Dupla Face: Episódio 11 – Entre o céu e a terra

Dupla Face: Episódio 11 – Entre o céu e a terra

Dupla Face

Sandra está descordada em meio a chuva que continua a cair e o mato crescido que envolve o local onde seu corpo se encontra, alguns instantes sem sinal de vida e ela surge ao lado de si mesma, uma experiência quase morte acaba de se iniciar. Ela busca entender o que de fato acontece naquele instante e observa seu próprio corpo jogado ao chão sem expectativas:

Sandra – Eu… eu estou morta?

Sandra confere cada parte de seu corpo, tentando não acreditar que realmente está morta. Em cima do penhasco, na estrada, Isadora conta sua versão do acidente a um motorista que surge no local e Sandra, em seu estado espiritual, se aproxima olhando com indignação:

Isadora – Foi terrível moço! Minha amiga caiu lá junto com ele, ela está morta!

Isadora demonstra desespero:

– Calma moça, calma, mas como isso aconteceu?

Isadora – Fomos sequestradas, o cara nos tirou da casa de praia e nos colocou no carro dele, ele estava armado, não sabíamos o que fazer, o carro derrapou na pista molhada e capotou no penhasco. Minha melhor amiga está lá dentro, ela morreu queimada moço!

Isadora convence com seu drama, o homem pega na mão esquerda dela:

– Meu deus, e você está bem? Venha, saia da chuva, vamos chamar o resgate.

Isadora entra no carro dele. Sandra tenta de todas as formas ser percebida, mas está completamente invisível:

Sandra – É mentira. Por favor não acredite nessa mulher! Me escute, ela é uma assassina, ela armou tudo isso!

O homem não escuta nem ao mesmo percebe nenhum mover de Sandra e entra em seu carro do lado do motorista, com seu celular, liga para a emergência enquanto Sandra em desespero, bate no vidro da porta sem sucesso:

Sandra – Ela não ode ficar impune! Essa bandida desgraçada!

Ninguém ouve o barulho de tormento que Sandra provoca. Logo, Sandra percebe o tempo parar e em um abrir e fechar de olhos, surge em sua casa em São Paulo, no quarto de Renata que está deitada na cama ainda preocupada. Surpresa, Sandra observa o local e ao ver sua filha, vai ao seu encontro e senta-se ao seu lado na cama:

Sandra – Renata! Renata filha. Filha você tinha razão, a Isadora é terrível, ela é uma assassina. Por favor filha me escuta!

Renata é incapaz de vê-la, muito menos ouvi-la. Ao tocar tentar tocá-la, Sandra percebe que suas mãos transpassam o rosto da filha e fica impressionada:

Sandra – O quê? Não consigo tocá-la. Não posso ser ouvida nem vista!

Renata atende o celular:

Renata – Isadora? O que você quer?

Sandra fica pasma ao perceber que é Isadora no telefone. Isadora usa o celular do homem que se comprometeu a ajudar na estrada:

Isadora – Renata, por favor me escuta, eu preciso contar uma coisa muito séria.

Renata – O que foi?

Isadora – Aconteceu uma tragédia!

Isadora começa a chorar e deixa Renata nervosa e preocupada:

Renata – Que tragédia? O que você está falando, cadê minha mãe?

Isadora – Ela… acho que ela está morta!

Renata – O que? Mas que absurdo é esse?

Renata levanta da cama:

Renata – Que merda é essa Isadora, você está mentindo!

Isadora – Não, Renata, eu juro, nós sofremos um assalto na casa de praia, o cara nos sequestrou e acabamos sofrendo um acidente com o carro a estrada.

Renata com os olhos cheios de lágrimas fica em silêncio por alguns instantes e Sandra sofre ao ver a tristeza da filha com a situação:

Isadora – Você está aí, Renata?

Renata – O que você fez com ela?

Isadora – O quê? Você ficou louca?

Renata – Eu não acredito nisso.  Onde você está?

Isadora – Na estrada eu dá acesso à casa de praia, estou ligando do celular de um rapaz que parou pra ajudar, ele já chamou o resgate. O carro capotou, consegui pular a tempo, mas a Sandra não conseguiu. Eu sinto muito, entendo sua dor, eu jamais brincaria com uma tragédia dessas.

Renata solta o celular e cai ajoelhada chorando. Sandra ali espiritualmente presente, fica arrasada com o sofrimento da filha:

Sandra – Filha! Eu não vou, vou ficar com você.

Após alguns instantes, Renata levanta-se e sai do quarto correndo. Sandra a segue. Ernesto está em seu quarto preparando –se para dormir quando Renata entra desesperada:

Renata – Pai!

Ernesto se assusta:

Ernesto – O que aconteceu?

Renata abraça o pai chorando:

Renata – A Isadora acabou de ligar dizendo que elas foram sequestradas, o carro que elas estavam capotou.

Ernesto – O que?

Sandra entra no quarto encarando Ernesto:

Renata – Ela disse que a minha mãe está morta.

Ernesto fica em choque:

Ernesto – Morta? Mas como assim, que loucura é essa? De onde ela ligou?

Renata – Do local do acidente, Pai, temos que ir para lá agora mesmo.

Ernesto – Mas nessa chuva filha? Melhor acionarmos o resgate.

Sandra sente uma certa frieza em Ernesto e observa triste. Renata se afasta do pai.

Renata – De jeito nenhum! Se não vai, eu vou.

Ernesto – Não! Você não vai a lugar algum.

Ernesto levanta e fica à frente de dela, a impedindo de sair. Sandra observa continua a observar a frieza de Ernesto e Renata se impõe com firmeza:

Renata – Se você não se preocupa com ela problema é seu. Não vou ficar de braços cruzados. Ao contrário de você, eu amo a minha mãe!

Irritado, Ernesto grita:

Ernesto – Você só sai se passa por cima de mim!

Renata fica alguns instantes em silêncio, assustada com a atitude do pai, mas logo a empurra para o lado com toda força fazendo com que ele caia em cima da cama. Renata sai do quarto correndo:

Ernesto – Renata!

Sandra olha pra Ernesto indignada:

Sandra – Você está mostrando ser minha maior decepção, eu estou com nojo de você!

Renata entra em seu quarto, pega as chaves do carro em cima da cômoda ao lado da cama e sai em disparada. Do lado de fora da casa, ignorando a chuva, Renata entra em seu carro estacionado a frente da porta principal e acelera em direção a saída da casa. Já nas avenidas de São Paulo, com os cabelos molhados da chuva, Renata dirige em alta velocidade, ela continua a chorar no caminho:

Renata – Mãe, você não pode estar morta, por favor. Meu Deus, não a leve agora. O que vai ser de mim?

Na casa dos Paes Medeiros, Sandra procura por Renata e não encontra:

Sandra – Filha! Renata! Ai meu Deus ela já foi.

Ao descer as escadas da casa, Sandra vê na sala de estar, um homem sentado na poltrona e intrigada se aproxima. O homem ali presente é o falecido pai de Ernesto, Henrique Paes Medeiros. Sandra fica impressionada com a aparição:

Sandra – Seu Henrique?

Henrique sorrindo:

Henrique – Sandra! Que saudades!

Sandra – Meu Deus, é, é o senhor mesmo?

Henrique – Sim, pena que não posso dizer que estou aqui em carne e osso.

Ela dá uma gargalhada e Sandra acompanha:

Sandra – Definitivamente sim, é o senhor mesmo, sempre fazia piada com tudo. Que saudades!

Henrique – Sabe, estou aqui para lhe dizer que você não pode ficar por aqui, tem que voltar!

Sandra – Voltar para onde?

Henrique – Ué, para o seu corpo!

Sandra fica intrigada:

Henrique – Sandra, eu já passei por isso. Posso garantir, que você ainda não está morta.

Sandra triste revela:

Sandra – Acho que estou sim.

Henrique – Não, você está “entre o céu e a terra” ainda pode escolher.

Sandra fica surpresa:

Henrique – No meu caso, não tive escolha, já estava muito velho, cheio de problemas, mas você não, é saudável, forte, tem tanto para viver ainda…. Estou muito decepcionado com meu filho, achei que ele tivesse caráter suficiente para resistir a Isadora.

Sandra – Como sabe disso?

Henrique – Sei, de tudo! Não seja teimosa, pense na Renata, vai lá, vire esse jogo, desmascare a Isadora!

Sandra ouse com atenção, o conselho e de repente, no local escondido pra onde foi arremessada no acidente, ela abre os olhos, retornando assim ao seu corpo.

Extremamente debilitada e fraca, ela sangra pela boca ao tossir e sente grande dificuldade para andar já que está baleada na perna.

A chuva cessa. Isadora está sendo atendida pela equipe dos bombeiros que já atuam no local, ela parece estar nervosa, temendo que possíveis indícios do crime possam surgir. Dois bombeiros se aproximam do veículo já sem chamas:

Bombeiro 1 – Eita cara, só tem um corpo aqui!

Bombeiro 2 – Ué, mas a mulher falou que a amiga dela também ficou aqui!

Bombeiro 1 – Não está aqui, o cara tá todo carbonizado, mas só tem ele aqui!

A notícia, chega a Isadora:

Bombeiro – Moça, a senhora tem certeza que sua amiga ficou no carro?

Isadora cismada, questiona:

Isadora – Sim, claro, por quê?

Bombeiro – Não encontramos o corpo dela lá dentro! Apenas do acusado!

Isadora fica pasma e tensa.

Um carro passa pelo acidente, nele, está José Carlos Pedrosa, 48 anos, um conceituado Médico da capital paulista, ele está para próximo a um dos socorristas e desce o vidro do carro preocupado:

José Carlos – Com licença, eu sou médico, vocês estão precisando de ajuda?

Socorrista – Não, obrigado Doutor!

José Carlos – O que aconteceu?

Socorrista – Capotamento!

José Carlos – Alguém morreu?

Socorrista – Uma mulher escapou, um homem morreu carbonizado e uma outra mulher está desaparecida!

José Carlos – Minha nossa, que triste. Obrigado!

Ele fecha sobe o vidro do carro e segue caminho, ao dirigir por mais alguns metros, ele avista uma mulher subindo o penhasco com muita dificuldade:

Jose Carlos – O que é aquilo?

É Sandra, molhada e ferida. Imediatamente, José Carlos para o carro e desce assustado:

Jose Carlos – Moça! Senhora!

Sandra não consegue falar.

José Carlos – Meu Deus! estava naquele carro?

Sandra expressa sim com a cabeça quase desmaiando:

José Carlos – O Socorro está logo ali, vou te levar pra lá.

Nesse momento, Sandra abre os olhos e aperta o braço de José Carlos e expressão não com a cabeça chorando e tentando falar, mesmo com dificuldade:

Sandra – Não! Não!

José Carlos – Não?

Sandra tosse cuspindo sangue e reclama da perna:

Sandra – Não, por favor!

Jose Carlos – Você não está nada bem.

Ele vê a perna dela sangrando:

José Carlos – Isso aqui parece ser um ferimento a bala, foi de raspão, mas… você levou um tiro?

Sandra diz com muita dificuldade:

Sandra – Sim, tentaram, me matar.

José Carlos – Olha, eu sou médico, quer vir comigo? Pra minha casa.

Sandra – Sim.

Jose Carlos – Ótimo!

Ele a pega nos braços e a coloca deitada no banco traseiro de seu carro. Ele assume o volante e sai do local, alguns instantes depois, surge o carro de Renata que passa pelo carro de Jose Carlos, sem saber que nele está sua mãe. Renata para no local onde se concentra as equipes de resgate. Ao sair de seu carro, ela caminha aflita em direção a Isadora:

Renata – Isadora!

Isadora vira-se pra Renata:

Renata chorando questiona:

Renata – Me diz que é mentira, tudo isso!

Isadora – É mentira!

Renata fica surpresa:

Renata – Como?

Isadora – Ah querida…

Renata – Não me chama de querida!

Isadora – Desculpe, eu sinto muito, estou arrasada, você não sabe o que passamos nas mãos daquele bandido.

Renata – Cadê minha mãe?

Isadora – O carro explodiu!

Em desespero Renata questiona:

Renata – Ela tá lá?

Isadora – Não, O cara que nos sequestrou está lá, morreu, mas a Sandra ninguém encontrou. Ela sumiu.

Renata – Quê? Como assim sumiu?

Isadora chora, para convencer que também está desesperada:

Isadora – Eu não sei, eu pulei do carro antes que ele caísse lá embaixo, mas ela, eu não vi se ela pulou também.

Renata fica pasma:

Renata – Mas então cadê ela gente…

Isadora – Eu não sei, vivemos momentos de terror essa noite, você não faz ideia.

Renata observa cismada, o choro de Isadora, ela enxuga as lágrimas e com segurança diz:

Renata – Se eu descobrir Isadora, que você tem alguma coisa a ver com isso, eu sou capaz de te matar! Não tenha dúvidas.

Isadora fica perplexa.

Wellyngton Vianna

Recifense, 23 anos, CEO fundador do CYBER SÉRIES.

“Escrever liberta, podemos criar, recriar e inovar. Podemos tornar públicas as nossas idéias”.

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