Florescer de Espinhos – Capítulo VII

Florescer de Espinhos – Capítulo VII

Capítulo VII

Yukito havia viajado para realizar um trabalho como fotógrafo em uma exposição de flores do outro lado do Japão. Aquele tipo de trabalho era um de seus preferidos, pois o lembrava de sua natureza e seu belo local de origem.

Estava se preparando para se recolher e descansar quando o celular tocou. O rapaz sentou-se na cama e pegou o aparelho, olhou intrigado ao reconhecer o número do telefone da casa de seus pais.

Moshi moshi – atendeu.       

– Precisamos de você em casa, agora – Akane falou desesperada sem mesmo cumprimentá-lo.

Okaa-san, o que houve? – o jovem perguntou preocupado.

– Apenas… Venha, venha para casa, meu filho – ela falou nervosa e desligou.

Yukito arrumou seus pertences na mesma hora. Ele já havia terminado o serviço e poderia mandar as fotos por e-mail, então não havia problema se partisse naquele momento. Poucos minutos depois ele já havia quitado sua conta no hotel e pegado um táxi que o levou até a estação de trem mais próxima.

Chegou de madrugada em sua cidade natal e, mesmo ali, já sentia que havia algo estranho no ar. Correu até a casa dos pais e encontrou a residência vazia. Tudo o que havia era um bilhete de sua mãe pedindo que os encontrasse o mais rápido possível no santuário. O rapaz largou a mala no quarto e se apressou até a passagem secreta que interligava a residência com a floresta.

Ao tocar nas plantas, notou que suas flores haviam murchado e elas estavam enfraquecidas. Seu toque as devolveu parte da energia e as vinhas se recolheram para que ele pudesse adentrar o túnel. O kami caminhou o mais rápido possível e já pensava em guardar os óculos no bolso, mas algo lhe dizia que era melhor ele enxergar o que estava acontecendo.

A floresta estava ainda mais fraca do outro lado, mesmo ao luar ele podia ver que as plantas haviam perdido o brilho e pareciam murchar e secar lentamente, como se já estivessem no outono. Aquilo era mais que o suficiente para que o rapaz tivesse certeza de que algo muito ruim havia acontecido.

Yukito correu sem se importar com as vestes humanas inapropriadas ou a presença dos óculos, nada daquilo importava diante do que estava acontecendo. Os bambus ao longo da escadaria estavam ainda mais amarelados e suas folhas começavam a cair. No entanto, o impacto o atingiu com força assim que ele parou debaixo do torii na entrada do santuário.

As plantas… A grama estava seca e quebradiça, as águas dos rios e lagos estagnaram, as folhas amarelaram e caíram, e as flores murcharam e se desprenderam dos galhos, deixando os troncos das árvores nus. Aquilo era um choque, durante toda sua vida o kodama sempre vira aquele local em uma eterna primavera, as árvores sempre estiveram floridas e com frutos, nunca assim… como se estivessem doentes.

“A flor” pensou. Algo devia ter acontecido com a flor, se seu poder estivesse normal aquele lugar nunca chegaria a tal ponto de decadência. O kami balançou a cabeça para se recuperar do espanto, não era hora para ficar em choque. Ele respirou fundo e continuou a correr para a árvore sagrada…

 

 

Alguns youkais sussurravam nervosos no pátio. Aqueles que moravam próximos sentiram o impacto do desequilíbrio e foram até o templo saber o que havia acontecido, para talvez ajudarem de alguma forma. Mas o tengu sabia que não havia nada que pudessem fazer.

Eles viram o kodama chegar esbaforido, e o choque em seus olhos deliciou a criatura com cabeça e asas de pássaro. Passado o choque, o kami continuou a correr pelo santuário enquanto os youkais o acompanhavam com os olhos, preocupados.

Um sorriso pareceu brotar em seu bico de corvo. Se aquele jovem não concertasse o que acontecera ali, nem mesmo os anciões de outras tribos poderiam ajudar por muito tempo. Então seria o momento que ele ofereceria os serviços de seu clã…

 

 

Os olhos de Yukito lacrimejaram ao chegar na clareira. A grande árvore sagrada estava em um estado lastimável: seca, despida de suas folhas e retorcida, morta. A verdade era que aquela planta enorme e a flor eram seres distintos que dependiam um do outro. A árvore servia como uma proteção física para a flor, enquanto vivia à custa de sua magia. Sem a flor, como um parasita sem seu hospedeiro, ela não poderia sobreviver.

Ele podia sentir a presença dos kodamas do templo, mas havia mais criaturas ali. Uma serpente negra gigantesca estava enroscada em um canto, enquanto uma mujina, uma mulher texugo, esperava preocupada ao lado de um tanuki, um homem guaxinim, que bebia nervosamente direto no gargalo de uma garrafa de saquê. Os líderes das tribos youkais próximas.

Kenta e Rika estavam auxiliando os outros kodamas, seguindo as instruções caso precisassem de algo. Akane, Haruko e Sayuri estavam ajoelhados dentro da cavidade da árvore, onde a flor costumada ficar. Raízes cobriam suas pernas e os interligavam ao solo no centro, os kamis estavam doando sua própria energia e magia para impedirem o máximo possível a deterioração do local. Os outros kodamas da região não se encontravam ali no momento, estavam dispersos em seus próprios territórios, ocupados em manterem a vida fluindo pela floresta.

Ajoelhado de frente para Sayuri, estava um homem. Seus longos cabelos brancos caíam-lhe sobre as costas, duas orelhas de raposa desprendiam entre os tufos e ele tinha nove caudas da mesma cor. Yukito ficou nervoso ao vê-lo, o ancião kitsune não viajaria até o santuário se a situação não fosse extremamente grave.

O kyuubi segurava as mãos de Sayuri e ambos estavam com os olhos fechados, concentrados. Energia espiritual fluía do homem para ela, como chamas brancas que saíam das pontas de suas caudas, seguiam até seus braços e envolviam os dela, onde eram absorvidos.  Aquele era o máximo de ajuda que o youkai raposa poderia dar: doar energia para que Sayuri servisse como uma flor substituta.

Quando Yukito pisou dentro da clareira, a atenção dos demais se voltou para ele. Kenta, assim que pôs os olhos no outro kodama, caminhou furioso em sua direção.

– Isso tudo é culpa sua!!! – vociferou. Rika correu atrás dele e o segurou pelas vestes – Eu disse, eu disse que trazer aquela mulher aqui era uma má ideia!!!

– Kenta-kun… – Rika murmurou – Acalme-se, Kenta-kun.

– Me acalmar?! – ele puxou as vestes com violência – Olha o que ele fez conosco! – o jovem voltou sua atenção ao outro kodama – Ele condenou a todos nós com a sua burrice!!!

– Kenta-kun! – a menina o repreendeu.

Yukito não estava entendendo a agressividade do outro rapaz até ouvir suas palavras. Um calafrio percorreu sua espinha assim como um bolo se formou em sua garganta. Não… Não podia ser…

– Deixe-o se aproximar – Sayuri ordenou com a voz cansada e abriu os olhos junto ao kitsune.

Kenta bufou e saiu do caminho a contragosto, afastando-se nervoso enquanto Rika tentava apaziguar sua ira. Yukito engoliu seco e subiu as escadas de pedra até o centro da árvore oca. Fez uma reverência e se ajoelhou diante da irmã. Ele queria perguntar o que havia acontecido ali, mas sentia que não iria gostar da resposta.

– Yukito-san… – ela começou formal e ele estremeceu antecipando o pior – A flor foi roubada.

O rapaz ficou em silêncio por um tempo, enquanto tomava coragem para perguntar:

– E como isso aconteceu?

– Hana… Hana roubou a flor – ela respondeu decepcionada.

– O quê?! – exclamou incrédulo. Como uma humana poderia tê-los roubado bem debaixo de seus narizes?

– Ela usou selos, otouto… Selos e um rosário de onmyouji. Nos prendeu e impediu que usássemos nossos poderes, foi um roubo bem orquestrado. Ela nos traiu.

Se Yukito já não estivesse ajoelhado, certamente os joelhos teriam falhado naquele momento. Ele não podia acreditar que aquilo realmente havia acontecido. Devia ser um engano, eles deviam estar enganados… Não, Hana não podia ter feito algo tão terrível…

– M-mas… – gaguejou e respirou fundo para tentar se recompor – S-sem a flor… O que vamos fazer sem a flor sagrada?

– Sem a flor sagrada… – Sayuri fez uma expressão de pesar.

– Sem a flor sagrada, quando nossa magia esgotar, iremos morrer – Akane respondeu.

Morrer… Todos iriam morrer… Não, Hana não podia…

-… Não… Tem que haver um jeito… – balbuciou.

– Há apenas duas maneiras de resolvermos esse problema – Sayuri falou devagar, certificando-se de que ele prestava toda a atenção nela – A primeira é recuperar a flor e replantá-la aqui…

– Eu posso fazer isso – o kami respondeu rapidamente – Posso recuperá-la a trazê-la de volta –

– Yukito, ouça – a irmã o cortou – Eu sei que tem esperanças, mas esta é uma solução improvável de acontecer. Não sabemos o que ela irá fazer com a flor, ou se conseguirá recuperá-la à tempo. É algo muito delicado, que pode não sobreviver em um ambiente tão artificial e poluído quanto uma cidade. Não podemos arriscar perder tudo em suposições tão incertas.

O jovem se calou. Ele sabia que as palavras da irmã faziam sentido, mas ainda assim tinha esperanças de que a namorada fosse inocente, ou que ela se arrependeria e devolveria a flor, ou que conseguiria recuperar a planta antes que perecesse.

– Qual é a segunda maneira?

– Produzir uma nova flor.

Yukito arregalou os olhos.

– Pensei que não fôssemos capazes de fazer isto.

– E não somos – Sayuri explicou – Mas há um ritual onde é possível criar uma semente, que germinará e brotará como uma nova flor sagrada.

– E como isso é feito? – ele perguntou.

A irmã e a mãe ficaram em um silêncio tenso. O homem-raposa continuava quieto desde o início, como se não quisesse se intrometer nos assuntos deles. Foi o pai quem respondeu.

– Com um sacrifício.

O jovem arregalou os olhos novamente. Imaginava que tribos como os onis, ou mesmo os orochi ou tengu fossem capazes de uma prática bárbara daquele tipo, não seres pacíficos como os kodamas.

– Sacrifício?

– Sim… Uma vida para gerar a vida, esse é o preço a pagar. A semente precisa de uma alma para ser criada.

Yukito emudeceu enquanto tentava digerir aquela informação. A planta sagrada, que dava vida a tantos seres em troca, pedia uma vida para nascer. Talvez fosse um preço baixo a se pagar se comparado com seu benefício, mas aquela ironia possuía um requinte cruel em sua opinião.

Haruko encarou Sayuri severamente. Parecia esperar que ela continuasse, era seu dever como miko, uma sacerdotisa, concluir o que precisava ser dito. Mesmo que fosse difícil de falar, era Sayuri quem precisava dar a punição pelo que havia acontecido.

– Você nos desonrou trazendo até nós aquela que cometeu o crime. O que houve aqui também foi sua culpa, Mori Yukito. Para recuperar sua honra, e a de nossa família, é seu dever corrigir o seu erro. Você criará a nova semente e a trará até nós para que floresça e restaure o equilíbrio desta floresta.

O jovem olhou horrorizado. Tirar uma vida? Ele era um kami, ele não matava pessoas, as curava.

– N-não posso… Não podemos matar…

– Podemos e fazemos quando é necessário! – Haruko foi firme – Nós somos seres e guardiões de natureza. Somos passivos, mas quando necessário podemos ser tão terríveis quanto a fúria da terra! Se for necessário matar para salvar, proteger ou punir, isso é o que faremos! Veja como o mundo está atualmente! A compaixão nos levou à decadência, a misericórdia permitiu que os humanos tomassem e destruíssem tudo… Não há mais tempo para ser tolerante! Sua ingenuidade causou a nossa ruína, Yukito! Portanto assuma seu erro e tenha a decência de aceitar as consequências!

As palavras do pai pesaram sobre o rapaz e o fizeram baixar a cabeça. A desonra era uma das coisas mais vergonhosas e imperdoáveis, muitas das vezes atos extremos, até mesmo o suicídio, eram necessários para recuperar sua honra. Haruko e Sayuri tinham razão. Se Hana roubara mesmo a flor, então parte daquilo era sua culpa. E mesmo que não fosse, era seu dever provar sua inocência e restaurar a honra da família.

Mas o assunto não terminara.

– A condição foi dada. No entanto, ainda há um preço a ser pago. Hana também deve arcar com as conseqüências do que fez…

Sayuri retirou as mãos das do kitsune por um momento e pediu para que ele furasse a ponta de seu dedo com a garra. Seiva escorreu pela ferida, que ela usou para criar e moldar uma longa agulha de madeira clara. Depois estendeu o objeto ao irmão.

– Sua humana fez algo imperdoável e só há uma maneira de se redimir… Uma vida em troca da fonte de vida… Hana deverá ser o sacrifício.  

Yukito sentiu-se sem chão. Em algumas horas tudo desabara. Aquilo só podia ser um pesadelo em que estava preso. Ele não podia acreditar que sua amada humana havia feito algo tão traiçoeiro, era difícil assimilar sua casa destruída daquela forma, e era pior ainda se imaginar com as mãos manchadas com o sangue dela.

Olhou para a agulha estendida sem conseguir esboçar reação.

-… Não há outra forma…? – sussurrou.

– Você prefere que um inocente pague o preço? – Sayuri foi incisiva – Quer você queira, quer não, a flor ainda deve ser recuperada antes que caia em mãos erradas. E a humana deve pagar por seu crime e restaurar a própria honra com seu sacrifício – ela esticou mais o objeto – Recupere a flor, perfure o coração de Hana com a agulha, e traga a nova semente e os restos da antiga flor para nós.

O jovem kami podia sentir os olhares de todos os presentes sobre si. Tudo aquilo fazia sua cabeça girar e ele ainda não conseguia se mover. Akane olhava apreensiva e Haruko já estava impaciente, mas antes que o pai falasse, Sayuri continuou:

– O que é mais importante para você, Yukito: todos os seres nesta floresta ou apenas uma humana? – intimou – Não há tempo para escolher, decida agora!

Yukito tremia dos pés à cabeça e não sabia o que fazer. Não podia cumprir a ordem de sua irmã, mas também não podia deixar todos aqueles inocentes morrerem. Ele tinha que encontrar outra solução, tinha que haver algo que pudesse fazer para resolver aquele conflito…

Naquele momento, no entanto, não havia como fugir. Ainda em choque, ele esticou a mão e pegou a agulha. Não queria usar aquilo, mas uma coisa era certa: ele precisava recuperar a antiga flor, rápido. Quanto às outras questões, teria um longo caminho de volta até a outra cidade para pensar nelas.

O jovem se levantou com o objeto nas mãos, olhou a família uma última vez e saiu nervoso sem olhar para trás, rezando para que os deuses o ajudassem com aquela terrível decisão.

 

 

Quando o irmão sumiu entre as árvores, Sayuri soltou o ar dos pulmões, visivelmente tensa e exausta. Ela odiava ter que submeter seu otouto àquilo, mas não seria certo poupá-lo de sua punição.

Voltou sua atenção de volta ao homem-raposa e ele lhe estendeu as mãos para segurar as dela. Assim que a energia dele voltou a fluir para ela, a kami sentiu-se um pouco melhor. Manter o desequilíbrio contido era algo debilitante, ela não conseguiria fazer aquilo por muito tempo se não fosse a ajuda que estava recebendo dos pais e do kyuubi.

A grande cobra sibilou alerta do lado de fora enquanto a mujina e o tanuki se afastaram nervosos. Sons de asas batendo foram ouvidas e um homem-corvo pousou no topo da escadaria. O tengu se aproximou a passos mansos, mas o kitsune posicionou suas caudas para impedi-lo de prosseguir.

– Acalme-se, Kyuubi Isao-dono… Não é com o senhor que venho tratar de negócios hoje – o homem-corvo o olhou fazendo pouco caso daquela postura protetora.

– A presença de vocês tengus nunca é um bom presságio. Não precisamos de mais desgraças por aqui – Isao falou com a voz mansa, apesar do leve tom de advertência implícita.  

O tengu riu baixo e o ignorou, voltando sua atenção para Sayuri.

– A miko-dono sabe que seu irmãozinho não será capaz de fazer o que ela pediu.

– Isso não lhe diz respeito, karasu tengu. – ela respondeu séria.

– Oh, não, ainda não – o bico de corvo pareceu sorrir – Mas quando o jovenzinho não voltar com o que pediu… Sabe que o kyuubi-dono não pode ficar aqui para sempre segurando suas lindas mãos. Então, quando o desespero a atingir, eu estarei aqui para lhe estender minhas asas.

– Vá agourar outro – Sayuri cerrou os dentes.

– Se precisar, é só chamar… – o tengu riu, bateu as asas e se afastou voando.

Sayuri o acompanhou com o olhar e caiu para frente ao sentir uma vertigem. Isao a amparou em seus braços e a envolveu com suas caudas.

– Eu prefiro dar a minha vida que fazer um pacto com os corvos.

– Eu sei, e tenho certeza que ele sabe, mas não perderia a oportunidade de tentá-la – Isao respondeu baixo e afagou o rosto dela – Tenha fé em seu otouto. Ele não irá falhar com vocês.

– Assim espero – Sayuri sussurrou e se deixou amparar pelo homem-raposa.

Obs:

Moshi moshi é uma expressão semelhante ao nosso “alô” para quem está atendendo ou ligando pelo telefone.

Kyuubi é o nome dado para kitsunes que atingem o número de nove caudas, caso queira saber mais: http://www.cacadoresdelendas.com.br/japao/kitsunes-a-raposa-de-muitas-caudas/

– O sufixo –dono é um sufixo honorífico que demonstra ainda mais respeito que o –sama, mas é usado com pouca frequência nos dias atuais. http://aulasdejapones.com.br/os-honorificos-do-japones/

Karasu tengu é um dos dois tipos de youkais meio-corvo. http://www.shokumoryu.com.br/artigos/70-tengu-o-espirito-mistico-do-guerreiro-ninja.html

Fabiana Prieto

Estudante de artes, tímida, chocólatra, gosta de ler, escrever e desenhar. Amante de jogos de vídeo game e RPG, é fã de histórias de fantasia dos mais diversos tipos e finais felizes (geralmente).

Caso queira acompanhar outros trabalhos e desenhos: https://www.facebook.com/fabidesenhos/

  • Andrea Bertoldo

    Situação tensa, muito tensa…Pobre casal…*gota

  • Isa Miranda

    Muito bom episódio, Hana realmente se F*** e Yukito perdido tadinho muita decepção… =/