Eterno canto: Capítulo 22 – Golpe de estado

Eterno canto: Capítulo 22 – Golpe de estado

Capítulo escrito por: Charlotte Marx

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Luana chega ofegante ao Colégio dos Sonhos e invade a sala de Joaquina disparando, antes de ela sair para o anúncio no jantar.

– Mãe Joaquina! A senhora precisa fazer alguma coisa! Acabei de voltar da floresta e flagrei Lucas e Robson no maior dos beijos!

A beata se preocupa. André que estava presente escuta tudo.

***

Robson abraçava Lucas por trás, o qual sentado entre suas pernas observava junto com ele a fogueira queimar.

– Você beija muito bem, cara! Não tem ideia!

O outro riu. Assoprou de leve a nuca do mocinho que se arrepiou todo.

– Não faz de modesto de novo que vou começar a achar que é chantagem emocional, só para me fazer te elogiar de novo e de novo…

Eles se beijam novamente. Lucas sorri.

– E se for para ouvir de novo mesmo? Qual é o problema? Não tenho direito de receber elogios?

Nesse instante, Joaquina acompanhada de Luana flagram a cena.

– Mas o que está acontecendo aqui? Alguém pode me explicar?

Eles se levantam assustados. Luana chorava desesperada.

– É o que a senhora está vendo, mãe Joaquina, a maior subversão que pode existir na face da terra, dois homens se atracando feito homem e mulher. Como é que você tem coragem Lucas, de roubar um homem que é meu por direito?

Lucas a enfrenta.

– Então foi você que trouxe a mãe aqui, não foi? Fique você sabendo, Luana, que o Robson não é de ninguém, muito menos seu! Ele é dono do próprio nariz, pode ter onze anos ainda, mas sabe muito bem das suas escolhas e que arcaísmo todo é esse? Estamos no século 21!

Joaquina responde.

– Meus filhos será que vocês não percebem que estão cometendo um pecado? Está na bíblia, Deus fez a mulher a partir das costelas de Adão e para ele entregou-a como sua companheira. A maior prova disso é o órgão reprodutor dos dois. Não acham que se fosse para ficarem juntos o corpo teria alguma modificação para isso? Estão errados, meus filhos!

Lucas rebate.

– Errados, por quê? Com todo respeito que tenho por você, mãe Joaquina, mas não há nenhuma passagem bíblica que proíbe relacionamento homoafetivo e olha que sei o que estou falando, afinal fui filho de uma religiosa fervorosa, ela fez a mim e a minha irmã lermos a bíblia de cabo a rabo para catequese. Quanto à questão biológica, está longe de uma única parte ter uma definição, uma função fechada. Cientistas já comprovaram que há pessoas que nascem com modificações no cérebro e sentem prazer sexual em áreas em que outras não sentem, não podemos rotular, se não seremos preconceituosos, faltando com amor com o outro e Deus, nem a senhora querem isso, lembre-se do primeiro mandamento, mãe: amor o próximo como a ti mesmo!

Joaquina se calou. Por mais que não aceitasse, o menino tinha certa razão. Deus sempre amou as pessoas, independentemente do que fossem. Talvez o melhor a se fazer era terminar aquela discussão outra hora, estava atrasada para o jantar com as crianças, no refeitório, iria fazer a votação para decidir se queriam doar aquele fundo para ajudar Débora no implante dos dentes. Eles a acompanharam, Luana já estava fora de si mais a frente, totalmente perdida e sentida com Mãe Joaquina que ao invés de dar uma surra para eles virarem gente, havia permitido aquilo.

***

Malva terminara de tomar seu chá noturno, em sua sala, tentando fazer Matilde desistir da idéia de denunciá-la.

– Você precisa entender minha querida! Estou numa saia justa! Se eu mandar o meu exército invadir a propriedade de Joaquina, estarei dando o direito de ela me denunciar e invadir a minha escola também. Além do fato de que esse garoto fez fotos íntimas de uma funcionária minha que se for parar nos jornais será muito pior do que me entregar. Não há como eu me mexer, preciso de tempo, já estou com um plano em curso.

– Que plano em curso, Malva? Pensa que me engana com esse seu papinho furado?

– Matilde, entenda! O filho de Joaquina odeia a mãe, nunca a perdoou de não ter investigado melhor o seu desaparecimento, a sua morte e está do nosso lado. Ele vai me ajudar a dar um golpe político no Colégio dos Sonhos, vai tomar o poder e sucatear a instituição, implantando regras rígidas para que falida, o estado seja obrigado a por a venda o local, privatizando-o, assim eu que tenho capital de sobra poderei adquiri-lo e reverter essa situação!

A babá bateu o pé.

– Processos jurídicos demoram muito! Acha que tenho todo esse tempo? Como vou dormir tranqüila sabendo que esses marginalzinhos, esses estorvos vão estar solto por aí! Eles têm sangue quente, vão querer se vingar da tia deles terem me confidenciado a herança, se vingar do que eu fiz com eles, eu preciso estar protegida, entende? Francamente, essa conversa já foi longe demais, vou me deitar, obrigada por me hospedar, mas amanhã mesmo parto e entrego a verdadeira qualidade dessa butique!

E saiu se achando, Malva esmurrou a mesa.

– Se essa marmota pensa que vai me entregar está muito enganada! Vamos ver se ela vai estar viva amanhã para contar essa história!

***

Todos os alunos estão presentes no refeitório quando Joaquina entra a todo vapor deixando o casal homossexual na entrada, o qual logo se aloja entre os amigos: Serelepe e Batista. A mulher toma o microfone e dirige ao seu anúncio, aos fundos do salão André assiste tudo, Luana tenta conter o choro.

– Meus queridos filhos que me ajudam com a horta de orgânicos, a qual volto a lembrar, bateu recorde de vendas mês passado, e com a reciclagem de latinhas, sem vocês esse local estaria fardado ao fracasso, pois nós sabemos a quem esse novo governo investe e não é conosco. Desse modo, venho pedir sua opinião, isso mesmo, meus amores, de cada um de vocês para uma eleição muito importante, uma eleição que pode mudar a vida de uma garotinha chamada Débora. Ela, infelizmente, não teve a sorte de vocês de caírem primeiramente num colégio como o nosso e acabou sofrendo castigos físicos cruéis a ponto de perder todos os seus dentinhos, imaginem uma garota sem poder sorrir, sem poder se alimentar, comer ao menos uma fatia de um bolo. O dinheiro do implante que ela precisaria é muito caro, Mãe Joaquina aqui não tem essa grana disponível, no entanto, vocês possuem, todos nós possuímos juntos, e se quisermos ajudar, vamos ter que nos comprometer em ficar sem brinquedos por um bom tempo, se esforçar ainda mais nos nossos trabalhados para fechar a conta. Assim peço que votem pelo sim ou pelo não, nessa caixinha aqui, vocês pegam os lápis e canetas que estão lá e selecionam o querem que eu faço com esse dinheiro. A escolha mais votada será a feita! Bom jantar a todos! Uma excelente noite!

Ao final todos bateram palmas e se precipitaram para votar. André saiu de fininho por entre o povo e correu para o reformatório dar a notícia a Malva, a qual álias conseguira a partir disso um bom motivo para justificar a ineficiência da gestão da irmã, afastando-a mais rapidamente do cargo para André tomar posse e mudar as regras, judiando das crianças, do povo.

Ao final da refeição, a contagem foi feita e exceto por um voto, o qual era de Luana, ainda magoada pela negligencia da mãe perante o beijo dos dois, a maioria optou pelo sim, deixando Lucas e seu grupo muito feliz, abraçou forte Robson. Ao longe, Luana observava tudo, desiludida.

***

Já se passara das duas horas da manhã, quando alguém destrancara a porta do quarto de hospedes, deixando Matilde, que já sofria problema de insônia, perturbada.

– Quem está aí?

Mas o único ruído identificável era o ranger da porta.

Calçou os chinelos e empurrou, saindo no corredor, olhou para os lados e não havia ninguém. Seria uma alucinação? Quando precipitara para pegar a maçaneta e voltar para a cama, ouviu um latido muito forte e se apavorou ao perceber que um Rottweiler estava à solta. Ele salivava ferozmente para ela, desejando mordê-la. Largou tudo e saiu correndo, o bicho correu atrás, quando chegou ao topo da escada, Malva apareceu trajada de um pijama macabro, riu maquinalmente para ela e a empurrou, a mulher rolou escada abaixo, caindo estirada no chão.

A vilã descera para conferir o pulso e percebera que ela ainda não morrera. Felicitou-se. Chamou a escuridão e dela Barnabé surgiu.

– Amarre-a no canil! Essa inútil não vai mais atrapalhar ninguém! Quero ver me denunciar agora, sua imbecil! – E a chutou com gosto.

Matilde foi arrastada pelo homem até o ambiente, passando pelo jardim. Contida em uma roldana com os braços e pernas atados deu-se conta que estava em um canil, só teve tempo de gritar, antes que os mais de dez cães Rottweilers famintos arrancassem seus braços, suas pernas, jorrando sangue para tudo quando é lado, sua face encharcando a boca de um, seus seios sendo devorados por outro, foi lenta e dolorosamente sendo mastigada por aqueles animais, urrava de dor e pedia socorro, mas ninguém a ouvia, o único barulho era o latido e os rasgares de seu corpo nos dentes dos cães que não cessaram até matá-la, reduzindo-a a carnificina.

AMANHECE COMO UM FURACÃO…

Joaquina chega ao hospital e se dirige para a diretoria, a qual contrata a equipe de bucomaxilos e cirurgiões dentistas para começar a fazer o restauro gengival para o implante dos dentes em Débora. Ela assina o xeque e no mesmo momento ele é descontado da conta do colégio.

***

Lucas volta de uma caminhada com Robson e seus amigos quando percebe que Laila está carregando troncos de árvores na madeireira do reformatório, mal da tempo deles chegarem, ela cai desmaiada de exaustão no chão. Lucas corre ao seu encontro, desesperado junto com os outros, berrando.

– Esses nazistas perderam a nação do perigo! Elisabeth vai se ver comigo, oh se vai! Ela prometeu quando mostrei as fotos que os castigos físicos iriam acabar!

– Só que eu descobri tudo! Purgantizinho! – Malva se revela australmente vindo do interior da madeireira.

Lucas se surpreende. Ela continua.

– Descobri tudo! Para você ver como um plano de um infante não derruba minha instituição em nada! Chantageou ela com as fotos, não foi? Pois de nada mais vale isso agora, por que eu já sei de tudo.

Lucas a enfrenta.

– Você pode saber, mas os jornais não. Agora que tenho liberdade posso muito bem dar um pulo na cidade com Irmã Letícia e entregar não só o que Elisabeth faz, como a farsa que é o seu reformatório. Quero ver se depois disso você vai ter mais algum pai interessado em matricular os filhos aqui! O jogo ainda não virou Malva Rosa!

E sai levando o corpo de Laila para o colégio dos sonhos, a vilã espuma de raiva com o enfrentamento. Balbucia.

– Quero ver só quando sua mamãezinha for presa, se você vai cantar de galo! Por que o que eu estou pensando em fazer com você moleque, é muito, mas muito pior do que fiz com a sua irmãzinha azeda! A lição dela não chega nem aos pés no da sua! Aguarde-me!

Instantes depois ela pega seu carro e zarpa para a secretaria da educação do município, onde por suborno, advogados de primeira, juízes da região, governador e o próprio prefeito a espera pacientemente.

– Não quero tomar o tempo dos senhores, longe de mim, mas o que me trouxe aqui hoje é uma denuncia muito grave. O colégio dos sonhos é uma fraude, a diretora de lá desviou investimentos públicos para ajudar uma única garota de rua que nem ao menos vínculos possui com ela, só fico pensando naqueles outros trezentos jovens, coitados! Vão sofrer o pão que o diabo amassou nas mãos daquela megera! Acredito que como cidadã eu tenho o dever de entregar essa pedalada fiscal e pedir sua substituição o mais de pressa possível pelo vice-diretor, o qual é testemunha ocular e honesta que assistiu a tudo, tentando o máximo conter essa pouca vergonha. André, por favor, entre.

E o homem que aguardara na recepção, aparece na sala, cumprimentando a todos.

***

Os meninos chegam pedindo socorro no Colégio dos Sonhos, Joaquina escuta tudo e se desespera com o estado de Laila a levando para a enfermaria do local. Lucas acompanha a freira e implora por ajuda.

– O que está esperando para denunciar essa mulher? Ela é perigosa! Descobriu o plano das fotos que depois te confidenciei! Se não falarmos a verdade, ela pode reverter esse jogo, mãe Joaquina!

A mulher se abaixou e acariciou o rosto do menino.

– Filho novo, tão querido, tão bem-vindo. Eu adoraria atender esse seu pedido, mas cheguei à conclusão junto com meus advogados que só a minha palavra não é prova suficiente. Essas fotos que conseguiu só mostra que Elisabeth não está apta ao cargo, que é uma maníaca sexual. Eu fiz de tudo que pude, Deus sabe o quanto eu quis isso, mas não temos provas de Malva para vê-la presa.

Lucas contestou.

– Mas deve ter algum jeito! E tudo que eu passei lá, o que Laila está passando e a Débora, tem prova mais viva que a Débora que perdeu todos os dentes?

Joaquina explicou.

– Não é simples assim. A perda dos dentes dela só comprova que foi arrancado, mas não comprova com impressões digitais, por exemplo, que Malva está envolvida com isso. Os alunos de lá são doutrinados desde longa data para mentir para os analistas, para os próprios familiares da qualidade do local. Quem dera os delegados de polícia. Precisamos de algo mais concreto, eu sinto muito.

E saiu entristecida. O rapaz sentiu-se mal e foi amparado por Robson que deitou sua cabeça em seu peito, envolvendo-o com os braços.

– Calma, meu amor. Vamos resolver juntos, essa história!

***

Malva abre a porta de seu quarto e se apavora ao ver Marcio Guerra morto ensangüentado, baleado em seus lençóis albaneses legítimos. Na beira da cama um bilhete sarcástico, revela a autora do crime.

A vilã empurra a sala da vice-diretoria esbravejando de cólera.

– Como se atreve a matar aquele brutamonte carcamano em cima da minha cama? Sua desmiolada!

Elisabeth ri.

– Ora, chefinha, não foi o que me pediu?Eu disse que faria tudo por esse cargo, não disse? E além do mais, eu tinha que provar que tive coragem de matá-lo, como iria mostrar para a senhora? Não se esqueça hein, a senhora me prometeu o dobro do salário caso eu fizesse tal feito!

Malva fica triste consigo mesma.

– Falei é? Bom, se eu falei então tá falado! Mas fique a senhora sabendo que não vai estragar o meu dia, ouviu? Tenho notícias ótimas para os negócios!

E saiu cantarolante rumo a sua sala. Assim que fechou a porta, Elisabeth ligou baixinho para Marcio Guerra.

– Sua encenação foi ótima! Ela caiu direitinho no mel com o corante vermelho! Acreditou mesmo que era sangue! Fica tranqüilo que vou cumprir o plano, metade do salário será seu e poderá ficar em casa, tranqüilo. Longe de trabalhar. Sustentarei-te para fechar esse bico, hein? Caso ouse abri-lo de novo, eu cumpro a promessa da forma verdadeira, estamos conversados? Acho bom! Cabloco!

***

Já havia passado algumas semanas quando finalmente aquela manhã chegou. Débora tivera alta do hospital e fora recebida a aplausos na hortinha, em que Mãe Joaquina amorosamente ensinava os filhos a técnica de exsudação.

– Minha nossa senhora de Fátima atendeu minhas preces, você saiu do hospital, minha filha!

A menina correu ao seu encontro a abraçando, muitas crianças rodearam as duas, abraçando-as também.

– Muito obrigada Mãe Joaquina, muito obrigada a todos vocês, meus amores, sem vocês eu nunca mais conseguiria falar, conseguiria sorrir dessa forma, são meus heróis.

Chegaram ao refeitório, onde Gertrudes instruía as cozinheiras a servirem a mesa com um pão francês quentinho para cada um dos alunos, com uma fatia de presunto e mussarela torradinho por dentro junto com um café expresso maravilhoso. Débora se surpreendera quando vira Lucas e Robson se beijando, sentados a mesa a um canto. Ambos estavam ofegantes, tentando encontrar o timbre, ritmo de cada um no ato. Pigarreou brincalhona.

– Será que o casal me concede a honra de fazê-los companhia?

Lucas ficou boquiaberto com a presença da irmã, levantou-se e correu para abraçá-la. Ambos se emocionaram. Quando foi a vez de Robson, ela provocou.

– Cunhadinho querido! Quero que cuide muito bem do meu irmão, hein? Estou de olho em você!

– Pode deixar, ele está em boas mãos.

Lucas participou da brincadeira.

– Não estou na mão de ninguém, sou um cara independente, sem compromissos.

Robson cruzou o braço.

– Ah é assim? Pois então a partir de agora não tem mais beijo, Guimarães Junior!

E saiu disparate para a mesa, Lucas sorriu para a irmã, ela entendeu a mensagem e confirmou com a cabeça. Ele correu até Robson sem ele perceber e o pegou no colo.

– Ah, não tem mais beijo? Ladrão de livros! Pois então não vou deixar você descer, estará fardado aos meus braços e pior, também as minhas cócegas malucas.

E o pôs num banco, fazendo-o rir sem parar com tal artimanha. Mas as cócegas não duraram muito, uma equipe de profissionais públicos juntamente com um oficial de justiça chegaram ao refeitório, todos caminhavam na direção de Joaquina, a qual conversara com Gertrudes.

– Algum problema? Governador? O senhor por aqui?

A beata estranhou.

Malva sai no meio deles, encarando a irmã deslumbrantemente.

– Você não sabe como eu sonhei com esse dia! O que está acontecendo, querida maninha, é a mais pura justiça. Ela tarda, mas não falha. Diga para ela, André, o que ela será a partir desse exato momento.

Joaquina ficou espantada ao saber que o filho passara para o lado de Malva, no entanto, ele não demonstrava nenhum arrependimento, nenhuma emoção por ter feito isso, olhava para a mãe com desprezo, de cima a baixo, seu olhar escuro o fazia um psicopata.

– Acabou seu circo, mãe. Todos souberam do seu desvio de dinheiro para ajudar à maltrapilha. Você está sendo impeachmada do cargo da diretoria, sua despreparada! Vai responder um sério processo sobre isso e desse modo a partir de agora eu assumo tudo por aqui, não é tia querida?

Malva respondeu.

– Isso mesmo, meu doce.

Joaquina estava incrédula pelo que estava acontecendo.

– Você arquitetou um plano pelas minhas costas, André Augusto? Com essa mulher que te jogou num manicômio em outro país, que forjou sua morte? Só para me derrubar do cargo da diretoria? Seu golpista ordinário!

E o estapeia com fervor. André a encara com cinismo.

– Pode bater o quanto quiser, a partir de hoje, seus filhos vão ter ótimas condutas de se orgulhar, com muito amor, assim como tia Malva faz no seu reformatório exemplar. Mande notícias da cana, coruja velha!

O delegado dá ordem para seus homens e eles a prendem. As crianças se desesperam. Débora se apavora. Serelepe fica petrificado. Batista encara a cena em lágrimas. Luana sente-se vingada. Laila se escora na parede. Robson observa tudo calado. Lucas encara a cena com raiva.

 

CONTINUA…

Charlotte Marx
Campineira. 26 anos. Estudante de medicina. Autora e divulgadora do Cyber Séries. A escrita para mim é uma companheira da madrugada, a qual surpreendentemente assume o piano e me encanta com suas nuances. Inseparável da arte, esta só viva quando se pode voar e ser quem desejar. Sou viciada no que faço!Ler, por sua vez, é personificar o universo, é observar o amadurecimento de uma planta chamada vida. É amar veladamente o intracelular.