Coração Sertanejo_ Capitulo 01

Coração Sertanejo_ Capitulo 01

CAPITULO 001_ Insensata paixão

Novela de:
CLEBER MEDEIROS

Escrita por:
CLEBER MEDEIROS

CENA I
Ao som da música poeira (Sérgio Reis)
inicia-se a cena com uma comitiva sendo conduzida pelo jovem Antônio Dias e se filho Luciano, passam-se várias passagens rurais: estradas boiadeiras cercada por lindos ipês e ao longo, um rio onde os personagens param para se refrescar, fazer sua alimentação, dar de beber ao gado e descansarem entre uma prosa e outra.
Seguindo por dentro do mesmo rio eles chegam por um corredor ladeado de árvores altas e grandes que até parecem tocar o céu, céu esse que está cheio de nuvens e um lindo sol que vagarosamente vai se ponto numa colina onde se é possível ver umas casinhas pequenas e humildes escondidas no meio da relva. A comitiva sobe a colina onde decidem passar a noite, eles preparam tudo montando acampamento, enquanto Antônio descansa em uma rede, seu filho Luciano de apenas doze anos tenta aprender as primeiras palavras á luz de um lampião, observando a cena o pai lhe interroga.
ANTÔNIO: O que ta fazendo ai filhão?
LUCIANO: Ah pai! Eu tô estudando, ainda falta muito pra eu aprender a ler e escrever.
ANTÔNIO: Eu te falei menino que essa história de você me acompanhar nas comitivas não ia dar certo, você deveria ter ficado na cidade junto com seu irmão Fabiano para ir ao colégio, e é isso que vamos fazer: da próxima vez eu venho sozinho e você fica.
LUCIANO: Ah pai, mas eu gosto tanto de ir nas comitivas com o senhor, cuidar do gado, andar á cavalo, lidar com a peãozada. Afinal tenho que aprender é isso, para te ajudar na lida, né pai?
ANTÔNIO: Nada disso Luciano, você vai estudar pra ser alguém na vida.
LUCIANO: Pai, mas eu já sou alguém na vida, sou seu filho, filho do maior criador de gado do mundo que tem mais gado no chão do que Deus tem de estrela no céu e quero ser igual o senhor.
ANTÔNIO: Depois que vocês estudar e pegar o “diproma” ai a gente vê o que você vai ser mais agora vai dormir, amanhã temos que acordar cedo pra terminar a viagem.
(lhe dá um beijo o coloca para dormir, vendo que ele está dormindo se afasta, monta em seu alazão e sai em disparada).

CENA II
(Antônio chega á um prostíbulo onde se encontra com Geralda Pimenta, uma jovem de 28 anos, ela está toda linda, com um vestido vermelho esvoaçante e os lindos cabelos castanhos enrolados e caídos nos ombro esquerdo, ela está esperando na janela. Antônio joga-lhe uma flor amarela, e rapidamente entra na casa, adentrando o quarto dela. Ao se fazer presente no quarto, Antônio, tira sua camisa e beijando Geralda voluptuosamente. Geralda pula então em seu colo, Antônio, descendo, as mangas do vestido beija o ombro de Geralda, vira-a por trás e lhe tira o vestido, joga-lhe na cama e deita sobre ela beijando seu corpo_ corta a cena).

CENA III
Amanhece o dia_ Antônio ainda está no prostibulo deitado com Geralda, acorda assustado e vê que já se passou a hora de levantar.
ANTÔNIO: Meu Deus perdi a hora, a peãozada deve estar toda me esperando.
GERALDA: Você já vai Tonho?
ANTÔNIO: Tenho que ir Gê, preciso continuar a viagem com a comitiva, mas logo eu volto.
GERALDA: Mais quando voltar eu não estarei aqui.
ANTÔNIO: Como assim?
GERALDA: Cansei Tonho, cansei de ficar aqui te esperando, cansei de ser sua amante, cansei de viver aqui nesse lugar imundo, ou você se separa da sua esposa e se casa comigo ou eu vou embora e a gente nunca mais, nunca mais vai se ver.
ANTÔNIO: Mais eu não posso me separar da Mercedes, tenho dois filhos pequenos com ela.
GERALDA: Eu também tenho uma filha pequena e não posso criar ela aqui nesse lugar, junto com essas pessoas e sofrendo com toda essa influencia negativa, além do mais (se aproximando toda sensual) sei que é a mim que você ama, sei que é a mim que você deseja.
ANTÔNIO: Claro que é meu amor, eu te amo. (eles se beijam)
GERALDA: Então prova, deixa aquela baranga e me leva pra morar com você, me assume como sua esposa, ou a gente nunca mais vai se ver.
ANTÔNIO: Tudo bem Gê, eu vou dar um jeito nisso, vou ter uma prosa com a Mercedes e me separar dela, não quero te perder (se beijam).

CENA IV
(novamente toca a musica “Poeira” e Antônio está novamente com sua comitiva e seu filho seguindo seu caminho vão se aproximando de algumas fazendas onde o gado repousa tranquilo e as lavouras crescem como dádivas de Deus, ao por do sol, a comitiva para em um campo para fazerem sua alimentação noturna ao som de uma roda de viola, um homem estranho se aproxima e começa a conversar com Antônio).
ANDRÉ: Boa noite, companheiro. Vocês vêm de onde?
ANTÔNIO: Somos de um vilarejo chamado Recanto Doce, levamos alguns gados para vender na cidade de Areia Branca e agora estamos voltando com outros que eu adquiri, e o senhor?
ANDRÉ: Venho de muito, muito longe seu moço: lá das bandas de Goiás.
ANTÔNIO: E o que faz aqui no interiozão de São Paulo?
ANDRÉ: Minha mulher fugiu a alguns anos de minha casa levando com ela minha única filha e desde então percorro esse mundão de meu Deus na esperança de encontrar minha filha.
ANTÔNIO: Espero que logo você a encontre.
ANDRÉ: Obrigado.
ANTÔNIO: Mais se achegue, vamos comer um feijão tropeiro com a gente.
ANDRÉ: Não obrigado, estou fazendo jejum preciso continuar minha viagem, só queria um pouco d’água.
ANTÔNIO; Claro. (entrega a água_ André vai saindo) boa sorte ai em sua procura. (André para, pensa e voltando-se pra ele responde).
ANDRÉ: Obrigado, mais creio que o senhor irá precisar ainda mais de sorte do que eu.
ANTÔNIO: Por que está dizendo isso?
ANDRÉ: Porque aquilo que você irá colher lá frente depende do que você semeia hoje, cuidado para não jogar fora o trigo e semear o joio em sua vida.
ANTÔNIO: Não entendo, do que o senhor está falando. (André vai saindo) espere, volte aqui. Me explique o que o senhor quis dizer com isso. Espere.

PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL
CENA V
(Ao som de “Casinha branca” de Roberta Campos, abre-se a imagem para outra cena onde se passa um panorama da, até então, vila rural de Recanto Doce: um lugarejo pequeno com poucas e pequenas casas, um armazém, uma escola e uma igrejinha. A cena vai se aproximando da casa de Antônio, uma bonita casa rural com uma grande área que envolve toda a casa, envolta da casa vários tipos de árvores, muitas delas frutíferas: mangueiras, goiabeiras, jabuticabeiras, e á frente um lindo e bem cuidado jardim onde girassóis, copos de leite, cravos, crisântemos e rosas de variadas cores envolvem o ambiente num delicado e inesquecível perfume. Dentro da casa, Mercedes está toda atribulada em seus deveres domésticos, com um vestido simples de chitão, um avental, cujas sujeiras denunciam pertencer a uma mulher trabalhadeira e um lenço humildemente amarrado na cabeça_ Fabiano, com apenas seis anos de idade, entra todo sujo pela casa sujando tudo).

MERCEDES: Menino olha só! Você ta todo sujo e está sujando toda minha cozinha. Anda vai tomar banho, algo me diz que seu pai e seu irmão estão voltando e não quero que ele te encontre nesse estado.
FABIANO (criança): Como a senhora pode saber disso?
MERCEDES: Meu filho, meu coração de mulher e de mãe nunca se engana eu sinto que eles estão voltando e sempre que tive essa sensação eu estava certa, eu sei que eles estão pertos. (barulho de berrante) não te falei? São eles.
(saem correndo para se encontrar com Antônio e Luciano).

Cena VI
(ao som de “Casinha Branca” Mercedes pula no pescoço de Antônio que o trata de forma fria e indiferente e ela fica triste).
MERCEDES: E ai como foi a viagem?
ANTONIO: Cansativa como sempre, bom vou tomar um banho e descansar estou morto. (olha para Fabiano que vem abraça-lo ele o afasta) e esse moleque por que ele está nessa situação? Está parecendo um porco! O que você tem feito que não tem cuidado do teu filho mulher?
MERCEDES: É que… É que…
ANTÔNIO: É que nada, muitas coisas vão mudar nessa casa, muitas coisas.
(ele adentra a casa com Luciano, ela fica triste abraçada com Fabiano e a comitiva se dispersa_ ao som de casinha branca).

CENA VII
(TARDEZINHA_ quarto de Antônio e Mercedes, ele está deitado, ela se aproxima toda dengosa fazendo carinho nele).
ANTÔNIO: Pare com isso mulher, eu já lhe disse que preciso descansar. (ela vai saindo) espere, tenho que conversar com você e é melhor conversarmos agora.
MERCEDES: Sim claro. O que foi meu amor?
ANTONIO: Já faz tempo que eu tenho que lhe dizer algo, mas não consigo, não sei que palavras usar, pois não quero te magoar, e tenho medo por nossos filhos.
MERCEDES: Você quer que eu vá embora não é? Quer terminar nosso casamento?
ANTÔNIO: Como você sabe?
MERCEDES: Não é preciso ser muito inteligente para descobrir, basta ver a forma como você vem me tratando.
ANTÔNIO: (segurando suas mãos) Mas eu não vou deixar você abandonada ao léu, vou te dar uma boa casa e uma boa pensão por mês.
MERCEDES: Eu queria seu amor e não o seu dinheiro.
ANTÔNIO: O meu amor já é de outra mulher.
MERCEDES: Quem é? Quem é essa desgraçada que roubou você de mim?
ANTÔNIO: Uma mulher que conheci lá pelas bandas de Areia Branca, mas isso não importa.
MERCEDES: Realmente isso não importa, se você não me quer mais, eu vou juntar as minhas coisas e dos meninos e ir embora.
ANTÔNIO: Não, dos meninos não, eles ficam.
MERCEDES: Mas eles são meus filhos, eu os carreguei nove meses dentro de mim, fui eu que os amentei que os ensinei a falar as primeiras palavras, a andar, sou eu que tenho cuidado deles todo esse tempo.
ANTÔNIO: Cuidado muito mal, diga-se de passagem, olha só pro Fabiano, uma criança mimada, desobediente, fraca, já o Luciano que fica comigo a maior parte do tempo, é um menino forte, inteligente, esperto.
MERCEDES: Você não tem o direito de me separar dos meus filhos.
ANTÔNIO: Quem decide o que eu tenho ou não direito sobre meus filhos sou eu, e eu decidi que eles ficarão comigo e pronto, agora vai arruma suas coisas eu vou te levar pra uma casa que comprei há uns meses atrás.

CENA VIII
(corta a cena para a sala da casa_ as crianças então em pés assustadas chorando, Mercedes sai do quarto com as malas nas mãos e lágrimas nos olhos, deixa a mala no chão e vai até as crianças).
MERCEDES: Meus filhos amados, não fiquem assim, mamãe vai, mas sempre virei ver vocês, nunca vou abandoná-los porque eu os amo demais, vocês são as coisas mais importantes da minha vida, e só estou deixando vocês porque sou obrigada e porque talvez seja mesmo o melhor pra vocês. Luciano me promete que vai cuidar sempre do seu irmão?
LUCIANO: Sim mãe. (os três se abraçam se beijam e ela sai chorando sendo levada em uma carroça conduzida por Antônio ao som da música casinha branca)

SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA IX
(NOITE_ prostibulo_ Geralda pimenta esta arrumando as coisas, ela está com um longo vestido preto, um par de luvas em suas mãos e um chapéu elegantemente ornando sua cabeça, ela começa a conversar com Dona Zuleica).
DONA ZULEICA: Aqui está milha filha o dinheiro que lhe devo. Você tem certeza do que está fazendo?
GERALDA: Claro dona Zuleica, o Tonho vai vir me buscar pra morar com ele, vou deixar de ser uma guenga para me tornar uma mulher de respeito e o melhor, serei uma mulher rica e poderosa (gargalha).
DONA ZULEICA: Minha filha, mas e se ele não voltar mais, afinal já faz um mês que ele foi embora, ou mesmo que ele volte, quem nos garante que ele se separou da esposa? Filha, promessa de homem e de politico são duas coisas que não podemos acreditar não.
GERALDA: Eu tenho certeza que ele vai se separar daquela baranga e se casar comigo, ele me ama (entra Clotilde_ uma prostituta_ no quarto).
CLODILTE: Geralda, Geralda advinha quem está ai?
(por trás dela surge Antônio, ele está todo arrumado com uma calça social de tergal, uma camisa vermelha e um forte perfume masculino, ela corre para seus braços e se beijam).
DONA ZULEICA: Melhor deixarmos o casalzinho á sós, vamos Clotilde, vamos arrumar a casa, logo chegam nossos clientes e temos que atendê-los bem, quem sabe você não acaba tendo a sorte que essa ai teve.
GERALDA: Meu amor, que saudades.
ANTÔNIO: Que bom que você não foi embora, tenho uma surpresa pra você. (se ajoelha e lhe mostra um par de alianças de ouro) Geralda Pimenta você aceita ser minha esposa?
GERALDA: Claro que sim amor (se beijam), mas, olha vou trocar de nome, esse nome não cai bem pra uma senhora de respeito, vou assumir o nome de minha bisavó.
ANTÔNIO: E como a velha se chamava?
GERALDA: Maria da Purificação
ANTÔNIO: Está bem dona Maria da Purificação Dias, arrume suas coisas, hoje mesmo você vem morar comigo.
GERALDA/ MARIA DA PURIFICAÇÃO: Já está tudo arrumado, vamos embora desse lugar podre agora. (eles descem as escadas)

CENA X
(ao descer as escadas, Geralda e Antônio encontram Luana, filha de Geralda, com uma boneca de pano).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Veja filhinha, esse homem bom que te deu essa bonequinha vai nos levar pra morar na casa dele, ele vai cuidar de mim e de você.
LUANA: (criança) Não quero, quero voltar pra casa, quero voltar pro meu pai.
ANTÔNIO: Se acalme meu benzinho, seu pai agora sou eu, fique calma vai ficar tudo bem. Você vai gostar de morar comigo, tenho dois filhos também, vocês poderão ser amigos.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Agora vamos Luana, uma vida nova espera por nós. (saem_ já na rua, Antônio Dias mostra o carro novo que comprou, um Opala vermelho zero quilometro).
ANTÔNIO: Veja, comprei um automover para comemorar essa nova vida que teremos, gostou?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Amei. (se beijam) vamos uma nova vida nos espera. (eles saem_ um homem humilde com roupas velhas chega numa charrete e bate a porta da casa de dona Zuleica, Clotilde o atende).
ANDRÉ: Boa noite moça! Estou atrás de minha esposa que foi embora a alguns meses de minha casa levando com ela minha filhinha. O nome dela é Geralda, Geralda Pimenta, você a conhece? (CORTA A CENA)

CENA XI
(MANHÃ_ abre-se a cena para a casa de Antônio Dias, Maria da Purificação sai de dentro do carro de Antônio se sentindo poderosa, Antônio abre a porta de trás para que Luana, filha de Maria da Purificação possa sair, ela aparenta estar um pouco assusta e aperta contra o peito sua boneca de pano).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Venha filha! Venha conhecer a nossa casa nova.
LUANA: Essa casarona toda agora é nossa mãe? (admirada)
ANTÔNIO DIAS: Claro Luana é aqui que vocês vão morar comigo e meus dois filhos, vocês serão bons amigos (chama os filhos) Luciano! Fabricio! (eles veem correndo) meninos essa é a Maria da Purificação, minha mulher agora, ela que vai cuidar de vocês de agora pra frente.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: (se inclina para conversar com as crianças) Que crianças fofas, eu sei que vocês devem estar assustados com toda essa novidade mais devagar tudo vai se encaixando, a gente vai se dar bem e eu vou cuidar muito bem de vocês.
FABIANO: Eu não quero você, eu quero minha mãe de volta. (corre e abraça a perna de Antônio)
ANTÔNIO: O que é isso Fabiano? Isso é jeito de tratar sua madrasta, peça desculpa. (agarra seu braço e ele começa a chorar)
Anda se comporte como um homem educado e peça desculpa. Agora.
LUCIANO: Deixa ele pai, ele só tá assustado, desculpa ele moça. É que faz poucos dias que nossa mãe foi embora e estamos sentindo muito a falta dela.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: (fazendo-lhe um carinho) Claro lindinho, eu entendo, fique tranquilo.
ANTÔNIO: (para Fabiano) Vai pra dentro agora e fique trancado no quarto até que eu te mande sair de lá, ande vá antes que eu me arrependa e te dê uma surra aqui e agora na frente de todo mundo (ele sai chorando em silencio Luciano fica triste) Luciano, porque você não chama a menina pra brincar com você?
(Ele estende as mãos para ela, se dão as mãos ao som da musica “A mulher em mim de Roberta Miranda” e saem para brincar_ Maria da Purificação se aproxima de Antônio).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Fica calmo amor, isso é coisa de criança, com o tempo a gente vai se entender e ele vai acabar me aceitando.
ANTÔNIO: Eu não sei não, esse moleque foi muito mal educado pela Mercedes que só sabia mimar ele e nunca colocou limites, não soube educar ele para ser um homem, por isso tomei uma decisão. Vou levar ele para um colégio interno ali ele vai ter a educação que precisa para ser um homem de verdade.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Tem certeza amor? Posso cuidar dele tranquilamente se você quiser.
ANTÔNIO: Melhor não, ele precisa de um tratamento mais rígido além do mais precisa continuar seus estudos e aqui em Recanto Doce não tem colégio para a idade dele, então é melhor ele ir mesmo para um colégio interno.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: O Luciano também vai?
ANTÔNIO: Não, mesmo sendo o mais velho o Luciano ainda não sabe nem ler nem escrever porque nunca frequentou a escola, sempre que eu o colocava ele fugia para ir nas comitivas comigo, então, pode continuar aqui e fazer o primário na escolinha da vila. Depois quando tiver no tempo certo ele também ira e a Luana também.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Você pensa em tudo mesmo amor, é um pai maravilhoso para seus filhos.
ANTÔNIO: E quero ser um bom pai para a Luana também.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Você já é. (eles se beijam, ele a pega no colo e adentra com ela na casa).

TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA XII
(Musica Poeira (Sérgio reis) a cena se abre numa vista panorâmica noturna da fazenda, depois corta-se para dentro da casa onde a família faz sua alimentação noturna).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: (ela vai servindo as crianças começando pela Luana) Espero que gostem, fiz uma galinha cabidela que aprendi com minha mãe, a Luana adora né filha?
LUANA: Claro mãe.
LUCIANO: Do que é feito essa comida dona Maria da Purificação?
ANTÔNIO: Que pergunta é essa? Beba o leite e não pergunte que cor era a vaca.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Deixa ele amor, essa curiosidade é normal, ainda mais se tratando de uma criança né meu benzinho? Esse prato é feito com galinha cozida no próprio sangue. (os meninos se olham enquanto Luana se farta com a iguaria)
FABIANO: Eu não vou comer isso. (pega a comida que Maria tinha lhe servido e joga fora) pode fazer outra coisa.
ANTÔNIO: Que falta de respeito é essa? Você tá pensando que está onde? Ou que é quem pra tratar a Maria dessa forma?
FABIANO: Eu só não quero comer essa nojeira.
ANTÔNIO: Ah mais vai comer sim quer ver? (coloca mais comida no prato de Fabiano e vai enfiando comida boca á baixo) coma seu moleque mal educado, coma tudo! Você tem que aprender a dar valor àquilo que as pessoas fazem com tanto carinho pra você, come anda.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Calma amor, eu posso fazer outra coisa pra ele.
ANTÔNIO: Nada disso. Ele tem aprender a comer tudo o que você fizer pra gente. (olha para Luciano que também não se mostra muito interessado a comer) e você Luciano para de enrolar e coma senão eu vou ter que enfiar a goela abaixo de você também. (Fabiano se desvencilha)
FABIANO: Eu odeio essa mulher (aponta para Maria da Purificação) odeio o senhor, odeio essa casa. Quero ir embora morar com minha mãe.
ANTÔNIO: Você vai embora sim moleque, mais não vai ser pra junto da sua mãezinha não, você vai pra um colégio interno aprender a ser gente.
LUCIANO: Não pai, não o manda pra um colégio interno não, por favor, paizinho, não faz isso.
ANTÔNIO: Vou sim, só lá ele vai aprender a ser um homem de verdade, mas antes eu vou dar uma surra pra ele aprender a me respeitar e respeitar a madrasta dele.
(tira a cinta e o espanca_ nesse momento a câmera fica focada apenas nos olhos de Luciano que chora em silêncio)
ANTÔNIO: Agora sobe vai dormir! Amanha mesmo você vai embora. (Fabiano sobe as escadarias chorando).

CENA XIII
(Corta-se a cena abrindo em outra panorâmica da fazenda, já é de manha, a família se encontra do lado de fora da casa próximo do automóvel_ de dentro da casa sai Antônio aparentemente triste mais tentando não transparecer e Fabiano com suas malas).
LUCIANO: Pai tem certeza do que o senhor vai fazer?
ANTÔNIO: Tenho meu filho, é o melhor para o seu irmão, além do mais ele sempre virá nas férias nos visitar, e daqui alguns anos você e a Luana também irão para lá com ele, para continuarem seus estudos. (Antônio abraça Maria da purificação)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Vai com Deus me amor. (se inclina para conversar com Fabiano) me desculpa qualquer coisa tá? Queria muito que a gente se entendesse. (o abraça_ Fabiano se aproxima de Luana e lhe da uma flor)
FABIANO: Pegue, é pra você. (ela joga a flor fora e se afasta) (pai e filho saem_ começa a tocar a musica poeira)

CENA XIV
Música casinha branca
_ vai se passando várias cenas de Luciano e Luana brincando e aos poucos crescendo, as poucas cenas em que Fabiano esta em cena _ suas férias _ é bem tratado pelo irmão mais ignorado por Luana_.
Aparece uma cena também em que sua mãe, com uma roupa bem modesta e guarda chuva, vai visitar seus filhos. (Ela bate palma na casa que um dia tinha sido dela, Luciano e Fabiano saem correndo para abraça-la, Maria da Purificação, vem atrás ,os separa manda eles para dentro e bate a porta na cara de Mercedes, que sai chorando).
Em uma dessas cenas em que as crianças estão brincando, Fabiano novamente é ignorado por Luana, triste se afasta e se senta a beira de um rio onde vê projetado nas águas a imagem de sua mãe (transição da Imagem de sua mãe na fase jovem para a fase atual).
(De repente ouve-se a voz de Mercedes gritando)
MERCEDES: Filho cadê você?

(a cena congela e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

FINAL DO PRIMEIRO CAPÍTULO

  • Isa Miranda

    Que maldade com a Mercedes… Amei o primeiro capítulo.

    • Cleber Medeiros

      obrigada amiga, seus comentários me impulsiona a escrever cada vez mais e melhor