Coração sertanejo: Capitulo 9 – Ventos Contrários

Coração sertanejo: Capitulo 9 – Ventos Contrários

CENA I
(AINDA ACONTECE A FESTA_ Chica gaiteira Anima a festa, Bastião tira Cidinha para dançar mais acaba pisando no pé dele e ela batendo nele_ Maria da Purificação e Cândida, observam a atitude estranha de Pureza)
CANDIDA: Sei não, mas acho que não foi uma boa ideia fazer essa festa hoje.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Uai, por quê? O dia do padroeiro é hoje.
CANDIDA: Hoje é noite de lua cheia.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Ai vai-me dizer que está com medo da noiva fantasma aparecer?
CANDIDA: Não é isso Maria, olha só a Pureza, ela já está ficando estranha.
(Pureza vai até o chafariz da praça entra e começa a se banhar sensualmente).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Melhor levar ela pra casa antes que ela rasgue a roupa. (Maria da Purificação, mal fecha a boca e Pureza rasga seu vestido, os homens todos se alvoroçam e observam que Pureza é uma mulher de lindas formas).
CÂNDIDA: Acho que é tarde demais.
PUREZA: Ai, ai que calor, que calor na bagurinha. Ai! Ai que calor na bagurinha, quem pode apagar esse fogo? (começa a correr atrás dos homens) não aguento mais essa quenturão da disgota. Ai! Ai que calor na bagurinha, alguém me ajuda a apagar esse fogo.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Eu ajudo (pega uma garrafa de uma barraca e dá uma garrafada na cabeça dela, fazendo-a desmaiar) agora levem ela daqui. (Bastião, Bem-te-vi e Lucas a levam para casa desacordada).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: (falando com Antônio Dias) Chega! Vamos embora daqui agora! Essa orgia toda pra mim já deu. (sai)

CENA II
(Noite_ casa de Luciano_ na sala, vendo filme e comendo pipoca, estão os irmãos Rodrigo e Eduardo e sua convidada a jovem e bela Cacau)
EDUARDO: Vamos assistir mais um filme?
CACAU: Hum. Sim, mais só se for romance, já estou enjoada de tanta pancadaria e violência.
RODRIGO: Não sei não gente, já passam da meia noite, não vai ficar tarde pra essa mocinha ir embora?
CACAU: Relaxa! Meus pais nem sabem que já cheguei á cidade, eles acham que ainda estou em São Paulo.
EDUARDO: Então você pode posar aqui. (fica meio sem jeito) digo no quarto da Cecília ou da Clarinha.
CACAU: Isso eu não sei, mas sei que estou a fim de assistir outro filme, á menos que vocês estejam querendo dormir.
RODRIGO: Bom na verdade eu tô com so…
EDUARDO: (pisando no pé de Rodrigo) Claro que não, eu e meu irmão estamos acostumados a ficar até tarde vendo TV, não é maninho?
RODRIGO: É sim (abre a boca com sono) já estamos acostumados.
EDUARDO: Então vamos colocar outro filme.
CACAU: Só se for de romance.
EDUARDO: Como você desejar. (coloca o filme e ele começa a passar)
RODRIGO: Vou buscar algo pra gente comer e uma garrafa de vinho.
EDUARDO: Vai sim maninho. (Rodrigo sai)
MÚSICA: “Sem Estar”
(Eduardo vai se aproximando cada vez mais de Cacau, coloca as mãos em seu ombro, a outra mão, de forma insegura e indecisa, vai buscando a mão de Cacau que envolve a sua, eles se olham, ficam um bom tempo se olhando, ele vai se aproximando e a beija carinhosamente, depois ela se deita no sofá beijando cada vez com mais desejo_ Rodrigo volta com a comida e o vinho, observa a cena e depois se retira e deixa os dois sozinhos se amando).

CENA III
(QUASE MADRUGADA_ Gabriel está indo sozinho para sua casa)
GABRIEL: Bem que eu podia ter ido embora mais cedo com a Inaiê, amanha tenho que acordar cedo e um dia difícil pela frente.
MÚSICA DE SUSPENSE
(Gabriel começa a ouvir passos atrás dele)
GABRIEL: Quem está ai? Me diga! Quem está ai? (ele escuta novamente alguns passos e algo se mexer em uma moita atrás dele) Não gosto desse tipo de brincadeiras. É você Marcela? (ele vai até a moita ver quem é e leva um grande susto dando de cara com a noiva fantasma)
NOIVA FANTASMA: Amor! É você meu amor? (tenta abraça-lo)
GABRIEL: ave Maria, credo em cruz, Meu São Sebastião protege eu. (sai correndo e a noiva fantasma atrás dele_ corta a cena)

CENA IV
MÚSICA: Eu nasci para amar você_ Zezé di Camargo e Luciano
(Amanhece_ Marcela e Luciano estão deitados na relva, ela sobre o corpo dele, abraçados).
MARCELA: Eu nunca que iria imaginar o que a vida estava me reservando quando decidi invadir aquele gabinete.
LUCIANO: Nem eu, aliás, depois que a Yasmim morreu, eu pensei que minha vida também tivesse acabado.
MARCELA: Você a amou muito não é?
LUCIANO: Sim, mas percebo que agora é hora de deixar essa história lá no passado para uma nova história acontecer, uma nova história com você. Marcela, você aceita namorar comigo?
MARCELA: (levantando-se do peito dele) Eu preciso pensar muito bem, porque por mais que minha razão diga que eu não deva aceitar meu coração diz que sim. (o beija) Agora vamos, nossas famílias devem estar nos esperando. (entram na caminhonete e antes de saírem trocam mais um beijo_ saem).
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA V
(Luciano leva Marcela até sua casa, chegando lá, se beijam novamente, e Luana está ao longe observando tudo. Marcela desce da caminhonete e ruma para casa enquanto Luciano vai embora. Luana a intercepta).
LUANA: Oi, Marcela seu nome não é? Lembra-se de mim?
MARCELA: Sim meu nome é Marcela. A senhora estava no gabinete do prefeito aquele dia que fui tirar umas satisfações com ele não é?
LUANA: Sim, sou eu mesmo, mais não precisa me chamar de senhora, meu nome é Luana, será que poderia conversar com você um instante?
MARCELA: Pois não? O que você deseja?
LUANA: Vim em paz, tentar abrir seus olhos, você é uma moça nova, ainda não conhece muito bem as maldades desse mundo.
MARCELA: A senhora que pensa, conheço muito bem as maldades do mundo, e só de olhar nos olhos de alguém posso dizer se ela é boa ou má.
LUANA: Mas a vida nem sempre se divide entre pessoas boas e más, o Luciano, por exemplo…
MARCELA: O que tem ele?
LUANA: Ele é uma pessoa boa, sem dúvida, mas não perfeita.
MARCELA: Perfeito ninguém é, nem eu, muito menos você.
LUANA: Sim claro, mas é que tenho medo do que ele pode fazer com uma mocinha como você.
MARCELA: Do que você está falando?
LUANA: Esses dias eu vi vocês dois juntos lá na cachoeira e essa noite vi o beijo que vocês, deram na frente de todo mundo, e depois sumiram. Eu já percebi o que ta rolando entre vocês.
MARCELA: Ah já é? E o que tá rolando?
LUANA: Algo que não é a primeira vez que acontece, mas que não queria que acontecesse com você também.
MARCELA: Você pode dizer de uma vez aonde quer chegar com essa prosa?
LUANA: O Luciano é um homem rico, viúvo. Você acha mesmo que, você é a primeira moça novinha que ele pega? Claro que não, depois que ele ficou viúvo ele só tem feito isso: iludir as pobres jovenzinhas com mil promessas e quando elas percebem, ele já usou, abusou e abandonou a pobrezinha, deixando ela mal falada na cidade. É isso que você quer pra você?
MARCELA: Obrigado pela informação, mas posso saber o que te fez sair de sua casa, seus afazeres pra me aconselhar? Porque a senhora está tão preocupada comigo?
LUANA: Já vi muitas mocinhas como você sofrendo por causa do Luciano e não quero que isso aconteça com você. Só isso amiga. (coloca mãos no ombro de Marcela)
MARCELA: (tirando as mãos de Luana de seu ombro) nós não somos amigas, e nem sei se algum dia seremos. Bom se você se deslocou de sua mansão só pra me aconselhar, o recado está dado, agora se a senhora me dá licença, tive uma noite maravilhosa e preciso descansar um pouco antes de começar a trabalhar. (sai_ Luana fica se corroendo de inveja e ódio)
LUANA: Topetuda, ordinária, se você pensa que vai roubar o Luciano de mim você está muito enganada. (Luana vai embora dando um cavalo de pau em sua caminhonete preta)

CENA VI
(MANHÃ_ casa de Clóvis Arruda_ Clóvis e Lenita estão na mesa de jantar, tomar café da manha, que é servido por Maria Eulália, ela está evidentemente feliz).
CLÓVIS: Que sorriso é esse mulher? Essa cara de felicidade parecendo uma retardada, parece que tá mais feliz do que a gente que foi na festa.
(Lenita não consegue segurar a risada e acaba se engasgando com o café)
O que foi? Vocês estão com caras de que estão aprontando alguma e eu não tô gostando nada nada disso.
LENITA: Relaxa coroa, o que essa pobre mulher, tão obediente e submissa ao senhor pode ter feito demais, ainda mais trancada em casa como sempre?
CLÓVIS: Eu espero mesmo que vocês duas não estejam me escondendo nada por que se tiverem eu vou descobrir e não vai prestar. (Cacau chega em casa) Kauane! O que você está fazendo aqui menina?
CACAU: Eu tô voltando pra casa, pra minha família, agora que sou professora quero ensinar esse povo a ler, escrever e acima de tudo á lutar por seus direitos. Mas parece que o senhor não gostou nada de me ver.
LENITA: Esquenta com ele não mana, ele continua o mesmo pai bondoso e amoroso de sempre, vem cá me dê um abraço, que saudades. (as irmãs se abraçam)
DONA ENCRECA: Filha como você está linda, uma mulher maravilhosa. E eu estava morrendo de saudades de você. Seja bem vinda de volta á sua casa filha.
CACAU: Obrigada mãe.
DONA ENCRECA: Senta filha, toma um café com a gente, você deve estar com fome né?
CACAU: Na verdade estou é com sono, cheguei ontem à noite, mas fui direto pra festa e conheci alguns amigos lá com quem passei quase toda a noite, um pessoal bem bacana.
CLÓVIS: (segura seu braço com violência) Que história é essa Kauane de você passar a noite na rua, com um bando de desconhecidos, ta querendo ficar uma perdida igual a sua irmã?
LENITA: Eba! Sou uma perdida, sejamos todos perdidos aqui. Se perdido é desacatar tuas ordens e não concordar com suas atitudes, somos todas perdidas sim, com orgulho.
CLÓVIS: Cale a boca sua maluca, ninguém aqui falou com você não.
CACAU: Solta meu braço pai, por favor, ta me machucando.
DONA ENCRECA: Larga ela homem, nossa filha acaba de chegar e é assim que você a recebe?
LENITA: Não falou comigo, mas citou meu nome e estarei sempre aqui pra proteger minha mãe e minha irmã, solta ela ande. (ele solta)
CACAU: O senhor está bravo por eu ter passado a noite com estranhos, pois saiba que eles me receberam muito melhor do que o senhor. (sai correndo pro quarto)
DONA ENCRECA: Tá cada dia mais difícil conviver com você Clóvis, você vai acabar sozinho: sem mim e sem suas filhas. (Sai andando pra ver Cacau)
LENITA: Oba! Parece que até que enfim a dona Encrenca tá se revoltando contra o senhor, que maravilha!
CLÓVIS: E a culpada de tudo isso é sua, você que trouxe a discórdia pra essa casa.
LENITA: O senhor acha mesmo? Será que não percebe que está perdendo sua família não por minha causa ou de outra pessoa mais por sua própria causa? Ah! Quer saber não vou perder meu tempo com o senhor. (sai_ corta a cena)

CENA VII
(MANHÃ_ sala de jantar da família Dias_ na mesa estão os jovens, as crianças Fabiano, Maria da Purificação e Antônio, Cidinha os serve).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Cadê teu filho homem? Sumiu ontem à noite com aquela biscate e deixou seus filhos sozinhos.
ANTÔNIO: Ah deixa ele, ele deve estar só se divertindo com aquela pobre coitada. Ele é homem, jovem tem mais é que curtir a vida.
RODRIGO: Também acho que meu pai tem que aproveitar mais da vida, porém duvido muito que ele esteja somente se divertindo com aquela moça, meu pai não é dessas coisas.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Ele é homem, e todos os homens são iguais. Eu vi quando vocês todos: Rodrigo, Eduardo, Netinho até mesmo você (aponta para Antônio) seu coroa descarado ficou lá babando com aquela sirigaita.
EDUARDO: Bom eu prefiro que ele esteja mesmo só se divertindo com aquela gata e não me invente de ter nada sério com ela, afinal chega de gente interesseira na família.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: O que você quis dizer com isso moleque?
CIDINHA: Acho que devemos mudar de assunto, afinal tem crianças aqui não é?
CLARA: Eu não sou mais criança.
LUCIANO: (chega em casa) Bom dia família, tudo bem? E você filhinha como está? (falando com Jasmim que não responde está atenta num jogo e não corresponde ao carinho que o seu pai faz em sua cabeça) (todos o olham com ar de curiosidade e condenação).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Isso são horas de chegar em casa Luciano, perdeu o respeito pelos seus filhos?
LUCIANO: Sempre tive e sempre terei respeito por meus filhos, só decidi ser feliz e voltar a viver, acho que tenho esse direito não?
ANTÔNIO: Mas tinha que ser logo com aquela moça que tá me causando tanta dor de cabeça?
LUCIANO: Ela não tem culpa de nada disso que esta acontecendo, na verdade a culpa é toda do senhor que enfiou na cabeça a ideia de construir essa maldita barragem sem se preocupar com as consequências.
ANTÔNIO: Isso é jeito de falar com seu pai?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Tenho certeza que isso já é influencia daquela guenga.
LUCIANO: (socando a mesa) Tenha mais respeito com a Marcela. É melhor todos aqui irem se acostumando com a ideia, porque ela está me fazendo muito feliz e em breve pretendo trazer ela pra morar comigo. (nessa hora chega Luana)
LUANA: Bom dia família.
LUCIANO: Você também dormiu fora Luana?
LUANA: Isso não é da sua conta.
FABIANO: Não irmão, ela acordou cedo e saiu, tinha umas coisas importantes pra fazer, né meu docinho de coco?
LUANA; (falando com Luciano) Isso mesmo, alguém tem que se preocupar com essa família, porque você, agora, só pensa naquela garota.
LUCIANO: Mas que inferno! Será que não consigo mais tomar meu café da manhã em paz? A vida é minha e eu faço o que bem entender na hora que eu entender. Só estou sendo feliz depois de cinco anos de luto e não é a conversinha de vocês que vai me impedir de amar e ser feliz novamente. (Sai)
ANTÔNIO: Preciso fazer alguma coisa pra evitar esse namoro, se agora no começo ele já está com a cabeça virada assim imagina depois. (corta a cena)
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VIII
(MANHÃ_ casa de Inaiê, ela e Gabriel estão tomando café da manhã, Marcela chega).
GABRIEL: Isso é hora de uma moça decente chegar em casa Marcela?
MARCELA: É que eu… Bem eu estava…
GABRIEL: Sabemos muito bem o que você estava fazendo e com quem. Aliás, a cidade inteira já está sabendo.
MARCELA: Eu não tô entendo aonde você quer chegar. Foi você mesmo quem disse pra eu me aproximar dele.
GABRIEL: Sim, mas eu achei que você iria ser um pouco mais inteligente. Era pra você seduzi-lo, conquista-lo para conseguir entrar naquela casa e destruir aquela família maldita, não pra você ir pra cama com ele como se fosse uma vadia. (ela lhe esbofeteia)
MARCELA: Você me respeita, eu e o Luciano estamos apaixonados e o que fazemos ou deixamos de fazer não te interessa e outra, já te disse pra esquecer essa sua ideia maluca, jamais vou fazer mal ás pessoas daquela família que nem conheço, e muito menos usar o Luciano para isso.
GABRIEL: O pai dele matou nossos pais.
MARCELA: Se você acha isso, procure a polícia, cabe a ela fazer justiça, agora não me meta nisso nem a mim nem ao Luciano. Não vou deixar você fazer mal á ele.
GABRIEL: O que você tá pensando menina? Que ele vai namorar com você, casar-se com você?
MARCELA: E por que não? A gente se ama.
GABRIEL: Porque você é burra e na primeira noite já deu o que ele queria, agora ele vai atrás de outra idiota como você pra usar, abusar e jogar fora. (ele sai_ ela fica triste e procura o abraço de Inaiê que lhe acolhe)
INAIÊ: Não fique assim filha, seu irmão só está preocupado com você.
MARCELA: Eu sei Inaiê e por isto estou triste, estou com medo dele estar dizendo a verdade, medo de ter sido usada pelo Luciano e a gente nunca mais se encontrar, eu estou apaixonada por ele.
INAIÊ: Acalma seu coração filha, eu mais do que ninguém quis evitar que você se conhecessem, que vocês se apaixonassem, mas tem certas coisas em nosso destino que não podemos mudar. Ele está no teu destino assim como você está no dele. Então se acalme. Vocês vão ficar juntos, vai ser difícil, irão ter que passar por várias e grandes provações, mas no fim o amor vencerá. (corta a cena)

CENA IX
música “Doce é sentir”
(MANHÃ_ pai André chega à vila do Riacho Alegre, uma população extremamente carente, sem saneamento básico, casas de sapê, crianças pobres e doentes_ Ele carinhosamente visita as famílias, levando remédios caseiros e palavras de conforto até encontrar Inaiê).
INAIÊ: Pai André, que alegria te encontrar. A bênção.
PAI ANDRÉ: Que Deus te abençoe filha, alegria é minha de estar aqui com meus irmãos.
INAIÊ: Essa gente precisa muito mesmo, de pessoas como o senhor: de coração bom, disposto a ajudar. O padre Santo também vem aqui direto.
PAI ANDRÉ: É um povo muito sofrido, mas que tem uma riqueza muito grande e rara hoje em dia: a paz no coração, a consciência tranquila e muito amor entre eles. Infelizmente nossas autoridades políticas não têm olhos para enxerga-los e devolver á eles a dignidade que eles tanto merecem. (andando lado a lado) Mas e você minha filha como vai, como está sua família?
INAIÊ: Estou bem, só um pouco preocupado com os meninos.
PAI ANDRÉ: O que foi filha? O que está acontecendo com eles?
INAIÊ: O Gabriel está cada vez mais mergulhado num mundo sombrio, onde só existe ele e o ódio pela família dos Dias e pra piorar, a Marcela se apaixonou por um deles: o Luciano.
PAI ANDRÉ: Já ouvi falar dessa família, desde o dia em que cheguei nessas bandas, mas ainda não os conheço, preciso visita-los também. Os ricos, filha, também precisam de remédios pro coração.
Mas não fique assim, devagar tudo se ajeita e existem coisas no nosso destino da qual não podemos fugir. Você precisa ser forte, eles precisarão de você mais do nunca. (corta a cena)

CENA X
(TARDE_ escritório da fazenda Dias, Luciano conversa ao telefone).
LUCIANO: Sim, sem problemas senhor Sanches, irei providenciar minha ida para São Paulo o mais rápido possível, também tenho interesse de que tudo se resolva. Sim OK! Assim que tiver tudo acertado eu te ligo novamente para passar as informações, porém fique tranquilo: irei o mais rápido possível porque entendo que a causa é urgente. Obrigado até mais. (Luana chega ao escritório)
LUANA: Atrapalho?
LUCIANO: Não, claro que não, pode entrar.
LUANA: Algum problema Luciano?
LUCIANO: Sim, alguns frigoríficos caíram numa operação da policia federal e além de negociatas, dinheiro não declarado descobriram várias irregularidades na carne também e isso acabou caindo na mídia, o dono do frigorifico “Strong meat”, um dos nossos maiores compradores, está preocupado, quer fazer uma campanha de divulgação da marca dele para tentar dissocia-la da imagem negativa gerada por essas descobertas.
LUANA: Acho bom mesmo ele fazer uma campanha e ela ser muito eficaz, porque se ele perder cliente, com certeza irá diminuir também a aquisição de nossas carnes.
LUCIANO: Então ele me pediu pra ir á São Paulo, onde fica a sede do frigorifico, para ajudá-lo nisso, e claro nem tem como eu negar.
LUANA: Ótimo! Vamos nos três eu, você e Fabiano.
LUCIANO: Melhor eu ir sozinho, alguém precisa tomar conta de tudo por aqui. Será que você poderia ver tudo pra mim?
LUANA: Claro Luciano.
LUCIANO: Obrigado, agora vou ter que dar uma saída.
(Luciano sai e Luana pega o telefone e liga para um hotel)
LUANA: Alô! É do Hilton Palace Hotel? Quero reservar uma suíte presidencial. (pausa) sim casal. (pausa) para amanha a noite. (corta a cena)
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA X
(TARDE_ casa paroquial_ ali se encontram o padre santo, Maria da purificação e suas beatas).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: É inaceitável o que o senhor fez nessa nossa festa do padroeiro. Primeiro chama aquelas guengas para participar da missa e da procissão junto com a gente: mulheres e homens de bem. E não satisfeito chama aquela mãe de santo pra fazer uma macumba no final da procissão.
PADRE SANTO: Primeiro que a Inaiê não fez nenhuma macumba não senhora, ela apenas fez uma bonita oração e depois, de onde você tirou a ideia de que é melhor do que ela? Melhor do que a dona Clotilde? Que eu saiba Deus não faz distinção de pessoas.
PUREZA: Está vendo Maria? Ele está dizendo que somos iguais aquelas guengas.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Bom, depois do escândalo que a senhora deu na praça, durante a festa do padroeiro: ficando pelada e correndo atrás dos “homi”, pode até ser igual á elas, mas eu não, eu sou uma mulher de respeito. (falando para o padre), portanto Padre Santo o senhor me respeite.
PADRE SANTO: Mas eu te respeito, o que quero dizer é que não podemos fazer separação de pessoas e nem nos sentirmos melhor do que ninguém, não foi isso que Jesus nos ensinou.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Eu não me sinto melhor do que ninguém, longe de mim fazer alguma coisa do tipo padre.
PADRE SANTO: Ah não imagina né? Eu que faço.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Eu só quero que respeitem a casa de Deus e quem não respeitar vou fazer igual ao meu Jesus Cristinho, vou pegar um chicote e dar no lombo, a começar por aquelas guengas e aquela macumbeira e se o senhor continuar com essas suas ideias, vou dar no senhor também. (avança contra ele_ as beatas separam)
PADRE: Estou passando mal, me ajudem!
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Vai pedir ajudar pra suas amiguinhas, aquelas guengas.
PADRE: Socorro! Acho que vou morrer. (desmaia)
CÂNDIDA: Maria, você matou o padre. (todas correm para socorrê-lo_ corta a cena)

CENA XI
FIM DE TARDE_ casa de Inaiê. Gabriel está descansando em uma rede. (Luciano chega e bate a porta sendo atendido por Gabriel)
GABRIEL: O que você quer aqui?
LUCIANO: Vim conversar com sua irmã. Ela está?
GABRIEL: Não. Ela deve estar na cachoeira.
LUCIANO: Ta certo, obrigado. (vai saindo)
GABRIEL: Escuta aqui: se você pensa que minha irmã é como essas menininhas que você pega e depois joga fora está muito enganado. Ela é uma mulher descente e eu não vou deixar você iludi-la e depois fazê-la sofrer.
LUCIANO: Por que está me dizendo isso?
GABRIEL: Porque vi vocês dois juntos ontem na festa, aliás, a cidade toda viu e deve estar falando da minha irmã.
LUCIANO: Olha eu entendo sua preocupação e acho louvável essa sua vontade de proteger sua irmã, mas fique tranquilo, minhas intenções com ela são as melhores, eu estou realmente apaixonado e quero algo serio com ela.
GABRIEL: De boas intenções o inferno está cheio. Conheço bem pessoas como você: acham que só porque tem grana, carro do ano, fazendas podem fazer o que querem com os outros.
LUCIANO: Não! Eu não sou assim.
GABRIEL: Vocês são todos iguais. É melhor você se afastar da minha irmã enquanto é tempo antes que eu acerte seu outro olho.
LUCIANO: Pode me ameaçar o quando quiser, mas se pensa que, por conta disso irei me afastar da Marcela, está muito enganado.
GABRIEL: E quem te disse que minha irmã quer você perto dela?
LUCIANO: Eu sei, eu sinto que o meu amor por ela é reciproco, que ela também me ama e também se ela não quisesse, você não estaria assim tão preocupado em me manter distante.
GABRIEL: Realmente você está certo, eu não preciso me preocupar em te manter distante, por que a Marcela já está fazendo isso.
LUCIANO: Eu não acredito em você.
GABRIEL: ah não! Pois bem. Vá até a cachoeira e veja com quem ela está agora.
LUCIANO: O que você quer dizer com isso?
GABRIEL: Vá e tire suas próprias conclusões.
(Luciano sai)

CENA XII
MÚSICA: “Indispensável pra mim”
(FINAL DA TARDE_ cachoeira do Riacho alegre_ Marcela está sentada em uma pedra e seus pés nas águas da cachoeira pensando em Luciano._ chorando, ela se lembra do beijo que trocaram durante a festa e a noite de amor que tiveram__ Michel chega, senta-se junto á ela).
MICHEL: Marcela, o que está acontecendo com você? Está chorando.
MARCELA: (tentando disfarçar) Oi Michel, tudo bem? Não foi nada não.
(Michel a envolve em seus braços colocando a mão no ombro dela)
MICHEL: Mocinha, eu te conheço, percebo que você está triste, fala pra mim. O que foi? Independente de qualquer coisa somos amigos não é verdade?
(Marcela começa a chorar com mais intensidade e Michel a abraça para consolá-la, nesse instante Luciano chega ao lugar e fica observando de longe os dois).
(a cena congela no rosto assustado de Luciano e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

  • Isa Miranda

    Muito bom, aguardando o próximo capítulo.

    • Cleber Medeiros

      obrigado amiga

      • Isa Miranda

        Sobre Coração Sertanejo de Cleber Medeiros

        A trama é envolvente e desperta curiosidade, me chamou atenção a construção de cada personagem que vai surgindo no decorrer dos capítulos. Os personagens são bem marcantes, ambientação rica com aquele típico gostinho de fazenda e um texto gostoso de ler.
        Tem uma música que me veio o tempo todo a mente conforme lia os capítulos e que me lembra o Luciano pela tragetória dele na história, Um sonhador de Leandro e Leonardo.
        https://www.youtube.com/watch?v=MbFxz2jNr94

        Parabéns estou no aguardo dos próximos capítulos rsrsrs

        • Cleber Medeiros

          obrigado amiga pela leitura, pela torcida, pelos comentários e, principalmente, por você ser tão especial como é.