Cyber News: Estudantes da USP desenvolvem apararelho que digitaliza a escrita à mão

Cyber News: Estudantes da USP desenvolvem apararelho que digitaliza a escrita à mão

Dois graduandos da USP desenvolveram o aparelho que reconhece o movimento da escrita. A iniciativa tem potencial para aumentar a inclusão digital

FOTO: REPRODUÇÃO/JORNAL DA USP

 

Uma das primeiras versões de uma mesa digitalizadora surgiu em 1964 e se chamava Tablet Rand. Hoje, com a popularização do aparelho utilizado para desenhos e ilustrações — geralmente acompanhados de um programa de edição de imagens —, as mesas permitem que os desenhos sejam criados já em formato digital.

Até agora, no entanto, não havia sido possível digitalizar a escrita à mão com formatação de texto. Mas dois estudantes da USP podem ter dado um passo nessa direção. Com o objetivo de encontrar uma maneira de avançar no campo da digitalização, dois engenheiros de computação e sistemas digitais recém-formados desenvolveram um aparelho que reconhece o movimento da escrita e reproduz no computador o resultado em texto formatado.

Segundo os pesquisadores, com essa nova tecnologia, batizada de Marc (Módulo de Aprendizado para Reconhecimento de Caligrafias), será possível preencher escrevendo à mão documentos em cadastros virtuais, escrever documentos em softwares como o Word ou Google Docs, pesquisar assuntos em buscadores e escrever publicações em redes sociais por exemplo.

Na prática, a ferramenta deve ser capaz de reproduzir digitalmente escritas à mão em muitas das situações nas quais se utilizaria o teclado.

Melhor trabalho de conclusão de curso

O Marc foi desenvolvido pelos então estudantes da Escola Politécnica da USP Letícia Li Koga e Cássio Sakayanagu, como trabalho de conclusão de curso da graduação em Engenharia da Computação e Sistemas Digitais.

Sob a orientação do doutor em Ciência da Computação Bruno de Carvalho Albertini, os estudantes construíram o aparelho utilizando uma caneta comum, rede neural, sensores de toque e Arduino, um processador de baixo custo.

Além desses elementos — todos encontrados nos laboratórios da universidade — Letícia e Cássio construíram uma placa de circuito SMD e utilizaram fita dupla face para juntar tudo. O equipamento foi escolhido o melhor projeto de trabalho de conclusão de curso entre os 45 apresentados em 2016 pelos graduandos do Departamento de Engenharia da Computação e Sistemas Digitais.

O projeto premiado, assim como os demais, foram avaliados por uma banca de parecer prático. Para escolher a melhor iniciativa, os integrantes da banca avaliavam a harmonia entre o desempenho do aparelho, seu funcionamento, utilidade e eficiência.

Maior inclusão digital

Segundo uma pesquisa realizada anualmente pela Fundação Getúlio Vargas, quatro em cada cinco brasileiros têm um computador. Na prática, isso representa 166 milhões de unidades. A “Pesquisa Anual de Uso de TI” prevê, ainda, que entre 2019 e 2020 a proporção de unidades de computador no Brasil será um para cada pessoa.

Com o aumento da presença de computadores nas residências brasileiras, o aparelho desenvolvido pelos estudantes da Poli-USP pode auxiliar na inclusão digital de pessoas pouco familiarizadas com esses equipamentos.

Com a digitalização da escrita à mão, pessoas que não tinham acesso a computadores, em especial idosos e pessoas de baixa renda, terão a possibilidade de utilizar recursos — incluindo os públicos — de forma mais prática. Hoje, por exemplo, é possível requerer documentos e boletos pela internet, sem precisar ir a um órgão governamental.

Wellyngton Vianna

Recifense, 23 anos, CEO fundador do CYBER SÉRIES.

“Escrever liberta, podemos criar, recriar e inovar. Podemos tornar públicas as nossas idéias”.

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