Garota de Ipanema – 2º Capítulo.

Garota de Ipanema – 2º Capítulo.

 

 

UMA NOVELA DE: EDUARDO MORETTI                              

 

CENA 1. EXTERNA |DIA |PRAIA |CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO ANTERIOR.

 

{Tocando: Instrumental Tensão}

 

O salva-vidas tem dificuldades de encontrar o rapaz, ele mergulha várias vezes e não o encontra. Quando ele volta à tona, faz sinal de negativo para Helô que o esta ajudando, e ela mergulha mais fundo. Helô começa a se desesperar, pois cada segundo é precioso. Quando decide ir para o outro lado, ela o vê e vai até ele que esta desacordado e o resgata. O salva-vidas nada de encontro a eles, e ajuda Helô a levá-lo para a praia…

 

SALVA-VIDAS – Ele está inconsciente, engoliu muito água. Me ajuda. Você sabe fazer respiração boca a boca? (E começa massagear o peito dele).

 

Helô assentiu com a cabeça e ficou de prontidão. Quando ele parava a massagem, ela fazia respiração boca a boca. Ele então reinicia a massagem cardíaca, depois para e ela retoma a respiração. Eles fazem isso umas cinco vezes seguidas e nada, Helô já esta desesperada e cansada. Finalmente depois de mais uma tentativa o rapaz volta, tossindo e colocando água pra fora da boca. Helô respira aliviada, ele olha pra ela e sorri.

 

PEDRO (Sorri) – Parece que eu morri e estou no céu.

 

HELÔ (Sorrindo) – Não mesmo, ainda não foi dessa vez. Você esta vivo, graças a Deus! Nós te salvamos.

 

SALVA-VIDAS – Bom trabalho moça. Você salvou a vida dele. (Diz a Helô e sai).

 

Ela dá um meio sorriso e cansada desaba na areia ao lado do rapaz… Os dois se olham e sorriem.

 

CORTA PARA:

 

CENA 2. EXTERNA |DIA |COBERTURA DA FAMÍLIA BITTENCOURT – ESCRITÓRIO.

Celina continua pressionando o marido, mas Anselmo desconversa.

 

CELINA – Eu estou esperando uma resposta Anselmo… Quem era no telefone? (Indaga séria).

 

ANSELMO (Desconversa) – Ninguém. Só uma imbecil de uma advogada. Ela é responsável pelos contratos relacionados à fazenda. Mas é uma incompetente, só faz merda e espera que eu conserte. Pode uma coisa dessas? Como se eu já não a pagasse muito bem pra resolver todo tipo problema.

 

CELINA – Mas você a estava ameaçando, que eu ouvi muito bem. Por que Anselmo?

 

ANSELMO (Impaciente) – Deixa de ser boba Celina. Eu ameaçando uma sujeitinha qualquer, sem eira nem beira, com que finalidade? Eu posso ter me exacerbado um pouco, passado do limite, mas ameaçar? Eu não tenho motivos pra isso meu amor. (Disse chegando até ela e a abraçando) – Você deve ter entendido errado, é isso.

 

Cam foca no rosto de Celina que parece desconfiada, mas não toca mais no assunto.

 

CORTA PARA:

 

CENA 3. EXTERNA |DIA |PRAIA DE IPANEMA.

Helô senta na areia depois de se recuperar, e Pedro que esta ao seu lado, também se senta. Os dois olham fixamente para o mar, depois se olham.

 

OS DOIS – Você está bem? (Perguntam juntos e logo depois riem da situação).

 

HELÔ (Sorri) – Eu estou bem sim, não se preocupe. E você?

 

PEDRO (Sorrindo) – Eu estou ótimo! Sinto que eu renasci… Se não fosse você ter salvado a minha vida, eu nem sei o que teria sido… (Diz encarando-a).

 

HELÔ (Tímida) – Eu? Imagina, eu não fiz nada. Eu só dei sorte de mergulhar no lugar certo e na hora certa. (Falou desviando o olhar).

 

PEDRO – Não foi o que o salva-vidas disse. Segundo ele, você salvou a minha vida.

 

Os dois voltam a se encarar por um momento, e ambos tem o mesmo brilho no olhar. Eles ficam tão distraídos que nem percebem Bia e Lenita se aproximando, e só voltam a si quando Bia chama pela irmã.

 

BIA – Ô garota aonde foi que você se meteu? Nós rodamos a praia toda atrás de você, eu tive que ficar carregando esses dois cocos na mão feito uma boba, parecendo um carro alegórico e nada de te achar. Minhas mãos chegam a estar dormentes. (Diz entregando o coco para Helô).

 

LENITA – Deixa de reclamar Bia, que a gente nem demorou tanto assim pra encontrá-la.

 

HELÔ – Desculpa gente, me perdoa Bia. Mas é que vocês não vão acreditar no que aconteceu… (Diz pensando em contar toda a história, mas depois desiste notando que Pedro esta de lado e Bia e Lenita estão curiosas pra saber quem é ele) – Bom depois eu conto melhor pra vocês o que aconteceu. Meninas esse é o… Me desculpa. Como é mesmo o seu nome?

 

PEDRO – Pedro. (Fala se levantando).

 

HELÔ – Então esse é o Pedro. Pedro essas são minha irmã Bia, e minha melhor amiga Lenita.

 

PEDRO – Prazer. (Diz cumprimentando-as com um beijo no rosto de cada uma).

 

BIA (Assanhanda) – O prazer é todo meu Pedro. Mas vem cá, me fala uma coisa… Você é novo por aqui? Porque eu não me lembro de já ter te visto em Ipanema, e acredite eu sou uma excelente fisionomista, eu seria capaz de reconhecer o seu rosto no meio de uma multidão. (Fala sorrindo e jogando charme o tempo todo).

 

PEDRO (Sem graça) – Realmente é a minha primeira vez aqui em Ipanema. Eu sou de Botafogo e costumo pegar minhas ondas em outras bandas. (Fala olhando o tempo todo para Helô que também não tira os olhos dele).

 

LENITA – Bom, vamos Bia? (Diz olhando pra Helô e sorrindo, querendo deixar ela a sós com Pedro).

 

BIA (Sorri) – Vamos sim. A minha irmãzinha aqui ainda tem que estudar não é Caxias? (Fala sarcástica abraçando Helô).

 

HELÔ – Claro, eu tinha até me esquecido disso. Vão indo na frente, que eu só vou me despedir do Pedro.

 

BIA (Impaciente) – E será que vai demorar tanto assim essa despedida? Porque nós temos que chegar juntas, senão o papai vai me encher de perguntas e eu não estou com saco pra isso não, vou logo avisando. (Lenita a cutuca e olha pra ela de cara feia).

 

HELÔ (Séria) – Não Bia, não vai demorar. Eu vou logo atrás de vocês, é só atravessar a rua, lembra?

 

BIA – Ok. Vê se aparece mais por aqui hein Pedro. Foi um prazer.

 

PEDRO – Pode deixar que eu irei aparecer sim, com toda certeza. (Fala olhando para Helô).

 

Eles se despedem e Helô espera que elas se afastem um pouco para continuar…

 

HELÔ – Desculpa os modos da minha irmã. Ela tem esse jeito muito direto, fala o que pensa, mas é boa pessoa.

 

PEDRO – Sem problemas. Pra falar a verdade, eu nem notei muito ela, muito menos prestei atenção no que ela dizia. (Disse olhando pra Helô sem desviar o olhar).

 

HELÔ (Sorri embaraçada) – Eu posso te fazer uma pergunta?

 

PEDRO – Todas que você quiser.

 

HELÔ (Simpática) – Você parece que surfa já faz tempo, tem experiência pelo que eu puder perceber… Como foi que aconteceu aquilo tudo? O acidente? Você estava surfando tão bem…

 

PEDRO – Eu já surfo há algum tempo sim. O que aconteceu foi que eu me distrai olhando para uma linda garota sentada na areia, dei bobeira como dizem… Ai veio a onda e me acertou em cheio. (Diz rindo).

 

HELÔ (Sorri) – Bobo… Mas da onde você estava, e com toda adrenalina, enfim, as ondas e tudo mais, você conseguiu me ver de longe? Eu imagino que tudo deva acontecer tão rápido pra quem esta surfando… Se fosse eu, não conseguiria nem pensar direito. (Pergunta curiosa).

 

PEDRO – Que nada. Pode parecer muito pouco tempo ou rápido demais, mas você ficaria surpresa com tudo o que é possível fazer numa fração de segundos… Basta a gente querer. (Disse sério, depois foi se aproximando dela devagar, ela de início não resistiu, mas depois se afastou dele).

 

HELÔ – Bom é melhor eu ir andando, que eu ainda tenho que estudar e a minha irmã já deve estar impaciente me esperando. Foi um prazer. (Diz estendendo-lhe a mão).

 

PEDRO – O prazer foi todo meu. (Fala enquanto aperta a mão dela e segura por uns segundos, olhando-a no fundo dos olhos) – E mais uma vez, muito obrigado por salvar a minha vida.

 

HELÔ – Que isso, não foi nada. Eu faria tudo de novo se fosse preciso.

 

PEDRO – É muito bom saber disso. Agora deixa eu retribuir o que você fez por mim hoje? Por favor! (Implora).

 

HELÔ – Que isso, não precisa. De verdade, eu fiz de coração.

 

PEDRO – Mas eu quero, faço questão. Janta comigo hoje a noite? E já vou logo avisando que eu não aceito não como resposta.

 

HELÔ (Pensa) – Ta bom, eu aceito. Mas eu não posso demorar.

 

PEDRO (Comemora) – Yes! Eu te espero aqui na praia então. As oito ta bom pra você?

 

HELÔ – Ta ótimo. Até mais tarde então… Ah, fica com o coco, você precisa se hidratar.

 

{Começa a tocar: Quando Eu Te Encontrar – Biquini Cavadão}.

 

Pedro aceita… As mãos deles se tocam e os dois sorriem e se despedem com dois beijos no rosto, e uma troca olhares profundos. Helô vai caminhando linda e toda feliz, sentindo o seu coração pulsar.  Pedro fica parado e não para de olhar pra ela. Até que ele se dá conta de que ainda não sabe o nome dela.

 

PEDRO (Grita) – Hei você, Garota de Ipanema…

 

Helô para e olha para trás…

 

PEDRO – Você ainda não me disse o seu nome?

 

HELÔ (Grita) – É Helô. Eu me chamo Helô. (Diz sorrindo e vai embora).

 

E Pedro continua lá a olhando de longe encantado, até não vê-la mais.

 

CORTA PARA:

 

CENA. 4. INTERNA |DIA |COBERTURA DOS BITTENCOURT – QUARTO DE HELÔ.

 

{Ainda toca: Quando Eu Te Encontrar – Biquini Cavadão}.

 

Helô chega sorrindo a toa. Depois joga a mochila em cima da cama, tira a roupa e vai direto para o chuveiro tomar uma ducha. Ela esta muito feliz e começa a pensar em tudo o que acontecera mais cedo na praia; as imagens de Pedro começam vir na sua cabeça. Ela não conseguia esquecê-lo nem um minuto desde que o conhecera. Tudo acontecera muito rápido e mexera muito com o seu coração. Agora ela tinha essa sensação gostosa no peito, uma felicidade sem fim, e uma vontade imensa de vê-lo novamente. Mal desligou o chuveiro e Bia já estava parada na porta do banheiro querendo saber de tudo.

 

HELÔ (Irritada) – Ai, Bia de novo não! Eu vou ter que passar a trancar a porta do quarto viu… Que mania essa que você tem de aparecer de repente, sem fazer barulho. Parece que está sempre a espreita.

 

BIA – Eu não. Eu tenho mais o que fazer. Quem fica a espreita é bandido ou empregado, e eu não sou nem uma coisa, nem outra cherry. Agora para de drama, e começa a contar logo como foi que você conheceu aquele gato lá na praia?

 

Helô puxa Bia pelo braço e as duas sentam na cama.

 

HELÔ (Sorridente) – Ele me convidou pra sair hoje à noite. Nós vamos jantar fora.

 

BIA – Mentira! Então ele deve mesmo ter gostado de você Helô. (Diz séria, tentando disfarçar a inveja que sentia da irmã) – E você pretende ir nesse encontro?

 

HELÔ – Shhhh! Fala baixo Bia. (Diz se levantando e fechando a porta) – Você quer que o papai ouça? Sabe como ele é protetor com a gente né? Implica com tudo e com todos…

 

BIA – Bem lembrado, o papai… Ele vai ficar uma fera quando descobrir que você esta namorando um surfista que apesar de lindo, parece não ter aonde cair morto.

 

HELÔ – Quem foi que falou em namoro aqui, hein Bia? Eu só aceitei o convite dele pra sairmos hoje, como forma dele me agradecer por eu ter salvado a vida dele hoje na praia. Eu pensei em recusar, mas eu não poderia fazer essa desfeita com ele.

 

BIA (Curiosa) – Você salvou a vida dele? Como? Por quê?

 

HELÔ – Ele estava surfando, e de repente uma onda veio e o atingiu. Eu estava sentada na areia e fiquei desesperada sem saber o que fazer. Olhei para os lados e ninguém parecia ter visto o ocorrido, foi então que eu fui até o salva-vidas e pedi socorro a ele que correu para o mar, e eu fui junto e também mergulhei pra ajudar. Demorou muito pra nós acharmos ele, eu já estava sem esperanças, quando de repente eu o vi e fui até ele que estava desacordado, o salva-vidas viu tudo de longe e foi me ajudar. Depois já na areia e desacordado nós nos revezamos, enquanto o salva-vidas fazia massagem no peito dele, eu fazia respiração boca a boca, demorou pra ele voltar, nós ficamos desesperados, mas graças a Deus terminou tudo bem.

 

BIA – Terminou nada, ainda vai começar sua boba. (Diz rindo) – E esse jantar de hoje só prova isso. Ele esta afim de você, e você também parece estar bem balançada, ou será que eu estou enganada?

 

HELÔ – Não sei Bia. (Diz indo até a janela do seu quarto, olhando para praia) – Ele é lindo, parece ser uma cara bacana, do bem, mas eu não quero me envolver com ninguém agora. Minha prioridade agora são os estudos e me formar médica. Amar não esta nos meus planos…

 

BIA – Deixa de ser Caxias Helô, tem que aproveitar mais a vida. Depois pelo que eu sei namoro não atrapalha os estudos, muito pelo contrário vai até melhorar o seu desempenho viu… Agora me diz uma coisa, ele beija bem? (Indagou eufórica).

 

HELÔ (Surpresa) – O que? E eu lá sei disso Bia. Eu conheci o cara hoje por acaso, e não tenho o costume de sair beijando estranhos assim não.

 

BIA – Como não beijou Helô? Você fez respiração boca a boca nele.

 

Helô não agüenta e começa a rir da cara de irmã.

 

HELÔ (Rindo) – E desde quando respiração boca a boca, é beijar alguém Bia?

 

BIA – E não? As bocas estão ali se encostando, a língua deve escapar um pouquinho mesmo que sem querer, pra mim é como se fosse um beijo sim!

 

HELÔ (Rindo) – Só você mesma Bia, cada coisa que você fala…

 

BIA – Você é que é boba, não sabe aproveitar as coisas boas da vida. Se fosse comigo eu teria logo era metido à língua na boca dele e dado um beijão daqueles. Num gato como o Pedro não ia ser sacrifício nenhum, minha querida.

 

HELÔ – Graças a Deus que eu não sou você, né? Agora me da licença que eu tenho que estudar um pouco antes do encontro. Ah, faz um favor pra mim Bia? Me da cobertura hoje à noite com o papai, ele não pode nem sonhar que eu vou sair hoje à noite pra um encontro.

 

BIA – Você da muita importância pro papai, você tem 23 anos! Já é uma mulher formada, tem que viver a sua vida.

 

HELÔ – Depois que eu me formar e for independente sim. Agora vai Bia e não deixa o papai descobrir que eu sai à noite hein, inventa qualquer coisa.

 

BIA – Pode deixa irmãzinha. Eu prometo que o papai não vai descobrir nada. E  olha, não faça nada que eu não faria hein irmãzinha… Beijo. (Diz rindo e sai do quarto).

 

Helô ficou pensativa, depois pegou os livros e começou a estudar, com um sorriso nos lábios.

 

CENA 5. EXTERNA |NOITE |PRAIA DE IPANEMA.

 

{Começa tocar: Esquecimento – Skank}

 

Pedro espera ansioso por Helô sentado em um banco de frente para a praia. Ali ele tem uma visão privilegiada do mar que é o lugar onde ele se sente mais em casa. De onde esta, ele também pode olhar para trás e ver a uma distância de quinhentos metros depois do calçadão, a cobertura onde Helô mora. E é numa dessas olhadas, que ele a vê chegando, linda e única, dona de uma beleza rara e sublime, que ele nunca vira antes. Nervoso, ele se levanta um pouco apressado e vai de encontro a ela.

 

HELÔ (Sorrindo) – Demorei muito?

 

PEDRO (Encantado) – Nem um pouco… Na verdade, valeu a pena esperar cada segundo. Você esta linda Helô…

 

HELÔ – Obrigada. Você também está muito bonito.

 

Os dois ficam se encarando por um tempo, como que se admirando… Helô vestia um vestido branco com detalhes em renda, um pouco abaixo dos joelhos, um salto baixo, uma pequena bolsa de mão e usava os cabelos soltos. Sua pele branca como porcelana e seus lábios rosados dava-lhe um tom suave, quase que angelical. O que fazia com que Pedro ficasse hipnotizado por tamanha beleza. Já Pedro usava um jeans desbotado, chinelos branco de dedo, e uma camisa de botão azul clara, que ele deixava solta por cima da calça. Ele tinha um estilo largado, típico de surfista mesmo, mas ainda assim lindo e natural. O que causava certa admiração em Helô, pois ele tinha o jeito dele e pouco se importava pro que os outros iriam pensar ou falar dele, na verdade ele não estava nem ai pra opinião de ninguém.

 

PEDRO (Sem graça) – Eu tenho que te confessar uma coisa… Eu vendo você assim linda… Toda produzida, enfim, eu me fico até com vergonha agora, por causa do local que eu vou te levar. Isso é, se você aceitar claro.

 

HELÔ (Curiosa) – E por que eu não aceitaria? Que lugar é esse?

 

PEDRO (Respira fundo) – Bom, acontece que eu sou um surfista desempregado, que não pode te levar num restaurante caro. Eu estou cursando o quinto semestre de arquitetura e procuro depender o mínimo possível do dinheiro da minha mãe. Eu sei que eu não estou a sua altura, mas eu me encantei com você desde a primeira vez que te vi, naquele esbarrão que nós demos hoje cedo, na fila do concurso. Enfim, depois teve você me salvando, fazendo respiração boca a boca, foi tudo tão rápido que eu nem tive tempo pra pensar direito… Eu só queria te conhecer mais e melhor, e não podia deixar essa oportunidade passar. Por isso eu não pensei duas vezes, e te convidei pra jantar comigo… Dito isso, nós vamos jantar logo ali na frente, naquela barraca. (Disse apontando um quiosque bem em frente de onde eles estavam) – É um local agradável, muito bem freqüentado, com vista para o mar… O único problema é que eles não tem uma grande variedade no cardápio, mas tem um prato delicioso que eu sempre peço e recomendo… Você aceita comer um podrão comigo?

 

HELÔ (Surpresa) – Comer o quê? Um podrão? O que é isso? (Perguntou rindo).

 

PEDRO (Sorrindo) – Podrão nada mais é, do que um hot dog com tudo dentro, o que você imaginar. E ele fica enorme, parecendo sei lá… Um prédio de dez andares, mas não é qualquer um que consegue comer não sabe, é só para os mais fortes. (Disse fazendo pose para ela).

 

HELÔ (Rindo) – Ah é… Você esta duvidando da minha força? Olha que você vai perder e feio viu, você não imagina o que uma tarde inteira de estudos e sem comer absolutamente nada, é capaz de fazer com uma moça de bons modos como eu… Eu seria capaz de devorar um boi inteiro!

 

PEDRO (Sorri) – Tai… Essa eu to pagando pra ver. Vamos?

 

Helô sorriu pra ele e pegou em seu braço. E juntos, eles seguiram animados para o quiosque.

 

CORTA PARA:

 

CENA 6. |INTERNA |NOITE |COBERTURA DOS BITTENCOURT| SALA.

Anselmo e Celina estão sentados na sala, vendo jornal, antes do jantar ser servido. Bia chega e se senta com eles.

 

ANSELMO – Onde está a sua irmã? O jantar logo será servido e vocês sabem que eu detesto atrasos.

 

BIA (Cínica) – Ué a Helô saiu pai… Eu pensei que o senhor sabia, ela não disse nada pra vocês?

 

CELINA (Olhando para Anselmo) – Pra mim ela não disse nada.

 

ANSELMO (Irritado) – Muito menos pra mim. Ela não é de fazer isso, aonde será que ela foi? Ela não te disse nada Bia?

 

BIA – Olha eu estava distraída quando ela me falou algo, mas se eu não me engano acho que ela disse que ia à casa da Lenita.

 

ANSELMO (Bravo) – Mas de novo isso? Ela não desgruda dessa Lenita agora. Me dá o telefone dessa garota, que eu vou ligar pra casa dela agora.

 

BIA (Se levanta) – Eu vou ver se consigo achar na agenda da Helô… Eu vou pegar no quarto dela. Mas fica calmo papai, que a Helô sabe o que faz e essa Lenita é gente boa. (Diz e sai disfarçando o riso).

 

CELINA – A Bia tem razão, Anselmo. A Helô tem juízo, e depois ela já é maior de idade, tem vinte e três anos, ela sabe o que faz.

 

ANSELMO (Andando de um lado pro outro) – Pra mim, estando morando debaixo do meu teto, tendo a idade que tiver me deve satisfações sim senhora! Eu sou o pai, sou eu quem mando. E depois é pro bem dela que eu me preocupo, essa selva de pedra que é essa cidade está muito violenta. Depois uma moça da idade dela não pode ficar andando por ai sozinha não. Ainda mais a noite… O que não falta são homens mal intencionados. (Grita) – Bia! Anda logo com isso…

 

CORTA PARA:

 

CENA. 7 |EXTERNA |NOITE |PRAIA DE IPANEMA.

Pedro e Helô estão sentados em uma mesinha perto do quiosque e ela não agüentando mais desiste do hot dog na metade, assim como ele.

 

HELÔ (Rindo) – Eu desisto. Você tinha toda razão, esse hot dog, quer dizer, o podrão é definitivamente para os fortes. Ele vem com muito recheio. Mas estava delicioso, eu adorei.

 

PEDRO (Terno) – Que bom que você gostou, eu tava super inseguro com esse encontro e de ter que trazer você aqui. (Diz sorrindo).

 

HELÔ – Bobo, não tinha porque ficar inseguro, eu sou uma pessoa simples e sem frescuras.

 

PEDRO – Agora eu sei disso. Vem, vamos dar uma volta na praia. (Diz dando a mão pra ela).

 

Eles saem juntos de mãos dadas, e se olham o tempo todo, ao mesmo tempo em que sorriem um para o outro. Não havia necessidade de palavras, eles já eram cúmplices e a sensação que ambos tinham era de que se conheciam há anos. Pedro e Helô se sentaram bem juntinhos na areia, de frente para o mar e ficaram apreciando aquela calmaria, diante de toda aquela imensidão, ao som relaxante das ondas…

 

PEDRO (Carinhoso) – Você esta com frio? (Indagou acariciando o rosto dela).

 

HELÔ – Não. Esta fresquinho, um clima tão gostoso e uma noite perfeita (Diz com brilho nos olhos)… Sabe Pedro, você me disse algo mais cedo, sobre não estar a minha altura… Eu queria te dizer do fundo do meu coração, que eu não sou esse tipo de pessoa que liga pra aparência, cor ou classe social. Eu não dou importância pra esse tipo de coisa, a vida é muito mais que isso, que essa coisas egoístas… Amar o próximo, respeitar as pessoas na sua essência e simplicidade, encontrar um amor de verdade, ser feliz… Tudo isso é que faz a vida valer à pena.

 

PEDRO (Encantado) – Eu sei disso, na verdade eu penso exatamente como você. Não foi atoa que eu gostei de ti Helô… Você é incrível, é uma mulher linda, por dentro e por fora…

 

{Começa tocar: Quando Eu Te Encontrar – Biquini Cavadão}

 

Nesse momento os dois se olham por um instante que parece eterno. Dois olhares sinceros, sonhadores e apaixonados. E com a vida toda pela frente. Dois corações querendo a mesma a coisa… Amar e ser amado. Pedro foi chegando mais perto de Helô e acariciou o rosto dela com ternura, depois passou a mãos pelos seus cabelos sedosos, ao mesmo tempo em que chegava cada vez mais perto dela. Os dedos dele passearam por seus lábios, e o último olhar forte e penetrante, aconteceu antes do inevitável e esperado primeiro beijo. Seus lábios se tocaram e foi como mágica… Perfeito! Era como se eles soubessem que foram feitos um para o outro, e a batida forte e descompassada de seus corações, seguido de uma grande emoção que ambos sentiam, só confirmava isso.

 

(Cam foca no beijo deles, depois vai afastando aos poucos, deixando a praia e o mar em evidência, e eles ao fundo, que continuam se beijando apaixonadamente).

 

CORTA PARA:

 

CENA. 8 |INTERNA |NOITE |COBERTURA DA FAMÍLIA BITTENCOURT – SALA.

Anselmo fala sério ao telefone com a mãe de Lenita. Ele é monossilábico. Depois agradece a informação, deseja boa noite e desliga irritado. Ele então se vira para Celina e Bia que aguardam ansiosas.

 

ANSELMO (Grita) – Eu não disse? Bem que eu desconfiava, a Helô não esta na casa dessa tal de Lenita e muito menos esteve por lá hoje… Ah mas eu faço questão de esperar ela chegar, e ai ela terá que me explicar direitinho por onde esteve e com quem. (Diz sentando-se na poltrona sério e olhando para o relógio de parede na sala).

 

FIM DO CAPÍTULO.

 

(A imagem congela. Depois se transforma em um cartão postal, jogado sobre Ipanema).

{O capítulo se encerra com a música: Esquecimento – Skank}.

 

 

 

 

Eduardo Moretti

Um cara do bem, romântico, sonhador, apaixonado pela vida e que ama o que faz… “Escrever para mim, é deixar de ser criatura para ser criador.”

  • Isa Miranda

    Com irmã assim quem precisa de inimigos?aff

    • Eduardo Moretti

      Neh? Kkkkkkkkk… Obg pela leitura, Isa.