Coração sertanejo: Capitulo 5 – O primeiro beijo

Coração sertanejo: Capitulo 5 – O primeiro beijo

CENA I
MÚSICA: Fica Louca.
(FINAL DE TARDE_ Abre a cena com a imagem da praça da cidade onde os jovens estão todos reunidos na sorveteria do Seu Jair, inclusive Rodrigo com sua namorada Patrícia e seus irmãos: Eduardo e Cecília e seu primo Netinho. Enquanto isso, outros jovens conversam e se divertem espalhados pela praça).
EDUARDO: Eu estou cansado dessa cidade, não tem nada de diferente, nada de atrativo, tudo parado.
PATRÍCIA: Concordo com você, meu sonho é ir morar em Nova York, esse lugar me dá tédio.
RODRIGO: Pois eu amo esse lugar, eu não saio daqui de jeito nenhum.
PATRÍCIA: Porque você é um cara de mente pequena, sem perspectiva, pequeno e sem futuro como essa cidade. (sai)
EDUARDO: Ih mano! Parece que a mina ficou brava.
RODRIGO: Vou lá falar com ela. (ela está indo embora casa, Rodrigo o segue, em certa altura do caminho, ele segura ela pelo braço) Aonde a moça pensa que vai com tanta pressa assim?
PATRÍCIA: Tentar encontrar alguém que possa sonhar comigo, pensar grande e construir um futuro muito maior do que ficar a vida todo enfurnada nesse buraco.
RODRIGO: E você teria coragem de fazer isso? De me deixar?
MÚSICA: “Fica comigo” de Marcos e Belutti
(se aproxima dela e a beija, inicialmente a força depois ela se entrega ao beijo)
RODRIGO: Eu te amo Patrícia e é com você que eu quero construir o meu , seja aqui ou em qualquer canto do mundo. (a beija novamente)
(Ritinha vai passando por aquela rua, com duas sacolas de compras e vê o beijo, ficara paralisada)
MÚSICA: sensações de Paula Fernandes
(Ritinha chorando, deixa as compras caírem ao chão e sai chorando correndo pra casa).

CENA II
(FINAL DE TARDE_ Ritinha chega em casa, se joga na cama e fica chorando- Dona Maria Efigênia, chama)
MARIA EFIGÊNIA: (só a voz) Ritinha, é você? Trouxe tudo o que te pedi? (Ritinha fica pensativa_ Maria Efigênia entra no quarto)
MARIA EFIGÊNIA: Ritinha, eu estou te chamando faz um tempo e você não me responde. O que houve menina? Que cara de choro é essa? E cadê as compras que te pedi?
RITINHA: Eu. Bem, eu me distrai no caminho e acabei perdendo a sacola, por isso estava chorando.
MARIA EFIGÊNIA: O que você tem nessa sua cabeça menina? Como assim você perde as minhas compras? Mas é uma incompetente mesmo viu. Anda limpa essa sua cara horrorosa e volta lá na venda, compre tudo de novo, mas dessa vez com seu dinheiro.
RITINHA: Sim senhora. (corta a cena)

CENA III
(FINAL DE TARDE_ CASA DE ANTONIO DIAS_ cozinha_ Cidinha está terminando um bolo de chocolate entram todos os filhos de Luciano lhe beijando e abraçando)
RODRIGO: Hum! Que delicia Cidinha! Você adivinhou que íamos chegar com fome né?
CIDINHA: Vocês sempre chegam.
CECÍLIA: Adoro o bolo de chocolate da Cidinha (beija sua face)
NETINHO: (filho de Fabiano e Luana) Eu também (lhe beija a outra face)
EDUARDO: Todos adoram. Então o que ela merece?
TODOS: abraço coletivo (todos abraçam ela_ Jasmim, que não havia ido passear com os irmãos, está sentada no chão, tentando colocar a perna de uma boneca de volta ao corpo, compenetrada, sem se importar com o que acontece ao redor).
RODRIGO: (observando sua irmã mais nova) Jasmim, vem aqui dar um abraço na Cidinha também. (ela não dá nem atenção)
CIDINHA: Deixa a Jasmim. Ela é assim mesmo, arrancou a perna da boneca e tá lá, há quase uma hora tentando colocar de volta.
RODRIGO: O que me preocupa é que ela sempre fica assim apática, indiferente.
EDUARDO: O pior é que até agora ela ainda não desenvolveu completamente a fala.
CIDINHA: Fiquem calmos meninos, todo mundo tem seu tempo.
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IV.
(Luana adentra a sala de jantar e observa os jovens todos rindo, conversando e se divertindo, dando muito carinho e amor á Cidinha)
LUANA: Que bagunça é essa aqui?
CECÍLIA: Só estamos demostrando o quanto gostamos da Cidinha.
LUANA: Tudo isso só porque ela fez um bolo pra vocês? Grande coisa.
RODRIGO: Na verdade não tia Luana, nós a amamos de verdade, por tudo que ela sempre fez por nós, é um amor sincero, sem interesses.
LUANA: Hum! Tá né. (Fala com Cidinha em tom imperativo) Cidinha leva um pedaço de bolo pra mim lá no meu quarto.
CIDINHA: Não sou sua empregada, meu patrão é o Luciano e eu fiz o bolo pros filhos dele e pro Netinho.
LUANA: Olha é melhor você fazer o que te mandei, porque seja quem for que paga seu maldito , eu ainda mando nessa casa e posso te colocar na rua a hora que eu quiser, então não abusa da minha paciência não, senão você vai ver o que te acontece. (sobe as escadas indo em direção ao seu quarto)
CIDINHA: Insuportável. (olha pra Netinho) Desculpa Netinho, desculpa.
NETINHO: Tudo bem Cidinha, sei que minha mãe é uma pessoa difícil mesmo.
CIDINHA: Vou lá levar esse bolo pra ela logo (corta o bolo)
CLARINHA: Não precisa Cidinha, pode deixar que eu e o Alvinho leva né? Alvinho?
ALVINHO: Eu não, se você se ofereceu: leva você. Eu quero é comer logo uma fatia bem grande desse bolo.
CLARINHA: Você vai vir sim. Agora.
ALVINHO: (deixando o seu pedaço de bolo em cima da mesa) Ta bom. Vamos lá.
CIDINHA: Sei não mas acho que esses dois vão aprontar alguma coisa. (eles sobem a escada para levar o bolo)

CENA V.
(no meio da escadaria entre o térreo_ sala de jantar_ e o quarto de Luana Clarinha para e mostra algo pra Alvinho)
CLARINHA: Alvinho, espere.
ALVINHO: O que foi?
CLARINHA: Ta vendo aquela barata ali?
ALVINHO: Sim eu vi o que tem? (Clarinha cochicha no ouvido dele)

CENA VI.
(NOITE_ casa de Inaiê Marcela e Luciano chegam).
MARCELA: Obrigado seu Luciano por ter me trazido até aqui, por ter visitado aquelas famílias e espero mesmo que você possa ajudá-las.
LUCIANO: Bom, em primeiro lugar não precisa me chamar de senhor, em seguida eu que agradeço por ter me ajudado a conhecer a realidade do seu povo e vou sim fazer o que eu puder pra ajudar. Sabe, conheço bem o meu pai e o velho é cabeça dura, não tem nada que você ou eu possamos falar que o faça mudar de ideia quando ele enfia algo na cabeça. Quando ele decide fazer algo ele faz, custe o que custar.
MARCELA: Eu sei bem disso.
LUCIANO: Sabe? Sabe como?
MARCELA: Ah eu vi lá hoje na prefeitura né?
LUCIANO: Pois então, não posso te prometer que vou convencê-lo a desistir da construção da barragem, mais posso prometer ajudar esse povo sofrido, ainda não sei como, mais vou ajudar. (entra Michel)
MICHEL: Quem é esse cara Marcela?
MARCELA: Michel esse é Luciano, filho do prefeito, ele veio conhecer as famílias que moram aqui na região. Luciano, esse é Michel meu namorado.
LUCIANO: Não sabia que você tinha namorado.
MICHEL: Sim ela tem. E você o que quer aqui na casa da minha garota? Vai mete o pé anda, cai fora.
LUCIANO: Calma! Estamos conversando aqui.
MARCELA: É melhor você ir, daqui a pouco chega meu irmão também e não vai prestar.
MICHEL: Ouviu a moça cara? Cai fora ou eu te coloco na marra. (dá um soco nele)
MARCELA: O que é isso Michel? Está louco?
MICHEL: Eu conheço esses sujeitinhos, só porque tem dinheiro acham que podem pegar a mina dos outros.
MARCELA: Eu não sou uma mina sua, e é melhor você ir embora agora, antes que eu fique com mais raiva de você.
MICHEL: Tá bem, eu vou. (falando pra Luciano) Mas isso não vai ficar assim não coroa. A hora que eu te pegar sozinho na rua você vai ver. (Michel sai Marcela vai ajudar Luciano)
MARCELA: Me desculpe, a gente na verdade só ta ficando e ele acha que é meu dono, me desculpe. (observa o ferimento causado pelo soco) Nossa isso aqui vai inchar. Vou cuidar disso.
MÚSICA: Eu nasci para amar você (Zezé di Camargo e Luciano)
(Quando ela vai ver cuidar do machucado, os dois ficam olhando um pro outro e se beijam e Gabriel chega)
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VII
(Começa-se a com a cena de beijo entre Marcela e Luciano Gabriel chega)
GABRIEL: O que está acontecendo aqui na minha casa?
MARCELA: Oi Gabriel, já voltou do trabalho?
GABRIEL: Você não está me vendo aqui na sua frente? Pois então, é porque eu voltei e bem na hora de ver você agarrado com esse cara.
LUCIANO: (para Marcela) E esse aí quem é? Mais um namorado?
GABRIEL: Sou o irmão dela, o responsável por ela depois que nossos pais foram covardemente assassinatos e eu não vou deixar você se aproveitar da inocência dela.
LUCIANO: Eu não estou me aproveitando de nada e nem de ninguém, apenas aconteceu.
GABRIEL: Apenas vai acontecer também minha mão na tua fuça playboyzinho, anda, some daqui.
MARCELA: É melhor mesmo você ir embora Luciano.
LUCIANO: Tudo bem Marcela, desculpa qualquer coisa (sai).
MARCELA: (Luciano sai e Marcela, repleta de raiva, briga com seu irmão) Isso é jeito de tratar as pessoas Gabriel? Onde está sua educação?
GABRIEL: Você sabe muito bem quem é esse homem Marcela. Ele é filho do assassino dos nossos pais.
MARCELA: Eu já sei disso, eu já sei disso, mas nem eu e nem ele temos culpa dessa história.
MÚSICA: “indispensável” _ Banda malta
(ela sai e deita na sua rede onde fica pensando no beijo ao som da musica).

CENA VIII
(NOITE_ quarto de Luana _ela está se penteando diante do espelho, Clarinha e Alvinho batem a porta).
LUANA: (pensar ser a Cidinha) Já veio trazer meu bolo traste? (se espanta ao ver que é Clarinha e Alvinho) Vocês? O que vocês querem aqui?
CLARINHA: Nada tia, só viemos trazer seu pedaço de bolo. (entrega) coma está uma delicia (eles saem do quarto)
LUANA: Hum! Parece estar uma delicia mesmo, para alguma coisa o traste da Cidinha presta. (leva uma colherada na boca e sente algo estranho no meio do bolo que está em sua boca) o que é isso? (tira e vê a barata)
LUANA: Uma ba.. ba.. ba.. Barata (desmaia com a barata na mão)

CENA IX
(NOITE_ após uma panorâmica noturna da cidade abre a cena para a casa de Clóvis Arruda.).
CLÓVIS ARRUDA: Dona encrenca, já terminou a janta?
DONA ENCRENCA: Já sim amor, vai sair?
CLÓVIS ARRUDA: Isso não é da sua conta, serve logo essa janta que estou com fome.
DONA ENCRENCA: (servindo-o) Isso é jeito de falar com sua esposa Clóvis?
CLÓVIS: Olha mulher: hoje eu tive um dia bem cansativo e ainda por cima recebi uma péssima noticia então não me aborreça com suas conversinhas chatas.
DONA ENCRENCA: Que noticia amor?
CLÓVIS: Sua filha Lenita está voltando.
DONA ENCRENCA: E essa é a noticia péssima?
CLÓVIS: Pra mim, sim, porque vai acabar com o meu sossego.
DONA ENCRENCA: Não fale isso, ela é nossa filha e eu amei essa noticia. Quando ela chega?
CLÓVIS: Daqui uns dois ou três dias.
DONA ENCRENCA: Tenho que organizar tudo, dar uma arrumada na casa, comprar umas roupas de cama novas, fazer umas comidas que ela gosta.
CLÓVIS ARRUDA: Você não vai gastar dinheiro pra receber aquela maluca, não.
DONA ENCRENCA: Para com isso Clóvis. Não fale assim de nossa filha.
CLÓVIS: Quer saber? Esse assunto acabou com minha fome, vou sair, como alguma coisa na rua mesmo, melhor do que engolir sua gororoba e escutar esse seu papinho.
DONA ENCRENCA: Você vai ter uma reunião politica ou vai à casa de Madame Clotilde?
CLÓVIS: Aonde eu vou ou não, não te interessa.
DONA ENCRENCA: Pois tenho certeza que você vai pra lá. É isso não é Clovis? Você vai me deixar aqui sozinha de novo pra ir ficar com aquelas guengas.
CLÓVIS ARRUDA: Eu sou homem, eu faço o que bem quiser da minha vida e você não tem nada a ver com isso. (vai saindo ela tenta segurar)
DONA ENCRENCA: Não vai amor, fica aqui comigo, só essa noite, por favor, vamos comemorar a volta da nossa filha.
CLÓVIS: Me solta mulher, sai da minha frente.
DONA ENCRENCA: Não suporto mais passar todas as noites sozinhas.
CLÓVIS: Sai da minha frente. (segura forte pelo braço e a joga no chão e sai. Ela fica chorando).
MÚSICA: “a flor e o beija flor” _ Henrique e Juliano/ Marília Mendonça.

CENA X
(Abre-se a cena para a casa de Madame Clotilde ela e suas “meninas” estão recebendo os “clientes”).
MADAME CLOTILDE: Boa noite meus amigos, sejam bem vindos.
CLÓVIS: Obrigado.
MADAME CLOTILDE: E então tudo bem futuro prefeito?
CLÓVIS: Bem melhor agora estando aqui com vocês.
MADAME CLOTILDE: Hum! Deixe- me adivinhar: você vai querer o mesmo uísque de sempre e a Carmela de companhia não é?
CLÓVIS: Puxa madame Clotilde, está mais do que na hora de você inovar, oferecer novas opções, carnes frescas se é que me entende.
MADAME CLOTILDE: Entendo Senhor Clóvis, pode deixar que irei providenciar, mas por enquanto só tenho as mesmas meninas de sempre mesmo.
CLÓVIS: Tudo bem, melhor a Carmela do que a jaburu da minha esposa (eles riem_ Carmela se aproxima abraça sua cintura e saem).
MADAME CLOTILDE: Coitada da mulher desse ai. Tenho muita pena dela.
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA XI
(Abre-se para a casa de Luciano_ Rodrigo, Eduardo, Netinho, Cecilia e Clarinha estão se arrumando para sair).
LUCIANO: Aonde vocês pensam que vão macacaiada?
CECÍLIA: Vamos á sorveteria do Seu Jair e depois passear na praça.
LUCIANO: Não antes de termos uma conversinha.
NETINHO: O que foi tio? Aconteceu alguma coisa?
LUCIANO: Aconteceu meu sobrinho, aconteceu. (falando com os filhos) Hoje á tarde um de vocês fez o grande favor, um lindo gesto de carinho e amor para com a tia de vocês e levou para ela um pedaço de bolo, porém com um pequeno brinde dentro: uma barata. (os jovens e crianças riem)
NETINHO: Mas minha mãe morre de medo de baratas.
LUCIANO: Pois é Netinho, mesmo assim um dos meus queridos filhos fizeram essa brincadeira de mau gosto, eu já sei quem levou o bolo até ela. O que quero saber é se ela está sozinha nessa história ou não. (Luana adentra a sala e se envolve na conversa)
LUANA: Quem me levou o bolo foi essa peste da Clarinha e o amiguinho dela: o Alvinho.
LUCIANO: E então, mais alguém tem alguma coisa a ver com isso, ou vou ter que deixar só ela de castigo? (os irmãos se olham).
RODRIGO: Olha pai, nós não temos nada a ver com isso, concordamos que ela tenha errado, porém, a tia Luana mereceu.
LUCIANO: Como assim?
EDUARDO: Antes de a Clarinha ter essa ideia de jerico, a Luana maltratou demais a Cidinha e o senhor sabe. Aqui ninguém admite que maltratem nem a Cidinha nem o Bastião, eles não são apenas empregados, ele é como se fosse nosso tio e ela, nos consideramos como nossa mãe.
LUCIANO: (para Luana) Você fez isso Luana?
LUANA: Eu só a coloquei no seu devido lugar, a Cidinha é uma sem educação, não tem um pingo de respeito pelos seus patrões.
CECÍLIA: Isso não é verdade. Quem não tem respeito pelos outros é você.
LUCIANO: Cecilia, não fale assim com sua tia, peça perdão, á ela agora, senão te colocarei de castigo também.
CECÍLIA: Pois pode colocar, eu só disse a verdade.
LUCIANO: Quer saber? Chega de conversa, já vi que com vocês isso não funciona mesmo. Rodrigo e Eduardo, vocês dois podem ir passear, agora a Cecilia e a Clarinha ficam, elas estão de castigo. (ordena á Cecília e Clarinha) Agora subam e fiquem no quarto até amanha na hora de ir para o colégio. Ande. (elas sobem os demais saem)
LUANA: Desculpe me meter, não tenho nada a ver com isso, mas acho que você passa muito a mão na cabeça desses seus filhos.
LUCIANO: É realmente você não tem nada a ver com isso. Cuida do Netinho que já está de bom tamanho. (sai e Luana fica parada digerindo a patada de Luciano)

CENA XII
(NOITE_ praça da cidade música: “Fica Louca” os jovens se divertindo. Maria da Purificação vai até a sorveteria com as beatas)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Nossa senhora, credo em cruz. Esse lugar aqui ta cada vez mais mal frequentado, vamos irmãs, acho melhor a gente ir embora daqui, melhor irmos logo pra igreja.
PUREZA: Mas eu quero tomar um refrigerante, tô com um suador danado.
CÂNDIDA: Vixi Maria, hoje é noite de lua cheia, é hoje que ela pega fogo. É melhor ficarmos de olho nela.
JAIR: Dona Candinha, também quer um refrigerante? Tome é por minha conta.
CÂNDIDA: Ah obrigado Senhor Jair, o senhor é um cavalheiro.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: (para Cândida) Você vai aceitar algo de um homem Candinha? Não percebe que ele está dando em cima de você? Está achando que vai te comprar com uma coca cola.
CÂNDIDA: Como é que é? (vai ficando nervosa) Escuta aqui seu moço: eu sou uma mulher direita e não permito que ninguém dê em cima de mim não, e eu não estou à venda. (pega a garrafa de refrigerante e taca na cabeça dele) Quando alguém faz isso comigo eu fico tão nervosa, tão nervosa, tão nervosa que dá vontade sair quebrando tudo.
PUREZA: Minha santa, agora ela vai quebra tudo que ver pela frente. (Candinha sai quebrando tudo que vê na sorveteria, os jovens se divertem com a cena, as outras beatas tentam acalma-la sem conseguir).
JAIR: Deixem comigo que eu sei como domar a fera. (agarra ela e canta fascinação no ouvido dela que vai se acalmando, ficando molinha) Pronto, calminha, calminha.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Melhor a gente ir logo pra igreja, esse lugar está causando má influencia em vocês. (saem).

CENA XIII
RODRIGO: (com os irmãos e abraçado com Patrícia) Nossa fiquei com tanta pena da Clarinha e da Cecília, coitadas, perderam, essa cena. (todos riem)
PATRÍCIA: Eu achei foi pouco, onde já se viu colocar uma barata no bolo da tia de vocês?
NETINHO: Verdade Rodrigo, elas passaram dos limites.
EDUARDO: Eu sei, mas, a sua mãe também provocou falando daquele jeito com a Cidinha.
PATRÍCIA: Eu acho que vocês dão muita moral pros empregados, tratam eles como se fossem da família, como se fossem iguais á vocês, na minha casa não é assim não, a Ritinha que não se coloca no lugar dela que ela vai pra rua rapidinho.
RODRIGO: Mas isso está errado, empregados e patrões são todos iguais.
PATRÍCIA: Pirô Rodrigo? Agora vi coisa, eu igual à songamonga da Ritinha (gargalha) nunca né querido?
RODRIGO: Ás vezes eu me assusto com esse seu jeito de pensar e de se sentir superior á outras pessoas.
PATRÍCIA: Mas eu sou superior a Ritinha e a muita gente que não nasceu e não está na mesma classe que nós querido.
RODRIGO: Pois pra mim e para meus irmãos todos somos iguais, todos merecem amor e respeito e se você não pensa assim, sinceramente acho que preciso pensar melhor se a gente deve continuar namorando, porque não da pra namorar uma pessoa que nós não admiramos e eu não admiro nada essas suas atitudes. (ele sai os irmãos o acompanha olhando pra Patrícia como olhar de reprovação)

CENA XIV
MÚSICA: “eu nasci para amar você!”
(NOITE_ quarto de Luciano, ele está sentado numa poltrona, pensando em Marcela. Luana entra, ela está só de camisola e toda sensual).
LUANA: Luciano, eu vim aqui te pedir desculpa por ter me intrometido na educação de seus filhos e ter causado todo esse mal entendido, me desculpa (ela se ajoelha ao lado dele e pousa a mão sobre a mão dele).
LUCIANO: Tudo bem Luana, eu que te peço desculpas por ter falado daquela forma com você e pela brincadeira de mau gosto da minha filha.
LUANA: Me desculpa me meter de novo, eu sei que você tenta e até faz o melhor possível pra educar seus filhos, mas imagino que sozinho, sem uma mulher seja difícil, ainda mais pra cuidar das meninas.
LUCIANO: Fácil não é, mas não penso em arrumar ninguém agora, mesmo porque ninguém pode substituir a Yasmim.
LUANA: Eu sei que não, mas seria bom ter uma mulher pra cuidar de seus filhos e orientar, principalmente as meninas e outra, desde que a Yasmim morreu você vive tão sozinho.
LUCIANO: Onde você ta querendo chegar com essa prosa?
LUANA: Luciano, eu sempre te amei, desde o dia em que cheguei á essa casa e te conheci pela primeira vez, só me casei com seu irmão porque você não quis casar comigo e preferiu se casar com a Yasmim mas agora, que já faz tanto tempo que ela morreu, por que você não me dá uma chance? Deixa eu te fazer feliz. Deixa eu te dar o meu amor.
MÚSICA: “A mulher em mim” de Roberta Miranda
(Luana o beija ao som da musica).

(a cena congela e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

FINAL DO QUINTO CAPÍTULO

  • Isa Miranda

    Luana cobra… Luciano vai ficar com a Marcela.

    • Cleber Medeiros

      será??????