A Dama Negra Nocturna VIII – Por toda Eternidade?

A Dama Negra Nocturna VIII – Por toda Eternidade?

Nocturna VIII  Por toda eternidade?

Quando Gianni parte, uma parte de mim falece.  A dor da garganta ardendo não significa muito, já que o que me dói é vê-lo ir.

“Ajuda-me a encontrar meu próprio caminho ao luar,
Sou mais solitária e desamparada, que jamais pudesses imaginar.”

Sinto-me responsável por ele, por tudo que aconteceu. Gianni está sofrendo, sinto sua angústia e aflições aumentarem a cada dia em sua nova existência. Eu nunca quis que ele sofresse assim, nunca quis isso.


“Se teus olhos não podem ver na escuridão, meus sussurros vão dizer-te.
Eu sou uma prisioneira de sangue, da cova fria, uma amante sombria,

Uma criatura do silêncio.”

Quando o via na paróquia e assistia suas missas era como eu sentisse que a parte humana que tento a todo custo preservar tinha uma chance, naquelas palavras que acalantavam a minha alma que nem sei mais se existe. Gianni tinha um dom, a sua palavra era ouvida e muitos mudavam seu jeito de ser e viver crendo nas palavras dele, sempre lhe pediam conselhos ou confessavam seus “pecados”.


“Então, deixa-me tomar o caminho para tuas veias.”

Eu nunca quis que ele largasse seu sacerdócio e perdesse a sua fé. Para mim, poder está com ele era mais que o suficiente. Ele me ouvia, às vezes parecia me entender. Gianni é e sempre será o meu bem mais precioso, por esse motivo tenho que protegê-lo até que possa devolver a sua vida a como era antes. Afinal, nunca desejei que ele se tornasse um amaldiçoado como eu. Aquele tiro que fatalmente colocaria fim a sua vida foi o estopim para meu desespero, eu não pensei, foi tudo feito sob o calor da emoção e o mordi dando-lhe meu sangue, o transformando.

E seja meu companheiro, noite após noite
Por toda a eternidade.”

Lya estava deitada enrolada nos lençóis, falando quase em sussurro aquelas palavras. Ficara melancólica após a partida dele. Rice estava sentada ao lado dela na cama, e, muito preocupada, tentava animar a sua senhora, mas nada que fazia mudava aquele semblante distante e triste. A humana estava com raiva do ex-humano, queria que ele sumisse para assim Lya voltar a sorrir. Rice resmungou chateada por ver Lya daquele jeito apática e sem vontade de viver.

– Ele faz Lya sofrer, não gosto de vê-la assim. Por favor, levante-se. Eu trouxe sangue fresco, tome um pouco. – A humana ainda ralhava. – Ele é um ingrato, não deixou ele morrer. – Jogou os braços para alto. – Se não fosse a Lya agora ele realmente estaria morto.

Rodney e Michael estavam sentados no largo sofá da pequena sala de estar, jogavam um vídeo game cansados das queixas da humana. Rodney levantou deixando o controle com Michael e foi até Lya para ver se estava bem. Inspirou, apesar de não querer dar confiança aquela “pet” de Lya, ele concordava em parte com as queixas da humana. Aquele padre ou ex seria um problema sério se começasse a chamar atenção da Regência de Nova Iorque.

– Ei, moleca humana, não perturbe Lya. Se quiser, ela levanta e toma o sangue. – A voz grave do vampiro ecoou no quarto intimidando a humana.

Rice tremeu assustada e calou-se imediatamente. Rodney voltou ao seu lugar pegando o controle, enquanto Lya ficava perdida em seus pensamentos, ignorando o que eles diziam.

– Sua benção, padre.

Eu sempre começava nossas conversas assim. Encantada com ele assistia a missa, com um sentimento bom de que suas palavras não me deixariam morrer naquela escuridão que vivia há séculos. Desde aquela noite nas ruínas antigas de Roma a qual fui atraída pelo aroma de seu sangue, desde aquele momento que olhei em seus olhos, soube que minha existência nunca mais seria vazia.

Minhas noites eram aguardadas com ansiedade para revê-lo. Ficava o observando e por vezes parecia um cão fiel seguindo em caçadas e até mesmo na paróquia, a qual ele preferia não abandonar para ser somente caçador. A paixão pelo conhecimento, pelos humanos frágeis começou a transparecer para as criaturas que a igreja chamava de “monstros”. Quando ele me olhou pela primeira vez como igual, seus olhos não me temiam mais, havia um misto de curiosidade e benevolência.

– Deus te abençoe.

Fiquei parada atônica uns segundos antes de perceber que ele me deu a benção, assim como fazia com os demais fiéis que iam à igreja. Meu coração se inundou de uma felicidade tão grande que meus olhos lacrimejaram, baixei a cabeça disfarçando o quanto fiquei emocionada com aquele gesto, com aquelas palavras. Mas ele percebeu, e silencioso somente expressou um leve sorriso a mim, voltando sua atenção aos coroinhas que pediam algum esclarecimento que, no meu estado de total surpresa, não prestei atenção.

Decidi que daquele dia em diante protegeria Gianni para sempre, que nada e nem ninguém iria lhe fazer mal, seria sua sombra e manteria o padre em sua missão de curar almas perdidas com suas palavras sinceras de amor e compaixão. Tudo mudou na noite que decidiram caçar-me, a noite que por obra de um maldito vampiro na sacada de meu quarto matou aquele padre. Olhei Gianni e senti sua dor e desespero. Perdi, não pude protegê-lo, perdi meu elo naquela maldita noite.

Paris, França, Março de 1998…

– Lya…- O homem de cabelos grisalhos estava sério sentado na beira da cama olhava a vampira dormir. – Lya, acorde.

Ela rolou na cama e resmungou baixo algo em siciliano. Quando abriu os olhos, fitou o humano um tanto triste ao seu lado. Voltou a se cobrir se encolhendo na cama abraçando suas pernas em posição fetal.

Bella… Levanta-te, assim me entristece, tu papa não gosta de ver-te assim.

– Não quero… – murmurou com os olhos lacrimosos. – Ele me odeia…

O humano inspirou baixo e levou a mão para tocá-la por cima dos lençóis um tanto receoso, até que pousou a mão na altura da cabeça coberta pela manta branca.

– Lya, não sei o que te dizer para consolar teu coração, porém ficar nessa cama para sempre não é a melhor escolha. – Ele falava com doçura apesar de sua voz ser grave. – Levanta-te e dê-me seu abraço filha.

Lya gemeu baixinho e puxou o lençol virando o rosto para olhá-lo. Seu olhos brilharam cheios de lágrimas e no momento seguinte a manta voou no ar descobrindo a vampira, que abraçou o humano se aconchegando chorosa.

– Ele deve está me odiando, papa.

Vincenzo Frantini servia à puro com lealdade, sua família fizera união com a Família Merelin e Vincenzo era o que se podia dizer sobrinho-neto de Lya. Quando a encontrara ficou feliz em poder reparar o erro cometido ao expulsarem, ele sabia o que ela havia se tornado e mesmo assim queria encontrá-la. Suas descobertas sobre o mundo à parte dos vampiros acarretou na quase morte de Lya. Por fim, agora sendo seu servo, adotara-a dando-lhe seu nome e tornando-a sua herdeira. Vincenzo era dono de diversos vinhedos na Itália, principalmente na Toscana.

– Acalme-se, para tudo há uma solução. Mas por enquanto prefiro que saia dessa cama, ajeite esses cabelos e vista um belo vestido. – Afagou sua cabeça e afastou para olhá-la. – Pode atender esse pedido de seu servo?

Lya se expressou chateada com o modo que ele se referiu a si mesmo de servo.

– Farei, mas se falar que é meu servo. – Apontou para a cama. – Volto para lá.

O humano gargalhou da expressão de criança mal criada que ela fizera.

-… 380 anos e age como uma adolescente mimada fazendo pirraça… – Levantou e estendeu a mão em uma postura polida e respeitosa. – Vamos, vou lhe apresentar Paris e vamos comemorar seu aniversário de 381 anos, oficialmente 18 anos – brincou.

Ela bufou e saltou da cama, em passos suaves como quem flutuasse pelo quarto foi até o closet e pegou um vestido e casaco leve, foi ao banheiro e pouco depois estava pronta. Ainda tinha uma expressão triste quando segurou o braço de Vincenzo que a conduziu quarto a fora chegando à sala onde Rodney e Michael estavam esperando.

Lya olhou os dois vampiros e inspirou baixo soltou o braço de seu pai e parou perto da dupla que aparentemente estavam olhando-a para ver se estava bem.

– Perdão por ter arriscado a vida de ambos.

– Tsc… – Rodney bufou chateado. – Não tem que pedir perdão de nada, estou aqui para protegê-la. – Afastou-se dela colocando as mãos nos bolsos e mantendo a expressão séria. – Mas, da próxima, vez vamos seguir o roteiro e não parar no meio do caminho.

– Eu vou tentar … – Lya sorriu ao vampiro.

– Eu achei divertido nossa passagem por Roma, até levar um tiro… – Michael riu, porém franziu a testa – O tiro não foi legal, e ver você ferida, isso foi pior. – Inspirou baixo. – Sinto muito pelo seu padre.

Ela balançou a cabeça negando e com tristeza engoliu seco e olhou para Vincenzo. O humano estendeu a mão e segurou as dela.

– Vamos sair um pouco te levarei a um restaurante, comemoraremos o aniversário de Lya. – Olhou ambos os vampiros com certa severidade, repreendendo qualquer coisa relacionada aos fatos de Roma.

Ambos os vampiros concordaram e assim o quarteto foi até o carro que aguardava na porta da mansão do humano. Rodney como segurança e Michael como motorista. Seguiram para o restaurante ao qual já haviam reservado para aquela comemoração. O Epicure le bristol era um dos mais luxuosos restaurantes de Paris e Vincenzo não mediria esforços ou custos para mimar sua “filha” ao qual estava disposto a todo custo a tirar um sorriso feliz da face apática que ela apresentava.

– Belo lugar, Vincenzo, mas já lhe disse, não preciso de muito. – Ela entrou e olhou o local, lembrava um pouco o passado das cortes que chegara a frequentar, o clima era maravilhoso e resolvera aproveitar a noite.

Naquela noite, jantaram e aproveitaram o clima comemorativo. Pouco depois, já se preparando para saírem, Lya recebeu um bilhete. Estranhou e, ao abrir para ler, empalideceu. Vincenzo notou e estendeu a mão para pegar o bilhete e ela relutou em entregar, por fim estendeu e o humano pegou, lendo em seguida.

– Vamos voltar para a mansão, resolverei isso. – Fez um gesto para pedir a conta. Após recebê-la do garçom, pagou com cartão, levantou e olhou a vampira estendendo a mão para que segurasse. Saíram do restaurante apressados. – Sr Homan e Sr Ramos, olhos atentos. – Mostrou o bilhete a ambos que ficaram sérios e voltaram-se rapidamente para o carro.

– O que querem? Intimidar-me…- Lya estava séria sentada ao lado de Vincenzo no banco de trás.

– Não se preocupe, está segura. Vamos dar um jeito nessas ameaças, coloquei homens de minha confiança para descobrir quem está ameaçando-a e o que querem. – Vincenzo pegou o celular do bolso e fez uma chamada. Falou durante alguns minutos enquanto o carro os levavam de volta à residência.

Logo que chegaram, Lya foi para seu aposento, trancou-se e ficou isolada. Ainda não se sentia bem mesmo com toda aquela comemoração e agora com o fato de estar sendo caçada. O tal bilhete era um aviso que se ficasse vagando pelas ruas poderia não ver o amanhecer no dia seguinte. Lya sentia falta de Gianni, queria vê-lo, queria lhe falar que não era responsável por aquele ataque que vitimou os padres.

-… Eu juro… Não tenho nada a ver com aquele vampiro, não sei de onde veio e por quê atirou nos padres…- Encurralada em um beco nas vielas de Paris, Lya estava em prantos. Gianni apontava-lhe uma arma e já havia atirado nela depois de persegui-la por dias. – Por favor, acredite em mim… – Lya ofegava, estava com o braço ferido devido ao tiro que recebera. Ela poderia ter atacado, mas preferiu não revidar.

Gianni estava em fúria, olhava-a com dor e desespero, engatilhou a arma e apontou para a cabeça de Lya. Mesmo que ela pedisse o contrário, iria matá-la. Era pelos seus dois amigos, precisava cumprir a missão que fora lhe dada, mas que não o fizera por estar preso a tudo que sentia por ela.

Maledeta…- falou entre os dentes, seus olhos lacrimosos denunciavam o sofrimento que estava vivendo. – Colocarei um fim em tudo e toda essa dor vai acabar com o seu extermínio… – Gianni esbravejava baixo, mal conseguia falar. Mas, mesmo com ela na mira, sabendo que era só puxar o gatilho e tudo acabaria, mesmo assim algo dentro de si o impedia de ir em frente.

– Gianni…

– CALA A BOCA, MALDITA!!!

Lya engoliu seco e suspirou baixo fechando os olhos. Precisava pensar, mudar a situação a seu favor, ganhar tempo para mostrar-lhe que não era culpada e que tudo fora uma armação. Naquele momento sua postura defensiva mudou, ergueu a cabeça e altiva impôs sua presença de sangue puro ao ponto de Gianni congelar arregalando os olhos.

– Perdão, mas não posso permitir que continue a agir assim. Sinto muito por seus amigos, mas sou inocente e irei lhe provar, por isso não posso sucumbir diante de ti. – Lya se envolveu em sombras e sumiu de sua presença deixando-o ali com a arma em punho paralisado diante da força poderosa com que ela lhe dominou.

– Volte… – Gianni caiu de joelhos soltando a arma e desesperado ficou ali um tempo até que urrou alto tentando tirar aquela angustia de seu coração.

Gianni, sentado na beira da cama, estremecia com a presença dela. Ali, cabisbaixo, ofegava tentando lutar contra aquela dominação, era assim então o poder dela, um sangue puro. Lya estava de pé entre as sombras daquele pequeno quarto de pensão onde o caçador havia se hospedado, observava-o ainda mantendo uma distância segura, afinal mesmo usando sua presença Gianni tinha uma força de vontade imensa e que por muitas das vezes conseguia escapar do controle dela.

– Gianni, eu sei que o que posso lhe dizer não irá confortá-lo, mas em nenhum momento menti sobre mim e muito menos não tenho motivos para lhe causar mal, ou mesmo aos seus amigos… – caminhou saindo das sombras e cautelosa se ajoelhou aos pés dele.

O ex-padre mantinha cabeça baixa e segurava sua arma, que engatilhada apontava para o chão. Seu olhar estava perdido e sua dor aumentava, ofegou quando ela falou e devagar levantou o rosto.

– Havia uma missão… A culpa é minha, não cumpri a missão e agora só descansarei quando cumprir, nem que ambos sejamos destruídos no processo. – Ele estendeu a mão com muita dificuldade e tentou tocá-la.

Lya se afastou e quando ia levantar foi agarrada no pescoço por ele. Apesar de ser firme a mão do caçador não apertava a garganta. A puro ficou imóvel enquanto Gianni estremecia lutando contra a dominação dela. Permaneceram naquela posição por um tempo, imóveis em uma silenciosa batalha de olhares, até que Lya suavizou sua expressão e tocou a mão dele em seu pescoço.

– Perdão…

Os olhos azuis do caçador brilharam numa expressão sofrida. Afrouxou os dedos, mas ainda mantinha a mão no pescoço até que a puxou para ele surpreendendo-a com um beijo. Lya arregalou os olhos, até que cedeu e retribuiu. Foram segundos até ser empurrada por ele, que levantou e apontou a arma atirando em sua direção. A vampira, engolida pelas sombras, ainda estava perplexa com aquele ato quando sumiu fugindo dele novamente.

“Por que?”

A puro voltou pelas ruas de Paris, fugindo dele, sentindo algo mais forte que somente o desejo de sangue tinha, tamanho era a volúpia sobre ela. Ele a beijou, mesmo diante daquela fúria, o humano que lutava contra a dominação dela fez algo que não imaginaria fazer, despertar sentimentos no coração obscuro de Lya.

De volta ao ano 2000…

Rodney caminhava de um lado para o outro na saleta de estar da suíte alugada no hotel Central Park, ansioso para partirem. Aguardava Michael voltar, segundo ele fora orientado por Lya a vigiar a Sociedade de Caçadores. Pouco depois Rice saiu do lado de Lya, que ainda estava encolhida silenciosa na cama. Mesmo que desejasse, não queria ir sem antes descobrir o lugar onde Gianni escondia-se.

Michael retornou e ao entrar na suíte foi até perto de Lya e se ajoelhou em uma perna curvando-se em reverência.

– Tenho informações preciosas para minha senhora. – Ficou esperando ela falar algo, porém a puro não respondeu. – Lya, descobri que Gianni e um outro vampiro estão sendo procurado pelos servos do Regente…

Lya levantou imediatamente quando Michael começou a falar, olhando-o séria ficou esperando ele continuar.

– Segundo soube na sede da Regência, houve uma confusão com lobisomens na delegacia e o ex-humano está envolvido. Encobriram tudo, no entanto Thor quer a cabeça dos causadores dessa desordem no seu território. – Michael levantou e olhou Rodney.

– Não… Preciso achá-lo… – Lya saltou da cama sendo seguida por Rice, foi para o closet pegar algo para vestir. – Rodney, encontrou vampiros rastreadores como lhe pedi?

– Lya… – O vampiro parou diante dela, preocupado. – Encontrei sim, no entanto, o que vai fazer para resolver essa situação? – Ficou sério parado diante dela.

Ela olhou-o um tempo e depois baixou a cabeça suavemente negando enquanto voltava a andar pelo quarto.

– Não sei, mas preciso chegar a Gianni antes do Regente ou vamos ter sérios problemas e acabar tendo que fugir da cidade. – Falava um tanto trêmula. – Lobisomens, logo com eles que Gianni foi se meter… Thor, vou ter que falar com ele…

– O quê?! – Rodney caminhou seguindo-a. – Enlouqueceu?! Não irá falar com aquele cachorro, nem agora e nem nunca, ele irá matá-la se entrar no Central Park.

Lya olhava o vampiro pelo canto dos olhos enquanto terminava de se arrumar. Olhou Michael e ordenou que ele mandasse fechar a conta e trouxesse o carro deles para a porta do hotel. Mandou que Rice voltasse para sua casa e esperasse por um contato posterior. Assim, após fechar a conta, todos no carro tomaram rumo a sede da Regência no centro financeiro de Nova Iorque.

Willian andava pelo hall de entrada do prédio de escritórios no centro financeiro da cidade. Conforme havia combinado com Greg e Gianni, tentaria falar com o Regente antes de trazer a dupla para ser interrogada por ele. O lugar era fortemente protegido e havia um elevador que somente os vampiros usavam no final do longo corredor no andar térreo. Logo que a porta se abriu no subsolo, deparou com a recepção que havia um trio de vampiras gêmeas que conversavam entre si até pararem para observá-lo.

– Willian Botan… – A vampira loira de cabelos curtos se aproximou. – Voltastes afinal, veio defender aquela criatura asquerosa e sem modos novamente? – Livia sorriu com sarcasmo.

– Srta Lawlasc, como tem passado? – Ele olhou para as outras duas irmãs que acenaram para ele se aproximando em seguida.

– Estou muito bem, Sr. Botan…

– Muito bom saber… Livia, Josephina e Muriel as mais belas dessa cidade. – Virou o olhar a Livia. – O que vim fazer não lhe interessa. – Afastou um passo e saiu deixando as três olhando-o com sorriso no canto dos lábios, depois voltaram a falar entre si.

“Cobras fofoqueiras…”

Willian finalmente entrou no salão do Regente. Notou alguns vampiros que ao que parecia aguardavam a vez de serem atendidos pelo senhor da cidade, caminhou pelo lugar e se sentou em uma poltrona ao lado do enorme sofá que havia ao lado direito do patamar do trono do regente. O vampiro sabia que não seria fácil argumentar com Benjamin Nortan, o regente de Nova Iorque era conhecido por ser um tanto paranoico, sempre achando que há conspirações para tirar ele da Regência da cidade, o que dificultaria qualquer forma de diálogo. Por sorte o vampiro tinha um trunfo na mão e na hora certa, se nada adiantasse, usaria.

Enquanto folheava o jornal ainda aguardando sua vez, sentou no sofá ao seu lado uma criatura de aspecto horrendo, corcunda e que parecia ter dificuldade ao respirar, para falar era ainda mais difícil.

– Boa… Noite… Sr. Botan…- Ele sentou e ficou olhando com seus olhos esbugalhados sem pálpebras na órbita, suas presas pontiagudas tinham uma protuberância que seus lábios sumiam quase como se não existissem na face deformada.

– Sr. Slovack, faz tempo que não o vejo… Aliás, o que faz fora de seu refúgio? – Willian estranhou o ser à sua frente estar na sede da Regência, afinal os Norctons viviam escondidos justamente por causa de sua aparência horripilante e muito desagradável de ser vista até mesmo entre os vampiros.

O vampiro soltou algo que parecia ser um sorriso e virou olhar a Willian.

– Foi necessário… Na verdade, fui chamado com… urgência…- A voz sussurrada e rouca mostrava a dificuldade em falar. – Acredito ser algo… – fez uma pausa para buscar o ar. – Que descobri… recentemente…

Willian ficou sério um momento e fechou o jornal, dobrando e colocando em cima do joelho, apoiou os cotovelos no mesmo e olhou para o vampiro.

– Algo que possa prejudicar o Regente?

– Não sei… dizer… Mas, sabemos quanto ele é… paranóico…- soltou uns grunhidos voltando a lembrar sons de riso.

Willian concordou com ele, Sebastian Slovack era um informante da cidade, qualquer coisa que desejasse saber, bastava solicitar que o vampiro descobria.

– Sebastian, já que nos encontramos, tenho algo que gostaria que descobrisse para mim, pago bem. – Esperou a confirmação.

– E o que… Seria…? – fitou-o – Se valer a pena… aceitarei o serviço.

– Caso Salvatore, segundo a polícia foi assassinado um padre que trouxe vários caçadores do Vaticano para a cidade, soube que um vampiro foi pago para ajudar a encobrir, mas quem me informou não é muito confiável.

A criatura ficou pensativa um tempo e com gesto lento e voz cansada respondeu.

– Verei isso… para o Sr… Botan… – Curvou a cabeça – Willian… Tome cuidado… Seu protegido está com a cabeça a prêmio… – Alertou sobre Greg.

– O desgraçado não toma jeito, tentarei reverter essa situação, foi para isso que vim.

Sebastian voltou a sorrir baixo e finalizou a conversa levantando.

– Ligue-me… daqui a duas noites terei algo… para você… – Caminhou lento e arrastando os pés para a sala do Regente.

Willian ficou observando o vampiro se afastar e voltou a encostar no sofá, ainda tinha que esperar sua vez para aquela audiência com o Regente. As horas foram passando e o salão já estava completamente vazio quando finalmente chamaram seu nome. Levantou e abotoou seu paletó ajeitando o cabelo e indo até a sala do regente. Ao entrar, a porta se fechou atrás dele e um enorme vampiro todo vestido de negro olhava-o sério, apontou com a cabeça a cadeira em frente à mesa do Regente, que naquele momento estava na sua cadeira de costas para Willian.

– Boa noite Sr. Botan. – Ele falou, mas não virou a cadeira. – Sente-se… Quero ouvir de vós um bom argumento para não matar a ti e seu protegido.

Willian olhou no canto dos olhos para o servo do Regente, sabia que aquele era o algoz de Benjamin conhecido como “Pacificador” e um gesto dele e sua cabeça poderia voar do seu pescoço antes mesmo de dizer boa noite. Engoliu seco e se sentou conforme foi lhe permitido. Aquela reunião pelo que notara seria longa, porém se ele saísse vivo daquela sala já seria uma grande vitória, restava saber se seus argumentos serviriam para o regente perdoar ou não as atitudes de Greg.

Pacificador

Tema Music: Late Night Alumni - Rainy Days

Late Night Alumni – Rainy Days Tradução

Dias Chuvosos

O dia está frio
O dia está frio, escuro e triste

E chove
E o vento nunca se cansa

Ivy ainda se agarra à parede
Em cada rajada as folhas mortas caem

E o dia está escuro
E o dia é escuro e sombrio

Existe um coração ainda triste
Oh, fique quieto e deixe de murmurações

Atrás das nuvens
Atrás das nuvens
O sol continua brilhando

Teu destino é o destino de todos
Na vida alguma chuva tem que cair

Alguns dias devem ser escuros
Alguns dias devem ser escuros e sombrios

Atrás das nuvens
Atrás das nuvens
O sol continua brilhando

Atrás das nuvens
Atrás das nuvens

Está o sol
Eu vejo o sol

Atrás das nuvens
Atrás das nuvens
Está o sol

A Dama Negra

Lya uma vampira cuja a existência vem sendo perseguida pelo caçador Gianni que fora padre e abdicou de seu sacerdócio para caçá-la. Em uma eterna disputa de gato e rato, ambos se apaixonam e lutam contra, numa disputa interna de se deixar sucumbirem aos seus sentimentos ou simplesmente acabarem destruindo um ao outro.

Todos os Episódios:

A Dama negra

Isa Miranda

Amo escrever, por isso sou aquilo que escrevo, são as palavras que me dão poder e nelas me torno única. 

  • Leonardo Augusto

    puta q pariu!

    • Isa Miranda

      Fu**** rs