A Dama Negra Nocturna IV – Feliz Ano Novo.

A Dama Negra Nocturna IV – Feliz Ano Novo.

Nocturna IV

 Feliz Ano Novo

“Dificilmente poderei entender o que sinto,

talvez seja minha mente sobrecarregada de tantos por quês,

mas a realidade é única: sem Gianni, não sou nada!”

Estava caminhando entre um vinhedo, a brisa suave balançava as folhagens e parei para admirar a beleza daquele lugar. Uvas frondosas, frescas e prontas para serem colhidas. Toquei sentindo-me completamente feliz com aquilo, colhi e coloquei em uma cesta. Parei aquela agradável tarefa e olhei o alto, com a mão bloqueei os raios do sol que eram suavemente agradáveis. Clima fresco era o ideal para as uvas e isso me dava uma satisfação imensa. Terminei minha tarefa e caminhando de volta vi, na varanda da casa grande, minha amada. Estava sorrindo e mesmo com aquele avental era tão bela como nunca. Ela estendeu os braços gesticulando para meus pés, que sujos de terra entraram pela sala sujando o tapete. Dei um leve sorriso, aquela voz me agradava tanto, amparei-a em meus braços e beijei seus lábios enquanto ela inutilmente me dava socos no peito. Como era linda e como eu a amava.

Abri meus olhos e fiquei surpreso e assustado. A casa, minha bela esposa e o vinhedo… sumiram, deram lugar a um mundo sombrio, vazio e sem vida. Corri em busca dela, gritei, mas minha voz não saía, desesperado corri naquele lugar morto de terra cinza e céu escuro. Aonde estava? Onde ela havia ido? Continuei a correr, sem saber ao certo para onde ir. Até que, exausto, parei perto de um lago cujas águas escuras moviam-se agitadas. Trovões ecoaram tomando minha atenção e as ondas do lago ficaram cada vez mais altas, eu podia ver nelas algo se movendo, uma forma se aproximava da beira nadando entre as ondas bravas, deslizando seu corpo até parar de frente para mim. Seu rosto era familiar, era dela, minha amada. Desesperei-me e quis ir até ela, estiquei a mão, iria tirá-la daquelas águas negras quando sua face mudou, obscura e maligna.

Gianni abriu os olhos, e sobressaltado levantando da cama olhando em volta. Estava tonto e confuso, piscou os olhos diversas vezes para acostumar a visão ao lugar. Ofegava rápido e seus olhos estavam arregalados. Passou as mãos no rosto e inspirou fundo até começar a centralizar sua mente.

– Minha nossa, você sempre desperta assim? – Uma voz masculina vinha da porta do quarto, havia uma meia luz vinda do abajur, que iluminava o rosto do homem de pé que curioso olhava Gianni.

– Pesadelo… Acho que tive um pesadelo…- Gianni caminhou até a cama e olhou de novo o outro homem tentando reconhecê-lo. – Onde estou? E quem é você?

– Ah, desculpe, não me apresentei. – O homem caminhou até a lateral do quarto e acendeu a luz no interruptor na parede perto da porta. – Willian Botan, amigo de Greg. Ele o trouxe ferido há duas noites, tratamos seu ferimento e, enfim, aí está você. – apontou para ele indo até uma poltrona perto da cama, sentou e olhou Gianni com atenção. – Como se chama, sombrio?

O ex- humano olhou o outro e por fim lembrou de que acontecera na delegacia, rapidamente tocou o ferimento no ombro, havia no lugar um curativo. Assim que o levantou, notou que o ferimento feito pela fera que o atacara havia sumido.

– Um lobisomem nos atacou na delegacia. – Olhou Willian – Sou Gianni Salvatore e, por favor, não me chame de sombrio. – Voltou a se olhar, estranhando o sumiço do ferimento.

– Gianni Salvatore… – Willian o olhou como se soubesse quem era ou conhecesse aquele nome. – Do caso do hotel Palace?

Gianni olhou-o de imediato.

– Como sabe sobre isso?

– Foi assunto nacional, impossível não saber. O padre assassinado, cujo corpo foi encontrado na baía perto das docas. – Andou para perto dele, desconfiado. – O Vaticano mandou seu pessoal, a cidade ficou cheia de padres, ou melhor, caçadores. – Inclinou a cabeça de lado olhando-o de cima a baixo. – Então, você é o Salvatore?

Gianni balançou leve a cabeça confirmando, porém tudo aquilo era surreal, como poderiam ter feito uma farsa daquelas para encobrir seu desaparecimento?

– Sou Gianni Salvatore, posso garantir que estou vivo e possivelmente tudo isso seja uma forma de encobrir o que realmente me aconteceu. – Passou a mão na testa nervoso.

Greg apareceu na porta e olhou ambos conversando, entrou no quarto carregando na mão um enorme sanduíche e parou de frente a eles dando uma mordida generosa.

– E aí, sombrio – falava abafado com a boca cheia o sotaque russo carregado. – “Suavão”? – Riu enquanto mastigava.

Gianni olhou-o intrigado, afastou uns passos e sentou na beira da cama.

– Greg, seu amigo ainda não está muito bem… Papo estranho…- Willian mal começou a falar e Greg o cortou.

– Então, ele é o tal padre. Foi o que ele disse na delegacia, mas seguinte, tive que fazer a maior confusão lá para livrar ele, o delegado queria saber a verdade. – riu voltando a da outra mordida generosa no sanduíche, continuou a falar enquanto mastigava. – O cara é vampiro e ia falar para eles.

– Eu não iria contar que sou… vampiro. – Falou de si nessa condição e sua face se fechou agoniado. – Eu não era até mais de um mês atrás. – Colocou as duas mãos cobrindo o rosto e inspirando irritado. – Ela fez isso tudo, ela me condenou a essa condição, sou um monstro…

– Ela?! – Greg olhava o vampiro, estranhando. – “Que” está falando ai sombrio? Que monstro que nada, o lobisomem bateu forte sua cabeça?

Willian estava intrigado, cruzou os braços sobre o peito e falou sério.

– Escute, sombrio, Greg chegou aqui com você nas últimas, quase entrando em “torpor” por ter perdido muito sangue. Pediu minha ajuda falando que você matou um lobisomem na delegacia e ajudou-o a fugirem. – fez uma breve pausa – Eu concordei em ajudar, porque havia fatos que Greg me relatou sobre você e a qual nunca ouvi falar, fatos esses que gostaria que me respondesse.

Gianni olhou-os tenso e depois baixou a cabeça pensativo, ponderando se deveria falar ou não contar o que lhe aconteceu a aquela dupla de sanguessugas.

– Aê, sombrio, já que me ajudou e claro que lhe dei uma força e ajudamos com o ferimento, diga logo aí quem é você?

Gianni estava ponderando. O que deveria fazer? Contar a ambos a verdade? Confiar naqueles dois?

– Escuta, se quiséssemos lhe fazer algo, já teríamos feito, certo? – Greg olhou ele e apontou a Willian, que confirmou com a cabeça.

– Que escolha tenho…? Pior que está não dá para ficar. – Gianni os olhou.

O ex-padre contou sobre Roma e quem era, falou de Lya e de sua missão, relatando que seus amigos foram mortos e que largou o sacerdócio para caçar a vampira. Enquanto relatava, ambos os vampiros ficaram se olhando intrigados com cada palavra daquele relato. Gianni continuou a contar de como a seguira em Nova Iorque e do tiro que o vitimou na noite que fora transformado, por fim relatou o seu desespero ao acordar e se ver na condição de criatura igual a eles, e que dias atrás fugira de Lya. – Então, quando fui à delegacia pegar meus pertences soube que estou morto e agora estamos aqui frente a frente, questionando minha identidade real.

Greg estava de queixo caído, após ouvir tudo ficou calado. Willian olhava-o com os olhos semicerrados. Ficaram os três se olhando em silêncio até que o vampiro tatuado falou alto.

– Puta que pariu, ele é mais maluco que eu. – Deu uma nova mordida no sanduíche – Loucão… – riu.

– Não sou louco, pediram a verdade e contei.

Willian encostou as costas na cadeira e ficou pensativo.

– Não estranhe o jeito de Greg, esse boca suja é desequilibrado, mas tenho que concordar que sua história é muito surreal, para não dizer lunática.

– Por quê? – Gianni estava ficando irritado com aqueles dois. – Diga-me, Sr. Botan, por qual motivo minha história não é real?

Willian inspirou baixo, desencostou as costas da cadeira e apoiou os cotovelos na perna enquanto respondia a pergunta dele.

– Vamos por partes, começando pelo fato de dizer que é um recém transformado, atualmente não existe sangues puros na cidade para transformar um humano, e sabemos quem é a dama negra, ela não transforma porque não é uma puro. – picarreou e continuou a falar. – Agora o fato de alegar ser um caçador do Vaticano, isso é algo que podemos até cogitar, afinal, segundo Greg, você usou uma arma de matar vampiros e atirou no lobisomem… Que na minha concepção deve ainda estar vivo, até porque eles não morrem assim tão fácil com um tiro desse tipo de arma.

Enquanto falava, Greg concordava e falou novamente de boca cheia.

– Ele segurou uma arma que só caçadores podem pegar, diga aê cara como consegue? Esse troço queima a gente se tentarmos tocar.

Gianni inspirou baixo e olhou ambos, surpreso com o fato deles acharem que Lya não é um sangue puro. Ele sabia de sua real natureza segundo relatos e pelos crimes dela. Lya fora condenada ao extermínio pelo fato de ter o poder de transformar humanos.

– Ela é um sangue puro, pode estar disfarçada dos demais de sua raça. Não sei seus motivos, mas ela me transformou e agora estou querendo que ela pague por isso. – falou baixo irritado – Ela tem que pagar.

– É possível que ela possa estar se escondendo, sangues puros são poderosos e conseguem fazer tal proeza de reduzir sua linhagem para esconder sua verdadeira natureza. – Willian analisava em voz alta aquelas palavras.

Gianni ainda estava preocupado com tudo que acontecera até aquele momento, queria esclarecimentos, precisava chegar em Roma e saber o que realmente acontecera.

– Preciso voltar à Roma, segundo aquele relatório fizeram o reconhecimento do corpo e me consideraram morto. Acredito que foi Lya quem planejou tudo isso.

Greg coçou a cabeça e apontou o dedo para Gianni, olhando Willian.

– Se ele fala a verdade, por que depois de virar vampiro ele consegue segurar a arma?

Willian virou o rosto a Gianni como quem fizesse a mesma pergunta ao ex-humano.

– Eu posso ter sido agraciado pela ordem Divina com tal permissão…- engoliu seco comprimindo os lábios. – Eu só posso acreditar nessa resposta, já que inicialmente não consegui segurar, somente depois que pedi permissão a Dio consegui. -Começava a ficar inquieto com tantos questionamentos. – O resto o tatuado aí pode confirmar. – Levantou por fim e caminhou até a janela olhando a noite, foi quando notou que estavam em um edifício, talvez em uma cobertura onde via a cidade lá embaixo.

Willian chamou Greg para mais perto e falou com ele, talvez ambos estivessem analisando tudo, Gianni podia notar que Greg de certa forma queria mantê-lo ali com eles e ajudar. Willian ainda se mantinha cauteloso, mas acabou concordando em ajudar o sombrio. Levantou e foi até Gianni.

– Sr Salvatore, vamos lhe ajudar, principalmente porque essa sua história é muito intrigante e quero realmente saber mais de tudo isso. – Fez uma breve pausa – No entanto, tenho ainda uma dúvida, como consegue manipular sombras? Afinal, você é um carniçal da dama negra, não deveria nem ter dons, já que é um ex-humano.

Gianni franziu a testa e olhou-o intrigado, aquele fato era novidade. Nos relatos dos arquivos que contavam sobre os seres que caçava, havia informações detalhadas sobre ex-humanos se tornando carniçais e que não tinham poderes, apesar de sentidos, percepção e força serem maiores na nova condição. Ele estava usando os mesmo dons que Lya e isso atiçou sua curiosidade.

– Não sei dizer, descobri que podia controlar na delegacia.

– Que inusitado, um vampiro carniçal que controla sombras e pega em arma de caçador. – Sorriu no canto dos lábios. – Isso será muito divertido de se acompanhar bem de perto. – Estendeu a mão a Gianni. – Vamos ajudar a chegar em Roma e descobrir tudo.

Greg riu e sentou na beira da cama.

– Loucura total.

Naquele resto de noite, Gianni ficou ouvindo Willian relatar sobre ambos, informou que vivia naquele prédio e ajudara Greg certa vez, relatou além disso, sobre sua procura a sua senhora que desapareceu alguns meses atrás e que ela era uma sangue puro.

– Greg arrumou uma baita confusão na delegacia, mas como sempre a nossa regente conseguiu encobrir tudo. No entanto, creio que teremos que dar explicações a ela, afinal humanos viram um lobisomem, não é, Greg? – Fuzilou o tatuado com o olhar. – Além, claro, que estão marcado pelos lobos.

– Ei, eu não fiz nada demais, não tenho culpa se os cachorros são burros. -Greg levantava os braços para cima resmungando e balançando. -Eu expliquei a situação, porém o cara não entendeu, problema é dele. – Deu de ombros, largado na poltrona.

– O que fez para irritá-lo àquele ponto? – Gianni olhou sério para Greg enquanto pegava sua sacola e olhava seus pertences pessoais ao abrir a mesma sobre a cama. Fez tal pergunta por fazer, queria apenas distrair a cabeça enquanto olhava suas coisas.

– Ah, eu estava com uma gata, saca? Gostosa e estava na minha, ia dar umas mordidas nela, matar a sede e fuder a noite toda – riu divertido – Só que a garota se assustou comigo lá no bar enquanto estava dando uns amassos nela, deu ruim e ela foi embora. – Bufou – Eu a segui e entrei no Central Park, foi isso.

Gianni virou os olhos para ele, questionando.

– Central Park é território da matilha de Thor Armand, o rei dos lobos, e somos proibidos de entrar lá. – Willian respondeu.

– Bom saber, não pretendo entrar lá para enfrentar um lobisomem novamente. – Gianni realmente evitaria aquele lugar, sabia bem que o que acontecera na delegacia fora pura sorte, já que atirar em um lobisomem e sobreviver ao ataque deles era quase impossível.

Willian por fim levantou da outra poltrona e olhou ambos.

– Vou ver como ficaram as coisas, os dois me esperem no apartamento.

Greg bateu continência ainda sentado de qualquer jeito e voltou a comer mais um pedaço do sanduíche finalizando-o.

– Não tenho para onde ir no momento, usufruirei de sua hospitalidade, Sr. Botan. – Voltou olhar seus livros sobre a cama.

– Willian, pode me chamar assim, Gianni, acho que agora somos um bando e vamos nos ajudar, então sem muitas formalidades. – virou abrindo a porta e saindo.

Greg largado no sofá olhava de longe os pertences de Gianni, viu que havia uma batina e levantou pegando-a.

– Ei, sombrio, isso é muito legal, posso pegar para mim?

Gianni olhou-o com sua batina na mão e inspirou baixo. Estendeu a mão e pegou do outro vampiro, ficou com ela nas mãos um tempo olhando a veste que usava com orgulho e fé.

– Sr Greg evite chamar-me assim, pode me chamar pelo nome por favor? – Fitou pegar a batina. -Não., essa batina ainda é meu elo com minha fé e um dia posso ter a redenção que procuro. – Guardou-a na sacola e olhou o vampiro tatuado. – Sr Greg, agora preciso de um tempo a sós. – Apontou a saída do quarto ao vampiro.

– Hum… Ok… – Greg concordou. – Ei, Gianni, estamos juntos, “suavão” – bateu no peito com o punho direito e saiu deixando o ex-humano a sós como havia pedido.

Passou aquela noite pensando em tudo e agora precisava falar com Roma e informar que estava vivo, porém não da forma que eles imaginavam. Gianni temia a reação de todos do clero que faziam parte do grupo de caçadores. Será que iriam entender que ele não sucumbira ao mal e sim fora pego e enganado ao ponto de ser amaldiçoado com aquele estado vampiresco?

Inicio da noite da virada do milênio…

Lya caminhava pelas ruas naquela noite fria, olhava vez ou outra para cima para ver se era seguida por Michael em forma de corvo. Queria respostas sobre seu elo com Gianni que não lhe mostrar onde o ex-humano estaria, solicitou ajuda de um vampiro antigo que poderia lhe contar ou ao menos lhe mostrar o rumo para descobrir.

Chegou na biblioteca pública de Nova Iorque, local que fora orientada a esperar pelo vampiro, entrou e foi direto para área mais remota, descendo as escadas e entrando em uma sala grande que muitos usavam para pesquisas. Caminhou entre as estantes e pegou um livro, voltou até a mesa e sentou abrindo-o e lendo para esperar a chegada do outro vampiro.

Pouco mais de uma hora e já havia lido três livros quando um homem alto de cabelos castanhos na altura do ombro se aproximou e sentou na cadeira de frente a ela.

– Aprecio quem aprecia livros, afinal são neles que descobrimos mundos e mais mundos que outrora eram esquecidos devido a modernidade humana. – De fala mansa carregada no sotaque britânico o elegante vampiro ajeitou o casaco, desabotoando e ficando mais a vontade perante ela.

– Sr Strack, fico lisonjeada por tal elogio. Eu gosto de ler, isso é fato, e fazia um bom tempo que não visitava essa biblioteca. – Lya sorriu gentil a ele.

– Presumo que o que busca não se encontra em livros, acertei?

– Não, eu quero respostas, Solomon, aconteceu algo que me intriga e preciso descobrir antes que se torne um problema ainda maior. – Ela parecia tensa ao falar daquilo com ele.

– O que aconteceu para estar tão tensa, minha carrissima amiga?

– Elo… – respondeu de imediato.

Ele ergueu as sobrancelhas admirado com a resposta e depois sorriu ainda surpreso.

– Ora, isso realmente é inusitado, logo com vós?

Ela balançou a cabeça lentamente confirmando.

– Eu posso imaginar o quanto isso tenha mexido com seu interior, é importante, de fato, e até digno de ser comemorado, no entanto tem seus reveses e acredito que seria por isso que veio até mim, o revés.

– Ele fugiu de mim, não consigo localizá-lo. – Falou baixo quase como murmúrio – O que faço? Por que isso aconteceu?

Solomon ficou olhando-a um tempo, pensativo, e por fim falou a ela sem muitas esperanças em suas palavras.

– Lya, minha cara amiga, nunca ouvi falar de um elo dessa forma, tem certeza que isso que sente é realmente o elo? Veja bem, o elo é algo forte e inevitável para um vampiro, ambos ficam ligados para sempre e mesmo que estejam longe de seu elo, ainda assim a ligação é forte ao ponto sentirem a presença e, segundo os antigos, até as sensações um do outro.

– Eu sei de tudo isso, Solomon. O que sinto é forte, minha sede apertou depois de tê-lo encontrado, desde então vivemos numa eterna caçada, e eu nesse exato momento quero encontrá-lo. – Fez uma breve pausa. – Era mais fácil antes da transformação, deveria ser mais forte depois dele se tornar vampiro, no entanto, perdi o contato.

– Seu elo, um ex- humano… – Falou surpreso. – Interessante, sabe que se arriscou ao transformá-lo, em revelar que é um sangue puro? Não preciso dizer que pode lhe trazer sérios problemas.

– É por isso que preciso encontrá-lo. Diga-me, existe uma forma de reverter essa situação?

Solomon ficou pensativo e olhou-a.

– Pesquisarei sobre isso, me procure daqui a três noites. – Solomon levantou e ajeitou seu casaco, curvou para ela com o punho direito sobre o peito, no lado esquerdo. – Até breve minha cara amiga.

Lya olhou-o sair e sumir entre as estantes da enorme biblioteca. Ficou um tempo sentada olhando aquele lugar, perdida em seus pensamentos. Inspirava baixo tentando imaginar os motivos, afinal ela queria vê-lo e sentia a sua falta. Por fim, levantou e saiu do lugar, caminhou entre as estantes e voltou à saída da biblioteca. Já do lado de fora nas escadarias, olhou o alto e viu Michael em forma de corvo sobre a estátua olhando-a.

Desceu as escadaria até alcançar a rua e tomar o rumo de volta ao hotel onde se hospedara, estava sem pressa e ouvia um ou outro humano falando em ir para a Times Square. Ficou pensativa parando de andar e olhou o rumo que todos estavam tomando.

– Por que não?… – Mudou seu caminhar tomando a direção do local, decidida assistir a virada do milênio naquele famoso lugar, tomou o ônibus e pouco depois saltou próximo ao lugar que já estava com suas ruas próximas interditadas a veículos.

Caminhou entre eles e parou olhando o alto, seus olhos tinham um brilho diferente, estava estranhamente sentindo-se bem com todo aquele movimento. Eram vozes felizes, risos comemorativos e semblantes alegres daqueles humanos comemorando algo que para ela era nada mais que uma noite dentre tantos séculos vividos.

Estava até gostando de comemorar junto a eles, algo diferente, pois sempre se mantivera reclusa evitando tanta aproximação de humanos. Nesse momento perdida naqueles pensamentos fora desperta ao sentiu algo encostar atrás de si. Ficou imóvel e notou o ar frio na sua nuca vindo dos lábios do ser atrás de si.

– Eu esperava que fosse capaz de muitas coisas, mas depois daquela noite deixei de duvidar de tudo que vem de vós. – A voz dele grave e ríspida foi cortante até ela.

– Eu não entendo, nunca menti para ti, agora age como se eu tivesse lhe enganado o tempo todo. – Lya respondeu sentindo uma pressão no peito sabendo quem estava ali, mesmo sem olhar para trás.

– Chega, Lya. – Ele desceu a mão pelo corpo dela e pegou-a pelo pulso puxou-a arrastando do meio da multidão.

Ela nada falou, somente se deixou levar por ele. Olhava-o pelas costas, estava de sobretudo pesado, escuro e seus cabelos balançavam com o movimento apressado que fazia para saírem dali. O olhar da vampira suavizou e sua garganta ardeu pela sede, queria seu sangue, seus braços e seus beijos.

Logo que se afastaram, ele olhou por cima do ombro para ela, seus olhos se cruzaram e Lya sentiu um arrepio, talvez de excitação pela forma como ele a dominou e levo-a para longe dali. Gianni voltou o rosto para a rua e parou na calçada procurando um lugar, até que ainda puxando-a pelo braço foram parar em um beco fora dos olhares daqueles humanos.

– Gianni, fico feliz que tenha sobrevivido sozinho e eu…

– O que pretendia fazer deixando que todos soubessem que estou morto? – Foi direto olhando-a sério.

– O que? Do que você está falando? – Ela estranhou a pergunta.

– Caso Hotel Palace, segundo as autoridades policiais locais, fui assassinado e para minha surpresa até um corpo foi usado para encobrir tudo. – Falava irritado com ela – O que pretende Lya? Já não bastava me amaldiçoar com essa existência maldita, quer o que de mim?

Lya não entendia o que ele questionava, ficou calma e se aproximou dele falando em uma voz quase melodiosa.

– Gianni, eu não sei nada sobre isso, não tem como fazer algo assim sem comprar meia cidade para conseguir, posso lhe garantir que não foi eu quem fez isso, apesar de ainda não entender bem sobre terem encoberto algo que ao meu ver ninguém sabe. – Ela ficou séria. – Não pretendo que descubram que lhe transformei.

– Não pretende.- Comprimiu os lábios irritado. – Claro, seria um belo desastre para vós se souberem que é uma puro.

Ela sabia que a cada minuto ele se irritava mais e precisava contornar a situação.

– Vamos sair daqui? Ir a um lugar mais reservado para conversarmos e posso lhe explicar tudo.

Gianni vacilou um pouco, estava irritado, porém era mais pela sede que aumentava perto dela do que com ela em si, não que aquilo não fosse também um dos motivos de sua irritação. Ponderou um tempo e por fim concordou.

– Vamos. – Ela andou à frente tomando o rumo da rua, saindo do beco. – Eu estou em um hotel de frente ao Central Park.

Ele a seguiu e logo tomaram um táxi, ambos foram o caminho todo em silêncio, vez ou outra trocavam olhares, porém Lya preferia não provocá-lo até que chegassem ao hotel. Pouco depois ambos atravessavam o hall de entrada e pegavam o elevado. Gianni estava bem seguro de si o tempo todo a evitando. Lya achava estranho o fato dele não se abalar com a presença dela, ficou triste com aquilo. Ao saírem do elevador, chegaram na sua suíte e assim que entraram ele voltou a puxá-la dessa vez surpreendendo-a ao encostá-la na parede tocando o pescoço dela.

Os olhos vermelhos do ex-humano denunciavam a sede e ela suspirou quando ele virou seu rosto para expor seu pescoço, assim Gianni aproximou os lábios e tocou a pele alva, deslizando e passando levemente a língua antes de expor as presas e morde-la para tomar de seu sangue.
Lya gemeu baixo com o toque dele e seus braços envolveram pelo ombro deixando que saboreasse dela. O desejo dela somente aumentou com aquele contato, notou que as mãos dele percorriam seu corpo e puxava-a para junto do dele, aquilo lhe arrepiava a pele.

Gianni estava sedento e tomou dela generosos goles de sangue. Afastou os lábios molhados do rubro saboroso e lambeu-os. Em seguida lambeu o pescoço dela, esforçou-se muito para se afastar e ficou olhando-a um tempo, até que a soltou e afastou alguns passos.

– Gianni… – Lya baixou a cabeça e tocou o pescoço. – Estava sedento, não tem se alimentado pelo que senti. – Olhou-o.

Gianni andava pelo quarto um tanto inquieto como um animal enjaulado, não tirava os olhos dela.

– Eu me viro por ai, mas a mordi porque merece. – bufou e parou de frente para ela. – Responda minhas perguntas.

– Eu já disse, não tenho nada a ver com essa farça montada para ti. – Ela andou até ele. – Quero que fique aqui, precisa se acostumar e…

– Não. – afastou-se dela – Não vim aqui para isso, eu não pretendo ficar, vou descobrir quem fez isso e por que. – Andou até a porta. – Adeus, Lya. – Tocou a massaneta pronto para girar e abrir a porta.

– Gianni, fica comigo essa noite pelo menos, não irei prendê-lo, mas esta noite, na virada do milênio, não se vá…- Falou murmurando baixo, olhando-o com um brilho intenso e um tanto emocionada.

Ele parou olhando a maçaneta da porta, segurando-a pronto para abrir e sair, mas a voz dela e aquele pedido, já estava sendo difícil ficar na presença dela sem entregar-se ao seus braços. O desejo pelo sangue era forte e fazia-o querer mais e ficar ali com ela, desejo esse que fazia-o ponderar sobre seu pedido. Foram segundos eternos até se dar por vencido e soltar a maçaneta da porta.

– Após a virada do milênio irei embora. – Virou-se para ela e olhou-a cruzando os braços sobre o peito.

Lya sorriu e foi até ele em passadas suaves, feliz. Seu sorriso o afetava ainda mais, quase fazendo esmorecer na sua frente, manteve-se na mesma posição quando ela chegou bem perto.

– Champanhe? – tocou o braço dele oferecendo a bebida.

– Não. – resmungou baixo. – Quer comemorar? Faça-o sozinha eu não tenho motivos para comemorações. – Continuou sério.

– Dio mio, precisa ser tão ranzinza? – afastou dele indo ao pequeno bar e pegando a garrafa. – Ao menos está aqui comigo.

Ele olhava-a, por dentro lutava para evitá-la, mas seus movimentos suaves e sua voz eram chamarizes demais para Gianni, fora uma péssima ideia ter aceitado ficar, pensou consigo.

Quando ela abriu a garrafa, riu e olhou-o, serviu duas taças e foi até ele, lhe estendeu uma delas.

– Vamos, não precisa comemorar, mas é uma boa bebida, merece ser saboreada.

Gianni inspirando baixo, descruzou os braços e ao pegar a taça. Os dedos se tocaram e ficou ali parado sentindo o toque. Ambos olhavam as mãos tocarem-se, Gianni levantou o olhar a ela.

– Eu a odeio. – Esbravejou. – Odeio o que sinto e odeio ainda mais o fato de não estar mais conseguindo evitar. – Puxou a taça da mão dela largando-a, deixando cair sobre o tapete e envolveu-a pela cintura com o braço e tocou seu rosto com a outra mão, olhando-a nos olhos. – Amore mio, que destino cruel veio a me condenar, agora o meu desejo é só querer-te, maldita… – Tocou os lábios dela com os seus. Primeiro suavemente, depois o beijo ficou intenso.

Lya retribuiu aquele beijo na mesma intensidade, seu corpo estava totalmente entregue a ele, deixando-o que fizesse o que desejasse. Sentia sede apertar junto com a excitação e foi cada vez mais relaxando o corpo.

Assim que ambos afastaram os lábios ela passou os braços por cima do ombro dele e suspirou baixo murmurando a ele.

– Eu o quero mi amore, desejo-o tanto, não me odeie, como disse nunca menti para ti, se me condena, então se condene também, já que sente o mesmo por mim. – Tocou o rosto dele voltando a beijar os lábios do seu vampiro.

Ele nada falou, já havia perdido novamente aquela batalha em negar a si mesmo o desejo que tinha por ela, segurou-a nos braços e levou-a para cama, agindo somente pelo desejo louco deitaram na cama, despindo-se e trocando carícias, afagos, beijos.

Faltava poucos minutos para virada do milênio e eles se amavam, entregava-se um ao outro, desejosos e sedentos, trocando beijos e toques, ele a possuía. Conforme se moviam no ato, seus corpos vibravam como uma sintonia única, movimentos intensos aumentando até alcançarem o êxtase do ato. Lya gemia entregue a ele, envolveu-o e seus olhos vermelhos denunciavam que não suportava mais a sede e no momento que chegaram ao clímax, com seus corpos unidos ela mordeu seu pescoço, sugando o sangue com voracidade.

Gianni abraçou-a com força e se entregou de vez aquele ato deixando-a tomar dele, isso o excitou ao ponto de chegar ao clímax, gemeu alto e afundou seu rosto nos braços dela.

O quarto estava sendo iluminado pelas luzes dos fogos, ambos estavam deitados, ela com a cabeça sobre o peito dele. Gianni olhava o teto do quarto com olhar perdido, no entanto tocava os cabelos dela afagando-a quase involuntário. Questionou-se porque estava sentindo-se daquela forma, sentia-se bem ali, sentia-se feliz. Fechou os olhos e inspirou fundo, quando abriu-os, baixou olhar a Lya que estava quieta e aconchegada ao lado dele, a vampira havia adormecido

-O que farei…? – murmurou confuso.

-Feliz ano novo… mi amore… – a voz sonolenta dela chamou atenção.

Gianni engoliu seco e sentia cada vez mais perdido, sem saber mais o que pensar. Precisava ficar longe dela, assim sua influencia não interferir na razão e então, poderia decidir o que fazer. Agora estava ao seu lado e mesmo que se esforçasse, não conseguiria levantar e ir embora, decidiu ficar e pouco depois adormeceu.

Continua…

Música Tema Sarah Brightman - Here with me

Isa Miranda

Amo escrever, por isso sou aquilo que escrevo, são as palavras que me dão poder e nelas me torno única. 

 

  • Cleber Medeiros

    que amor é esse o de Lya e Gianni! lindos

    • Isa Miranda

      É um amor daqueles rs <3

  • Eduardo Moretti

    Lya e Gianni s2!!! Demais Isa.

    • Isa Miranda

      Agradecida Migooo … vem mais ai … tretasss <3

  • Andrea Bertoldo

    Ta ficando cada vez melhor! Amei!

    • Isa Miranda

      Obrigado amiga … vamos que Vamos … o próximo vem com tudo o/