Coração sertanejo: Capítulo 34 – Virando a mesa

Coração sertanejo: Capítulo 34 – Virando a mesa

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“Mulheres são como pétalas de rosas, forte para sobreviver nos espinhos e sensível demais para morar com vento.

Amanda Camargo

 

CENA I
(FINALZINHO DE TARDE_ Fazenda de Antônio Dias_ Interna_ Sala de estar, onde toda a familia está reunida_ Luciano chega com Marcela)
ANTÔNIO: O que essa mulherzinha está fazendo aqui, na minha casa?
LUCIANO: Como assim pai: O que ela está fazendo aqui? Eu e ela fizemos as pazes, o senhor já sabe disso.
ANTÔNIO: Que você é um otário, com vocação para virar corno, isso eu já sei, infelizmente eu sei, o que eu quero saber é o que essazinha está fazendo aqui, depois de tudo o que ela armou lá na cachoeira.
LUCIANO: Nós também já conversamos sobre isso pai, e o senhor sabe muito bem que eu também não concordo com o absurdo que é a construção dessa usina.
ANTÔNIO: O que você acha ou deixa de achar eu não me interesso, o que eu quero é que essa mulherzinha, que fez você de gato e sapato, vá embora daqui e não volte nunca mais.
LUCIANO: Agora chega pai, até agora eu estava conversando com o senhor em paz, mas eu não vou permitir que você tente colocar a Marcela para fora dessa casa que ainda é minha.
ANTÔNIO: Sua nada, essa casa é minha e se você quer tanto ficar com ela a ponto de se colocar contra o seu pai, então pegue suas coisas e vá embora também. (corta a cena)

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CENA II
(TARDEZINHA_ Igreja_ interna_ Casa paroquial_ Padre Santo e Bento estão conversando)
PADRE BENTO:Me perdoe padre Santo, eu sei que estou errado me deixando levar pelo desejo da carne, por ter me apaixonado por essa mulher, eu não queria, eu juro que eu não queria, mas quando me dei por mim eu já estava totalmente apaixonado por ela.
PADRE SANTO: Se acalme meu filho, eu não sou ninguem para te jugar. Só você e Deus podem entender o que vai em seu coração.
PADRE BENTO: Me ajude Padre Santo, eu te imploro, me ajude, eu não sei o que fazer, cada dia que passa eu me apaixono mais por aquele ser angelical, é um sentimento, uma força que me invade e toma conta de todo o meu ser.
PADRE SANTO: Em horas como essa, o que temos que fazer é nos afastar de tudo, procurar um lugar onde você possa ouvir apenas á Deus e você mesmo. Por que você não vai dar uma volta, tentar espairecer a cabeça para depois tomar a decisão mais acertada?
PADRE BENTO: Tem razão Padre santo, eu vou dar um volta, procurar o contato com a natureza e ouvir, através dela, o que Deus tem para me dizer.
PADRE SANTO: Vá sim filho, vai te fazer bem.
PADRE BENTO: A Bênção Padre, vá com Deus. (eles se abraçam e corta a cena)

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Cena III
MÚSICA: She dont love you_ Eric Paslay
(PÔR DO SOL_ Fazenda de Antônio Dias, varias passagens rurais_ Colônia dos Peões_ casa onde Lucas está com Lenita_ eles estão sentandos na cama se beijando apaixonadamente)
LUCAS: Fiquei sabendo que hoje, o Michel vai inaugurar uma casa de shows aqui na cidade.
LENITA: Mas onde ele conseguiu dinheiro para isso?
LUCAS: Parece que o seu pai financiou tudo.
LENITA: Então eles estão numa boa. (fica pensativa)
LUCAS: Sim, parece que sim. Eu até ia te chamar para a gente ir lá, vai ter um show com a Marília Mendonça, mas não podemos né? Temos que ficar escondidos aqui.
LENITA: Podemos sim, podemos e vamos.
LUCAS: Mas com certeza o seu pai vai estar lá.
LENITA: Por isso mesmo.
LUCAS: Não entendi.
LENITA: Já está mais do que na hora de eu voltar a botar o terror na vida dele, e hoje é o dia ideal para isso.
LUCAS: Mas ele pode te mandar de volta para a clínica.
LENITA: Eu duvido, eu já tenho tudo aqui na cabeça, não tem como falhar.
LUCAS: O que você tá pensando em fazer hein?
LENITA: Você vai ver, aguarde e confie. (corta a cena)

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CENA IV
(PÔR DO SOL_ Casa de Inaiê_ Inaiê está cuidando de umas costuras)
MÚSICA: Nirvana_ Elbosco
(Inaiê sente uma pontada no peito, suas vistas começam a ficar ofuscadas e ela vê a imagem de Marcela e Luciano chorando)
INAIÊ: Oh meu pai Ogum. Protege minha menina de todo o mal que a cerca, proteja-a de toda a maldade de toda a inveja e não deixe que os erros e males do passado atrapalhe sua felicidade e sua missão. (corta a cena)

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CENA V
LUCIANO: Como que é pai? O senhor está me enxotando de minha própria casa? È isso mesmo?
LUANA: Calma paizinho, o senhor não precisa tomar uma atitude tão enérgica dessas.
LUCIANO: Muito obrigado Luana, mas não preciso que ninguém me defenda. (para Antônio) Responda meu pai: É isso mesmo? O senhor está me mandando embora de casa?
ANTÔNIO: Eu estou sofrendo muito com tudo isso Luciano, você não tem ideia de como eu te amo meu filho, mas se você insiste em ficar do lado dessa garota e se colocar contra mim, não tenho mais o que fazer. Estou sim te mandando embora de casa e te tirando do comando das minhas fazendas.
MARCELA: A culpa é minha Luciano, eu vou embora.
LUCIANO: Nós vamos, você, meus filhos e eu. (corta a cena)

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PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

 

CENA VI
ANTÔNIO: Nada disso, se você quiser ficar do lado dessa mulherzinha e ir embora com ela vá, mas meus netos ficam.
RODRIGO: Eu não fico, eu sempre estive e sempre estarei ao lado do meu pai, se ele foi expulso dessa casa eu não tenho mais o que fazer aqui. Vou arrumar minhas coisas agora mesmo. (sobe as escadarias)
CLARINHA: Eu também vou, nunca que vou deixar meu pai sozinho. (também sobe)
EDUARDO: Pois eu não vou.
LUCIANO: Como é que é Eduardo?
EDUARDO: Isso mesmo pai, se o senhor quis brigar com meu avô por causa desssa biscatinha, o problema é seu. Eu irei ficar aqui do lado do meu avô pois concordo com ele em tudo o que está fazendo.
MARCELA: Até em colocar o seu pai para fora de casa?
EDUARDO: Sim, pois foi ele que escolheu se colcar contra sua familia e ficar do seu lado. A culpa de tudo isso é sua.
LUCIANO: Eu não estou acreditando no que estou ouvindo: Você vai ficar contra mim? Você ai me abandonar?
EDUARDO: Foi o senhor que abandonou sua familia bem antes disso, quando resolveu viver esse romance rídiculo com essa garota.
LUCIANO: Pois muito bem filho, faça como você quiser. Você já é maior de idade e eu não tenho como te forçar a ir comigo, mas espero que um dia você perceba todo erro que está cometendo  e o quanto injusto você está sendo. (Corta a cena)

 

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CENA VII

MÚSICA: ser o seu herói
PÔR DO SOL_ A cena acontece inicialmente dentro do avião que pertence á família de Antônio Dias, ele está sendo pilotado por Alcir que leva Carmela para conhecer a aeronave num voo sobre a cidade, em determinado momento, Alcir aterriza o bimotor em uma clareira, os dois descem trocando beijos, ele então a deita ali na relva e tirando-lhe a roupa faz amor com ela_ Corta a cena

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CENA VIII
MÚSICA: Unconditional Love_ Susanna Hoffs
(INÍCIO DA NOITE_ Casa de Patrícia- interna_ seu quarto, onde, chorando, ela se lembra de Gabriel e do término do relacionamento_ sua mãe chega no quarto)
MARIA EFIGÊNIA: Oi filha, posso entrar?
PATRÍCIA: Já entrou né?
MARIA EFIGÊNIA: Você está chorando filha?
PATRICIA: Eu chorando? (finge que ri) Imagina.
MARIA EFIGÊNIA: Está sim, não minta para mim.
PATRICIA: Quer saber mãe? Eu estou sim chorando, estou sofrendo muito porque o Gabriel não quer mais saber de mim.
MARIA EFIGÊNIA: Graças a Deus, agora você está livre para recuperar o Rodrigo.
PATRICIA: A senhora escutou o que ele lhe disse? Eu estou sofrendo muito, e a senhora ainda dá graças a Deus porque agora posso recuperar o Rodrigo.
MARIA EFIGÊNIA: Claro, afinal de contas o que esse matuto tem para te oferecer? Meia duzia de gados e um sítio.
PATRICIA: E daí mãe? E dai? Eu te garanto que seria muito mais feliz com ele nesse sitiozinho cuidando dessa meia duzia de gado do que ao lado do Rodrigo, com todo o dinheiro que ele pode me oferecer.
MARIA EFIGÊNIA: Você está louca menina?
PATRICIA: Louca não mãe, estou cansada, cansada dessa vida que a senhora quer que eu tenha, desse objetivo que a senhora traçou para mim de ser rica, sem se preocupar se era isso mesmo que eu queria.
MARIA EFIGÊNIA: Agora vai bancar a santinha? A desinteressada?
PATRICIA: Não eu não vou fingir nada, eu tenho sim minha ambição, mas estou cansada de sufocar meus sentimentos, de agir sem pensar nos outros, sem ter noção de certo ou errado, tudo para me casar com um homem que eu não amo. Sou ambiciosa sim, mas é do lado do Gabriel que eu queria construir tudo o que sonho, e de uma forma digna, não passando por cima de tudo, por cima dos sentimentos das pessoas e até do meu próprio sentimento.
MARIA EFIGÊNIA: Você nem seja louca de querer desistir de tudo agora, pelo amor de Deus, o futuro de nossa família está em suas mãos, precisamos garantir uma boa grana, caso um dia a idiota da Ritinha descubra toda a verdade.
PATRICIA: Está vendo mãe? A senhora é a grande responsável pela pessoa mesquinha e desprezível que me tornei? A senhora quer colocar nos meus ombros uma responsabilidade que não é minha, um peso que não é meu e para isso me convenceu a ser do jeito que eu sou. Mas agora estou farta, farta. (sai do quarto batendo a porta, deixando sua mãe preocupada)

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CENA IX
(INICIO DA NOITE_ Sítio de pai André_ interna_ ele, Netinho e Cecília estão conversando em volta da mesa, enquanto jantam)
PAI ANDRÉ: Ainda não entendi, como você descobriu que aquela planta seria a mais indicada para o menino da Isaura.
NETINHO: Meu sonho sempre foi ser botânico, desde que me conheço por gente estudo com muito amor e dedicação as plantas, principalmente as da nossa região e já sabia que aquela planta tinha o poder curativo e cicatrizante.
MÚSICA: Nirvana_ El bosco
(nesse momento Pai André tem uma visão, ele vê Netinho, alguns anos mais velho, envolvido de pessoas e ele, ajudando-as com orações, palavras de conforto e plantas medicinais, como o próprio pai André faz)
CECÍLIA: Pai André… Pai André está tudo bem?
PAI ANDRÉ: Sim filha, está tudo bem, aliás nunca estive tão bem e tão feliz.
NETINHO: E por que toda essa felicidade amigo?
PAI ANDRÉ: Por que minhas preces foram ouvidas e você estão aqui, a presença de vocês me deixa assim feliz. (abraça Netinho e uma lágrima cai em seus olhos molhando sua já cansada face)

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CENA X
(NOITE_ Fazenda de Clóvis Arruda_ interna_ cozinha_ Maria Eulália está fazendo a janta e Clóvis chega)
CLÓVIS: Dona encrenca, se arrume que vamos sair depois da janta.
MARIA EULÁLIA: Sair? Para onde?
CLÓVIS: Hoje é a inauguração da casa de shows do meu filho, e nós vamos prestigiar.
MARIA EULÁLIA: Você está louco é para fazer campanha politica, que eu te conheço.
CLÓVIS: Também, claro que não vou perder a oportunidade.
MARIA EULÁLIA: Pois saiba que eu não vou á lugar nenhum com você.
CLÓVIS: Como é que é? Que marmotagem é essa dona Encrenca?
MARIA EULÁLIA: Depois de tudo o que você fez com nossas filhas, com o Quinzinho e comigo, você ainda quer que eu vá nessa inauguração com você fingindo a família feliz?
CLÓVIS: Exatamente, meus eleitores vão adorar ver a gente juntos e pensar que somos a família que eles sonham em ser mas nunca conseguiram.
MARIA EULÁLIA: Eu não vou, já te disse, não consigo ser tão falsa e hipócrita á esse ponto.
CLÓVIS: Você está esquecendo do que te falei não é? Que caso você não voltasse a ser uma esposa dócil e obediente quem pagaria por sua rebeldia seria uma de suas filhas.
MARIA EULÁLIA: Você teria coragem de fazer alguma coisa contra elas, só porque me recusei a ir nessa festa com você?
CLÓVIS: Você quer mesmo pagar para ver?
MARIA EULÁLIA: Claro que não, está bem: eu vou nessa porcaria com você. (corta a cena)

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CENA XI
(NOITE_ Fazenda de Antônio Dias_ interna_ sala onde estão todos reunidos, sendo que Luciano, Rodrigo, Clarinha e Jasmim está prontos para irem embora)
LUANA: Lu, não vá embora, senta e conversa com seu pai. Tenho certeza que vocês irão se entender.
LUCIANO: Para mim, a única forma da gente se entender, seria se ele pedisse desculpas para a Marcela e aprendesse á respeitá-la.
ANTÔNIO: (rindo) Mas isso eu não vou fazer nunca.
LUCIANO: Eu já esperava isso de você, então não tem outro jeito, irei embora.
ANTÔNIO: Filho….
LUCIANO: O que foi pai?
ANTÔNIO: Nada não, vai com Deus. (ele não responde nada apenas vai embora_ corta a cena)

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SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA XII
(NOITE_ Casa de Mercedes_ ela está jantando com seu filho Fabiano e Pardal)
MERCEDES: Filho, eu estou adorando ter você aqui comigo, mas seu pai e sua mulher devem estar preocupados, será que não seria hora de você voltar?
FABIANO: Duvido eles se quer lembrarem que eu existo, na verdade mãe eu estava pensando em ficar morando aqui. Posso?
MERCEDES: Claro filho, vou adorar ter você aqui comigo. (fala para Pardal) Filho você já terminou de jantar?
PARDAL: Sim mãe.
MERCEDES: Então vai brincar um pouco lá fora que tenho que ter uma conversa aqui com seu irmão.
PARDAL: Tudo bem. (ele sai)
FABIANO: De onde você tirou esse menino mãe?
MERCEDES: Ele vivia na rua, pedindo esmola, sem pai e nem mae, dai resolvi criá-lo.
FABIANO: E a senhora já reparou em um coisa?
MERCEDES: Que ele é a cara do seu irmão quando era criança? Sim já sim, até seu pai já percebeu, mas agora eu não quero falar sobre o Pardal e sim sobre você.
FABIANO: Sobre mim?
MERCEDES: Sim filho, uma conversa franca e aberta entre mãe e filho. Me diga uma coisa: Essa sua decisão de se separar da Luana e vir morar aqui comigo, tem alguma relação com aquele peão?
FABIANO: Como assim mãe, eu não to entendendo aonde a senhora está querendo chegar com essa prosa.
MERCEDES: Então eu vou ser mais clara: Você está se separando da sua esposa para poder ficar com ele? É isso filho? (corta a cena)

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Cena XIII
MÚSICA: Poeira _ Sérgio Reis
(NOITE_ Fazenda de Bastião_ Luciano com Marcela, Rodrigo, Clarinha e Jasmim chegam de caminhonete e param na frente da porteira)
LUCIANO: Bom chegamos.
RODRIGO: Que lugar é esse pai?
LUCIANO: É a fazenda que o Bastião comprou, e tenho certeza de que nossos amigos, não vão se recusar nos dar abrigo, pelo menos por essa noite.
MUSICA: A thousand Years
(Marcela desce do carro e comtempla demoradamente o lugar, em sua mente vem lembranças dos dias em que esteve acampada ali com seus pais, lembra-se dela criança brincando com Gabriel, lembra-se de sua mãe colocando-a para dormir, de seu pai brincando e cuidando dela, sem poder resistir, lágrimas insistentes jorram de seus olhos, ela chora em silêncio numa mistura de alegria, saudade e dor_ Nesse momento Ângelo e Mírian surge ao lado de Marcela, sorrindo emocionados, apoiam sua filha)
CLARINHA: O que foi Marcela? Algum problema?
MARCELA: De modo algum, apenas estou emocionada de estar nesse lugar. (corta a cena)

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CENA XIV
MÚSICA: Experiencia Religiosa_ Enrique Iglesias
(NOITE_ Cachoeira do Riacho Alegre_ Padre Bento, apenas com uma leve calça branca e descalço, caminha por aquele lugar e em sua mente surgem flash do sorriso e do olhar de Madalena, o beijo que trocaram. Ele então tira a sua calça e adentra as águas daquele rio e tenta afogar esses pensamentos_ Nesse momento, coincidentemente, Madalena, que está fugindo de Clóvis, passa por ali e tem sua atenção chamada para aquela cena onde Padre Bento, nu, se banha nas águas daquela cachoeira, alheio á tudo e acreditando estar sozinho. Ela então, completamente seduzida pela imagem de seu desejo, fica ali observando. Padre Bento observa um barulho entre os arbustos e um vulto então, pergunta)
PADRE BENTO: Quem está ai? Vamos me diga: Quem está ai?
(Madalena então vai saindo detrás do arbusto e ele a identifica, mergulha nas águas da cachoeira, saindo já nas margens, sai da água, recolhe sua calça, nesse momento Madalena já está defronte á ele, e assim, em silêncio, eles se deixam levar pelo desejo e se beijam apaixonadamente_ Padre Bento então, interrompe o beijo)
PADRE BENTO: Eu não posso fazer isso, eu não posso. (sai correndo deixando ela ali sozinha_ corta a cena)

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CENA XV
MUSICA: From This Moment On_ Shania Twain
(NOITE_ Fazenda de Antônio Dias_ interna quarto de Luana)
(Luana está deitada em sua cama, chorando_ Maria da Purificação chega sem que ela perceba, se senta na cabiceira da cama)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Luana
LUANA: Mãe
MARIA DA PURIFICAÇÃO: O que houve? Você deveria estar feliz depois que aquela guenguinha foi enxotada daqui de casa pelo Antônio.
LUANA: Feliz mãe? Será que a senhora não percebeu o que está acontecendo?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Do que você está falando?
LUANA: Do Luciano mãe, ele preferiu abrir mão dessa casa, da adminstração das fazendas, tudo para ficar ao lado daquela mulherzinha mãe. Eu nunca vi uma prova de amor assim.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Ah filha, não fique assim. Quem sabe agora que o Luciano está longe daqui, sem as mordomias e luxos que ele estava acostumado ele não caia na real, abandone aquela mariposa e volte para casa e perceba que você é a mulher perfeita para ele?
LUANA: A senhora acha mãe?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: E por que não filha?
LUANA: Porque ele não é assim tão apegado ás mordomias e á riqueza, ao contrário, ele é um homem simples, do mato, e o pior, depois de hoje eu tenho certeza que ele a ama e nunca sairá de perto dela.
(Luana Chora e Maria da Purificação a consola, deitando sua cabeça em seu peito)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Isso quer dizer que você vai desistir do Luciano? Vai tirar seu time de campo?
LUANA: (levantando-se daquela posição) Isso nunca mãe, eu vou ter o Luciano, nem que para isso eu tenha que apelar e acabar com aquela ordinária assim como acabei com a Yasmim, mas se o Lu não for meu ele não será de mais ninguém. (corta a cena)

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CENA XVI
(NOITE_ Casa de shows “Casa Sertaneja” de Michel. Ele está recepcionando todos os convidados na porta da boate com muita alegria, os convidados vão chegando, e se posicionando do lado de fora, próximo á porta de entrada onde uma faixa vermelha impede a entrada dos mesmos e sinaliza que antes haverá uma cerimônia de inauguração_ Michel, com um microfone, chama a atenção de todos)
MICHEL: Boa noite, meus queridos amigos. Hoje é um dia muito especial para mim e para toda a cidade de Recanto Doce que, a partir de hoje, terá um lugar saudável e familiar para se divertirem e passar horas de lazer e descontração. Claro, estou falando da minha casa de shows Casa Sertaneja, um grande sonho meu deste a infância que, só foi possível graças á ajuda  de um grande homem de nossa cidade, o fazendeiro e politico Clóvis Arruda á quem chamo para dar algumas breves palavras.
CLÓVIS ARRUDA: Boa noite cidadãos de Recanto Doce é com enorme prazer que estou aqui na inauguração dessa casa de shows que marcará o início de uma nova história em nossa cidade que,  continuará a crescer e se desenvolver graças á pessoas visionárias como meu filho Michel que, inclusive se candidatará á vereador, nas próximas eleições e de pessoas como eu que apostam na cidade, que lutam de sol a sol para, de forma honesta e generosa levar o bem á todos.
(os convidados todos aplaudem_ Nesse Momento Lenita e Lucas chegam e ela toma o microfone da mão de Clóvis e começa a falar)
LENITA:Isso mesmo meu povo, a nossa cidade e minha família. é o que é. graças á esse homem honesto, digno bondoso que vos fala.
CLÓVIS: O que você está fazendo aqui? Você devia estar na clínica. (corta a cena)

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TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

 

 

CENA XVII
LENITA: Ele é um homem tão bom e honesto que assassinou o meu ex noivo, trai e violenta constantemente a minha mãe, me internou em uma sanatório e pelo que sei, está mantendo minha irmã presa em casa, em cárcere privado.
CLÓVIS: O que você está fazendo sua louca?
LENITA: Mas claro, isso tudo é passado. Agora ele é um homem bom de verdade, que trata todos de forma igualitária e ama sua familia, não é papai? (lhe dá um beijo) Tanto é que me tirou daquele sanatório e permitiu que eu me casasse com o seu próprio peão: O Lucas. Vem aqui amor, para o povo te ver.
(acanhando Lucas vai até lá e Clóvis prostesta)
CLÓVIS: Que história é essa de você se casar com esse peãozinho?
LENITA: Não é papai? Fala ai como o senhor está feliz em ver que sua filha vai se casar com seu peão e que irá dar uma fazenda para ele.
CLÓVIS: O quê? Eu dar uma fazenda para ele?
LENITA: Não é verdade papai? O senhor não está feliz com meu casamento com seu peão e vai dar uma fazenda para ele? Ou será que todos nós estamos enganados e o senhor acha o Lucas inferior por ser seu peão? Lembre-se esse povo todo aqui, a maioria são peões e empregadas domésticas. Acho que eles não vão gostar nada nada de descobrir isso?
CLÓVIS: Eu não acredito que você está fazendo esse jogo comigo.
LENITA: Então papai. O que esse povo todo pode acreditar: que o senhor é um homem bom, justo e que trata todo mundo de forma igual, ou que o senhor não ama sua família e que se sente superior á toda essa gente?
CLÓVIS: Claro que para mim todos são iguais, seja fazendeiros ou peões.
LENITA: Então o senhor vai dar a fazenda para ele não é? E permitir meu casamento? O senhor Antônio Dias com certeza faria isso.
CLÓVIS: Ta bem eu permito esse casamento.
LENITA: E também vai dar a fazenda para ele não é? Afinal de contas, o senhor, como homem generoso que é, vai querer ajudar seu genro a começar a sua vida não é?
CLÓVIS: Ta bem, eu dou uma fazenda para o meu querido genro.
LENITA: Estão vendo meus amigos: como o meu pai é um homem bom. Ele acaba de prometer uma fazenda para o meu amor na frente de todos vocês, assim como ele vai cumprir essa promessa, ele irá cumprir todas as que fizer para vocês, afinal ele é um homem de palavra, não é papai?
CLÓVIS: É… claro.
LENITA: Bom era isso que eu queria dizer, boa noite meu povo. (se afasta deixando Clóvis sem reação e palavras)
CLÓVIS: Bom. Já perdemos tempo demais com esse falatório todo vamos para festa.
(ele corta a fita e todo mundo entra na casa de show, deixando para trás Clóvis, Lenita e Lucas)
LENITA: Foi um prazer te reencontrar papai. (ela também entra e ele fica do lado de fora_ corta a cena)

 

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CENA XVIII
A antiga casa de Madame Clotilde estava totalmente transformada. Logo na entrada é possivel escolher dois ambientes em estilos rusticos, um do lado esquerdo e outra do lado direito, onde as pessoas podem se sentar e beber ou comer alguma coisa enquanto assistem as apresentações. O Piso de madeira, muito bem lustrado, em um amplo salão de dança, conduz os visitantes até o palco que sendo um pouco elevada possui um requintado e moderno jogo de luz e uma eficiente aparelhagem de som que dá suporte aos melhores e grandes shows que a casa possa apresentar._ Todos os convidados estão espalhados pelo salão, em pequenos grupos ou famílias, conversando amenidades quando a banda começa a tocar e a grande cantora Marília Mendonça, saindo da coxia começa o seu show cantando a MUSICA “A Flor e o beija flor”. Nesse momento Maria Eulália olha ao longe e vê, adentrando a casa, Bem te vi e Quinzinho, seu coração dispara, um misto de alegria e surpresa invadem seu coração, ela sem pensar muito em suas próprias atitudes, deixa Clóvis entretido com o show e caminha em direção ao seu grande amor que o vê ao longe e, ignorando o perigo, também se aproxima dela, até que eles se encontrem, carinhosamente Maria Eulália passa a mão pelo rosto de Quinzinho certificando-se de que não se trata de uma miragem ou uma aparição paranormal.
MARIA EULÁLIA: Quinzinho, é você mesmo meu amor?
QUINZINHO: Sim claro, por quê?
MARIA EULÁLIA: O Clóvis me disse que havia lhe matado.
QUINZINHO: Ele me ameaçou mesmo, mas me deixou ir com a promessa de que nunca mais se reaproximaria de você.
MARIA EULÁLIA: Meu amor, você não tem ideia de como eu sofri todo esse tempo, acreditando que havia te perdido para sempre.
QUINZINHO: Mas eu estou aqui, e estarei sempre aqui do seu lado. Eu te amo.
(Maria Eulália nada responde apenas o beija demoradamente, saciando a saudade da presença e dos lábios de seu grande amor. Nesse momento Clóvis se aproxima e pega os dois no flagra)
CLÓVIS ARRUDA: Que marmotagem é essa bem debaixo do meu nariz? (corta a cena)

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CENA XIX
(NOITE_ Casa de Mercedes_ ela está conversando com seu filho Fabiano sobre sua separação com Luana)
FABIANO: Que conversa mais esquisita é essa mãe?
MERCEDES: Filho, você não precisa mentir para mim. Eu sempre soube que você era homosexual, sempre reconheci a sua essencia.
FABIANO: Mas mãe, por que então a senhora nunca me disse nada?
MERCEDES: E o que você queria que eu te dizesse?
FABIANO: Sei lá por que nunca brigou comigo? Como fez o meu pai quando descobriu?
MERCEDES: Na verdade o seu pai também sempre soube, ele só não queria aceitar, afinal de conta ele foi criado de uma forma diferente, numa epoca diferente, para ele é dificil aceitar que tem um filho homossexual, mas eu, mesmo sendo criada na mesma época, eu sou mãe, e amor de mãe é um amor incondicional filho, eu te aceito, te respeito, te admiro e te amo indepedente de sua sexualidade.
FABIANO: Eu nem sei o que te dizer.
MERCEDES: Não precisa dizer nada, alías você nunca precisou dizer nada, eu entendo o que acontece ai dentro de você somente olhando em seu olhar. Só quero que você saiba que nada vai mudar o que sinto por você meu filho, que você pode contar comigo para sempre e para tudo.
(chorando eles se abraçam_ corta a cena)

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CENA XX
MUSICA: Casinha Branca_ Roberta Campos
(NOITE_ FAZENDA DE ANTÔNIO DIAS- Interna- sala da casa onde Antônio Dias está sentado sozinho em uma cadeira de balanço, Eduardo e Luana haviam ido á festa, Maria da Purificação estava dormindo em seu quarto alheia á dor que seu marido sentia naquele instante. Na verdade, Antônio nunca antes havia se sentido tão sozinho, a ausência de seus filhos era uma dor dificil para aquele velho coração suportar, como se não bastasse ele não conseguia tirar Mercedes de seu pensamento. Ele então se lembra de quando os seus filhos eram crianças e ele chegava cansado das comitivas e era recebido carinhosamente por seus filhos e por Mercedes que junto á ele formava uma família humilde mas imensamente feliz)
ANTÔNIO: (chorando) O que eu fiz com minha vida? O que fiz com a familia que Deus me deu? Se eu pudesse voltar a tras e começar tudo de novo, sem tanta sede de poder e de dinheiro, sem ter me deixado levar pelos encantos de Geralda, talvez até hoje seríamos uma familia feliz que um dia fomos. Mas o que fazer se o tempo não pode voltar? Se eu ainda conseguisse passar por cima do meu orgulho e procurar meus filhos, dizer-lhes da falta que eles me fazem, de como eu os amo, demonstrar todo carinho e afeto que eu nunca soube oferecer á eles, mas eu não consigo, o meu orgulho, esse meu orgulho idiota não me deixa, então só me resta a dor da saudade e da solidão.
(nesse momento Maria da Purificação desce as escadas, vestido uma camisola que tampava todo o seu corpo, ela vê Antônio ali, sentando em sua cadeira de balanço, ela fica um bom tempo observando-o: nem de longe se assemelhava àquele homem forte, poderoso com quem ela um dia se envolvera, era apenas um idoso cansado, arrependido dos seus erros e fatigado com os pesos de seus pecados)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: O que foi homem? Por que está ai desse jeito?
ANTÔNIO: Nada muié, me deixe vai. (limpa o rosto tentando esconder de Maria, que estava chorando)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Você está chorando? Eu nunca te vi chorando nessa vida.
ANTÔNIO: Estou com saudades mulher. Saudades dos meus filhos, dos meus netos.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Agora você só tem um filho Antônio: a Luana, essa sim sempre esteve ao seu lado e te ama de verdade, agora aqueles outros lá, que são filhos daquela uma, só sabem te dar desgosto, esquece eles vai.
ANTÔNIO: Você conseguiria esquecer e deixar de amar a Luana?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Claro que não, minha filha é a coisa mais importante que eu tenho nessa minha vida, nunca me esqueceria dela.
ANTÔNIO: Pois então? Por que pede para que eu esqueça os meus filhos? Eu os amo independente de como eles sejam ou do que tenham feito, mesmo porque, nessa história toda, quem mais errou foi eu. (levanta-se para sair de casa)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: E você vai sair de casa uma hora dessas homem?
ANTÔNIO: Vou, preciso pensar um pouco na vida. (corta a cena)

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CENA XXI
(NOITE_ Casa de Shows_ interna_ Clóvis acaba de pegar sua mulher aos beijos com Quinzinho)
C LÓVIS: Você não tem vergonha nessa sua cara hororosa não? Me trair na minha frente e todos os meus eleitores?
(todos ali presente fazem uma grande roda deixando no meio Clóvis, Maria Eulália e Quinzinho e ficam observando toda a cena).
MARIA EULÁLIA:Quem é você para me dizer de traição, para me cobrar fidelidade? Quantas e quantas noite você não me deixou sozinha em casa, para ir se deitar com as guengas que moravam aqui antes? Nem quando tive minhas filhas você estava por perto, me deixava sentindo as dores do parto para vir para cá e só voltava no dia seguinte quando eu já tinha dado á luz. Você me traiu, me espancou, me maltratou todos esses anos.
CLÓVIS: Cala a boca sua infeliz. (lhe dá um tapa fazendo a cair no chão_ Lenita e Lucas correm para socorrê-la)
MARIA EULÁLIA: Todos aqui acabaram de ver você me agredindo. (chama os policiais que estavam por ali cuidando da segurança) Policia, prendam esse homem. Ele acabou de me agredir e todos você viram isso, além disso ele mantêm, sua pópria filha, lá em casa, em carcere privado.
DEELEGADO BALEIA: Sinto muito senhor Clóvis Arruda, mas sua mulher está certa, você acaba de cometer um crime ao espancar sua mulher na frente de todos, terei que te levar preso.
(a polícia,mesmo temendo pelo fato de Clóvis ser um homem poderoso, o algema)
MARIA EULÁLIA: É seu fim, senhor Clóvis Arruda, você vai para a cadeia que é seu lugar e eu vou entrar na justiça com o pedido de divórcio e exigindo tudo o que me pertence. Eu vou acabar com você.
(corta a cena_ final do capitulo)

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(a cena congela e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

FINAL DO TRIGÉSIMO QUARTO CAPÍTULO