Eterno canto: Capítulo 13 – Em erupção

Eterno canto: Capítulo 13 – Em erupção

No capítulo anterior: 

Lucas e Débora ficaram incrédulos com a liberdade da mãe e pedem para Zeca tomar cuidado. Carla quase confessa ao caminhoneiro seu suspeito(a) sobre a morte do marido. Débora conhece a equipe de Paçoca e se junta ao rapaz no mundo dos furtos. Valentina foge da prisão e surpreende Carla, no meio da tentativa de estupro, Zeca aparece para salvar Carla, mas acaba, num acidente, despencando de nove andares.

***

Carla observa o corpo de Zeca, em silêncio por alguns segundos. Aquele homem que a libertara da prisão, preocupara-se com seus filhos estava morto agora e nada, nem ninguém poderia reverter isso. Virou-se para Valentina que se recomponha.

– O que você fez sua demônia? Como pode dar esse fim tão trágico ao homem que me estendeu a mão!

Valentina tentou tomar as rédeas da situação.

– Eu não tenho culpa se o vovô pulou para cima de mim para te defender, foi um acidente!

Carla começou a estapeá-la com muita raiva.

– Eu te odeio! Te odeio! Eu nunca vou dormir contigo, nunca!

Valentina conteve suas mãos.

– Isso a gente vê depois! Agora precisamos dar o fora daqui, vai feder a situação!

E vestindo sua camiseta, saiu disparada pela porta. Carla perdeu-se por alguns segundos, mas depois viu que não havia escolhas, foi atrás. Saíram pelos fundos e pularam o muro, a sorte fora que a cerca elétrica estava desligada para manutenção.

***

Débora e os meninos chegaram a uma grande avenida, aos fundos alojava-se uma mansão clássica rodeada por seguranças.

– Eu só espero não me arrepender de tê-los trazido.

Disse Paçoca num tom de preocupação. Débora o contrariou.

– Não ligue, tudo vai dar certo! Somos fortes!

Sapato revisou o plano.

– Agora que conhecem a mansão! Não se esqueçam que a troca de segurança ocorre às dez da noite. O que vai entrar é um substituto já me informei, um rapaz sem experiências. Rato vai atraí-lo fazendo-se passar por um mendigo morto de fome, enquanto Juca vai pular o muro pela vizinha e enganar outro segurança. Só restará mais um que está na varanda, esse saí com a filha da padeira, sua mulher não vai gostar nenhum um pouco quando mostrar a foto que fiz. Nesse tempo você Débora corre lá em cima e entra no quarto de Madame Virgínia e rouba as jóias que segundo o antigo mordomo, demitido por uma armação da sobrinha da anfitriã após ele recusar seus galanteios, estará no closet, na segunda gaveta azul à direita. Não tem erro!

Lucas sentiu-se diminuído.

– E eu? O que eu farei?

Sapato riu.

– Como pude me esquecer, você ficará no corredor do segundo andar dando cobertura. Danilo e Paçoca aos fundos, vigiando a mansão por fora. Ficarei no térreo, caso alguma coisa acontecer, a gente se comunicar por mensagens. Por favor, deixem esses celulares no modo de vibração, não queremos chamar atenção. (e entrega aos irmãos)

Débora consentiu ainda encabulada por ter que roubar. Mas era uma questão de sobrevivência.

***

A lua já havia pronunciado quando Ivette chega ao prédio de seu pai desesperada com o acontecimento, o local está tomado por jornalistas e policiais. Ela corre ao encontro do porteiro Will.

– Onde está o meu pai? Eu preciso vê-lo, ele tem que resistir!

O homem a abraçou, carregando-a para o jardim, onde uma faixa amarela isolava o local do crime. Peritos tiravam fotos e mais fotos do cadáver de Zeca. Bolonha jogou-se ao chão, não acreditando no que estava vendo.

– Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!!!

Will a abraça.

– Eu sinto muito, mas ele já não está entre nós!

Ivette não acredita.

– Não é possível, isso não pode estar acontecendo! Eu vi meu pai hoje no café da manhã!

Ela olha para cima e percebe que a luz do apartamento do seu pai está acesa. Como isso foi acontecer?

Repórteres se aproximam feito abutre para entrevistá-la, mas os policiais e Will impedem. A proprietária acaba desmaiando no meio de tanta emoção.

***

Carla cansa de correr e Valentina a puxa para o matagal.

– Para onde está me levando?

– Já, já, você vai saber!

Eles desembocam em um velho casebre de madeira, próximo a antiga estrada que levava para a cidade vizinha. À beira da porta, encontra-se um Chevette enferrujado. A presidiária acende a luz.

– Entre! A casa é sua!

A matriarca reluta um pouco antes de adentrar. O único cômodo existente revela-se incrivelmente mais longo que imaginava. Um canto apresenta pia e fogão embutido, do outro uma enorme lareira, próximo a porta, uma cama de casal e adiante um acortinado para necessidades. Definitivamente, um lar.

– Se quiser alguma coisa para comer, boneca. Pode pegar na geladeira, tem salame aí dentro. – E a beija molhadamente no rosto, Carla limpa de nojo.

A detenta, então, pega o celular escondido em uma das frestas e disca para Janaína, sua cúmplice na fuga.

– Sim, colega, já encontrei o que procurava, acho que agora podemos dar prosseguimento as plantinhas. Amanhã pode passar aqui logo cedo. Só precisa me garantir daquele negócio com a empresa de fumo, quero faturar alto ali. Valeu.

Carla se impressiona ao saber do dinheiro. A valentona desliga e pega uma lata.

– Quer breja?

Ela pensa um pouco e aceita. Talvez consiga mais informações sobre o tal acordo da venda, que ao tudo indicava, era maconha.

***

Ivette acorda e percebe que está em uma maca enrolada no cobertor, levanta-se e encara o edifício, ainda não acreditando no que estava acontecendo. Os jornalistas já haviam ido embora, Will se aproximou.

– Que bom que acordou! Fiquei preocupado, você apagou!

Ivette quebrou seu silêncio.

– Escute Will, meu pai já não vinha para cá por um tempo, alguma coisa o motivou a estar aqui?

O homem confessou.

– Eu iria conversar isso com você! Ontem de noite, trouxe uma senhora para cá, ao que tudo indicava a iria emprestar o apartamento por algum tempo.

Ela surpreendeu.

– Uma senhora?

Ele confirmou.

– Sim!

– Mas você sabia o nome dela?

Ele negou.

– Seu pai não disse nada. Só pediu para dar assistência! Parece que ele a tirou da prisão por causa dos filhos que fugiram para rua, estão mexendo com drogas.

Ela balançou a cabeça num tom de reprovação.

– Meu pai e suas amizades. Ela estava no apartamento na hora que tudo aconteceu? Onde ela está agora?

Ele deu de ombros.

– Não sabemos! A polícia também achou estranho ela ter sumido justamente na hora. Acham que talvez possa a ter alguma coisa a ver com o fato.

Ela esbugalha os olhos.

– Como você só me conta isso agora? Estão suspeitando de assassinato?

Ele confirma. Impulsiva como sempre, ela larga as cobertas e entra em seu carro estacionado, ele tenta ir atrás, mas ela escapa.

***

O relógio da igreja entrega dez badalas. Débora aparece na esquina da calçada oposta. Paçoca a joga contra a parede, roubando-lhe um beijo.

– Tem certeza que quer fazer isso?

Ela o encara e confirma.

– Tenho.

O porteiro abandona a mansão e cumprimenta o novato que chega com seus pertences. Eles conversam por algum tempo. Sapato faz sinal para Juca se posicionar em cima do telhado. O segurança entra em seu carro e vai embora, o garoto se adentra na cabine para trocar-se. Rato surge do outro lado da rua, na mesma calçada da mansão, já com as vestes maltrapilhas que Paçoca o arrumara. Sapato ri com o visual do amigo que o devolve mostrando o dedo do meio. O novato sai com o uniforme e liga a lanterna, sentando-se em um dos bancos de vigia. Sapato faz sinal para o Lucas e Débora que despede do amado com mais um beijo bandido. Eles vão para a viela que dá acesso ao telhado da vizinha. Danilo encontra Paçoca. Junto de Juca, Débora e Lucas, Sapato faz sinal para Rato começar o plano e assim ele o faz, gritando do lado de fora do portão chamando a atenção do menino, dizendo estar com muita fome.

***

– Então, quer dizer que está fechando negócio com uma empresa chinesa?

Valentina confirma.

– Isso mesma, princesa. Janaína, uma velha amiga de infância virá aqui amanhã me passar às coordenadas para a entrega, ela é intermediadora desses processos, vou faturar alto com isso. Cuidou de tudo quando estive presa. Minha plantação está como nunca.

Carla esboçou um ar de falsa felicidade. Não via a hora de pegar aquela grana e tirar seus filhos daquela cidade. Mas foi surpreendida com um gesto letal da detenta que quebrou o copo e agarrou-a de jeito, jogando-a na cama.

– Mas o que é isso? Me solta, Valentina! Para com isso! Você está me machucando!

A detenta bateu sua cabeça na parede e a fez perder os sentidos, despindo-a de uma só vez e abusando.

***

Ivette invade a delegacia, totalmente eufórica.

– Cadê o delegado, eu preciso falar urgentemente com ele!

A recepcionista tenta acalmá-la e acaba um segurança aparecendo, no meio da confusão, o delegado surge.

– Mas o que está acontecendo aqui? Ivette?

Ela despeja a que veio.

– Eu preciso falar com o senhor, àquela mulher que o soltou matou o meu pai!

Closet no rosto do rapaz, surpreso.

***

O novato abriu o portão e ouviu o apelo do rapaz, compadecendo. Nesse instante, Sapato que chegava por trás o dopou com um lenço encharcado de éter, o homem desmaiou. Entraram e arrastaram o corpo do rapaz para de trás da cabine. Juca pulou o muro e um dos seguranças o enxergou, perseguindo-o. Na entrada, o último descansava quando se surpreendeu a encontrar Sapato.

– Como entrou moleque? – Precipitou-se a pegar o porrete!

– Eu se fosse o senhor não faria isso! Acho que sua mulher não ia gostar nada de saber o quê o maridinho dela faz quando chega tarde a casa.

E o entrega o celular com a foto, cínico. O homem se desespera.

Débora percebe que a barra está limpa e puxa o irmão, eles saltam o muro e se adentram pela porta da sala, pelas costas do segurança.

– Segundo andar, maninha!

Ela sorri por tê-la lembrado no meio do nervosismo. Era sua primeira experiência, poxa!

Eles sobem a escada sem dar bandeira e chegam ao corredor. Virgínia que hidrata o rosto na escuridão de um dos banheiros, percebe a sombra deles.

– Meu Deus, um assalto!

Ela olha pela janela e percebe que os três seguranças estão detidos de algum modo, entra em pânico. Puxa então a barra do chuveiro.

Débora pede para o irmão esperá-la do lado de fora e entra no quarto procurado.

– Onde preciso ir agora? Closet! É isso!

Ela puxa a maçaneta. Virgínia esgueira-se por trás de Lucas e o golpeia. O menino cai desmaiado no chão. Cochicha.

– Seus pilantrinhas! Armaram um esquema, né? Pois eu vou acabar com vocês!

Ela empurra a porta do quarto, abrindo a gaveta do criado e por baixo das roupas, retira um revólver. Débora encontra a gaveta azul e seus olhos faíscam ao verem as esmeraldas. Eram fabulosas!

Nesse instante, a luz do cômodo se ascende. Ela se vira assustada e Virgínia a domina com um revólver.

– Pensou que ia fugir com minhas esmeraldas gregas? Sua bandidinha! Enquanto você está indo, eu já fui e já voltei mais de mil vezes. Pensa que consegui essas jóias, como? Desviando bastante as doações para uma campainha de crianças especiais. Já ouviu falar em Criança Esperança?

A menina se enoja com o que acabara de ouvir. Não iria entregar os pontos assim, agora que chegara até lá, só largaria as jóias se morresse. Era uma questão de honra!

Virgínia riu, destravando a arma.

– Vou te devolver ao mundo podre de onde veio! Controlar natalidade dos pobres beberrões, sabe como é? Formigam em progressão geométrica! Não haverá alimento para todo mundo!

Quando foi atirar, ouviu uma voz.

– Eu se fosse à senhora não teria tanta certeza disso!

Virgínia se vira surpresa e Paçoca a golpeia com um soco inglês, ela larga a arma urrando de dor.  Eles correm levando as jóias, a menina puxa o irmão desacordado, Bruno troca tiro com alguns seguranças, porém, Sapato é atingido no peito ao fugir do local e Paçoca sente por não poder ficar e ajudá-lo, Bento Sapato perde muito sangue e acaba morrendo. No final, fogem.

O dia amanhece…

Valentina joga o prato na mesa de bacon e ovos cozidos que fizera para o café da manhã. Os cabelos bagunçados da matriarca não negam seu estado.

– Que foi, princesa? Ainda está magoada comigo? Mas a gente combinou, não combinou que ficaríamos juntas? Agora temos um pacto, só nosso, vou te dar quinze porcento de toda essa grana, poderemos fugir e ser felizes! Muda essa cara, vai! Vai dizer que não foi bom?

Carla sentia-se asco de si mesma ao recordar-se daquela cavala a tocando, aquele cheiro forte impregnando sua pele, subindo pelo pescoço. Correu para a pia e vomitou. Valentina se preocupou.

– Você está bem?

Carla maquinou: Precisava livrar-se daquele encosto de uma vez por todas! Olhou-a padecida.

– Na verdade não acordei muito bem, estou com uma tontura estranha, acho que preciso de remédio.

– Puxa, não tenho nada aqui! Está com febre? – E pôs a mão na sua testa.

– Não estou com o febre, só preciso de remédio para enjôo. Se importa me passar a chave do carro, dirijo até uma farmácia próxima!

Valentina pegou a chave e pensou por um minuto.

– Não! É melhor eu ir lá para você! Fica aqui descansando, não demoro.

E guardou a chave, Carla viu.

– Não vai de carro?

– Não há necessidade, está com pouca gasosa, é capaz na volta engatar o motor! Volto num pulo.

Assim que bateu a porta, Carla correu para a fresta, na qual estava a chave. Era agora ou nunca!

Valentina já andara alguns metros quando escutou um acelerar, virou-se e percebeu que Carla avançava em sua direção com o Chevette, correu desesperada, mas não conseguiu evitar que a mulher a atropelasse. Machucada, tentou se reerguer, mas Carla deu ré no carro e passou a roda por cima da detenta. Valentina sofria pelas costelas quebradas, mas ainda estava viva. Levantou a mão, trêmula, num gesto de piedade. Carla a enxergou de novo e passou mais uma vez com a roda do carro.

– Vai para o inferno, sua imunda! Morre logo!

Ouviu um gemido e para certificar-se passou novamente por cima, depois de novo e de novo até escutar o desossar completo.

Em silêncio, abriu a porta do Chevette e sorriu com o que viu. Valentina estava irreconhecível, pedaços de roupas ensangüentados misturavam a tecidos compactados no asfalto, um banquete de carnificina. Buscou as luvas, enxada e a pá no porta-malas.

***

No galpão, Débora chorava abraçada a Paçoca.

– Só de pensar que aquela bruxa fascista vai largá-lo num valão de esgoto a céu aberto e não podemos impedir! Ele não merecia isso, Paçoca, não merecia!

Ele enxugou suas lágrimas.

– Eu disse que não iria estar preparada para isso. Algumas vezes isso acontece! Perdemos nossos amigos!

Ela o abraçou.

– Mas não podia ser desse jeito! Aquela vaca recitou Malthus na minha cara, era ela que deveria estar morta agora, ela!

Juca aproximou e cortou a conversa.

– Só para confirmar, chefe! A Chearlux vai usar o galpão para uma negociação, pediu para desocupar-mos até às treze horas.

– Certo. Obrigado Juca!

***

Carla deu a última enxadada, afofando a terra que havia enterrado os restos de Valentina quando a campainha da casa tocou. Ela abriu e uma argentina apresentou-se como Janaína!

– Deve ser Carla, Val falou muito de você! Aliás onde ela está? Temos um negócio a tratar!

Carla estremeceu de medo.

– Ela teve que ir a cidade comprar alguns remédios para mim!

Janaína deu-se liberdade de aconchegar-se no sofá.

– Pois então eu espero! Suponho que ela não deve demorar!

A dona-de-casa apavorou-se.

– Na verdade, ela vai demorar sim! Depois vai a peixaria comprar escarpas para o jantar, vai ao banco ver sua conta e deve ainda dar um pulo no cinema!

Janaína estranhou.

– No cinema?

Carla confirmou.

– Pois é. Parece que está passando um filme que ela adora. Chama-se Cinqüenta tons de cinza!

Janaína levantou-se de um salto, arrumando as vestes.

– Não vou poder esperar tudo isso! Val como sempre com a cabeça nas nuvens! Não queria confiar isso a uma novata como você, mas não terei outra escolha! Aqui está um envelope com o endereço do galpão que a Chearlux, a tal empresa chinesa interessada na venda de maconhas, vai estar. Você deve saber, é amante dela. Diga-a para estar no horário marcado! A interessada quer toda a leva!

Carla confirmou dar o recado e Janaína desapareceu pela porta da sala. Agora, conseguiria dinheiro para ir embora com suas crianças!

***

Faltavam dez minutos para as treze horas, quando a galera da gangue de Paçoca já estava preparando para sair, limpando o local. Débora que usara o banheiro, não percebeu que a porta estava arreando e acabou ficando presa. Um opala negro chegou ao galpão. A mulher que o dirigia desceu o vidro fumê e entregou a Rato a quantia pela faxina, ele sorriu agradecido. Todos já estavam para fora, quando Paçoca deu-se conta que Débora havia desaparecido. Estaria ainda lá dentro?

A menina tentara com todas as suas forças desemperrar a porta, mas não conseguia, bateu desesperada, mas ninguém ouviu. Carla estacionou o Chevette, estava disfarçada com um lenço e óculos escuros, empurrou a grade. Os meninos perceberam que o veículo estava rodeado de maconha. Paçoca preocupou-se.

– Onde está você Débora? Que não atende esse celular!

Lucas respirou fundo. A chinesa percebera que um aparelho vibrava em cima de uma mesa e fez questão de quebrá-lo com o salto do sapato. Não queria ninguém metido nisso! Carla abriu o portão de ferro, avistou a mulher e subiu as escadas.

Débora encontrara um pé de cabra atrás da pia, por sorte, e conseguira sair do banheiro.

– Trouxe o que me pediu, as ervas estão no carro! Quero a mala com o dinheiro!

A chinesa abriu-a em cima da mesa e verdinhas apareceram. Carla precipitou-se para pegar, mas a empresária fechou.

-Você não é Valentina, certo?

Carla gelou.

– Sou amiga dela, vim ao seu lugar!

A chinesa riu.

– Não gosto de fazer negócios com pessoas estranhas, não tenho muita confiabilidade. Anonimato é um perigo!

– Você pode ir comigo até o carro se quiser, fiz tudo como combinamos!

A interessada riu outra vez.

– Você não entendeu a minha mensagem, logo percebo que é inexperiente no ramo! Como posso confiar em você?

Carla explicou.

– Eu sinto muito se Valentina não pode vir, estava muito ocupada com outros afazeres, pediu-me para vir no lugar.

A outra soltou uma gargalhada.

– Afazeres? Pelo que conheço de Valentina Bravo, ela não trocaria esse negócio por nada. Fazia tempo que mandava sua secretária me sondar e conseguir fechar negócio. Relutei muito até aceitar.

Carla tentou parecer simpática. A oriental continuou.

– Sabe que gostei de você! Tem um humor peculiar, altamente hilariante, é formidável!

Carla agradeceu.

– É uma pena que tenha a matado! Poderiam ser felizes juntas, não é Carla?

A dona-de-casa cambaleou. Como ela conhecia seu nome? Como havia descoberto de tudo? Débora ouviu.

Janaína saiu de uma sombra.

– Pensou que a gente não fosse descobrir que a enterrou a sangue frio depois de atropelar a coitada até a morte?

A menina se escondeu e se chocara ao perceber que era sua mãe.

Carla tentou se defender.

– Eu não sei o que vocês estão dizendo, deve ter havido algum engano…

A chinesa pronunciou.

– Sabe muito bem sim! É uma pena Carla, que uma mulher tão jovial tenha que acabar desse jeito!

Puxou a arma da calça. Débora estacou. Carla petrificou.

– Mande notícias, nossa! Valentina adorará saber que fizemos valer a sua memória!

E meteu-lhe cinco tiros sem pestanejar. Débora correu ao encontro do corpo da mãe, desesperada, para surpresa das duas. Lucas invadiu o galpão. A matriarca agora estava morta.

 

Charlotte Marx

Campineira. 26 anos. Estudante de medicina. Autora e divulgadora do Cyber Séries. A escrita para mim é uma companheira da madrugada, a qual surpreendentemente assume o piano e me encanta com suas nuances. Inseparável da arte, esta só viva quando se pode voar e ser quem desejar. Sou viciada no que faço!Ler, por sua vez, é personificar o universo, é observar o amadurecimento de uma planta chamada vida. É amar veladamente o intracelular.