A Dama Negra – 2ª T – Nocturna I A dor de te perder

A Dama Negra – 2ª T – Nocturna I A dor de te perder

Nocturna I – 2ª Temporada

A dor de te perder

Anteriormente…

“– Paiiii…. – ela correu até o pai e parou diante deles. – Pai, desculpa, eu fiz uma grande besteira… – Olhou para Gianni e grunhiu. – Pai, você foi traído e eu enganada… “

(…)

“– Nicolly… O que está dizendo? – Olhou-a feliz por ver bem, mas depois confuso pelo que ela falava.”

(…)

“– Sua crise familiar, Sr Armanzie, está gerando todo esse desconforto e problemas entre ambas as raças. Primeiro na delegacia, o que me custou caro esconder toda aquela destruição, e agora essa desordem no Central Park. – Benjamin estreitou os olhos. – Sinto dizer, mas terei que revogar o tratado e, claro, como Regente dessa cidade, pedir que retire seus lobos dos meus domínios. “

(…)

“– Ficou louco, nunca sairemos. – Thor ergueu a garra rosnando em fúria. – Tire Nicolly daqui.”

(…)

Lya observava todo o desenrolar daquela disputa, certa que estava na hora de se afastar daquele caos. Quem ela fora buscar estava ao seu lado e não lhe interessava mais nada com aqueles seres em conflito.

– Gianni, vamos sair antes que virem-se contra nós… – Ela falou se afastando quando viu o vampiro tomar o rumo da filha de Thor. – Gianni?!

– Não podemos deixá-la aqui, Lya, ela me salvou, não posso deixá-la sozinha. – Ele sabia que não podia entrar em uma disputa contra aqueles lobisomens, mas tinha que arrumar uma maneira de ajudar Nicolly.

A puro arfou irritada, no entanto só poderia ajudar protegendo Gianni, olhou todo o local e notou que Michael chamara todos os corvos e tudo estava cercado por eles, fez um gesto com a mão ordenando o ataque do vampiro que observava de longe entre os galhos das árvores.

Mic entendeu que era hora de atacar, para ajudar sua senhora grasnou diversas vezes fazendo que todos os corvos levantassem voo. Lya caminhou até Gianni e aponto o alto.

– Vamos distraí-los, ajude-a, enquanto evito que esse loucos caiam na luta.

Gianni olhou-a surpreso, muita das vezes ela sumia nas sombras deixando tudo de lado, porém estava oferecendo ajuda.

– O que pretende fazer?

– Invoque as sombras, cubra o máximo que puder esse lugar. Os corvos vão atacar, vamos dispersar todos e criar uma rota de fuga. – Lya voltou a olhar para o alto, os corvos voavam em círculos aguardando a ordem do ataque.

Thor e Benjamin entraram em uma disputa, o Regente sacou sua arma apontando para ele mas naquele momento todo o lugar começou a ser coberto pelas sombras. Os vampiros ficaram confusos e os lobisomens uivaram até que nenhum deles conseguia mais se ver o outro.

Gianni andou pelas sombras até Nicolly que havia atacado Lucian, porém com a escuridão tomando o local ela ficou confusa e se afastou do tio, farejou o local em busca do pai até sentir a presença de Gianni. Rosnou baixo e se aproximou dele, tinha odor de sangue, estava ferida pelas garras do tio.

– Srta Nicolly, vamos sair daqui. – Gianni sentia o odor do sangue dela. – Está ferida, venha logo… – Caminhou para longe daquele descampado.

– Meu pai ainda está lá e com essas sombras, meu tio… – Ela farejou novamente, tinha certa facilidade de identificar odores mesmo nas sombras, o que surpreendeu Gianni.

– Consegue sentir o cheiro deles aqui dentro?

– Não sei explicar, mas sinto sim e posso ir até meu pai, ele está em perigo, meu tio pode agir e surpreendê-lo.

Gianni precisava dispersar as sombras, porém Lya havia ido para o lado oposto onde usaria os corvos para criar a distração da fuga, precisava avisá-la do outro lobisomem que pretendia atacar.

Com a escuridão tomando o local, Benjamin gritou entre os vampiros para atacarem, havia preparado entorno do parque com magia para prender as criaturas e assim não chamar atenção de humanos que passavam por fora do local.

Tiros e uivos foram ouvidos dentro das sombras, havia um embate e com as trevas tomando todo lugar era difícil identificar quem estava ganhando ou perdendo aquela batalha. Os vampiros estavam preparados com armas e balas de prata, atiravam a esmo por não identificar quem vinha.

Lya olhava a cena, tinha facilidade em enxergar nas sombras e nitidamente viu os vampiros perderem espaço para os lobisomens, pouco a pouco caiam abatidos pelas criaturas peludas que mesmo levando tiros continuavam a lutar.

Era a hora de criar a rota de fuga, procurou Gianni e assim que o avistou andou entre eles para alcançá-lo e fez um gesto com a mão para Michael ordenar o ataque dos corvos.

Gianni avistou Lya vindo, era estranho vê-la atravessar aquele lugar sem ser tocada pelas criaturas que lutavam entre si, prendeu o fôlego tenso com a proximidade da vampira, ela tinha uma aura translúcida, lembrava um fantasma.

– Gianni, meu pai está ali… – A garota voltara a forma normal e apontou para o centro do lugar onde o lobisomem lutava com outros vampiros.

– Vamos sair… – O vampiro ofegou cansado, manter as sombras daquela forma exigia bastante dele. – Lya está criando uma distração, eles irão parar de lutar. – Olhou para ela. – Seu tio, o encontrou?

A garota olhou todo o lugar e não o avistava, naquele momento os corvos começaram o ataque e quando ambos voltaram o olhar para Lya, uma enorme fera apareceu por trás de suas costas e a garra acertou-a, arremessando-a longe. A criatura uivou e avançou para onde havia lançado a vampira.

Gianni arregalou os olhos e antes que pudesse fazer algo gritou por ela, correu em seguida tomando o rumo para onde ela havia sido arremessada. Nicolly ficou paralisada, seu tio surgira do nada e atacara, ela acreditava que ele faria isso com o pai, não com a vampira. Caminhou lento e inspirou fundo para tomar coragem e correr até o pai.

Lya caminhava para encontrar Gianni e tira-lo daquele lugar. Tinham a distração necessária, fugir era o que ela tinha como prioridade naquele momento, foi quando sentiu algo atrás de si, fora tão rápido que não conseguiu proteger-se. A dor fora imediata, as garras da criatura lhe acertaram com tanta violência que seu corpo foi arremessado longe. Gritou de dor e ao bater de encontro com uma árvore do outro lado daquele descampado rolou parando ao pés de Greg, que de olhos arregalados olhava toda a cena assustado.

O ferimento na altura das costas era profundo e ela perdia muito sangue, logo que tentou levantar sua visão embaçou, olhou para a direção que havia sido arremessada e viu a criatura galopando em sua direção.

Greg baixou ao lado dela e tentou ajudá-la, foi quando notou o enorme lobisomem vir em direção a eles. Apavorado tentou arrastar a sangue puro ferida e virou o rosto a Willian que atrás de outra árvore tremia com os olhos arregalados.

– Puta que pariu, cara, vamos morrer… – Greg grunhiu e fechou os olhos abraçando a vampira.

Willian usou seu poder de controle do sangue para parar o lobisomem, porém sem sucesso, a criatura era mais forte e avançou contra ele.

– Merda… – Willian começou a se afastar de costas, tropeçando nas raízes das árvores já sentindo o seu fim, quando viu Gianni. – Gianni…

O ex-caçador correu entre as árvores e pegou uma das armas que estava caída ao lado de um monte de cinzas, possivelmente do vampiro abatido pelos lobisomens. Engatilhou e correu para alcançar a criatura. Ao se aproximar atirou pelas costas acertando-o antes que atacasse Willian.

O lobisomem urrou alto com o tiro de bala de prata nas costas e virou-se para Gianni, agora o alvo era ele e avançou para atacá-lo, porém antes que pudesse desferir qualquer golpe com suas garras algo pulou em suas costas o agarrou pelo pescoço dando uma gravata.

A criatura lutava para tentar tirar aquele que lhe apertava pelo pescoço. Rodney havia jurado não interferir mais em nada que envolvesse Lya, estava decidido a deixar tudo para trás, porém observava de longe o desenrolar daquela batalha. Naquele momento viu Lya ser atacada e ferida gravemente, isso o corroeu por dentro, bufou e grunhiu baixo lutando para não ir salvá-la. Não iria lutar com um lobisomem por ela. Mas por fim o impulso foi mais forte e o obrigou a agir.

– Acha mesmo que vai atacar Lya e sair impune? Vou lhe degolar por tamanha falta de respeito com a minha senhora! – Rodney estava sobre as costas da criatura e lhe aplicava uma gravata para sufocar o monstro peludo.

Gianni andou até Willian e o ajudou a levantar para se afastarem dali, olhava todo lugar procurando por Lya, porém não a via.

– Lya, onde ela está? Vi ser arremessada para esse lado. – Afastou puxando Willian.

– Greg… – Willian ao lado de Gianni, chamou pelo vampiro tatuado. – Greg vamos logo apareça, precisamos fugir, apareça…

Greg havia abraçado a Lya pelas costas e ainda estava de olhos fechados quando ouviu Will chamá-lo, levantou o rosto e abriu os olhos seguindo o som da voz do irmão.

– Estamos vivos? – Baixou o olhar para a vampira que tossia sangue, tentando se soltar dele. – Estamos aqui. – Gritou chamando atenção deles.

Willian apontou a direção da outra árvore para Gianni que rapidamente foi até eles. Ao chegar mais perto o odor do sangue dela atingiu forte fazendo os olhos avermelharem imediatamente. Greg ajudou-a, porém o ferimento era grave.

– Garras de lobisomens são difíceis de curar, Gianni, ela está muito ferida. – Willian baixou ao lado deles.

Gianni a segurou, tirou sua blusa e colocou nas feridas dela nas costas, pegou-a no colo.

– Vamos sair daqui, temos que levá-la desse lugar. – Olhou o outro vampiro lutar contra aquele lobisomem.

– Corram, eu vou segurá-lo! – Rodney gritou para eles enquanto lutava contra aquele lobisomem que o jogava contra as árvores para tirá-lo de cima de si.

Lya mal conseguia falar, perdia sangue e sua visão estava turva, confusa só teve tempo de ver de relance Rodney lutar contra aquele lobisomem, apagou em seguida nos braços de Gianni.

– Vamos logo. – Willian foi à frente sendo seguido por Greg e Gianni com Lya nos braços.

Tomaram o rumo da saída mais próxima do Central Park.

Thor lutava contra Benjamin quando sentiu um tiro lhe acertar pelas costas, era bala de prata e aquilo o fez cair de joelhos.

– Desgraçado… Não vou deixar … Você acredita que venceu…- Falava entre os dentes furioso com toda aquela luta desnecessária.

Os corvos atacavam quem tentava lutar na tentativa de dispersar todos, as sombras perderam sua força e se dissiparam permitindo que voltassem a ver o lugar, havia alguns lobisomens abatidos no chão, feridos e alguns mortos. Além deles alguns vampiros viraram cinzas e outros estavam bastante feridos. Era um cenário de horror e Benjamin, que ofegava pela luta, olhou todos e depois Thor que caiu de joelhos atingido por um tiro.

Nicolly estava correndo se aproximando deles quando ouviu o tiro e paralisou arregalando os olhos.

– Pai…- Balbuciou assustada caminhou devagar até o pai ferido. – Pai…

A garota parou ao lado dele e se abaixou olhando-o.

– Nick… Vai embora daqui, esse lugar não é para você. – Thor a empurrou. – Vai agora…

– Não pai, ele está por perto, atirou em você, vai querer te matar e tomar seu lugar. – Ela choramingava tentando ajudar o pai a levantar. – Tio Lucian é o culpado desse caos, ele provocou tudo para tomar o seu lugar de alfa.

– O que?! – Olhou-a fazendo uma careta de dor devido ao tiro.

Benjamin se aproximou deles e apontou a arma para ambos.

– Renda-se, Thor Armanzie.

– Nunca. – rosnou ainda na forma de lobisomem.

Nicolly levantou e ficou entre ele e o Regente.

– Vocês não entendem, todos fomos usados pelo meu tio traidor, ele quer tomar tudo e depois de ter o lugar de meu pai vai tomar o controle da cidade. – Falou para o vampiro. – Escute, ele esta por perto e vai atacar de longe. – Ela parou um momento, teve uma ideia e voltou a falar alto. – Ele é um covarde e se esconde sendo um traidor.

A garota sabia do ego arrogante do tio e provocou para sair e enfrentar todos e foi certeira aquela provocativa já que o tio saiu de entre as árvores com a arma na mão apontando para eles.

– Cala a boca, maldita aberração! – Gritou Lucian apontando a arma para ela.

Thor arregalou os olhos e levantou em fúria para atacar o irmão.

– Enlouqueceu?!

– Não, meu caro irmão, nunca estive tão lúcido. Ao contrário de vós que age por instinto provocando lutas desnecessárias e sacrificando os nossos irmãos. – Mirou a arma para Thor. – Eu o considero inapto para ser o líder da Tribus.

Benjamin arfou irritado com aquela disputa familiar, notou aproximação de seu algoz que vinha a toda fúria para atacar.

– Está na hora de acabar de vez essa luta. – Fez um gesto com a cabeça e diversos vampiros apareceram detrás das árvores e atacaram Lucian e Thor.

O algoz do Regente foi o primeiro a desferir o golpe que de tamanha violência arremessou Lucian contra as árvores. O impacto do corpo do lobisomem fora tão grande que partiu vários galhos. Thor urrava furioso atacando os vampiros que avançavam sobre ele. Nicolly foi até o Regente e falou novamente.

– Por favor, sei que tem é inteligente e tem sabedoria, ouça, foi meu tio que provocou tudo isso, criou esse caos para derrubar meu pai, tirar a liderança do nosso clã de lobos. Ajude-o, por favor, verá que falo a verdade. – Ela implorou.

Benjamin olhou a garota por uns instantes. Achou-a estranha, diferente dos demais lobos e ralhou baixo olhando o ataque dos vampiros sobre o grupo restante de lobisomens.

– Garota, nada disso teria acontecido se teu pai tivesse saído conforme ordenei. – Farejou leve o cheiro da garota e intrigado com o que sentiu voltou a falar. – Quem é você, criança?

– Sou filha de Thor e Emilly. – Ela engoliu seco, ficou receosa de ser descoberta. – O senhor vai nos ajudar?

Benjamin fez um gesto com a cabeça, aquela garota lhe chamava atenção e aquilo o deixava intrigado, virou para o seu algoz e ordenou que parassem de lutar.

– Sr. Armanzie, volto a dizer: pare seus lobos e vamos decidir isso de forma mais diplomática, afinal sua filha pede por isso. – Falou de onde estava segurando a mão da garota.

Thor exausto parou e olhou para eles, assustou-se ao ver a filha de mão dada ao Regente e ordenou que os lobos parassem, todos obedeceram exceto um. Lucian voltou em fúria para a direção de Thor e saltou sobre ele.

Todos gritaram e Nicolly fechou os olhos, amedrontada.

Thor desferiu um golpe com suas garras e acertou o peito de seu irmão atravessando na altura do coração, agarrou e puxou retirando do peito o órgão ensanguentado e pulsante nas suas garras. Lucian urrou alto e segurou o braço de Thor, ao ver seu coração arrancado caiu no chão, desfalecendo.

– Acabou… – Thor jogou o coração arrancado no chão e fez um gesto para os demais lobos cercarem o corpo do irmão. – Não deixem que toquem no corpo dele. – Caminhou até o Regente e olhou a filha voltando a sua forma humana. – Eu já imaginava que meu irmão conspirava contra mim, ainda não tinha provas disso até minha filha falar.

Benjamin e Thor decidiram se encontrarem para por fim a tudo aquilo de forma diplomática, afinal a sua menina estava entre eles e o Regente demonstrava interesse nela o que fez Thor recuar aquela luta. O líder dos lobisomens precisava esconder a origem de sua cria e assim mantê-la segura de tudo e de todos conforme prometera a sua amada Emilly.

Gianni, Willian e Greg corriam contra o tempo, eles saíram do Central Park e depararam com um grupo de vampiros que, ao verem Lya ferida, se afastaram deixando que eles passassem, afinal uma puro sangrava e aquilo era terrível.

Gianni estava com ela nos braços e tenso olhou para a rua, logo um carro apareceu e ao abrir a porta apareceu Michael.

– Entrem, vamos levá-la logo, precisa de tratamento. – Falou abrindo a porta de trás do veículo.

Gianni nada falou apenas entrou com ajuda de Willian no carro, ambos apoiaram o corpo da puro no colo no banco de trás. Greg deu a volta e entrou sentando no banco do carona.

– Ei, onde está aquele vampiro negão? – Greg olhou para o outro ao volante e notou a face dele ficar tensa.

Michael engatou a marcha e saiu em disparada com o carro pelas ruas de Nova Iorque, sabia bem aonde levar Lya no estado que ela se encontrava, enquanto dirigia sua mente voltou a momentos antes quando viu Rodney lutar contra o lobisomem.

– Desgraçado… – A fera avançou contra uma árvore e de costas empurrou o corpo do vampiro parrudo para que soltasse de seu pescoço.

A luta de ambos era feroz e aparentemente Rodney estava perdendo a situação. Soltou o pescoço do lobo depois de vários golpes e caiu ao chão se arrastando para longe. A criatura avançou sobre ele e voltaram a lutar.

Os socos do vampiro eram violentos e tiravam sangue da face da criatura, assim como as garras que atravessavam a carne do vampiro fazendo-o sangrar muito. Cansados, ambos rosnavam um para o outro circulando perto da árvore, quando naquele momento diversos corvos atacaram o lobisomem. Mic chegou com suas aves que bicavam sem parar o lobisomem fazendo-o correr a esmo de um lado para o outro tentando se livrar dos corvos.

Rodney estava muito ferido e ao ver o lobo ser afastado para longe caiu para trás sentado perto de uma árvore. Ele perdia muito sangue e em seu peito haviam três talhos enormes de fora a fora denunciando que seu estado era gravíssimo.

Michael voltou à forma vampiro e andou até o amigo agachando ao seu lado.

– Vou lhe ajudar Rod, passe o braço em meu ombro. – Pegou o braço dele, mas foi repreendido e empurrado pelo mesmo.

– Vá ajudar… Lya… – Falava ofegante cuspindo sangue. – Ela… foi ferida… Vá ajudá-la… – Cuspiu sangue e olhou-o sério.

– Eu não posso deixá-lo aqui… – Olhava-o notando o estado decadente do grandão. – Vou te levar… – Tentou novamente ajudar, porém Rodney rosnou furioso para ele. – Vá agora, eu não me sacrifiquei por ela à toa, vá ajudá-la, só nós sabemos quem pode curar aquelas feridas, aqueles idiotas não sabem o que fazer.

Michael paralisou tenso com o jeito furioso de Rodney, estava certo no que ele dizia, somente eles sabiam quem podia ajudar a puro, porém Mic sabia que tinha uma escolha e a prioridade era sua senhora.

– Ela saberá que a honrou até o final. – Michael virou as costas para ele, entendia que o grandão estava no seu fim e que não iria querer que o vissem virar cinzas, assim o vampiro desapareceu pelo descampado indo até o carro para levar Lya a Vincenzo.

Rodney olhou Michael sumir na noite e fechou os olhos, seu corpo estremeceu e sua visão começou a ficar escura, sua última lembrança foi ver seu corpo começar a virar cinzas.

As garras de um lobisomem são mortíferas para os vampiros.

Lya olhava Gianni com a cabeça deitada em seu colo, tentava ficar acordada, porém evitava gastar mais de sua energia, seu corpo doía muito e sua cabeça pesava.

Gianni fitava seu rosto preocupado, por algum momento esqueceu de tudo o que haviam passado, esquecera da raiva e da mágoa que sentia dela. A única coisa em mente era que ela sobrevivesse.

Michael pegou o celular e dirigia rápido enquanto discava um número, ao ser atendido falou em italiano, recebeu algumas ordens e encerrou a chamada.

– Segurem-se! – Pisou mais fundo em disparada quando um carro da polícia saiu de um beco atrás deles. – Merda, não vou parar!

Greg olhou para trás e ficou tenso, não podiam parar e pensou um pouco, não sabia se conseguiria fazer com todos juntos e então arriscou.

– Vou nos esconder, continue correndo, cara. – Fechou os olhos e se concentrou.

Willian olhou o irmão e ficou preocupado, sabia que Greg tinha poder para ocultar-se, mas um carro em movimento e com tantos juntos? Ele desejou que conseguisse, já que a puro em seu colo estava muito debilitada. Usara seu pode de sangue para conter a hemorragia e evitar que Lya perdesse mais sangue.

Michael corria pelas ruas fazendo as curvas até que o carro da polícia parou de segui-los, Greg conseguira escondê-los.

– Melhor chegarmos logo, não sei se consigo manter por muito tempo o carro escondido. – Falou nervoso ainda de olhos fechados.

– Vai conseguir, irmão. – Will tocou o ombro dele dando-lhe apoio.

Gianni afagou os cabelos claros da puro, estavam sujos e as pontas borradas de seu sangue.

– Não morra. – Sussurrou a ela.

– Gia… nni… Eu… queria lhe a-ajudar…- Ela falava baixo e o tom de voz era embargada, em seus lábios haviam sangue escorrendo e ela tossiu. – Eu… posso lhe tornar … humano… quero ajudá-lo…

– Não fale, guarde suas forças… – Ele ficou tenso ao ouvir aquelas palavras. Tornar humano? Ele tentava entender como seria possível, porém iria ver aquilo em outro momento, já que sua prioridade era que a vampira sobrevivesse.

– Estamos perto! – Michael chegou de frente a um enorme prédio e procurou por alguém na calçada, um homem fez um gesto para ele seguir com o carro apontando a rua lateral que levava a garagem.

Pouco depois o quarteto subia pelo elevado e Gianni estava com a puro nos braços, entraram pela porta dos fundos e depararam com dois outros vampiros e um humano.

– Lya…! – Vincenzo com expressão desesperada se aproximou deles – O que você andou aprontando? Por Dio, está mal… – Olhou Gianni. – Venha, preparamos tudo para tratar dela. – Apontou o quarto onde ele entrou e colocou-a na cama.

– Ela está mal, precisa de sangue, use o meu. – Gianni ofereceu-se para doar o sangue.

– Pode ter certeza que usaremos.

Gianni, após doar o sangue a Lya foi encaminhado para a sala. Ali um empregado do humano que todos conheciam como “pai” de Lya lhe ajudou e assim as horas foram passando. Greg e Willian ficaram ao lado de Gianni, estavam certos que depois daquela noite algo mudaria, o ex-humano estava diferente e sua preocupação com a puro era explicita na sua face.

Gianni estava de pé ao lado da janela olhando para a paisagem noturna de Nova Iorque, aquela noite sentiu algo mudar em si, tinha certeza até então que odiaria Lya para sempre, porém o medo lhe tomou conta ao ver que ela poderia desaparecer para sempre. Fechou os olhos e inspirou baixo.

– Gianni…- a voz suave lhe chamou atenção.

Lya estava deitada na cama perto da janela a qual ele estava encostado na lateral, ela olhava-o com seus olhos claros e expressivos. Havia um misto de curiosidade e ao mesmo tempo alegria por acordar e vê-lo ali de pé.

Gianni afastou-se da janela e andou até perto da cama, puxou uma cadeira e sentou olhando-a, primeiro examinou para ver se estava bem e depois fitou seu rosto.

– Como se sente?

– Hum… Eu me sinto atropelada por um trem… – Rolou os olhos e deu um leve sorriso. – Nunca fui atropelada por um trem… – Fez uma careta e sorriu estendendo a mão para tocar o rosto dele. – Você me salvou…

– Eu…? Não exatamente, um grupo na verdade, alguns amigos e seu “pai” humano. – Suspirou baixo e segurou a mão dela. – Está assim porque me ajudou no parque, era o mínimo que poderia fazer, tira-la de lá com vida.

Lya olhou em volta e depois fez uma expressão questionando, o que ele entendera logo respondendo.

– Eles fizeram uma trégua, se é isso que quer saber, ao que parece o irmão do líder dos lobisomens traiu a todos e criou essa situação para que batalhassem e se destruíssem para poder tomar o poder e tomar a cidade com o comando do clã deles.

– Nossa, que coisa, ao menos pararam de lutar. – Lya virou o rosto para olhar o teto e por fim voltou a face a ele. – Eu fiquei fora por quanto tempo?

– Alguns dias. – Fitou-a um tempo.

Ela olhou-o intrigada.

– Quer me dizer algo?

– Algo mudou, não sei dizer, mas mudou… – Ele levantou da cadeira e soltou a mão dela, ficou ali de pé olhando-a. – Se beber meu sangue agora ficará totalmente recuperada, certo?

– Sim… – Ela arqueou o corpo e apoiou o braço do lado para levantar e sentar. – Eu estou bem, mas seu sangue ajudaria.

– Então… – Gianni sentou a beira da cama e afastou a gola da blusa. – Beba…

Os olhos da puro ficaram vermelhos e ela sorriu sem jeito com a oferta, a sede apertou fazendo-a aproximar dele quase instintivamente. Envolveu-o em seus braços e mordeu sua jugular, sugando o sangue com voracidade.

Gianni sentiu o corpo reagir àquela mordida de imediato, seu braço a puxou pela cintura fazendo-a sentar em seu colo e afagou suas costas por cima da camisola que vestia. Desejou-a naquele momento de tal forma que ofegou com o toque de seu corpo ao dela.

Lya sentiu ao sentar no colo de seu amado a reação que lhe dava quando o mordia, sorriu baixo e afagou os cabelos dele ainda sugando o sangue. Roçou provocativa o quadril no colo dele para sentir aquele contato.

– Vejo que está melhor voltou a me provocar dessa forma. – Falou com a voz rouca embargada de prazer.

Lya afastou os lábios e lambeu o local onde mordera, cicatrizando a pele.

– Eu só queria me sentir um pouco em seu colo. – Mordeu a ponta dos lábios olhando-o diretamente nos olhos.

– Sei…

Quando ela fez menção de sair do colo dele, o mesmo a segurou pela cintura e a manteve ainda ali.

– Eu quero saber tudo.

– Ahn? – Ela olhou intrigada.

– Sem mentiras, sem omissão eu quero a verdade.

Ela suspirou baixo e concordou com a cabeça.

Aquela noite iria mudar o rumo de tudo que ambos viveram até agora, novamente a vida deles teria outra reviravolta.

Continua…

Música Tema : Evanescence - Imperfection

Conto da Noite Sombria – Halloween

Conto da Noite Sombria – Halloween – Especial Duplo

Halloween -> http://cyberseries.com.br/conto-da-noite-sombria-halloween/

 

 

 

Todos os episódios 

http://cyberseries.com.br/a-dama-negra/

Isa Miranda

Amo escrever, por isso sou aquilo que escrevo, são as palavras que me dão poder e nelas me torno única. 

 

  • Andrea Bertoldo

    Volta em grande estilo! Parabéns!!

    • Isa Miranda

      Valeu Dea … <3

  • Fabi Prieto

    RODNEEEEEY </3

    • Isa Miranda

      =/

      Fazer o que =.=