A Dama Negra – Nocturna – Finale?

A Dama Negra – Nocturna – Finale?

“… E no meu corpo ainda sinto o seu perfume
O resultado do nosso confronto
E se para os outros já não faz sentido
Eu continuo tentando insistindo

(…)

Invento artifícios para nunca te perder
Eu não vou te perder…”

Tudo Que Eu Falei Dormindo – Detonautas

A puro olhava o galpão pela janela do carro, estava escuro e silencioso, o lugar abandonado ficava em uma rua próxima ao Central Park. Aquela madrugada estava fria, saltaram do carro e caminharam sorrateiramente aproximando-se do local. Lya fez um gesto para que Michael voasse até as janelas e observasse o lugar por dentro, fez outro gesto com apontando com a mão para Rodney encontrar uma entrada e assim poderem invadir o lugar.

Dados os comandos o trio se separou, Lya se direcionou para o lado norte e o outro vampiro para o lado sul descendo a viela lateral do galpão. Michael assumiu a forma de corvo, voou até a janela que tinha um dos vidros quebrados, pousou entrando pela mesma e depois parou nas vigas de metal enferrujado que sustentavam o telhado. Olhou tudo em volta e sobrevoou o lugar até encontrar as jaulas abertas, pousou no topo de uma delas e inclinou a cabeça olhando tudo e depois ao redor, grasnou algumas vezes e levantou voo novamente, dessa vez para ver se havia alguém mais no local.

Lya parou diante de uma porta lateral esperou pela volta de Mic, no momento seguinte ouviu o barulho de um carro se aproximando e escondeu-se nas sombras do beco rapidamente, dali observou o carro preto parar e um trio de “metaleiros” vestidos de couro saltar. Farejou e identificou-os como sendo lycans. O trio entrou no local e logo em seguida ouviu-se um falatório que lhe pareceu uma discussão entre eles, voltaram para o carro furiosos e saíram em disparada com o veículo cantando pneu. A vampira saiu das sombras desconfiada e olhou o céu, estendeu o braço para que Mic pousasse e assim ela poder ver o que ele viu dentro do lugar.

– Eles estavam furiosos, mostre-me Mic o que viu. – Os olhos de ambos ficaram fixos e ela viu o local, estava vazio e havia as celas arrombadas, depois no sobrevoo da ave viu o trio entrar e constatar que o vampiro e uma garotinha haviam se libertado, discutiram entre si e saíram para procurar.

– Lya. – Rodney apareceu no outro extremo do beco e caminhou até ela. – Não há nada lá…

– Eu vi, Mic trouxe informações, ao que parece Gianni e uma garota fugiram da cela, o trio de lobisomens saiu para caçá-los.

– Uma garota? – Desconfiou de quem seria. – Vamos segui-los?

– Não, vou procurar Gianni, ele está em fuga, possivelmente irá a um local que seja familiar. – Pensativa sobre como achar tal local, recordou da dupla que estava presa na cela dentro da sede da Regência.

Pegou o celular e fez uma chamada, aguardou dois toques e foi atendida.

– Benjamin, desculpe, mas nosso encontro terá que ficar para outra ocasião, eu descobri onde está meu irmão, possivelmente ele está sendo caçado pelos lobisomens.

– Srta Merelyn, sinto por isso, mas encontraram seu irmão? – Ele questionou já sabendo que havia uma movimentação dos lycans no Central Park.

– Ele foi capturado pelos lycans, ao que constatei aqui no galpão abandonado que vim investigar, ele fugiu e estão atrás dele. – Ela suspirou baixo. – Essa dupla de vampiros que mantém presos, eles podem ter uma ideia para onde ele iria em caso de uma fuga.

– Faremos assim, irei até vós e veremos o que podemos fazer, alguns dos meus seguranças já estão nas redondezas do Central Park e se houver alguma quebra de acordo por parte dos lycans, invadiremos o local. – Ele estava muito sério enquanto falava com ela.

Lya se alarmou, se invadissem o lugar teria uma luta e possivelmente Gianni ficaria entre eles, lidar com lobisomens não era algo para qualquer vampiro, era loucura do Regente tal empreitada em iniciar uma batalha naquele lugar.

– Benjamin, é arriscado, meu irmão está em algum lugar sendo caçado, quero falar com esses dois vampiros presos, preciso que eles me deem pistas por onde procurar por Gianni.

– Vou levá-los, encontre-me no portão norte do Central Park. – O Regente desligou a chamada sem dar chance da puro retrucar.

– Ótimo, ele quer começar uma batalha naquele lugar, espero que de todos os lugares possíveis que ele esteja que tenha evitado o Central Park. – Olhou os dois vampiros, Mic já de volta a forma normal e Rodney que mal podia se conter sobre aquela situação.

– Lya, isso está ficando fora de controle. – Resmungou entre os dentes. – Não podemos enfrentar tantos lycans juntos, sinto dizer, mas seu padre já era.

– NÃO! – Ela negou com a cabeça e foi para o carro. – Não vou desistir, vamos até lá e interrogarei aqueles dois, vou descobrir onde está Gianni antes do lycans. – Entrou no veículo, sendo seguida pelos dois que tomaram seus respectivos lugares.

O carro saiu em disparada e tomou o rumo ao Central Park, a sangue puro estava tensa, apreensiva demais. Possivelmente teria que entrar naquela disputa caso os lycans capturassem Gianni, mas faria de tudo para salvá-lo, nem que para isso tivesse que se revelar e usar seu real poder.
Dentro do Central Park tudo estava silencioso demais. Não havia sons, nem do vento nas árvores, muito menos dos sons dos carros passando no lado de fora do parque, havia uma sensação incômoda de que algo sobrenatural havia tomado o lugar.

Nicolly correu entre as árvores levando Gianni no dorso, o ex-padre estava muito fraco, a falta de sangue estava deixando-o ainda mais sedento e ele já tinha um aspecto mais fechado e sombrio, sua mente girava e mal consegui identificar o local a sua volta.

A lycan mestin, correu até parar debaixo de uma ponte de pedra, arriou o corpo e fez o vampiro sentar no canto encostando na parede. Farejou o vampiro e notou que estava quase em desespero pela sede de sangue, afastou-se dele e farejou o alto, iria arranjar sangue para o amigo vampiro. Voltou a face para ele e grunhiu dando a entender que voltaria logo, então saiu deixando o vampiro encolhido no canto, sedento e de olhos vermelhos.

Gianni mal conseguia pensar, o ardor na garganta descia e queimava as entranhas. Ele se abraçou contorcendo o corpo, olhou em volta e viu correndo entre as frestas da parede de pedra uma ratazana, sem pestanejar agarrou e a mordeu como um animal desesperado e bebeu todo o sangue até o roedor ficar seco, jogou a carcaça fora no riacho que corria por baixo daquele lugar, procurou mais e se embrenhou andando já com forças para caçar, Farejou novamente localizando mais daquelas ratazanas e capturou-as mordendo e sugando o sangue desesperadamente.

Pouco depois, já mais controlado, porém ainda sedento, o ex-humano caminhou saindo debaixo da ponte e pode notar onde estavam, estremeceu ao identificar que havia prédios altos ao redor daquela pequena floresta, só podiam estar em um lugar. O desespero bateu e ele embrenhou-se entre as árvores para esconder-se, estava no pior lugar daquela cidade, o reduto dos lobos, precisava sair o mais rápido possível do Central Park.

Caminhou sorrateiro nas sombras das árvores olhando tudo com apreensão, tinha que sair, mas não conhecia aquele lugar e muito menos sabia qual era a saída mais próxima, decidiu chegar às grades do muro lateral do parque e tentar pular, tomou o rumo subindo pelas calçadas entre as árvores.

Nicolly voltou com alguns ratos e gatos abatidos por ela, ao entrar debaixo da ponte ficou nervosa ao ver que Gianni havia saído. Largou a caça no lugar e correu entre as árvores farejando à sua procura dele. Precisava achá-lo logo, se algum lycan o visse ali seria morto por invadir o lugar sem permissão. Não podia perder Gianni, ele seria a testemunha que ela precisava para provar ao pai que seu irmão era um traidor e que tinha sido ajudado pela Sophia. Essa era parte pior para a jovem loba, aquela mulher fora de total confiança, estava cuidando dela desde que a mãe falecera, e agora estava traindo a confiança de seu pai.

Nicolly correu e farejou o lugar, ouviu então ao longe o som de mais lycans se aproximando. Assustada, escondeu-se preocupada com a possibilidade de ser o trio de lycans que estavam ajudando Lucian e Sophia.

Gianni caminhou até chegar à grade de ferro que separava o parque da rua principal e parou ofegante. Estava sujo e seu rosto pálido demais, olhou para ver se não havia ninguém para assim pular as grades sem chamar atenção, foi quando viu um carro passar e dentro dele estava ela, Lya estava no carro. No momento seguinte não soube dizer como ou por que, mas sua voz ecoou chamando seu nome de tal forma que denunciava todo seu desespero pela ajuda dela.

O chamado fora certeiro e o rosto da puro virou em sua direção, a vampira arregalou os olhos e em um gesto sem pensar abriu a porta do carro saltando e correndo em direção as grades parando de frente a ele e tocando seu rosto.

– Lya… – Gianni respirou aliviado com o toque dela em seu rosto. – Tira-me daqui…

Ela estava com os olhos vermelhos e lacrimejantes, balançou a cabeça concordando e olhou para cima das grades iria saltar para ajudá-lo a sair.

– Afaste-se um pouco, vou saltar e entrar para tirá-lo daí. – Ela começou a se preparar para saltar.

Ele se afastou das grades e sentiu um bafo quente na nuca. Um arrepio percorreu todo o corpo, o pavor tomou conta de si e ao olhar nos olhos de Lya notava o total pavor olhando para ele. Gianni sabia que estava perdido e o rosnado feroz em sua nuca denunciava que o lycan atrás dele não era a Nicolly. Fitou trêmulo a vampira e seus olhos fecharam sentindo que agora era seu fim. No instante seguinte a criatura agarrou o braço dele com a boca e o arrastou por entre as árvores sob o som dos gritos de Lya.

– GIANNI!!! – Ela saltou mesmo com os protestos contra de Michael e Rodney, correndo atrás do lycan com seu amado.

– Droga Lya, isso é mal! – Michael colocou as mãos na cabeça em desespero. – Vou atrás… – não esperou para ouvir os protestos de Rodney e assumiu a forma de corvo, voando atrás dela.

Nicolly ouviu gritos e parou de correr entre as árvores, observando de onde vinha aquele som. Farejou e sentiu o cheiro de Gianni e outro lycan, pouco depois sentiu o cheiro de outro vampiro. Estremeceu temerosa e voltou a correr na direção de onde vinha o odor de Gianni, o cheiro de sangue era forte, possivelmente ele estava ferido.

Durante o trajeto o ex-humano foi arrastado, sentia a dor daquela mordida, seu corpo se debatia dependurado ao lado do lycan que corria velozmente entre as árvores. Era seu fim, pensou consigo, até que se sentiu ser arremessado pela criatura no meio da clareira do parque.

Parado ali no chão, a dor foi intensa ao tentar se levantar, o braço que fora mordido estava quebrado e pela ferida perdia muito sangue. Sua sede aumentou ainda mais, dessa vez estava perdendo a lucidez.

– Preparem-se, fui seguido. – O lycan voltou à forma humana e andou até os outros dois que estavam ali de pé. – Consegui pegar ele antes de sair do parque, mas tinha uma vampira e ela nos seguiu. – O lobo careca olhava os dois que pararam de encará-lo para ver a chegada da sangue puro.

– Vejam só, a vampira veio salvá-lo. – O cabeludo gargalhou e andou até Gianni, parou olhando o vampiro com expressão de nojo. – Essa coisa sanguessuga só está viva por que ainda nos tem serventia. – Olhou para o lycan mais baixo. – Vá chamar Lucian, vamos por um fim nisso de uma vez.

Assim que foi lhe ordenado, o lycan assumiu a forma de lobisomem e correu por entre as árvores deixando-o ali com a vampira.

Lya olhou-os, estava diferente, estava mais feroz e seu olhar tinha um brilho assassino.

– Soltem-no. – Ordenou.

– Não. – Riu debochado, o cabeludo. – Ele é nossa caça, vá procurar outra caça para você. – Continuou a rir.

– Não é sua caça e não vou sair daqui sem ele, então é a última vez que falo, soltem-no.

Os lycans assumiram a expressão de ataque e começaram a se transformar, no entanto ambos sentiram calafrios ao ver que a vampira assumia uma nova postura, o ar ao redor deles começou a ficar pesado e denso.

Os olhos da puro se tornaram diferentes, assumiram um tom negro e de suas mãos surgiram pequenas linhas como teias de aranha que voaram por todo o lugar tocando o solo. Lya começou a mudar, sua pele alva ficou mais cadavérica e sua face obscura, no momento seguinte os lycans ouviram gemidos de agonia.

Ambos os lobisomens olharam entre si e depois para as sombras das árvores de onde vinham os gemidos estranhos. As ferozes criaturas se afastaram quando viram que do chão saíram mortos, humanos em estado de decomposição avançada e alguns totalmente decompostos caminhavam até eles. Lya os manipulavam com aquelas teias, usando os dedos como que mexia em cordas de uma marionete.

– Eu avisei que deveriam ter soltado ele, agora o levarei comigo e vocês vão se divertir com minhas crianças amaldiçoadas. – A sangue puro começou a falar palavras estranhas para compreensão daquela dupla de lycans.

Ambos se entreolharam e, como quem não ligassem para o que a vampira acabara de fazer, avançaram para atacá-la. Os seres que levantaram tinham a face translúcida, eram espíritos e conforme as feras avançaram para atacar foram de encontro a eles. As feras revidaram com as garras e urravam conforme os seres manipulados por Lya atacavam e se desfaziam no ar, porém mais apareciam e continuavam atacando os lobisomens.

Lya tinha uma aparência diferente, seu rosto começou a ficar cada vez mais cadavérico e o negro tomou toda órbita de seus olhos, seus cabelos estavam totalmente brancos e a aura em volta da puro era pesada, arrepiando até os ossos daqueles que a sentiam. Todo o lugar ficou tomado por seu poder que aumentava conforme sua fúria, a vampira deslizou em passadas tão suaves que podia acreditar que flutuava e passou entre os espíritos até Gianni.

Gianni estava sentindo a sede e a mente atormentada por aquilo quando notou a presença dela, não era a Lya que ele conhecera, ao menos não daquela forma. Estremeceu tentando se arrastar para longe dela, inspirou baixo para conter-se e fechou os olhos quando ela abaixou perto dele.

Dio mio, por favor… – Ele abriu os olhos e sentiu o peso daquela presença poderosa, chegando a fazê-lo baixar a cabeça, temendo por sua “vida”. – Lya, por favor…

– Gianni, não me temas… Não quero te mal, nunca quis… – A puro estendeu a mão para ele. – Vamos, tirarei você daqui e lhe prometo terás de volta a sua vida, longe desse mundo sombrio. – Ela esperou, sua expressão era sofrida e desejava que ele a ouvisse.

Gianni olhou a mão dela e depois os lycans lutando desesperados com todas aquelas entidades espirituais. Temeroso, estendeu a mão e segurou a da puro. Ela ajudou-o a ficar de pé.

– Sedento… – Ela farejou suavemente o ar a volta dele, imediatamente inclinou a cabeça expondo o pescoço. – Beba, precisa curar-se e ficar forte para sairmos daqui. – Ela pressentia a presença de mais lycans. – Estão vindo mais lobisomens.

Gianni ainda estava assustado, porém o gesto dela de expor o pescoço despertou a fera em si, estava sedento e fraco, precisava daquele líquido rubro que corria no corpo daquela sangue puro, sem pestanejar a envolveu em seus braços e mordeu com certa ferocidade.

Lya sentiu a mordida e ofegou abraçando-o e ali, ambos cercados por espíritos, eram um só unidos pelo sangue que escorria pela garganta dele. Gianni tomou dela em goles longos, saciando-se ao ponto do seu braço ferido e quebrado regenerar. Afastou os lábios e lambeu o pescoço dela fechando o ferimento, os olhos antes vermelhos voltaram ao tom azulado, o braço completamente regenerado parecia mais forte que antes.

– Lya…

– Gianni…


Os lycans corriam pelas árvores vindo do lado norte do parque quando sentiram a forte aura pesar sobre todo local. Thor parou e estremeceu, conhecia bem aquela presença.

“Lya está aqui, mas por quê?”

O líder dos lobisomens ficou confuso quanto àquela presença, no momento seguinte todo o lugar foi tomado por uma atmosfera sombria e o ar ficou pesado, ouviram gemidos e vultos começaram a passar por eles.

“Desgraçada, invocou espirítos…”

Ele voltou a correr rumo ao lugar que vinha a presença da sangue puro, sendo seguido pelos demais lobisomens.


Michael sobrevoava todo o parque e viu a movimentação dos demais lobisomens, sobrevoou em um rasante e pousou em uma árvore vendo a sua senhora despertando por completo seu real poder. Grasnou várias vezes batendo as asas e seus olhos ficaram vermelhos, continuou emitindo aquele som e aos poucos diversas outras aves, em sua maioria corvos, começaram a reunir nas árvores em torno do local daquela disputa.

Rodney ficara fora do parque ainda irritado com a loucura de sua senhora, mas empalideceu ao notar que ela havia despertado todo o poder, aquilo era sua real presença, Lya estava plena como puro e estava usando seu poder. O vampiro parrudo estremeceu e mesmo a contragosto sabia que teria que ajudá-la, por fim pulou as grades e correu pelo lugar indo até a presença de Lya.


Três carros pretos estacionaram perto do portão norte, Benjamin saltou sendo seguido por um grupo de dez vampiros que vieram nos demais carros, juntos a eles estavam Willian e Greg. Ambos estavam confusos por qual motivo haviam sido levados àquele lugar.

– Will, eu sei que pareço um idiota, mas cara, sente só o clima desse parque? – Olhava assustado para a entrada do portão norte.

– Idiota você sempre é, porém tenho que concordar isso aqui está estranho e sinistro demais até para mim. – Willian olhou o Regente.

Benjamin falava com o grupo de vampiros instruindo-os para uma possível invasão ao local, sabiam que estava repleto de lycans e a probabilidade de uma batalha ocorrer entre eles era enorme.

O Pacificador chegou com o grupo que havia plantado vigiando o lugar no exato momento que sentiram a forte presença de um sangue puro vindo do parque. Todos se alarmaram e olharam para dentro do lugar, muitos em posição de ataque. Benjamin se aproximou das grades do portão fechado e olhou atento os vultos escuros que passavam até se assustar com as entidades espirituais que começaram surgir e se locomover pelas sombras agonizando.

– Que porra é essa? – Benjamin tinha certeza que era obra do sangue puro que estava dentro do parque e olhou para Pacificador. – Vamos ter que fazer uma limpeza no lugar, de acordo com o acordo lavrado entre os lobisomens posso intervir caso eles não deem conta de manter a ordem e nossa identidade desconhecida aos humanos.

– Farei uma barreira para as criaturas sobrenaturais não saírem do parque. – Prontamente o algoz do Regente chamou outros quatro vampiros e o quinteto saiu para criar a barreira que impediria a saída dos espíritos.

Benjamin chamou o restante do grupo para se prepararem para invasão no parque. Voltou até a dupla prisioneira.

– Vocês dois irão conosco, vão ajudar a conter a ameaça dentro do parque, nosso objetivo é manter tudo dentro do lugar e impedir que descubram que está acontecendo, principalmente para a polícia. – Ele mandou tirar as algemas da dupla. – Digamos que isso paga o débito pela confusão na delegacia.

Willian olhava para o lugar e engoliu seco com a presença maciça daquela aura, o sangue puro que estava no parque era muito mais poderoso do que qualquer um que havia visto de perto, olhou Greg e suspirou baixo quando o Regente disse que iriam ajudar com os demais.

– Esse lugar vai ficar muito perigoso, peço que o Regente deixe Greg partir, ele não tem condições alguma de ir lá dentro, somente…

– Não… – Greg tocou no ombro de Willian, olhava o lugar analisando. – Eu vou entrar com vocês.

– Tem certeza?

– Vocês dois vão entrar, é uma ordem. – O Regente virou-se e caminhou à frente do grupo.

Willian respirou fundo e seguiu junto com Greg ao lado.

– Não se arrisque, qualquer coisa fugimos em meio a confusão. – Orientou ao vampiro tatuado.

– Eu dou conta, podemos nos safar se ajudarmos, então vamos entrar e chutar uns cães molhados. – Riu um tanto estranho para o irmão.

Logo todos estavam dentro do parque e se dirigiram para o local onde sentiam a presença do sangue puro e, ao que parecia, era para onde aqueles espíritos e vultos se direcionavam.


O lobisomem cabeludo já estava chegando ao local onde Lucian e Sophia estavam quando sentiu aquela presença maciça, todo o lugar tomava uma atmosfera densa e pesada chegando até a causar calafrios, passou a correr mais rápido até se deparar com Lucian que discutia com Sophia na beira do lago.

– Lucian, precisa vir logo, a garota e o vampiro fugiram. – Chegou perto deles e ficou alarmado ao ver que o chefe estava em fúria com a comparsa – Ambos enlouqueceram? Lucian, olhe em volta, cara, tem algo errado no ar.

O lycan soltou o braço de Sophia, que se afastou dele indo até o lobo cabeludo e se postou atrás dele para se proteger.

– Lucian está surtando, não pensou bem em toda as consequências. – Sophia esfregava o pulso que estava com uma marca roxa devido ao aperto da mão de Lucian.

– Lucian, olha em volta, tem alguém muito poderoso aqui e os outros ficaram com o vampiro, ainda não achamos a filha do Thor, ela escapou, cara… Já era, estamos ferrados. – O lycan afastou dando um passo para trás.

O lobisomem tinha o olhar amarelo e sua face estava totalmente em fúria.

– Ninguém vai estragar meus planos, serei eu a comandar a Tribus e todos cairão aos meus pés como seu novo líder. – Lucian olhou em volta e suas narinas dilataram sentindo o cheiro de morte no ar. – Vamos até os outros, eu sinto a presença de Thor e os demais lobos.

Caminhou à frente deles, o cabeludo olhou para Sophia e inspirou baixo, receoso. Ela por sua vez estava com semblante apavorado, sacudiu a cabeça negando acompanhar Lucian.

– VAMOS LOGO, SEUS IDIOTAS INUTEIS!!! – A voz brava e rosnada ecoou até ambos.

– Sim, chefe… – O cabeludo seguiu.

– S-sim L-lucian…- Arrepiada de medo a loba os seguiu.

O trio subiu a colina entrando entre as árvores e se aproximaram do lugar de onde vinha aquela presença intensa. Perceberam que vinha de um vampiro, segundo o que eles conheciam, tais criaturas poderosas entre os vampiros conhecidos como sangue puros.

– Sangue puro ou não, vou destruir quem quer que atrapalhe meus planos. – Lucian retirou de dentro de seu casaco a adaga e rapidamente se aproximou do descampado observando de longe os lobos lutarem com aquelas diversas entidades sobrenaturais. Avistou a sangue puro que controlava todos aqueles espíritos e rosnou baixo. Seus olhos amarelos brilharam em fúria, iria matá-la.


O grupo comandado por Thor se aproximou do descampado, pararam perto e Thor fez um gesto para que esperassem. Olhou a cena do ataque das criaturas sobrenaturais aos dois lobisomens e fez um sinal para uma parte do grupo ir ajudar os irmãos em perigo, caminhou lentamente até a presença de Lya e possivelmente o outro vampiro deveria ser o tal Salvatore.

– Recolha os fantasmas, Lya. – Thor falava rosnado naquela forma de Lobisomem a uma distancia segura da vampira.

– Recolha seus cães, Thor, e recolho meus espíritos. – Retrucou virando lentamente para ele e postando-se a frente de Gianni, encarando o lobo com seus olhos negros.
Naquele momento o grupo liderado pelo Regente aproximou-se e Benjamin parou notando a presença dos lobos no lado oposto àquele descampado, surpreendeu-se ao ver que aquele poder vinha de Lya e estremeceu com a força da presença da sangue puro.

– Ela é tão poderosa, mal posso crer. – Falou baixo.

Willian e Greg pararam um pouco distante. Willian estava tenso ao ver que Gianni estava com o grupo, e aquela vampira a frente dele, apesar de ter algumas mudanças e sua presença poderosa, sabia que era a Lya. Agora sim eles podiam dizer que, cercados por lycans e aqueles vampiros, uma guerra campal estava preste a explodir.

– Greg. – Engoliu seco – Vamos fugir na primeira oportunidade, entendeu?

– Não cara, olha lá Gianni, ele precisa de nossa ajuda. – Greg parecia calmo diante daquilo tudo. – Vamos ajudar ele a fugir.

– Como?! – Willian apontou para o lugar. – Está tudo cercado de lobos e vampiros, fora aquelas coisas assombradas, me diga como vamos ajudar Gianni?

Greg olhou para todo o lugar e depois ficou pensativo.

– Vai surgir uma oportunidade, cara, te falar, vai acontecer algo e vamos aproveitar para tirar ele de lá e fugirmos. – Ficou detrás da árvore e apontou para Willian fazer o mesmo e esconder-se.

– Loucura, vamos morrer. E eu achando que ficar naquela cela na Regência era mais perigoso. – Willian parou perto da árvore e escondeu-se como havia pedido o irmão.
Lya olhava atenta a Thor, que andou lento em torno dela e de Gianni.

– Sei que temos um trato, mas isso não incluía atacar meus irmãos de raça, ainda mais revelando-se como está fazendo. – Parou de andar e olhou-a com a crina arrepiada. – Recolha essas coisas, Lya, e dê-me uma boa desculpa para não matá-la junto com seu “irmão”.

Quando Lya ia retrucar foi surpreendida com aproximação do Regente. Thor inclinou o corpo e rosnou alto irritado.

– Eu sinto informar a ambos que devido a desordem ocorrida nesse lugar, eu, como Regente da cidade, revogo o decreto e ordeno que ambos parem com essa disputa. – Benjamin caminhou calmamente passando pelo descampado e chegou perto do trio, olhou no canto dos olhos para todos os lobos e acenou para seu grupo de vampiros se aproximar.

– O que acha que está fazendo dentro dos meus domínios, Sr Nortan? – Thor rosnou entre as presas aquelas palavras furiosas.

– Impedindo uma catástrofe, Sr Armanzie, afinal de contas o que vem a ser essa loucura toda? – Olhou ao redor. – Fantasmas… Lobisomens… – Parou olhando ambos, sério.

Thor ainda estava com aparência de lobisomem quando olhou todos, os olhos dele estreitaram e rosnou entre os dentes a Benjamin.

– Vá embora do parque ou irei considerar que deseja uma disputa e mandarei que ataquem seus vampiros, Sr Nortan. – Ele levantou a pata e as garras ao alto. – Se eu arriar minhas garras será um decreto de guerra, pela última vez, recolha os malditos fantasmas, Lya, e Sr Nortan saia com seus vampiros.

Lya segurou a mão de Gianni e virou o rosto olhando-o por cima do ombro, falou baixo e pausado:

– Irei recolher os fantasmas e sairemos desse lugar. Não faça nenhum alarde, qualquer gesto e estaremos perdidos no meio dessa disputa. – Ela voltou a face e seus olhos começaram a voltar ao tom esverdeado e as teias que ligavam ela aos fantasmas se desfizeram, com isso as entidades sobrenaturais sumiram em meio a névoa do parque. – Não quero participar de nenhuma disputa de ambos, estou saindo com os meus e não pretendo pisar meus pés novamente nesse lugar, tem minha palavra, Sr Armanzie.

Thor rosnou baixo para ela e ainda mantinha as garras para o alto, virou a face para o Regente e esperou a decisão dele. No entanto, antes mesmo que Lya e Gianni pudessem sair, a jovem loba apareceu correndo entre as árvores depois de ter seguido todo o lugar para encontrar Gianni.

– Paiiii…. – ela correu até o pai e parou diante deles. – Pai, desculpa, eu fiz uma grande besteira… – Olhou para Gianni e grunhiu. – Pai, você foi traído e eu enganada…

– Nicolly… O que está dizendo? – Olhou-a feliz por ver bem, mas depois confuso pelo que ela falava.

Lucian observava de longe quando viu a sobrinha chegar, irritado saiu detrás das árvores e se aproximou rapidamente falando com Thor parando ao seu lado.

– Thor, deixa que cuido de Nicolly, está pronto para uma disputa e não vai querer a garota no meio disso, resolva a parte com os vampiros e levo-a para casa. – Virou para Nicolly e estendeu o braço segurando o dela. – Vamos criança, em casa você conversa com seu pai, esse lugar não é digno para uma princesa.

– NÃO!!! ME SOLTA!!! – Ela arregalou os olhos e rosnou brava com o tio. – Pai, ele é o traidor, foi ele que me fez trazer um vampiro para dentro do parque e gerar toda essa confusão, ele quer tirar a liderança da Tribus de suas mãos.

Lucian ficou tenso e depois riu para ela.

– Coitada, não está falando coisa com coisa, vim tirá-la das mãos daquele vampiro. – Apontou para Gianni. – Sophia venha aqui…

– O que está acontecendo aqui? – Thor estava confuso e irritado com toda aquela confusão.

Benjamin estava perdendo a paciência e fez um gesto para os vampiros cercarem todo o lugar, pegou o celular e enviou uma mensagem ao Pacificador para encontrá-los e preparar para uma disputa, estava cansado daquela postura dos lycans e agora decidira tomar o Central Park para os domínios dos vampiros e revogar o decreto entre ambos.

– Sua crise familiar, Sr Armanzie, está gerando todo esse desconforto e problemas entre ambas as raças. Primeiro na delegacia, o que me custou caro esconder toda aquela destruição, e agora essa desordem no Central Park. – Benjamin estreitou os olhos. – Sinto dizer, mas terei que revogar o tratado e, claro, como Regente dessa cidade, pedir que retire seus lobos dos meus domínios.

– Ficou louco, nunca sairemos. – Thor ergueu a garra rosnando em fúria. – Tire Nicolly daqui.

– Claro, irmão. – Lucian puxou a garota que tentou lutar e rosnou para ele. – Vamos logo, vai haver uma batalha.

– Maldito traidor! – Ela avançou sobre ele. – Vou destruí-lo!

Sophia ficou de longe juntamente com o cabeludo que não ousou se aproximar. Temeroso por sobrar para si aquela confusão, afastou-se e olhou os outros irmãos que estavam com os demais lobos rosnando prontos para aquele embate.

– Eu sugiro, Srta Sophia, que é hora de desaparecer. possivelmente essa Lucian perdeu e sobrará para nós, que somos o elo fraco da corrente, toda a culpa. – Andou para o lado oposto deixando a mulher para trás.

Sophia estava arrepiada de medo e negou com a cabeça ao ouvir Lucian chamar seu nome, virou o rosto para o cabeludo que se afastava e trêmula concordou, era hora de fugir ou teria sua vida em risco caso ficasse ao lado de Lucian. Levantou e se afastou tomando o rumo à saída do parque.

Continua…

Música Tema Blue Stahli Takedown

Todos os Episódios 1ª Temporada

Isa Miranda

Amo escrever, por isso sou aquilo que escrevo, são as palavras que me dão poder e nelas me torno única. 

 

  • Andrea Bertoldo

    Uia…A coisa tá fervendo…o-o

    • Isa Miranda

      Então… Aguardar a nova temporada rs