Garota de Ipanema – Capítulo 14

Garota de Ipanema – Capítulo 14

 

NOVELA DE: EDUARDO MORETTI

CENA 1. INTERNA |DIA |RIO DE JANEIRO – HILTON HOLTEL – ELEVADOR.

Um grupo de pessoas estão esperando o elevador e começam a se irritar com a demora, o gerente do hotel chega a chamar o técnico para ver o que esta acontecendo… Quando de repente a porta se abre, e Teodora e César saem de dentro do elevador arrumando suas roupas…

 

GERENTE (Preocupado) – Vocês estão bem?

TEODORA (Rindo) – Meu querido nós estamos ótimos! Muito obrigado pela excelente recepção… Vamos meu amor? Eu estou morrendo de fome…

CÉSAR – Você é mesmo maluca Teodora… Qualquer dia desses você ainda vai nos colocar numa bananosa daquelas meu amor, por causa das suas taras. (Conclui rindo).

TEODORA – Você reclama, mas no fundo gosta que eu sei César… Depois são as minhas taras que apimentam a nossa relação, mantendo a chama sempre acesa meu querido…

Os dois deixam o hotel rindo de toda situação. (Cam se afasta dando uma panorâmica na fachada do hotel).

 

CORTA PARA:

CENA 2. INTERNA |DIA |FACHADA DA GOUVEIA – ARQUITETURA & ASSOCIADOS.

Pedro e Rodrigo terminam de falar com um cliente e fecham um grande negócio para a empresa…

 

PEDRO – Pode deixar que eu ligo pro senhor então, marcando a nossa primeira visita ao prédio. Tenha um bom-dia. (Diz apertando a mão do senhor) – Caramba rapaz, nós conseguimos fechar um excelente negócio. E graças a você, ele adorou o seu projeto.

RODRIGO (Sorridente) – Que isso seu Rodrigo, eu só tive sorte de principiante como dizem…

PEDRO – Não que isso, foi competência mesmo e profissionalismo. Você passou segurança pro cliente, apresentou um projeto viável e com baixo custo orçamentário, deu opções e indicou mudanças que o deixaram muito satisfeito e olha que eu conheço o senhor Salvatore há anos, o velho é mão de vaca e você conseguiu fazer com que ele tirasse o escorpião de dentro do bolso em dois minutos. (Diz rindo) – Parabéns! Eu vejo que acertei em cheio na sua contratação…

RODRIGO – Muito obrigado senhor Pedro. Eu prometo não decepcionar.

PEDRO – Eu sei que não vai rapaz… Agora tem duas coisas: Primeiro vai tirando o senhor e me chame apenas pelo nome, que eu fui com a sua cara e tenho certeza de que seremos amigos. E nós vamos almoçar juntos hoje e é por minha conta. E eu não aceito não como resposta.

RODRIGO – Tudo bem, eu aceito. Eu só preciso fazer uma ligação antes e avisar minha noiva que eu não vou almoçar em casa hoje. São dois minutos.

PEDRO – Tranqüilo, Vai lá…

 

CORTA PARA:

CENA 3. EXTERNA |DIA |CENTRO DO RIO.

 

{Começa a tocar: Sorte e Azar – Cazuza}

 

Paloma esta saindo do banco apressada e da de cara com Edu que vinha passando…

PALOMA – Oi Edu, você por aqui? Que surpresa boa… (Diz o cumprimentando com um abraço e um beijo no rosto).

EDU – Pois é eu acabei de sair do fórum e vim no banco fazer um depósito. Ta indo pra casa?

PALOMA – Na verdade não. Eu vou até a faculdade me matricular no curso de moda.

EDU (Sorridente) – Mas que notícia boa… Eu fico muito feliz por você. É o que você sempre sonhou fazer e tem talento pra isso… Finalmente decidiu se libertar da dona Beatriz?

PALOMA – Já estava na hora né? Foram anos vivendo com os desmandos e ficando a sombra dela. Agora eu decidi assumir as rédeas da minha vida.

EDU (Faz um carinho no rosto dela) – Você é uma mulher muito especial Paloma. Eu sempre te falei, você nasceu para brilhar e eu consigo ver isso claramente. Você ainda vai realizar grandes feitos na vida, e eu quero estar do seu lado quando isso acontecer, compartilhando o seu melhor e mais lindo sorriso…

PALOMA (Sem graça) – Muito obrigada de verdade. É muito bom saber que eu posso contar com você.

EDU (Sorri) – E irá poder contar sempre, você sabe. Aceita almoçar comigo? Eu resolvo o que tenho que resolver no banco em cinco minutos e vamos em seguida. Assim aproveitamos para colocar o papo em dia…

PALOMA – Claro vai ser um prazer. E o senhor precisa aparecer mais lá na apartamento do vovô, ele tem reclamado a sua ausência… Sabe que ele tem você como um filho né?

EDU – Sei sim. Eu também o considero muito, por tudo que ele fez por mim e pela mãe desde que o meu pai morreu naquele trágico acidente. Se hoje eu sou um advogado formado, eu devo ao senhor Anselmo. Vamos então? Que banco você sabe como é né? Se eu pego uma fila enorme, nós corremos o risco de sair daqui e não mais almoçar, e sim ir direto tomar café… (Comenta rindo junto com Paloma).

 

CORTA PARA:

CENA 3. INTERNA |DIA |FACHADA DA MANSÃO DE TEODORA PAMPLONA – SALA.

 

{Começa a tocar: Pra Te Lembra – Luiza Possi}

 

Débora desce as escadas apressada e chama por Zilu…

DÉBORA – Zilu… Ô Zilu.

ZILU (Apressada) – A senhora me chamou dona Débora?

DÉBORA (Impaciente) – Bom se você veio até mim, é porque deve ter escutado. E se escutou é porque eu chamei sim. Que coisa… O Rodrigo ainda não chegou para o almoço?

ZILU – Eu já ia avisar a senhora mesmo. Ele acabou de ligar e disse que não vem para o almoço não senhora. Disse que vai almoçar fora com o patrão dele.

Débora tenta disfarça, mas não consegue esconder sua raiva…

DÉBORA (Ri, sarcástica) – Não dá pra acreditar nisso… Me trocar pelo patrão? Eu sou a noiva dele e não qualquer um, o que ele esta pensando… E você o que esta fazendo parada aqui ainda criatura? Some da minha frente, volta pra cozinha vai… Espera! Volta aqui sua inútil… Ele disse alguma coisa sobre qual restaurante ele ia, ou onde era?

ZILU – Não senhora. Ele só disse que ficava perto do trabalho dele.

DÉBORA – Da próxima vez, vê se pergunta tudo direitinho… O nome do restaurante? Aonde é? E pode falar que fui eu quem mandou. Pode ir agora…

Débora fica pensativa e andando de um lado para o outro, inquieta na sala… Depois ela pega a bolsa e sai como um furacão.

DÉBORA – Perto do trabalho dele, sei… Se o Rodrigo pensa que vai ficar assim, ele esta muito enganado. Eu vou conferir essa história de perto, ah se vou…

 

CORTA PARA:

CENA 4. INTERNA |DIA |CIDADE DE AMERICANA – SÃO PAULO| CASA DE HELÔ – QUARTO DE BRUNO.

Helô chega mais cedo do trabalho para falar com o filho sobre a sua decisão e o encontra deitado ouvindo música no quarto… Ela bate na porta, mas ele não ouve e ela entra.

 

{Bruno ouve nos fones de ouvido: Esquecimento – Skank}

 

HELÔ – Oi filho… Eu queria falar com você. Pode tirar os fones, por favor!

Ele só olha pra ele com desprezo e a ignora. Ela por fim vai até ele e retira os fones, os segurando com ela.

HELÔ (Tom) – Eu estou falando com você… Eu sou sua mãe e estou querendo a sua atenção por cinco minutos… Pode ser?

BRUNO (Da de ombros) – Por mim, tanto faz…

HELÔ – Eu sei que eu errei com você ontem, te dando aquele tapa… Eu nunca usei de violência para te educar e acabei perdendo a cabeça. Isso não vai mais acontecer, eu prometo. E peço desculpas… Eu também refleti melhor essa noite e tomei uma decisão, já até comuniquei ao seu pai, enfim… Eu não acho que o nosso relacionamento esteja sendo saudável para nenhum de nós dois, inclusive pra você também e eu decidi pedir o divórcio. Eu e o seu pai vamos nos separar e eu vou embora pro Rio.

Bruno que não esperava a notícia, e até então estava ignorando a mãe, levantou da cama, se sentando no mesmo instante.

BRUNO (Espantado) – Como é que é?

 

CORTA PARA:

CENA 5. INTERNA |DIA |RIO DE JANEIRO |INSIGHT PUBLICIDADE – SALA DE LENITA.

 

BETINA (Bate na porta) – Licença Lenita, a Beatriz chegou.

LENITA – Finalmente… Pode mandar ela entrar.

BEATRIZ – Nem precisa se dar ao trabalho. Eu já ouvi e aqui estou eu. (Sorrindo).

LENITA (Sorri, cínica) – Pode ir Betina, obrigada… Depois de tantos anos, sabe que eu ainda me surpreendo com a sua empáfia? É incrível como você não mudou nada Recalquetriz… Digo Beatriz. (Sorri).

BEATRIZ – Sabe que eu também acho que não mudei nada? Aliás, eu acho que mudei sim. Eu estou muito melhor agora na empáfia do que anos atrás. Ah e mais linda também, claro… (Fala rindo e sentando-se na cadeira de frente para Lenita) – Será que nós podemos começar a reunião agora, minha querida?

Beatriz e Lenita se encaram por um momento…

 

CORTA PARA:

CENA 6. EXTERNA |DIA |FACHADA RESTAURANTE SABOR & ARTE.

 

Pedro e Rodrigo estão almoçando e falando sobre projetos futuros.

PEDRO – Esse projeto de urbanização das favelas que o governo lançou e é realizado pelo (IAB) Instituto de Arquitetos do Brasil é ótimo. Eles prometeram urbanizar todas as favelas atém em 2020, melhorando a vida da comunidade como um todo, com direito a asfalto, pavimentação, redes de água e esgoto. Tem tudo pra dar certo.

RODRIGO – É eu me lembro que li mesmo uma reportagem sobre o assunto e achei muito interessante. É torcer para que realmente vá até o fim, além das que já se beneficiaram do projeto… Em se tratando de Brasil e com essa crise que enfrentamos, nada esta mais garantido hoje em dia, não é mesmo?

PEDRO – Pois é. Uma pena que as coisas negativas ainda se sobressaiam em nosso país muito mais do que as positivas. O Brasil nunca foi tão mal visto lá fora… Bom você me da licença um minuto, eu preciso ir ao banheiro.

RODRIGO – Claro, fique a vontade.

Enquanto Pedro se encaminhava para o banheiro, Rodrigo ficou sentado à mesa sozinho. Nesse momento do lado de fora do restaurante, Débora parou seu carro e desceu.

DÉBORA – Bom se o Rodrigo falou mesmo a verdade, só pode ser esse… É o único restaurante do bairro. (Disse enquanto entrava).

Depois de procurar um pouco, ela logo avistou seu noivo.

DÉBORA (Sorrindo) – Finalmente eu te encontrei.

RODRIGO (Surpreso) – Débora? O que você esta fazendo aqui?

DÉBORA – Eu vim confirmar mesmo se você estava falando a verdade… Aliás, com quem você esta almoçando? Eu estou vendo dois pratos, mas você esta sozinho… A vagabunda foi ao toalete?

RODRIGO – Olha o escândalo Débora, ta todo mundo olhando. Baixa o tom de voz, por favor! Do que você esta falando, que vagabunda? Eu estou almoçando com o meu chefe. Ele foi ao banheiro.

DÉBORA (Ri, debochada) – Chefe… Você acha que eu sou boba? Pois eu vou ficar e esperar essa biscate sair do banheiro, sim por que uma hora ela vai ter que sair não é mesmo?

RODRIGO – Você quer ficar e fazer escândalo? Então faça sozinha, porque eu vou embora. (Diz se levantando e saindo do restaurante).

DÉBORA (Grita) – Ta vendo só como eu to com a razão? Se você não tem o que temer, ta fugindo do que então? Volta aqui, Rodrigo…

 

{Começa a tocar: Instrumental Tensão}

 

Débora sai atrás de Rodrigo e ainda do lado de fora do restaurante, ela continua falando.

DÉBORA – Espera Rodrigo, ta com tanta pressa por quê? Ah já sei… Vocês devem ter me visto parando o carro aqui em frente e ela saiu pelos fundos… Você ta indo atrás dela? É isso? Volta aqui… Para de fugir! Seu traidor, covarde…

RODRIGO (Grita) – Eu to fugindo de você, porque você é uma louca, paranóica que não me deixa em paz! (Fala enquanto a sacode).

Rodrigo larga Débora e corre até o outro lado da rua, enquanto pega o celular e liga para Pedro. – (Cam lenta) Débora descontrolada também atravessa a rua sem olhar e não vê quando um carro vem e apesar de tentar freiar a todo custo, a acerta em cheio, a fazendo voar em cima do carro e cair no chão logo em seguida… Rodrigo escuta o barulho forte da freiada e deixa o celular cair no chão e se vira para trás desesperado. Ele vê Débora estirada no chão e grita:

RODRIGO – Débora!

 

 

FIM DO CAPÍTULO.

(A imagem congela. Depois se transforma em um cartão postal, jogado sobre Ipanema).

{O capítulo se encerra com a música: Nossa Canção – Vanessa da Mata}

 

Nossa Canção - Vanessa da Mata

Eduardo Moretti
Um cara do bem, romântico, sonhador, apaixonado pela vida e que ama o que faz... "Escrever para mim, é deixar de ser criatura para ser criador."