Cyber News: Em discurso no congresso, Trump defende imigração por mérito, promete reforma fiscal e pede fim do Obamacare

Cyber News: Em discurso no congresso, Trump defende imigração por mérito, promete reforma fiscal e pede fim do Obamacare

01/03/2017 Cyber News No ar 0

 

Presidente fez seu primeiro discurso a legisladores do Senado e da Câmara de Representantes. Ele pediu união entre os Partidos Democrata e Republicano.


Donald Trump faz seu primeiro discurso em sessão conjunta no Congresso dos EUA, à frente do vice-presidente e presidente do Senado Mike Pence e o presidente da Câmara Paul Ryan (Foto: REUTERS/Jim Bourg)

Donald Trump faz seu primeiro discurso em sessão conjunta no Congresso dos EUA, à frente do vice-presidente e presidente do Senado Mike Pence e o presidente da Câmara Paul Ryan (Foto: REUTERS/Jim Bourg)

O presidente americano Donald Trump fez na noite desta terça-feira (27) seu primeiro discurso em sessão conjunta aos legisladores do Senada e da Câmara de Representantes dos Estados Unidos. Durante sua fala, Trump defendeu pela primeira vez um sistema de imigração baseado em mérito, prometeu uma reforma fiscal e pediu união entre o Partido Democrata e o Republicano para avançar em legislações como a substituição do programa de saúde Obamacare.

[Esta reportagem está sendo atualizada.]

O presidente começou seu discurso condenando as recentes ameaças a centros judaicos nos EUA. “As recentes ameaças aos centros da comunidade judaica e o vandalismo de cemitérios judeus, além do tiroteio em Kansas City na última semana, nos lembram que, ao mesmo tempo em que podemos ser uma nação dividida na política, somos um país que permanece unido na condenação ao ódio e ao mal em todas as suas formas”, declarou.

Trump disse que queria passar uma mensagem de unidade e força. No início de sua fala, fez um retorspecto das medidas tomadas por seu governo desde que tomou posse, no dia 20 de janeiro. Ao citar sua indiação para a Suprema Corte, o juiz Neil Gorsuch, pediu: “Peço ao Senado para que rapidamente aprove a nomeação”.

O presidente, falando em um terreno favorável, já que os republicanos controlam as duas Câmaras, também defendeu uma série de medidas que pretende impulsionar em seu governo. Como de costume, seu discurso teve foco no crescimento e protecionismo do país, com slogans como “os americanos em primeiro lugar” e “fazer a América grande de novo”. Desta vez, o presidente não adotou o tom pessimista como o que usou no discurso de posse em 20 de janeiro, quando descreveu um quadro sombrio dos Estados Unidos e se referiu a um “massacre americano”.

Reformas

Trump afirmou que está preparando “uma reforma tributária histórica”, que irá diminuir a taxa de imposto para as empresas e proporcionará um “alívio fiscal enorme” para a classe média:

“Minha equipe econômica está desenvolvendo uma reforma tributária histórica que reduzirá a taxa de imposto de nossas empresas para que possam competir e prosperar em qualquer lugar e com qualquer um”.

“Para conseguir nossos objetivos no país e no exterior, devemos reiniciar o motor da economia americana, facilitar que as empresas façam negócios nos Estados Unidos e dificultar as saídas delas do país”, disse, pouco antes de assegurar que “as empresas americanas pagam as taxas mais altas em qualquer parte do mundo”.

O presidente apresentou uma nova proposta em relação ao sistema de imigração nos EUA, defendendo a adoção de um novo sistema baseado em mérito e na capacitação dos candidatos e que contemple o acesso ao país de pessoas com baixa qualificação para o mercado de trabalho:

“Se passarmos do atual sistema de imigração de pessoas com baixa capacitação e adotarmos um sistema baseado no mérito, teremos muitos benefícios: pouparemos dólares, elevaremos os salários e ajudaremos as famílias em dificuldades – incluindo famílias de imigrantes – a ingressar na classe média”.

Segundo o presidente, Canadá e Austrália adotam este sistema.

Trump falou sobre uma reforma “positiva” em imigração. “Acredito que uma reforma real e positiva de imigração é possível, desde que tenhamos focos nos seguintes objetivos: aumentar empregos e salários para americanos, fortalecer nossa segurança nacional e retomar o respeito pelas nossas leis”, disse. Segundo ele, o atual sistema de imigração está ultrapassado, pois afeta os salários dos americanos e pressiona os contribuintes americanos, custando “muitos bilhões de dólares ao ano”.

Também pediu que os legisladores se unam para revogar e substituir o programa de saúde Obamacare. “Nesta noite, também peço a este Congresso para revogar e substituir o Obamacare, com reformas que expandem a escolha, aumentam o acesso, diminui os custos, e ao mesmo tempo, oferecem melhor cuidado da saúde”, disse.

“A maneira de tornar o seguro de saúde disponível a todos é diminuir o custo do seguro de saúde , e isso é o que vamos fazer”, acrescentou, fazendo um apelo aos membros do Congresso:

“Estou pedindo a todos os democratas e republicanos no Congresso para trabalharem com nós para salvar os americanos desse desastre implosivo do Obamacare”.

Estado Islâmico e muro

Trump disse que “trabalhará” com os países aliados para “extinguir” o grupo jihadista Estado Islâmico (EI). “Vamos trabalhar com nossos aliados, incluindo nossos amigos e aliados do mundo muçulmano, para extinguir da face da Terra esse inimigo”, disse Trump. “Como prometido, ordenei ao Departamento de Defesa que desenvolva um plano para destruir o EI, uma rede de selvagens sem lei que matou muçulmanos e cristãos, homens, mulheres e crianças todas as crenças”, afirmou o presidente.

Também declarou o “forte apoio” de Washington à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mas voltou a convocar os países aliados a cumprirem seus compromissos financeiros.

“Apoiamos fortemente a Otan, uma aliança forjada pelos laços de duas guerras mundiais que destronaram o fascismo e uma Guerra Fria que derrotou o comunismo. Mas nossos sócios devem cumprir suas obrigações financeiras”, afirmou Trump.

Prometeu iniciar “em breve” a construção do muro na fronteira com o México, com o objetivo de conter “as drogas e o crime”. “Enquanto falamos, estamos removendo criminosos, vendedores de drogas e criminosos que ameaçam nossas comunidades e nossas crianças. Esses caras estão indo embora, enquanto falamos aqui esta noite, tal como eu havia prometido”, disse o presidente.

Há algumas semanas, o presidente aprovou uma ordem executiva instruindo as agências federais na “construção imediata” do muro com o México e aguarda com expectativa o custo de tal construção com fundos do governo, embora ele tenha dito que o investimento será reembolsado pelo México.

Uma média de pesquisas recentes feita pelo Real Clear Politics coloca o índice de aprovação de Trump em cerca de 44%, baixo para um novo presidente.

Gestos

Em um gesto em defesa pelos direitos das mulheres, algumas legisladoras democratas foram à sessão vestidas de branco. Nancy Pelosi, membro da Câmara dos Representantes, afirmou pelo Twitter: “Hoje à noite, nossas Democratas #WomenWearWhite (Mulheres Vestem Branco) em apoio aos direitos das mulheres — ao contrário de um @POTUS (presidente dos EUA)”.

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Representantes da Casa Branca dizem que o discurso terá alguns gestos para unificar um país polarizado por uma eleição dura e dividido nos primeiros dias do governo.

Em declarações nesta terça, o presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, disse que o discurso representa “a oportunidade, em uma geração, para fazer avançar a agenda” dos setores conservadores.

Já o senador democrata Richard Blumenthal disse à agência France Presse que espera de Trump um gesto para “começar de novo, para tentarmos nos unir, para pôr fim aos ataques à imprensa e (conseguir) um Poder Judiciário independente”.

Resposta dos democratas

Após o discurso de Trump, o ex-governador do Kentucky, Steven Beshear, e a imigrante mexicana Astrid Silva falarão ao Congresso para dar a resposta do Partido Democrata ao discurso do presidente. A resposta será feita em inglês por Beshear e em espanhol por Astrid.

Beshear representa uma das maiores histórias de sucesso da reforma da saúde, aprovada em 2010 e cujo desmantelamento já foi iniciado por Trump, apesar de os republicanos ainda não terem entrado em acordo sobre qual plano sanitário substituirá o atual. Como governador de Kentucky, entre 2007 e 2015, ele expandiu o acesso à saúde a todos os moradores do estado e diminuiu o número de pessoas sem seguro saúde para 7,5%, uma das maiores margens de progresso em todo o país.

Astrid é filha de imigrantes ilegais e entrou no país quando era criança. Se tornou uma ativista em desefa dos “dreamers”, como são chamados os jovens que, como ela, se beneficiaram do programa de alívio migratório Ação Diferida (Daca), aprovado em 2012 por Obama, e ao qual se acolheram cerca de 750 mil imigrantes ilegais que chegaram quando crianças ao país.

Durante sua campanha, Trump prometeu acabar com o Daca e deportar os “dreamers”. Mas recentemente sua administração estabeleceu novas diretrizes para a deportação de imigrantes ilegais e manteve o programa.

Por G1

Wellyngton Vianna

Recifense, 23 anos, CEO fundador do CYBER SÉRIES.

“Escrever liberta, podemos criar, recriar e inovar. Podemos tornar públicas as nossas idéias”.