A Dama Negra Nocturna XI – Traição, dor e sangue.

A Dama Negra Nocturna XI – Traição, dor e sangue.

Nocturna XI – Traição, dor e sangue.

Tudo tem um começo, um meio e um fim. No entanto, sou aquela que ainda não sabe qual é seu fim. Desde que nasci neste mundo venho partilhando de sua história ao longo dos séculos, vendo a humanidade passar de meros animais aglomerados em cavernas a seres pensantes e formadores de uma sociedade. Humanos e vampiros convivendo, desconhecendo o que os mantém no mesmo mundo, sob a ilusão que vivem pacificamente.”

– Eu não quero nenhum comentário com Vincenzo. – Lya estava no banco de trás do carro, que era guiado por Michael até a sede da Regência. – Entenderam? – Olhou para ambos, Michael e Rodney.

Ambos os vampiros concordaram, muito a contragosto, sobre aquele encontro deles com os Lobisomens em não comentarem com o humano protetor de sua senhora, afinal fora um risco grande e ambos sabiam que se algo desse errado poderiam ser massacrados sem chance alguma de sobrevivência.

Lya tinha aquilo em mente, apesar de manter-se escondida na forma de uma simples vampira, ocultando sua verdadeira natureza de sangue puro sobre dons que não eram de sua nascença, ela preferia evitar um confronto direto com Thor. Aceitar aquele acordo fora algo que lhe dera tempo, tempo esse que teria para pensar em uma saída. Durante todo percurso até a sede da Regência, Lya pensou em cada detalhe: primeiro teria que convencer o Regente que Gianni, seu “irmão”, não teve culpa no episódio da delegacia. Porém, aquilo seria um trabalho um tanto árduo, pois teriam que atribuir a culpa a alguém, já que os lobisomens provocaram todo aquele incidente e tiveram que esconder da mídia humana o que acontecera para não revelarem a existência de seres como eles e os vampiros.

A vampira estava irritada por estar nas mãos de Thor naquele momento, Gianni estar longe e envolvido naquela tramóia o que somente piorava tudo. Encontrá-lo antes do Regente e dos Lobisomens era mais importante para ela do que uma disputa de território entre ambas as raças.

– Quando chegarmos à sede da Regência, quero que façam alguns serviços para mim.– Disse enquanto olhava a tela do celular. – Rodney, sobre os vampiros rastreadores, procure saber se já conseguiram descobrir o paradeiro de Gianni.

– Sim, vou comunicar-me com eles logo que chegarmos à sede da Regência. – Respondeu um tanto irritado.

– Michael, quero que faça algo no período em que eu estiver na sede, vá à sede da Sociedade de Caçadores e encontre um humano, ele lhe dará um envelope. – Ela enviou um sms confirmando que iria mandar um emissário – Quero ambos daqui a duas horas me aguardando no carro com os meus pedidos atendidos.

Lya não estava disposta a aceitar falhas em seus pedidos para aqueles vampiros que eram seus servos, estava um tanto impaciente e falhar naquele momento seria imperdoável.

Pouco depois das ordens serem dadas, Michael estacionou o carro em frente ao prédio coorporativo no centro financeiro de Nova Iorque. Rodney saltou e abriu a porta para Lya, que desceu e rapidamente tomou rumo ao hall de entrada. Pouco depois ao passar pela recepcionista que autorizou sua entrada, entrou no elevador que levava à sala da Regência.

Ao abrir a porta do elevador, se deparou com o algoz do Regente e mais dois vampiros levando outros dois ao qual um deles estava totalmente transtornado gritando.

– A garotinha com o urso está vindo, Willian, ela está vindo!!! – O vampiro tatuado em surto fora pego pelo outro pelo braço e ambos foram levados até a “sala”.

Lya olhava-os parada perto da porta do elevador, inspirou baixo quando viu a garotinha carregando um urso de pelúcia indo atrás do grupo.

“Espírito.”

A vampira olhou-os sumir pelo corredor oposto, ergueu as sobrancelhas, deu de ombros e por fim olhou em volta, depois caminhou até uma das vampiras trigêmeas, Josephina.

– Boa noite Srta Josephina, quanto tempo…

– Lya! Que surpresa, realmente bastante tempo, afinal a Dama Negra não sai das sombras sem um motivo muito importante, certo? – A vampira olhava-a analisando cada detalhe de Lya.

Lya por sua vez fingia não ligar para o que ela falava.

– Sim, prefiro ficar reclusa e não me envolver diretamente, afinal sou leiga quanto à política e acho que o Regente tem já assessores demais para auxiliá-lo. – sorriu gentil, porém com indiferença no olhar. – O Regente teria uma hora para atender-me?

– Lya, minha cara, realmente somos bem estruturados e nada falta para manter a ordem na cidade. – Ouviu a pergunta e olhou a agenda. – Ele está um pouco ocupado essa noite, avisarei que está aqui, pode ser que lhe atenda quando tiver uma hora disponível.

Lya notou a falta de interesse dela ao querer encaixá-la em uma audiência com o Regente, porém não iria fazer alardes ou exigir que ele a atendesse, teria que ir com calma naquele caso e esperar uma oportunidade.

– Obrigado Srta Josephina, vou aguardar que comunique minha presença. – virou-se e caminhou até um largo sofá, onde sentou-se cruzando as pernas e pegou seu aparelho de celular.

Notava o olhar da vampira sobre ela, mas não fez questão de lhe dar atenção, sabia que aquela serpente era enamorada do Regente assim como suas duas outras irmãs, e possivelmente qualquer fêmea que se aproximasse dele virava alvo delas sendo para difamar com fofocas e eliminar a concorrência. Lya deu um leve sorriso consigo, pensando em quão inútil as três eram em relação ao Regente e seus ciúmes. Ela mesma queria distancia do maníaco de perseguição, no entanto sabia que mesmo assim o cretino a perseguia mandando mensagens e cortejando sempre que ela iria àquele local, até seu contato havia passado para que pudessem se falar em particular.

Lya sabia que Josephina iria demorar o máximo que podia para avisar de sua presença na sede, e a puro não tinha como ficar esperando a noite toda por uma hora, ou que a vampira avisasse ao Regente que desejava lhe falar. Abriu o celular, e após esperar uns trinta minutos fez uma ligação ao número do Regente.

A chamada tocou umas duas vezes e em seguida a vampira ouviu a voz masculina no outro lado da linha.

– Eu realmente me surpreendi ao ver que era você, afinal tem algum tempo que lhe passei meu número e nunca me ligou. – Benjamin falava manso em tom sedutor ao ver que era o número de Lya.

– Sr Norton, realmente peço desculpas, afinal não sabia ao certo se era um abuso ficar ligando para vós que és tão ocupado. – Ela docemente respondeu. – Afinal, sou apenas uma simples senhora de Staten Island e não quero incomodar.

– Nunca me incomodaria Srta Merelyn, já declarei várias vezes meu apresso por vós, claro que tem total liberdade para me ligar, afinal lhe dei meu contato pessoal para que pudéssemos nos falar sempre. – Falava sedutoramente manso com ela.

– Fico satisfeita em saber que posso lhe falar com essa liberdade. – fez uma breve pausa. – O que, aliás, me trás a essa chamada, seria um assunto um tanto delicado e claro de tamanha importância para mim.

– O que deseja, minha querida? Estou aqui para lhe auxiliar.

– Sabes bem que dificilmente saio de meu refúgio, mas o assunto é delicado demais para ser tratado via telefone. – Ela falava e olhava ao longe a vampira que ainda não havia se mexido da recepção para informar de sua presença ali. – Sobre meu “irmão”, creio que ele desavisadamente se envolveu em um problema com lobisomens e estou aqui para ver o que posso fazer para ajudar ou mesmo provar que não tem nada a ver com o ocorrido.

– Seu irmão? – Regente estranhou. – Não sabia que tinha um irmão, mas incidente com lobisomens… E o que quer dizer como “aqui”?

– Sim, estou aqui na recepção, porém fui informada que não havia tempo na sua agenda e que era para esperar. – Esboçou um tom de voz decepcionado.- No entanto, estou um tanto apreensiva e tomei a liberdade de usar o seu contato e pedir uma audiência… – Lya mal acabara de falar e a porta do gabinete do Regente se abriu e ele apareceu com o celular no ouvido e caminhou até ela que estava sentada no sofá.

Ele parou e fechou o fipler do celular encerrando a chamada. Josephina saiu de trás da mesa dela e seguiu atrás dele tagarelando sem parar.

– Desculpe-me, a Srta Merelyn pediu uma audiência, mas sua agenda estava lotada… – Ela parou ao lado dele e olhou Lya com olhos arregalados, surpresa por ele ter ido até a vampira.

Ele nada falou com ela simplesmente levantou a mão para que parasse de falar e estendeu a Lya em um gesto polido e cortês.

– Venha, vamos conversar em minha sala. – Assim que segurou a mão dela e a vampira de cabelos claros levantou postando-se de pé ao seu lado, ele olhou a sua assistente e ordenou. – Não atenderei a mais ninguém essa noite, cancele a minha agenda e remarque tudo para outra noite. -Não esperou a resposta da vampira trigêmea e caminhou de volta ao seu gabinete sendo seguido por Lya.

Lya ignorou o olhar de Josephina, mas sabia que a vampira estava odiando aquela atitude do Regente e de dar exclusividade a senhora de Staten Island . A vampira foi para sua mesa e viu a porta do gabinete se fechar, pegou a agenda do chefe com muita raiva e começou a fazer as chamadas para remarcar as demais reuniões do resto da noite.

No gabinete, Benjamin puxou a cadeira para a vampira sentar-se e sentou ao seu lado na outra cadeira, olhava-a como quem desejasse devorá-la como um pedaço de carne.

– Eu peço desculpas por Josephina ter lhe feito esperar. – Olhou-a de cima a baixo. – Então, minha querida, o que posso fazer para ajudá-la?

Lya sentia certa repulsa daquele olhar. Antes poderia embarcar facilmente naquele jogo de sedução, fazia aquilo muito bem, principalmente para conseguir o que desejava, porém agora, depois de Gianni, aquele tipo de jogo manipulador que usava para atrair e conseguir o que queria usando seus atributos era nojento.

– Como disse, Sr Norton, quero apenas resolver a confusão que meu irmão se envolveu. – Sorriu doce e tinha uma voz melodiosa. – Eu imagino que tenha sido trabalhoso encobrir os estragos causados na delegacia.

Benjamin ouvia atento, e quando ela mencionou a delegacia seu sorriso sedutor se desfez para uma expressão séria e até irritada.

– Seu irmão é o vampiro que causou toda aquela confusão? – Ele se ajeitou na cadeira e pousou os cotovelos sobre os braços da mesma, suas mãos se uniram e fitou-a um tempo, até que falou-lhe. – Ele realmente trouxe muitos problemas, afinal de conta por que permitiu?

– Sr Norton, meu irmão chegou da Itália há pouco tempo, estava se adaptando a cidade, porém tivemos um pequeno desentendimento de família e agora ele está um tanto afastado, creio que o ocorrido na delegacia foi um mero acidente e uma forma de se defender. – Ela olhou-o um tempo. – Preciso que ajude-me a encontrá-lo e trazer para casa, o mais cuidarei para que não se envolva mais em problemas e, claro, darei uma punição adequada, já que não permito que ninguém sob meu comando perturbe a ordem e a paz de Nova Iorque.

Lya parou de falar e esboçou um breve sorriso, tensa, esperava ao menos que o Regente concordasse que ela cuidasse de “punir” o irmão por ter feito tanta desordem na delegacia.

Benjamin ficou pensativo fez um gesto para que ela aguardasse um momento, levantou da cadeira, caminhou dando a volta em sua mesa e pegou o celular, fez uma chamada e logo foi atendido.

– Já conseguiu reunir o grupo de buscas? – fez uma pausa e, após ouvir a confirmação do outro lado, continuou. – Não o quero ferido, traga-o vivo e inteiro para mim. – Novamente uma pausa para ouvir a confirmação. – Ótimo, boa caçada!

Lya ouviu aquela conversa e ficou mais tensa, logo que o viu desligar fitou-o com olhar questionador.

– Ele tem dois vampiros que o acompanham, ambos estão presos aqui na sede. Ordenei a captura dele, estava irritado devido à grande confusão que me causaram, dei então ordens que trouxesse seu irmão vivo ou morto.

Lya tensa ajeitou-se na cadeira. Não argumentou naquele momento, somente ficou ouvindo Benjamin.

– Bom, pedi que o trouxessem para mim vivo conforme ouvistes enquanto fazia a chamada. – Ele voltou a dar a volta na mesa e parou ao lado dela. – Assim que estivermos com ele, conversaremos os três e decido quem irá puni-lo.

Lya inspirou baixo e sorriu concordando com ele, não podia enfrentar o Regente sobre qualquer que fosse a sua ordem, poderia somente tentar argumentar e conseguir que a deixasse a cargo de uma punição a Gianni.

– Você disse que ele estava com outros vampiros? – Ela lembrou da dupla de antes que encontrou. – Eles estão sob interrogatório?

– Sim, ambos são enrolados e, ao meu ver, o pior de todos é o tatuado. Aquela criatura é louca, ficou gritando aqui na sala sobre uma garotinha com um urso de pelúcia. – Desdenhou da situação dando um sorriso debochado. – Lunático, ordenei que prendessem ambos até encontrar seu irmão.

– Compreendo. – Lya ficou pensativa. – Poderia falar com eles, já que estavam com meu irmão?

Benjamin olhou-a um tempo e fez um gesto de tanto faz.

– Claro, logo teremos alguma resposta do “Pacificador” sobre paradeiro de seu irmão.

Lya levantou-se e ajeitou o vestido jogando certo charme ao Regente, faria um pouco daquele jogo já que objetivo era encontrar Gianni. Logo ambos saíram da sala e Benjamin a acompanhou até a “sala de interrogatório”, onde Willian e Greg estavam presos.

No trem, Gianni voltara para seu assento e ficara pensativo sobre a garota, torcia para que ela resolvesse tudo com seu pai e assim livrasse Greg de uma acusação injusta, porém algo lhe incomodava naquela história. Mesmo a garota sendo esperta, ela não elaboraria tal coisa sem apoio de um outro, como ela mesma havia dito usara uma humana para atrair o vampiro para dentro do reduto dos lobisomens.

Gianni sentia-se mal por ter deixado ambos os vampiros naquela situação. Porém, se ficasse, como iria explicar quem era e o que se tornara? Seria ainda pior para dupla, pois, além de ter os lobisomens contra, teriam os próprios vampiros querendo caçá-los. Era uma situação muito complicada para decidir ficar, mostrar-se àqueles vampiros e ao mesmo tempo aguentar as consequências de tudo que estava lhe acontecendo.

Enquanto Gianni divagava em seus pensamentos sobre a justificativa de sua “fuga” deixando a dupla para trás, não notara que estava sendo observado. E nas portas de passagem entre os vagões de trás e da frente uma duplas de seres se preparavam para invadir.

O ex-humano sentiu-se estranho como se algo o alertasse por dentro, olhou para os lados notando que o vagão esvaziara de repente, Observou por cima das poltronas a frente e percebeu um vulto no vagão da frente. Não precisou de muito para entender que estava cercado, baixou a mão e retirou de dentro de sua sacola de viagem sua arma, carregou-a e olhou por cima do ombro para ver se tinha como sair do vagão pelo outra porta.

Arrepiou-se ao notar que havia alguém lá, estava cercado. Observava todo lugar na tentativa de descpbror uma forma de sair, uma rota de fuga, mas não encontrou nada. Naquele momento a porta da frente abriu e dois seres enormes vestidos de roupas de couro preto estilo metaleiros apareceram, ambos olharam Gianni e caminharam pelo corredor sentando um em cada lado do vagão em duas poltronas a frente daquela que o ex-humano estava.

Gianni mantinha a guarda alta e olhou-os de onde estava, baixou o olhar e pegou a sacola colocando a alça atravessada no corpo, virando-a para as costas. O trem estava perto de seu destino, era questão de uns 10 minutos e chegaria à estação onde deveria saltar. A outra porta se abriu e passou por ela um casal, um outro vestido de metaleiro e uma mulher que aparentemente era uma estudante, estava de mochila e carregava livros, ela passou pela poltrona onde Gianni estava sentado e sentou-se na outra a sua frente, ajeitou-se e colocou o fone de ouvido, para ouvir músicas em seu walkman e o casal sentou logo mais a frente perto da outra porta que ligava o vagão da frente.

O enorme ser tinha um odor familiar que alarmou Gianni, não podia ser real, reconhecia o que eram aqueles seres ali dentro do vagão consigo.

“Será que vieram atrás da garota? Não, ela já falou com o pai, não estariam aqui por causa dela… ou estariam por terem nos visto juntos.”

Precisava sair dali bem rápido, fugir deles. Com aquilo em mente, o vampiro levantou e caminhou pelo corredor tentando disfarçar o máximo possível para não notarem sua apreensão. Os três lobisomens estavam olhando-o por cima do ombro e voltaram o olhar entre si, falaram algo que Gianni não pretendia ficar para ouvir, assim ele passou pela porta que ligava o vagão dos fundos e caminhou apressado pelo corredor. Quando atravessou a outra porta, parou e olhou para trás.

“Vieram me pegar.”

O trio vinha rápido pelo vagão e Gianni usou a trava da porta para trancá-los lá, correu pelo corredor até o vagão restaurante, que naquele momento estava com pelo menos meia dúzia de humanos. Parou na porta seguinte e dali esperou o trem parar na próxima cidade. Ficou olhando para o corredor de onde viera e para a porta para ver se eles não haviam seguido-o.

Por mais que tentasse disfarçar, entendia que para aquelas criaturas a discrição era algo nulo no mundo deles, se tivessem que atacar Gianni ali dentro o fariam sem pensar, independe de ter ou não testemunhas para denunciá-los de sua real natureza. Devido àquilo precisava fugir e usaria as sombras como recurso, já que comprovara que eles não o enxergam e nem sentiam o cheiro dele quando estava mergulhado nelas.

Finalmente o trem parou na estação e o vampiro rapidamente desceu, muitos passageiros saltaram deixando a mesma movimentada, Gianni caminhou entre eles para a saída e observou ao longe o trio de lobos saltarem e seguirem atrás dele.

O ex-padre não gostava de usar aquele poder, toda vez que entrava nas sombras sentia seu corpo estranho, sua mente ficar pesada e seus pensamentos obscuros, era intensa a experiência, quando saía de lá sentia uma enorme tristeza que o deprimia. Porém, naquele momento, era sua única chance de fuga ou seria “morto” pelos lobisomens.

Apressou o passo e saiu da estação, ganhando as ruas que naquela noite estavam desertas, já passava de duas da manhã e o tempo frio espantava os humanos para dentro de suas residências. Momento propício para esconder-se, e assim o fez, atravessou as sombras das paredes e ficou caminhando um bom tempo por elas para longe do local.

Na sede da Regência, Willian ainda tentava acalmar Greg, o vampiro estava no canto da sala sentado encolhido no chão tentando esconder-se da tal “garotinha”. Ele balbuciava desesperado ao outro que queria Gianni perto.

– Gianni deve está longe, Greg. – Agachado na frente do outro, tocava seu ombro. – Tente acalmar-se, fazia tempo que isso não acontecia, deve ser a tensão do momento. – Will olhava em volta e sabia que aquilo era uma alucinação da mente do outro, ver aquela garotinha o deixava em surto. – Vamos lidar com isso, vamos achar um meio de escapar dessa.

Greg ficava com os braços em volta dos joelhos e o rosto afundado entre as pernas, murmurava algo em russo e vez ou outra soltava um rosnado nervoso.

– Ela esta aqui Will, quer me pegar, me ajuda… – Ele bufava assustado. – Ela quer me levar, cara. – Ele levantou um pouco a cabeça olhando em volta e notou a garota no canto da sala balançando o urso de pelúcia nos pequenos braços.

Greg deu um grito e se arrastou para o outro lado da sala apontando a direção onde via a garota.

– Ela esta ali cara, chama Gianni, ele perto ela some! – Falava sem parar, nervoso.

Willian olhava a direção que o outro apontava e passou a mão nos cabelos, levantou e caminhou puxando a cadeira e colocando ao lado de Greg, sentou e passou a mão na cabeça dele. O vampiro tatuado voltou à posição anterior encolhido no canto.

– Desculpe, mas não vejo nada ali, sei que teme, mas é somente uma alucinação de sua mente perturbada. – Willian suspirou baixo, esperando que o outro se acalmasse.

Greg era sua responsabilidade, desde que o recebera anos atrás em sua residência, prometera a seu “pai” que cuidaria dele. O vampiro tatuado era seu meio irmão, filho de seu pai com uma vampira russa que tinha a mesma esquizofrenia que Greg, alucinações constantes a levaram a ser morta pelos caçadores, por ser um perigo para humanos e vampiros de sua região. Greg só não tivera o mesmo fim por causa de seu pai que fugira da Rússia e levara-o consigo.

Ao retornar a Nova Iorque, pedira abrigo na casa da família de Willian, onde sua mãe havia dito que não o queria. Willian era jovem e de imediato repudiara Greg que tinha pouco menos idade que ele.

Pouco tempo depois seu pai fora caçado por ter escondido Greg e protegido uma lunática assassina, ele pagara com a “vida”. Antes de virar cinzas, pedira ao filho que nunca deixasse o irmão sozinho e cuidasse dele. Greg fora mantido na casa, até que a mãe de Willian expulsou-o.

Willian sentia que aquele vampiro ainda era a única ligação com o pai ao qual venerava, no entanto não podia contrariar a sua mãe. Às escondidas cuidou de Greg à distância, lhe dando dinheiro. O vampiro era um caso sério, vivia se metendo em confusões, porém muitos o consideravam apesar de louco um ser inofensivo, já que na maioria das vezes eram traquinagens sem muitos efeitos no mundo humano.

Quando a mãe de Willian veio a falecer, alguns séculos depois, o vampiro assumiu os negócios da família, todos eram voltados para artes e pinturas. Administravam galerias famosas em Nova Iorque e outra em Paris. O jovem vampiro trouxera Greg de volta e cuidara dele cumprindo assim a promessa ao pai de nunca deixá-lo sozinho.

A sala de interrogatório parecia fria e seus pensamentos se perderam ao lembrar-se daquela época. Seria ali o fim de ambos, proteger Greg para cumprir a promessa de seu pai o levara a tal desfecho na vida? Queria um milagre naquele momento, algo que o ajudasse a livrar ambos de serem exterminados pelo Regente.

Willian estava tão inerte nos pensamentos que quando notou um vulto a sua frente assustou-se e caiu da cadeira, Greg tinha o dom de ficar invisível e foi o que acontecera, ele sumira e aparecera na sua frente totalmente em surto, furioso e rosnando avançou contra Willian para mordê-lo. Seus olhos vermelhos denunciavam a sede e sua risada histérica a sua loucura.

Willian tentou se defender segurando os braços de Greg, lutando para tirá-lo de cima de si.

– Greg… Para… Sou eu, Will, tente se concentrar. – Falava desesperado – Acorda cara, sou eu, seu irmão…

Naquele momento a porta a sala se abriu e Lya apareceu juntamente com o Regente logo atrás, a vampira olhou a cena e as sombras voaram em forma de tentáculos até o vampiro tatuado e enrolaram-no como uma cobra em torno da sua presa, puxando o vampiro de cima de Will.

– Por favor…!!!! – Willian levantou apressado e foi até Greg. – Por favor, não o machuque, ele não está bem, está em surto.

Lya olhava o vampiro preso nos tentáculos de sombra e depois Willian.

– Está pedindo para poupar a vida dele que estava lhe atacando? – Falou suave sem tirar os olhos de Greg.

– Ele é meu irmão, só precisa ficar quieto que logo passa, não o mate, minha senhora. – Willian abaixou a cabeça curvando o corpo pedindo para Lya.

Lya olhou o Regente e o mesmo fez um gesto de quem pouco se importava com o que iria acontecer, aparentemente deixando ela decidir o que faria com o vampiro.

– Muito bem, vou deixá-lo preso nas sombras até que se acalme. – Ela andou pela sala e olhou uma cadeira onde sentou-se. – Como se chama?

 

– Willian Botan, minha senhora. – Will virou-se para ela agradecido. – Obrigado por poupar a vida dele.

Lya virou o olhar e inspirou impaciente para a garotinha que estava no canto da sala balançando o urso de pelúcia, não podia falar que via o tal espírito, afinal escondia sua natureza, deixar que acreditassem que ela era uma sombrio, seu disfarce.

– Seu irmão surtou por estar preso aqui nesse lugar, Sr Botan? – Lya sabia que aquele estado do vampiro era a tal garotinha.

– Ele tem alucinações, deve ser a tensão de estarmos sendo interrogados, afinal estão acusando ele de ter quebrado o tratado e invadido o Central Park. – Willian olhava-a e depois o Regente que mantinha sua pose autoritária olhando todos em silêncio.

– Entendo, uma situação complicada, Sr Botan, alucinações… – Lya virou a face a Greg e depois os olhos esverdeados à garotinha no canto da sala. – Vou ajudá-lo a melhorar dessas “alucinações”.

Lya levantou e caminhou até Greg com os olhos de Willian e Benjamin atentos ao que ela iria fazer. A vampira parou ao lado da garotinha e murmurou algo enquanto afrouxava os tentáculos entorno do vampiro tatuado que estava balbuciando algo já mais calmo. O espírito da garota arregalou os olhos e de repente sumiu.

– Pronto, acho que agora não teremos mais problemas com seu irmão em surto. – Voltou à cadeira que estava antes e sentou-se.

Willian mal podia acreditar, caminhou até Greg e o amparou.

– Está melhor?

Greg ainda tinha os olhos vermelhos, porém estava mais calmo e olhou em volta, quando notou que a garotinha sumira respirou aliviado.

– Ela sumiu cara, a garotinha sumiu, foi embora. – Greg olhou Lya e sorriu nervoso, soltou-se do braço de Willian e correu exagerado até Lya jogando-se ao seus pés e beijando-os. – Obrigado, ela sumiu, muito obrigado. – Falava sem parar. – Obrigado, Lya.

Lya tentava tirar os pés, olhando-o com espanto pelo exagero dele naquele ato.

– Não precisa exagerar.

– Saia, criatura. – o Regente aproximou deles e ordenou que se afastasse dela. – Saia agora.

Willian chegou perto, pegou o vampiro tatuado pelo braço e o fez levantar e sair de perto deles.

– Perdoe-nos. – Willian se curvou novamente. – Perdoe Greg, ele exagera muitas das vezes.

– Ela fez a garotinha sumir. – Greg voltou a curvar-se exagerado a Lya. – Serei seu servo para sempre Lya, para sempre.

– Srta Merelyn criatura estranha. – Ralhou o regente com ele. – Respeite.

– Está tudo bem, Benjamin, afinal preciso desses dois para descobrir sobre Gianni, meu irmão. – Enfatizou olhando direto para Willian.

Will entendeu de imediato.

– Gianni… Sim seu irmão, ele partiu. – Will preferiu fazer o jogo dela, sabia da verdade entre aquela vampira e o ex-humano, porém ao que aparentava ela queria esconder do Regente.

Willian sentiu uma pontada de esperança naquele momento, iria agir agora confirmando tudo que ela falasse, Lya era a chance que ele e Greg teriam de sair daquele lugar com vida.

Greg ficou no canto enquanto Willian assumia a posição de intermediador daquela conversa.

– Sr Botan, quero que me relate tudo sobre o dia na delegacia, afinal, meu irmão foi pego sem querer em uma situação que estou buscando esclarecimento. – Lya olhava para Will direto sem piscar, mantinha na face uma doce expressão tranquila, porém tinha uma ponta de preocupação sobre as palavras daquele vampiro em suas respostas.

– Eu posso relatar o que Greg me contou, afinal ele que estava na delegacia quando aconteceu tudo. – olhou o vampiro tatuado.

– Gianni estava lá na cela porque uma policial encrencou com ele. – Greg falou nervoso ainda pela situação anterior. – A policial poderia saber que ele era vampiro, eu só queria me esconder da garotinha lobisomem, ela veio atrás de mim, mas eu não invadi o Central Park à toa, havia uma humana que tirou uma foto minha mordendo uma prostituta, precisava pegar a foto senão iriam descobrir que somos vampiros. – Greg falava tudo sem parar, nervosamente as palavras se atropelavam conforme ele relatava.

– Lya, minha cara, esses dois são encrenqueiros, Sr London é problemático e possivelmente envolveu seu irmão nessa confusão. – Benjamin tocou o ombro da vampira. – Melhor deixar que cuidemos disso.

– Sr Norton, preciso de informações desses dois para achar meu irmão, poderia evitar exterminar ambos até que tudo se esclareça? – Ela olhou doce ao Regente, jogando todo seu charme naquela voz melodiosa.

Benjamin ficou preso naquele olhar e o som daquela voz era inebriante para ele, o vampiro autoritário ficou preso na dominação dela e curvou a cabeça.

– Claro, farei isso, manterei ambos vivos até que encontre o seu irmão.

– Obrigada.

Lya levantou e olhou para Willian e depois para Greg.

– Aguardem, logo voltaremos a conversar. – Lya saiu sendo seguida pelo Regente, ambos fecharam a porta atrás de si.

Willian respirou aliviado e Greg sentou na cadeira roendo a unha do dedo indicador.

– Cara, ela é maneira, ela sumiu com a garotinha, sou devoto dela agora… Lya, minha nova senhora. – Greg riu nervoso.

-… Se sairmos vivos daqui até eu serei devoto dela. – Willian se encostou no canto da sala pensando naquela situação e onde poderia estar Gianni, Lya queria informações dele, porém com o Benjamin ao lado não poderia perguntar a ambos mais do que já falaram ao Regente.

Aquele era o trunfo para Will e Greg sairem daquele lugar vivos, sabiam muito de Gianni e a vampira faria qualquer coisa pelas informações que ambos tinham do seu “irmão”.


A catedral de Nova Iorque era onde o arcebispo costumava ficar, Dom Bartolomeu era amigo de longa data de Dom Emanuel, e conforme o tempo passara ficaram afastados cumprindo missões em suas cidades. O arcebispo era encarregado de receber os padres caçadores do Vaticano quando estes tinham missões a realizar na cidade.

Irmã Maria chegou e logo foi levada por outra freira à presença do arcebispo, que aguardava sua encomenda com certa expectativa. Ao entrar na sala, foi logo cumprimentar a freira.

– Seja bem vinda, irmã Maria, fizestes boa viagem? – Estendeu a mão a ela para segurar.

– Sua benção, arcebispo. – Ela segurou e beijou o anel no dedo dele.

– Deus lhe abençoe, irmã. – Soltou a mão dela e voltou à mesa, onde segurou a cadeira para ela sentar-se.

– Fiz uma boa viagem, passei a virada do ano com a família de uma amiga, sinto muito não ter vindo antes, mas achei um tanto inoportuno chegar no dia de comemorações do ano novo. – Ela se justificava por não ter ido antes.

– Não precisa se justificar, realmente nesse período não estava aqui na catedral, fiz uma pequena viagem para ficar com minha família. – Sorriu.

– Aqui está a encomenda de Dom Emanuel, juntamente com a carta ao arcebispo. – Estendeu a caixa e entregou-lhe.

O arcebispo pegou satisfeito e colocou sobre a mesa a sua frente, passou a mão sobre ela e sorriu depois agradecido a freira.

– Obrigado por ter trazido esta encomenda, venho a algum tempo necessitando, mas como Dom Emanuel diz, não confiamos no serviço de postagem e entregas desse país. – Franziu a testa e olhou a caixa. – Sabe, irmã, eu pretendo modificar muitas coisas aqui na catedral, principalmente sobre os caçadores. – Olhou-a sabendo quem ela era. – Soube da perda de sua equipe, lamento por isso, cheguei a conhecer os padres João e Miguel em uma missão que vieram fazer na cidade.

Maria fez uma expressão triste quando ouviu sobre os padres falecidos.

– Eu lamento muito mais, já que era minha responsabilidade cuidar da segurança e das missões que eles faziam, sinto-me um pouco responsável pelo fracasso que levou a morte de ambos – Suspirou um tanto chateada.

– Não lamente, não teve culpa nesse caso. Quando um padre se torna caçador, ele tem ciência que a morte caminha lado a lado. – Dom Bartolomeu olhou-a intrigado. – Eu só queria ter conhecido o padre Salvatore, porém foi triste o seu fim, aqui na cidade recebi diversos caçadores para investigar o caso de sua morte.

– Realmente lamentável… Ele era um bom padre. – Maria evitou falar muito, afinal seus votos eram sérios e não queria mentir sobre Gianni ao arcebispo, preferiu apelar pela omissão dos fatos. – Fico contente que tenha ocorrido tudo certo, apesar de o resultado não ter sido satisfatório, segundo Dom Emanuel.

– Realmente. – Ele fitou-a um tempo, por fim sorriu e levantou. – Não tomarei mais de seu tempo, pretende ficar mais tempo na cidade?

– Algumas semanas, devo visitar minha família no interior e voltar logo para Roma, cumprir minha missão. – Ela levantou e se despediu dele.

Dom Bartolomeu foi até a porta e a abriu.

– Ótimo, faça isso, qualquer coisa que precisar basta procurar-me. – Sorridente esperou que ela saísse.
No seu gabinete voltou à mesa e sentou vendo a caixa, parado uns instantes até que finalmente abriu-a. Tirou de dentro um brasão e um anel, juntamente com alguns documentos antigos, papéis que eram tão antigos que estavam amarelados e protegidos por sacos plásticos.

– Salvatore… – Ele olhou o Brasão e depois o anel. – Aquela vampira não perde por esperar, logo nos livraremos dela e de seu acordo com Dom Emanuel.

Dom Bartolomeu abriu a carta enviada por Dom Emanuel e ficou lendo, voltando a guardar os itens na caixa grande de veludo vinho.

Maria descia as escadarias da catedral e parou na calçada, iria tomar o ônibus para a residência de sua amiga, estava pensativa e de certa forma intrigada com o conteúdo daquela caixa. Após, tomar o ônibus, sentiu o celular apitar e pegou-o abrindo a tela e vendo que havia duas mensagens. Abriu e leu, era de Gianni, pedindo para ela não o procurar mais.

A freira bufou chateada, não iria desistir, apesar de temer estar entrando em algo que possivelmente seria perigoso e que arriscaria a sua vida. No entanto, Gianni mesmo depois de perder a cabeça e ter tentado atacá-la, conseguiu se controlar e até protegê-la do outro vampiro. Havia algo entre ele e a Dama Negra, ela sentiu aquilo após a confirmação dele sobre os encontros na igreja.

O ex-padre e agora vampiro estava gostando da maledeta que o transformou.

Durante o trajeto até a residência de Cloe, Maria recebeu uma nova mensagem, leu e ficou alarmada. Gianni informava que havia saído da cidade por definitivo e não voltaria mais.

Chateada, colocou o aparelho no bolso e fitou a paisagem urbana pela janela do ônibus.

Rice caminhava pela calçada rumo ao ponto de ônibus, estava vindo de uma festa das amigas da faculdade quando um carro preto parou ao seu lado e abriu a porta. Ela olhou-o e estremeceu assustada ao ver quem era no banco de trás do veículo.

Thor fez um gesto com a cabeça para ela entrar.

Hesitante, a garota olhou para os lados e logo em seguida dois seguranças saltaram do carro, um veio na direção dela e “gentilmente” a empurrou para entrar.

Rice sentou trêmula ao lado de Thor.

– Olá, pequena ratinha, espero que possa me ajudar como antes, afinal quem procurou-me fora vós, então porque está assustada?

– Sr Armanzie… Lya não irá gostar de saber que entrei em seu carro, está sendo indiscreto. – Ela murmurava aquelas palavras assustada, sabia da fúria dos lobos quando contrariados.

– Escuta, humana, você veio a minha procura para se livrar de um vampiro perto de Lya, entregou-me que fora ele quem fez o estrago na delegacia e atirou em minha filha. – Parou de falar pensativo e com um sorriso sarcástico nos lábios. – Realmente devo concordar que Lya não irá gostar de saber que a “pet” dela está traindo sua confiança.

Fez um gesto para os seguranças seguirem com o carro.

– Eu quero mais informações sobre esse Gianni Salvatore, conte-me tudo.

Rice estava assustada e ao mesmo tempo em um beco sem saída, falar tudo sobre Gianni a Thor era entregar informações de sua senhora, estava traindo sua confiança. No entanto, Lya mudara tanto desde que conhecera o maldito padre que fazia a humana odiar cada minuto de existência daquele ex-humano que tivera o privilégio de se tornar ser da noite através de sua mestra.

Odiava-o por estar sendo ingrato e por pisar nos sentimentos de sua senhora, queria vingança e entregou a Thor de bandeja para que se livrasse do ex-padre.

– Falarei tudo, mas quero garantias que irá se livrar dele, se for o caso pago por isso.

Thor olhou-a no canto dos olhos e começou a gargalhar pondo a mão sobre os lábios.

– Não tem nada além de informações que pague por isso, decido se o vampiro vive ou não, porém quero saber de tudo e cada detalhe. – Fechou e expressão e seus olhos ficaram amarelados.

Rice tremeu e encolheu-se no banco do carro balançando a cabeça concordando em falar tudo a ele.

Continua…

Música Tema: Apocalyptica - Not Strong Enough (Feat. Brent Smith)

Todos os Episódios:

Isa Miranda

Amo escrever, por isso sou aquilo que escrevo, são as palavras que me dão poder e nelas me torno única.