Dupla Face: Episódio 12 – Mudanças virão

Dupla Face: Episódio 12 – Mudanças virão

Sandra abre os olhos, deitada numa cama confortável, localizada em um quarto arrumado e bem iluminado pelos raios de Sol. Ela parece estar surpresa com o lugar, senta-se na cama sentindo dores na cabeça, ao olhar sua perna, vê curativos:

Sandra – Meu Deus!

José Carlos entra no quarto:

José Carlos – Bom dia!

Sandra fica surpresa e um pouco envergonhada:

Sandra – Bom dia!

José Carlos segue em direção a TV do quarto:

José Carlos – Você precisa ver isso.

Ele liga a televisão:

Uma reportagem sobre o acidente que Sandra sofreu está sendo exibida:

Repórter no local do acidente – A socialite Sandra Paes Medeiros, esposa do empresário Ernesto Paes Medeiros e sua amiga, Isadora Novaes, estavam na casa de praia da família Paes Medeiros, localizada numa região nobre e isolada do Guarujá, quando foram surpreendidas por um homem desconhecido, depois de agredi-las dentro da casa, ele as colocou no carro e seguiu caminho por essa estrada, mas com a chuva forte de ontem, a pista estava molhada, o que acabou causando o acidente!

José Carlos vê a reportagem atento e intrigado. Sandra assiste tudo com revolta:

Repórter na TV – Os detalhes do crime foram contados por Isadora Novaes, amiga de Sandra Paes Medeiros, ela conseguiu escapar do acidente, pulando do veículo ainda em movimento antes do capotamento, houve explosão, o corpo do suspeito foi encontrado carbonizado dentro do veículo, mas o até o momento, o corpo de Sandra Paes Medeiros ainda não encontrado no local do acidente. As buscas continuam até o final da tarde de hoje.

A reportagem termina e Jose Carlos chocado, tenta entender:

José Carlos – Foi um sequestro?

Sandra – Não foi sequestro coisa nenhuma, é tudo mentira da Isadora, ela armou tudo pra mim.

José Carlos – Sua amiga?

Sandra – Definitivamente ela não é minha amiga. Esse cara era cúmplice dela. Ela e eu pegamos uma briga no banco de trás, então ele acabou perdendo o controle.

José Carlos senta-se ao lado de Sandra:

Sandra – Estavam me levando pra algum lugar, onde pudessem me matar.

José Carlos fica surpreso:

José Carlos – Minha nossa! Porque queriam te matar?

Sandra – Por causa do mal do mundo, o dinheiro! A Isadora, é amante do meu marido, eu descobri tudo.

José Carlos – Quanta maldade, tem que ser muito ruim pra planejar algo assim.

Sandra se emociona:

José Carlos – Vocês já se conheciam antes?

Sandra – Em 1989, morávamos na mesma cidade, no interior do Paraná. Meus pais morreram numa enchente. Eu tinha apenas 15 anos, foi então que os pais da Isadora me ajudaram, cuidaram de mim. Ela era uma menina quando a conheci, tinha só 10 anos de idade, nos dávamos muito bem. Ao completar 18 anos, senti necessidade de mudar de vida. Vim pra São Paulo, trabalhei muito pra chegar aqui. E

José Carlos – Você não vai denunciá-la? Afinal isso tudo, são crimes, crimes graves.

Sandra – Ainda não, primeiro preciso investigar, preciso conseguir provas contra ela. Eu sinto muito pela minha filha, deve estar sofrendo muito, mas quero justiça.

José Carlos – Não seria melhor deixar isso a cargo da polícia?

Sandra – A polícia é inútil nesse caso, não há provas pra incriminá-la.

José Carlos – Eu moro sozinho, não tenho filhos, não sou divorciado, nem viúvo. Se você quiser, pode ficar aqui na minha casa, eu acho que posso te ajudar nisso.

Sandra sorri:

Sandra – O senhor é muito gentil.

Sandra se assusta:

Sandra – Meu deus, eu não perguntei o seu nome!

José Carlos sorri:

José Carlos – Me chamo: José Carlos Pedrosa!

Sandra – Muito obrigada por tudo Doutor. Bom… vou me virar logo,logo, mas por enquanto, eu aceito ficar aqui, confio no senhor, mas por favor, não diga jamais nada sobre mim, quero que pensem que estou morta!

José Carlos – Será um prazer. Não precisa me chamar de doutor ou senhor.

Sandra sorri:

Sandra – Ah… ok, obrigada! Sabe, preciso, tenho sede de justiça! não vou deixar barato.

José Carlos demonstra concordar.

Na casa dos Paes Medeiros, Renata conversa com a empregada Fátima na cozinha da casa:

Fátima – Eu ainda não acredito que isso aconteceu.

Renata chora:

Renata – Algo me diz que, foi tudo planejado.

Fátima – Mas, não foi a dona Sandra quem planejou a viagem?

Renata – Foi Fátima, só que… depois do jantar, eu flagrei a Isadora no quarto, falando com alguém ao telefone, xingando minha mãe, falando absurdos dela.

Fátima fica chocada:

Fátima – Meu Deus! Ai filha, será que ela… conhecia o tal homem que morreu queimado?

Renata – Isso é o que vou descobrir, aquela mulher é muito misteriosa, mas ela não perde por esperar.

Fátima – Outro dia, já anoitecendo, eu estava largando e vi um homem a segurando forte, irritado com ela.

Renata fica surpresa:

Renata – O que? Onde?

Fátima – Quando a dona Sandra estava com você no Hospital, no Rio de Janeiro, foi aqui nessa rua, no muro da casa.

Renata fica chocada:

Renata – Mentira…

Fátima – Ela falou que foi um assalto.

Renata – Meu Deus, eu não sabia disso. Ele estava armado?

Fátima – Eu não vi. Quando apareci saindo da casa, ela gritou pra me pedindo socorro, pedindo que chamasse o porteiro pra ajudar, então o cara jogou ela contra o muro e saiu correndo.

Renata – E ele levou alguma coisa dela?

Fátima – Nadinha!

Renata toma um gole de suco:

Renata – Eu preciso investigar essa mulher, de onde veio, quem ela é, isso tá muito mal contado. Só peço a Deus que minha mãe esteja viva, não sei o que seria de mim sem ela, “Fatinha”!

Fátima abraça Renata, que chora:

Fátima – Oh, meu amor, em nome de Jesus, ela está viva sim. Você vai ver!

Nesse mesmo momento, Isadora está no banheiro de seu quarto, em frente ao espelho e sussurra demonstrando estar preocupada:

Isadora – Aquela desgraçada sumiu! Será que ela também escapou? Droga! Quem se ferrou foi o Marcelo! Mas pensando bem, até que ele mereceu, foi melhor assim, queria me fazer de trouxa. Ainda não superei essa história da Sandra ter descoberto tudo, ela ficou calada, disfarçou pra me pegar na casa de praia. Miserável! Por isso estava tão estranha no jantar. Mas uma coisa é certa, não posso mais vacilar. Não devo temer, se estiver viva, não terá provas contra mim, vou sair soberana e invencível como sempre fui.

Isadora sorri discretamente.

No mesmo momento, Ernesto está em seu quarto, deitado na cama, pensativo e intrigado, ele lembra de momentos bons que teve com Sandra, momentos em que eles se beijavam e se abraçavam. Ao retornar das lembranças, Ernesto senta-se na cama e uma lágrima desce seu rosto:

Ernesto – Meu coração é seu Sandra, mas meus instintos são incontroláveis, não sei como resistir a Isadora, não consigo.

Os dias e as noites correm, passando-se assim 8 meses, entre eles, um turbilhão de novos acontecimentos se destacam:

Em 1 semana – Giovanna e Gênesis comemorando a chegada do filho Gabriel.

Em 1 mês – A nova e boa fase do namoro entre Eduardo e Bruna e a mudança de visual de Sandra, agora com cabelo mais curto.

Em 5 meses – O início do trabalho de Renata na construtora

Em 6 meses – Ernesto e Isadora assumindo relacionamento, Sandra vasculhando as redes sociais de Isadora e pesquisando sobre sua vida em Curitiba.

A passagem de tempo termina com Ernesto colocando anel de noivado no dedo de Isadora.

Numa manhã, após 8 meses do sumiço de Sandra no acidente, Renata está pensativa em sua cama, logo, Fátima bate na porta de seu quarto:

Renata – Pode entrar.

Fátima – Bom dia querida!

Renata – Bom dia “Fatinha”!

Fátima – Já são 9 da manhã! Não vai se arrumar?

Renata – Não vou.

Fátima – Conhecendo você, sei que não quer, mas precisa ir, apesar de tudo é o seu pai, não vai ficar bem pra ele, já pensou? um empresário bastante conhecido, sem a filha presente na festa de casamento?

Renata – Fátima, como ele foi capaz fazer isso? Minha mãe some por 8 meses e ele casa com a Isadora, como assim?

Fátima – Ah, eles acabaram se gostando.

Renata – Não. Tenho certeza que eles já tinham um caso, não é possível.

Fátima fica em silencio e indecisa:

Renata – Acho, que ela planejou tudo desde o primeiro dia que pisou aqui.

Neste mesmo momento, Isadora vestida de noiva, recebe os últimos retoques, uma grande equipe de profissionais da beleza, mechem com seu vestido e retocam sua maquiagem. Ao olhar-se no espelho Isadora fica encantada, e abre um sorriso de orelha a orelha.

Bruna e Rick caminham no parque do Ibirapuera:

Rick – E o namoro com seu “BOY PERFEITO”? Vai de vento em poupa?

Bruna – Claro!

Rick – Ainda?

Bruna – Como assim “Bi”? nós nos amamos, ele me ama.

Rick – Desculpa gata, mas eu nunca botei fé em vocês, comigo não tem falsidade, sou sincero, tô aqui te dizendo na lata.

Bruna – Nem eu mesma achava que ia dar certo. Já to com saudades!

Rick – Cade ele hein?

Bruna – Foi na universidade!

Rick – Dia de hoje? Sábado.

Bruna – Ele dá aula em Pós Graduação também!

Rick – Ah!

Rick para de caminhar e segura o braço esquerdo de Bruna:

Rick – E o coroa rico?

Bruna – Ai por favor Rick, não vamos estragar nosso fim de semana, amigo.

Rick – Seja forte mulher, vai ficar mal por isso? Olha, faz um tempão que você não me fala dele.

Bruna – Pra que?, falar daquele imbecil? que só quis me usar, estava ferrando meu relacionamento com o Edu. Não quero saber daquele traste nunca mais.

Rick – Ele tá casando de novo, hoje.

Bruna – Hoje?

Rick tira seu Smartphone do bolso:

Rick – Vi ontem na internet, peraí. Eu fiquei pretérito!

Rick procura a notícia na internet e mostra a Bruna:

Bruna – Gente… esse cara um safado mesmo!

Rick sorri:

Rick – E vê só, essa mulher que vai casar com ele, era amiga da ex mulher dele. Elas estavam juntas na casa de praia no dia do assalto.

Bruna – Estranho né… Ela não apareceu mais.

Rick – Pois é. Pra mim, essa bonita aí, já tava de olho no Ernesto.

Bruna – Apesar que ele é um “galinha”, não pode ver um rabo de saia. Espero que essa não seja tão burra quanto a outra.

Eduardo, caminha pelo estacionamento da universidade onde dá aula, ele entra no carro e tira do porta luvas uma caixinha preta e delicada, ao abrir, admira sorrindo, um lindo anel. Após alguns instantes, ele fecha a caixinha e repõe dentro do porta luvas, em seguida, dá partida no carro e sai do estacionamento dirigindo.

Em Curitiba, Sofia, filha mais velha de Luigi Villar, está em sua casa e lê um livro, sentada ao sofá de sua sala de estar, ao seu lado está seu esposo Gustavo. Após observar o silencio da esposa, Gustavo brinca:

Gustavo – Adoraria ter tanta concentração quanto você.

Sofia para a leitura e sorri:

Sofia – O problema não é você ou sua concentração, a história tem que ser boa.

Gustavo – Essa aí deve boa então, porque desde que começou a ler, deixei de ser a atração principal.

Sofia sorri:

Sofia – Ah para, seu bobo mentiroso!

Eles dão um selinho sorrindo juntos:

Sofia – Você é muito mais importante que esse e todos os outros livros do mundo.

Gustavo – Que bom!

Eles encostam testa com testa. Nesse momento, Amanda, irmã de Sofia, surge na sala:

Amanda – Ai meu Deus, cheguei no momento “LOVE” do casal, de novo!

Gustavo – Você sempre chega nessas horas sua chata!

Amanda – Impossível não interromper, você estão sempre se pegando.

Sofia – O que você quer agora maninha?

Amanda – Vocês viram o carregador do meu celular?

Sofia – Não. Você perde um “zilhão” de vezes.

Amanda – Pois, é, mas eu sempre acho, dessa vez, acho que escondi melhor!

Rosa, a empregada da casa, aparece:

Rosa – Eu acabei de ver lá na cozinha, Amanda!

Sofia – Olha aí, tá vendo?

Amanda – Na cozinha? Meu deus, eu não acharia nunca! Obrigada Rosa!

Amanda sai da sala e segue em direção a cozinha:

Rosa – Dona Sofia, atendi o interfone agora, tem uma mulher lá fora, ela falou que precisa falar com a senhora.

Sofia – Quem é?

Rosa – Ela não disse o nome.

Sofia e Gustavo se olham intrigados. Já do lado de fora da casa, eles caminham até o portão da casa, ao abri-lo, Sofia e Gustavo e deparam com uma mulher que eles não conhecem, trata-se de Sandra, com o visual diferente, cabelo mais curto e mais escuro.

Sofia – Bom dia!

Sandra sorri e retira do rosto, os óculos escuros:

Sandra – Bom dia! Você é … Sofia Villar? Filha do falecido Luigi Villar?

Sofia fica um pouco assustada e insegura, assim como Gustavo:

Sofia – Sim, sou eu mesma. Posso ajudar?

Sandra – Sim, pode ajudar muito.

Sandra a encara com olhar esperançoso.

Em São Paulo, Renata dirige pelas avenidas de São Paulo, ela está linda, arrumada, maquiada e os longos cabelos soltos, porém, sua expressão facial não é de alegria, ela conversa em seus pensamentos:

“Nunca vou me acostumar com esse casamento, não dá, não dá mesmo. O pior de tudo é ter que ir, mostrar pra todo mundo que está tudo bem”

Renata percebe o celular tocar e vê que é Giovanna, sorrindo, ela atende e coloca a ligação em viva voz:

Renata – Oi “Gi”!

Giovanna já está no jardim onde o casamento vai acontecer, ao seu lado está Gênesis, com o filho Gabriel nos braços, já com 8 meses de vida.

Giovanna – Oi amiga, onde você tá mulher?

Renata – Por mim, não iria não viu, mas a Fátima me aperreou tanto que decidi sair de casa. Tô chegando, cadê meu pai, já chegou?

Giovanna – O Gênesis e eu, chegamos há uns 15 minutos e ele já estava aqui.

Renata – Sei, se ele perguntar, diz que to chegando tá? por favor!

Giovanna – Tudo bem amiga. Olha, eu sei que é difícil pra você, mas… seja forte, você sempre foi. Seja você ok?

Renata – Estou tentando, gostaria muito de estar feliz com esse casamento, mas não dá. Vou desligar tá? estou dirigindo, a gente se vê, beijo!

Giovanna – Beijo!

Renata encerra a chamada e se descuida por um segundo ao colocar o celular no banco carona do veículo. Ela não havia percebido o semáforo fechar. Ao perceber, se assusta e imediatamente pisa no freio, mas mesmo assim, acaba batendo de leve na traseira do veículo a frente do seu. Já parada ela lamenta o acontecido:

Renata – Ah, mas que merda! Meu Deus! Só era o que me faltava…

O motorista desce de seu carro, olha o estrago na traseira e segue em direção ao carro de Renata que está aflita por seu erro:

Renata – Moço me desculpe, eu não vi quando semáforo fechou e …

Logo, ela fica em silêncio ao perceber que o tal motorista, é o mesmo homem que havia visto em sonho. Eduardo, é o dono do carro a frente, ele também a reconhece imediatamente e os dois trocam olhares confusos.

Wellyngton Vianna

Recifense, 23 anos, CEO fundador do CYBER SÉRIES.

“Escrever liberta, podemos criar, recriar e inovar. Podemos tornar públicas as nossas idéias”.

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