A Dama Negra Contos da Noite Sombria

A Dama Negra Contos da Noite Sombria

Contos da Noite Sombria

Brisa e Luar

A mulher corria rápido pela floresta. As lágrimas escorriam por seu rosto enquanto ela tentava acalmar o bebê em seu colo, mas a criança estava tão assustada quanto a mãe e seu choro reverberava por entre as árvores.

– Por favor, meu bebê… Para de chorar…

Ela olhou para trás e apertou mais seu rebento nos braços. A luz das tochas e os gritos aproximavam-se cada vez mais. A jovem chorou, rezou e implorou. Seu Deus não podia ignorar o apelo de alguém inocente, pensava. Ela não havia feito nada, nem seu bebê, eles não mereciam aquele destino.

Flechas zuniram e fincaram-se nas árvores próximas, porém uma a atingiu pelas costas e derrubou-a no chão. O bebê chorou ainda mais alto. A mulher ofegava com dificuldade, o sangue preenchia seus pulmões e ela o tossiu e cuspiu. As tochas já estavam quase lá.

– Peguem a bruxa, levem-na de volta, ela precisa pagar pelos seus pecados – o padre à cavalo guardou o arco enquanto dava as ordens aos cavaleiros que o acompanhavam junto a alguns aldeões.

A mulher fechou os olhos e rezou por piedade. Se aquele era seu destino, então que ao menos o Senhor levasse sua alma e a de seu filho sem maiores sofrimentos, para que pudessem encontrar com seu marido no paraíso. Ela olhou a criança e tapou sua boca e nariz com o pano que o cobria, em uma tentativa de sufocá-lo. Era melhor morrer asfixiado que nas mãos brutais daqueles homens.

Os cavaleiros a alcançaram e a ergueram sem dificuldade. Um deles tirou o bebê de suas mãos com violência e o segurava de forma displicente pelo pano que o cobria, enquanto a criança esgoelava em busca de ar. O padre desceu de sua montaria e se aproximou parando diante da jovem semi-consciente.

– Pensastes que poderias escapar, bruxa? – olhava com desprezo – Não podes fugir da justiça divina. És acusada de deitar-se com o demônio. Tu e teu filho impuro serão levados, julgados e sentenciados em nome de Deus.

– Por… favor… – a jovem implorou e tossiu mais sangue.

O padre deu um sorriso de escárnio e se aproximou, erguendo com força o rosto dela pela mandíbula.

– Não adianta implorares… Deves pagar pelos teus pecados – ele estalou a língua enquanto a olhava de cima a baixo – É verdade o que dizem… Que o demônio esconde-se nas mais diversas e inocentes formas…

– Eu concordo – uma outra voz feminina soou pelo ar noturno.

No segundo seguinte a cabeça do padre voou pelos ares e seu corpo caiu com um baque seco no chão. O golpe fora tão rápido que as demais pessoas não tiveram tempo de prever o que acontecera. Olharam então para a figura parada ao lado do corpo caído. O mais surpreendente não era a silhueta feminina e sensual, mas os olhos que brilhavam vermelhos como os de um demônio.

Os aldeões fugiram para um lado enquanto os cavaleiros largavam a mulher humana ali e corriam para o outro. Os olhos vermelhos se fixaram no guarda e desceram interessados até o bebê. O cavaleiro queria fugir, mas estava preso sob a indução daquele ser, aterrorizado demais para poder se mover. O cheiro acre de urina se espalhou conforme o líquido escorreu quente por suas pernas.

– Dê-me o filhote – a vampira ordenou e esticou a mão suja do sangue do padre.

Sem poder desobedecer, o humano entregou a trouxa para ela enquanto ouvia os gritos apavorados dos outros homens que haviam fugido. Algo também os caçava e matava um por um. Sentiu um hálito gélido em sua nuca e rezou silenciosamente por seu Deus. Assim que o bebê foi entregue, o vampiro que estava atrás dele o agarrou e fincou as presas em seu pescoço, sorvendo seu sangue avidamente.

Mas o interesse da mulher era o que estava dentro daquele pedaço de pano. O sangue de filhotes tão pequenos era delicioso e, mesmo que não a sustentasse, seria uma agradável refeição. Ela tirou o tecido de cima do pequeno rosto e seus olhos arregalaram-se em surpresa.

Era a coisa mais linda que ela já vira em toda sua existência. Nunca havia visto um humano com aquela aparência. A pele tão alva quanto a de um vampiro, vermelha devido ao choro incessante, os cabelos brancos como o luar e olhos rosados. Como poderia comer algo tão belo e exótico?

Os lábios de Isabella formaram um suave sorriso enquanto seus olhos brilhavam. Apaixonara-se por aquela coisinha barulhenta, talvez barulhenta até demais. Ela o ajeitou em seus braços e o embalou.

– Ssshhh… Cale-se – ordenou com uma voz suave.

O bebê parou de chorar no mesmo instante e a olhou ainda com o lábio trêmulo do choro. Foi se acalmando devido à indução e o embalo da vampira, e logo estava calmo nos braços dela chupando dedo. A mulher sorria encantada com a pequena cria humana.

O outro vampiro largou de qualquer jeito o cavaleiro e o corpo caiu ao chão sem uma gota de sangue. Ao seu lado, no entanto, o sangue da mulher já havia feito uma poça que o solo lentamente absorvia. Ele a cutucou com a ponta do pé, resmungando sobre o desperdício de sangue. Não era necessário tocá-la para saber que estava morta.

Ele virou o rosto para a vampira puro sangue e viu que ela tinha um sorriso tolo nos lábios enquanto observava o pequeno saco de sangue em seus braços.

– Minha senhora – se aproximou limpando o sangue dos lábios – Não irá se alimentar?

– Não – Isabella respondeu sem olhá-lo – Eu quero este aqui para mim. Vamos levá-lo conosco.

Uma humana fora escolhida entre seus servos para ser uma ama de leite e babá da jovem cria. Nos primeiros anos o filhote não era interessante para Isabella, só sabia comer, se sujar, chorar e dormir. Ainda assim a vampira gostava de admirá-lo como se fosse uma de suas jóias. Um espécime único que somente ela tinha. Quando a jovem cria começou a aprender, andar, correr e falar, o filhote tornou-se divertido. Gostava da admiração que via nos olhos dele, do calor de seu pequeno corpo quando o segurava em seus braços. Era seu bichinho de estimação.

A vampira rolou a bola uma vez mais pelo chão. Seus lábios sorriam docemente conforme via a criança correr atrás do brinquedo para poder devolver a ela e repetir o processo. Como se fosse um bom cão.

– Muito bem, meu bichinho – ela falou enquanto afagava os cabelos brancos do menino – Venha cá.

Ela o pegou e o colocou em seu colo, aconchegando-o com carinho. Levou a mão à boca e mordeu o polegar. O sangue verteu lento pelo furo e ela colocou o dedo sobre os lábios da criança. A pequena cria segurou suas mãozinhas na dela e chupou o ferimento como um bebê suga o seio da mãe.

Isabella sorriu e o olhava com carinho enquanto o embalava e alimentava-o com seu sangue. Seu bichinho, seu favorito, o filhote que ela criaria e moldaria como o servo perfeito.

Bernard fora o nome escolhido para o filhote de humano. Enquanto as outras crianças passavam o dia inteiro brincando nas áreas permitidas aos empregados, o jovem permanecia trancado dentro do pequeno castelo. Sua pele branca era sensível à luz do Sol e as crianças não o aceitavam por causa de sua aparência exótica. Sentia-se só e triste por ser rejeitado, a única luz em sua vida era quando sua mestra requisitava sua presença.

Certa noite ela o chamara até seus aposentos pessoais, que ocupavam o último andar inteiro da construção. Dentro do quarto o fogo crepitava na ladeira iluminando e aquecendo o ambiente. A segunda porta estava aberta e levada para uma sacada, onde a vampira aguardava tomando uma taça de sangue.

O menino se aproximou ansioso e parou ao lado da mesa. Isabella virou para ele e seus lábios se curvaram em um sorriso doce que fez o coração dele disparar. A cada dia ela parecia mais bela para o jovem rapaz, o luar sobre ela dava-lhe um ar quase divino para ele.

– Aproxime-se, meu bichinho.

Bernard obedeceu e se aproximou mais. A vampira ergueu a mão e afagou os cabelos da criança.

– Soube que andas triste por não poder brincar com as outras crianças. Por quê?

– Eles não gostam de mim – o menino baixou a cabeça – Dizem que eu sou estranho e diferente… Eles tem medo de mim, me chamam de fantasma.

Isabella estalou a língua em um gesto de desgosto e o puxou para sentar em seu colo, onde ele se aninhou.

– Não deves ficar magoado por causa daquelas crianças tolas. Elas são indignas de tua atenção, tu és muito mais precioso do que elas. Por que te preocupares com pirralhos catarrentos que te fazem mal?

O menino baixou a cabeça novamente, sem saber o que responder. A vampira segurou seu queixo e o ergueu para poderem se olhar nos olhos.

– Humanos são cruéis, Bernard. Eles podem ser muito mais cruéis do que vampiros. Chamam o diferente de demônio quando eles mesmos o são. Não vale a pena lutar por eles.

– Mas eu também sou humano – a criança murmurou.

Isabella negou com a cabeça e pegou um cordão com um pingente de madeira em forma de cruz, depois entregou nas mãos do menino.

– Eu tenho algo para contar a ti. Isto era de tua mãe. Vou contar a ti o que aconteceu a ela.

O menino arregalou os olhos e apertou o terço nas mãos. Um pertence de sua mãe que nunca conhecera, apenas sabia que estava morta. Olhou a vampira e aguardou ansioso seu relato.

– Tua mãe foi assassinada por um humano. Perseguida e assassinada por algo que ela era inocente.

– Por quê? – Bernard perguntou confuso – Por que outro humano faria isso com ela?

– Por tua causa. Achavam que ela havia se deitado com um demônio e que tu eras o fruto deste pecado. Mataram-na porque tu nasceste diferente.

A criança olhou chocada. Por causa dele? Sua mãe morrera por ele ser estranho? Então a culpa era sua, toda sua. Seus olhos se encheram de lágrimas e Isabella as limpou delicadamente de seu rosto.

– Não chore. Tu não tens culpa. És apenas uma criança inocente e exótica. Sabes por que te adotei, Bernard? – o menino negou com a cabeça – Por que te achei a criatura mais linda que já vi em toda a minha existência.

Bernard olhou surpreso.

– Tu me achas belo? – corou.

– Sim – ela deu um sorriso doce e afagou seu rosto – Acho-te lindo… Ainda não entendo porque os humanos confundiram-te com um demônio, quando tu pareces mais com um anjo. Tu não tens culpa da morte de tua mãe por seres apenas diferente. Os dois eram inocentes, tu e ela. Os únicos culpados disso tudo foram aqueles que a condenaram.

A vampira o botou no chão, se levantou e caminhou até o parapeito de pedra. O menino foi atrás dela e Isabella apontou a paisagem em um gesto largo com a mão.

– Dia após dia pessoas morrem, humanos são assassinados pelas mãos dos próprios humanos. Nós vampiros matamos para nos alimentarmos, vocês matam por prazer, preconceito, medo… Tua mãe morreu porque as pessoas são cruéis, porque acreditam em um Deus assassino e cruel que pune aqueles que são diferentes. Culpam o demônio pelos atos hediondos que eles mesmos cometem – ela apontou a cruz de madeira – Tua mãe clamou pela misericórdia de um Deus que mandou matá-la, pelo fanatismo de humanos tolos maldosos. Tu não deves querer ser aceito por eles, Bernard. Deves fazer com que obedeças, deves fazer com que te temam. Jamais deve ter compaixão ou empatia com criaturas tão malditas. Respeito entre eles é uma ilusão, Bernard, apenas o medo é real, e é isto que te ensinarei a usar.

O menino ouviu todas aquelas palavras enquanto olhava as casas distantes dos aldeões. Antes sentia-se triste por ter sido excluído, mas agora ele sentia raiva. Sua própria espécie matara sua mãe e tentara o matar… Ele olhou a vampira e ficou de joelhos enquanto segurava a saia do longo vestido.

– Por favor, minha senhora, me transforme em um vampiro como ti. A senhora pode, não pode? Por favor, eu lhe imploro, não quero mais ser humano, não quero mais ser como eles.

Isabella olhou surpresa, mas depois suavizou o olhar e o mandou se erguer do chão.

– Não posso, Bernard. Eu já tenho servos vampiros, não preciso de mais um – ele baixou a cabeça com o semblante triste, mas ela ergueu seu queixo e o forçou a olhá-la – Mas tu… Tu não serás como estes humanos, Bernard. Com meu sangue, tu serás mais do que eles e poderá fazer muito mais que meus servos vampiros. Tu serás mais precioso para mim como nenhum outro jamais foi. Minha jóia rara e única.

O coração do menino bateu forte. Seu amor pela vampira crescera ainda mais após aquela conversa. Ela tivera piedade dele e amara e o criara, mesmo que fosse um simples humano frágil. Ela gostava e precisava dele. Bernard respirou fundo e fez uma reverência.

– Sou teu fiel servo, minha senhora. Por ti, farei e serei tudo o que desejar – jurou.

Bernard cortou suas ligações afetivas com os humanos. Ele viu aquelas crianças crescendo, tornando-se homens e tendo suas próprias crianças, enquanto ele as observada de sua aparência quase estagnada. Como um carniçal, graças à ingestão do sangue de sua mestra de sangue puro, seu envelhecimento fora retardado. No entanto, mesmo com uma aparência infantil, o menino era mais forte, mais rápido e mais inteligente que um homem adulto.

Treinado pelos servos vampiros e por ela própria, Isabella o moldou para ser seu leal cavaleiro e algoz. Uma criança de aparência inofensiva e habilidade mortal. Um ser que poderia matar qualquer humano e passar despercebido pelos vampiros, que poderia pisar em solo sagrado sem ser afetado. Preso a ela não pela força ou pelo medo, mas pelo amor e devoção. O servo perfeito.

O líquido gotejava de sua espada no tapete, já encharcado pelo mesmo sangue que vertia profusamente do longo corte no pescoço de sua vítima. Aquela era a principal diferença, os vampiros não deixavam rastros quando morriam, enquanto os humanos deixavam o corpo para trás para apodrecer. Mesmo após a morte os malditos deixavam uma mácula no mundo.

Bernard deu mais um golpe e a cabeça rolou separada do corpo. Limpou a espada na roupa do defunto e a embainhou, depois pegou aquela cabeça e colocou dentro de uma sacola ainda pingando. Quantas vezes fizera aquilo? Quantas vezes o algoz fantasmagórico de Bragatti lhe presenteara com aquele tipo de prêmio? E em nenhuma delas o jovem sentiu algo. Sua compaixão morrera junto à sua mãe.

O rapaz deixou o corpo decapitado para trás, mas parou diante da lareira crepitante do escritório abafado. Olhou as labaredas por um tempo e puxou algo de dentro das vestes. A pequena e desgastada cruz de madeira reluziu alaranjada pelo brilho das chamas. Em seguida, olhou para dentro da lareira mais uma vez.

– Não mais laços… – sussurrou para si mesmo.

Bernard lançou a cruz no fogo e saiu sem olhar para trás.

A vampira de sangue puro tocava uma melodia suave e melancólica em sua harpa. Apenas o som do instrumento soava pelo aposento. Os servos não ousavam interromper o momento de lazer de sua soberana. E além dela, havia somente mais uma figura na sala.

O humano estava parado, imóvel com as mãos nas costas. Seu servo mais leal, seu vigia e protetor. Ela sabia que poderia confiar sua vida nas mãos do precioso carniçal. Jamais arrependera-se de seu ato de benevolência séculos atrás.

Mesmo com os olhos fechados ela dedilhava o instrumento com destreza, ao mesmo tempo que sentia o olhar dele sobre si. Ela gostava de tudo o que podia ser sentido naquele simples olhar. Isabella sorriu e parou de tocar.

– Bernard – chamou-o suavemente.

Enfim o jovem moveu-se e caminhou a passos calmos e firmes até ela. Parou diante da vampira e ajoelhou-se de cabeça baixa perante ela. Isabella abriu os olhos e observou seu servo. O sorriso tornou-se doce.

– Venha cá – ergueu um braço e tocou os cabelos dele.

Puxou-o para si e o fez ajoelhar-se com ambos os joelhos. Segurou em sua cabeça e o fez debruçar-se sobre suas coxas. Bernard deu um suspiro e abraçou as pernas dela enquanto a vampira afagava seus cabelos.

– Bom Bernard… Bom bichinho – entoou com doçura, como fazia desde que o humano era um filhote.

O rapaz fechou os olhos e se aconchegou mais. Não havia palavras para descrevia o que sentia por aquela mulher. Amor era uma palavra muito simples. Sua devoção era indescritível, ele a amava mais que a si próprio, amava-a acima de Deus. Seu amor, sua vida, sua dona… Ele seria seu bichinho, seu servo, seu amante, seu valete. Seria para sempre tudo o que ela quisesse. Ele era seu, eternamente seu. Pertencia à Bragatti de corpo, alma e coração. Faria de tudo por aquela mulher.

-Fim-

Tarja - I Feel Immortal ft. Jason Hook

I Feel Immortal Tarja (letra)

Eu Me Sinto Imortal

Sempre que eu acordo
Estou perdido e sempre amedrontado
Nunca é o mesmo lugar
Eu fecho meus olhos para escapar
Das paredes que me cercam

E eu flutuo longe
Dentro do silêncio
Ultrapasso a dor
E em meus sonhos

Eu me sinto imortal
Eu não estou assustado
Não, eu não estou assustado
Eu me sinto imortal
Quando eu estou lá
Quando eu estou lá

Sempre que eu acordo
Os cacos de nós me cortam por dentro
Sempre o mesmo dia
Congelado na orla
Eu me rendo ao sono
E deixo a dor para trás
Não há morte para o medo
E em meus sonhos

Eu me sinto imortal
Eu não estou assustado
Não, eu não estou assustado
Eu me sinto imortal
Quando eu estou lá
Quando eu estou lá

Tão longe ou bem ao meu lado
Tão perto mas eles não podem me encontrar
Lentamente, o tempo vai me esquecendo
Eu estou só, só sonhando
Não me acorde!

Autora: Fabiana Prieto

Perfil da Autora:  http://cyberseries.com.br/seu-perfil/fabiprieto/

Série no ar da autora : http://cyberseries.com.br/florescer-de-espinhos/

Convidada Especial para parceria em Contos da Noite Sombria.

Isa Miranda

Amo escrever, por isso sou aquilo que escrevo, são as palavras que me dão poder e nelas me torno única. 

  • Andrea Bertoldo

    Nossa! Arrasou,Fabi! Adorei! <3

    • Isa Miranda

      Fabi arrasa ate nas coisas sinistras rs <3

      • Andrea Bertoldo

        ^^ <3

      • Fabi Prieto

        😀

    • Fabi Prieto

      <3 obrigada, Dea