Garota de Ipanema – 6º Capítulo.

Garota de Ipanema – 6º Capítulo.

 

NOVELA DE: EDUARDO MORETTI

CENA 1. EXTERNA |DIA AMANHECENDO |CLIPE DE IMAGENS.

 

{Começa a tocar: A Canção Que Faltava – Isabella Taviani}

 

Cam mostrando uma panorâmica da cidade, os prédios, as praias, o trânsito, metrô, o calçadão, o Cristo Redentor, Ipanema. Close na fachada de um estúdio fotográfico grande e bem localizado na zona sul do Rio. É possível ver uma placa com o nome do local – Studio Fotográfico FotoLook.

 

CORTA DIRETO PARA:

 

CENA 2. INTERNA |DIA |STUDIO DE FOTOS.

 

{Começa a tocar: O Barquinho – Paula Toller}

 

Um fotógrafo tira fotos de Helô de biquínis e maiôs, e vai dando instruções de como ela deve se portar e fazer as poses, ela fica tímida e não se solta. Leonel Pamplona dono da marca, que acompanha tudo de perto, chama Helô para conversar.

 

LEONEL – Germano, vamos fazer uma pausa de dez minutos.

 

FOTÓGRAFO – Sim, eu vou aproveitar e tomar um café aqui na sala ao lado. Vocês estão servidos?

 

HELÔ (Sem graça) – Não obrigada. (Fala vestindo o roupão).

 

Leonel também recusa e aproveita que esta as sós com Helô para conversar com ela.

 

LEONEL – O que esta acontecendo Helô? Você parece travada, um pouco tímida até, eu sei que não é fácil, mas a câmera te adora… Você fotografa muito bem. Só precisa se soltar mais um pouco…

 

HELÔ (Sorri) – Eu não levo jeito pra essas coisas…

 

LEONEL (Simpático) – Bobagem, claro que leva. O primeiro passo é ser linda e isso você já é. O resto é costume e aprendizado, afinal ninguém nasceu sabendo não é mesmo? Você vai voltar lá e esquecer que esta em um estúdio fotográfico e que tem um fotógrafo tirando fotos suas… Imagina que você esta andando pela praia, tirando fotos no calçadão, no cristo redentor, em Teresópolis, e a sua irmã e o seu namorado é quem estão tirando essas fotos… Sorria pra eles, faça poses, jogue os cabelos, brinque com a câmera…

 

FOTÓGRAFO – Tudo pronto? Podemos recomeçar?

 

LEONEL (Entusiasmado) – Tudo certo Germano. Agora vai, e não se esqueça eu quero as melhores fotos. Vai lá Helô e arrasa…

 

Helô tira o roupão e volta a fazer as fotos. Mas dessa vez esta mais solta, sorridente e ousando mais. A conversa com Leonel a ajudou muito e ela agora se sentia mais segura.

 

LEONEL (Pensando alto) – Essa garota vai longe… (Close numa foto de Helô).

CORTA PARA:

 

CENA 3. EXTERNA |DIA |RUA |BOTECO.

 

Bia esta do lado de fora em um boteco em Madureira e fala num telefone público.

 

BIA (Ao telefone) – Alô, seu Nestor. É Bia… Como que Bia? Bia Bittencourt, filha do Doutor Anselmo. O senhor sempre faz revisão nos carros da família. Ta tudo bem com ele sim, agora presta atenção que eu estou com pressa seu Nestor. Eu estou falando de um telefone público e confesso que não estou achando a experiência nada agradável… (Diz olhando para o aparelho, que ela pega com nojo nas pontas dos dedos) – Eu preciso que o senhor me indique um mecânico bem barateiro. Não é pra mim, é pra uma amiga que esta precisando, o carro dela deu problema lá em Madureira, e ela esta presa lá. Não eu não quero o senhor… Ai que saco! Mas é claro que eu estou satisfeita com os seus serviços, mas acontece que essa minha amiga não pode pagar caro, ela esta desempregada e o carro dela coitada, já nem devia estar mais circulando por ai, mas enfim… O que eu quero mesmo é um mecânico barato, que vá resolver o problema dela por uma pechincha. Ta bom, eu vou lhe passar o endereço então e o senhor liga pra ele e pede pra ele vir pra cá o mais rápido possível… O que? Pra eu tomar cuidado que ele faz muita gambiarra… Pois é desse mesmo que eu estou precisando. Não nada não, eu que pensei alto… Passar bem seu Nestor. Tchau… Mania que pobre tem de querer ficar esticando conversa no telefone, credo!

 

Bia desliga o telefone e limpa a mão na calça fazendo careta e reclamando.

 

BIA – Deus que me livre, de ter que usar telefone público num buraco como esse, sabe-se lá o tipo de gente que colocou a mão aqui… Chegando em casa eu tenho que desinfetar minha mão com álcool e tomar um banho de banheira com todos os meus sais, pra ver se sai esse cheiro de pobre desagradável. No mundo todo só deveria existir pessoas ricas e bonitas como eu, seria o paraíso. E esse seu Nestor gente, que só grita e fala tudo errado, meu Deus do céu, como fere os meus ouvidos… Pobre não contenta em ser só miserável, tem que ser burro e ignorante também. Esse é o Brasil… Terra de bárbaros! (Fala debochada).

 

CORTA PARA:

 

CENA 4. EXTERNA |DIA |JARDIM BOTÂNICO.

 

{Começa a tocar: Always – Bom Jovi}

 

Pedro e Helô passeiam de mãos dadas pelo Jardim Botânico, apaixonados e encantados pela beleza natural dos jardins, lagos e fontes do local. Sem contar nas estátuas que davam um charme todo especial ao lugar.

 

HELÔ (Encantada) – Nossa quanto tempo que eu não vinha aqui… Eu tinha até me esquecido como esse lugar é lindo! A gente que mora perto da praia quando sai de casa pra relaxar, arejar um pouco a cabeça, acaba indo aonde? Justamente na praia. (Conclui rindo) – E não só nós que moramos perto, mas todo carioca que se preze e os turistas também acabam sempre na praia. Parece que só existe praia no Rio e nada mais… Tudo bem que a praia e o mar são lindos, são revigorantes, mas olha esse lugar cercado de verde, o cheiro de ar puro, rodeado de passarinhos, borboletas… É o paraíso na terra! Ele nos transmite uma paz tão grande… Acaba sendo uma válvula de escape pra quem quer sair da rotina e esquecer os problemas. E o que mais se vê aqui por aqui são famílias, pais passeando com seus filhos, amigos, casais de namorados. Sem dúvida é um ambiente bem tranqüilo e familiar mesmo… Eu preciso vir mais vezes aqui…

 

PEDRO – Verdade, aqui é muito lindo mesmo. Mas também eu acho normal as pessoas associarem o Rio, a praias e mar, tendo em vista o calor escaldante que faz aqui na maior parte do ano, uma sensação térmica que chega abraçar o sol, num céu azul de dar inveja. Com um clima assim ninguém pensa em outra coisa mesmo, a não ser… Praia! (Sorri) – Se bem que eu sou suspeito pra falar né? Em se tratando de praia, mar que é a minha morada, eu prefiro mil vezes estar cercado de todo aquele cheiro de maresia no ar do que em qualquer outro lugar no mundo… Mas enfim, eu optei em te trazer aqui hoje pra gente ter um momento a sós, mais tranqüilo, sem encontrar com alguém conhecido que fique nos alugando o tempo todo. E na praia de Ipanema isso já não é mais possível, todos nos conhecem por lá, ainda mais agora depois que você se tornou famosa… É a Garota de Ipanema.

 

HELÔ (Ri) – Para com isso. Você sabe muito bem que eu nunca vou me acostumar com essa idéia de ser conhecida e tal… O anonimato pra mim, a liberdade, o direito de ir e vir sem ser notada, atraindo pessoas o tempo todo, é que é bom viu. Você pode fazer o quiser, pode ir aonde quiser, sem que ninguém esteja nem ai pra você, é a melhor coisa do mundo… Agora eu sei por que algumas celebridades surtam com esse tipo de exposição, fãs em cima o tempo todo, tendo que ir disfarçados até a esquina… Não, isso não é vida pra mim. Prefiro mil vezes passar despercebida aonde quer que eu vá, mas tendo a minha liberdade que é o melhor da vida.

 

PEDRO – Concordo com você, liberdade é tudo mesmo. Agora vem cá, que eu to com saudades…

 

Pedro puxa Helô pela mão, os dois se sentam em um banco no meio da jardim e começam a se beijar.

 

HELÔ (Carinhosa) – Eu te amo Pedro.

 

PEDRO – Também te amo, meu amor. Me conta como foi o seu dia, a sessão de fotos hoje…

 

HELÔ – Bom no início foi bem tenso, eu não conseguia me soltar, parecia um robô de tão dura que eu fiquei… (Ri).

 

PEDRO (Ri) – Sério mesmo? Poxa e ai… O Leonel deve ter ficado uma onça.

 

HELÔ – Você sabe que não. Ele até me surpreendeu com tanta atenção e carinho, foi bem paizão mesmo. Conversou comigo, me deu conselhos e dicas, me acalmou… No fim das contas, eu me senti bem melhor, consegui relaxar e tudo fluiu muito bem. As fotos ficaram ótimas. Até eu me surpreendi com o resultado, de ver como eu fiquei bonita… E o Leonel adorou.

 

PEDRO – Que bom, eu fico muito feliz por você. Agora, eu não me surpreenderia com o resultado não, você é linda! A namorada mais gata do mundo, tava na cara que você ia arrasar nessas fotos. (Diz dando um beijo nela).

 

HELÔ – Muito obrigada pelo elogio, de vez em quando é bom receber um carinho também no ego… (Fala toda sorridente) – Faz bem pra alma. Ainda mais o elogio vindo de um namorado lindo, maravilhoso e gostoso como você. (Diz dando beijos nele, por todo rosto e selinhos rápido).

 

PEDRO (Sorri) – Para que assim eu fico sem graça… Me diz uma coisa, aonde nós vamos almoçar hoje hein? Eu já to morrendo de fome…

 

HELÔ – Tem um lugar aqui perto muito gostoso, agradável, eles servem comida típica brasileira, você vai amar eu tenho certeza, é de comer rezando… Só que eu não vou poder abusar né, agora com a academia e de dieta, a Garota de Ipanema aqui precisa manter a forma… Aonde eu fui me meter… (Ri).

 

PEDRO – Ser bonita da trabalho ta vendo. Bonita e modelo então mais ainda… Vamos almoçar?

 

HELÔ – Mais nem pensar! Antes eu quero dar uma passadinha no museu e no orquidário daqui que é lindo! Vem comigo…

Helô puxou Pedro e os dois saíram abraçados e brincando um com o outro…

 

CORTA PARA:

 

CENA 5. EXTERNA |DIA |MADUREIRA – BOTECO PETISCO BOM.

Bia já estava impaciente sentada em uma cadeira um pouco afastada do bar, ela esperava o tal mecânico que nunca aparecia. Dentro do bar, uns homens que jogavam sinuca a encaravam o tempo todo com olhares maliciosos.

 

BIA – E esse mecânico que não chega… (Bia olha para o relógio de pulso e depois para o bar e vê um mulato, alto e forte parado na porta e a encarando. Ela grita) – Que foi bombom? Qual é o seu problema hein, nunca me viu não? Eu sou linda e gostosa mesmo, mas não sou pro teu bico. Agora se quiser olhar pode olhar a vontade que é de graça. Aproveita que é só hoje, porque se Deus quiser eu nunca mais hei de pisar os meus lindos sapatos Louis Vuitton nessa espelunca aqui. (Diz fazendo pose e cruzando as pernas) – Vai… Aproveita a sorte, que pobre só tem uma vez na vida, outra na morte. (Diz gargalhando).

 

Nesse momento, o mecânico chega e vai até Bia.

 

MECÂNICO – Bom- dia. A senhora é que me chamou? Eu sou o mecânico…

 

Bia o olha de cima a baixo com cara de nojo, vendo a roupa dele toda suja e cheirando a graxa.

 

BIA (Sarcástica) – Jura que você é mesmo o mecânico? Eu quase não senti o cheiro de graxa. Agora vamos deixar duas coisas bem claras aqui, primeiro eu não sou senhora, que eu ainda não me casei. Senhora esta no céu e eu não estou nem perto de ir pra lá, depois eu não te chamei aqui. Quem chama é prostituta que fica parada no ponto, abordando homens o tempo todo. Eu solicitei a sua presença, eu exigi que você viesse até aqui me dar um help, ta me entendendo?

 

MECÂNICO – Sim senhora… Quer dizer senhorita. Agora sobre esse negócio de rép ai que a madame falou, eu não sei se tenho não, de modo que não sei se eu vou poder ajudar…

 

BIA – Santa ignorância meu Deus! Calma Bia, relaxa, respira fundo… O que eu quis dizer seu mecânico, é que eu preciso da sua ajuda, entendeu agora criatura?

 

MECÂNICO – Ah sim, claro. O Nestor meu compadre me falou que o seu carro deu problema por aqui.

 

BIA – Pois muito bem, sente-se e preste atenção. Eu vou ser rápida e falar uma vez só. Eu preciso que você faça um serviço pra mim, que não tem nada a ver com carro nenhum parado aqui. Mas eu vou precisar de toda descrição e sigilo da sua parte. E se o senhor aceitar, eu vou lhe pagar muito bem. O Nestor me falou que você faz as suas gambiarras e o serviço que eu tenho para você fazer ninguém pode ficar sabendo, nem mesmo o Nestor. Ta entendendo? É pra ficar só entre nós e sem fazer perguntas.

 

MECÂNICO – E do que se trata senhorita?

 

BIA (Séria) – Eu preciso que você mexa no freio de um carro. Pra ser mais clara, eu quero que esse carro, fique totalmente sem freios.

 

MECÂNICO (Espantado) – Ah, mas isso eu não faço não dona. A senhora quer matar alguém, e quer que eu seja seu cúmplice?

 

BIA – O que eu disse? Sem perguntas. Não interessa o que eu vou fazer, aliás, o senhor nem precisa ficar sabendo, vai ser bem melhor assim, acredite. Basta que você faça o que eu lhe pedi, e na maior descrição, ninguém pode ficar sabendo de nada, será um segredo pra se levar para o túmulo. E você ainda vai levar uma nota preta pra isso, que pelo que eu sei é rápido, é só cortar um cabo… Cinqüenta mil agora, e mais cinqüenta no dia do serviço. O que me diz?

 

MECÂNICO – Não sei não dona… Essas coisas depois fogem do controle e acaba sobrando pra mim que sou o lado mais fraco da corda.

 

BIA – Se por acaso o dinheiro é pouco, faça o seu preço que eu pago. Todo pobre que se preze, tem sempre uma mãe doente precisando de tratamento, um barraco pra ser reformado, um filho pra mandar estudar fora, uma esposa querendo trocar os móveis… Enfim, faça o seu preço. Aproveita que hoje eu to generosa, e depois de uma oferta dessas, o máximo que o senhor vai conseguir ganhar é promessa de político, já que estamos em época de eleição, de trocar o seu voto por um saco de cimento ou por um par de dentaduras pra sua mamãezinha. E se vocês vendem o voto por essas coisas, porque não fazer um servicinho sujo por muita grana?

 

O homem pensou um pouco, depois acabou topando.

 

MECÂNICO – Ta bom dona, eu topo. Mas tem uma condição, a dona vai ter que me dar um dinheiro a mais ae, porque depois que eu fizer esse serviço, eu vou é me mandar daqui e voltar pra minha cidade natal.

 

BIA – Ótimo. Melhor assim, a gente não se ver nunca mais mesmo. Eu te dou duzentos mil… Ta bom pra você? (Ele assenti e Bia continua) – E sem nomes, apenas mecânico e dona ou senhorita. Quanto menos a gente souber um do outro melhor. Agora presta bem atenção nos detalhes, que esse serviço é pra sexta – feira agora…

 

(Off) Bia contou tudo detalhadamente o seu plano para o mecânico, que ouviu tudo atentamente.

 

CORTA PARA:

 

CENA 6. EXTERNA |DIA |CLIPE DE IMAGENS (JARDIM BOTÂNICO).

Pedro e Helô estão admirando o orquidário e Helô se emociona ao lembrar da mãe.

 

HELÔ – Eu acho a orquídea a flor mais linda do mundo. Com as suas várias espécies, cores e formas diferentes, ela é única… Eu me lembro da minha mãe que adorava cultivar e colecionar vários tipos de orquídeas. O meu pai chegou a construir um orquidário só pra ela, lindo, grande, lá na fazenda… Ela dizia que a flor transmitia uma sensação de paz, de renovação mesmo. E que quando ela estava triste, bastava olhar pra uma orquídea, que ela renascia, ficava alegre de novo. Ela definia a orquídea como sendo o toque das mãos de Deus, da maneira mais simples, linda e delicada, provando a existência do milagre da vida, e por assim dizer a sua própria existência em toda sua plenitude… Ela era muito sábia, eu sinto muita falta dela…

 

(Helô diz completamente emocionada, com os olhos marejados).

 

PEDRO – A sua mãe deve ter sido uma mulher incrível!

 

HELÔ – Sem dúvida, ela era demais… O meu espelho de mulher, de amiga, de mãe, de ser humano. Ela é o que eu sempre quis ser quando crescesse…

 

Pedro abraça e consola sua amada…

 

PEDRO – Eu não a conheci, mas, eu tenho certeza de que onde ela estiver, ela ta muito orgulhosa da filha que ela soube criar muito bem, porque você também se tornou uma mulher incrível Helô. Eu agradeço a Deus todos os dias por ter colocado você na minha vida…

 

HELÔ – Obrigada meu amor… Agora se a intenção era me fazer chorar, você conseguiu viu. (Fala rindo, com lágrimas nos olhos) – E eu não quero mais chorar, chega. (Fala limpando o rosto) – Me diz uma coisa Pedro, você já viu com o seu amigo se ele pode te dar uma carona até Teresópolis na sexta? Porque nós dois voltando em carros separados depois vai ser muito ruim, meu amor…

 

PEDRO – Fica tranqüila que nós vamos voltar juntinhos sim, eu já falei com ele e ta tudo certo. Depois que terminarmos o trabalho da faculdade na sexta, ele me deixa no hotel fazenda em Teresópolis. Ele também vai passar o fim de semana por lá com a turma, os pais dele tem casa lá, enfim eles até me chamaram pra ir junto, mas é claro que eu preferi estar com você, do que no meio de um monte de marmanjos barbados, é lógico. (Fala sorrindo).

 

HELÔ – Eu acho bom mesmo. Ai de você se preferisse eles a mim… O senhor estaria muito encrencado viu seu Pedro Gouveia?

 

PEDRO – Jamais meu amor, jamais… (Diz e depois a beija com ternura).

 

CORTA PARA:

 

CENA 7. EXTERNA |DIA – NOITE |CLIPE DE IMAGENS.

 

{Começa a tocar: Como Vai Você – Daniela Mercury}

 

Cam abre em fade in – Mostrando as ondas do mar, anoitecendo… Depois uma panorâmica da cidade com as luzes das ruas, dos prédios, dos carros a iluminar o Rio. (Cam – Fade out / Fade in – Dia amanhecendo… Mostra o corcovado, o pão de açúcar, o Cristo de uma vista privilegiada, o mar, crianças jogando bola na areia, pessoas andando no calçadão) – Close na fachada do prédio Bela Vista.

 

(Legenda: Dois dias depois…)

 

CORTA PARA:

 

CENA 8. INTERNA |DIA |COBERTURA DOS BITTENCOURT – COZINHA.

 

Bia entra na cozinha e vai direto à geladeira. Maroca esta fazendo suco de laranja…

 

BIA – Não tem suco de laranja nessa casa não? (Diz procurando na geladeira).

 

MAROCA – Primeiro bom-dia, né Bia. E eu estou acabando de fazer o suco.

 

BIA – Bom-dia serviçal insolente. E quantas vezes eu terei que repetir pra você entender hein Maroca? Não é Bia, pra você é Dona Bia.

 

MAROCA – Ah me poupe garota… Eu só trato bem e com reverência, quem também me trata bem viu. (Fala e entrega o copo de suco pra ela) – Agora toma o teu suco e me deixa em paz.

 

BIA – Ai que suco azedo credo… Você não sabe fazer nada mesmo, incompetente.

 

MAROCA – Não será você que é azeda por natureza não Bia? Acordando tão cedo assim, só pode ter levantado com o pé esquerdo. Que foi? Deu cupim na cama? Ninguém ainda acordou e você costuma ser sempre a última a acordar nessa casa… Por falar nisso, eu preciso chamar a Helô, ela tem que arrumar a mala pra viajar, ela vai sair as dez em ponto.

 

BIA – Olha aqui Maroca, eu não lhe devo satisfação da minha vida, acordei mais cedo porque quis e também tenho um compromisso, que obviamente não é da sua conta. Vai acordar a sua queridinha vai, que eu já estou indo… Bye.

 

MAROCA – Tchau rainha da cocada preta. Garota intragável… (Diz e depois se vira para a pia e dá de cara com Juvenal, o motorista da casa) – Ai que susto Juvenal! (Fala batendo nele).

 

JUVENAL – Calma Maroquinha… Eu só vim tomar o meu café…

 

MAROCA – Toma logo e chispa daqui. Que daqui a pouco o seu Anselmo acorda e não vai gostar nada de te ver por aqui na minha cozinha.

 

JUVENAL – Virou dona agora? Vou ter que te chamar de patroa também…

 

MAROCA – Da cozinha que eu tomo conta, preparo todas as refeições da casa, eu sou dona sim. Agora acaba de tomar logo esse café e some. Eu vou lá em cima acordar a Helô, e quando eu voltar, eu não mais sentir nem o cheiro do teu perfume barato aqui na minha cozinha… Eu hein, ta achando que aqui é bagunça? Aqui não é bagunça não. (Diz e sai).

 

JUVENAL – Ô mulher brava… Mas é dessas que eu gosto, da mais trabalho pra domar e é mais gostoso. (Fala com cara de sem vergonha e depois levanta os braços sentindo o cheiro das axilas) – O perfume pode ser barato, mais é bom. E um dia você ainda vai pirar nele Maroquinha do meu coração.

 

CORTA PARA:

 

CENA 9. EXTERNA |DIA |RUA – LADO DE FORA DO EDIFÍCO.

 

Bia olha para o relógio impaciente e anda de um lado para o outro sem parar.

 

BIA – Mas que demora… Cadê esse maldito mecânico? Será que amarelou? Pobre é bom pra não cumprir uma palavra, até quando vai ganhar dinheiro, é incrível. O que além de pobre, também o faz burro… Meu Deus dai-me paciência! Porque se me der força, eu mato um infeliz daqueles.

 

Nesse momento o mecânico para o carro e desce desconfiado, olhando para todos os lados.

 

MECÂNICO – Bom dia senhorita.

 

BIA – Calado seu imbecil! Não fala comigo. Ninguém pode nos ver juntos. (Fala disfarçando) – Vem… Me segue. (Disse entrando pela garagem do edifício).

 

Ele seguiu Bia o tempo todo calado e olhando tudo a sua volta. Era nítido como ele estava com medo.

 

BIA – O senhor tem que ser rápido, daqui a pouco o pessoal começa acordar e descer. Ta vendo? O carro do meu pai é aquele ali, faça parecer um acidente, não vai me deixar pistas hein? Vai… Por ai não seu idiota! (Sussurra alto). – Não ta vendo a câmera? Eu falei pra você ser rápido e não estúpido. Vai pelo outro lado, e fique bem próximo do carro que a câmera não te pega por lá, eu mesma que estacionei esse carro ontem pensando nisso… Anta.

 

O mecânico foi até o carro e em menos de cinco minutos fez o serviço, e cortou o cabo do freio. Depois foi até Bia, que o chamou para um canto isolado e lhe entregou um envelope.

 

BIA – Fez tudo certinho? (Ele assenti com a cabeça). – Eu acho bom viu. Porque se algo der errado, é você quem vai direto pro inferno, abraçar o capiroto. E eu mesma farei o serviço. Agora toma. Essa era a outra parte que faltava. Some da minha frente, do Rio e volte pra sua terra natal. Eu não quero nunca mais ter que olhar pra sua cara, muito menos sentir esse seu fedor insuportável de graxa.

 

O mecânico saiu disparado, sem olhar para trás. E Bia subiu para a cobertura rindo atoa.

 

BIA – É hoje Helô. Hoje eu vou te proporcionar uma viagem sem volta, direto pro céu. E ai de você se sair ilesa dessa… Eu sou bem capaz de ir direto ao hospital e terminar o serviço.

(Cam close no rosto dela, frio, enigmático e perdido).

 

CORTA PARA:

 

CENA 10. INTERNA |DIA |COBERTURA DOS BITTENCOURT – QUARTO DE HELÔ.

Helô que já acordou, sai do banho em seu roupão e encontra Celina no quarto arrumando sua mala.

 

HELÔ – Celina deixa isso ai que eu mesma arrumo, não precisa se dar ao trabalho.

 

CELINA – Trabalho nenhum minha querida, eu faço com gosto. (Diz dando um beijo no rosto de Helô) – Bom-dia! Sabe que eu tenho vocês como minhas filhas do coração, já que eu não pude ser mãe.

 

HELÔ (Sorri) – Bom-dia! Eu também considero muito você Celina, como a minha segunda mãe.

 

CELINA – Animada para viagem? Eu to gostando de ver esse sorrisão no seu rosto. O Pedro ta te fazendo muito bem.

 

HELÔ (Sorri) – Muito mesmo. E eu to animadíssima pra essa viagem… Eu nem sabia que era possível amar alguém tanto assim. O Pedro é um cara muito especial, a gente se completa sabe… Se encaixa. Quando eu to do lado dele, eu me sinto amada, protegida e feliz, muito feliz… Que eu sinto até medo às vezes…

 

CELINA – É que vocês foram feitos um para o outro. Sabe que é até bonito ver vocês dois juntos. Agora medo do que, sua boba? Felicidade é pra ser vivida e não temida, já dizia a minha mãe. (Fala e ri) – E eu ainda vou ver vocês dois se casando logo logo…

 

BIA – Quem é que vai se casar? (Indagou Bia entrando no quarto).

 

HELÔ (Sorrindo) – Eu e o Pedro e logo, segundo a Celina.

 

BIA – Sei… Que pressa é essa pra se casar Helô? Medo de ficar pra titia? Não acha precipitado não? Muita água ainda pode rolar debaixo dessa ponte…

 

HELÔ – Foi só brincadeira Bia, não tem casamento nenhum. Pelo menos por enquanto. Mas eu confesso que encontrei o homem da minha vida, e é com o Pedro que eu quero me casar sim. (Diz rindo).

 

Bia da um sorriso forçado…

 

BIA – Bom, eu vou tomar um banho… Provavelmente quando eu sair, você não estará mais aqui Helô… Então faça boa viagem e aproveita.

 

Helô abraça a irmã, depois olha bem nos olhos de Bia.

 

HELÔ (Emocionada) – O minha irmã, muito obrigada por tudo viu… Eu te amo! (Fala dando um beijo em Bia).

 

BIA (Sorri falsa) – Eu também te amo muito, Helô.

 

(Close no rosto de Bia, cínica).

 

CORTA PARA:

 

CENA 11. INTERNA – EXTERNA |DIA |COBERTURA DOS BITTENCOURT – SALA | RUA |BANHEIRO.

 

{Instrumental Suspense – Tensão}

 

Celina e Anselmo se despedem de Helô todos sorridentes e lhe desejam uma boa viagem… Em seu quarto, Bia liga o som e entra na banheira. Ela começa a cantar e balançar a cabeça, enquanto mexe os braços toda feliz e louca. Porém, nada se ouve. (Off).

 

CORTA DIRETO PARA RUA – COBERTURA DOS BITTENCOURT:

 

Close na garagem do edifício, o carro de Anselmo sai devagar… Um Tempra SW preto, com vidros escuros e pega a estrada… De volta à cobertura dos Bittencourt, Anselmo e Celina conversam animados na sala, enquanto Maroca começa preparar o almoço na cozinha… E Bia ainda na banheira, esta cantando feito louca e fazendo a maior bagunça, jogando espuma por todo banheiro… Uma hora se passa e só então ela sai do seu banho de sais, e veste seu roupão, depois enrola uma toalha na cabeça e fica se olhando e se admirando em frente ao espelho, enquanto sorri satisfeita… Nesse momento na estrada, o carro com Helô não se segura numa curva e o freio não funciona. Apesar de muitas tentativas, o carro quase se choca com um caminhão, mas consegue desviar, caindo direto na ribanceira… Causando uma explosão no choque com as pedras.

 

 

FIM DO CAPÍTULO.

 

(A imagem congela. Depois se transforma em um cartão postal, jogado sobre o Ipanema).

{O capítulo se encerra com a música: I’ll Stand By You – Pretenders}.

 

 

 

 

 

 

 

 

Eduardo Moretti

Um cara do bem, romântico, sonhador, apaixonado pela vida e que ama o que faz… “Escrever para mim, é deixar de ser criatura para ser criador.”

  • Isa Miranda

    Minha impressão do final desse capítulo = AHHHHHH por que o carro dela explodiu? Autores e suas mentes maquiavélicas … A-D-O-R-O!!!!

    • Eduardo Moretti

      kkkkkkkkkkkkk… To fazendo escola com a Bia, amiga. s2