Coração Sertanejo: Capítulo 2 – Os invasores

Coração Sertanejo: Capítulo 2 – Os invasores

 

CENA I
(Volta-se a cena em que Fabiano está sentado á beira do rio e sua mãe o chama_ a cena volta para a beira do rio_ estamos no ano de 1993_ Fabiano levanta-se da beira daquele rio, ele já é um jovem, está vestido com um Smoking bege, Mercedes o encontra e o abraça).
MERCEDES: Fabiano, o que você está fazendo aqui sentado a beira desse rio? Hoje é dia do seu casamento. Você vai acabar se sujando todo (arruma sua gravata).
FABIANO: Eu estava aqui mãe, pensando na vida.
MERCEDES: Mais meu filho, por que você está triste? Justo hoje no dia do seu casamento? Você não ama a Luana?
FABIANO: Eu a amo mãe, quer dizer acho que amo.
MERCEDES: Como assim filho: você acha que ama? Como pode se casar sem ter essa certeza?
FABIANO: A única certeza que tenho é que meu pai gosta muito dela, e está feliz com esse casamento, pela primeira vez na vida ele está orgulhoso com alguma coisa que eu faço. Então não me restam dúvidas: é exatamente isso que devo fazer.
MERCEDES: Mas você vai se casar só pra agradar seu pai?
FABIANO: É isso que tenho tentado fazer desde que me conheço por gente, mas por mais que eu tente, eu nunca consegui. Agora só me resta essa ultima tentativa.
MERCEDES: Filho você não pode fazer algo tão importante, como se casar com alguém, pensando em agradar seu pai.
FABIANO; Deixa mãe, agora é tarde pra ter duvidas, mesmo porque a Luana está esperando um filho meu. Eu gosto da Luana e quero ser feliz do lado dela e acho que isso é o que importa?
MERCEDES: Olha filho! Seja como for, aconteça o que acontecer você sempre poderá contar com meu amor e meu apoio. (se abraçam) mas se você quer mesmo se casar é melhor você se apressar. Quem tem que chegar atrasado é a noiva e não você (eles abraçados, se afastam do rio ao som da música casinha branca de Roberta Campos).

CENA II
(TARDE_ interior do quarto de Luciano, já um homem feito de uns 30 anos, ele está saindo do banheiro só de toalhas alguém bate na porta do quarto).
LUCIANO: Cidinha é você? (abre e é Luana vestida de noiva) Luana o que você quer aqui? Não deveria estar se arrumando para o casamento?
LUANA; Não, porque você, mais do que ninguém, sabe que eu não quero me casar, não com seu irmão.
LUCIANO: Por que vai casar então? Por que armou esse circo todo? Vai-me dizer que foi só pra ganhar a fazenda Poconé do meu pai de presente de casamento?
LUANA: Você me ofende dessa maneira, você sabe que não sou uma mulher interesseira, por isso estou disposta á largar e desistir de tudo se você me pedir pra eu não me casar, se você disser que me ama e que vai ficar comigo (o abraça tentando beija-lo ele o segura e a joga na cama).
LUCIANO: Quantas vezes eu tenho que te dizer que não sinto nada, absolutamente nada por você, somente um grande carinho e amizade?
LUANA: Mais eu quero o teu amor.
LUCIANO: Pare com isso, o meu amor você nunca vai ter porque ele é, sempre foi e sempre será da Yasmim.
LUANA: Um dia você ainda vai implorar por meu amor, pra ficar comigo e me pedir perdão por me tratar assim.
LUCIANO: Talvez eu me arrependa sim, mas é de deixar meu irmão se casar com uma mulher que não o ama, só pra assumir um filho que nem sei se realmente é dele, porque se você se oferece assim para mim, que sou irmão dele, quem me garante que não se oferece á outros homens também?
(ela lhe dá um tapa na cara_ Yasmim_ chega)
YASMIM: O que está acontecendo aqui no meu quarto? O que você está fazendo aqui Luana?

CENA III
LUANA: Nada amiga, só vim pedir pra você me emprestar aquele seu colar de pérolas.
YASMIM: (vasculhando em suas coisas tira o colar) Está aqui. Quantas vezes você pedir uma joia, uma roupa ou algo parecido eu te emprestarei ou ate irei te dar. (abraçando Luciano) mas esse aqui. Essa joia preciosa, é só minha e eu não divido com ninguém entendeu? Agora vá se arrumar. O Fabiano, seu noivo, já deve estar te esperando. (Luana sai em silencio_ Luciano e Yasmim não se seguram e caem na gargalhada)
LUCIANO: Eu já te disse que você é maravilhosa e que eu te amo?
YASMIM: Hum! Já. Mas já faz muito tempo, uma meia hora mais ou menos, então pode tratar de dizer novamente.
YASMIM: Você é maravilhosa e eu te amo. (ela abraça seu pescoço o beija) eu sei que você me ama, eu acredito no seu amor, e por isso não tenho medo de você me trair, além do mais tenho certeza que você jamais faria isso com seu irmão.
(Se beijam novamente_ Rodrigo, um garoto de uns 8 anos, entra)
RODRIGO: Mãe olha o que o Dudu fez com minha roupa (a roupa de Rodrigo, que no momento aparenta ter uns oito anos, está toda suja de chocolate).
YASMIM: Eu posso saber quem foi o abençoado que deu chocolate pro Dudu? (Dudu, um garoto de uns 5 anos, entra todo melecado de chocolate)
LUCIANO: Eu (meio sem jeito)
YASMIM: Só podia ser.
LUCIANO: Pode deixar amor, eu vou dar um jeito nesses dois porquinhos (sai brincando com as crianças e Yasmim senta-se diante do espelho pensativa_ corta a cena).
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IV
(FINALZINHO DE TARDE_ exterior da casa de Antônio, lugar onde está preparado para o casamento_ um capataz se aproxima de Antônio).
PEDRO: Seu Antônio, seu Antônio.
ANTÔNIO: O que foi Pedro? Que cara é essa? Hoje é dia de festa rapaz.
PEDRO: Tenho uma péssima noticia pro senhor.
ANTÔNIO: Mas você vai me trazer noticias ruins justo hoje? Justo no dia do casamento de meu filho e minha enteada?
PEDRO: Mas é urgente senhor.
ANTÔNIO: O que foi?
PEDRO: Sabe aquela fazenda Poconé?
ANTÔNIO: Sim, claro que sei, foi a que dei de presente de casamento para minha enteada.
PEDRO: Pois então, ela acabou de ser invadida pelos sem terra.
ANTÔNIO: Miseráveis. Como eles tem a coragem de ocupar uma terra minha? (pausa) bom, mas eu entendo eles, é duro querer trabalhar e não ter sua terra pra plantar e pra colher, eu também comecei por baixo assim como eles.
PEDRO: Então o que o senhor vai fazer?
ANTÔNIO: Por agora nada, porque hoje é festa e não é dia de se pensar nisso, você vai procura-los e ver o que eles estão precisando: comida, água, tudo. Providencie tudo, não quero ninguém morrendo de fome ou de sede nas minhas terras e amanhã eu procuro meu advogado para ver que atitude eu posso tomar de acordo com a lei.
PEDRO: Tem certeza?
ANTÔNIO: Agora vai começar a questionar uma ordem minha, homem? Ande faça o que te mandei (o capaz sai)

CENA V
(Pedro vai saindo, Maria da Purificação o intercepta).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: O que está acontecendo Pedro? Pelo jeito a noticia que você veio trazer pro Antônio não é nada boa.
PEDRO: Algumas pessoas dos sem terra invadiram a fazenda Poconé.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Eu não acredito. logo a que o Antônio deu para minha filha de presente! E o que ele lhe mandou fazer?
PEDRO: Mandou que eu oferecesse comida e água pros sem terras e disse que depois iria ver com o advogado o que fazer de acordo com a lei. (vai saindo)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: (Maria o segura) Espere! Você não vai fazer nada disso, não vai ficar dando água e comidinha para esses miseráveis mortos de fome não, ao contrário, você vai dizer ao chefe deles que o Senhor Antônio Dias está lhes dando 48 horas para desocupar o lugar senão ele vai mandar todos os seus capangas tirar aqueles vagabundos de lá debaixo de bala. Entendeu?
PEDRO: Sim, mas o que ganho descumprindo a ordem do meu patrão?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Á noite, enquanto o Antônio tiver dormindo, eu vou até seu quarto pra te dar um presentinho. (fala de forma sexy) agora vai, faça o que te mandei! Esses miseráveis não vão tirar a terra que minha filha ganhou, ah, mas não vão mesmo.

CENA VI
(TARDEZINHA. Altar improvisado á frente da casa de Antônio Dias, onde todos se encontram já posicionados começa a tocar a marcha nupcial_ Luana entra, está linda com um vestido de noiva em um estilo rustico mas sem demonstrar felicidade, Antônio Dias à entrega para Fabiano e diz:).
ANTÔNIO: Toma conta dessa menina direito hein moço! Ela é uma joia rara que merece ser muito feliz.
FABIANO: Pode deixar pai (se aproximam do altar onde o padre faz os ritos iniciais)
FUNDO MUSICAL: A mulher em mim (Roberta Miranda)
PADRE: Amados irmãos, estamos aqui reunidos para celebrar o amor de Fabiano e Luana um amor que nasceu quando os dois ainda eram apenas duas crianças (Luana fixa seu olhar para Luciano) e que foi crescendo ao longo do tempo e hoje vieram até aqui diante de Deus para confirmar seus votos de amor e fidelidade.
Fabiano é para vida toda que promete amar e respeitar a senhorita Luana Pimenta, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença?
FABIANO: (ele para por um instante, fica pensativo e responde) _Sim.
PADRE: E você senhorita Luana é para vida toda que promete amar e respeitar o senhor Fabiano Dias, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença?
(musica de suspense_ ela dá um passo em direção á Luciano)
Senhorita Luana… É de livre e espontânea vontade que promete amar e respeitar o senhor Fabiano Dias por todos os dias de sua vida?
LUANA: (abaixa a cabeça) Sim.
(o casamento se desenrola normalmente até o fim_ Fabiano e Luana se afasta do altar recebendo os cumprimentos de todos os convidados.).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Parabéns Fabiano, seja feliz (o cumprimenta) parabéns filha (quando lhe abraça diz em seu ouvido:) você fez a coisa mais acertada, você vai ver filhinha (segue-se a festa)
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VII
(FINAL DA TARDE_ Fazenda Poconé onde está um grupo dos sem terras está acampado, entre eles Ângelo e sua esposa
MIRIAN: e seus dois filhos Gabriel e Marcela eles estão discutindo os próximos passos_ Pedro e os demais capangas de Antônio Chegam á cavalo).
PEDRO: Quem é o líder dessa confusão toda? Quem é o chefe desse bando de bandidos que querem roubar as terras do meu patrão?
MÍRIAN: Aqui ninguém é ladrão não senhor. Nós só queremos um pedaço de chão para trabalhar.
PEDRO: Pois bem, meu patrão tem um recado pro líder de vocês.
ÂNGELO: O líder sou eu, pode falar. Qual o recado que seu patrão mandou para nós?
PEDRO: Ele está dando 48 horas para vocês desmancharem esse circo aqui e darem o fora das terras dele senão?
ÂNGELO: Senão o que?
PEDRO: Senão ele vai tirar vocês é na base da bala.
ÂNGELO: Pois avisa seu patrãozinho que ele não ta lidando com homem frouxo não, ninguém vai sair daqui se o juiz não nos mandar. Nós estamos lutando para ter um pedaço de chão, para trabalharmos e vivermos dignamente, nosso causa é justa e vamos lutar até o fim. E se meus companheiros quiserem podem ir, eles são livres, mas eu e minha família vamos ficar e esperar, se seu patrão quiser vir aqui nos tirar a bala, que venha preparado, porque nós vamos receber com chumbo também.
PEDRO: Vocês vão pagar muito caro por toda essa desobediência e teimosia. Miseráveis! (sai galopando apressadamente em seu cavalo)

CENA VIII
ÂNGELO: É isso pessoal, vocês ouviram o que ele disse: em breve o patrão dele, junto com toda a jagunçada, vai estar aqui pra nos expulsar e não vão pensar duas vezes antes de partir pra ignorância e violência, então eu deixo vocês livres, sei que muitos de vocês têm família: mulheres, filhos então se quiserem ir embora podem ir eu vou entender mas eu irei ficar, eu acredito em nossa causa, sei que ela é uma causa justa e vou lutar por ela nem que seja dando meu próprio sangue pra isso. E então vocês ficam ou vão embora?
CÍCERO: Eu fico com você Àngelo, eu também estou disposto a dar minha vida por um pedaço de chão onde possa criar meus filhos.
OSÉIAS: Eu também.
(um por um vai dizendo que irá ficar ao lado de Ângelo e lutar com ele pela divisão das terras da fazenda Poconé)
ÂNGELO: É isso mesmo companheiros: devemos honrar o sangue que corre em nossas veias e lutar por nossos sonhos, lutar por um pedaço de chão onde possamos plantar e colher o pão nosso de cada dia. E digo mais: essa nossa luta é muito, mas muito maior do que a luta por um pedaço de terra é a luta de Davi contra Golias, dos pequenos desse país, que sempre foram explorados e oprimidos, contra os grandes aqueles que oprimem nosso povo, aqueles que quando mais tem mais querem, aqueles que desejam viver no luxo enquanto milhares de irmãos morrem de fome diariamente, enquanto milhares morrem nas portas de hospitais sem atendimento médico enquanto milhares de crianças morrem contaminadas por doenças, somente por não terem um saneamento básico de qualidade. Lutemos meu povo, não nos calemos diante das injustiças, somos pequenos, mas enquanto tivermos fé e uns aos outros sempre será possível acreditar num mundo melhor.
_ (Ângelo se envolve com uma bandeira do Brasil e começam a cantar o hino da proclamação da Republica, sendo acompanhado por todos do grupo).
“Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós, nas lutas, na tempestade Dá que ouçamos tua voz”.

CENA IX
(visão panorâmica noturna da casa de Antônio Dias)
(NOITE_ quarto de Fabiano, ele está conversando com Luana).
FABIANO: Eu ate agora não entendi porque você não quis ter lua de mel, poderíamos ter viajado pra qualquer lugar desse mundo (lhe abraça por trás) Milão, Paris, Londres, Miami.
LUANA: Temos muito que fazer por aqui, não temos tempo pra perder com viagens. (se afasta dele)
FABIANO: Você que sabe meu amor, o importante pra mim é estarmos aqui juntos. (a beija)
LUANA: Sim é (fica triste) vamos dormir. (Fabiano começa a beija-la) Tá Fabiano! Chega dessa melação toda, me deixa quieta, estou cansada e com sono. Boa noite.
MÚSICA: De onde vem a calma (Lós Hermanos)
(Luana se vira e finge dormir _Fabiano se levanta e vai ate a janela onde fica pensativo).
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IX
(NOITE_ sala da casa de Antônio Dias_ Maria da purificação, de camisola, desce as escadas e vai até o exterior da casa, na colônia dos empregados, ela vai se esquivando, se escondendo pra não ser vista, bate a porta de uma das casas, nela está Pedro que abre a porta para Maria da Purificação entrar, ele instantaneamente começa a beija-la).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: (se desvencilhando dele e pegando um copo de cachaça) E então você fez o que eu te mandei?
PEDRO: Sim claro
MARIA DA PURIFICAÇÃO: E então? Eles foram embora?
PEDRO: Não, eles são um bando de cabeça dura, o líder deles disse que não vai sair e que se formos tirá-los à bala eles também irá nos receber á bala.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Duvido, aquele bando de miseráveis, no máximo vão querer reagir com um estilingue e cinco bolinhas gude.
PEDRO: E então o que vamos fazer?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Não sei, por agora vamos dar o tempo que prometemos, enquanto isso, eu vou falar com minha filha pra decidirmos juntas o que fazer.
(Pedro começa a beija-la e tirar sua roupa)
Pare com isso, só vou te dar o que te prometi quando as terras da minha filha estiverem livres daqueles miseráveis. (sai)

CENA XI
(MANHÃ_ fazenda de Antônio Dias_ quarto de Fabiano_ Luana está dormindo e Maria da Purificação chega)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Bom dia filhinha, como você está? Como foi a noite de núpcia? (irônica)
LUANA: Horrível, teve uma hora que tive que mandá-lo parar de me beijar porque estava me embrulhando o estômago.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Ih filha! Se você tivesse ideia dos homens com quem eu já tive que me deitar pra dar de comer á você! Perto deles o Fabiano é um príncipe encantado.
LUANA: Eu sei mãe, mas é que eu não o amo e não consigo esquecer o Luciano, além do mais tem algo no Fabiano que sei lá, não consegue me despertar desejo.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Eu sei filha, mas você precisa esquecer o Luciano, ele é um amor impossível. Bom eu vim aqui porque temos um assunto bem mais sério pra tratar.
LUANA: E que foi mãe?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Sabe a fazenda Poconé? Aquela que o Antônio te deu de presente?
LUANA: Claro que sei, afinal só engravidei do Fabiano e me casei com ele para conseguir esse presente.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Pois bem, ela foi invadida pelos sem terra. (Luana se assusta)
LUANA: Isso não é possível mãe, depois de tudo o que fiz para conseguir aquela fazenda eu não posso perdê-la, não para esse bando de miseráveis. Precisamos fazer alguma coisa.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Eu já fiz, mandei o Pedro ir dar um susto neles, ameaçar dizendo que se eles não fossem embora o Antônio iria mandar os jagunços expulsá-los na bala.
LUANA: E eles mãe? Me diz que eles foram embora, por favor.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Não filha, eles estão irredutíveis, não querem sair de jeito nenhum e não sei o que faço.
LUANA: Pois eu sei, mande o Pedro cumprir a ameaça e tirar todo mundo de lá na base do tiro.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Mas filha, existem mulheres e crianças com eles.
LUANA: Que se danem. Esse bando de vagabundos que pensassem antes de ocupar a minha terra. Quero todo mundo fora de lá vivos ou mortos.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Mas filha, mandar sair atirando assim pode dar problema com a polícia. (elas pensam)
LUANA; Já sei mãe, fala pro Pedro esperar escurecer, ai então ele vai até o barraco do líder deles e taca fogo, assim todos vão pensar que foi um acidente causado por uma vela ou algo parecido, além do mais, nesse fim de mundo nem tem policia direito e se tiver e ela descobrir alguma coisa a suspeita vai ser o Antônio e não nós. (elas gargalham)

Cena XII
(TARDE_ acampamento dos sem-terra na fazenda Poconé _ o capataz acompanhado de vários jagunços aparecem entre eles)
PEDRO: (para Ângelo) E então, vocês não foram embora não é mesmo? Pois bem, como meu patrão é um homem generoso ele resolveu dar mais uma chance pra vocês saírem numa boa.
ÂNGELO: Daqui eu só saio morto.
PEDRO: Tudo bem! Você é quem sabe, você é que está pedindo. (os jagunços saem em galope Mirian se aproxima de Ângelo e o abraça)
(nesse momento chega uma parte dos sem terras)
CÍCERO: Ângelo, precisamos falar com você.
ÂNGELO: Pode falar homem.
CÍCERO: O pessoal andou conversando e decidimos mudar de ideia. Não dá para enfrentar essa jagunçada toda não, malémá temos armas para nos defender e quando esse povo vem eles vem realmente para matar e para destruir e não vamos ficar aqui esperando por isso.
ÂNGELO: Mas homem, agora pouco vocês disseram que iriam ficar comigo, que estavam do meu lado.
OSEIAS: Sabemos disso Ângelo, mas estamos com medo, temos família, filhos não vamos colocar a vida deles por causa de um pedaço de terras.
ÂNGELO: Se vocês querem ir, podem ir, eu sempre deixei vocês livres para isso, eu entendo o lado de vocês.
CÍCERO: E você não vem com a gente?
ÂNGELO: Não, não vou desistir do meu sonho, não vou desistir da minha luta, desse pedaço de chão que eu escolhi para viver eu só saio morto.
OSEIAS: Tudo bem Ângelo, boa sorte, fique com Deus e que Ele te proteja
MÚSICA: Poeira
(todos os integrantes do grupo vão embora em seus caminhões ou charretes deixando apenas a família de Ângelo)
MIRIAN: Amor, tô com medo, nem tanto por nós, mas pelas crianças, não é melhor a gente também sair daqui enquanto é tempo.
ÂNGELO: Não mulher, se você quiser ir com as crianças, pode ir eu entendo, mas eu não vou me deixar amedrontar por essa gente. Eu acredito em nossa causa e vou lutar por ela até o fim.
MIRIAN: Se você fica, nós ficamos também, nem se for pra morrermos todos juntos. (o beija)

(a cena congela e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

FINAL DO SEGUNDO CAPÍTULO

  • Isa Miranda

    Filha de cobra cobrinha é… Dupla do mal essas duas hen! Tomei asco delas u.u
    Antonio merece a mulher que trocou, burro e cego.

    Tadinho do Fabiano. (gosto dele)

    • Cleber Medeiros

      eu tb, na verdade ele é um auto retrato meu rsrsrsrsrs

      • Cleber Medeiros

        sim a ideia é essa mesmo, ver Luana e Maria da Purificação como uma dupla do mal. Não percam o final de Maria da Purificação (melhor personagem de Coração sertanejo Forever) vai ser inesquecível kkkkkkkkk