Dupla Face: Episódio 10 – Indo, indo… Foi-se! (Virada)

Dupla Face: Episódio 10 – Indo, indo… Foi-se! (Virada)

Isadora não sabe como se sobressair da situação em que está, Renata, está inconformada com o que acabou de presenciar:

Renata – Você é mesmo do jeitinho que eu imaginava … que bom que já tenho certeza!

Isadora interrompe:

Isadora – O problema é seu! Quer saber mais? Eu não só acho sua mãe uma imbecil como você também, sua ridícula, você é muito fresca, em nenhum momento fui com tua cara garota!

Renata responde irritada:

Renata – Imbecil é você! Mulherzinha! Eu sei o que você veio fazer aqui, com aquele jeitinho meigo, cheia de simpatia…. Você não me engana!

Isadora – Quero que você se exploda!

Renata perde o controle e dá um tapa forte no rosto de Isadora:

Isadora – Ai!

Renata – Eu vou explodir sua cara de vagabunda!

Elas se agarram numa luta corporal intensa, elas gritam, com puxões de cabelo e unhadas até caírem no chão ainda agarradas. Alguns instantes depois, Ernesto e Sandra chegam ao quarto. Ernesto parte pra cima pra separar:

Ernesto – O que é isso? Parem com isso! Larga ela Renata! Larga!

Sandra – O que aconteceu? Gente, o que é isso?

Renata e Isadora se largam descabeladas e ofegantes:

Renata – Essa mulher é uma vagabunda!

Isadora – Ela está louca Ernesto! Sandra, sua filha é maluca!

Renata – Sua Vaca!

Renata desvia o olhar pra Sandra:

Renata – Mãe, coloca essa mulher para fora dessa casa, eu peguei ela falando mal de você no telefone. É uma falsa desgraçada!

Sandra olha pra Isadora preocupada e Isadora chora para convencer:

Isadora – Mentira! Sandra, eu jamais disse nada disso sobre você, ela está inventando.

Renata tenta bater em Isadora novamente e Ernesto a segura:

Ernesto – Ei, ei! Chega, parou com a palhaçada! Renata, isso é ridículo!

Renata – Ela é quem é ridícula! Mãe, você ouviu? Ela te chamou de imbecil e ainda repetiu isso na minha cara!

Sandra – Isso é verdade Isadora?

Isadora – Não, não é verdade, você sabe que ela não gosta de mim desde que cheguei.

Sandra – Filha, se acalme, vá para o seu quarto!

Renata – O que? Mãe, você não está acreditando em mim?

Sandra – Vai Renata! Leva ela Ernesto!

Ernesto arrasta Renata para fora do quarto:

Renata – Não acredito nisso! não, me solta Pai, Mãe!

Sandra se aproxima de Isadora que continua chorando:

Sandra – Como você está?

Isadora – Arrasada! Por favor, acredite em mim, eu jamais seria capaz de nada contra você, eu te amo, você é minha irmã de coração!

Sandra – Não se preocupe! Como eu havia lhe dito, a Renata tem um gênio muito forte.

Sandra abraça Isadora que sorrindo silenciosamente, comemora sua atuação e diz em seu pensamento:

“ Mais é trouxa mesmo viu”

No quarto de Renata, Ernesto tenta acalmá-la:

Ernesto – Ficou louca? O que deu em você?

Renata – Eu queria entender por que vocês são tão cegos… A Isadora não é confiável, ela é falsa, mentirosa, fingida!

Ernesto grita irritado:

Ernesto – Chega Renata! Pode parar, voce não vai conseguir nada tentando envenenar sua mãe.

Renata fica pasma com o que acaba de ouvir do pai:

Renata – Envenenar? Não acredito… o que você está dizendo?

Ernesto – Não saia daqui!

Ernesto sai do quarto e triste por ser desmentida e incompreendida pelos próprios pais, Renata chora.

Sandra e Isadora caminham pelo corredor e ficam frente a frente com Ernesto:

Ernesto- Tudo bem?

Isadora – Sim, obrigada Ernesto!

Ernesto – Desculpe por tudo isso.

Sandra – Amanhã, temos que ir para casa de praia, vamos esquecer tudo isso o que acha?

Ernesto – A Renata não vai gostar.

Sandra – Eu vou adorar passar um dia inteiro com essa mulher aqui, maravilhosa.

Isadora sorri pra Sandra e Ernesto fica meio que inseguro com tal atitude de Sandra.

Eduardo está sozinho em sua casa, ele dorme e acaba se deixando levar em um sonho:

Nele, Eduardo e Renata se beijam num banco de praça, o ambiente é lindo, grama verde em contraste com as folhas secas que correm com o vento, alguns instantes assim e logo Eduardo acorda surpreso e olhando em volta, percebendo que era mais um sonho:

Eduardo – Aquela mulher de novo, eu a vi hoje, era ela.

O dia amanhece. Um helicóptero sobrevoa as praias do Guarujá-SP, até aterrissar no heliporto, nos fundos da casa de praia dos Paes Medeiros. Sandra e Isadora saem dele sorrindo:

Sandra – Bem-vinda Dora!

Isadora – Nossa, é tudo tão lindo…

Sandra – Voce não viu nada!

Já dentro da casa, Isadora fica impressionada com a beleza e sofisticação do local:

Isadora – Sem palavras!

Sandra – E não temos empregados aqui, seremos só voce e eu!

Isadora sorri dizendo em seu pensamento:

“Ótimo querida hoje vai ser seu fim”

Lá fora, um carro pouco distante da casa para, não é ninguém mais ninguém menos que Marcelo, ele estava com óculos escuros dentro do carro e tira, para observar melhor a casa de praia:

Marcelo – Casarão viu…

Em São Paulo capital, Renata visita Giovanna no Hospital e admira o bebê no berçário:

Renata – Parabéns amiga, ele é tão lindo.

Giovanna – Gabriel!

Renata – Oh… também com a letra G. Lindo!

Giovanna – o Gênesis está besta!

Renata – Com essa coisinha fofa amiga, quem não fica? Voce não sabe, ontem peguei uma briga com a Isadora!

Giovanna – Discutiram de novo?

Renata – Não querida, dessa vez, meti a mão na cara dela!

Giovanna fica chocada:

Giovanna – Você bateu nela?

Renata – Faria de novo!

Giovanna – Menina… tô passada! O que houve?

Renata – Eu entrei no quarto dela e peguei ela falando mal da minha mãe no telefone, não sei nem com quem ela estava falando. Chamando minha Mãe de imbecil e tudo mais.

Giovanna – O quê?

Renata – Questionei a ela sobre, e sabe o que ela me respondeu? Que eu também era imbecil fresca e que não ia com a minha cara.

Giovanna – E aí?

Renata – Não pensei duas vezes, desci o braço nela!

Giovanna dá uma gargalhada:

Giovanna – Louca! Menina, que mulher falsa…

Renata – Pois é mulher! Pensando bem, eu até entendo a Isadora viu… A minha mãe é muito besta! Eu contei tudo pra ela e ainda não acreditou em mim, em mim, que sou a filha dela, naquela safada sim, ela acreditou!

Giovanna – Não creio…

Renata – E mais, sabe para onde elas foram hoje? Para curtir o Sábado? Pro Guarujá!

Giovanna – Para casa de praia?

Renata – Exatamente. Com ordens expressas de não me ver por lá.

Giovanna – Meu deus, como é que pode? Então ela acreditou mesmo na Isadora!

Renata – Eu sou muito louca sabe Giovanna, mas eu amo meus pais, tenho tanto medo, eu não espero coisa boa dessa mulher dentro de casa!

Giovanna – Entendo, mas, não acho a Sandra tão ingênua assim… Voce já parou pra pensar que sua Mãe pode tá tramando alguma coisa pra Isadora lá?

Renata fica pensativa:

Renata – Hum, não, acho que não, ela é inofensiva!

Neste mesmo momento na casa de praia, Sandra, sozinha em seu quarto, entra no closet e abre uma mochila preta, dela sai um revolver, Sandra posiciona o silenciador no cano da arma com olhar frio e fixo, lembranças começam a surgir:

No flashback de Sandra, mostra o que aconteceu ontem à noite. Ela entra em sua casa de São Paulo com Renata:

Renata – Vou na cozinha tomar um pouco D`água e já subo.

Sandra – Vou falar com a Isadora, mas de lá, vou para o meu quarto.

Renata segue para a cozinha no térreo e Sandra sobe as escadas, ela caminha pelo corredor dos quartos e ao chegar na porta de Isadora, ela escuta sussurros e gemidos vindo de dentro, a porta estava apenas encostada, e intrigada, Sandra dá uma leve empurrada, tendo assim, a visão chocante de Ernesto e Isadora na cama, transando. Sandra não segura as lágrimas, e coloca a mão sobre a boca para não fazer barulho, observando com tristeza, a traição, após alguns instantes observando a cena, sua mão escorrega da maçaneta da porta, fazendo um pequeno barulho, no mesmo momento, ela corre para o seu quarto, onde continua a chorar e refletir:

Sandra – Não pode ser!

Mas logo ela enxuga as lágrimas e volta a postura de que nada havia visto:

Sandra – Miseráveis, vão me pagar!

Sandra retorna do flashback e com expressão séria o rosto, garante:

Sandra – Você não passa de hoje, sua vagabunda desgraçada!

Enquanto isso, Isadora de biquíni e óculos escuros, curti um pouco do sol deitada numa cadeira a beira da piscina:

Isadora – Isso é que é vida!

Ao fundo, Sandra se aproxima também vestindo biquíni e um lindo chapéu de praia:

Sandra – Curtindo Darling? (Querida)

Isadora – Muito, isso aqui é uma maravilha.

Sandra sorri:

Sandra – Dinheiro meu amor, o dinheiro compra tudo isso aqui.

Isadora percebe estranheza nas palavras de Sandra:

Sandra – Espera só para ver o que vai ter hoje á noite.

Isadora – Voce não é de falar sobre dinheiro.

Sandra manda indireta pra Isadora:

Sandra – Pois é amiga, mas ás vezes, é bom sentir orgulho do conquistamos com esforço, sabe?

Isadora, meio que sem graça, desvia o olhar:

Isadora – Sei.

Enquanto isso, Marcelo entra na casa escondido, sobe as escadas e vasculha o quarto de Sandra, ao entrar no closet, ele continua a mexer em tudo e sente algo diferente dentro da mochila preta, que Sandra havia colocado o revolver.

Algumas Horas se passam, o céu começa a nublar e ao anoitecer, uma forte chuva começa a cair em todo o estado de São Paulo. Na casa dos Paes Medeiros, Renata e Ernesto estão na sala de estar, Ernesto lê um livro sentado no sofá, enquanto Renata observa o cair da chuva de pé, encostada na janela, ela demonstra preocupação com Sandra:

Renata – Que loucura ir para o litoral sozinha com aquela víbora.

Ernesto – Por favor Renata!

Renata – Já liguei e mandei mensagens várias vezes e nada…

Ernesto – Você sabe que o sinal lá não é dos melhores, ainda por cima com essa tempestade caindo…

Renata – Você a ama Pai?

Ernesto – O quê?

Renata vira-se para ele:

Renata – Perguntei se voce a ama.

Ernesto – Mas que pergunta é essa?

Renata – Voce é tão frio… fica aí despreocupado, definitivamente, preciso te entender um dia.

Ernesto – Não tenho paciência mais para ouvir sermão de filha. Voce é quem me deve explicações, como é que se fica quase um ano longe da família por causa de uma namorado e volta de uma hora para outra sozinha? Tem alguma coisa aí, que você ainda não me contou.

Renata suspira franzindo a testa.

No Guarujá, a chuva domina. Sandra coloca à mesa uma salada de frutas preparada por ela:

Isadora – Arrasou! Belo jantar, sói assim não sairemos da dieta.

Sandra senta-se a mesa, e ficando de frente pra Isadora:

Sandra – Saudável e delicioso. Que nem homem casado!

Sandra dá uma gargalhada. Isadora fica séria e assustada:

Sandra – Que foi Dora? Está com uma cara horrível.

Isadora permanece calada:

Sandra – Foi uma piada, era pra rir. Mesmo quando nos identificamos com as piadas, devemos rir!

Sandra e Isadora se olham, olho no olho. Sandra muda a expressão alegre e de deboche, pra outra onde expressa raiva e revolta:

Sandra – Voce apanhou pouco da Renata! Sua vagabunda!

Sandra joga o prato cheio de salada de fruta em cima de Isadora que se levanta da cadeira enfurecida:

Isadora – Sua mosca morta!

Sandra está mais brava que ela e se aproxima gritando:

Sandra – Cala boca cachorra! Eu vi tudo, eu vi sua safadeza dentro da minha casa.

Sandra bate no peito dizendo:

Sandra – Com o meu esposo!

Isadora – Ah… foi você?

Isadora dá uma risada escandalosa:

Isadora – E voce é tão imbecil, que ficou caldinha? Sofreu muito querida? Oh, dó…. Achou mesmo que eu ainda sou aquela mesma garotinha ingênua de quase trinta anos atrás é? Aquela que você deixou de lado depois que enricou em São Paulo?  Má agradecida! Meus pais te tiraram da lama e você esqueceu deles.

Sandra interrompe Isadora revoltada:

Sandra – Mentirosa! Eu voltei lá para ajudar, para revê-los, mas não os encontrei. Você é exatamente o que a minha filha falou! Uma mentirosa, falsa, voce não presta!

Sandra se aproxima mais de Isadora:

Sandra – Não sabe o quanto me doeu, ter que desmentir minha filha na sua frente, só para te trazer até aqui e acertar as contas!

Sandra dá um tapa na cara de Isadora:

Sandra – Cachorra!

Isadora devolve o tapa em Sandra que no mesmo momento dá um chute em Isadora que acaba caindo no chão:

Isadora – AI! Maldita!

Sandra vai para cima de Isadora que cai no chão lhe dando uma sequência de socos no rosto. Isadora já sangrando, grita:

Isadora – Marcelo! Sai daqui sua ridícula! Sai!

Sandra – Sua prostituta! Vadia! Você merece apanhar!

Isadora – Marcelo!

Marcelo surge aramado:

Marcelo – Larga ela! Sai se não acerto agora uma bala na sua cabeça!

Sandra para com a agressão e fica surpresa:

Sandra – Quem é você? O que está fazendo aqui?

Isadora empurra Sandra e levanta-se limpando o rosto sujo de sangue:

Isadora – Olha que desgraçada! Olha meu rosto.

Marcelo – Você Não vai querer saber quem sou eu madame!

Sandra visivelmente perturbada chora:

Sandra – Por que fez isso comigo Isadora? Eu te recebi de braços abertos, com tanto carinho e você … você só tinha intenção de acabar com a minha família!

Com um cinismo inacreditável, Isadora sorri dizendo:

Isadora – Exatamente DARLING (QUERIDA), como você me chama. Sua família era tão perfeitinha… bom pensando bem, não tanto assim, o Ernesto é um safado! Você precisava ver o quanto ele e eu nos divertimos, enquanto você esteve com a insuportável da Renata no Rio de Janeiro. Aliás, aquele atropelamento que a Renata sofreu, só não foi melhor, por que não matou.

Ao ouvir esse absurdo, Sandra parte para cima de Isadora novamente e Marcelo acerta um tiro com o revólver, na perna esquerda dela que acaba caindo:

Sandra – Ai!

Isadora – Viu? Viu sua mosca morta? Está carregada!

Sandra chora desesperada com a mão na perna:

Marcelo – Isadora, acho que os planos dela pra voce aqui nessa casa, não era só dar uma surra não hein.

Marcelo tira de sua cintura, a arma com silenciador que Sandra havia deixado na mochila em seu closet. Ao ver, Isadora fica pasma:

Isadora – O quê? Você queria me matar aqui? Hoje?

Isadora puxa cabelo de Sandra que está caída no chão:

Isadora – Estava planejando me matar?

Sandra cospe no rosto de Isadora:

Isadora – Nojenta!

Isadora chuta a barriga de Sandra:

Sandra – Ai!

Isadora – Que pena que não vai conseguir, mas eu sim, eu também planejei te matar hoje, mas não pode ser aqui. Pega ela, Marcelo, vamos para o carro!

Isadora veste luvas nas mãos, assim como Marcelo já estava, ela derruba móveis e objetos da casa, deixando uma verdadeira bagunça. Já do lado de fora da casa, em meio a forte chuva que cai, Marcelo empurra Sandra no banco traseiro do carro, entrega a arma nas mãos de Isadora que vai junto com Sandra a ameaçando com o revólver, ele assume o volante. O carro segue em alta velocidade numa estrada localizada em um penhasco à beira do mar, a chuva não cessa:

Sandra – Onde estão me levando?

Isadora – Você pode até escolher, qual o melhor lugar para morrer Sandrinha?

Marcelo sorri olhando Isadora pelo retrovisor interno do carro:

Isadora – Voce deve estar pensando: “ Ela não sabe o que está fazendo”.

Isadora sorri:

Isadora – Então eu te respondo, eu sei que estou fazendo, já matei alguém antes.

Sandra fica mais assustada:

Isadora – Sabe o velho com quem eu morei? O Luigi lá em Curitiba? Eu acabei com ele rapidinho!

Sandra – O que?

Isadora – Pois é, amor, e sabe quem me ajudou? O Marcelo! Somos uma dupla infalível, não iremos falhar com você e ainda vou ficar com seu marido, com tudo que é seu!

Marcelo e Isadora caem na gargalhada, Sandra aproveita o descuido deles e acerta uma cotovelada no nariz de Isadora que deixa a arma cair no piso do carro:

Isadora – Miserável!

Isadora e Sandra se atacam no banco traseiro e Marcelo fica desorientado no volante:

Marcelo – Mas que merda! Isadora! Para com isso, que droga!

Ao se aproximar de uma curva na pista molhada, o carro desliza no asfalto e Marcelo perde o controle:

Marcelo – Droga!

Isadora Rapidamente abre uma das portas e se joga no meio da pista. O carro desce barranco abaixo com Marcelo e Sandra dentro. Após alguns instantes capotando até o final do penhasco, o carro explode. Isadora um pouco arranhada e com o nariz sangrando, observa de cima, o fogo consumindo o veículo, ela derrama uma lágrima de remorso e perversidade:

Isadora – Você já era, infeliz!

Porém, em uma região escondida do penhasco, pouco abaixo da pista, está Sandra, desacordada e ferida.

Wellyngton Vianna

Recifense, 23 anos, CEO fundador do CYBER SÉRIES.

“Escrever liberta, podemos criar, recriar e inovar. Podemos tornar públicas as nossas idéias”.

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