Coração sertanejo: Capitulo 36 – A queda do todo poderoso

Coração sertanejo: Capitulo 36 – A queda do todo poderoso

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Ninguém está imune ás reviravoltas da vida, podemos até tentar fugir e nos esconder mas um dia a cobrança de nossos atos chega e, por vezes, muito mais alta do que imaginamos.,

CENA I

(Inicia-se o capitulo com a policia federal cercando o avião onde Alcir estava transportando drogas)

DELEGADA MARÍLIA: Desce, anda desce, perdeu. O avião está cercado e não tem como você fugir.

(Alcir desce com as mãos na cabeça, a policia entra no avião e encontra 150 kg de pasta base de cocaina)

DELEGADA MARÍLIA: A denuncia é verdadeira homens, o avião está lotado de pasta base de cocaina. Podem levá-lo.

ALCIR: Eu não tenho nada a ver com isso.

DELEGADA MARÍLIA: Como não? Vai me dizer que não viu essa enorme quantidade de drogas no avião em que pilotava? E se não sabia, por que tentou fugir.

ALCIR: Eu sou inocente, eu juro.

DELEGADA MARÍLIA: Todos dizem a mesma coisa, mas agora você vai ser conduzido até a delegacia para prestar depoimento e ficará lá até ser transferido para um presidio. (fala para os demais policiais) Vamos homens. Levem ele.

(os policiais colocam Alcir na viadura e saem em direção á delegacia_ corta a cena)

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CENA II

MÚSICA: My Immortal_ Evanescence

(MANHÃ_ Prefeitura Municipal_ interna_ gabinete do prefeito_ Antônio está sentando em sua cadeira e pensando em toda a sua vida, com lágrimas nos olhos, se lembra de Mercedes e deseja ardentemente receber seu carinho e amor naquele momento em que, ele se sente tão sozinho_ Luana chega)

LUANA: Oi paizinho, posso entrar?

ANTÔNIO: (despertando-se de suas lembranças) Oi Luana, claro, entre por favor. (ela entra e se senta numa cadeira defronte á ele) Você quer um suco? Um café?

LUANA: Não paizinho, obrigado, na verdade não pretendo me demorar, só tenho que conversar uma coisa importante e urgente com o senhor.

ANTÔNIO: Pois pode falar.

LUANA: Agora que o senhor tirou o Luciano do comando das fazendas, quem irá cuidar de tudo, já que o senhor, como prefeito, tem que cuidar da cidade?

ANTÔNIO: Bom filha, na verdade eu já devia ter tido essa conversa com você antes, mas tenho tantas coisas na minha cabeça.

LUANA: Claro pai, sem problemas.

ANTÔNIO: Bom, eu havia colocado o Luciano e você para cuidarem de tudo, agora que ele não está mais, você terá que cuidar de tudo sozinha. Tem problema?

LUANA: (rindo por dentro) Claro que não paizinho, bom lógico que a ajuda do Luciano fará falta, mas acho que consigo cuidar de tudo sozinha sim, sem problemas.

ANTÔNIO: Claro que sim filha, você tem muita capacidade e minha total confiança. Eu sei que você não irá me decepcionar.

LUANA: Obrigada paizinho; Bom se é assim deixe-me ir, tenho muitas coissa á fazer e tenho certeza que o senhor também, aqui na prefeitura.

ANTÔNIO: Claro filha, vai com Deus. (ele beija sua testa e ela sai com grande alegria_ corta a cena)

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Cena III

MÚSICA: É você de Maria Cecília e Rodolfo com Fred Liel

(MANHÃ_ Centro da cidade_ Ponto de ônibus. Padre Bento está esperando o ônibus que o levaria para São José do Rio Preto e de lá para o Rio de janeiro, em sua mente, passam os momentos que teve na cidade de Recanto Doce, as brigas com as beatas, as pessoas boas que conheceu como Mercedes e Pai André e principalmente, os momentos que passou ao lado de Madalena, o dia em que se conheceram, a noite que passou na cabeceira de sua cama velando por ela, a noite que ela dormiu em sua cama, o primeiro beijo deles_ Nesse momento o ônibus esperado para no ponto de ônibus e então Padre Bento, enxugando suas lágrimas e tentando afastar seus pensamentos, se dá conta de que é hora de partir e se levanta, indo em direção do ônibus. Nesse momento, vindo no sentido contrário, Madalena corre ao seu encontro)

MADALENA: Bento.

PADRE BENTO: Madalena. (eles se abraçam e as beatas que estavam passando por ali se escandalizam) O que você está fazendo aqui menina?

MADALENA: Fui até a Igreja e o padre Santo disse que você estava indo para o Rio de Janeiro.

PADRE BENTO: É verdade Madalena, eu preciso de um tempo para pensar, um tempo, principalmente longe de você e de tudo o que me lembra nossos momentos juntos.

MADALENA: Eu não posso te deixar ir embora, eu não saberia viver longe de você.

PADRE BENTO: Desculpa Madalena, mas você vai ter que ser forte e aprender a viver longe de mim sim, você sempre soube que tinha uma missão especial e que, por conta dela, nós nunca poderíamos ficar juntos. Eu estou indo para o Rio de Janeiro justamente para resgatar minha vocação e me reencontrar novamente para seguir minha missão.

MÚSICA: Experiência religiosa_ Enrique Iglesias

PADRE BENTO:  (beijando sua testa) Fique com Deus. (ele a deixa chorando, entra no ônibus que segue em direção á São José do Rio Preto, ela fica se despedindo enquanto o ônibus se afasta)

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CENA IV

(MANHÃ_ Delegacia da cidade_ interna_ sala do delegado Baleia. Ele está sentado e em sua mesa inúmeras guloseimas que ele devora com avidez_ nesse Momento os policiais federais, liderados pela delegada Marília, chegam conduzindo Alcir algemado_ Delegado Baleia se assusta)

DELEGADO BALEIA: Mas que furdunçou é esse aqui na minha delegacia?

DELEGADA MARÍLIA: Bom dia delegado. Somos da polícia federal e fomos acionados para solucionar a questão do tráfico de drogas nessa cidade e, ontem, recebemos uma denuncia anônima de que esse meliante aqui, estaria chegando com um avião abarrotado de pasta á base de maconha. Fomos averiguar e constatamos que a denúncia procedia e então demos voz de prisão á ele e o trouxemos aqui.

DELEGADO BALEIA: Escuta aqui, sua delegadacinha de meia pataca, aqui nesse território quem manda sou eu, está entendendo. É não uma policia de saia que vai vir fazer o meu trabalho não.

DELEGADA MARÍLIA: Mas respeito comigo delegado. Estamos em cumprimento de nossa função e posso te dar voz de prisão por desacato á autoridade. Como eu já te disse, somos da policia federal e cabe á nós investigar esses casos de trafico, principalmente quando esse mal ultrapassa fronteiras como é o caso. E vou dizer a verdade, ainda bem que cabe á nos resolvermos esse caso, senão até o senhor parar de comer e conseguir tirar o pé do chão todos os moradores dessa cidade já haveria virado dependentes químicos.

DELEGADO BALEIA: Acho melhor a gente terminar esse assunto e cuidarmos desse meliante.

DELEGADA MARÍLIA: Concordo. (os policiais o faz sentar e ela começa a interrogá-lo) Então, o senhor foi preso em flagrante transportando uma quantidade enorme de pasta a base de cocaína. O senhor confessa seu crime?

ALCIR: Eu só falo na presença de meu advogado e depois de dar um telefonema, sei que tenho esse direito.

DELEGADA MARÍLIA: Escuta aqui meliante? Por acaso você pensa que vai escapar dessa? Você foi pego em flagrante.

ALCIR: Só digo alguma coisa depois que meu advogado estiver aqui e eu der meu telefone.

DELEGADO BALEIA: Tudo bem. Tudo bem. Já vi que você não vai mesmo abrir o bico antes de dar esse telefone e estar assessorado por seu advogado. (ele chama um de seus policiais) Levem-o para dar um telefonema. (corta a cena)

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CENA V

(MANHÃ_ Fazenda de Antônio Dias_ interna_ escritório_ Luana está no escritório lendo e assinando alguns papéis e o seu celular toca e ela atende)

LUANA: Alcir. Mas quantas vezes eu tenho que te dizer para não ligar aqui em casa atrás de mim, sua mula? O quê? A policia federal te pegou em flagrante? Como assim o que vamos fazer? Eu vou contratar um advogado para você e você, quando for depor,  vai dizer aquilo que nós já tínhamos combinado. Sim pode deixar que aviso e cuido de sua família, mas agora o importante é você não citar o meu nome, se te pressionarem diga que você estava fazendo aquele carregamento á mando do Antônio. Entendeu? Acho bom mesmo você não fazer nenhuma bobagem, senão vai apodrecer ai, isso se eu não der um jeito de me livrar de você antes. (desliga o telefone e fica pensativa_ corta a cena)

 

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PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

 

 

CENA VI

MÚSICA: Crushin It_ Brad Paisley

(FINALZINHO DA MANHÃ/COMEÇO DA TARDE_ Várias cenas da cidade de Recanto Doce se sucedem até que a câmera filma a Igreja, dentro dela Cândida está rezando e Pureza chega)

CÃNDIDA: Veio pedir perdão pelo pecado que cometeu ontem?

PUREZA: Que pecado? Não me lembro de nada!

CÂNDIDA: Ah pois então vou te recordar. A senhora estava comigo na casa de shows, naquele andro de perdição e de repente começou a sentir aquele calor na bagurinha de sempre, dai subiu em cima de uma mesa e fez um stripe tease.

PUREZA: Eu fiz isso?

CÂNDIDA: Fez sim senhora.

PUREZA: Pois eu não me lembro.

(Nesse momento Maria da Purificação chega e fica atrás das duas escutando a conversa)

CÂNDIDA: Pois eu me lembro direitinho e vou contar tudo para a Maria da Purificação.

PUREZA: Ah não amiga, pelo amor de Deus, não conta nada para aquela bruxa, aquele demoinho vestido de preto, aquele cão chupando manga com cara de coruja seca.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Não contar nada para quem, dona Pureza? (Pureza e Cândida se assustam)

PUREZA: Não é nada não Maria.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Eu escutei muito bem a Cândida dizendo que iria contar tudo para mim e você me chamando de bruxa,  de demoinho, de cão chupando manga.

PUREZA: Ah era só brincadeirinha.

CÂNDIDA: Isso não é o pior Maria, a senhora não sabe o que essa pervertida fez  ontem na casa de show.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Guarde sua língua enorme dentro da boca, eu não preciso de sua fofoca, eu sei de tudo o que aconteceu.

PUREZA: Sabe?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Tá pensando que só a Cândida é fofoqueira nessa cidade? Claro que não, o povo aqui gosta de um fuxico. Mas isso que fiquei sabendo não me espanta dona Pureza, não é de hoje que a senhora não consegue controlar esse seu fogo e fica fazendo escândalo na cidade. Todos já estão falando de você que você é uma cadela no cio, uma vaca, guenga, galinha, mesalina, rampeira, jereba, marafona, catenga, piguancha, canganha, tamanqueira, fubana, gabirua, mecatrefe, zabaneira, fuamba, rameira, findinga, rabaceira, cutruvia, muruxaba, fuleira, carcaia, bagaxa, piturisca, boneja. (enquanto Maria da Purificação vai falando ela vai se encolhendo) E por isso eu não quero mais você perto de mim, pode ser que sua má fama respingue em mim e também não quero você, sua Madalena, nada arrependida, frequentando esse lugar santo.

CÂNDIDA: E o que você vai fazer Maria?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Vou colocar essa atoa para fora da casa de Deus.

(Maria agarra Pureza pelos cabelos e vai arrastando-a pelo cabelo até jogá-la fora da Igreja)

MARIA DA PURIFICAÇÃO: E nunca mais me apareça aqui sua mariposa. (ela fica ali, jogada chorando)

CÂNDIDA: Coitada Maria, não precisa fazer isso com a pobre.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Cale a boca, e cuidado por que esse negócio de você ficar desmaiando e sendo levada para casa no colo do Jair, pode fazer você ter o mesmo fim.

(nesse momento o padre Santo chega)

PADRE SANTO:   Posso saber o que está acontecendo aqui? Que reboliço é esse aqui na casa de Deus?

PUREZA: A Maria da Purificação me agarrou pelo cabelo e me jogou fora da Igreja e me disse que eu nunca mais deveria vir aqui.

PADRE SANTO: (para Maria da Purificação) E você pensa que é quem para expulsar alguém da casa de Deus? (ele Levanta Pureza do chão)

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Mas padre é que o senhor não sabe. Essa ai é uma perdida, não tem salvação mais não. Ontem mesmo ela fez um stripe tease la naquele playground do encardido que o povo chama de casa de show.

PADRE SANTO: E dai? Você acha que isso te dá direito de julgar e condenar sua irmã á excomunhão?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Claro.

PADRE SANTO: Escuta aqui dona Maria, é melhor a senhor sair daqui agora, antes que eu perca a minha cabeça e excomungue é a senhora por se considerar melhor do que Deus, a ponto de julgar e condenar as pessoas, porque nem Deus faz isso.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: O senhor hein! Voltou mais libertino do que antes. Se o senhor quer ficar ai com essa aprendiz de guenga fique. Eu vou me embora. (ela sai)

PUREZA: Obrigado por me defender, mas talvez a Maria esteja certa, eu não sou mesmo digna de colocar meus pés nesse lugar santo. (ela também vai embora)

PADRE SANTO: Pureza, espere… (corta a cena)

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CENA VII

(INÍCIO DA TARDE_ Interna_ delegacia de polícia- sala do delegado)

DELEGADA MARÍLIA: E então senhor Alcir Moreira, agora que você já deu o seu telefonema e está acompanhado por seu advogado, você pode abrir o bico e começar a contar tudo.

ALCIR: Eu errei, eu errei muito quando aceitei fazer esse tipo de carregamento.

DELEGADO BALEIA: (acabando de comer uma barra de chocolate que lambuzou toda a sua roupa) Então quer dizer que o senhor confessa que é um traficantezinho de drogas?

ALCIR: Eu não tive outra opção.

DELEGADA MARÍLIA: Como assim, não teve outra opção? Todos temos uma outra opção que não seja exatamente cometer um crime.

ALCIR: Vou contar tudo. O senhor Antônio há mais ou menos dois meses atrás veio com essa proposta de eu ajudá-lo a transportar essas porcarias. Ele disse que tinha gastado muito com a campanha politica e que precisava conseguir um boa grana por fora, disse também que esse negócio poderia dar muito dinheiro tanto para mim como para ele e que, como o avião e a pista era dele, não teria perigo de sermos descobertos. No começo eu neguei claro, mas ai ele me ameaçou me mandar embora caso eu não concordasse fazer esse tipo de serviço para ele. Vocês sabem como está a crise no nosso país, como está difícil de arrumar emprego e eu tenho que sustentar minha família, daí então, com medo de perder esse emprego que eu já tinha há mais de 10 anos acabei aceitando mesmo contra gosto.

DELEGADA MARÍLIA: Então quer dizer que o chefe de tudo isso é o prefeito Antônio Dias?

ALCIR: Sim claro, a pista e o avião é dele, eu sou funcionário dele. Ele liderava tudo enquanto sustentava essa máscara de homem bom e honesto, pai de família.

DELEGADO BALEIA: E quem fazia o serviço de vender a droga na cidade?

ALCIR: Isso eu não sei, eu chegava, deixava a mercadoria no hangar e, á noite, ele distribuía para os laranjas.

DELEGADA MARÍLIA: Acho que não precisamos de mais nada. O senhor está dispensado.

ALCIR: Então quer dizer que eu estou livre?

DELEGADA MARÍLIA: Claro que não, você está dispensado para voltar para a sua sela, onde ficará até ser transferido para um presídio.

ALCIR: Mas eu contei tudo o que eu sabia, eu ajudei vocês.

DELEGADO BALEIA: Claro que isso vai contar no seu julgamento, mas você cometeu um crime gravíssimo e terá que pagar por ele. (fala para seus guardas) Levem-o para sua sela.

DELEGADA MARÍLIA: Bom agora com a confissão do Alcir temos todas as provas que precisamos para pedir a prisão preventiva do senhor Antônio Dias.

DELEGADO BALEIA: Vou fazer isso agora mesmo, deixa só eu comer essa torta que eu estou morrendo de fome. (ele pega e come a torta sob o olhar condenatório da delegada Marília_ corta a cena)

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CENA VIII

(HORA DO ALMOÇO_ Fazenda de Clóvis Arruda_ Maria Eulália, Cacau, Lenita e Lucas estão almoçando enquanto conversam animadamente)

LENITA: Nem acredito que estou aqui na minha casa novamente e, pela primeira vez na vida, almoçando em paz com a minha família.

CACAU: Senti muita falta de você minha irmã.

LENITA: E eu de você Cacau. Você sofreu muito, nas mãos do papai, esse tempo todo que estive fora não é?

CACAU: Sim, mas não vamos falar disso agora, vamos comer, conversar e viver esse momento de paz.

MARIA EULÁLIA: Isso mesmo filha.

CACAU: Pena que para vivermos isso, foi necessário o papai ficar preso.

LENITA: Ah não Cacau! Você não ficar com peninha dele agora né? Não depois de tudo o que ele fez a gente sofrer. Ele está preso agora, mas a nossa mãe foi prisioneira de sua crueldade por toda uma vida, eu vivi anos presa num manicômio e você estava presa até ontem, á pão e água.

MARIA EULÁLIA: É verdade kauane, eu demorei muito para tomar essa atitude, mas eu percebi que não dava mais, eu não podia me calar enquanto ele fazia as piores maldades contra vocês, contra mim e até contra o Quinzinho.

CACAU: Falando nisso mãe, agora que o papai está preso e você vai pedir a separação, como vocês vão ficar?

MARIA EULÁLIA: Sabe que nem eu mesma sei, ontem ele me pediu em casamento.

LENITA: Casamento? Mas que coisa mais cafona mãe.

LUCAS: Você acha mesmo cafona se casar?

LENITA   : Claro Lucas.

LUCAS: Mas então por que você forçou seu pai, ontem, a aceitar o nosso casamento?

LENITA: Acho que você não entendeu Lucas, na verdade eu nunca pensei em me casar, muito menos com você, só fiz aquilo tudo para me vingar do meu pai, afinal, foi uma grande cacetada nele ter que aceitar o casamento da filha dele com um peão. (ri)

LUCAS: Então é isso Lenita? Tudo não passou de uma vingança sua?

LENITA: E o que tem Lucas? Você não acha que ele mereceu?

LUCAS: Se ele mereceu ou não eu não sei e tenho raiva de quem sabe. Agora eu é que não merecia ser enganado por você.

LENITA: Enganado?

LUCAS: Sim você me enganou, brincou com meus sentimentos, me usou só para se vingar do seu pai.

LENITA: Você está fazendo tempestade em copo d’agua Lucas.

LUCAS: Ah e ainda menospreza o que estou sentindo agora? Eu estou me sentindo um palhaço, alias, isso que eu sou mesmo, sair daqui, perder meu emprego só para ir lá naquela clínica te salvar. (levanta e vai saindo)

LENITA: Lucas espere. Aonde você vai?

LUCAS: Eu vou arrumar minhas coisas e vou voltar para a fazenda do Lucas e você que arrume outro trouxa para brincar com a cara dele e fazer dele o seu brinquedo. (sai batendo a porta_ corta a cena)

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CENA IX

MÚSICA: Estoy Enamorada_ Thalia e Pedro Capo

(HORA DO ALMOÇO_ Cachoeira do Riacho Alegre. Rodrigo estão fazendo um piquenique á beira da cachoeira. Sentados um de frente para o outro, eles se beijam apaixonadamente, á sua frente uma toalha de xadrez vermelho com uma grande quantidade de alimentos e frutas e um bom vinho)

RODRIGO: Que saudades que eu estava de você meu amor.

RITINHA: Vou te falar a verdade, nós ficamos ontem e eu aceitei vir fazer esse piquenique com você aqui hoje, mas não sei se estou fazendo a coisa certa.

RODRIGO: Mas por que Ritinha, você não me ama?

RITINHA: A questão não é te amar ou não e sim os seus sentimentos.

RODRIGO: Eu não vou mentir para você, eu jamais faria isso, o que vivi com a Patricia, ainda que tenha sido uma grande mentira, foi muito forte e ela ainda mexe comigo, mas cada dia que passa esse sentimento aqui dentro por você só faz aumentar. É um sentimento novo, diferente do que vivi com a Patricia, com ela era uma paixão, um fogo que me consumia e ao mesmo tempo me cegava, com você é calmaria, é algo que me faz bem, me traz a paz e ilumina meus pensamentos. Eu não quero eu não posso mais viver longe de você. Me de uma chance, de uma chance para nós, para esse sentimento tão lindo que existe entre a gente. (ela o beija)

RITINHA: Isso tudo que você disse é tão lindo e eu acredito, acredito mesmo na sinceridade dos seus sentimentos, mas mesmo assim eu tenho medo, porque sei que a Patricia não vai desistir enquanto ela não tiver você de volta, alias, você não, o seu dinheiro.

RODRIGO: (abraçando Ritinha por trás) Então pode ficar sossegada, se o que ela queria comigo era dinheiro e eu sei que é, então ela não vai me procurar.

RITINHA: Por quê?

RODRIGO: Eu, meu pai e meus irmãos, com exceção claro do Eduardo que está mais perdido que cego em tiroteio, saímos da casa do meu avô e abrimos mão de toda a sua fortuna, estamos agora vivendo e trabalhando numa fazenda que nosso antigo empregado comprou.

RITINHA: Nossa amor, mas por que isso?

RODRIGO: Ele queria tocar a namorada do meu pai da casa dele, dai ele e meu pai acabaram brigando e ele mandou meu pai embora e claro, eu fiquei do lado do meu velho e fomos embora, mas sabe que eu estou feliz, estamos com um projeto lindo nessa nova fazenda, onde, finalmente, eu poderei colocar em  prática tudo o que aprendi na faculdade.

RITINHA: Bom se você está feliz eu também estou.

RODRIGO: Só tem uma coisa que me intriga:

RITINHA: O quê?

RODRIGO: Por que a Patricia queria tanto o meu dinheiro, a família dela não é rica?

RITINHA: Dai um grande mistério.

RODRIGO: Como assim?

RITINHA: Eu até hoje não sei de onde vem o dinheiro para bancar todo aquele luxo e mordomia. O dr Emerson passa meses sem pegar uma pequena causa se quer, a Maria Efigênia é uma dondoca que só sabe ficar lendo revista de moda e dando ordens para mim, o Alvinho é um criança, claro não tem idade ainda para trabalhar e a Patricia, bom você sabe muito bem que ela é um dondoquinha que não faz nada de útil.

RODRIGO: Isso é estranho mesmo amor, muito estranho.

RITINHA: Mas você não me trouxe aqui para a gente ficar falar daquele povinho né?

RODRIGO: Claro que não.

MÚSICA: Estoy Enamorada_ Thalia e Pedro Capo

(Rodrigo passa a mão em seu rosto, arrumando seu cabelo bagunçado pelo vento, se aproxima e a beija cheio de amor e carinho. A câmera vai se distanciando pegando o casal do alto até cortar a cena)

 

 

CENA X

(TARDE_ Prefeitura Municipal de Recanto Doce- interna_ gabinete do prefeito_ Antônio Dias está assinando um monte de papéis que estão sobre a sua mesa e alguém abre a porta com violência)

ANTÔNIO:(se levantando assustado) Que invasão é essa aqui na minha sala?

DELEGADA MARÍLIA: É a policia, o senhor está preso.

ANTÔNIO: Como é que é? (corta a cena no olhar assustado de Antônio Dias)

 

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SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

 

 

CENA XI

(TARDE_ Prefeitura Municipal de Recanto Doce- interna_ gabinete do prefeito_ Antônio Dias está preso)

DELEGADA MARÍLIA: Isso mesmo prefeito. O senhor está preso.

ANTÔNIOO: (enquanto é algemado pelos policiais) Mas como assim preso? O que foi que eu fiz?

DELEGADA MARÍLIA: Você está sendo acusado por liderar uma quadrilha de tráfico de drogas aqui, em sua cidade.

ANTÔNIO: Mas isso é um grande engano, eu nunca me envolvi com nada desse tipo.

DELEGADA MARÍLIA: Agora de manhã foi preso em seu avião particular, quando ele pousava na pista de sua fazenda, mais de 150 kg de pasta á base de coca. E o seu piloto confirmou que o senhor é que controlava tudo.

ANTÔNIO: Mas é mentira dele, eu nem sabia que ele tinha viajado.

DELEGADA MARÍLIA: Chega de conversa, vocês sempre dizem ser inocentes, agora terá que provar isso, enquanto isso  ficará preso, Vamos homens, podem levá-lo. (corta a cena)

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CENA XII

(TARDE_ Casa de Madame Clotilde_ ela está descendo as escadas e percebe que Carmela está estranha, assustada)

MADAME CLOTILDE: O que foi Carmela? Você está estranha, parece que está assustada. Aconteceu alguma coisa?

CARMELA: Aconteceu Clotilde. Acho que fiz uma besteira.

MADAME CLOTILDE: O que foi menina?

CARMELA: Eu descobri que o Alcir estava me enganando, que ele já é casado e tem até filhos.

MADAME CLOTILDE: Sinto muito filha, deve ter sido bem difícil para você descobrir tudo isso.

CARMELA: Foi sim, me senti enganada, feita de trouxa. Eu estava realmente gostando daquele canalha.

MADAME CLOTILDE: (abraçando-o para confortá-la) Mas não fique assim filha. Vai passar, o tempo cura tudo. Só não entendi qual foi a besteira que você fez, claro além de confiar naquele cafajeste, mas isso não te deixaria assim assustada.

CARMELA:  Eu resolvi me vingar dele, liguei para a policia federal e contei tudo o que tinha ouvido ele falar no celular, e agora estou com medo dele descobrir e vir atrás de mim.

MADAME CLOTILDE: Se acalme filha, primeiro porque você fez a coisa mais acertada e segundo que a policia não irá contar á ele que foi você que denunciou.

CARMELA: Mesmo assim, estou com medo.

MADAME CLOTILDE: Fique tranquila, te garanto que ninguém vai ser louco de te fazer algum mal, porque eu não vou deixar. (abraça-a novamente_ corta a cena)

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CENA XIII

(TARDE_ Delegacia_ interna_ Uma das selas onde Clóvis Arruda está preso. Ele está sentando no chão pensativo e os policiais chegam com Antônio)

CLOVIS: O que é isso? Você veio rir da minha desgraça é?

ANTÔNIO: Não é nada disso seu zé ruela, o mundo não gira em torno de você não.

CLÓVIS: Bom se você não veio aqui para rir de mim então. (os policias colocam Antônio na sela)

Eu não to acreditando. O nosso prefeitinho preso. (deliria de alegria) O que foi? Descobriram alguma falcatrua sua foi? (ri cheio de ironia e sarcasmo)

ANTÔNIO: Não é nada disso, eu sou um politico muito honesto. Eu sei que é difícil acreditar, pois a grande maioria assim como você, são corruptos, mas eu não. Eu sou honesto.

CLÓVIS: Tão honesto que veio parar aqui atrás das grandes.

ANTÔNIO: É melhor você calar a sua boca e ficar bem quietinho ai no seu canto, não me enche as paciências não, já to nervoso demais.

CLÓVIS: ÒH meu Deus. O nosso prefeitinho está nervoso. (ri) porque a casa dele caiu. (gargalha) Fala para mim fala, por que você veio parar aqui?

ANTÔNIO: Isso é um engano e logo logo estarei solto.

CLÓVIS: É o que todos dizem.

ANTÔNIO: Mas no meu caso é verdade, eu sou inocente, encontraram o meu avião cheio de maconha, pousando na pista da minha fazenda e só por isso chegaram a conclusão de que eu era o chefão de tudo.

CLÓVIS: (se acabando de rir) Era só o que faltava! Esperava tudo de você mas chefe do tráfico, eu não nem imaginei. Você foi longe demais hein. (ri)

ANTÔNIO: Eu já te disse que sou inocente. E você está aqui por quê?

CLÓVIS: Porque ontem a noite eu dei uma bolacha na minha esposa e tinha trancado minha filha no quarto, só para não namorar o traste do seu neto.

ANTÔNIO: Fez muito bem, tem mesmo que trancar sua filha, porque meu neto está solto e com todo o charme e beleza que herdou de mim.

CLÓVIS:É por isso que ele é tão feio assim. Só espero que ele não tenha puxado do avô também a mania de mexer com maconha.

ANTÔNIO: Cale a boca. Cale a boca, eu não vou admitir que você fale de minha família, com essa sua boca imunda.

CLÓVIS: O que foi? Quer cair pra dentro? Demorou cara, faz tempo mesmo que estou querendo quebrar essa sua cara de pau. (eles começam a brigar e os policiais vem apartá-los_ Corta a cena)

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CENA XIV

MÚSICA: A flor e o beija flor_ Henrique e Juliano e Marília Mendonça

(TARDE_ Fazenda de Clóvis Arruda_ varanda da casa onde Maria Eulália e Quinzinho estão se beijando apaixonadamente)

MARIA EULÁLIA:Eu nem acredito que todo aquele pesadelo acabou e que estou livre para ser e fazer o que eu quero.

QUINZINHO: Nada mais vai nos separar meu amor, seremos um para o outro para sempre. (Maria Eulália sai de seus braços e fica estranha) O que foi amor? Que ruguinha de preocupação é essa em sua testa? (ri)

MARIA EULÁLIA: É que as vezes você me assusta com o jeito de você falar.

QUINZINHO: Eu amor, mas por quê?

MARIA EULÁLIA: Acho que temos planos muito diferentes.

QUINZINHO: Ainda não estou entendendo aonde você quer chegar com essa prosa.

MARIA EULÁLIA: Você quer se casar comigo não é? E viver para sempre ao meu lado em um relacionamento sério, não é isso?

QUINZINHO: Claro, eu te amo e quando amamos, tudo o que queremos é ficar do lado da pessoa amada.

MARIA EULÁLIA: Nem sempre Quinzinho.

QUINZINHO: Como assim, nem sempre?

MARIA EULÁLIA: Eu por exemplo: eu te amo muito, mas, pelo menos por agora, eu não quero me casar.

QUINZINHO: Como assim você me ama e não quer se casar comigo? (gritando de forma groseira)

MARIA EULÁLIA: Está vendo? Nós ainda nem nos casamos e você já esta agindo assim, como se quisesse controlar minha vontade e eu estou cansada disso, vivi um relacionamento assim por anos.

QUINZINHO: Desculpa meu amor, eu prometo nunca mais gritar com você.

MARIA EULÁLIA: Tudo bem. O fato é que passei trinta anos num relacionamento completamente abusivo, onde eu era humilhada, agredida, traída e eu tendo que me conformar com essa situação toda, tendo que ser submissa as vontades e caprichos do senhor Clóvis Arruda.

QUINZINHO: Espere ai, você está me comparando com esse canalha?

MARIA EULÁLIA: Não, eu só estou querendo dizer que depois de tudo isso que eu sofri eu preciso de um tempo para pensar em mim, me cuidar pela primeira vez na vida, entende? Eu nunca pude fazer minhas vontades, expressar meus sentimentos e desejos, primeiro sendo submissa ao meu pai e depois ao Clóvis, agora eu quero aproveitar, curtir um pouco dessa liberdade, desse sentimento de apoderamento sobre mim mesma que nunca senti, além do mais, essa relação doentia com o Clóvis terminou mas meu coração saiu muito ferido e eu preciso de um tempo também, para cicatrizar tudo isso, esquecer todos os traumas q eu vivi nesse casamento.

QUINZINHO: Deixa eu ver se entendi. Você ainda gosta do Clóvis?

MARIA EULÁLIA: Claro que não Quinzinho, por ele eu só sinto nojo, desprezo. É você que eu amo, eu quero ficar com você mas sem todo esse formalismo, sem toda essa presa para eu me enclausurar de novo numa relação.

QUINZINHO: Já entendi, você quer um tempo para ficar sozinha e aproveitar esse momento de solteirice né? Pois então faça bom aproveito, seja feliz com essa sua tal liberdade que eu vou seguir o meu caminho. (vai saindo)

MARIA EULÁLIA: Quinzinho, me espera, você não entendeu nada.

QUINZINHO: Me deixe Eulália. Me deixe. (vai embora deixando Maria Eulália triste)

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CENA XV

(TARDE_ Casa de shows_ Madame Clotilde está ocupada com os afazeres da casa quando seu filho Michel chega da rua, abraçado com Chica Gaiteira e se beijam na frente de Clotilde)

CHICA: Vou subir para tomar um banho. Vem comigo?

MICHEL: Claro. (trocam um selinho)

MADAME CLOTILDE: Michel, meu filho, venha aqui, preciso conversar com você.

MICHEL: (para Chica) Vai subindo amor, vou conversar aqui com minha mãe, depois eu vou. (Chica lhe dá um beijo e sobe as escadarias) Algum problema aqui com a casa mãe?

MADAME CLOTILDE: Não filho, eu só preciso te fazer uma pergunta.

MICHEL: Pode fazer mãe.

MADAME CLOTILDE: Tem noticias do seu pai?

MICHEL: Então mãe, o caso dele é complicado né, além de agressão á mulher ele mantinha a Cacau em carcere privado, vai ser difícil conseguir um habeas corpus para ele ou algo parecido.

MADAME CLOTILDE: Acho muito bem feito, além de ficar um bom tempo na jaula, eu duvido ele conseguir se eleger novamente.

MICHEL: Pois é mãe, por isso que o pessoal do partido me convidou para me candidatar a prefeito no lugar dele.

MADAME CLOTILDE: E você aceitou?

MICHEL: Eu fiquei de pensar mãe, mas acho que vou aceitar sim, acho que posso ajudar muito essa cidade.

MADAME CLOTILDE: Bom filho, eu não gosto muito de política, mas a decisão é sua.

MICHEL: Obrigado mãe, agora com licença vou la tomar um banho com a Chica.

MADAME CLOTILDE: Espere filho, tenho mais uma pergunta para te fazer.

MICHEL: Pois então faça.

MADAME CLOTILDE: Esse seu lance ai com a Chica é só uma curtição ou é algo sério?

MICHEL: Por que a pergunta, mãe?

MADAME CLOTILDE: Por que se você tiver só afim de curtição é melhor procurar outra pessoa, não quero que você, de alguma forma, decepcione e magoei minha melhor amiga.

MICHEL: Fica tranquila mãe, nosso lance é mesmo serio, eu estou apaixonado por ela.

MADAME CLOTILDE: Muito estranho, logo você se apaixonar por uma mulher como a Chica.

MICHEL: Estranho por quê?

MADAME CLOTILDE: Porque você sempre teve tanto problema com o fato de eu ser dona de um cabaré e você se apaixona por alguém como a Chica, é de estranhar não é?

MICHEL: Alguém como a Chica, como assim? O que ela tem de mais? O que ela tem a ver com sua “profissão”. Até onde eu sei ela é simplesmente uma sanfoneira que animava seu antigo estabelecimento.

MADAME CLOTILDE: Então ela não te falou nada do passado dela?

MICHEL: Não, o que ela tinha para me falar sobre o passado dela?

MADAME CLOTILDE: Nada, eu pensei que vocês já tinha conversado sobre isso, mas como eu já vi que não, não serei eu que contarei tudo á você.

MICHEL: Mas mãe, eu tenho todo o direito de saber.

MADAME CLOTILDE: Também acho, mas isso quem te que te dizer é ela e não eu. (corta a cena)

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TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

 

CENA XVI

(TARDE_ Delegacia- sela onde Antônio Dias está preso_ um carcereiro entra pelo corredor e o chama)

CARCEREIRO:Senhor Antônio Dias, visita para o senhor.

ANTÔNIO: (para o carcereiro) Devem ser meus filhos, eles vieram me ver e me tirar daqui.

CLÓVIS: Esquece isso prefeitinho, você vai apodrecer aqui.

ANTÔNIO: Isso é o que você pensa eu vou sair daqui e você ficará mofando nesse lugar fedorento e o pior, sem nem ao menos receber uma visita. (o Carcereiro o conduz á uma sala onde os prisioneiro recebem visitas_ Nela Mercedes o espera) Mercedes! Você meu amor.

MERCEDES:Sim, eu não iria te abandonar num momento como esse. (eles se sentam em cadeiras em volta de uma mesinha rustica, cada um de um lado)

ANTÔNIO: Eu sou inocente disso que está me acusando, eu nunca mexi com essas coisas, eu juro.

MERCEDES: Eu acredito em você e seus filhos também, o Fabiano já contratou um advogado para te ajudar a sair daqui.

ANTÔNIO: E por que eles não vieram me ver?

MERCEDES: Tanto o Fabiano como o Luciano estão ainda magoados com você, mas tenha paciência, irei convencê-los á vir te visitar, mas o mais importante você já tem que é a nossa confiança e nossa ajuda para ser inocentado dessa mentirada toda.

ANTÔNIO: Eu realmente sou inocente disso que estão me acusando, mas eu já fiz tanta coisa errada nessa minha vida, talvez  a maior delas tenha sido te trair e te trocar por aquela louca da Geralda.

MERCEDES: Ela sempre quis somente seu dinheiro Antônio, eu não, eu sempre te amei e, mesmo em silêncio, sempre estive ao seu lado.

ANTÔNIO: Se eu pudesse voltar á traz faria tudo diferente.

MERCEDES: Todo mundo diz a mesma coisa, mas o fato é que não podemos voltar á traz, mas podemos consertar os erros que cometemos e recuperar o que perdemos. Se você está realmente arrependido, quando sair daqui e você vai sair, tente recuperar sua relação com seus filhos, principalmente o Fabiano, que sofreu a vida inteira acreditando que não era amado por você.

ANTÔNIO: E quando á gente?

MERCEDES; Eu fui trocado por uma amante sua, mas nunca serei uma delas. Se você realmente estiver arrependido de ter me traído e trocado pela Maria da Putrificação, é simples, se separe dela, quem sabe assim a gente volte a ficar juntos novamente.

MÚSICA:My Immortal_ Evanescence

ANTÔNIO: Eu farei isso, eu farei tudo isso que você me disse, eu sou capaz de tudo para ter nossa família unida e feliz como fomos um dia.

(eles ficam se olhando, um segurando a mão do outro e se beijam_ corta a cena)

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CENA XVIII

(TARDE_ Fazenda de Clóvis Arruda_ várias cenas rurais cortando para a sede onde dentro da sala Lenita lê um livro com a cabeça nos momentos em que viveu com Lucas e Eduardo e Cacau se beijam sentando em uma poltrona_ Maria Eulália chega, fecha a porta e fica encostada nela desolada)

LENITA: Mãe, aconteceu alguma coisa?

MARIA EULÁLIA: Acabei de ter um discussão com o Quinzinho, acho que está tudo terminado entre a gente.

CACAU: Mas por que mãe, logo agora que a senhora está livre para ser feliz ao lado dele?

EDUARDRO: Desculpa me meter, mas o Quinzinho é realmente um cara incrível e perdidamente apaixonado pela senhora.

MARIA EULÁLIA; Eu sei Eduardo que ele me ama e é um cara incrível, e eu seu também filha que agora estou livre para ser feliz do lado dele, e é justamente esse o problema.

LENITA: Não entendi.

MARIA EULÁLIA: Pela primeira vez na minha vida estou podendo sentir o gosto de ser livre, de não estar sendo dominada e nem controlada por um homem. Poxa gente eu quero aproveitar isso, tirar esse tempo para me entender, resignificar minha vida, cuidar de mim como nunca pude e o Quinzinho insiste em querer se casar comigo agora, eu não tô pronta para isso.

LENITA: Esta certinha mãe, agora e hora da senhora se curtir e, principalmente, a aprender a pensar na senhora em primeiro lugar.

MARIA EULÁLIA: Eu estou pensando em passar um tempo em São Paulo, fazer uns cursos por lá, cuidar de mim, comprar umas roupas. (TODOS APLAUDEM)

LENITA: Ai mãe. É assim que se fala.

MARIA EULÁLIA: Filha, queria que vocês fossem comigo, não conheço nada por lá.

LENITA: Oba, agora que terminei com o Lucas mesmo, eu tô dentro.

MARIA EULÁLIA: E você Cacau, não vem com a gente?

CACAU: Ah não mãe, fiquei tanto tempo longe do Eduardo, eu não quero ir viajar e ficar longe dele agora.

MARIA EULÁLIA: Mas filha, eu não vou  ficar sossegada sabendo que você está aqui sozinha.

EDUARDO: Bom dona Maria Eulália, se a senhora não se importar a Cacau pode ficar lá em casa enquanto a senhora faz sua viagem.

MARIA EULÁLIA: Hum sei não, minha filha, ficando em sua casa, o povo pode maldar.

CACAU: Para com isso mãe, deixa esse povo falar, além do mais o que podia acontecer com a gente  já aconteceu á muito tempo. (ela e Lenita riem deixando Eduardo sem jeito)

MARIA EULÁLIA: Está certo filha, você fica na casa dele, assim pelo menos fico mais tranquila. (corta a cena)

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CENA XIV

(TARDE_ Fazenda de Antônio Dias_ interna_ escritório_ Luana está assinando alguns papéis e Maria da Purificação chega assustada)

LUANA: O que aconteceu mãe? Tá aí toda assustada parecendo que viu a noiva fantasma.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Filha, você não sabe o que aconteceu?

LUANA: Hum, deixa eu ver… O Antônio foi preso por liderar uma quadrilha de tráfico de drogas?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Como você sabe?

LUANA: Simples mãe, a líder, na verdade sou eu.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Filha! É você a líder essa quadrilha que acabou levando o seu próprio filho pras drogas?

LUANA: Sou sim mãe, isso que aconteceu com o Netinho foi só um acidente de percurso, o importante é que estou ganhando muito dinheiro com isso.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Mas como você sabe que o Antônio foi preso em seu lugar?

LUANA: Simples, quando o Alcir, que estava transportando a mercadoria, foi preso ligou para mim para saber o que fazer e eu o orientei a dizer que o líder era o Antônio, assim eu tirei o meu da reta e coloquei a do velho novamente. (elas riem) E ai vai lá visitar o coroa?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Eu? Ir numa cadeia? Jamé! Ele que apodreça por lá. (elas riem_ corta a cena)

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CENA XIX

(TARDE_ Praça da Bandeira onde Emanuelle e Lagartixa estão curtindo um beque e Bady Boy chega todo assustado)

EMANUELLE: O que foi Bady? Por que tá com essa cara? Parece que levou um corre dos homi.

BADY BOY: Ainda não, mas não vai demorar muito para isso acontecer.

LAGARTIXA: Do que você está falando Bady?

BADY BOY:: A nossa chefinha bateu um fio e disse para gente ficar ligeiro porque tinham pego o avião que tava trazeno os bagulho para gente vender.

EMANUELLE: Meu Deus e se eles acabarem chegando na gente?

LAGARTIXA: Ai meu Deus cristinho, eu não quero ir ver o sol nascer quadrado não.

BADY BOY: Acho melhor a gente dar no pé antes que eles cheguem na gente.

EMANUELLE: Vamos sim, mas não de mãos abanando. Vamos tirar tudo o que pudermos da chefinha, afinal ela está em nossas mãos e se a casa cair pra gente vai cair para ela também. (corta a cena)

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CENA XX

(TARDE   _ Casa de Patricia_ interna_ escritório_ Patricia entra no escritório e começa a vasculhar em tudo procurando uma resposta sobre o que ela havia conversado com Rodrigo, ela estava mais intrigada do que nunca com o fato da família de Patricia ter tanto dinheiro sem que ninguém trabalhe. Ela vai vasculhando em tudo até que na última gaveta da escrivaninha ela encontra vários extratos bancários com o dinheiro depositado por sua madrinha em seu nome e a documentação da casa, ela lê atentamente)

RITINHA: Essa casa está em meu nome. Ela é minha. (corta a cena)

 

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FINAL DO TRIGÉSSIMO SEXTO CAPÍTULO