A Dama Negra Nocturna XII – 1ª Parte A fúria é somente o começo…

A Dama Negra Nocturna XII – 1ª Parte A fúria é somente o começo…

Nocturna XII – 1ª Parte

A fúria é somente o começo…

“Dizem que matar um animal não é pecado, mas matar um homem sim.

Mas afinal, onde termina um e começa o outro?”

O Lobisomem filme de Joe Johnston 02/2010

– Nick! -A mulher de cabelos castanhos claros acenou na saída de desembarque do terminal de trem na estação de Nova Iorque.

– Sophia! – A garota caminhou até ela olhando apreensiva ao redor. – Meu pai? – Olhou-a um tanto aflita. – Ele disse que estaria aqui.

A mulher sorriu e estendeu a mão para pegar a mochila dela e ajudá-la.

– Ele me pediu que viesse buscá-la, está em uma reunião e logo irá para casa. – Ela caminhou à frente chamando a garota. – Você deu um baita susto em todos, vai ser complicado evitar que seu pai não lhe puna por isso.

A garota fez uma expressão triste e andou cabisbaixa ao lado da governanta.

– Eu sei. – Mordeu a ponta do lábio inferior e suspirou baixo. – Eu só me enrolei e piorei tudo.

Sophia olhava-a pelo canto dos olhos quando caminhou até a calçada e parou de frente ao carro estacionado, depois abriu a porta para ela entrar.

– Vamos resolver tudo da melhor forma possível, agora entre e vamos para casa. – Esperou a garota entrar no carro, fechou a porta e deu a volta, entrando e sentando no banco do motorista. – Coloque o cinto. – Logo que viu a menina fazer, olhou pelo retrovisor e um par de olhos amarelos lhe fitaram do banco de trás.

O homem estava tão silencioso que a garota só notou sua presença quando a governanta virou o rosto para trás. Sophia ligou o carro e tomou o rumo da residência deles. Nicolly virou o rosto e sorriu sem jeito ao reconhecer o homem.

– Tio Lucian, você veio me buscar?

– Sim, precisava ter certeza de sua segurança… Então, Nick, por que fugiu? – Ele pesava o olhar sobre ela de forma fria apesar de ter um tom gentil na voz.

– Eu não queria mais envergonhar meu pai diante da “Tribus”. – Ajeitou-se no banco e baixou a cabeça, olhando para as mãos que torciam a bainha do casaco nervosamente. – Ele está muito furioso?

– Infelizmente sim, mas tentaremos acalmar os ânimos e evitar algo pior. – Ele ficou olhando de lado para Sophia, que conforme dirigia vez ou outra olhava pelo retrovisor o lobo no banco de trás.

Lucian era o irmão mais novo de Thor e, consequentemente, o sucessor na liderança da “Tribus”, o clã de Lycans que era considerado os reis lobos, os mais devotos de Gaia e considerados os enviados por ela a vigiar e proteger humanos. No entanto, Lucian era contra quase todas as decisões de Thor e repudiava a garota meio vampiro e meio Lycan, a mestin não deveria estar na Tribus e muito menos ser considerada princesa.

– Eu espero que consiga convencer papai de que posso ajeitar as coisas… Então, tio Lucian falou com ele?

– Sim, mas quando chegarmos teremos uma conversa melhor.

Distraída com o tio, ela só notou depois de alguns minutos que o carro não tomava o rumo da residência deles que ficava em SoHo (South of Houston). Ela olhou pela janela do carro estranhando estarem indo pelo rumo oposto.

– Sophia, nós vamos a algum lugar?

Nicolly virou o rosto para ela, porém não teve tempo de reagir, do banco de trás Lucian usou uma seringa e acertou seu pescoço enquanto segurava sua cabeça, aplicando um sedativo. Nick debateu-se até ficar sonolenta e apagar. Soltou a menina e olhou Sophia que estava apreensiva ao volante.

– Vamos para o armazém perto do Central Park. – Ordenou.

– Lucian, eu… – Nervosa a mulher questionou. – Lucian, não estamos indo longe demais? Afinal, ela é só uma menina. – Estremeceu com o olhar reprovador dele.

– Minha cara Sophia, nessa altura do jogo não há mais como recuar, agora é ir em frente e terminar com isso. Thor irá sofrer, mas ele é forte e superará. -Virou o olhar para a garota desacordada no banco do carona. – Afinal, essa mestin é uma dor de cabeça para ele, e convenhamos, desde que a Emilly entrou na vida dele Thor não tem sido um bom líder para os Lycans. – Ele balbuciava irritado aquelas palavras. – Nos livramos da vampira, nos livraremos dessa cria mestin e por fim, de Thor.

Ela olhava pelo retrovisor assustada pela postura de Lucian, sabia que o irmão mais novo de seu senhor era ganancioso e que repudiava tudo que Thor fazia, porém achava que era apenas inveja e orgulho ferido. Agora que via a garota desacordada no banco ao lado, estava preocupada com o pior, talvez até ela mesma se tornasse alvo do lobo.

– Entendo, deve ter razão, vamos continuar com o plano. – Respirou fundo e resolveu mudar de estratégia, concordar com ele e garantir sua vida.

– Eu sempre tenho razão, minha cara Sophia, e quando eu me tornar o Líder da “Tribus” será muito bem recompensada por sua ajuda.

Sophia apertou o volante do carro nervosa e sorriu a ele, balançando a cabeça concordando.

– Fico feliz por estar agindo e fazendo o meu melhor para lhe ajudar Lucian.

A governanta continuou dirigindo tomando o rumo do galpão abandonado perto do Central Park, enquanto dirigia pensava no quanto fora azarada ao ver Lucian assassinar a vampira. Para escapar com vida fingira se aliar a ele, mas agora, atolada em toda aquela tramóia, sabia que mesmo que falasse com Thor sua vida não seria poupada, já que traição na “Tribus” era o pior e mais repudiado ato contra os irmãos de raça.

Gianni caminhava tarde da noite naquela cidade, se sentia inseguro e vez ou outra olhava em volta para ver se não estava sendo seguido. Procurou um hotel para se hospedar e assim poder descansar durante o dia. Ao parar em um bar, obteve informações de que havia um hotel na cidade, saiu do local e tomou o rumo até o mesmo.

Pouco tempo depois, já instalado em um quarto, sentou na beira da cama e jogou a sacola de viagem com seus pertences no chão, depois deitou cobrindo os olhos com os braços e ofegou. Sua garganta ardia, tocou a mesma e engoliu a saliva. Precisava de sangue, precisava caçar algum animal e tomar dele antes do dia amanhecer, no entanto não tinha como sair naquela madrugada, os lobisomens haviam saltado do trem na estação e estavam pelas ruas, possivelmente procurando por ele. Aquela cidade agora não era mais uma opção para ele fixar residência, precisava partir, tomar o trem para outro lugar.

Em sua mente veio a imagem de Lya, o sabor de seu sangue estava tão fortemente em si que salivou ao lembrar do quanto tomara pela mordida, ofegou com a lembrança de seu último encontro. Aquela maledeta mudou-o tanto que, mesmo não querendo, tinha que admitir sentia muito a falta dela, falta do sabor de seu sangue e de seu toque. Estremeceu e rolou na cama puxando o travesseiro contra seu corpo forçando a esquecer aqueles pensamentos, já que com aquilo a sede de sangue aumentara. Fechou os olhos, que àquela altura já estavam vermelhos, e forçou-se a dormir antes de amanhecer. Foram minutos eternos até que a exaustão mental lhe venceu e adormeceu.
Pouco mais de uma hora depois, Gianni acordou assustado, pressentia algo errado e rapidamente pulou da cama indo até a janela. Notou o silêncio na rua e voltou para perto da cama, sentia-se estranho e aquele desconforto somente aumentava. Foi até a porta do quarto e abriu para olhar o corredor pela fresta foi quando notou uma movimentação estranha, arregalou os olhos ao tomar ciência que aquela sensação nada mais era que um alerta interno que os lobisomens estavam no hotel. Fechou a porta lentamente e passou o trinco, andou pelo quarto nervoso e pegou a sacola de dentro, tirou a arma e preparou com pente de balas. Colocou-a no cós da calça e pegou a sacola pendurando novamente no corpo colocando atravessada, tinha que sair dali antes que chegassem. Foi até a janela e abriu para sair e esconder-se nas sombras escapando dali o mais rápido que podia. Silenciosamente saltou do alto do segundo andar e embrenhou-se no beco tomando rumo da outra esquina, sumindo nas sombras.

Enquanto corria pelas ruas, sentia a sede apertar cada vez mais, percebera que devido às inúmeras vezes que usava a sombras a sede aumentara e seu desgaste físico e mental seguiam o mesmo rumo. Precisava ser objetivo e rápido ou estaria perdido se fosse capturado pelos lobisomens.

O trio entrou no quarto depois de forçar a porta, haviam espantado todos do hotel e procuraram pelo vampiro, um deles farejou o local e foi até a janela.

– Ele escapou. – O lobo parrudo de cabelo raspado resmungou.

– Vamos ter que acelerar a captura dele, precisamos voltar. Lucian já enviou uma mensagem querendo respostas. – O mais baixo olhava a tela do celular com a mensagem de Lucian cobrando retorno deles com o vampiro.

– Vamos acabar logo com isso, o próximo trem sai às cinco da manhã, temos apenas duas horas para capturá-lo. – O terceiro, de cabelo longo e barba, balbuciou e saiu do quarto.

A dupla o seguiu e logo estavam fora do hotel. Farejando, seguiram pelo beco a passos largos quase correndo.

– Teremos que usar algum outro método para capturar esse vampiro.

– Faremos isso, possivelmente ele tem algum daqueles truques de esconder-se, esses voodoos estranhos que fazem para nos enganar a mente e faro. – O lobo baixo ralhou.

– Pegue aquele objeto que Lucian nos deu, isso vai dizer onde o vampiro está. – Ordenou o cabeludo.

– Aqui. – O lobo parrudo tirou do bolso da jaqueta uma adaga e mostrou a ele. – Isso é arma de matar vampiro, mas Lucian quer ele vivo.

– Vamos somente derrubá-lo. – O cabeludo pegou a arma e caminhou entre o beco até chegar à rua principal, seguido pelos outros dois. A adaga brilhou e o trio entendeu que aquela arma estava mostrando o rumo que o vampiro tomara.

Gianni decidiu voltar a estação e esperar por lá a partida do próximo trem que seria às cinco da manhã. Ao chegar no local, procurou um canto para sentar e esperar. Estava irritado e a sede aumentara ao ponto de não conseguir esconder os olhos vermelhos, puxou o capuz do casaco e cobriu a cabeça, encolheu-se na cadeira bem ao fundo da estação.

“Eles virão, mesmo que entrem nesse lugar posso me ocultar nas sombras e esperar o trem.”

Algum tempo depois o trio de lobos chegou na estação e entraram, o cabeludo guardou a adaga dentro do bolso da jaqueta e andou pelo lugar procurando pelo vampiro.

– Ele está aqui dentro, pode estar em qualquer lugar, montem guarda nas saídas.

Os outros dois outros concordaram e foram para as saídas da estação, o cabeludo andou entre alguns poucos passageiros e a adaga brilhou em seu bolso quando passou por um banco onde batia pouca luz, disfarçou e andou novamente parando ao lado do assento.

Quando puxou a adaga de dentro do casaco para atacar foi surpreendido pelo cano da arma apontado para si saindo das sombras.

– Ora, vejam só, o vampiro tem uma arma. – falou irritado com as mãos um pouco levantadas, a qual uma delas tinha a adaga já pronta para atacar. – Você é esperto, esconde-se nas sombras.

Gianni não respondeu, apenas apontava a arma para o lobo caminhando sem tirar os olhos do cabeludo.

– Vai atirar, vampiro, tenta a sorte. – Piscou para ele com um sorriso debochado na face. – Mesmo que consiga me derrubar com isso, o que acho muito difícil, ainda tem mais dois de meus irmãos lá fora montando guarda nas duas saídas da estação. – Deu de ombros. – Eu se fosse você não pensaria em fugir, já está cercado.

– O que querem de mim?

– Um passeio de volta a Nova Iorque. – Ele respondeu baixando as mãos. – Virá conosco de uma forma ou de outra. – O cabeludo andou até ele, mesmo com a arma apontando para seu peito.

– Eu não tenho intenção de retornar, não irei com vocês.

– Resposta errada. – O lobo começou a ficar irritado e seus olhos amarelos denunciavam que ele estava se transformando.

Gianni afastou-se alarmado e olhou em volta, rapidamente notando que o lugar estava vazio. Apontou a arma engatilhando-a e chamou as sombras para lhe encobrir.

– Não irá sumir nas sombras novamente, vampiro. – O cabeludo bradou e levantou a adaga para lançar contra Gianni.

O brilho da arma ofuscou os olhos dele, que tentou sair de perto do lobo, no entanto fora um tanto tarde e foi agarrado pelo braço pelo cabeludo que apunhalou-o na altura da cintura. Gianni, apavorado, abriu a boca para gritar de dor quando a mão grande do lobo tapou-lhe, e urrando com a apunhalada foi arrastado até o outro lado da estação.

– Nós temos nossos truques, vampiro. Vamos, antes que eu o estraçalhe e diga ao meu líder que foi um acidente quando tentávamos capturá-lo. – Continuou arrastando-o e parou perto da outra saída, assobiando e chamando pelos outros dois lobos.

– Cara, você conseguiu. – O mais baixo chegou perto e ajudou ao irmão cabeludo a prender Gianni.

Atordoado, sua cabeça girava. Sabia que estava perdendo sangue, porém aquela adaga o fazia se sentir perdendo as forças por completo.

– Essa arma de caçar vampiros é muito eficaz. Vamos, o trem já chegou à estação. – O parrudo careca chamou-os depois de comprar a passagem.

– Realmente muito eficaz, apesar de estar cravada nele não sai sangue. – O lobo mais baixo analisava o vampiro enquanto esse era posto sentado pelo cabeludo.

– Melhor assim, não vai chamar atenção e não quero que policiais cheguem perto se verem ele ferido.

Gianni os ouvia falarem, mas não compreendia o que diziam, sua mente estava confusa e seus pensamentos turvos.

“Lya… Vou morrer… Lya…”

Gianni tinha na mente a face dela em meio às trevas, seus pensamentos começaram a sumir até apagar de vez sentado naquele banco.

Lya voltava da sala de interrogatório quando sentiu uma pontada na cabeça, como uma dor aguda. Ela parou no meio do corredor e encostou a mão na parede se apoiando.

– Lya?! – Benjamin se alarmou e aproximou dela para ampará-la. – O que foi? Tens sede? Venha, vou lhe ajudar. – Ele passou o braço pela cintura dela e amparou-a até a sala de seu gabinete, sentou-a no sofá e voltou para fechar a porta. – O que aconteceu?

Lya estava tensa e em sua cabeça vinham leves pontadas doloridas, fitou o regente e murmurou algo em siciliano.

– Nunca senti isso antes. – Pegou o celular de dentro do bolso de seu casaco. – Sr Norton vou ligar para meus servos e pedir que venham me buscar.

– Posso levá-la de volta, não deixarei que ande por aí sozinha nesse estado. – Caminhou até sua mesa, pegou o telefone do gancho e fez uma chamada. Logo foi atendido e falou com certa pressa. – Preparem meu carro vou levar Srta Merelyn a sua residência.

Lya, apesar de não gostar da ideia de ser levada para seu refúgio pelo Regente, sentia-se estranha e sua cabeça estava confusa para questionar ou até mesmo recusar aquela ajuda. De repente teve a sensação de ouvir a voz de Gianni e se alarmou, levantando rápido ao ponto de titubear e cair no sofá novamente. Ofegava com as mãos sobre os olhos.

Benjamin, ao ver a cena, largou o telefone e correu até ela, sentou-se ao seu lado e amparou-a.

– Srta Merelyn, precisa se alimentar. – Ele encostou-a no sofá e puxou a manga de sua blusa e mordeu o pulso deixando o sangue escorrer, voltou a ampará-la e colocou o pulso que escorria sangue perto de seus lábios. – Beba, por favor, isso lhe dará forças.

Lya relutou um pouco, mas com a insistência dele acabou mordendo seu pulso e bebendo de seu sangue. Ela gemeu baixo ao afastar os lábios e lambeu os lábios sentindo-se melhor.

– Desculpe-me, Sr Norton, realmente não sei o que me aconteceu. – Ela estava mais pálida que o normal e encostou novamente no sofá levando a mão à testa, preocupada.

O Regente começou a falar nervoso pelo estado dela, negando qualquer pedido de desculpas já que estava ali para auxiliá-la. Lya ouvia as palavras dele, porém não assimilava o que dizia, seus pensamentos estavam todos em Gianni e a vampira temia pelo pior.

Logo depois, Josephina bateu na porta. Depois da permissão de entrada por Benjamin, avisou que o carro estava pronto e aguardando com o motorista para levá-los.

– Solicitei dois seguranças para lhe acompanharem de moto.

– Obrigado Srta Lawlasc. – Benjamin aparou Lya e ajudou-a a sair.

Josephina acompanhou-os até o elevador estranhando o estado da vampira, afinal de contas o que ela tinha? Ela se questionava ao ver ambos entrarem no elevador e a porta fechar.

– Que droga, ele foi embora com ela. – Olhou em volta e voltou a sua mesa irritada.

Durante todo caminho até a estação da balsa, Lya ficou em silêncio com a mão sobre o peito ela estava encostada no ombro de Benjamin. Amparada por ele, não tinha forças para negar aquela ajuda. Estava tensa e seus pensamentos fixos em Gianni, aquela sensação da voz dele lhe chamando torturava sua mente.

Quando o carro entrou no estacionamento dentro da balsa, Benjamin abriu a porta do carro e olhou-a.

– Quer respirar o ar marítimo?

Lya olhou para fora e depois para Benjamin e seus olhos marejaram.

– Meu irmão… Sr Nortan, algo aconteceu a ele. – Ela falou chorosa.

A cena atingiu Benjamin como um punhal no peito cortando o coração. Foi tão intenso que ele caiu de joelhos no lado de fora do carro e agoniado segurou sua mão.

– Srta Merelyn, por favor não fique assim, prometi trazê-lo de volta e o farei. – Levantou e entrou no carro novamente, sentando ao seu lado e encostando-a no seu peito. – Eu acharei e trarei de volta para a senhorita.

Lya, mesmo sem querer, deixava transparecer sua influência de puro e aquilo afetava cada vez mais Benjamin, que naquele ponto estava totalmente fascinado por ela. Ele não conseguia mais soltá-la e queria protegê-la de tal forma, seria ousado dizer, ao ponto de matar e morrer por ela.

– Logo chegaremos a sua residência e descansará, farei uma chamada para saber como estão as buscas.

Lya ficou em silêncio durante o percurso. Após desembarcarem, o carro tomou o rumo até sua morada, naquele momento o celular de Lya tocou e ao pegar o aparelho viu que era Rodney, estava tão zonza que se esquecera de ambos os servos.

Afastou-se de Benjamin e atendeu a ligação ordenando que ele encontrasse Michael e ambos voltassem para sua residência o mais rápido possível.

Pouco tempo depois o carro estacionou em frente a um portão que se abriu após o motorista anunciar pelo interfone a chegada deles. Ao saltarem do carro, entram na residência de Lya e a vampira foi recebida por uma empregada.

– Sr Nortan, foi muita gentileza que me ajudaste até aqui… Agora pretendo me recolher, já irá amanhecer e creio que precise retornar a sua morada. – Lya falava manso e baixo.

– Estou muito preocupado com a senhorita, estará bem assim sozinha? – Ele segurou a mão pálida da vampira, olhando-a tenso.

– Estou em meu refúgio e aqui tenho quem me olhe e cuide. – Ela suspirou baixo e, mesmo que não gostasse iria usar daquele recurso novamente. Aproximou-se de Benjamin e murmurou doce, usando sua influencia de sangue puro para encantá-lo mais e mais. – Benjamin, posso lhe chamar assim?

Ele abriu os olhos com aquela aproximação e inspirou prendendo o ar totalmente preso àquela voz.

– Claro. – Ele mal conseguia falar de tão maravilhado que estava.

– Ache meu irmão, Benjamin, traga-o vivo para mim. – A voz melodiosa seduzia a mente do Regente.

Ele fitava-a encantado ao ponto de perder até a linha de raciocínio.

– Farei isso, não se preocupe, trarei seu irmão de volta. – Falou por fim em tom solene de uma promessa, que naquela altura cumpriria nem que tivesse que vasculhar toda a cidade para encontrá-lo.

Lya sorriu gentil e ergueu o rosto dando um suave beijo na bochecha do regente, afastou e soltou a sua mão.

– Serei eternamente grata a vós, meu amigo Benjamin. – Andou até a escadaria que levava ao andar de cima, parou depois de subir alguns degraus. – A empregada irá conduzi-lo a saída e aguardarei ansiosa o seu retorno positivo com meu irmão.

Benjamim curvou-se a ela concordando e se despediu saindo. Após a empregada fechar a porta, Lya foi rapidamente ao seu quarto para ligar a Rodney e Michael.

No carro Thor esperava as informações da garota “bichinho de estimação” de Lya, enquanto tomava o rumo da estação de trem, aquela hora sua filha já estava chegando e poderia pegá-la para então irem a sua residência.

– Anda garota comece a falar, quero saber tudo em todos os detalhes. – Ele olhava o relógio rolex no pulso direito, seus olhos estavam estreitos quando fitou a humana.

– E-eu sei que eles se conheceram em Roma, Gianni Salvatore era humano e padre. – Ela estava assustada e falava gaguejando. – E além de ser padre era um caçador de vampiros. – Engoliu seco e continuou. – Segundo o que ela falou o padre tinha deixado ela frequentar a igreja, tinha criado laços de afinidades, mas Ele tinha um grupo de caçadores que o acompanhava e que foram mortos e a culpa foi atribuída a Lya. – Olhou o rei dos lobos tremula.

Ele fez um gesto para que continuasse, estava sério e atendo a cada palavra.

– E Lya fugiu de Roma indo para Paris, o padre a perseguiu até lá tentando mata-la, mas não conseguiu e Lya veio para Nova Iorque, ele a seguiu até aqui e no dia que se encontraram de novo, na balsa para sua residência o padre foi ferido e Lya o transformou com medo que ele morresse. – Ela fez uma expressão irritada. – Ele desdenha dos sentimentos dela, deixa sofrendo, grita com ela aponta-lhe armas que machucam vampiros… – A humana encheu os olhos de lágrimas. – Eu o odeio por isso e quero que ele desapareça… Lya mudou muito depois que conheceu ele, ficou mais fraca e dependente dele, se ele sumir ela volta ao normal. – Virou o olhar a Thor cheio de ódio mesmo encharcados de lágrimas. – Quando o procurei e falei do que aconteceu na delegacia era para por um fim e acabar com ele.

Thor ficou em silêncio um tempo até que o carro parou em frente a estação de trem, ele olhou para fora e o informou ao motorista que esperasse.

– Vou buscar minha filha, você fique aqui quando retornar quero mais informações. – Saltou do carro e tomou o rumo de entrada da estação que aquela hora ainda havia um pouco de movimento.

Parou de frente o painel que informava a chegada e partidas das linhas férreas e ficou tenso ao notar que o trem que sua filha viera já havia chego tinha uns 15 minutos. Pegou o celular e fez uma chamada enquanto olhava todo o lugar para ver se a filha estava esperando sentada em algum banco ou escadaria.

– Droga Nick, atende o celular. – rosnou baixo irritado por não ser atendido, desligou e fez outra chamada dessa vez para a governanta. – Sophia?! – falou ao ouvir a voz da governanta.

– Sr Armanzie, então encontrou com a Nick na estação? – Falava o mais natural possível.

– Não, estou aqui e o trem dela chegou tem uns 15 minutos, estou tentando falar com ela pelo celular, porém chama até cair na caixa postal.

– Estranho, vou ligar daqui, talvez ela esteja com medo de falar com o senhor e prefira falar com outro antes de lhe encontrar, vou ligar. – Ela encerrou a chamada antes de que o seu líder interrompesse.

Thor olhou a tela do celular irritado colocou o mesmo no bolso do casaco enquanto olhava ao torno. Ela não estava ali e pelo tempo não tinha chego em casa ainda, possivelmente estaria perto, decidiu ir procurar nos pontos de ônibus.

Saiu da estação e parou na porta do lado onde Rice estava sentada abriu e tirou do bolso a carteira tirando umas notas de dinheiro e fez um gesto para ela sair do carro.

– Escuta pirralha humana pegue um táxi e vá para sua casa, assim que precisar voltamos a nos falar. – Entregou uma nota de cem e fez um outro gesto para que o motorista preparasse para partir.

– Mas… – ela olhou o dinheiro e pegou afastando de perto do carro e olhando ele entrar.

– Logo entrarei em contato. – Fechou a janela do carro e o mesmos saiu rápido enquanto a humana ficou olhando o rumo que ele tomara.

– Que diabos está acontecendo? -Rice expirou aliviada por ter saido daquele carro e por fim fez um gesto com a mão chamando o táxi para voltar a sua casa.

No galpão, Sophia andava de um lado para o outro preocupada, Thor ligou e mesmo ainda no carro ela tentou disfarçar o máximo que pode. Porém, estava tensa e com medo de ser descoberta.

Lucian havia preparado uma jaula para a jovem Nicolly e a predeu nela ainda desacordada. Ele voltou e parou diante de Sophia.

– Está tensa? Logo terminamo com isso e ainda vamos ser aclamados como aquele que tentaram salvar a princesa. – Ele puxou-a e enlaçou pela cintura a loba afagando seu rosto. – Sophia, Thor não saberá de nada e vamos encobrir que induzimos a garota a armar aquele plano contra os vampiros, matamos dois coelhos com uma cajadada só. – Beijou-lhe os lábios.

Sophia mesmo nos braços de Lucian sentia insegura e seus instintos denunciavam que aquele plano poderia falhar e o pior lhe acontecer. No entanto, continuou fazendo o jogo dele e retribuiu o beijo.

O celular tocou interrompendo-os e ele a soltou de seus braços atendendo com urgência a ligação.

– Sim, Lucian… – Ao ouvir que eram seus comparsas informando que capturaram o vampiro sorriu satisfeito. – Ótimo, tragam-no até o galpão. – Encerrou a chamada e olhou Sophia. – O plano é perfeito, Nicolly foge de casa para ir atrás do vampiro que atirou nela e capturá-lo para levar a Thor e assim corrigir seus erros, esse vampiro por sua vez tenta escapar, porém eles lutam e ambos acabam destruindo um ao outro em um enorme incêndio no galpão abandonado onde Sophia havia preparado o lugar para prendê-lo. – Caminhou falando divertido com a governanta. -E Sophia consegue nesse meio tempo falar com Nicolly que lhe conta o que fez e pede para não falar ao pai que desde o começou plantou uma armadilha contra os vampiros afim de mostrar a todos que pode ser uma Lycan honrosa.

– Maldito… – a voz suave de menina ecoou no salão do galpão. – MALDITOOO…- Nicolly acordou e ouviu tudo horrorizada com os olhos amarelos em fúria gritou de dentro da jaula para o tio.

Lucian virou o rosto por cima do ombro e olhou-a com desdem.

– Pode gritar a vontade, ninguém vai ouvi-la.

Nick olhava ele com os olhos cheios de lágrimas e a expressão em fúria, virou o rosto para Sophia e gritou com ela. 

-Meu pai confia em você e o trai dessa forma, ambos malditos… Os dois malditos… MALDITOSSSS!

A garota perdeu o controle de si e começou a se transformar no enorme lobo de pelugem negra e olhos amarelos, chocava-se contra as grades e grunhia alto devido a dor que provocava com as batidas naquelas grades.

– Luta para sair em vão Nicolly, a jaula é feita de prata e por mais que se esforce para sair as grades só irão lhe ferir mais e mais. – Lucian aproximou um pouco e parou ereto com as mãos nas costas segurando uma arma com balas de prata.

Sophia tinha uma expressão sofrida, sabia que a garota estava certa, eram malditos e traidores, seu peito doeu e ela inspirou profundo para não cair em prantos.

Nicolly se debatia ainda na forma de lobisomem quando Lucian atirou nela, a criatura rugiu alto e caiu sentada no canto da cela. Rosnava para o tio.

Algo mais que uma hora depois um carro estaciona e um dos lobisomens salta para abrir a porta do galpão. Eles estavam com Gianni e depois de entrar com o carro, fechou a porta e foi até a porta de trás e abriu para tirar o vampiro que ainda estava apagado com o punhal fincado na cintura.

Levaram até uma outra jaula preparada e o trancaram nela. Lucian se aproximou e olhou o vampiro por um tempo.

– Ele está vivo?

O cabeludo se aproximou e olhou o corpo do vampiro jogado no chão da cela.

– Sim, mas essa adaga derrubou ele, quer que tire?

Lucian fez um gesto confirmando.

O cabeludo entrou na jaula e tirou a adaga do corpo de Gianni e saiu trancando-o novamente. Nicolly ainda na forma de lobisomem ficava encolhida na cela a lado murmurando palavras raivosas a eles.

– Vamos. – Lucian se afastou. – Sophia agora a segunda parte do plano, irá mandar uma mensagem a Thor.

Sophia pegou o celular tremula e abriu a nova mensagem para escrever e encaminha a Thor.

– Agora é questão de tempo, vou enviar uma mensagem anonima ao regente dos vampiros informando de uma luta de lobisomem e vampiro em um galpão abandonado.

Foi encaminhado as mensagens e Sophia olhou pela última vez Nicolly, lamentando por tudo ela chegou perto da grade e falou a garota.

– Sinto muito…

Nicolly furiosa acertou a grade com as garras para tentar ferir a governanta, não conseguiu, a dor do tiro estava forte e ela pedia sangue.

Lucian pegou o braço de Sophia e olhou-a nos olhos sério.

– Não pense em voltar atrás, já que veio até aqui irá cumprir até o fim esse plano. – Ele estava muito sério e seu olhar frio analisava a postura de Sophia.

– Eu não tenho intenção de trair sua confiança. – Desvencilhou e soltou de sua mão se afastando. – Vamos logo, ainda temos muito o que fazer.

Lucian ainda olhava-a quando concordou caminhando até ela e ambos sairão do galpão deixando a dupla lobisomem e vampiro feridos e enjaulados para servirem a seu propósito de derrubar o tratado e Thor, onde pretende se tornar o líder da “Tribus” e mandar na cidade de Nova Iorque.

Continua…

Música Tema : Wasting Love - Iron Maiden

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Isa Miranda

Amo escrever, por isso sou aquilo que escrevo, são as palavras que me dão poder e nelas me torno única. 

 

  • Andrea Bertoldo

    Cada vez melhor,Isa! *-*

    • Isa Miranda

      Episodio chave pra encerrar a temporada … Forte tretas e emoções rs