vindo apressada da cozinha).

BEATRIZ – Quantas vezes eu tenho que te lembrar pra colocar o meu iogurte natural em temperatura ambiente, uma hora antes do café ser servido hein? Ele esta gelado, depois eu fico com a garganta péssima o dia inteiro.

CHICA – Me desculpa. Eu vou colocar ele em uma panela com água, logo ele esquenta.

BEATRIZ – Esquece, que agora eu não tenho tempo pra isso. Já estou de saída… Mas vê senão vai esquecer da próxima vez hein?

Nesse momento Liah desce toda arrumada para o café da manhã e Beatriz fica observando a filha…

LIAH (Feliz) – Bom dia, mãe. Bom dia Chica.

CHICA – Nossa Liah, como você esta bonita.

LIAH (Sorri) – Obrigada. Chica você traz o meu café balanceado, da dieta que a doutora passou pra mim?

CHICA – Trago sim, pode deixar.

BEATRIZ – Pelo visto você decidiu pegar firme com a dieta, com a aparência… O que foi que aconteceu pra você acordar pra vida assim de uma hora pra outra? Será que tem um garoto por trás dessa mudança repentina?

LAIH – Nada demais. Eu só percebi que a vida é bela e que eu tenho que viver, porque ninguém vai fazer isso por mim né?

BEATRIZ – Até o discurso mudou, você esta mais pró ativa, de bem com a vida… Gostei de ver.

LIAH – A terapeuta que eu estou freqüentado tem me ajudado muito.

BEATRIZ – Quero só ver até onde isso vai durar… Tantas vezes eu peguei firme com você e nada resolvia. Enfim, eu vou pro Ateliê. Ah e vê senão exagera no batom ta? Que ao invés de parecer bonita, você fica com cara de puta. Tchau.

Liah parece nem ouvir a mãe e fica sorrindo pensativa, enquanto tira uma foto dela da bolsa e fica olhando seu próprio retrato, feliz da vida…

 

CORTA PARA:

CENA 6. INTERNA |DIA |CLÍNICA DE MÉDICOS ASSOCIADOS – CONSULTÓRIO DE FLÁVIA.

Lenita ainda indecisa na escolha do possível pai para o seu filho, mais uma vez pegara fichas com Flávia na clínica com Flávia…

 

FLÁVIA – Quer dizer então você não se decidiu ainda por nenhum desse doadores?

LENITA – Não doutora. O processo de escolha é mais difícil do que eu imaginava. Esse negócio de não ver o rosto do suposto pai do meu filho, e ter que escolher baseado em peso, altura, nacionalidade, profissão… Sei lá, parece tudo muito mecânico e frio sabe? As minhas amigas até questionaram sobre esses homens serem tudo isso mesmo que dizem nas fichas.

FLÁVIA – Quanto a isso você pode ficar tranqüila, que o programa de doação de espermatozóides é anônimo, porém muito sério. Esses homens que se candidatam a doadores, passam por vários processos, como entrevistas, exames médicos pra ver se são saudáveis, eles fazem até umas sessões de acompanhamento psicológico, pra garantir a mãe que nos procura, o melhor material possível pra que ela possa ter um filho perfeito e saudável. Agora sem dúvida é um passo muito grande a ser dado, então é natural que você fique com medo, receios, enfim… É totalmente natural, faz parte e você não é a primeira e com certeza não será a última mulher a nos procurar que tenha dúvidas e fique indecisa durante o processo. Mas nós estamos aqui pra esclarecer e ajudar sempre.

LENITA (Sorri) – Que bom. Sendo assim, eu fico mais aliviada. E gostaria de levar mais algumas fichas para casa, pra eu avaliar melhor.

FLÁVIA – Ótimo. Eu irei providenciar… Mas olha qualquer coisa é só me procurar. Você tem meu celular, pode me ligar também à hora que quiser, que eu estou à sua disposição.

LENITA (Sorri) – Obrigada doutora. E pode acreditar que eu ligo mesmo hein?

 

CORTA PARA:

CENA 7. EXTERNA |DIA |LADO DE FORA DO ATELIÊ GAROTA DE IPANEMA.

Beatriz saia do Ateliê para almoçar e à medida que ela ia andando até chegar o carro no outro lado da rua, ela tinha a nítida sensação de estar sendo vigiada… Por uns instantes, Beatriz chegou a parar e olhar para os lados e para trás, mas não viu nada e nem ninguém suspeito…

 

BEATRIZ (Cismada) – Sensação estranha, credo. Chegou a me dar até um arrepio… Segunda vez que me acontece isso hoje. (Diz fazendo o sinal da cruz) – Deve ser só bobagem minha, paranóia da minha cabeça. Que Deus me proteja.

Beatriz entrou no carro o mais rápido que pode e foi embora… Enquanto de longe, atrás de uma árvore, um senhor misterioso apareceu e ficou olhando o carro dela partir…

 

CORTA DIRETO PARA:

CENA 8. INTERNA |DIA |IPANEMA – COBERTURA DE BEATRIZ – SALA.

Beatriz chegara em casa apressada e ainda atordoada com a sensação de estar sendo seguida, e assim que fechou a porta deu de cara com Pedro, descendo as escadas e carregando as suas malas. Os dois ficaram frente a frente, sem saber o que falar. Por fim, foi Beatriz quem quebrou o silêncio.

 

BEATRIZ – O que esta acontecendo aqui, Pedro? Aonde você vai com essas malas?

PEDRO – Eu finalmente encontrei um apartamento… Beatriz eu estou indo embora de casa definitivamente. O meu advogado irá te procurar para discutirmos um acordo no divórcio.

BEATRIZ – Bom se é isso mesmo que você quer, eu não posso fazer nada. Eu só fico muito triste de um casamento de vinte e dois anos terminar assim…

PEDRO – Sim, mas o importante é que ele nos deu duas filhas e elas são pra sempre. Eu já conversei com elas, pelo menos umas duas vezes por semana a gente vai se encontrar e sair, enfim… Eu quero continuar sendo um pai presente pra elas.

BEATRIZ – Claro, eu não esperaria outra atitude vindo de você.

PEDRO – Eu te desejo do fundo do meu coração, toda felicidade do mundo viu… E seja melhor com a Liah, por favor! Procure ajudá-la nessa fase de tratamento.

BEATRIZ (Emocionada) – Eu prometo fazer o possível.

PEDRO – Bom, é isso. Adeus…

BEATRIZ – Adeus…

Pedro vai embora deixando um enorme buraco no peito de Beatriz, que chora desconsolada…

BEATRIZ – Se você pensa que isso vai ficar barato, ah, mas não vai mesmo… Me aguarde. Você pode até estar indo para os braços da Helô, mas não vai ser por muito tempo. Palavra de Beatriz…

 

CORTA PARA:

CENA 9. INTERNA |DIA |COPACABANA – APARTAMENTO DE PEDRO E HELÔ.

Pedro estava trazendo Helô pela primeira vez ao apartamento e vinha tapando os olhos dela. Quando ele fechou a porta foi que ele tirou as mãos dos olhos dela…

 

PEDRO – Pode abrir os olhos meu amor…

Helô abre os olhos e fica encantada com tudo o que vê…

HELÔ – Nossa Pedro… Ficou lindo. Eu não teria decorado melhor…

PEDRO – Que bom que você gostou… Porque esse apartamento agora é a nossa casa. Onde nós seremos felizes.

HELÔ – Obrigada por tudo, meu amor… Eu te amo.

PEDRO – Eu também te amo, Helô.

 

{Começa tocar: Everything I Own – Bread}

 

Pedro e Helô se beijam apaixonadamente e sorriem cúmplices um para o outro…

 

PEDRO – Vem, vamos ver todo o resto… (Diz pegando-a pela mão).

 

CORTA PARA:

CENA 10. INTERNA |DIA |ATELIÊ GAROTA DE IPANEMA.

Estela recebera Flávia querendo conversar com Beatriz a respeito da sociedade na marca… Flávia estava nervosa e aguardava Beatriz em sua sala. E logo Beatriz chegou…

 

BEATRIZ – Boa tarde. Desculpa a demora, mas eu peguei um trânsito infernal. Eu sou Beatriz Bittencourt… Prazer. (Diz estendendo a mão para Flávia).

FLÁVIA – Abigail Campos Salles. O prazer é todo meu. (Diz pegando na mão de Beatriz).

BEATRIZ – Sente-se e fique a vontade. A minha secretária me falou que você esta querendo comprar metade da Garota de Ipanema. Eu gostaria de saber o que você faz, qual o seu interesse em se tornar minha sócia, enfim me fale de você um pouco.

FLÁVIA – Bom eu sou empresária no ramo de roupas, tenho várias lojas espalhadas por todo Brasil, só não tinha no Rio, mas agora irei montar duas aqui… A Maria Bonita, que são a minha rede de lojas, vendem roupas de estilistas famosos do Brasil e de todo o mundo e eu achei interessante já que vou montar duas unidades aqui na cidade maravilhosa, onde faz muito sol e calor, me associar a uma empresa de moda praia. Quando eu vi o anúncio no jornal, eu não pensei duas vezes.

BEATRIZ – Que bom, eu fico feliz de você querer se associar a minha marca…

FLÁVIA – Sim, mas eu preciso voltar para São Paulo ainda hoje. Eu tenho uma viagem marcada para Dubai dentro de dois dias, enfim… Preciso ir pessoalmente pegar a nova coleção de um estilista de lá. Por isso, eu agradeceria se fechássemos negócio já hoje mesmo.

BEATRIZ – Claro, eu entendo. Eu vou preparar o contrato pra você assinar, que o meu advogado redigiu… Enquanto isso vamos ver mais a empresa. Me acompanhe, por favor… Mas você deve ser muita rica, as lojas devem vender bem… Quem sabe futuramente nos tornamos sócias também em alguma loja, hein?

Beatriz ficou toda entusiasmada com a nova sócia e feliz de conseguir passar metade da marca pra frente…

 

CORTA PARA:

CENA 11. INTERNA |DIA |RESTAURANTE FRIGIDEIRAS – GÁVEA.

 

{Tocando: Nossa Canção – Tânia Mara}

 

Edu e Luciana combinaram de almoçar juntos e durante o almoço eles recordaram o passado e descobriram muitas coisas em comum, além de estarem solteiros, livres e desimpedidos, porém Luciana era arredia e se mostrava contra a idéia de ter um relacionamento sério agora… Já fora do restaurante, dentro do carro, Edu a deixará na porta do seu consultório…

LUCIANA (Sorri) – Eu adorei o almoço, a sua companhia, estava tudo perfeito.

EDU – Eu também adorei tudo… A sua companhia é muito agradável Luciana. Há muito tempo que eu não me sentia tão feliz… (Diz se aproximando dela para beijá-la).

LUCIANA – Edu, não faz isso… Por favor.

Edu a beijo carinhoso e depois com vontade, e Luciana apesar de tentar resistir, acabou se rendendo aos encantos dele…

 

CORTA PARA:

CENA 12. INTERNA |TARDE |ATELIÊ GAROTA DE IPANEMA.

 

BEATRIZ – Bom eu já vou indo, Estela. Fecha tudo pra mim que eu não volto mais hoje… Jonas, Jonas vem até aqui um minutinho, por favor!

JONAS – Sim, senhora…

BEATRIZ – Bom eu ainda não sei como vamos ficar, mas eu estou precisando dos seus serviços de segurança pra mim também.

ESTELA – Pra você… Mas porque Beatriz? Aconteceu alguma coisa?

BEATRIZ – Ainda não, graças a Deus. Mas eu percebei alguém me seguindo esses dias, pode ter sido só uma sensação, eu não sei. Mas também não quero arriscar. Então você me acompanha agora até em casa e já combinamos horários e tudo certinho.

JONAS – Claro. Eu vou só pegar o meu casaco.

BEATRIZ – Fecha tudo hein Estela, não vai esquecer.

ESTELA – Pode deixar. Tchau… Alguém seguindo ela? Sei… Ela já ta é de olho no Jonas, isso sim. Pelo menos o nosso plano esta dando certo. (Diz sorrindo).

 

CORTA PARA:

CENA 13. INTERNA |TARDE |ESCRITÓRIO DE ARQUITETUTA GOUVÊIA & ASSOCIADOS.

Paloma passava do escritório do pai e teria uma surpresa ao encontrar Rodrigo, o seu amado trabalhando lá…

 

PALOMA – Boa tarde, dona Neusa. Tudo bem com a senhora?

NEUSA – Oi Paloma, boa tarde. Quanto tempo que você não aparece aqui menina… Eu estava com saudades.

PALOMA (Simpática) – Eu também estava e prometo aparecer mais… O meu pai tai?

NEUSA – Esta sim querida, mas na sala de reuniões. Ele esta no meio de uma ligação… Se você quiser pode esperar ai na sala dele.

PALOMA – Obrigada.

Paloma entrou na sala do pai e deu de cara com um rapaz de costas, trabalhando em cima da mesa de Pedro…

PALOMA – Me desculpa, eu não queria atrapalhar…

Nesse momento Rodrigo se virou… E ambos se encararam surpresos…

RODRIGO – Paloma… Você por aqui?

PALOMA – Pois é… Eu estava aqui perto e resolvi dar uma passada pra falar um oi pro meu pai.

RODRIGO – Peraê… O Pedro é o seu pai?

PALOMA – Sim, ele é. E você ta fazendo o que aqui?

RODRIGO – Eu trabalho aqui… Meu Deus que coincidência maluca. Desde aquele nosso primeiro encontro nada amistoso no táxi. Parece que estava escrito que nós tínhamos que nos conhecer.

PALOMA – De repente estava mesmo… É o destino. (Diz sorrindo e depois da um beijo nele).

Nesse momento Pedro entra na sala…

PEDRO – Oi filha, que surpresa boa. A dona Neusa me avisou que você estava aqui… Vejo que você já conheceu o Rodrigo, meu braço direito aqui no escritório.

PALOMA – Sim. Na verdade a gente já se conhecia há algum tempo e agora estamos nos conhecendo melhor…

PEDRO (Confuso) – Como assim, Paloma?

PALOMA (Sorridente) – Eu e o Rodrigo estamos namorando pai.

Rodrigo ficou sem graça, pois sabia que Pedro se lembrava de Débora…

PEDRO – Bom, eu fui pego de surpresa agora… Mas estou feliz por vocês dois. O Rodrigo é um excelente rapaz… Mas e aquele seu problema, Rodrigo? Já resolveu?

RODRIGO – Já sim, Pedro.

Paloma os olha confusa…

RODRIGO (Sem graça) – É que até pouco tempo atrás eu estava noivo de outra moça, Paloma. Mas não deu certo, ela era muito ciumenta e obsessiva, enfim… Eu já terminei tudo com ela.

PEDRO – Obsessiva era pouco, a mulher foi até atropelada por causa dele. Era uma louca de pedra.

PALOMA – Nossa! Graças a Deu, você já se livrou dela, então.

RODRIGO (Sem graça) – Graças a Deus mesmo.

PEDRO – Eu fico feliz mesmo por vocês dois e faço muito gosto nesse namoro. Vocês tem a benção. E qualquer dia, eu vou preparar um jantar especial no meu novo apê pra receber vocês dois e quem sabe já não apresento a você filha, a minha nova namorada…

PALOMA – Por favor! Eu to louca pra conhecer a mulher que esta fazendo o meu pai muito feliz… É nítido a sua felicidade, e eu fico muito feliz também, porque você merece ser muito feliz pai. Eu te amo.

PEDRO – Também te amo, filha. E desejo que você e o Rodrigo aqui, que eu considero como um filho sejam muito felizes também.

Todos sorriem, enquanto Paloma abraça o pai e olha para Rodrigo, piscando para ele.

 

CORTA PARA:

CENA 14. INTERNA |TARDE |INSIGHT PUBLICIDADE – SALA DE LENITA.

 

LEILA – Lenita, eu posso entrar?

LENITA – Claro Leila. Entra ai…

LEILA (Sem graça) – Eu vim acompanhada…

MARCOS – Oi maninha… A gente queria ter uma conversa séria com você.

LENITA – Senta gente. Nossa mas o que foi que aconteceu pra vocês dois ficarem tão sérios assim?

MARCOS – Falo eu ou você?

LENITA – Nenhum dos dois fala nada. (Diz se levantando) – Eu vou falar… Meus parabéns! Vocês formam um lindo casal e tem a minha aprovação.

Marcos e Leila ficaram mudos, sem saber o que falar e Lenita prosseguiu…

LENITA – Que foi gente, porque o espanto?

LEILA – Como você sabia da gente? Você não agüentou e acabou contando né Marcos?

MARCOS – Não, meu amor… Eu juro. Eu estou tão surpreso quanto você.

LENITA – Calma gente, eu sou uma boa observadora e vocês não são nada discretos. Eu acabei percebendo, só isso. (Diz sorrindo) – E estava só esperando quando é que vocês iam me contar tudo. Eu desejo muitas felicidades a vocês… Do fundo do meu coração.

LEILA – Jura que não acha estranha por eu ser mais velha que o seu irmão, amiga?

LENITA – Claro que não Leila. Eu nunca me importei com essa bobagens… Diferença de idade não importa. Ser feliz sim amiga. E eu quero que vocês sejam felizes.

Leila abraçou Lenita e as duas se emocionaram…

LENITA – Agora quer dizer que além de amigas e sócias, somos também parentes? É muita emoção viu… E você rapaz, vê se cuida bem da Leila, viu… Se não você vai ser comigo. (Diz dando um tapa no braço do irmão).

Todos riem e se abraçam…

 

CORTA PARA:

CENA 15. INTERNA |TARDE |LEBLON – APARTAMENTO DE DANIEL.

Daniel chega exausto do plantão no hospital e em contra Bruno deitado no sofá, com cara de desanimado…

 

DANIEL – Boa tarde, filhão. E ai tudo bem? Como foi o seu dia hoje? (Diz sentando-se no sofá e colocando as pernas do filho em seu colo).

BRUNO – Mais ou menos… Eu dei uma saída cedo e depois fiquei em casa escutando música, vi um filme.

DANIEL – Precisa ver um curso pra fazer, uma faculdade, enfim… Precisa ocupar o seu tempo e já ir pensando na carreira que você quer seguir. Você esta sentindo falta da sua mãe, da Flávia?

BRUNO – Para pai. Sem neuras vai… É sério. Eu já tenho dezoito anos, logo faço dezenove, eu já sou um homem. É claro que eu sinto falta das duas, foi bom morar esse tempo com elas, mas eu não sou nenhum bebê chorão, que quer voltar correndo pra mamãe. Eu to de boa…

DANIEL – Mas você esta triste, pensativo… E não adianta negar, que eu sou o seu pai e te conheço. Conta pra mim vai, o que esta preocupando o seu coração?

BRUNO – Eu não sei como falar sobre isso, pai. Eu sei que é errado, mas enfim… A gente não manda No coração né? Eu to gostando de uma garota ai, é isso.

DANIEL – Mas isso é ótimo, filho. É muito bom estarmos apaixonados, o único problema é quando não somos correspondidos… É esse o seu caso?

BRUNO – Não. Quer dizer, eu não sei ainda… Eu não tive coragem de falar com ela a respeito, mas pelo que eu percebo ela também esta gostando de mim, sim.

DANIEL (Entusiasmado) – Mas então você só precisa criar coragem e falar com ela, é simples.

BRUNO – Antes fosse tão simples assim, pai. Mas é complicado. Essa garota por quem eu estou apaixonado é a Liah… A filha da irmã da mamãe, portanto minha prima… Nós somo primos de primeiro grau, pai. Como esse amor pode ser possível?

Daniel fica boquiaberto e sem saber o que falar para o filho, que espera uma resposta do pai…

 

CORTA DIRETO PARA: APARTAMENTO DE LENITA.

Lenita e Helô estão ansiosas esperando por Flávia que logo chega com novidades…

 

HELÔ – Deve ser ela. (Diz ao escutar a campainha).

LENITA – Pode deixar que eu atendo… Doutora Flávia?

FLÁVIA – Lenita?

HELÔ – Da onde vocês se conhecem?

LENITA – Eu estou fazendo tratamento de fertilização na clínica com a doutora Flávia.

FLÁVIA (Sorri) – Por favor, Lenita. Aqui e fora do meu expediente, só Flávia.

HELÔ (Sorri) – Mas que coincidência gostosa… A Flávia é a minha amiga de Americana, foi quem segurou minha barra todos esses anos e me abrigou aqui no Rio, quando eu voltei… E a Lenita, é a minha grande amiga da juventude, que eu sempre te falava… Bom já estão apresentadas, as minhas duas melhores amigas… (Diz rindo).

Lenita e Flávia se cumprimentam e sorriem…

HELÔ (Impaciente) – Mas agora me diz, Flávia… Como foi lá com a Beatriz? Você conseguiu se tornar sócia da Garota de Ipanema?

(Todas se olham em closes alternados).

 

CORTA DIRETO PARA: IPANEMA – COBERTURA DE BEATRIZ.

Chica abre a porta correndo, depois de tanto insistirem ao tocar a campainha…

 

CHICA – Oi dona Celina. A senhora esta com mesmo com pressa hein?

CELINA (Nervosa) – Onde ela está? Cadê a Beatriz? Eu a vi chegando do terraço…

CHICA – Ela já chegou sim e está no quarto. Eu vou avisar que a senhora esta…

Nesse momento, Celina subiu as escadas como um furacão…

CHICA – Eu hein… Ta bom, então. Pode subir.

PALOMA – Que foi que você esta resmungando ai hein, dona Chica? (Indaga Paloma chegando da rua).

CHICA – A Celina que acabou de entrar aqui que nem um furacão. Nem me olhou na cara, não falou direito comigo… Só queria falar com a sua mãe, e parecia bem nervosa.

Paloma estranha e decidi subir pra ver o que esta acontecendo… Celina entra com tudo no quarto e pega Beatriz saindo do banho…

BEATRIZ – Ai que susto Celina. Pra que entrar correndo assim? Não me diga que o papai sofreu outro infarto?

CELINA – Bate nessa sua boca imunda, três vezes antes de falar qualquer coisa do seu pai, sua infeliz!

BEATRIZ – Mas o que é isso? Que maneira é essa de falar comigo hein? Você esta na minha casa e eu exijo respeito.

CELINA – Você não merece respeito e nem esta em condições de exigir nada… Você é digna de pena, isso sim.

Paloma chega à porta do quarto e presencia toda discussão…

BEATRIZ (Sem paciência) – Escuta aqui sua velha coroca… Seja o que for que você tenha pra me dizer, eu não estou interessada ouviu? (Grita) – Então dê meia volta e sai da minha casa agora.

CELINA – Você vai me ouvir sim senhora. Sua assassina! Eu já estou sabendo de tudo. O Anselmo me falou… Como você teve coragem de negar socorro a um homem agonizando no chão? O seu próprio pai? E você não fez nada pra ajudar? Você ia deixar o Anselmo morrer… Era isso o que você queria, sua ordinária?

Beatriz fica em silêncio e nada responde… Depois nota Paloma na porta ouvindo tudo…

CELINA (Grita) – Responde! (Diz e esbofeteia Beatriz que cai na cama assustada).

PALOMA (Chorando) – É verdade isso mãe? A senhora foi capaz de fazer uma monstruosidade dessas?

 

(Closes Alternados nas três e por fim no rosto de Beatriz sem reação).

 

FIM DO CAPÍTULO.

(A imagem congela. Depois se transforma em um cartão postal, jogado sobre Ipanema).

{O capítulo se encerra com a música: Helium – Sia}.

Eduardo Moretti

Um cara do bem, romântico, sonhador, apaixonado pela vida e que ama o que faz… “Escrever para mim, é deixar de ser criatura para ser criador.”