Coração sertanejo: Capitulo 33 – A luta por um ideal

Coração sertanejo: Capitulo 33 – A luta por um ideal

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CENA I

(Inicia –se o capitulo com o momento em que Luana entra na frente do carro para defender Clarinha_ Luana é atropelada caindo, desacordada, do outro lado do carro. Marcela e Clarinha correm para socorrê-la)

EMANUELLE: (no banco do carona do carro)Você atropelou a nossa chefa, seu animal?

BADY BOY: E agora?

EMANUELLE: Acelera o carro e foge. (Bady Boy acelera o carro e saem em disparada)

MARCELA: Luana! Luana! Como você está?

CLARINHA: Tia, tia fala com a gente.

MARCELA: Ela está desacordada, vou ligar para o hospital. (ela pega o celular na bolsa e liga pedindo ajuda, nesse momento Luciano chega)

LUCIANO: Gente, o que foi isso? Eu estava la na sorveteria só escutei o barrulho.

MARCELA: Um homem veio com seu carro, igual doido pra cima de mim e da Clarinha, mas a Luana surgiu não sei de onde e pulou na frente do carro para defender a Clarinha e acabou sendo atropelada.

LUCIANO: Meu Deus. (se aproxima de Luana) Luana, Luana….

MARCELA: Ela está desacordada Lu, mas já liguei para o hospital, irão mandar uma ambulância para socorrê-la.

LUCIANO: Não seria melhor a gente colocá-la no carro e levar para o hospital ao  invés de ficarmos esperando a ambulância.

MARCELA: Melhor não Lu, nós não saberiamos como fazer isso direito e poderíamos acabar prejudicando ainda mais, vamos ter paciência, a ambulância está chegando.

LUCIANO: E vocês conseguiram pelo menos anotar a placa?

MARCELA: Que nada Lu, o carro estava sem placa, até parecia que não queria mesmo ser identificado.

(nesse momento a Ambulância chega e recolhe Luana, levando-a, toda imobilizada para o hospital)

LUCIANO: Que Deus a proteja.

CLARINHA: Ela fez isso para me defender, para me salvar.

MARCELA: Realmente, eu nunca pensei que ela seria capaz de uma atitude dessas. (corta a cena)

 

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CENA II

(TARDE_ Rodrigo volta á casa de Patrícia)

PATRÍCIA: Rodrigo.

RODRIGO: Oi Patricia, posso entrar?

PATRICIA: Claro, você veio ver a largatixa espinheta?

RODRIGO: Se você se refere a Ritinha como a largatixa espinheta, não eu não vim aqui para vê-la, mas sim para conversar com você. (Patricia fica toda feliz)

PATRICIA: Pode falar meu amor, o que foi? Mudou de ideia não é isso? E veio aqui para dizer que me quer de volta, que vai deixar aquela coisa hororrosa da Ritinha e que voltaremos a ser felizes novamente?

RODRIGO: Nada disso. Eu vim para saber o que você disse á Ritinha que a fez terminar comigo?

PATRICIA: Ah ela terminou com você é? Que noticia maravilhosa.

RODRIGO: Me diga logo: O que você disse á ela para que ela tomasse essa decisão?

PATRICIA: Eu só disse a verdade meu amor, que você estava com ela mas que é a mim que você ama, que é a mim que você deseja que só estava com ela para me atingir.

RODRIGO: Você não tinha o direito de fazer uma coisa dessas.

PATRICIA: Mas por quê? Se é a mais pura verdade.

RODRIGO: Não, isso não é verdade, eu não estava com ela para te atingir, estava com ela porque sei que ela é a pessoa certa para ficar ao meu lado e me fazer feliz.

PATRICIA: Fale a verdade Rodrigo, nem você acredita nessa sua ladainha, então para de negar seus verdadeiros sentimentos e desejos, eu sei que você me ama.

RODRIGO: Não, eu não te amo.

PATRICIA: Você pode até tentar enganar a zonza da Ritinha com esse papinho, sua boca diz uma coisa, mas no fundo eu sei que ela quer outra coisa. (vai se aproximando dele, cheia de charme e sedução)

MÚSICA: Unconditional Love_ Susanna Hofs

RODRIGO: E o que ela quer?

PATRICIA: Isso

(Patrícia o beija, ele no inicio reluta mas se entrega ao sentimento que ainda nutre por ela e a beija com desejo e paixão_ Nesse momento Ritinha, saindo da cozinha, vê a cena fica triste e sai_ corta a cena)

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CENA III

(TARDE            _ Fazenda de Antônio Dias_ interna_ Maria da Purificação está sozinha em casa, sentada em uma poltrona e Antônio chega)

ANTÔNIO: OI amor, o que faz ai sozinha?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Ah e esse povo para em casa? Tão tudo para a rua.

ANTÔNIO: Que bom então que estamos sozinhos.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Bom por quê?

ANTÔNIO: Lembra que você tinha me dito que, eu só viria a jiripoca piar, quando eu fechasse a casa de Madame Clotilde?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Claro que lembro, e o tempo passou e você não fez nada para fechar aquele andro de perdição.

ANTÔNIO: Engano seu, foi dificil, mas eu consegui fechar aquele estabelecimento.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Sério?

ANTÔNIO: Claro amor.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Que noticia maravilhosa, eu vou agora mesmo contar para a Cândida e para a Pureza.

ANTÔNIO: (segurando-a, levemente, pelo braço) Não antes de cumprir sua parte da promesa.

MÚSICA: my Immortal _ Evanescence

(nesse momento ele a beija, os dois começam a trocar beijos e carinhos cada vez mais quentes, em um determinado momento Antônio olha para Maria da Purificação e vê nela o rosto de Mercedes)

ANTÔNIO: Mercedes,meu amor, eu sempre te amei.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Do que você me chamou seu fidumaégua?

ANTONIO: De Maria ué. Não é esse o seu nome?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: É sim seu desgracento, mas você me chamou foi de Mercedes.

ANTÔNIO: Eu?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Você sim senhor e ainda disse que sempre amou aquela desmilinguida.

ANTONIO: Não amor, acho que você deve ter ouvido errado.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Agora vai me chamar de surda também é? (pega um vaso e joga na cabeça dele) Some daqui seu traste, vai lá atras da sua Mercedes, aquela desmilinguida. (ele sai correndo) Era só o que me faltava viu.

(nesse momento seu celular toca e ela atende)

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Oi Luciano, tudo bem? Aconteceu alguma coisa? (pausa) O quê? Minha filha foi atropelada e está no hospital? Vou agora mesmo para ai? (ela desliga o celular e sai_ corta a cena)

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CENA IV

(TARDE_ Luciano, Marcela e Clarinha estão no hospital esperando noticias de Luana)

LUCIANO: Essa demora está me matando, já faz mais de meia hora que eles adentram com a Luana e até agora nem noticia.

MARCELA: Acalme-se amor, vai ficar tudo bem.

CLARINHA: Vai sim pai, precisa ficar, senão vou sofrer pra sempre de remorso.

LUCIANO: Não fale isso filha, remorso por quê?

CLARINHA: Era para mim ser atropelada não ela, ela está aqui porque quis me proteger.

MARCELA: Realmente Clarinha, ela só está aqui porque quis te proteger, mas então você tem que ser grata á ela por essa atitude e não ficar com remorso porque você não teve culpa de nada, o culpado foi aquele louco que a atropelou.

CLARINHA: Pai, o senhor lembra do que a Jasmim disse ontem, após acordar de um pesadelo?

LUCIANO: Sim filha.

CLARINHA: Ela havia previsto que isso iria acontecer, que eu seria atropelada e isso só não aconteceu porque a tia Luana entrou na frente.

MARCELA: Isso não me surpreende, a minha menina é realmente um anjo, um ser especial.

(nesse momento o médico aparece para lhes dar noticias de Luana)

LUCIANO: E então doutor, como a minha cunhada está?

DOUTOR: A Luana escapou por pouco, parece milagre, mas ela só teve algumas escoriações pelo corpo e quebrou a perna, mas tirando isso está tudo bem.

MARCELA: Graças Deus.

LUCIANO: Posso ir vê-la?

DOUTOR: Sim claro, venha comigo. (Luciano segue o médico_ corta a cena)

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CENA V

(TARDE_ Clóvis Arruda chega á casa de Madame Clotilde)

MICHEL: (assustado com a chegada do pai) Pai, o que senhor faz aqui?

CLÓVIS: Que cara é essa menino? Até parece que não gostou de me ver.

MICHEL: Não pai, não é isso, só que o senhor me pegou de surpresa.

CLÓVIS: Eu estava passando por aqui perto e resolvi entrar para ver como está a reforma e buscar a Kauane. Falando nisso, onde ela está? (corta a cena no rosto assustado e preocupado de Michel)

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PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

 

 

CENA VI

(TARDE_ Casa de Madame Clotilde_ Clóvis que, de surpresa havia chegado para ver a obra e buscar a flha pergunta dela)

CLÓVIS: E então filho, cadê a sua irmã?

(nesse momento Cacau desce as escadas com Eduardo, ele está fantasiado de mulher e Clóvis não o reconhece)

CACAU: O que foi pai? Eu estava lá em cima, conversando com minha amiga?

CLÓVIS: E agora você anda fazendo amizade com guengas.

EDUARDO: (fantasiado de mulher) Olha como fala comigo, heim!

MADAME CLOTILDE: Ela não é guenga, ela é minha sobrinha que veio ajudar na reforma.

CLÓVIS: E qual o nome de sua desgracença?

EDUARDO: Ed… Quer dizer… Edwirges.

CLÓVIS: Que pena que você não é uma das mariposas de sua tia, adoraria ser seu cliente. (lhe dá um tapa na bunda)

EDUARDO: Que isso? Tenha mais respeito com isso, sou uma menina de família.

CLÓVIS: Que pena. (fala com Cacau) Mas então filha, vamos?

CACAU: Sim pai, vamos.

MICHEL: E será que ela pode voltar amanhã?

CLÓVIS: Não sei não, essa menina ainda está de castigo.

CACAU: Ah deixa pai, tô gostando tanto de ajudar aqui na reforma.

CLÓVIS: Tudo bem, mas só se seu irmão me prometer ficar de olho em você.

MICHEL: Claro pai, por favor, permita que ela volte amanha, a ajuda dela é muito importante, não é Edwirges?

EDUARDO: Claro Michel.

CLÓVIS: Está bem Michel, passe lá em casa amanha para buscá-la.

MICHEL: Pode deixar pai, obrigado. (Clóvis e Cacau vão embora)

EDUARDO: Ufa, essa foi por pouco.

MICHEL: Mas como vocês ficaram sabendo que ele estava aqui?

CHICA GAITEIRA: Assim que vi o Clóvis chegar eu corri para avisá-los e arrumei essa roupitcha para o Eduardo. (ela ri)

MICHEL: E como disse o meu pai: Até que daria uma boa mariposa. (todos riem_ corta a cena)

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CENA VII

MÚSICA: Poeira_ Sérgio Reis

(surgem várias cenas do por do sol na fazenda de Antônio Dias. Enquanto os peões arrebanham o gado para guardar no curral, vários tipos de aves sobrevoam a fazenda riscando o céu que possui um avermelhado típico do momento)

(NOITE_ Casa de Antônio Dias, ele, os filhos, Antônio e Maria da Purificação estão sentados á mesa jantando)

LUCIANO: Que susto tivemos hoje hein?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Graças a Deus que minha filha está bem e amanha mesmo sairá do hospital.

ANTÔNIO: Mas, mesmo assim, não teria sido melhor você passar a noite lá com ela?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Sim seria, mas o Fabiano chegou la dizendo que ficaria cuidando dela então, como ele é marido, resolvi permitir e voltar para a casa, mesmo porque estava morrendo de fome.

(nesse momento Bem-te-vi chega na casa)

BEM TE VI: Boa noite gente. Posso entrar?

LUCIANO: Claro Bem te vi, fique a vontade.

BEM TE VI: Patrão, preciso conversar com o senhor.

LUCIANO: Fale homem.

BEM TE VI: Bom, agora que o Bastião e até a porcaria do Vitinho foram embora, acho que o senhor precisará de arrumar outro peão, não é?

ANTÔNIO: Por quê? Você não dá conta de tudo sozinho não? Pois saiba que no começo eu tomava conta de tudo isso aqui sozinho e das outras fazendas que, com o tempo, fui comprando.

LUCIANO: Sozinho não pai, eu estava ao seu lado em todos esses momentos, mas eu já havia pensando nisso. Bem Bem te vi, como você já se mostrou uma homem de carater, honesto e trabalhador vou colocar você como administrador, no lugar do Bastião, mas mesmo assim precisarei de mais um pra te ajudar.

BEM TE VI: Muito obrigado por sua confiança, fico muito feliz pela promoção, e acho que já tenho esse outro homem que você precisa.

LUCIANO: Ah é? E quem é?

BEM TE VI: Um amigo meu de longa data, ele estava trabalhando para o senhor Clóvis Arruda, mas foi mandando embora.

ANTÔNIO: Se foi mandado embora, é porque algum defeito ele tem.

BEM TE VI: Não senhor, defeito tem o senhor Clóvis, e muitos.

ANTÔNIO: Isso eu concordo.

BEM TE VI: O Quinzinho é um ótimo peão, trabalhador e honesto, eu garanto.

LUCIANO: Bom se você garante, então eu quero conhecê-lo, onde posso encontrá-lo?

BEM TE VI: Ele está aqui, posso pedir para ele entrar?

LUCIANO: Claro, por favor.

(Bem-te-vi chama Quinzinho e ele adentra a casa)

QUINZINHO: Boa noite, com licença.

LUCIANO: Então quer dizer que você está procurando emprego de peão?

QUINZINHO: Sim senhor.

ANTÔNIO: E você entende do serviço?

QUINZINHO: Faço isso desde que me conheço por gente.

LUCIANO: E cantar bem igual seu amigo ai, você também canta?

BEM TE VI: Igual nada, ele canta e toca mais melhor do que eu.

LUCIANO: Muito bem, então organizem uma roda de viola ainda hoje, iremos acabar de jantar e vamos lá assistir, se você for realmente tão bom como seu amigo está dizendo estará contratado.

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CENA VIII

(Nesse momento Lucas e Lenita chegam)

LUCAS: Com licença, posso entrar? Eu queria ter me anunciado antes mas estava tudo aberto.

LUCIANO: Fique a vontade Lucas, nós já nos conhecemos bem para não precisar desses salamaleques.

LUCAS: Obrigado. (reconhece Quinzinho) Quinzinho, é você meu amigo? (se abraçam)

LUCIANO: Então quer dizer que vocês dois se conhecem?

LUCAS: Claro, ele e eu trabalhávamos na fazenda do Clóvis Arruda.

LUCIANO: E ele é mesmo um bom peão? Estou pensando em contratá-lo para trabalhar aqui.

LUCAS: Sim, ele é um ótimo peão, pode confiar.

LUCIANO: Se você está garantido, então eu não terei outro jeito a não ser contratá-lo, mas me diga Lucas, você precisa de alguma coisa?

LUCAS: Eu estou precisando da sua ajuda.

LUCIANO: Pode falar Lucas, qual seu problema?

LENITA: Meu problema sou eu, senhor Luciano.

LUCIANO: Mas você não é a filha…

LENITA: Sim sou a filha do Clóvis Arruda, infelizmente.

LUCIANO: E em que posso te ajudar?

LENITA: Meu pai me mandou para um hospício, só para se ver livre de mim, por eu não aceitar a forma como ele trata minha mãe, minha irmã e todos ao redor.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Bom, todo mundo sabe que você é meia louquinha mesmo, né garota?

LUCIANO: Não fale assim dona Maria.

LENITA: Deixe-a Luciano, eu realmente andei aprontando muito nessa cidade e batendo de frente com meu pai, mas o fato é que, agora que o Lucas me ajudou a sair daquela clínica, não tenho onde ficar.

LUCIANO: E você quer ficar aqui? Logo aqui?

LENITA: Será que eu poderia?

ANTÔNIO: Claro filha, seja bem vinda.

LUCIANO: Mas pai…

ANTÔNIO: Mas nada, não vamos negar abrigo á uma pessoa que precisa, além do mais vai ser um prazer abrigar debaixo do meu teto a filha do Clóvis.

LENITA: Obrigado senhor Antônio.

LUCIANO: Bom se meu pai acha que é uma boa ideia, você pode ficar no quarto da Cecília, mas antes vocês dois vão sentar e jantar com a gente e depois vamos ver a roda de viola.

LUCAS: Obrigado Luciano. (eles sentam e começam a comer_ corta a cena)

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CENA IX

(NOITE_ Interna_ Casa de Patrícia_ eles estão á volta da mesa, jantando)

ALVINHO: Vocês ficaram sabendo o que aconteceu?

DR EMERSON: Não filho, o que foi?

ALVINHO: A Clarinha me ligou hoje, no finalzinho da tarde, e me contou que a Luana foi atropelada.

MARIA EFIFGÊNIA: Nossa! E como foi isso?

ALVINHO: Parece que um carro preto ia atropelar a Clarinha, mas a Luana, não sei porque, entrou na frente e acabou sendo atropelada no lugar dela.

MARIA EFIGÊNIA: E como ela está?

PATRICIA: Ah mãe, ela deve estar bem, afinal de contas, vaso ruim não quebra.

DR EMERSON: Não fale assim, coitada dela, acho que devíamos visitá-la.

ALVINHO: Mas pai, a Patricia está certa dessa vez. Primeiro que a Luana é realmente um vaso ruim que só sabe fazer maldades, nem sei como foi capaz de uma atitude como essa, e outra que ela realmente está bem, pelo o que a Clarinha me disse: a Luana só teve algumas escoriações e quebrou a perna.

MARIA EFIGÊNIA: Menos mal. (toca a campanhia) Ritinha, por favor, atende a porta.

(Ritinha atende a porta e, vendo que era Gabriel, deixa-o entrar)

MARIA EFIGÊNIA: O que esse sujeitinho está fazendo aqui?

RITINHA: Ué dona Maria Efigênia? Ele é o amante de sua filha.

MARIA EFIGÊNIA: Como você ousa falar isso de minha filha?

DR EMERSON: Deixe-a, todos aqui já sabem que isso é verdade, que minha filha e esse sujeito tem um caso, antes mesmo dela terminar com o Rodrigo.

PATRICIA: Com licença vou ali conversar com ele

(eles saem e vão para a frente da casa)

PATRICIA: Pronto, aqui podemos conversar mais a vontade. Que ideia mais maluca é essa de me procurar aqui na minha casa.

GABRIEL: Eu estive pensando muito depois de nosso encontro e cheguei á uma conclusão.

PATRICIA: E a qual conclusão você chegou? Vai parar de brigar comigo por ciumes do Rodrigo?

GABRIEL: Não, eu cheguei á conclusão de que não consigo suportar essa barra de ver a mulher que eu amo, namorando, casando-se com outro, ainda mais aquele zé ruela.

PATRICIA: E o que você quer? Que eu abra mão, definitivamente, da única possibilidade que eu tenho de me manter no mesmo patamar de riqueza em que vivo, pra ir morar com você naquela sua cabana, criando meia duzia de bois e estragar minha beleza e juventude sendo uma obediente dona de casa, é isso?

GABRIEL: Se você me amasse de verdade, você não se importaria nenhum um pouco de passar todos os dias de sua vida dessa forma, desde que fosse ao meu lado. Mas não, o que você ama mesmo é o dinheiro é poder.

PATRICIA: E você vai me dizer que você também não ama o dinheiro e o poder?

GABRIEL: Amo, amo sim e estou lutando muito para um dia ter tudo isso, mas não amo a ponto  de te dividir com outro, e como sei que você não vai desistir de se casar com o Rodrigo, mesmo ele tendo te dado o fora que ele já deu, eu resolvi tirar meu time de campo.

PATRICIA: Como assim? Você vai me deixar?

GABRIEL: Sim, vai ser muito dificil para mim, mas é exatamente o que eu irei fazer, aceitar que te perdi, te perdi não para o Rodrigo, mas para sua própria ambição.

PATRICIA: (se achegando á ele cheia de sedução) E você vai suportar ficar longe de mim?

GABRIEL: Será mais fácil do que continuar a me desgastar nessa luta perdida. (segurando-a e afastando-a dele) Vai lá, volte para o Rodrigo, se torne uma mulher rica e poderosa e seja infeliz para o resto de sua vida.

MÚSICA: Smallville Five for Fighting

(ele vai embora chorando).

PATRICIA: Gabriel, espere. (ela chora ao ver que perdeu o seu único e verdadeiro amor)

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CENA X

(NOITE_ Luana está internada no hospital sozinha, Fabiano chega)

FABIANO: Oi Luana, como você está?

LUANA: Você não está vendo que eu estou com minha perna quebrada e cheia de machucados?

FABIANO: Sim, claro que estou vendo.

LUANA: Então por que pergunta como eu estou? Claro que estou mal, mas logo eu estarei bem e forte novamente, por que nada vai me derrubar.

FABIANO: Assim espero mesmo.

LUANA: E o que você veio fazer aqui? Rir de mim, por estar nessa condição?

FABIANO: Claro que não, eu nunca faria algo desse tipo.

LUANA: Então o que você quer?

FABIANO: Eu vim ver como você está e também te comunicar que, hoje a tarde, entrei com o pedido de divórcio.

LUANA: Você tem a coragem de vir aqui, para me dizer uma coisa dessas, na situação em que eu me encontro?

FABIANO: Desculpa, mas não irei perder mais nem um dia ao seu lado, quero o divórcio, quero me libertar de suas amarras e armadilhas;

LUANA: E o que você pretende fazer depois? Correr atrás daquele viadinho?

FABIANO: O que eu vou fazer ou não, não é da sua conta, agora, não fale do Vitinho dessa forma, você não é digna nem mesmo de lamber o chão que ele pisa.

LUANA: Vai embora daqui.

FABIANO: Claro, agora que já vi que você está bem, afinal vaso ruim não quebra, e já te avisei sobre o meu pedido de divórcio vou embora sim, por que para mim, ficar respirando o mesmo ar que o seu se tornou um tormento, fique ai sozinha, e vá se acostumando, porque é exatamente assim que você vai passar o resto de sua vida miserável. (ele sai e ela, cheia de ódio, joga um vaso, que se encontrava em sua mesinha de cabeceira, em direção á ele, mas ele já havia saído e fechado a porta, dessa forma, o vaso acerta a porta e se espatifa_ Corta a cena)

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SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

 

CENA XI

(NOITE_ Todos da fazenda Aliança, com exceção de Luana  e Fabiano estão reunidos em torno de uma fogueira e Quinzinho e Bem te vi cantam O João de Barro)

MARCELA:(abraçada á Luciano fala á ele) Obrigado meu amor, por ter me chamado para ver essa cantoria linda, você sabe que eu adoro música caípira, alías eu amo tudo o que se diz respeito ao campo, gosto do cheiro da terra, e quando ela recebe a dádiva da chuva fica ainda mais perfumada, amo sentir o vento no rosto, o sol queimando minha pele e trabalhar para produzir o alimento sagrado.

LUCIANO: Eu sei meu amor, eu também, eu cresci no meio das comitivas, escutando as lendas e causos dos peões, dormindo á luz da lua, cuidando dos animais, atravessando esse mundão de meu Deus para ajudar meu pai a construir esse império.

MARCELA: Somo um só coração sertanejo, batendo em dois peitos diferentes. (se beijam)

(A camera passeia pelo rosto de todos ali presentes, que apesar do susto que tiveram logo de manhã, demonstram uma suave alegria e uma terna paz, a camera foca em Lenita em Lucas que estão sentados mais distantes, em um tronco de árvore caido no chão)

LUCAS: Você tem certeza Lenita, de que foi uma boa ideia você vir pedir abrigo justo aqui, na casa do seu Antônio?

LENITA: Tenho certeza disso sim, primeiro porque fui muito bem recebido e todos aqui parecem ser pessoas muito especiais e também será um grande tapa na cara do meu pai saber que estou escondida logo na casa de seu maior inimigo politico.

LUCAS: E você vai contar isso para ele?

LENITA: No momento certo eu vou sim, mas não agora, primeiro preciso pensar muito bem em como e quando fazer isso, mas uma coisa eu tenho certeza.

LUCAS: Do que?

LENITA: Você vai me ajudar nisso, ah vai.

LUCAS: Acha que eu estou aqui pra fazer todas suas vontades é?

LENITA: Todas, todas não, mas essa sim.

LUCAS: Essa qual?

LENITA: Essa. (se beijam)

(A Câmera passeia novamente focalizando o rosto de todos ali presentes, que cantam e se divertem, focaliza em Antônio que pede um momento de silêncio)

ANTÔNIO: Bom meus querido filho, esposa, netos e amigos eu pedi esse momento de silêncio para poder partilhar com vocês uma grande noticia.

LUCIANO: O que foi pai?

ANTÔNIO: Daqui duas semanas, o nosso secretário estadual de minas e energia estará visitando nossa cidade.

LUCIANO: (que nesse momento está abraçado por detrás de Marcela) E o que ele vem fazer aqui pai?

ANTÔNIO: Vamos comemorar o inicio da construção de nossa barragem do Riacho Alegre. (todos aplaudem menos Marcela)

MARCELA: (Se afastando de Luciano) E o senhor tem a coragem de dizer que vai comemorar essa desgraça?

ANTÔNIO: Ah menina, não vem você de novo com esse papinho chato em defesa dos bicho e do povo que mora ali, né?

MARCELA: Vou sim, alguem tem que defender aquele povo trabalhador e honesto que vai perder suas terras, suas casas e memórias.

ANTÔNIO: Mas eu já não te garanti que a prefeitura irá fornecer novas terras para eles?

MARCELA: Para o senhor tudo é questão de dinheiro, de terras. O senhor acha mesmo que oferecendo novas terras irá pagar tudo o que esse povo perderá de suas memórias e lembranças afetivas? Para nós aquele pedaço de chão é muito mais do terra, é um lugar sagrado onde construímos nossas vidas, formamos nossas famílias e batalhamos para produzir o pão nosso de cada dia.

ANTONIO: Escuta aqui mocinha? Quem você pensa que é para falar assim comigo?

MARCELA: Sou alguem que amo o meu pedaço de chão, que conhece cada gota de lágrimas, de suor e até de sangue que minha familia e todo aquele povo derramou naquele solo sagrado.

ANTÕNIO: Escuta mocinha, não adianta você ficar ai falando esse montaréu de coisa bonita e nem ficar esperneando, ninguem consegue deter os passos do progresso, é algo que nem você nem eu conseguimos fazer, aceite.

MARCELA: Eu não vou aceitar isso nunca, ouviu? Eu vou lutar até o ultimo momento, usar todas as armas que eu tiver para evitar essa tragédia causada por sua ambição e sede de poder. (ela vai embora)

LUCIANO: Marcela, me espere, eu te levo embora. (ele não consegue convencê-la e ela acaba indo embora a pé e sozinha_ corta a cena)

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CENA XII

MÚSICA: Crushin It_ Brad Paisley

(MANHÃ_ Várias cenas panorâmicas do raiar do dia: O sol nascendo, o galo cantando, Bem te vi e Quinzinho tirando leite, Lenita acorda no casebre que antes era de Vitinho, abre a porta e Lucas, só de samba canção, a abraça por trás beijando-a; passarinhos cantando)

(Casa de Antônio Dias_ interna_ sala de jantar_ todos estão reunidos em torno da mesa, tomando café e conversando [em off] animadamente_ corta a música)

(Luana chega na casa, em uma cadeira de roda, conduzida por um desconhecido_ a familia se espanta)

RODRIGO: Luana, você já saiu do hospital?

LUANA: Não seu retardado, só vim dar uma voltinha para ver a cara feia de vocês, e já volto para aquele inferno. Você não está me vendo aqui? Então deixa de ser tonto e fazer perguntas idiotas.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Mas quem é esse senhor?

LUANA: Esse é um pobre coitado que aceitou me trazer para cá, em troca de umas moedas, porque não tinha ninguém la para me trazer de volta. (pega na sua bolsa que estava em seu colo uma nota de 100 reais e entrega ao senhor) tome, pode ficar com o troco, muito obrigado. (ele sai) agora vou ter que ficar umas 3 horas na banheira para me livrar desse fedô de gente pobre.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Mas como assim, não tinha ninguem para te trazer de volta? E o traste do seu marido? Ele me garantiu que ficaria lá com você, só por isso vim embora.

LUANA: Ele foi lá, disse meia duzia de desaforos, disse também que tinha dado entrada no pedido de divórcio e foi embora, deve ter ido pedir colinho para a mamãe.

ANTÔNIO: Seja como for, seja bem vinda de volta á sua casa filha.

LUANA: Obrigado paizinho. (para Luciano) e você Lu, não vai me dar boas vindas?

LUCIANO: Claro Luana, ainda mais depois de tudo o que você fez, quase morrendo para defender minha filha.

MÚSICA: From this Moment On _ Shania Twain

(Luciano vai lhe estender a mão e ela lhe puxa, roubando um selinho para o espanto de todos)

LUANA: Me leva para o meu quarto Lu?

LUCIANO: Sim, claro. (ele a pega no colo e fala com Rodrigo) Rodrigo, pegue a cadeira por favor (e sobe com ela em seus braços, causando em Luana uma grande alegria_ corta a cena em seu sorriso)

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CENA XIII

MÚSICA: Doce é sentir _ Ziza Fernandes

(Panorâmica do sítio de Pai André, onde ele, Netinho e Cecília cuidam das plantas medicinais, que são usadas por Pai André para curar a doença de muitas pessoas da região do Riacho Alegre, eles todos estão muito felizes e o clima é de muita paz e amor)

_ Uma mulher de aparentemente 30 anos, chega com uma criança de aproximadamente 5, com um grande corte na perna, sangrando muito, eles chegam ao sítio em uma modesta charrete conduzida pela mulher)

ISAURA: Bom dia pai André.

PAI ANDRÉ: Bom dia querida irmã, que a paz e alegria esteja em seu coração.

ISAURA: Pai André, preciso muito de sua ajuda.

PAI ANDRÉ: No que posso ajudar?

ISAURA: Meu filho cortou a perna, é um corte muito profundo e está sangrando muito, me ajude pelo amor de Deus.

PAI ANDRÉ: Acalme-se minha filha, Deus está no comando de tudo.

CECÍLIA: (observando o corte) Não seria melhor levá-la ao hospital? Ou á uma postinho de saude?

ISAURA: Eu já levei, mas no hospital só estão atendendo casos particulares e no postinho, o Dr Augusto está de férias, e não ficou ninguém no lugar dele para atender, até pensei em levá-lo á uma cidade vizinha, mas eu não tenho como locomovê-lo, só tenho essa charrete e esse jumentinho.

NETINHO: A senhora precisa fazer compressa com tranchagem, ela é antiinflamatória, antibacteriana e cicatrizante.

PAI ANDRÉ: Como você sabe disso meu filho?

NETINHO: Eu sempre estudei muito as plantas, meu sonho era ser botânico.

PAI ANDRE: É e você está certo, essa planta é realmente milagrosa, espere eu tenho um pouco aqui. (ele sai para buscar a planta)

NETINHO: (fala para o garoto) Calma, vai ficar tudo bem. (pousa a mão em sua perna, e eleva seus olhos á ceu, pedindo ajuda celestial para a cura do garoto)

PAI ANDRÉ: Tome, aqui está. (entrega um ramalhete de tranchagem para ela)

NETINHO: É melhor lavarmos bem o local e aplicarmos o remédio agora, para já ir fazendo efeito.

PAI ANDRÉ: Sim, claro entre. (eles entram_ corta a cena)

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CENA XIV

(NOITE- Cena panorâmica do centro da pequena cidade de Recanto Doce, a câmera foca a entrada da igreja, onde Maria da Purificação, Pureza e Cândida entram_ interna_ altar da igreja onde o padre Santo está ajoelhado em oração)

PADRE SANTO: Boa noite minhas irmãs, sejam bem vindas.

CÂNDIDA: Então é verdade? O Senhor já se recuperou e está de volta?

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Claro Cândida, vaso ruim não quebra.

PUREZA: E agora, o padre Bento, aquela delicinha, vai embora? (faz um beicinho de choro)

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Sossega Pureza, respeita pelo menos a casa de Deus.

PADRE SANTO: Não dona Pureza, ele vai continuar a me ajudar aqui, com os serviços de Deus.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Que absurdo! Mesmo depois de tudo o que ele fez, ainda vai continuar a ser padre aqui?

PADRE SANTO: Claro, e por que não? Afinal de contas o que o padre Bento fez de tão grave?

PUREZA: Alem de ser uma delicia.

MARIA DA PURIFICAÇÃO: Cale a boca sua pecadora, estou começando a achar que você, ao invés de beata, deveria ser era uma das mariposas da dona Clotilde.

PADRE SANTO: Anda, diga logo: O que o padre Bento fez de tão grave?

CÂNDIDA: Ele nos expulsou daqui.

PADRE SANTO: Grande coisa, ele devia estar cansado das amolações de vocês.

PUREZA: Nós já o pegamos entrando na casa da madame Clotilde.

PADRE SANTO: Ele já me contou, ele havia ido ajudar uma mocinha que estava enferma.

PUREZA: E você acredita nisso?

PADRE SANTO: Claro, até que provem o contrário, ele é inocente e está dizendo a verdade sim.

CÂNDIDA: Eu também já o vi sem camisa, passeando juntinho com a guenga nova, que foi trabalhar na casa da Madame Clotilde.

PADRE SANTO: Isso é verdade?

PUREZA: Bom ai eu já não sei, porque infelizmente eu não vi aquele pedaço de mal caminho sem caminha na rua, porque senão eu tinha era arrancado o resto.

PADRE SANTO: Mais respeito com o padre Bento hein! Bom irei conversar com ele para ver o que, de tudo isso, é verdade. Agora se me deem licença, tenho coisas mais importantes para fazer e vocês também. (elas vão embora e Padre Santo fica pensativo corta a cena).

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CENA XV

MÚSICA:  È você_ Maria Cecília e Rodolfo com Fred Liel

(NOITE_ interna_ quarto de Padre Bento, onde ele está deitado em sua cama, de repente vem a sua mente a imagem de Madalena, seu olhar e sorriso lindo, cabelos esvoaçantes, ele então se lembra dos momentos em que esteve com ela, o dia em que se conheceram no meio da rua, o dia em que ele dormiu velando o sono dela, na casa de Madame Clotilde, o dia em que eles se viram por último na Igreja_ Nesse momento padre Santo chega em seu quarto, tirando-o de seus pensamentos)

PADRE SANTO: Padre Bento, tudo bem?

PADRE BENTO: Olá padre Santo, tudo bem sim, por quê?

PADRE SANTO: Eu preciso lhe fazer uma pergunta meu filho.

PADRE BENTO: Pois faça.

PADRE SANTO: Aquelas fofoqueiras vieram me contar umas coisas sobre você, que me deixaram um pouco surpreso e assustado.

PADRE BENTO: Olha padre Santo, se for sobre aquela história de eu ter passado a noite na casa de madame Clotilde, eu já te expliquei tudo o que aconteceu.

PADRE SANTO: Sim, elas contaram mesmo isso mas eu acredito em você.

PADRE BENTO: Então?

PADRE SANTO: A Cândida me contou que te viu sem camisa, passeando pela rua da cidade, com uma das mocinhas da dona Clotilde.

PADRE BENTO: É que eu havia lhe encontrado só de calcinha e sutiã no meio da rua, e como estava frio e, ela muito envergonhada, eu tirei minha camiseta e dei para ela se vestir.

PADRE SANTO: E por que ela estava, nesses trajes, no meio da rua?

PADRE BENTO: Ela estava fugindo do Senhor Clóvis Arruda, que tinha tirado sua roupa e havia tentado violentá-la.

PADRE SANTO: Que absrudo não?

PADRE BENTO: Pois é padre Santo, eu apenas agi com caridade, como manda a santa e madre Igreja.

PADRE SANTO: (sentando –se na cama com ele) Filho, eu acredito de verdade, em tudo isso que você está me contando, mesmo porque conheço essas fofoqueiras e o Senhor Clóvis muito bem, mas eu tenho percebido que você está com um brilho nos olhos, um olhar perdido, aparentemente confuso. Eu te conheço á poucos dias meu filho, mas conheço o ser humano e sei que alguma coisa está acontecendo com você. Me conte filho, o que está acontecendo, só assim poderei lhe ajudar.

PADRE BENTO: Eu vou lhe contar sim, estou precisando muito conversar com alguém,  mas tem que ser em confissão.

PADRE SANTO: Estou aqui para ouví-lo, pode começar.

PADRE BENTO: Sabe essa mocinha que as beatas disseram?

PADRE SANTO: O que tem ela?

PADRE BENTO: Se chama Madalena, e mesmo tendo sido abandonada na casa de Madame Clotilde por seus pais, para ser uma das guengas; ela é a pessoa mais doce, mais sensível, mais pura que conheço.

PADRE SANTO: E você, acabou se apaixonando por ela, não é?

PADRE BENTO: Sim padre, eu estou perdidamente apaixonado pela Madalena e não sei o que faço. (chora sendo consolado pelo abraço de Padre Santo)

PADRE SANTO: Em primeiro lugar se acalme, depois você terá que se colocar em oração, na presença de Deus e pedir que Ele ilumine sua decisão e lhe dê forças para fazer aquilo que Ele mostrar.

PADRE BENTO: Seja qual for a vontade de Deus e a minha decisão, será muito dificil as consequências.

PADRE SANTO: Eu sei filho, mas eu estou aqui pra te ajudar. (se abraçam e corta a cena)

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CENA XVI

MÚSICA: Poeira_ Sérgio Reis

(passa-se várias cenas de paisagens rurais demonstrando a passagem do tempo: imagens da fazenda de Antônio Dias onde Quinzinho, Lucas e Bem-te-vi cuidam do gado e dos afazeres da fazenda, Lucas e Lenita fazendo amor no casebre dele,s na colônia da fazenda; Luciano e Marcela felizes cuidando de Jasmim e Luana rondando o casal repleta de raiva, em outra cena todas a família está juntos se alimentando entre conversas em off. Em outra cena aparece Maria Eulália chorando e lembrando-se de Quinzinho que ela acredita estar morto. Uma outra ainda se passa na casa de Madame Clotilde onde todos estão envolvidos na reforma, inclusive Cacau e Eduardo. Outra cena ainda foca Rodrigo em frente da casa de Patricia querendo conversar com Ritinha e ela batendo com a porta em sua cara. Passa-se imagens do sítio de Pai André onde ele, junto de Netinho e Cecília cuidam das plantas; Netinho está aparentemente melhor e, entre um beijo e outro em Cecília, ajuda seu avô sem saber do parentesco entre eles. Uma outra cena é focada na fazenda de Bastião onde, com a ajuda de Cidinha, ele reforma a casa e cuida da lavoura. Por fim, focaliza-se na centro da cidade que está em festa recepcionando o secretario de minas e energia, que se encaminha para a cachoeira do Riacho Alegre onde será construída a usina hidroelétrica. Ali, além de Antônio, estão os vereadores e grande parte da população, inclusive Clóvis Arruda)

ANTÔNIO DIAS: Meus queridos cidadãos e cidadoas recantienses, hoje é um dia de muita alegria para nossa cidade, pois estamos recebendo nosso querido secretário que veio nos visitar e junto com nóis celebrar o início da construção da usina hidrelétrica de Riacho Alegre.

(nesse momento uma multidão liderada por Marcela se aproxima do lugar gritando palavras de ordens do tipo: Não queremos á usina, não destruam nossa terra)

SECRETÁRIO: Mas o que é isso?

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TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

 

 

CENA XVI

MÚSICA:  Hard Be Cool_ Joe Nichols

(FINAL DA TARDE_ Sitio de Pai André, ele, Cecília e Netinho estão cuidando das plantas medicinais, Netinho que estava aguando as plantas com uma mangueira joga água em Cecília molhando-a toda, ela corre atrás dele e depois pega a mangueira, que ele havia soltado, e joga água nele também. Ele corre atrás dela e o abraça, beijando-a).

PAI ANDRÉ: Que bom ver vocês juntos assim. Vocês passaram por momentos tão dificieis.

NETINHO: E a culpa é toda minha.

CECÍLIA: Não fale assim amor, o importante é que você conseguiu se recuperar daquele maldito vício.

NETINHO: Me recuperar em termo né amor, porque é uma luta diária e eu sei que, se eu der mole, volta tudo de novo.

PAI ANDRÉ: Não se preocupe estamos todos ao teu lado, e vai ficar tudo bem.

(Nesse momento Isaura chega ao sítio)

ISAURA: Boa tarde meus irmãos.

PAI ANDRÉ: Oi minha irmã, que alegria vê-la novamente. Entre. Aconteceu alguma coisa? Seu filho piorou?

ISAURA: Ao contrário, depois dos cuidados de vocês e da planta que esse rapaizinho, caído do céu, me indicou ele ficou ótimo, tanto que nem veio comigo, já foi para a escola hoje.

NETINHO: Que noticia maravilhosa.

ISAURA: Sim, e eu devo tudo isso á vocês, principalmente á você. (o abraça)

NETINHO: Imagina, eu não fiz nada demais.

ISAURA: Foi você que indicou a planta que curou meu menino.

NETINHO: Eu nem sei o que me deu na cabeça aquele dia, só tinha a certeza de que seria aquela planta que curaria seu filho.

ISAURA: Muito obrigado, que Deus te abençõe.

CECÍLIA: A senhora não quer entrar? Tomar um cafezinho com a gente? Acabei de fazer um bolinho de fubá.

NETINHO: Olha eu tenho certeza que a senhora não vai se arrepender, os bolos da Cecília são uma delícia.

ISAURA: Muito obrigado meus queridos, eu tenho certeza disso, mas tenho que ir, só vim mesmo para agradecer á vocês, preciso voltar para casa, muito obrigado. (ela vai embora)

NETINHO: Eu não sei mesmo como tudo isso aconteceu.

PAI ANDRÉ: (pousando a mão sobre os ombros de Netinho) Você têm uma linda missão e um iluminado caminho pela frente, não tente entender, apenas aceite os dons e o chamado de Deus. (corta a cena)

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CENA XVII

(FINAL DA TARDE_ Cachoeira do Riacho Alegre_ os moradores da região estão protestando contra a construção da usina hidroelétrica)

MANIFESTANTES: Não queremos a usina, não destruam nossas terras! Não queremos a usina, não destruam nossas terras! Não queremos a usina, não destruam nossas terras!

ANTÔNIO: Isso é um absurdo, estamos aqui, todos em festa, comemorando algo tão importante para a nossa cidade e vocês vêm querer estragar.

MARCELA: Motivos para comemorar teríamos se nossa educação andasse bem o que não é verdade, porque a única que temos está caindo aos pedaços e sem professores. Teríamos motivos para comemorar se a assistência á saúde estivesse bem, o que também não é realidade pois nosso hospital está falido e nosso único posto de saúde sem médico. Então eu te pergunto: o que vocês estão comemorando afinal? A destruição de parte do que sobrou da nossa mata Atlântica, a morte de vários animais e plantas e até a extinção deles? Ou será que estão comemorando o fato de toda essa gente perder suas terras?

ANTÔNIO: OH garota chata e burra! Já te falei que daremos terras novas á essa gente?

MARCELA: E eu também não te falei inumeras vezes que não acreditamos nessa sua promessa? E mesmo que o senhor a cumpra, o que acho dificil, quem nos garante que serão da mesma entensão e com a mesma fertilidade, e ainda que seja, é necessário levar em consideração que nossas memórias e raizes serão perdidas, submergidas nas águas da sua ambição.

MANIFESTANTES: Não queremos a usina, não destruam nossas terras!

CLÓVIS ARRUDA: Isso mesmo pessoal, estamos tendo a pior adminstração de toda a história de nossa querida Recanto Doce. Esse prefeitinho já está há quase um ano na prefeitura e não fez nada que preste para a população e agora está querendo nos cambelá com essa construção, construção essa que foi definida no meu governo.

ANTÔNIO: Você só esta falando isso porque perdeu feio as ultimas eleições, afinal se você tivesse sido um bom prefeito como está dizendo não teria perdido dessa forma.

MARCELA: Isso mesmo seu Clóvis, o senhor e esse prefeitinho são tudo farofa da mesma panela, não venha querendo agora se aproveitar da indignação e luta do meu povo não.

SECRETÁRIO: Desculpe, mas eu pensei que já estava tudo resolvido por aqui, sinto muito mas não tenho tempo a perder com essas picuinhas, vou embora, voltarei para São Paulo, tenho muitas coisas mais importantes para fazer por lá.

ANTÔNIO: Não senhor secretário, pode deixar que eu resolvo isso tudo. Polícias prendam esses arruazeiros.

(a policia começa a confrontar a população que com medo vão indo embora, gradualmente, ficando apenas Marcela)

ANTÔNIO: O que vocês estão esperando? Prendam a líder deles. (a polícia prende Marcela e a leva, algemada, para a delegacia)

ANTÓNIO: Pronto senhor secretário podemos dar continuidade aos nossos festejos.

SECRETÁRIO: Em primeiro lugar gostaria de agradecer o convite do exelentíssimo prefeito dessa linda e agradável cidade, o senhor Antônio Dias, para estar aqui no início da construção dessa importante obra. Claro que sempre, uma construção como essa faz surgir defensores e críticos, mas temos que ter em vista o benefício que essa obra trará para toda a população recantense e de todas as cidades vizinhas. O preço do progresso é alto, mas devemos paga-la. Agora vamos então dar inicio a construção dessa que, em breve será uma grande geradora de energia e progresso para todo o país.

(a fanfarra da cidade começa a tocar, os operários começam a trabalhar na obra sobre os aplausos da população ali presente_ corta a cena).

 

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CENA XVIII

(FINAL DA TARDE_ Casa de Madame Clotilde_ interna_ Madalena está limpando a casa e Clóvis chega, assustando-a)

MADALENA: Ai que susto!

CLÓVIS: Assustou por quê? Está sozinha aqui?

MADALENA: (com medo e se esquivando) O pessoal foi para a festa ver o início das obras da usina.

CLÓVIS: Eu imaginei mesmo, porque vi a maioria deles lá.

MADALENA: (com medo e se esquivando) O senhor estava lá?

CLÓVIS: Sim estava, mas resolvi vir aqui, fazer algo muito melhor. (tenta abraçá-la mas ela se esquiva)

MADALENA: Sinto muito, mas como te disse não tem ninguem aqui, é melhor o senhor ir embora.

CLÓVIS: Não, não vou embora, porque quem eu quero está aqui e sozinha.

MADALENA: Por favor senhor Clóvis é melhor ir embora.

CLÓVIS: Não antes de fazer o que vim fazer aqui. (a segura com força beijando-a, ela o empurra e lhe dá um tapa)

MADALENA: Me respeite. Quem o senhor pensa que eu sou?

CLÓVIS: Um guenga.

MADALENA: Eu nunca fui isso não e nem isso aqui é mais um puteiro mais, então é melhor o senhor ir embora, porque senão vou começar a gritar.

CLÓVIS: Pois grite, como você mesmo disse: não tem ninguem aqui pra te socorrer dessa vez. Estamos sozinhos e não vou perder essa oportunidade. (ele a agarra novamente mas ela o empurra e se solta) Não faz isso. Você não tem ideia de quanto eu te quero, como eu te desejo.

MADALENA: Pois a única coisa que sinto por você, seu velho babão: é nojo. Eu olho para você e tenho vontade de vomitar.

CLÓVIS: Me querendo ou não você vai ser minha hoje, nem que seja na marra.

(a agarra, prendendo-a contra a parede e começa a beijar seu colo_ ela vê uma garrafa de uísque que está em uma mesinha proxima, pega a garrafa e com ela, bate em sua cabeça, quebrando a garrafa)

MADALENA: Você não vai me possuir é nunca. Se você quer tanto ficar aqui fique, eu vou embora, e se o senhor vir atrás de mim eu te furo o bucho. (ela sai deixando-o caído com a mão na cabeça e sentindo dor_ corta a cena)

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CENA XIX

(FINAL DA TARDE_ Delegacia de Policia_ interna Luciano está esperando por Marcela na sala do delegado Baleia que, como sempre está devorando todos os quitutes que estão em sua mesa_ Marcela entra, vindo de uma sela, trazida por dois carcereiros)

MARCELA: Luciano meu amor. (eles se abraçam)

LUCIANO: Eu vim aqui para te libertar meu amor.

MARCELA: Graças a Deus, isso aqui é um inferno, nunca mais quero voltar á esse lugar.

DELEGADO BALEIA: Bom, como seu marido pagou a finança e você não tem antecedentes criminais, o juiz de Rio Verde resolveu te liberar, mas vê se toma juízo menina e aprenda que, com certas pessoas, não se mexe.

MARCELA: Eu tenho juizo sim, mas não vou parar de lutar pelo que eu acredito com medinho de quem pensa que é dono do mundo.

LUCIANO: O delegado Baleia está certo meu amor.

MARCELA: Não é possível Lu que você ache que seu pai está certo.

LUCIANO: Não, eu não acho que ele esta certo nem em te prender e nem em concordar com essa construção, mas um bom lutador precisa saber a hora de recuar. Infelizmente o projeto da construção dessa usina está em um momento que, nem meu pai, se quisesse, conseguiria impedir que dirá eu e você.

MARCELA: E o que você quer que eu faça? Que eu aceite de bom grado que toda aquela gente perca suas terras e memórias e a destruição da fauna e da flora local?

LUCIANO: Eu quero que você entenda que, já que não podemos evitar nada disso, devemos gastar nossa energia, tempo e dinheiro para que os danos causados pela construção da usina seja o menos doloroso o possível.

MARCELA: Mas como?

LUCIANO: Eu tenho alguns planos aqui, mas nada de decidido ainda, mas juntos vamos achar um caminho.

MARCELA: Você está do meu lado?

LUCIANO: Claro, eu sempre estive. (se beijam) Agora vamos embora daqui.

MARCELA: Sim vamos.

DELEGADO BALEIA: Isso vão embora e me deixem comer em paz, senão daqui a pouco vocês vão querer minha comida. (Luciano e Marcela saem e corta a cena)

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CENA XX

(FINALZINHO DE TARDE _ Praça da cidade_ Carmela_ uma das mariposas de Madame Clotilde_ está passando pela rua e Alcir_ o piloto do avião de Antônio Dias_ o chama)

ALCIR: Oi moça bonita, tudo bem?

CARMELA: Oi Alcir, quando tempo não te vejo.

ALCIR: É que a casa de Madame Clotilde está fechada né? Mas bem que tô com saudades do seu chamego. Vamos dar uma volta?

CARMELA: E sai fora Alcir, agora eu não sou mais uma guenga não, agora sou uma mulher de respeito.

ALCIR: Eu sei que você é, mas isso não nos impede de passear um pouco, nos conhecer melhor.

CARMELA: Passear é? Aonde você pensa em me levar?

ALCIR: O que você acha da gente dar um voltinha lá em cima, hein? (aponta para o céu)

CARMELA: Você me levaria para dar uma volta no avião do Antônio Dias?

ALCIR: Claro que sim. Por que não princesa? Você merece mesmo estar lá no céu, junto com outras estrelas como você.

CARMELA: Eu aceito, vamos?

ALCIR: Claro. (eles saem)

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CENA XXI

(FINALZINHO DE TARDE_ Fazenda de Antônio Dias_ Interna_ Sala de estar, onde toda a familia está reunida_ Luciano chega com Marcela)

ANTÔNIO: O que essa mulherzinha está fazendo aqui, na minha casa?

(corta a cena_ final do capitulo)

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(a cena congela e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

 

FINAL DO TRIGÉSSIMO TERCEIRO CAPÍTULO