A Dama Negra – Nocturna X – O uivo a lua sangrenta

A Dama Negra – Nocturna X – O uivo a lua sangrenta

Nocturna X – O uivo a lua sangrenta

Era o último trem partindo naquela noite fria, Gianni havia conseguido embarcar e, após se acomodar na poltrona no lado da janela, abriu sua caderneta de couro onde sempre fazia anotações. Precisava reorganizar sua “vida”, e com o pouco dinheiro que ainda lhe restava tinha que ter tudo calculado a fim de conseguir se estabelecer no interior. No trem haviam poucos passageiros, Gianni, antes de partir, tomara sangue o suficiente para aguentar ficar uns dias sem beber. Porém, aquilo era outra de suas preocupações, tinha que alimentar-se, por isso pensou em um lugar perto das montanhas, onde havia animais selvagens que poderia caçar. Decidiu então ficar em Ouray, uma pequena cidade do Colorado. Enquanto fazia algumas anotações, notou uma menina de cabelos loiros choramingar do lado oposto do vagão, na mesma direção que sua poltrona. Tentou ignorar, mas ela continuava a choramingar, vez ou outra olhava para a tela do seu aparelho de celular, parecia ansiosa, aguardando uma chamada talvez. Gianni voltou a ignorar, afinal a pequena humana deveria ter alguém no vagão junto com ela e logo chegaria.

A viagem estava até tranquila, no entanto, vez ou outra ele se desconcentrava com o resmungo choroso da garota, já sem muita paciência. Querendo um pouco de silêncio, resolveu lhe dar atenção, baixou a caderneta de couro, fechou e guardou dentro da sua sacola de viagem que estava na poltrona ao seu lado. Virou o rosto para a garota e debruçou sobre a sacola observando-a.

– Olá garota, estou aqui pensando, onde estariam seus pais? Visto que está algum tempo chorosa… Aconteceu algo? – Ele olhava-a até expressando alguma preocupação.

A garota inspirou baixo e depois fungou passando a manga do casaco nos olhos, afim de enxugar as lágrimas.

– O meu … pai… – soluçou com a voz embargada – Ele me odeia…

Gianni olhou-a um tempo, pensativo.

– Pais não odeiam filhos, podem ficar com raiva de algo que tenham feito de errado, mas odiar é algo um tanto exagerado, não acha? – Encostou na poltrona ainda olhando-a. – Por que acha que seu pai lhe odeia?

– Eu sei que odeia… Ele gritou comigo… – Suspirou baixo. – Eu queria ajudar… – Fungou de novo. – Ele gritou comigo dizendo que ia me mandar para longe…- Ela falava tremula e olhava a tela do celular. – Vê… Eu fugi de casa e até agora ele não me ligou… – Ela mostrou a tela do celular levantando para Gianni ver.

– Fugiu de casa? – Gianni ficou preocupado, puxou a sacola e colocou entre as pernas no chão, depois fez um gesto com a cabeça para ela se sentar ao lado dele.

A garota ficou olhando um tempo, ainda receosa e desconfiada.

– Olha fugir nunca é uma boa escolha, já tentou conversar com ele? – Fitou-a sério.

– Ele não deixa nem eu começar a falar… – Ela corou virando o rosto para a janela ao lado dela, olhando a paisagem que era iluminada conforme o trem passava. – Em nossa família temos temperamentos fortes e explodimos fácil, tudo vira briga e discussão. – fez uma breve pausa. – Não tem como conversar com meu pai.

– Entendo, realmente quando há temperamentos fortes o melhor a fazer é esperar os ânimos acalmarem. – Gianni, apesar de preocupado com ela, preferiu não se aproximar. Deixaria a menina decidir, porém achava melhor evitar até por conta de sua condição. – Escuta, garota, melhor voltar para casa, espere seu pai se acalmar e converse com ele.

Ela riu nervosa e balançou a cabeça negando, levantou e foi até Gianni, sentou ao lado dele e murmurou.

– Eu não tenho para onde ir, o senhor vai para onde? – Ela olhava-o com aqueles enormes olhos verdes, apreensiva.

Ele estranhou, porém preferiu dar o nome de outro lugar.

– Toronto… – Franziu a testa. – Não pense que vai comigo, nem pensar. – Bufou e resmungou algo em italiano. – Estou com problemas demais para ter uma fugitiva na minha cola.

Ela fechou a face e ficou mais triste.

– E-eu …- Engoliu seco. – Eu posso fazer coisas para o senhor, sou bastante esperta e organizada… – Ela voltou a olhá-lo intensamente.

Gianni espantou-se com aquele olhar, a garota era muito estranha e agora que estava perto dele seu odor era intenso e deixava suas narinas irritadas.

– Garota, não pode ir comigo, imagina se teu pai descobre? – Ele se afastou arrastando o quadril na poltrona para ficar um pouco longe dela. – Seu pai vai achar que a sequestrei.

– Não… Ele não vai me achar, vou para bem longe, mesmo que não seja com o senhor. – Ela se encostou na poltrona e voltou a olhar a tela do celular. – E se ele realmente gostasse de mim, a essa hora teria colocado meio mundo na minha procura, mas até agora nem uma chamada para saber aonde estou ele fez. – Esfregava o celular entre as mãos, nervosa.

Gianni inspirou chateado com aquela situação, começava a se arrepender de ter dado atenção a garota, agora estava com um problema sentado ao seu lado e possivelmente não iria conseguir se livrar pelo menos enquanto o trem estivesse circulando até a cidade mais próxima.

– Bom, faremos assim, na próxima cidade o trem fará uma parada e telefonamos para ele. – Olhou-a novamente.

Ela virou o rosto para ele, inspirou depressiva e balançou a cabeça negando.

– Entendo que possa ter sido algo ruim que tenha feito, mas filhos erram, se não errassem nunca iriam aprender o certo. Isso é regra com todos, sempre erramos, porém a diferença é o que fazemos para corrigir o erro e, claro, evitar não cometer novamente. – Calou-se, estava sendo até piegas naquelas palavras, porém precisava se livrar dela na próxima parada.

Ela o olhava atenta a cada palavra.

– O senhor é bom nas palavras… Então, se eu corrigir o meu erro posso mostrar ao meu pai que sou capaz?

Gianni balançou leve a cabeça confirmando.

Ela ficou olhando pensativa para frente e depois murmurou nervosa.

– Ele vai ficar furioso por ter fugido. – tremeu leve, possivelmente prevendo a ira do pai.

– Terá que enfrentar mais esse erro. Não adianta mentir, diga o que pensa e a verdade, somente assim voltará a ter a confiança de seu pai.

Gianni ainda sentia-se incomodado com ela, não sabia ao certo dizer, mas aquela criança não era “normal”. O cheiro dela irritava as narinas dele e quanto mais olhava para ela, mas queria ficar longe.

– Eu não quero, meu pai com raiva perde o controle e destrói tudo. – estremeceu novamente.

Gianni franziu a testa e se preocupou.

– Ele agride você?

Ela negou com a cabeça.

– Ligue para ele, diga o que sente e pensa. – Encostou na poltrona e ficou em silêncio fechando os olhos e tentando manter-se controlado. A sede começava a apertar.

– Obrigada pelo senhor ter me ouvido. – Ela virou o rosto para ele. – Eu me chamo Nicolly Armanzie, qual o seu nome?

– Gianni Sal… – Ele parou de falar, evitaria usar o sobrenome, afinal oficialmente estava morto e seu nome era conhecido nas páginas policiais.

– Gianni Sal ?! – Ela estranhou o nome, depois sorriu dando de ombros.

Ele inclinou a cabeça mesmo encostada na poltrona e deu um breve sorriso, pensou que era melhor assim, ela acreditar nesse sobrenome inventado naquela hora.

– Sr Gianni está migrando para o norte? – Ela já não demonstrava tristeza, agora olhava o vampiro com curiosidade.

– Sim, recomeçar a vida.

– Ah… Entendo… Então, como vai fazer?

Gianni olhou-a de lado um tanto confuso com a pergunta.

– Sobre recomeçar em outro lugar? – vendo que ela ainda olhava-o curiosa, continuou. – Alugar um lugar, arrumar emprego e… – Parou de falar interrompido pelos risos dela. – O que é engraçado?

– O senhor está disfarçando bem, mas meu olfato não me engana. – Aproximou dele olhando para os lados a fim de ver se ninguém prestava atenção na conversa deles. – Como o senhor fará para caçar? Interior do país, é complicado em cidade pequena, logo falam e espalham se começar a tomar o sangue de todos na cidade.

Gianni arregalou os olhos e recuou levantando do banco, olhava-a assustado.

– Como?! – Os olhos vagavam de um lado para o outro, preocupado.

Ela estendeu a mão e fez um gesto de silêncio com o dedo indicador sobre os pequenos lábios.

– Shhh… Senta, vai chamar atenção, minha nossa moço… – Ela olhou em volta e apontou o lugar para ele sentar. – No interior é complicado de conseguir sangue.

– Garota, digo Srta. Nicolly, você sabe o que sou?

Ela arregalou os olhos, surpresa.

– O que somos quer dizer…- Depois sorriu divertida. – Moço, o senhor não me reconheceu como uma vampira? – Falou sussurrando.

Ele sentou novamente e negou.

– Eu notei que tem algo de errado com você, mas ser como eu? Não.

– Ah… Entendo, deve ser porque sou misturada. – Ficou murcha se ajeitou na poltrona.

– Misturada? -Ainda olhava-a surpreso e se questionando por que não a identificou como uma vampira.

– Sim, eu sou filha de lobisomem e vampiro. – Respondeu sem jeito.

– O que?! Como… Espera, isso é possível?

– Sim, eu sou a prova que sim. – Deu um largo sorriso divertido. – Meu cheiro de lobo e vampiro se misturam e muitos tem dificuldades em identificar.

– Suponho que seu pai…

– Lobisomem e minha mãe que já morreu era vampira.

Gianni lembrou do lobisomem na delegacia e se arrepiou, temia que se o pai daquela menina o pegasse com ela estaria em perigo.

– Eu surpreendo-me a cada dia mais com essa mundo. – Gianni passou a mão na testa e inspirou baixo. – Seu pai irá matar-me se me encontrar com você.

Ela negou com a cabeça veementemente.

– Eu vou sozinha, sei que o ele faria se me visse com o Sr. Gianni.

Gianni ainda estava tenso, agora sim tinha que se livrar daquela menina. E se já estivessem atrás dela? Não poderia ser pego com ela.

– Srta. Nicolly, não teme falar a um estranho sobre quem é? Ainda mais sendo um vampiro. – Ele olhava em volta, apreensivo.

– No começo fiquei cautelosa, mas o Sr. Gianni foi legal comigo e disse coisas boas. – Farejou ele. – E seu cheiro diz que é um vampiro legal. – Abriu um largo sorriso divertido.

– Legal… ? – Nervoso engoliu seco e olhou pela janela. – Eu vou deixá-la na cidade, fará sua ligação e eu vou embora no trem, esse é o plano, não quero me encontrar com um lobisomem raivoso como foi da última vez.

Ela olhou-o curiosa.

– Encontrou um lobisomem antes?

– Sim e quase fui “morto” por ele, atirei para me defender, estava apavorado.

A menina ficou muda ouvindo o relato dele, seu semblante alegre sumiu e seus olhos assustados se arregalaram fitando-o.

– Eu só queria pegar meus pertences e de repente um desses atacou a todos e eu não sabia o que fazer…- olhou-a notando a mudança de expressão.

Sentiu algo errado com ela e se arrepiou quando a menina baixou a cabeça e colocou as pequenas mãos sobre os olhos, ela murmurava algo que ele não entendia.

– Srta. Nicolly, está sentindo algo? – Hesitante tentou tocá-la.

– Sr. Gianni o lobisomem que atirou ainda vive. – Ela falou.

– Sr. Botan me alertou dessa possibilidade já que não é qualquer arma que fere mortalmente um de sua espécie. – Entendeu então que poderia ser conhecido dela. – Pelo estado que está, possivelmente o conhece, certo? – Estremeceu começando a se apavorar.

Ela ainda mantinha a cabeça baixa e confirmou balançando lentamente. De repente levantou o rosto e seus olhos, agora amarelados, o encararam. Estava trêmula e aparentava estar confusa.

– Srta. Nicolly, somente me defendi… Sinto muito… – Ele não sabia como reagir a ela.

– Meu pai diz que destino somos nós que fazemos, mas quando certas coisas acontecem sem explicação, como reagimos? – Ela falava e o som de sua voz era tremida.

– Não sei ao certo, mas parece que a vida tem muito dessas coisas, como se quisesse se divertir conosco e pregar peças. – Respondeu assustado com aquele olhar.

A menina abaixou a cabeça e levantou o casaco, mostrando a barriga onde havia uma cicatriz de um ferimento possivelmente à bala.

Gianni baixou olhar até onde ela mostrava a barriga e inspirou fundo prendendo o ar tenso em seu peito. Voltou a encarar os olhos amarelados dela engolindo seco.

– Eu o ataquei na delegacia, ataquei todos… – Falava murmurando enquanto baixava a blusa e fechava o casaco, encostou-se na poltrona e respirava ofegante tentando se controlar.

Gianni arregalou os olhos, lembrava bem do tamanho daquela criatura e olhava a menina que era pequena, aparentava ter no máximo uns 12 anos, talvez menos. Como poderia ser tal criatura monstruosa que atacou todos?

– S-srta Nicolly é …- voltou a engolir seco e trêmulo agarrava o braço da poltrona fincando as unhas com tanta força que chegou a furar o couro da mesma. – Eu…

– Tudo bem, não vou atacá-lo, somente me assustei por ter encontrado o vampiro que atirou em mim. – Respirava lento parecendo querer controlar-se, talvez a fera dentro de si.

– E-era, realmente a Srta. Nicolly? Digo, aquela criatura era grande e você é uma menina, tem o que , uns 12 anos ou menos? – Balbuciava temendo ela.

– Não sou tão menina assim, apesar de pequena, estou perto de completar 16 anos. – Virou o rosto para ele, seus olhos já estavam no tom normal esverdeados.

– 16 anos?!

– Sim, quando me transformo ganho minha forma adulta. – Ela baixou a cabeça. – Eu lhe contei que fiz algo errado e meu pai ficou furioso… Sabe, por eu ser “misturada” sou sempre mal vista pela alcatéia, eles repudiam vampiros e meu pai fica constantemente tendo que enfrentar a matilha para impor minha presença.

Gianni ouvia o relato dela, por dentro estava apavorado, depois disso certamente estariam atrás dela e ele morreria.

– Eu queria mostrar a todos que sou muito capaz e que honro os Lycans, então eu fiz esse plano, atrai um vampiro com uma humana para dentro do Central Park e o fiz quebrar as regras de convivência territoriais para poder caçá-lo e levar ao meu pai e a alcatéia, provando que sou capaz de ser um lobo e ajudar meu pai. – Ela negou com a cabeça pondo as mãos no rosto. – Deu tudo errado e tive que ir a delegacia para pegar o vampiro, ele me identificou e arrumou uma enorme confusão, minha fúria cegou-me e transformei-me atacando todos para pegá-lo.

– Greg… Ele sabia que era um lobisomem?

– O nome dele é Greg? – Olhou-o por cima das mãos que se afastaram do rosto. – Eu enganei para caçá-lo.

– Sim, foi algo muito errado Srta. Nicolly, planejar e envolver alguém nisso pode trazer consequências piores. – Gianni falava a ela com cautela. – Uma atitude errada desencadeou uma onda de problemas tanto para si e seu pai, como para nós vampiros… – Passou a mão nos cabelos, nervoso. – Dio mio…

– Desculpe…- falou baixinho chorosa. – Eu fugi por envergonhar meu pai, a matilha falou, todos falaram com ele, fugi com medo. Meu pai pode perder o posto de alfa por causa disso, então eu fugi porque sou um estorvo para ele. – As lágrimas dela escorriam pela face sem parar, enquanto soluçava angustiada.

Ele olhou-a um tempo, apesar de estar com medo dela sentiu que suas palavras eram sinceras e a dor da menina, estendeu a mão cauteloso até que tocou a cabeça dela e afagou.

– Eu acredito que possa resolver tudo, converse com seu pai, explique tudo e se ele a ama como acredito que sim, irá perdoar e resolver tudo. – Gianni já não sabia o que falar, apelou para isso a fim de fazer ela se acalmar.

A garota sentiu o afago e olhou-o com os olhos vermelhos de tanto chorar, quando ele falou que o pai a amava ela suspirou abrindo os olhos como quem quisesse confirmação daquelas palavras.

– Será?

– Claro que sim, veja, ele enfrenta um bando de lobisomens para lhe proteger mesmo sendo o “Alfa”. Isso é prova que a ama, não é?

A menina parou o olhar fitando o nada, pensando nas palavras dele.

– Eu preciso falar com ele, Sr. Gianni, pedir desculpas.

– Claro. – Afagou a cabeça dela.

– Obrigada. – Ela enxugou as lágrimas com a manga do casaco. – Desculpa ter atacado o senhor.

– Hum…- Ele soltou o ar, expirando a fim de soltar a tensão que sentia. – Eu atirei em você, aliás, deve ter machucado muito por causa da cicatriz.

– Estou melhor, sou bem forte, eu tomei sangue e regenerei. – Sorriu sem jeito. – A vantagem de ser meio vampira. – Ela encostou na poltrona. – Sr Gianni, está fugindo para o interior por causa disso, acertei?

– Eu preferi sair da cidade, era um perigo para mim e todos à minha volta, inclusive a sede me torna um monstro a ponto de matar um. Prefiro isolar-me, talvez nas montanhas possa caçar animais e viver alimentado deles. – Voltou olhar a janela do trem e já podiam ver as luzes da cidade ao longe conforme o trem se aproximava da mesma.

– Bom plano, um ou outro animal sumir na floresta é normal. – Concordou.- Queria ir com o Sr. Gianni.

– Não pode, seria um problema sério e você precisa resolver a situação com seu pai. – Ele voltou a olhar ela, já estava menos temeroso, porém ainda se mantinha com a guarda preparada para algo acontecer.

– Eu sei… Mas acredito que mesmo que resolva tudo com ele a alcatéia não deve me querer mais com eles, e não quero que meu pai perca o comando de Alfa… – Sorriu olhando para ele. – Volto para encontrá-lo e ficarei com você.

Gianni abriu os olhos, surpreso.

– Eu também sou vampira, posso viver bem assim, mas uma vez ao mês tenho que me transformar em lobisomem, a genética chama e não dá muito para evitar.

“Dio mio, por que atraio essas criaturas? Primeiro Lya, depois Greg e agora essa garota… Só pode ser brincadeira do destino.”

– Veremos isso com o tempo, agora sua prioridade é voltar para casa e resolver essa situação com seu pai, e o meu caso é sumir um tempo até que esqueçam de mim.

Ela concordou e olhou pela janela de onde estava sentada.

Naquela hora da madrugada o vagão só havia eles dois e assim que o trem parou, eles saltaram e a menina pegou o celular. Olhou ainda temerosa a tela antes de discar, logo o telefone começou a chamar e pouco depois uma voz masculina atendeu preocupado.

– Nicolly?!

– Pai…

– Nic, aonde está? – Ele falou nervoso.

– Em uma estação de trem em Salt Lake City.

– Nicolly, como foi parar tão longe?! – Ele gritou no telefone, ficou em silêncio uns segundos voltando a falar mais calmo. – Eu vou buscá-la, pegue o trem de volta a Nova York.

– Eu vou pegar pai, mas antes quero dizer algo. – Ela ouviu que ele ficou calado. – Eu quero pedir desculpas e explicar por que fugi. – Continuava o silêncio. – Foi tudo minha culpa e quero corrigir meu erro, só não quero que fique com raiva de mim.

Ela parou de falar tentando segurar o choro, o silêncio do outro lado da linha fora de segundos, mas para ela eram segundos eternos até ouvir um suspiro na linha.

– Pegue o trem de volta, aqui conversamos.

– Uhum… – Antes de desligar ela ensaiou dizer algo. – E-eu… Eu amo pai…

Outros segundos eternos de silêncio.

– Eu também… – Desligou a chamada.

Ela olhou a tela do celular e deu um leve sorriso, voltou a face para Gianni e suspirou baixo.

– Ele está chateado, sinto isso, mas acho que posso resolver as coisas afinal. – Olhou o trem que apitava para partir. – Acho que é sua hora.

Gianni olhou o trem e concordou.

– Vai ficar tudo bem… Pegue o trem de volta e acerte-se com seu pai. – Voltou a face para o vagão e caminhou para tomá-lo novamente. – Cuide-se. – Acenou já dentro do trem.

Ela acenou despedindo e gritou.

– Eu voltou para te procurar Gianni, me espere. – Acenou de novo vendo o trem partir.
Ela sorriu, ajeitou a mochila nas costas e foi pegar o trem de volta, tinha certeza que o destino unira ela ao vampiro, mesmo que de forma tão inusitada.

No carro, Lya olhava as ruas pela janela. A garoa fina molhava o vidro e escorria, a vampira acompanhava distraída aquelas gotas escorrerem, pensando em como proteger ela e Gianni. Com aqueles documentos, ficaria fácil alegar que ele era seu irmão, porém ainda havia a situação com os lobisomensQuando Michael parou o carro no semáforo vermelho, dois carros grandes emparelharam um em cada lado do veículo e outros dois carros pararam um atrás e outro à frente, cercando-os. Rodney, alarmado, preparou a arma que puxou debaixo do banco. Michael ainda mantinha o veículo ligado e preparado para fugir.

– Acalmem-se… – Lya estava em alerta no banco de trás.

Dois seres vestidos de terno preto saltaram de cada carro ao lado e um deles parou do lado da janela dela, deu uma batida e colou no vidro um pedaço de papel com um número de telefone e a palavra, “ligue”.

Lya pegou o celular e abriu olhando o número. Tensa, discou fazendo a chamada.

– Srta Merelyn, quanto tempo… – A voz grave tinha um ar de deboche ao falar. – Gostaria de conversar com vós, poderia acompanhar meus seguranças?

– Sr Armanzie, vejo que quer mesmo falar comigo, já que sua escolta encurralou-me no sinal. – Ela respondeu num tom doce, porém com uma pontada de irritação. – Eu tenho uma reunião na sede da Regência, podemos combinar outro dia, já que estou com pressa e…

– Gianni Salvatore, pode ser que não aguarde tanto tempo para sua reunião na sede da Regência. – Interrompeu-a.

Lya arregalou os olhos assustada e tentou controlar-se para não gritar com o maldito Chefe Alfa dos lobisomens, respirou fundo várias vezes baixando o celular para ele não ouvir seu descontrole. Voltou a levar o fone ao ouvido e falou suave com ele.

– Muito bem, aonde ?

– Reservei uma mesa no restaurante somente para nós, estou aguardando-a, siga os meus seguranças. – Desligou a chamada.

Lya olhava o celular até que fechou o fliper e olhou para a janela fazendo um gesto com a cabeça para eles irem que os seguiria.

– Eles irão nos acompanhar, siga-os Michael.

O outro virou alarmado para olhá-la.

– Lya…

Rodney bufou irritado.

– Não temos escolha?

– Não… Siga-os, Michael, e ambos fiquem preparados para uma fuga, não quero nenhum enfrentando os lobisomens nos domínios deles.

– Lya… – Rodney tentou ensaiar uma retruca, mas foi impedido por ela com olhar frio.

– Vamos, não temos outra escolha no momento, mas fiquem atentos a qualquer chance de fuga.

Seguiram o comboio de carros pretos que os levaram até um luxuoso restaurante em Manhatam, Michael estacionou o carro e Rodney saltou do lado do carona para abrir a porta de trás para sua senhora saltar. Lya saltou do carro e parou diante dele.

– Vamos.

Ele curvou a cabeça fechando a porta e olharam para dois dos seguranças que estavam parados ao lado deles, certamente assegurando que eles não fugiriam.

Lya olhou Michael que estava do lado de fora do carro do lado oposto, fazendo um gesto com a mão para ele ficar em alerta. Direcionou-se então para dentro do restaurante, seguida por Rodney e depois pelos dois seguranças do líder dos Lycans. Logo que entrou, foi recebida pelo maître que rapidamente a levou à mesa do lobisomem. Notou conforme andava que o lugar estava vazio, aquilo não era bom, ele possivelmente armara tudo e fugir dali seria um tanto trabalhoso e perigoso.

– Estamos cercados deles, vai ser difícil escaparmos… – Rodney murmurava a ela.

Lya não respondia, sabia que teria que ser bem persuasiva com aquele lobisomem para conseguir sair dali e tirar Gianni daquela situação. Quando chegou de frente à mesa, Thor sorriu e levantou para cumprimentá-la, segurou a sua mão se curvando e dando um leve beijo no dorso.

– Belíssima como sempre. – Afastou-se e puxou a cadeira para ela sentar.

Lya sentou. Estava desconfiada e olhou os seguranças de Thor Armandie, eram todos lobisomens e aquilo deixou-a tensa.

– E Sr. Armanzie continua galanteador como sempre. – Esboçou um breve sorriso seco.

– Sempre, minha cara. – Sorriu no canto dos lábios. Virou os olhos aos seguranças dele e depois a Rodney. – Saiam, caso precise chamo-os. – Olhou Lya esperando que ela fizesse o mesmo com o vampiro parrudo e mal humorado ao seu lado.

– Rodney, espere lá fora, chamarei se precisar.

Relutante o vampiro olhou todos e depois curvou a cabeça a Lya saindo e sendo acompanhado pelos seguranças lobisomens. Logo que estavam a sós, Thor pegou a garrafa de vinho e serviu uma taça a si e outra para ela, estendendo para que pegasse.

– Pedi que preparasse uma refeição tipicamente italiana, para lembrarmos o tempo que convivi com vós na Sicilia. – Estendeu a taça dele após ela pegar e deu um toque na dela brindando, tomou um gole e sentou novamente. – Foi um período muito agradável, Emily amava a Itália. – Tomou um gole saboreando o vinho.

Lya bebeu do vinho e inspirou baixo, atenta a cada gesto dele.

– Chamou-me aqui para falar da Itália? Emily e suas lembranças? – Mostrava um tom irritado mesmo com a voz suave.

– Nossa, Lya, precisa ser tão hostil? Reencontrar velhos amigos e jantar juntos faz parte da boa relação que partilho com o acordo de paz que estabelecemos com o regente.

Lya bebeu outro gole do vinho, olhando-o atenta.

– Acordo esse que foi quebrado algumas semanas atrás com um vampiro invadindo meu território.

Ela ficou pensativa e colocou a taça sobre a mesa.

Ele entrou no Central Park, mas Gianni não sabia desse tratado. Que droga, Gianni não deveria ter se afastado de mim.”

– Thor… – Inspirou baixo para manter a linha e suavizar o clima. – Eu garanto que ele não sabia que o Central Park era território dos lobos, que era proibido entrada de nossa raça. – Lya começou a defender seu amado.

Thor inclinou a cabeça e se encostou na cadeira olhando-a, aparentemente iria escutá-la.

– Ele é meu irmão e chegou da Itália a pouco tempo, não teve tempo de conhecer as regras e tratados da cidade, nós tivemos um pequeno desentendimento e agora ele esta por aí andando sem conhecer bem tu…- Interrompeu-se quando viu fazer um sinal com a mão para parar.

– Ele não invadiu o Central Park.

Ela suspirou aliviada e quando ia se encostar-se à cadeira viu a expressão dele mudar um tanto mais séria.

– Ele atirou em Nicolly.

Lya arregalou os olhos alarmada abriu a boca deixando a taça cair sobre a mesa tamanho foi seu espanto.

– O que?! Como? – A vampira estava totalmente desconsertada e estremeceu com o olhar de Thor.

– Eu preciso explicar? Ver minha Nic com um tiro na barriga sangrando no meio de uma delegacia fétida e cheia de humanos da pior espécie, como acha que devo reagir, Lya? – Olhava-a frio e irritado.

– Thor… Eu…Eu, não sei o que dizer, não sabia dessa história…- Olhou-o. – E Nicolly, está bem?

Thor fez um sinal para o garçom aproximar-se limpou e trocou a toalha da mesa que havia sido manchada pelo vinho da taça que caíra. Voltou e informou da refeição seria servida. Thor não a respondeu de imediato. Ambos foram servidos e o lobisomem começou a comer em garfadas generosas o espaguete.

Lya fitou-o e assim que fora servida pegou o garfo e remexeu o espaguete. Estava muito tensa e precisava contornar a situação, se a garota estivesee morta Gianni não iria viver mais que aquela noite.

– Nic está bem, o seu irmão atirou nela, porém nada aconteceu além de uma cicatriz na barriga, ela é forte e regenera rápido. – Voltou a tomar um gole de vinho e apontou o prato dela. – Coma.

– Fico contente em saber que Nicolly está bem. – Enroscou o espaguete no garfo em uma pequena quantidade e levou a boca mastigando lentamente.

– Perdi Emily e quando vi Nic ferida surtei. – Olhava-a frio enquanto voltava a comer. – Quero-o “morto”.

Lya levantou o olhar a ele, nervosa.

– Quero ambos mortos, o vampiro que o ajudou a fugir da delegacia, pelo que meus seguranças descobriram, fora ele que invadiu o Central Park. – Bebeu outro gole do vinho.

Lya engoliu a garfada de espaguete forçada, apesar de ser um de seus pratos favoritos, ali naquela situação o saboroso prato tinha um gosto de medo e desespero.

– Thor, diga-me, o que preciso fazer para que poupe a “vida” de Gianni?

Thor parou de mastigar e engoliu o que comera, pegou o guardanapo e limpou os lábios. Fazia tudo sem pressa, olhando-a.

– O que a poderosa sangue puro poderia me oferecer? – Estreitou o olhar a ela analisando seu estado nítido de pânico.

Pegou de cima da cadeira ao lado uma pasta e estendeu a ela.

– Sabe como descobri sua ligação com esse vampiro? – Olhou a pasta . – Abra.

Lya abriu a pasta e foi surpreendida com as fotos que mostravam Gianni arrastando ela em meio a multidão na Time Square.

– Ao que parece o irmãozinho é bem mais que isso, certo? – Fitou-a. – Eu realmente acho estranho essas relações entre os seus, acasalam entre irmãos, tem crias, matam e devoram a si mesmos por poder. – Riu baixo dando de ombro. – Bom, o que está disposta a fazer para poupar a “vida” dele? Por que… – Inspirou profundamente. – Pelo seu estado emocional, nítido em seu odor, seria capaz de qualquer coisa para evitar o pior, certo?

Lya olhava-o e sabia que pediria algo, talvez algo que a mesma não estava disposta a fazer, mas por Gianni faria.

– O que quer Thor? O que acha que preciso fazer para que poupe Gianni?

Thor ficou parado, apoiava o cotovelo no braço da cadeira.

– A Regência dessa cidade precisa ser renovada, ando disposto a negociar um novo tratado, porém o Regente anda um tanto intransigente e começo a irritar-me com sua postura teimosa em ter uma nova visão, mais moderna, desse acordo arcaico que ao meu ver só favorece os vampiros.

Lya deu um leve sorriso nervoso.

– O que tenho haver com isso? Não sou envolvida com a Regência, o que acha que posso fazer? – Lya já começara a entender o que ele queria dela.

– Não é envolvida porque não quer, ou acha mesmo que não sei do interesse do Regente em vós? – fitou-a com certo sarcasmo na voz.

Lya inspirou baixo chateada com aquela situação, a última coisa que queria era se envolver com a política e muito menos ceder aos assédios constantes do Regente.

– Eu acho que pode persuadi-lo a ser mais tolerante com o tratado entre os lobos. Se conseguir isso, seu “irmão” vive. – Afastou-se do encosto da cadeira e pegou a garrafa servindo-se de vinho e estendeu a garrafa para voltar a encher a taça dela.

– Realmente és um “homem” de negócios, Sr. Armanzie. – Pegou a taça e tomou um gole. – Porém, há uma vertente nessa sua proposta, o Regente não irá entender o porque do meu interesse nesse tratado.

– Ah, minha cara, eu já pensei em tudo, não se preocupe. Staten Island é um de seus domínios e ele controla bem os vampiros daquele condado, quero avançar meus negócios, porém preciso que o tratado seja revogado e incluído mais essa região. Claro que não importunarei seus domínios, nem os vampiros que lá residem, apenas quero passagem para minhas mercadorias. – Ele tagarelava certo de que ela iria fazer o que pedira.

– Entendo, Sr. Armanzie e não há outra rota somente por lá, presumo.

– Exato, mas o Regente anda um tanto irredutível e com o incidente da minha filha nossas relações pioraram, exigi a cabeça dos vampiros que a importunaram na delegacia para manter os meus controlados, a princesa foi atacada por um vampiro e claro que isso vem acarretando certa fúria que já lutei muito contra para não perder a cabeça e estraçalhar o vampiro com minhas presas e garras. – Ameaçou, apesar de falar mais suave com ela.

Lya deu um breve sorriso.

– Thor, não venha com ameaças desse nível, sabemos bem que Nicolly não é tão aceita na alcatéia por conta de Emilly, ou já aceitam a sua cria mestin no bando? – Lya retrucou.

Thor ficou sério novamente, parou de tomar o vinho e pousou calmamente a taça na mesa.

– Vejamos, quem está na posição de temer e até ficar calada diante de o que digo és tu. – Ele fitou-a com os olhos amarelados. – A minha proposta foi dada, irá persuadir o Regente a permitir revogar e ampliar o tratado a fim de usar a rota do condado, e seu “irmão” vive. – Fitou-a tentando controlar a fúria. – Não há outra proposta, ou isso ou a cabeça do vampiro.

Lya inspirou baixo. Apesar de saber que Thor no estado que estava poderia perder a cabeça e tornar-se um lobisomem para atacá-la a qualquer momento devido a sua provocativa, preferiu recuar e ganhar tempo.

– Não posso garantir que consiga persuadir o Regente, não sou tão “querida” por ele como pensa. – Pegou a taça que tomava o vinho e bebeu mais um gole. – Ele pode negar de qualquer forma.

– Ah minha querida, você é uma fêmea e tem meios de conseguir… És mais antiga que eu e não se faça de ingênua em fazer-me acreditar que não tem meios para conseguir realize um pedido desse seu amigo. – Sorriu no canto dos lábios, malicioso.

Lya baixou a cabeça um tanto irritada, mas estava em uma encruzilhada e não havia como negar, precisava ganhar tempo e por fim voltou a olhar para o lobisomem.

– Muito bem, Thor, quanto tempo tenho para realizar esse seu pedido?

– O tempo é inerente, porém, que seja rápida. Tenho que expandir os negócios até o segundo semestre, mas isso não quer dizer que não possa a qualquer momento cobrar uma solução de sua parte. – Colocou o guardanapo sobre a mesa. – Apreciei esse nosso jantar, foi muito proveitoso.

Lya fitou-o um tanto insatisfeita, mas como não havia naquele momento outra solução acabou aceitando. Colocou o guardanapo sobre a mesa e levantou. Thor levantou em seguida e estendeu a mão para ela apertar.

– Firmamos nossa parceria, de agora em diante podemos aproveitar para, em um futuro bem próximo, fazermos mais negócios.

Ela olhou a mão dele e ignorou o aperto.

– Boa noite Sr. Armanzie, não se preocupe, terá tudo resolvido em tempo hábil para expandir seus negócios. – Virou-se para tomar o rumo da porta, caminhando graciosa apesar de ter apertado o passo para sair do meio dos lobisomens.

Thor ficou ali de pé observando-a sair, depois voltou a sentar quando uma mulher se aproximou era dos seguranças veio com o celular e entregou.

– Srta Sofia quer lhe falar. 

Thor pegou o telefone e atendeu pegando a taça de vinho para finalizar a bebida e deixar o lugar.

– Fala comigo. – Ficou ouvindo-a ela relatar que Nicolly não aparecera para as aulas particulares, quando fora ao quarto não a encontrara e que de seu guarda roupa haviam sumido algumas peças de roupa. – Ela não foi à casa de alguma amiga? – Ouviu a negativa da governanta. – Aonde essa garota foi? – Passou a mão no rosto, nervoso. – Ligue para Richard peça que procure por ela, vou encerrar aqui e irei para casa, vou tentar ligar para o celular dela. – finalizou a chamada e não demorou nem um segundo o celular tocou, olhou o número e reconheceu como sendo o da filha.

– Nicolly?!

– Pai…

– Nic, aonde está? – Ele falou nervoso.

– Em uma estação de trem em Salt Lake City.

– Nicolly, como foi parar tão longe?! – Ele gritou no telefone, ficou em silêncio uns segundos voltando a falar mais calmo. – Eu vou buscá-la, pegue o trem de volta a Nova York.

– Eu vou pegar, pai, mas antes quero dizer algo. – Ela ouviu que ele ficou calado. – Eu quero pedir desculpas e explicar por que fugi. – Continuava o silêncio. – Foi tudo minha culpa e quero corrigir meu erro, só não quero que fique com raiva de mim.

Ela parou de falar tentando segurar o choro, o silêncio do outro lado da linha fora de segundos, mas para ela eram segundos eternos até ouvir um suspiro na linha.

– Pegue o trem de volta, aqui conversamos.

– Uhum… – Antes de desligar ela ensaiou dizer algo. – E-eu… Eu amo pai…

Outros segundos eternos de silêncio.

– Eu também… – Desligou a chamada.

Ligou para a governanta e informou que conseguiu falar com a filha e que iria esperá-la voltar na estação de trem. Pagou a conta e saiu do restaurante apressado tomou o carro sendo seguido pelos seguranças.

Na sede da Regência, Willian e Greg chegaram acompanhados de Livia, uma das irmãs trigêmeas, que os levara até a sala do Regente. Ela fazia questão de levá-los e entregar a carta de Gianni, como prova que o outro havia fugido.

– Ei… Will, escuta, cara, acha que Gianni vai voltar? – Greg parecia nervoso, falava sussurrando ao outro e olhava para os lados o tempo todo desde que deixaram o apartamento rumo ao local.– Fique quieto, ainda não sei como iremos nos livrar dessa situação, agora não toque no nome de Gianni por enquanto. – Willian andava atrás da vampira, quando viu as outras duas víboras se aproximarem.

– Irmã, vejo que trouxe os encrenqueiros. – Josephina olhou Willian. – É uma pena, Sr. Botan, um vampiro de sua estirpe se envolver com essa ralé ao seu lado. – olhava para Greg com desdém.

O vampiro tatuado olhou-a de cima a baixo e, apesar de estar um tanto agitado, não evitou falar com ela.

– Posso te mostrar o que a “ralé” é capaz de fazer. – Chegou perto dela. – Lá na minha cama. – Riu olhando-a malicioso de cima à baixo.

A vampira fez cara de nojo e se afastou irritada.

– Leve logo essa coisa para o Regente. – Fitou-o irritada com a provocativa.

Greg mordeu os lábios e depois mandou um piscadela para ela, seguindo Willian e a outra vampira. Willian puxou-o pelo braço e o empurrou para andar logo.

– Idiota, não piora nossa situação.

Quando chegaram na sala do Regente, o mesmo esperava juntamente com seu algoz.

– Benjamin, trago a vossa presença o vampiro encrenqueiro da delegacia, mas lamento informar que o outro fugiu e deixou essa carta para ser entregue ao Sr. Botan. – Livia estendeu a carta e a colocou em cima da mesa de frente ao Regente.

Benjamin estava com a cadeira virada de costas para eles, olhava atento uns papéis e assim que a vampira terminou de falar virou-se e olhou o trio à frente dele.

– Obrigado Srta. Livia, aprecio sua iniciativa em ajudar-me nesse caso, pode se retirar, cuidarei deles. – Benjamin fitava Greg analisando o vampiro.

Ambos, Willian e Greg estava sentado em cadeiras de frente a mesa do regente e o Pacificador atrás de ambos montando guarda.

Benjamin pegou a carta que era para Willian e estendeu ao mesmo.

– Não é educado abrir correspondência alheia, então fique a vontade em abrir e ler a sua carta, Sr. Botan. – O regente olhava-o sério.

Greg continuava agitado e mesmo sentado ficava balançando a perna nervosamente e roía a unha do dedo indicador, olhando para o Regente e depois para carta que Will pegou e abriu.

Willian olhou o papel e depois olhou para o Benjamin, nervoso começou a ler.– “Sr Botan, peço-lhe desculpas por não falar pessoalmente sobre minha decisão, sinto-me grato por vossa ajuda no período que permaneci em sua residência, no entanto há de convir que não é correto abusar de sua hospitalidade. Decidi buscar meu caminho e assim poderei evitar diversos problemas para vós. Logo que encontrar um lugar onde possa fincar morada e me estabelecer envio-lhe meu endereço. Desde já agradeço ajuda. Gianni Salvatore.”

Will acabou de ler e olhou o Regente, nervoso.

– Ele havia dito que partiria, tentei dissuadi-lo a desistir e ficar, mas pelo que entendi não fez muito efeito.

Benjamin olhava ambos e depois olhou o algoz.

– Quem não deve, não teme. Correto, Sr. Botan?

– Sim, como lhe expliquei anteriormente, ambos foram vítimas de uma armação dos lobisomens para criar uma situação de quebra do tratado e assim poderem agir no território dos vampiros sem a desculpa de quem quebrou o tratado primeiro. – Willian apontou Greg. – Ele é maluco, mas não ao ponto de entrar no Central Park sem um motivo muito forte.

Benjamin ouvia-o falar enquanto encostava-se na cadeira.

– Sr. Botan, ainda assim toda essa situação gerou desconforto e um imenso trabalho para encobrir, humanos foram calados para não vazarem a história de os lobisomens existirem. – Falava com ar arrogante e irritado.

Naquele momento, Greg gritou apontando para o lado de Benjamin deixando todos assustados olhando na direção.

– AHHHH!!!! ELA VOLTOU!!! WILL, CARA, ELA VOLTOU!!! – Levantou da cadeira e queria correr para fora da sala, porém foi parado pelo enorme vampiro carrasco.

– O que esta acontecendo com esse idiota? – Benjamin olhava a ambos, irritado.

– ME DEIXA SAIR, CARA, ELA ESTA AQUI, VAI ME PERSEGUIR!!! – Greg lutava para sair daquela sala e Willian, assustado, segurou o vampiro tatuado no rosto fazendo-o olhá-lo.

– Acalme-se, Greg, foca em mim, por favor controle-se, ou já era cara. – William tentava em vão controlar o vampiro.

– Não!!!- balançava a cabeça veemente, negando desesperado. – Ela voltou, cara, esta aqui!!! – Greg começou a gritar para sair da sala. – Chama Gianni, cara, por favor!!! Chama ele, a garotinha com urso de pelúcia não chega perto se ele estiver junto, cara, por favor, chama Gianni!!!! – Greg estava nitidamente apavorado, em surto, na verdade.

Willian agarrou Greg e o sacudiu para olhá-lo e focar em si.

– Greg, atenção em mim, foca em mim.

Greg parou de gritar.

– Esses dois, são malucos ou o que? – Olhou o seu algoz. – Leve eles para a sala e tranque-os lá, depois junte um grupo e vá atrás do que fugiu, não deve estar muito longe.

– Claro, trarei à sua presença o fugitivo. – O vampiro mal encarado fez um gesto para a dupla sair do recinto.

Estavam sendo presos.

A situação deles piorava cada vez mais, e William sabia que se não achassem Gianni certamente o tempo deles estaria terminando.

Continua…

 

 

Música Tema : Apocalyptica feat Sandra Nasic Guano Apes Path Vol 2

Tradução – Path Vol 2

Caminho Vol 2

Eu quero viver no fogo
Com todo o gosto eu desejo
Está tudo bem se você me deixar mergulhar
Com tubarões no chão

Você perde sua rotina
Você perde sua rotina
Você perde sua rotina
Porque eu encontrei meu caminho

Que diabos você está tentando
Agora eu sei que há algo mais
O que aconteceu com você
Ainda permanecendo no meu caminho
Você ainda está negando
Agora eu sei que há algo mais
Que esta é a verdade
É tudo em você

Por que você veio .
O que você espera encontrar
Por que você veio .
O que você espera encontrar
Por que você veio .
O que você espera encontrar
Por que você veio .
O que você espera encontrar

Eu me sinto tão sem limites
E ilimitada todos os meus medos
Pare de correr de volta para os velhos tempos
Pare de correr de volta para os velhos tempos

Você solta sua rotina
Porque eu encontrei meu caminho

Que diabos você está tentando
Agora eu sei que há algo mais
O que aconteceu com você
Ainda permanecendo no meu caminho
Você ainda está negando
Agora eu sei que há algo mais
Que esta é a verdade
É tudo em você

Que diabos você está tentando
Agora eu sei que há algo mais
O que aconteceu com você
Ainda permanecendo no meu caminho
Você ainda está negando
Agora eu sei que há algo mais
Que esta é a verdade
É tudo em você

Lya uma vampira que perseguida pelo caçador Gianni que fora padre e abdicou de seu sacerdócio para caçá-la. Em uma eterna disputa de gato e rato, ambos se apaixonam e lutam contra, numa disputa interna de se deixar sucumbirem aos seus sentimentos ou simplesmente acabarem destruindo um ao outro.
Todos Episódios:
http://cyberseries.com.br/a-dama-negra/

Isa Miranda

Amo escrever, por isso sou aquilo que escrevo, são as palavras que me dão poder e nelas me torno única.