Coração sertanejo: Capítulo 35_ Uma tempestade se aproxima

Coração sertanejo: Capítulo 35_ Uma tempestade se aproxima

Uma

 

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A dor é inevitável e o sofrimento consequência quando o coração se engana. Mas sempre se tira uma lição.

Edimar Luiz Müller

 

CENA I

(Inicia-se o capitulo com a prisão de Clóvis Arruda na casa de show)

CLÓVIS: (para Maria Eulália) Bati e bato de novo quantas vezes for preciso, você é minha mulher eu tenho esse direito. (fala para os policiais que vão algemá-lo) Nem pensem em encostar a pata suja de vocês em mim, eu sou Clóvis Arruda.

DELEGADO BALEIA : O Senhor pode até ser o presidente da república mas acaba de infringir a Lei número 11.340 de violência contra mulheres, sendo assim não adianta espernear, o senhor está preso. (a policia o algema)

MARIA EULÁLIA: Acabou Clóvis, acabou todo esse pesadelo que tenho vivido anos ao seu lado, acabou toda a violência, todo o desreito. Agora você vai apodrecer na cadeia que é o seu lugar.

CLÓVIS: (rindo irônicamente) Eu? Clóvis Arruda apodrecer na cadeia? Estamos no Brasil querida e aqui só existe prisão para pobre, preto e puta, gente como eu nunca fica preso. Eu voltarei e me vingarei de todos vocês.

(todos da casa de shows se manifesta vaiando-o em unisono e quando o policia o leva algemado todos batem palma)

POLICIAL: (para Maria Eulália) Enquanto meus amigos o levam para a delegacia irei até sua casa averiguar sua denuncia.

EDUARDO: Eu vou com vocês. (eles saem)

(Nesse momento Maria Eulália abraça forte Quinzinho e diz para o povo)

MARIA EULÁLIA:Bora dançar meu povo que hoje é dia de festa, hoje é dia de comemorar a minha libertação.

(todos se disolvem participando novamente do show e Maria Eulália beija Quinzinho enquanto Marília Mendonça recomeça a cantar a flor e o beija flor)

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CENA II

(NOITE_ Casa de Mercedes_ Interna_ ela está no sofá fazendo tricô enquanto Pardal e Fabiano dormem, alguém toca a campainha ela atende é Antônio)

MERCEDES: Antônio? O que você está fazendo aqui, uma hora dessas?

ANTÔNIO: (entrando na casa sem esperar ser convidado) Eu precisava muito conversar com alguém e dai me lembrei de você, aliás, há muito tempo eu venho pensando em você e lembrando do tempo em que éramos felizes.

MERCEDES: Felicidade que você destruiu, me mandando embora da nossa casa e colocando aquela cobra no lugar.

ANTÔNIO: Eu sei, hoje eu consigo enxergar o quanto errei com você e com os meninos, eu jamais poderia ter destruido a nossa família como eu fiz.

MERCEDES: É, mas como eu já te disse, é um pouco tarde para arrependimentos.

ANTÔNIO: Eu sei.

MERCEDES: Então, não insista nessa conversinha e vá embora.

ANTÔNIO: Por favor Mercedes, não me mande embora. Estou muito triste e  me sentindo muito sozinho. (pela primeira vez, Mercedes pode contemplar toda a humanidade e fraqueza daquele homem que, a vida toda, bancou a imagem de durão de homem firme e grosseiro)

MERCEDES: (sentando-o no sofá) O que aconteceu Antônio para você ficar desse jeito?

ANTÔNIO: Eu perdi tudo Mercedes, eu perdi tudo.

MERCEDES: Como assim perdeu tudo? Você quer dizer que está falido, que perdeu todas as suas fazendas e posses?

ANTÔNIO: Não Mercedes, isso ainda não, mas o fato é que eu sou tão pobre que só tenho dinheiro. Meus filhos e meus netos, que eu amo tanto, todos se afastaram de mim.

MERCEDES: Diga logo o que aconteceu homem? Bom o Fabiano está aqui e me contou a briga horrível que vocês tiveram por ele ter assumido a sua homossexualidade, mas e o Luciano e os meus netos?

ANTÔNIO: O Fabiano está aqui? Que bom! Eu estava muito preocupado com ele.

MERCEDES: Sim ele está e vai ficar morando aqui comigo, agora me diga o que aconteceu com o Luciano e os meus netos?

ANTÔNIO: A gente deve uma briga feia e eu acabei mandando ele embora de casa, dai ele foi e ainda levou meus netos, menos o Eduardo que quis ficar comigo.

MERCEDES: Mas homem, por que você mandou seu filho embora de casa ?

ANTÔNIO: Bom você viu todo o rebuliço que aquela mulherzinha dele fez na inauguração hoje não é?

MERCEDES: Sim, mas e dai? O que o Luciano tem a ver com isso? Eles não estão separados depois daquele escândalo no casamento dos dois?

ANTÔNIO: Que nada, além de ter perdoado todas as mentiras que ela contou para dar o golpe no baú, ele ainda teve a coragem de levar ela lá pra casa, depois de tudo o que ela aprontou na inauguração.

MERCEDES: Antônio, por conta de toda essa situação que você criou, infelizmente não convivo tanto assim com eles, mas pelo pouco que pude perceber ele realmente a ama, mesmo porque senão não teria perdoado ao que ela fez. Então meu querido, por mais que vocês dois tenham pensamentos diferentes precisam aprender a conviver pelo bem e felicidade do nosso filho. Agora, realmente, tocar ele de casa é um pouco demais.

ANTÔNIO: Eu sei Mercedes eu sei que eu errei, me deixei levar pela raiva, e fiz isso. Agora me sinto sozinho e percebo o estrago que fiz em minha vida.

(Nesse momento Fabiano chega na sala)

FABIANO: Pai

ANTÔNIO: Que bom filho que você está aqui com sua mãe, você simplesmente sumiu de casa e eu estava muito preocupado.

FABIANO: Para de falsidades, o senhor só se preocupa com poder e dinheiro, nunca foi capaz de me enxergar de verdade, toda a sua vida só foi em função do meu irmão e daquela mulherzinha que o senhor enfiou em casa, quando nós ainda éramos uma criança.

ANTÔNIO: Filho, eu sei que eu errei, errei muito com vocês. Mas estou arrependido

FABIANO: O senhor seria capaz de mandar aquela mulher e a filha dela embora? E principalmente, seria capaz de me aceitar como eu sou?

ANTÔNIO: Não.

FABIANO: Então por favor, vai embora. Durante minha vida toda eu esperei que o senhor realmente mudasse, ou que, simplesmente me olhasse e me desse um pouco de carinho, mas agora, depois de tudo o que aconteceu, não espero mais nada do senhor, a não ser a distância.

MERCEDES: O Fabiano está certo, é melhor você ir embora Antônio. (ele sai e corta a cena)

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Cena III

MÚSICA: On e Moment in time_ Whitney Houston

(NOITE_ Casa de show_ externa_ Maria Eulália e Quinzinho se beijam)

MARIA EULÁLIA: Meu amor, você não tem ideia de como eu sofri longe de você, acreditando que o Clóvis realmente havia lhe matado.

QUINZINHO: Desculpa meu amor, eu tive que fazer parte dessa mentira, foi a condição que ele me impôs para não fazer nada de mal á você. Eu não poderia deixar que ele fizesse algo contra você, então resolvi sumir por um tempo, só vim para a abertura porque acreditei que você não estaria aqui.

MARIA EULÁLIA: Tudo bem meu amor, eu acredito em você, sei do que o Clóvis é capaz e sei que você me ama e faria tudo para me proteger. (se beijam)

QUINZINHO: Vamos parar de falar dele, temos tanta saudades para matar.

MARIA EULÁLIA: Sim, meu amor, vamos deixar aquele covarde e criminoso para lá, agora ele está preso e eu livre.

QUINZINHO: Então Eulália, você vai mesmo pedir o divórcio para ele?

MARIA EULÁLIA: Claro, eu cheguei ao meu limite, não posso continuar convivendo com um homem daqueles e mais, vou querer minha parte na separação e um bom dinheiro de indenização. Quero deixar ele na lona.

QUINZINHO: Falando assim, até parece que você sente alguma coisa por ele ainda.

MARIA EULÁLIA: (rindo) deixa de ser bobo, eu não sinto nada por ele só quero o que é meu de direito e me vingar dele por tudo o que ele fez comigo e minhas filhas, eu tenho esse direito.

QUINZINHO: Bom, se é assim: já que você não sente mais nada por ele e vai pedir a separação, então a gente pode se casar. (corta a cena)

 

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CENA IV

MÚSICA: My Immortal_ Evanescence

(NOITE_ Uma rua deserta de Recanto Doce_ Antônio caminha tristemente, passos lentos, lágrimas em seu rosto, em sua cabeça passa os momentos felizes que passou com Mercedes e seus filhos, deseja ardentemente que eles estivessem ali, ao lado dele, naquele momento, se sente sozinho)

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CENA V

MÚSICA: Away in silence_ Creed

(NOITE_ Casa de show_ interna_ Lucas e Lenita, Luciano e Marcela, Michel e Chica Gaiteira, Netinho e Cecília estão dançando na pista, Rodrigo vai até a Ritinha a convida para dançar e ela aceita, então os dois começam a engrossar o grupo de casais que estão dançando na pista. Todo inseguro e tímido Alvinho também tira Clarinha para dançar, entre a dança Alvinho, muito timidamente, beija Clarinha que recebe e corresponde o beijo. Todos os casais então param de dançar e, ainda abraçados, ficam olhando eles se beijarem)

ALVINHO: Eu te amo Clarinha.

CLARINHA: Eu também te amo Alvinho. (ela o abraça e os dois continuam a dançar_ todos aplaudem_ corta a cena)

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CENA VI

MÚSICA DE TERROR

(Antônio começa a ouvir passos atrás dele)

ANTÔNIO: Quem está ai?… Responda: Quem esta ai?

(Sem ter resposta ele continua a caminhar e ouve passos novamente, olhando para trás vê um vulto branco cruzar a esquina por onde ele havia acabado de passar)

ANTÔNIO:  Quem está ai? Vamos apareça. Sou o prefeito e o homem mais rico dessa cidade, e estou mandando: apareça!

(nesse momento a noiva Fantasma surge na esquina por onde ela havia entrado)

NOIVA FANTASMA: Amor, é você?

ANTÔNIO: Ai meu Deuzinho, é a noiva fantasma.

NOIVA FANTASMA: Venha para os meus braços amor.

(Antônio sai em disparada _ corta a cena)

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PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

 

 

CENA VI

(NOITE_ Casa de shows_ interna_ Bar_ Dona Clotilde está tomando um uísque e Carmela chega, toda feliz, para conversar com ele)

CARMELA: E ai dona Clotilde, está feliz?

CLOTILDE: Claro filha. Olha isso aqui, o sonho do meu filho está concretizado, além disso minha casa agora passou á ser um lugar de reunião das famílias e não mais um lugar onde os maridos vinham para trair suas esposas.

CARMELA: Você merece dona Clotilde.

CLOTILDE: Obrigado filha, mas esse sorriso ai no seu rosto é só por causa da inauguração da casa? Não né?

CARMELA: Também é por conta da inauguração, mas, tenho sim um outro motivo para estar tão feliz.

CLOTILDE: Eu tinha certeza, assim como tenho certeza também que o motivo tem a ver com homem. Estou certa?

CARMELA: Está. Ai dona Clotilde, acho que encontrei o homem da minha vida, um verdadeiro príncipe encantado.

CLOTILDE: Cuidado Carmela, príncipes encantados não existem, e por detrás da máscara de bom mocinho pode haver um  cafajeste.

CARMELA: Ih tona Clotilde, tá me gorando é?

CLOTILDE: Claro que não minha querida, longe disso, eu quero muito que você seja feliz, só quero que você tome cuidado para não se iludir e acabar se machucando.

CARMELA: Pois tenho certeza que não. Falando nisso, olha meu príncipe chegando.

(Alcir se aproxima, cumprimenta rapidamente Clotilde e tira Carmela para dançar)

ALCIR: Por que a gente não vai para um lugar onde possamos ficar a sós?

CARMELA: E tem alguma ideia?

ALCIR: Vem comigo. (eles saem de mãos dadas sob o olhar desconfiado de Madame Clotilde)

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CENA VII

MÚSICA: Fica Louca_ Thaeme e Thiago com Gustavo Lima

(todos estão dançando com muito alegria e Maria Pureza e Cândida olhando de longe)

CÂNDIDA: Que poca vergonha isso tudo, antes o puteiro que só era frequentado por guengas e homens atoa, do que isso aqui, esse andro de pecado e o pior, repleto de gente de família.

PUREZA: Deixa de ser chata Cândida, já que estamos aqui vamos nos divertir. Aproveitar que a dona Maria da Purificação não está aqui. (um garçom passa por ali e ela pega um drinque)

CÂNIDA: Você vai beber Pureza?

PUREZA:  Eu vou, estou com muito calor. (deixa um pouco do drinque cair em sua blusa, permitindo assim, que se busto fosse visto) Ai que calor.

CÂNDIDA: Você não vai começar não Pureza, pelo amor de Deus.

PUREZA: Ih deixa de ser carola. Quer saber? Vou la dançar com todo mundo.

CÂNDIDA: Pureza espera.

(Pureza vai dançando no meio do povo que abre um círculo para vê-la, aos poucos ela vai tirando a roupa, fazendo um stripe tease e a galera se animando toda- Corta a cena)

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CENA VIII

(NOITE_ Casa Paroquial_ Interna_ Padre Santo está rezando diante de um pequeno altar e Padre Bento chega todo espavorido_ padre Santo se espanta pelo jeito dele e tenta acalmá-lo)

PADRE SANTO: O que aconteceu meu filho, pra você chegar desse jeito? Viu a noiva fantasma foi?

PADRE BENTO: Não padre, é bem pior.

PADRE SANTO: Então me diga o que aconteceu?

PADRE BENTO: Eu segui seu conselho e fui até a cachoeira do Riacho Alegre, fiquei lá pensando, orando e resolvi mergulhar naquelas águas para esfriar minha cabeça.

PADRE SANTO: Sim e daí?

PADRE BENTO: Dai padre que eu, ali, debaixo da cachoeira, completamente nu vi uma mulher de verdade.

PADRE SANTO: Meu Deus e quem era?

PADRE BENTO: Madalena, justamente a Madalena.

PADRE SANTO: E ela te viu pelado, peladinho, peladão?

PADRE BENTO: Sim padre e tem mais.

PADRE SANTO: Mais? Eu tenho até medo de perguntar o que foi que aconteceu com vocês dois, sozinhos, á noite, lá no meio do mato e o pior, você estando pelado.

PADRE BENTO: Se acalme padre, não aconteceu exatamente o que o senhor está ai maldando não, a gente só se beijou?

PADRE SANTO: Meu Deus! Vocês dois se beijaram?

PADRE BENTO: Sim e daí sai correndo para o estrago não ser ainda maior.

PADRE SANTO: Filho, você tem que encontrar uma forma de parar isso.

PADRE BENTO: E que forma padre? Se em todo os lugares que eu vou acabo encontrando com ela, se esse amor só faz crescer aqui dentro de mim?

PADRE SANTO: Acho que você deve voltar para o Rio de Janeiro, só lá, distante dela e dos lugares onde vocês se encontraram, você poderá colocar a cabeça no lugar e decidir o que você realmente quer para a sua vida, e principalmente, o que Deus quer.

PADRE BENTO: O senhor está certo padre, é isso mesmo que eu farei. (corta a cena)

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CENA IX

(Noite_ Fazenda de Clóvis Arruda_ interna_ quarto de Cacau que está dormindo_ ela acorda com o barulho da porta de seu quarto sendo arrombada, ela se assusta_ Eduardo entra com os policiais_ ele corre e a abraça)

CACAU: O que está acontecendo aqui?

EDUARDO: Acalme-se meu amor, está tudo bem.

POLICIAL: Seu pai agrediu sua mãe na frente de todo mundo, na festa de inauguração da casa de shows.

CACAU: Covarde. Até quando ele vai fazer tudo o quem vem fazendo, sem que nada aconteça com ele? Mas espere, o que isso tem a ver com o fato de vocês estarem aqui, invadindo meu quarto, quer dizer o lugar onde meu pai me mantinha em cativeiro?

POLICIAL: Sua mãe pediu a nossa ajuda e, como todos tinham presenciado a cena de violência, tivemos que prender seu pai, sua mãe, então, aproveitou e nos contou que você estava aqui, sendo mantida em cárcere privado por seu pai.

EDUARDO: Acabou meu amor, acabou o pesadelo. Agora você está livre e podemos viver nosso amor em paz.

CACAU: Até que enfim minha mãe resolveu agir e sair daquela condição de submissão toda.

EDUARDO: E tem mais, sua irmã conseguiu sair daquela clínica, pelo que entendi ajudada pelo Lucas, e forçou seu pai a aceitar o casamento deles e se comprometer a dar um fazenda de presente de casamento.

CACAU: Acho que estou sonhando. Eu e minha irmã soltas, livres e minha mãe, pela primeira vez, consegue deixar toda a submissão e agir contra o meu pai.

POLICIA: Bom, já verificamos que a denuncia de sua mãe era verdade e você estava mesmo em cárcere privado, mas agora que você está livre e pelo jeito em uma ótima companhia, vou deixar vocês á sós.

CACAU: Muito obrigado por tudo.

POLICIAL: Apenas fizemos a nossa parte. Com licença. (os policiais se retiram)

MÚSICA: Wherever You Will Go_ The Calling

(Eduardo  certifica-se que os policiais realmente foram embora e corre para os braços de Cacau)

CACAU: Meu amor, que saudades.

CACAU: Eu também meu príncipe. (eles se beijam e, deitando-se na cama, fazem amor_ corta a cena)

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CENA IX

MÚSICA: Crushin It_ Brad Paisley

(O dia amanhece, várias cenas da região se sucede na tela: imagem de pássaros, animais, os peões cuidando das fazendas, as primeiras casas da região urbana se abrindo para receber o calor do sol_ A câmera passa para um quarto de motel onde Alcir e Carmela estão deitados, depois de uma noite de amor_ o celular de Alcir toca, ele se levanta só de cueca e vai atender, deixando Carmela na cama, ele acredita que ela ainda está dormindo, na verdade ela havia acordado com o tocar do celular e resolve fingir que está dormindo para poder ouvir a conversa)

ALCIR: OI chefia, bom dia… mas você quer que eu vá buscar os bagulhos novamente? A eu não sei não eu estava afim de parar com esse negócio de ficar traficando drogas. Eu tenho medo que os cara me peguem e me  levem em cana. (…) Ta bem chefia, eu já vi que não tem jeito né? Não tem mais como voltar atrás, tudo bem eu vou hoje mesmo buscar a coca e amanha cedo estarei pousando ai para entregar pros guris. Agora por favor me deixe em paz.

CARMELA: Quem era amor?

ALCIR: Ah meu padrão querendo que eu busque uns documentos para ele em São Paulo hoje.

CARMELA: Então você vai viajar amor?

ALCIR: Sim vou hoje á tarde e amanhã mesmo eu retorno pros teus braços. (eles se se beijam e corta a cena)

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CENA X

(MANHÃ_ Sítio de Pai André_Pai André, Netinho e Cecília estão cuidando das ervas medicinais_ Fabiano chega e Netinho corre para abraçá-lo)

FABIANO: Que saudades filho. Como você está?

NETINHO: Eu estou bem pai e o senhor.

FABIANO: Como nunca estive, muitas coisas aconteceram filho,  desde que você veio morar aqui e eu vim para te contar tudo, mesmo não sabendo como vai ser sua reação, eu quero que você saiba de tudo o que aconteceu comigo e meus sentimentos e descobertas.

NETINHO: Do que você está falando pai? (corta a cena)

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CENA XI

(MANHÃ_ Carmela chega até a casa de madame Clotilde, todos já estão tomando o café e reparam o horário que ela está chegando)

MADAME CLOTILDE: Isso são horas de chegar Carmela?

CARMELA: Desculpa dona Clotilde mas passei a noite com o Alcir.

MADAME CLOTILDE: E como vocês estão?

CARMELA: Estamos bem, mas eu escutei uma conversa com ele no celular que achei muito estranho. Será que podemos conversar á sós sobre isso? (corta a cena)

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SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

 

 

CENA XII

(MANHÃ_ Casa de Madame Clotilde_ quarto de Clotilde_ ela e Carmela estão conversando)

MADAME CLOTILDE: Então você escutou o Alcir falando isso, com alguém, pelo celular?

CARMELA: Sim dona Clotilde e eu fiquei muito preocupada, passando umas coisas aqui na minha cabeça, mas eu não posso aceitar que o Alcir esteja envolvido em algo errado.

MADAME CLOTILDE: Sinto muito filha, mas pelo que pude perceber na conversa, ele está sim.

CARMELA: Será que ele está envolvido com tráfico de drogas?

MADAME CLOTILDE: Sim Carmela, acho que é isso mesmo. E ai, você vai denunciá-lo?

CARMELA: Não sei dona Clotilde, preciso pensar muito bem. (corta a cena)

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CENA XIII

(MANHÃ_ Sítio de Pai André_ interna_ cozinha onde Netinho e Fabiano conversam enquanto tomam uma xícara de café)

NETINHO: Então quer dizer que o senhor saiu de casa e está morando com a vó Mercedes? Que noticia boa pai, o senhor já devia ter feito isso há muito tempo, falo por mim mesmo, sair daquela casa, ficar longe da vó Maria e principalmente da minha mãe foi uma bênção para mim, hoje eu sou um outro homem.

FABIANO: Estou vendo filho e fico muito feliz por isso.

NETINHO: Eu também estou vendo que toda essa mudança tem feito muito bem ao senhor. Mas por que o senhor disse que não sabia como seria a minha reação?

FABIANO: Por que não é só isso filho, eu não mudei só de casa, mas muitas coisas mudaram dentro de mim, coisas que eu na verdade sempre tive e sempre senti mas nunca tive a coragem de aceitar para mim mesmo.

NETINHO: Do que o senhor está falando pai?

FABIANO: Filho, eu estou apaixonado por outra pessoa.

NETINHO: E por que o senhor acha que eu reagiria mal á isso? Eu, mas do que ninguém sei a forma como minha mãe sempre te tratou, sei que você nunca foi amado de verdade por ela, mas merece, merece muito ser amado e feliz e se essa pessoa, seja quem for ela, te ama e te faz feliz, claro que tem o meu apoio.

FABIANO: Mesmo se for outro homem filho?

NETINHO: Espera, o senhor quer dizer quê…

FABIANO: Eu sou homossexual filho e eu estou apaixonado pelo Vitinho, aquele peão que trabalhava lá na fazenda do seu avó.

(Netinho fica em silêncio, digerindo e tentando entender o que acabou de ouvir de seu pai)

FABIANO: Diga alguma coisa filho, nem que seja para me xingar, brigar comigo, mas fale alguma coisa.

NETINHO: Calma pai, essa é noticia que me pegou de surpresa e difícil de entender e aceitar de pronto.

FABIANO: Eu sei filho, me perdoe, me perdoe por não ser como você queria que eu fosse, por te dar essa decepção. (vai saindo)

NETINHO: Espere pai.Eu sim é que não sou como senhor queria, sou cheio de defeito, fraco, e dependente de drogas.

FABIANO: Não fale assim filho.

NETINHO: Mas é verdade pai, eu estou lutando, lutando muito para deixar esse maldito vício e ser um dia o homem que o senhor sonhou que eu fosse, mas o fato é que mesmo sendo desse jeito, mesmo quando eu estava no fundo do poço, mergulhado na lama do vício o senhor, ainda assim me aceitou, me amou e me apoiou. Eu não tenho o direito de agir diferente com o senhor, mesmo porque, ao contrário de mim, o senhor não teve escolha, além do que não fez nada de errado, apenas ama uma pessoa do mesmo sexo. Mas e dai? O senhor não vai, por causa disso, deixar de ser o pai que eu tanto amo, respeito e admiro.

FABIANO: Você me aceita então como eu sou?

NETINHO: Aceitar o que pai? Eu não tenho nada que aceitar ou deixar de aceitar, o senhor não é melhor ou pior por ser como é (se abraçam) mas uma coisa eu exijo, eu faço questão.

FABIANO: O que filho?

NETINHO: Procura o Vitinho, vai ser feliz com seu amor, o senhor merece. (eles se abraçam e corta a cena)

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CENA XIV

(MANHÃ_ Fazenda Poconé_ interna_ sala_ Luciano, Rodrigo e Bastião estão conversando animadamente)

LUCIANO: E então amigo, quais são os seus planos para essa fazenda? Agora que estamos morando aqui queremos te ajudar a cuidar dela.

BASTIÃO: Muito obrigado amigo, na verdade eu estava pensando em plantar pés de frutas, para variar um pouco, afinal aqui na região ou se cria gado ou se planta cana.

LUCIANO: Bom amigo, claro que a decisão é sua, mas eu se fosse você  investiria em gado, afinal com ele o lucro é certo.

RODRIGO: Por que o senhor não planta cana de açúcar para vender á usina da cidade vizinha?

(nesse instante Cidinha e Marcela entram)

CIDINHA: Trouxe bolinhos de chuva para ajudar a descer o café.

LUCIANO: Hum, que saudades da sua comida, principalmente dos seus bolinhos de chuva.

MARCELA: Muito me admira você Rodrigo, uma agrônomo formado indicar o cultivo da cana de açúcar!

LUCIANO: Por que você diz isso Marcela?

MARCELA: Porque com certeza, ele sendo agrônomo, sabe melhor do que eu os prejuízos que o cultivo de  cana de açúcar traz á terra, aliás todo tipo de monocultura traz grandes prejuízos á terra, por isso acho que vocês três estão errados e que deveríamos testar algo novo.

RODRIGO: Você está certa Marcela, mas o que você sugere?

MARCELA: Eu sugiro uma policultura e uma agricultura natural.

BASTIÃO: Como assim Marcela? Tudo misturado?

MARCELA: Poderíamos intercalar os tipos de produtos cultivados, assim, não seria necessário o uso de veneno, o que claro, faria nossos produtos terem um diferencial no mercado, acelerando as vendas.

BASTIÃO: Mas muié, desse jeito os bicho vão comer tudo nossa prantação.

RODRIGO: Não Bastião, a Marcela está certa, com a plantação orgânica não precisamos usar venenos porque criaríamos um sistema onde um tipo de plantação protegeria a outra.

BASTIÃO: Mas nem um adubinho a gente pode usá?

MARCELA: Claro que pode Bastião, mas esse adubo pode ser feito com aquilo que a própria fazenda nos oferecer.

LUCIANO: Como assim?

RODRIGO: Adubo orgânico, feito com  resíduos de frutas colhidas nas arvores da fazenda, esterco de gado criado aqui mesmo e até mesmo mato.

MARCELA: E até mesmo a comida do gado pode ser conseguido com os resíduos da fazenda.

CIDINHA: Além disso, eu e a Marcela podíamos, no final de semanas, servir uma alimentação caseira, bem coisa da roça mesmo, tenho certeza que encheria de gente.

CLARINHA: Que bom ideia Cidinha, eu também quero ajudar.

MARCELA: A proposta Clarinha é justamente essa, todos se unirem e um ajudar o outro, por exemplo o que usaríamos nessa alimentação podia ser extraído da própria fazenda.

BASTIÃO: Muito ajeitada essa ideia, mas vamo precisa de dinheiro né? E eu não tenho mais.

LUCIANO: Amigo, isso não é problema, tenho uma reserva no banco que dá para financiar tudo o que precisarmos.

RODRIGO: Eu também tenho pai.

LUCIANO:Vamos ter também que contratar empregados.

MARCELA: Não, empregados não.

LUCIANO: Mas nós não vamos dar conta de tudo isso sozinhos.

MARCELA: Claro que não, mas eu penso em dividir essa terra em partes e entregar aos trabalhadores, metade do que eles produzirem ali eles entregam para que possamos cobrir os gastos e nos manter, claro sem muito luxo, e a outra parte fica para eles, para que eles façam o que bem entender.

LUCIANO: Adorei essa ideia Marcela, essa é minha mulher. (ri _ corta a cena)

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CENA XV

MÚSICA: Smallville Five For Fighting

(MANHÃ_ Sítio de Inaiê_ Gabriel está cuidando do gado_ Patricia chega)

GABRIEL: O que você quer aqui Patrícia?

PATRICIA: Conversar com você.

GABRIEL: Sinto muito, mas não temos nada para conversar, tudo que tínhamos para falar um para o outro já foi dito.

PATRICIA: Eu te amo, não me trate assim?

GABRIEL: E como você quer que eu trate você? Como se deve tratar uma mulher que quer casar com outro cara e ter a mim como amante?

PATRICIA: Eu pensei que você tivesse uma mente um pouco mais aberta, não fosse assim tão tosco e grosseiro.

GABRIEL: Pois eu sou, sempre fui. Agora se você me der licença eu não nasci em berço de ouro como o seu amorzinho não, tenho que ralar e ralar muito para chegar onde eu quero, então com licença.

MÚSICA: Unconditional Love_ Susanna Hoffs

(pega seu cavalo e sai puxando-o deixando Patricia sozinha, ela chorando vai embora no caminho seu salto quebra e ela pisa em um momento de fezes de vaca_ corta a cena)

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CENA XVI

(MANHÃ_ Casa paroquial_ padre Santo está em oração e Maria da Purificação chega assustando-o)

PADRE SANTO: Creio em Deus Pai, você chega assim do nada, quase tenho outro ataque do coração.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Não vai ter ataque nenhum antes de dar um jeito nesse padreco, que tá aqui cometendo um pecado atrás do outro e manchando a moral e bons costumes dessa paróquia.

PADRE SANTO: Passa o tempo e você não muda hein dona Maria da Purificação! Sempre cuidando da vida dos outros, sempre cheia de veneno e maldade.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Agora a errada sou eu?

PADRE SANTO: Você, aliás todo mundo deveria se preocupar com a sua própria vida e sua salvação e deixar a dos outros em paz. O que os outros fazem ou deixam de fazer é entre eles e Deus.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Escuta aqui seu padre: guarde esse seu sermão para dar um jeito naquele padre fornicador. Ele sim precisa de ficar escutando sermão para ver se escapa do fogo do inferno.

PADRE SANTO: Não é só ele não que precisa escapar do fogo do inferno, tem gente aqui que está caminhando, alias correndo cada dia mais em direção para lá.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Isso foi uma indireta para mim?

PADRE SANTO: Indireta nada, foi uma direta mesmo, para você deixar a vida dos outros em paz e olhar para seus próprios pecados.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Pecado eu? Mas eu lá tenho pecado? Sou uma mulher pura e santa.

PADRE SANTO: Ah sim, e modesta também.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Chega, chega de enrolação quero saber quais providencias o senhor já tomou em relação ao herege que atende pelo nome de Bento.

PADRE SANTO: Aconselhei ele á ir embora, ficar longe daqui um pouco  para pensar na vida e em suas atitudes.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Só isso? Nenhum castigo, nenhuma punição á esses hereges? O senhor poderia mandar queimá-los numa fogueira no centro da cidade.

PADRE SANTO: Dona Maria da Purificação, onde a senhora pensa que está? Na Idade Média?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Pois por mim, mandava todos para a fogueira: esse padreco, essas pecadoras da casa da Madame Clotilde, a macumbeira, a filhinha adotiva dela.

PADRE SANTO: Cala a boca Maria da Purificação e me deixa em paz, senão eu é que vou te mandar para a fogueira, mas não é da Inquisição não, é do inferno mesmo. Sai daqui anda. (ela sai _ corta a cena)

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CENA XVII

(MANHÃ_ Praça da Cidade_ Carmela está voltando do mercadinho, com uma sacola e encontra Alcir, sua esposa e dois filhos pequenos)

CARMELA: Alcir. Quem é essa mulher?

ALCIR: (meio sem jeito e com medo) Oi Carmela

ESPOSA: Eu sou a esposa dele, e esses são nossos filhos, eu que pergunto: que mulherzinha é essa Alcir para ter tanta intimidade com você.

CARMELA: Esposa?! (corta a cena)

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TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

 

CENA XVIII

ALCIR: Espere Carmela. Eu posso explicar.

CARMELA: Guarde essa sua explicação fajuta para a sua esposa, seu canalha. (lhe da um tapa) Eu não preciso de explicação nenhuma a única coisa que eu preciso é que você suma da minha frente.

ESPOSA: Alcir, agora que eu estou me lembrando, essa ai é uma das mariposas da Madame Clotilde. (Lhe dá outro tapa) Você andou se engraçando pro lado dela é seu safado.

CARMELA: Ele disse que estava apaixonado por mim, que queria namorar comigo, me fez de idiota. Mas pode deixar o dele vem vindo, e ele não perde por esperar. (ela sai deixando o casal brigando para trás)

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CENA XIX

MÚSICA: I Stardet a joke by

MANHÃ_ Várias cenas do centro da pequena cidade de Recanto Doce_ a câmera filma um pequeno escritório, Luciano entra ele carregando Marcela no colo

MARCELA: Lu, que lugar é esse?

LUCIANO: (colocando-a no chão) eu comprei esse escritório há alguns anos atrás, como forma de investimento sabe? Mas acho que tenho um destino melhor para ele.

MARCELA: Qual Lu?

LUCIANO: Lembra daquilo que te falei na cadeia?

MARCELA: Sobre a gente investir nosso tempo e nossa energia, não para evitar a construção da barragem, mas para diminuir o impacto social e ecológico causado por ela?

LUCIANO: Exato meu amor. (entrega as chaves do escritório para ela) Esse escritório agora te pertence. Será aqui que vamos traçar todos os projetos para preservarmos a memória e a natureza da região do Riacho Alegre e também lutar para que os moradores de lá, que irão perder suas terras, sejam realocados para terras cedidas pela prefeitura com a mesma extensão e fertilidade.

MARCELA: Meu amor, eu não to acreditando.

LUCIANO: Gostou?

MARCELA: Eu amei, mas muito mais do que do escritório, eu gostei de saber que posso contar com você nessa luta.

LUCIANO: Claro que pode meu amor, eu estarei sempre do seu lado. (se beijam) Inclusive estou pensando em pedir para o Rodrigo, que é formado em agronomia, e para o Netinho, que entende muito de botânica, para identificar o tipo de solo daquela região para exigirmos algo parecido junto ao meu pai.

MARCELA: Parece que estou vivendo um sonho. Eu nunca fui tão feliz em toda a minha vida, como estou sendo agora. Eu te amo.

MÚSICA: I Stardet a joke by

( eles vão se beijando até deitarem no chão e ali fazem amor, numa entrega total de duas almas que se amam e se completam até mesmo na busca pelo mesmo ideal_ corta a cena)

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CENA XX

(HORA DO ALMOÇO_ Sítio de Pai André_ ele, Cecília e Netinho estão almoçando quando escutam bater na porta)

CECÍLIA: Será que é alguém precisando de ajuda?

PAI ANDRÉ: É sim, é seu pai e a Marcela, que vieram pedir ajuda ao Netinho.

NETINHO: Á mim?

CECÍLIA: Como o senhor sabe?

PAI ANDRÉ: Vai lá atender. (Cecília se levanta e vai atender a porta é Luciano, Rodrigo e Marcela)

CECÍLIA: Pai! O senhor. (lhe abraça e depois olha admirada para Pai André)

LUCIANO: Filha, que saudade. (fala para os demais)  Desculpa gente atrapalhar o almoço.

PAI ANDRÉ: Imagina! Que atrapalhar o quê? Pessoas de bom coração como vocês, são sempre muito bem vindos aqui em minha casa. Sente-se. Já almoçaram?

LUCIANO: Na verdade não, estávamos na rua, vendo umas coisas para uma ONG que vamos abrir.

PAI ANDRÉ: Então almocem com a gente, não é muito requintado como o senhor é acostumado a comer mas é feito com muito amor, e pela sua própria filha.

RODRIGO: Bom se foi a mana que fez eu vou querer comer sim, estou morrendo de saudades dela e da comidinha que ela faz. (vão se servindo)

PAI ANDRÉ: Mas o que exatamente o senhor quer com o Netinho?

LUCIANO: (espantado) Como o senhor sabe que viemos conversar com ele?

CECÍLIA: Ih Pai, nem queira saber, o pai André é cheio das mandingas, mas nunca conta nada pra gente.

MARCELA: Sei bem como é Cecília. (eles riem)

LUCIANO: Bom Pai André, como o senhor já sabe, então, viemos mesmo conversar com o Netinho, precisamos de uma ajuda dele.

PAI ANDRÉ: (olhando para Netinho) Não te falei.

NETINHO: Mas uma ajuda minha? Logo minha.

RODRIGO: Claro primão, quem mais entende de plantas como você?

LUCIANO: Como eu disse eu e a Marcela estamos fundando uma ONG com o objetivo de tentar, na medida do possível, fazer uma reserva florestal com as mesmas especies de plantas e animais que existem na região do Riacho Doce e para isso precisamo conhecer o solo e o tipo de vegetação que temos por lá, por isso pensamos em você.

RODRIGO: Eu vou pesquisar o solo da região para ver em que lugar devemos fazer essa reserva e também para exigir diante da prefeitura que ela entregue aos moradores de lá, lotes de terras, com a mesma extensão que eles possuíam e com a mesma fertilidade.

MARCELA: Então Netinho, podemos contar com a sua ajuda?

NETINHO: Que pergunta Marcela? Claro que podem, fiquei apaixonado pelo projeto de vocês.

LUCIANO: Vamos precisar também de você em outra coisa.

NETINHO: Diga meu tio.

LUCIANO: Eu acabei me desentendendo com seu avô e fui embora da fazenda dele, estamos morando na fazenda que eu ajudei o Bastião a comprar.

MARCELA: Estamos com o projeto de criar ali uma cooperativa onde faremos uma plantação orgânica. Você com certeza já deve ter ouvido falar não é?

NETINHO: Sim claro, estudei muito sobre isso com o objetivo de implantar esse projeto lá na fazenda Aliança, mas depois percebi que era um sonho impossível porque meu avô nunca aceitaria uma mudança dessas.

RODRIGO: Pois é primão, mas vamos fazer na fazenda Poconé e para isso precisamos estudar o solo e que tipo de plantação seria ideal para aquele lugar. Você aceita?

NETINHO: Eu aceito sim, mas com uma condição.

LUCIANO: Qual meu filho?

NETINHO: Eu vou trabalhar dois dias da semana na ONG e dois dias na fazenda, o restante quero estar aqui para ajudar o Pai André na suas plantações.

PAI ANDRÉ: Não precisa filho, eu cuido de tudo, pode deixar.

NETINHO: Eu faço questão.

LUCIANO: Tudo bem, acho muito bacana a sua ideia, está aceita.

(eles cumprimentam_ nesse momento Pai André começa a passar mal)

MÚSICA: Nirvana_ El bosco

CECÍLIA: O que foi Pai André?

(Pai André vê uma grande nuvem escura e pesada, ela se abre e ele pode ver que ela está indo em direção á casa de Antônio, juntos dessa nuvem uma forte tempestade com raios e trovões)

PAI ANDRÉ: Estou vendo uma grande tempestade vindo em direção á sua casa Luciano, vocês precisaram ser fortes e principalmente, você precisa acreditar e estar ao lado do seu pai nesse momento.

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CENA XXI

MÚSICA: Poeira_ Sérgio Reis

(passa-se várias cenas da pequena cidade de Recanto Doce: Marcela trabalhando na ONG ela para e beija Luciano que está observando-a. Padre Santo e Padre Bento conversam na casa paroquial. Os peões da fazenda Aliança de Antônio Dias cuidando do gado, passa ele sozinho, triste, sentado em uma cadeira de balanço, Netinho e Pai André, num clima de muito amor e cumplicidade cuidam das plantações de Pai André_ CENAS NOTURNAS: Pessoas saindo da missa, pessoas se divertindo na casa de show enquanto Michel e Chica Gaiteira se beijam, Mercedes cuidando de Pardal)

(Manhã_ surge na tela escrito: “Na manhã seguinte”

MÚSICA: A good time to travel

(O avião de Antônio Dias pilotado por Alcir aterriza em sua pista particular, nesse momento uma viatura da policia federal vai ao encontro da aeronave)

ALCIR: Meu Deus, deu ruim. É os homem! (ele aciona uma alavanca no avião para tentar levantar voo)

POLICIAL: (de dentro da viatura) Ele vai levantar voo.

DELEGADA MARÍLIA: (que estava dirigindo a viatura) Ah mas não vai mesmo. Quer ver?

(ela acelera a viatura batendo contra a ave do avião, impedindo a decolagem, ela dá um cavalo de pau com a viatura e, junto de mais 4 policiais federais, cercam a aeronave)

DELEGADA MARÍLIA: Desce, anda desce, perdeu. O avião está cercado e não tem como você fugir.

(Alcir desce com as mãos na cabeça_ Corta a cena no olhar assustado de Alcir)

(a cena congela e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

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FINAL DO TRIGÉSIMO QUINTO CAPÍTULO