Coração sertanejo: Capítulo 29 – O amor tudo perdoa

Coração sertanejo: Capítulo 29 – O amor tudo perdoa

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“ O amor não é cego, não é por causa dele que deixamos de enxergar os erros e defeitos do outro, mas, mesmo enxergando-o, ainda assim, continuamos a amar e querer estar perto”

CENA I
(FINALZINHO DA MANHÃ_ Inicia-se o capítulo com o diálogo em que Luana humilha, rejeita e despreza seu próprio filho)
LUANA: (para Netinho) Quer saber? Se você quer ficar aqui com esse velho nojento, vivendo nesse barraco caindo aos pedaços, fique. Vocês dois se merecem. Vai ser um alivio para mim ficar sem você. Eu nunca te quis e não é agora, que você não passa de um trapo imundo, de um drogado, que eu vou querer. Fique ai e esqueça que eu existo. (sai_ corta a cena)
FABIANO: Luana! Volte aqui Luana. Você não pode falar assim do seu filho. (ela vai embora)
NETINHO: Deixe-a pai, ela apenas está sendo sincera, pela primeira vez na vida, está dizendo o que sente e o que pensa de mim.
FABIANO: Filho, por favor, não se deixe abalar pelo aquilo que sua mãe disse. Se ela não te ama como deveria, saiba que todos aqui te amam muito e estamos todos do seu lado.
NETINHO: Obrigado Pai.
FABIANO: Me perdoa filho, por te sido tão omisso, por não ter percebido antes, tudo o que você sofria em silêncio, por não ter te ajudado, por não ter demonstrado mais e melhor o amor que sinto por você.
NETINHO: Eu sei pai que o senhor sempre me amou e que posso contar com o senhor. (os dois se abraçam e ele fala para Cecília) Cecília, gostaria de conversar com você em particular. Podemos?
CECÍLIA: Claro. (eles saem)
ANTÔNIO: (para Pai André) Olha senhor, eu quero que saiba que, todo o tempo que meu neto estiver aqui, eu arcarei com todas as despesas e darei tudo o que vocês necessitarem. Na verdade, acho até que vou dar uma casa nova para vocês. Por acaso o senhor não gostaria de ficar com uma das minhas fazendas? É o minimo que eu poderia fazer pelo senhor, em recompensa ao que fez e está fazendo ao meu neto.
PAI ANDRÉ: Muito obrigado, mesmo sentindo que sua oferta e desejo de ajudar é sincero, eu não posso aceitar.
LUCIANO: Mas por quê? Meu pai está certo, nós não estaríamos fazendo mais que nossa obrigação para com meu sobrinho e com o senhor, que o está ajudando.
PAI ANDRÉ: Porque não precisamos, tudo o que realmente temos necessidade está aqui: nossas galinhas, porquinhos, nossa vaquinha para dar leite, nossa hortinha e principalmente esse teto que ergui com muito trabalho.
ANTÔNIO: Eu não consigo entender.
PAI ANDRÉ: Mas vai, mais cedo ou mais tarde, o senhor entenderá que dinheiro não é tudo nessa vida, que ele pode comprar muitas coisas importantes, mas não as essenciais como o amor e a verdade.
FABIANO: Está bem pai André, respeitamos sua vontade, mais saiba que estamos dispostos a te ajudar no que for preciso para cuidar do meu filho, e principalmente, para ajudá-lo a sair dessa vida de vicio.
PAI ANDRÉ: Tudo o que seu filho precisa agora é de amor, carinho, compreensão e muito apoio. Ele vai ficar aqui, por que essa é a vontade dele e fico muito feliz com isso, mas se vocês querem mesmo ajudá-lo, não se esqueçam dele, como vocês fizeram até agora.
FABIANO: Eu te garanto que não, pelo menos eu virei visitá-lo todos os dias e darei todo o amor e carinho que não soube dar até hoje.
LUCIANO: Eu também. Bom já que as coisas, agora, estão resolvidas, vou chamar a Cecília para irmos embora. (corta a cena)

CENA II
(COMECINHO DA TARDE_ Externa do sítio de Pai André_ No jardim simples e modesto, Netinho e Cecília conversarm)
NETINHO: Cecília, eu não tenho nem coragem mais de te olhar nos olhos. Estou muito envergonhado e arrependido.
CECÍLIA: Não precisa meu amor. O importante agora é você olhar para frente e se libertar desse maldito vício.
NETINHO: Desculpa Cecilía, mas eu infelizmente não posso te garantir que vou fazer isso.
CECÍLIA: Mas por que não Netinho? Olha pra você! Você está um verdadeiro trapo humano, eu não consigo mais reconhecer aquele menino lindo, doce, alegre com quem eu convivi todos esses anos, e por quem me apaixonei.
NETINHO: Eu sei, eu sei que preciso deixar esse vicío, mas não sei se consigo. Agora mesmo, meu corpo já esta pedindo uma nova dose, daqui a pouco essa vontade vai estar gritando dentro de mim, me batendo, me machucando exigindo que eu use.
CECÍLIA: Eu sei amor, mas você precisa ser forte e enfrentar essa vontade, esse vício de frente. Eu sei que você é capaz de vencer isso, mesmo porque eu estarei do teu lado e a partir de agora, nada mais poderá nos separar
MÚSICA: De zero á cem _ Ivete Sangalo e Luan Santana
(eles se beijam matando a saudade que um estava do outro, ao redor as flores enfeitam esse momento único e as aves fazem uma linda revoado em comemoração ao amor_ De mãos dadas eles começam a caminhar e Luciano, saindo de dentro da casa com a família, chama por Cecília)
LUCIANO: Filha, estamos indo embora. Vamos?
CECÍLIA: (pensativa olha para Netinho e se dá conta de que não pode abandoná-lo naquele momento) Pai, me perdoa, mas eu também não vou voltar para casa.
LUCIANO: Como assim filha?
CECÍLIA: Se o pai André me permitir eu ficarei aqui, do lado do Netinho, do lado do meu amor. Ele está precisando muito de mim e eu não quero sair de perto dele, nesse momento.
LUCIANO: Mas filha! Como assim? Você vai ficar aqui, morando com o Netinho, sem se casarem?
CECÍLIA: O senhor também não viveu por um tempo com a Marcela, antes de se casarem? E foram muito felizes durante esse tempo que eu sei. Então por que eu não posso?
LUCIANO: Não me lembre daquela mentirosa e vigarista. Além do mais, seria muita despesa para o sr André. Ele já vai ter gastar com o Netinho, ainda você quer ele sustente mais uma boca?
PAI ANDRÉ: Isso não é problema nenhum, pelo contrário, acho mesmo que seria bom a menina ficar pra ajudar a cuidar do Netinho.
FABIANO: Olha sei não, para mim vocês dois estão malucos. Desculpa pai André, não estou desfazendo de sua hospitalidade e vontade de ajudar, mas por mim, o Netinho iria para uma casa de recuperação agora.
PAI ANDRÉ: Para quê? Para se entoxicar com remédios? Eu entendo sua preocupação de pai, mas tudo o que seu filho precisa ele terá aqui, ainda mais agora se a menina resolver ficar.
CECÍLIA: Então pai, está vendo? Até o Pai André acha bom que eu fique. Por favor pai, não queira me separar do meu amor mais uma vez, não queira tirar-me tirar de perto dele, não nesse momento em que ele vai precisar tanto de mim.
LUCIANO: E você vai ficar aqui, morando com ele, mesmo depois de tudo o que ele fez?
CECÍLIA: Pois é pai, é exatamente assim que age quem ama de verdade. O amor não é cego, não é por causa dele que deixamos de enxergar os erros e defeitos do outro, mas, mesmo enxergando-o, ainda assim, continuamos a amar e querer estar perto.
LUCIANO: Mais uma vez filha, não tenho mais palavras para debater com você. Eu te entendo e te apoio. (indo ao encontro dela) irei sentir muito a sua falta, mas se você sente que deve ficar ao lado do seu amor agora, fique. Tem meu apoio, minha permissão e minha bênção. (ele lhe abraça e lhe beija a testa) Fique com Deus.
CECÍLIA: Obrigado pai, eu te amo. (eles se despedem, a familia vai embora e ela, Netinho e pai andré adentram a casa_ corta a cena)

CENA III
(COMECINHO DA TARDE_ Praça principal da cidade. A gangue do Bady boy está toda reunida, ao lado deles para uma caminhonete preta, dando um cavalo de pau)
BADY BOY: Vixi! Sujou o barraco! A casa caiu cambada.
LAGARTIXA: O que tá pegando mano?
BADY BOY: Nossa chefa chegou.
(Nesse momento Luana desce de sua Hilux preta e vai ao encontro do bando)
BADY BOY: O que foi chefinha? O que tá pegando?
LUANA: O que ta pegando é que eu trouxe vocês aqui, pra minha cidade, para que você vendessem minha mercadoria.
LAGARTIXA: Mas nós estamos vendendo dona Exelentíssima. Estamos vendendo muito.
LUANA: Mas eu disse também, que jamais se aproximassem da minha família e que nunca associasse meu nome ao de vocês. (gritando) Não disse?
BADY BOY: Pode fica susa chefinha, niguem vai saber que a senhora é que comanda a bagaça aqui.
LUANA: Acho bom mesmo, porém houve uma outra parte do trato que vocês não cumpriram, não respeitaram.
BADY BOY: Nós? Mas o que nós fizemos?
LUANA: Eu disse que jamais, em hipotese alguma, deveria chegar perto da minha família, mas vocês três, seu trio de mulas, venderam drogas para o meu próprio filho, e por conta disso ele se tornou um viciado, um ladrãozinho.
LAGARTIXA: Mas nós nem sabíamos que você tinha filho.
LUANA: Sim, infelizmente eu tenho, tenho um filho que não presta para nada e só me dá desgosto e agora, para piorar, se tornou um drogado, um bandidinho igual á vocês.
BADY BOY: Mas a culpa não foi nossa, nós nem sabemos quem é seu filho.
LUANA: Meu filho chama Netinho, Antônio Dias Neto, ele era um garoto todo certinho, um verdadeiro CDF que vocês transformaram em um marginalzinho de quinta categoria.
LAGARTIXA: Eu não tem ideia de quem seja.
EMANUELLE: Deixa de ser idiota, ela tá falando daquele playba que compra direto com a gente. Aliás, ontem mesmo ele estava aqui na boca, curtindo uma.
LUANA: Exatamente e por causa disso ele quase morreu.
EMANUELLE: Serio?
LUANA: Sim, parece que teve um começo de overdose. E a culpa é toda de vocês.
EMANUELLE: E como o gatinho está agora?
LUANA: Infelizmente ele está bem, Pai André o socorreu a tempo.
EMANUELLE: Mas por que você fala dessa forma, parece que não está feliz dele ter se recuperado.
LUANA: Na verdade eu preferiria que ele estivesse morrido mesmo, pelo menos não teria mais que carregar esse fardo e nem correria o risco de minha familia descobrir nosso envolvimento.
BADY BOY: E agora a senhora quer que a gente vá embora da cidade?
LUANA: Ainda não, preciso de vocês para vender minhas mercadorias, mas vocês precisam ficar mais ligados e, em hipotese alguma, deixar minha familia descobrir que sou eu que estou comando esse esquema. Entenderam? (corta a cena)

PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IV
(HORÁRIO DO ALMOÇO_ Fazenda Poconé, Cidinha está terminando o almoço e Bastião chega da lida)
BASTIÃO: E ai Cidinha, a boia ta pronta? (taca –lhe uma tapa na bunda)
CIDINHA: Oxi. Que falta de respeito é essa homem?
BASTIÃO: Oxi! Ocê agora é minha muié uai.
CIDINHA: Que mané mulher sua o quê? Aquele beijo aquele dia foi apenas um acidente, não vá se animando não. Eu deixei bem claro pra você, quando viemos morar nesse fim de mundo, que viveríamos aqui apenas como amigos.
BASTIÃO: E aquela noite que chegamo aqui? Foi acidente tumém aquela noite de amô?
CIDINHA: Ah…. Aquilo não conta. Eu tava nervosa, tinha acabado de ser demitida, mudado para essa tapera e ainda aqueles gatos desgracentos ficaram nos assustando. É isso. Eu tava fora de mim, abalada pela emoção e pelo medo.
BASTIÃO: Para com isso Cidinha. Fala logo que ocê tá afinzona de eu.
CIDINHA: Eu? Afinzona de um traste como você? Essa é boa. Faça me rir.
BASTIÃO: Tá sim! Ocê tá caidinha nieu, mas o seu orguio não te deixa assumir.
CIDINHA: (colocando a mesa) Pronto seu traste. A comida tá na mesa. Agora vê se come e me deixa em paz.
BASTIÃO: Nossa que ignorança, precisa falar assim com eu não. Mermo porque, se não fosse eu te chamar pra morá nessa tapera, ocê tava era morando debaixo da ponte isso sim. (ri)
CIDINHA: Quer saber? Pra mim deu. Eu vou embora dessa tapera e é agora. Eu até prefiro mesmo morar debaixo da ponte, do que ficar morando com um jumento como você.
BASTIÃO: Vai, vai mermo. È aquele veio deitado: È mas miô sozin do que mar acompanhadu.
(CIDINHA entra no quarto) Pode ir Dona Cidinha, vai la morá debaixo da ponte. Só assim ocê vai perdê esse orguio besta e aprendê a dar valor pra quem gosta de ocê de verdade. (ele começa a comer e espera ela voltar mas ele demora) Cidinha. Cidinha. Agora para de graça! Bora comê que a boia ta esfriando. Cidinha. (ele vai até o quarto dela e vê que ela ta fazendo as malas)
BASTIÃO: Ques troxa é essas que ocê ta ai arrumando? Posso sabê?
CIDINHA: Eu não te falei que eu ia embora? Pois então: Tô indo.
BASTIÃO: (Colocando a mala sobre a cama) Para com isso Cidinha, deixa de graça eu tava brincano.
CIDINHA: Mas eu não, eu estou indo mesmo.
BASTIÃO: E vai para onde?
CIDINHA: Pra qualquer lugar longe de você. (vai saindo com as malas e ele fica chorando de forma engraçada)
BASTIÃO: Amô, ô amô vai não, vai não. Vorta, vorta pra ieu. (grita) Cidinha não me deixa. (corta a cena)

CENA V
(HORÁRIO DO ALMOÇO_ Praça da cidade, Pardal intercepta as pessoas que andam pelas ruas para pedir alimento)
PARDAL: Oh dona, por favor. A senhora não podia me dar alguma coisa para comer?
SENHORA: Saia daqui seu pivete. Você está querendo é me roubar. (vai saindo) Essa cidade está ficando cada dia pior.
(Delegado Baleia passa comendo um enorme sanduíche e Pardal também o intercepta)
PARDAL: Seu guarda! Seu guarda! Me dá um pedaço desse seu sanduiche, por favor, estou morrendo de fome.
DELEGADO BALEIA: Isso é problema seu, porque você não vai trabalhar pra comprar sua comida? Se vira garoto, e me deixa comer esse meu sanduíche em paz. (vai saindo, já longe ele comenta consigo mesmo) Vê-la se eu ia dividir esse meu sanduiche com alguem. Até parece, ainda mais com um pivete daqueles. (sai)
MÚSICA: Casinha branca
(Pardal triste, vai até seu beco, senta-se e fica ali, triste, com fome_ Nesse momento dona Mercedes, que estava passando por ali o reconhece e vai ao seu encontro).
MERCEDES: Pardal. É você filho?
PARDAL: Não dona, não por favor. Não me leva de volta para o orfanato, pelo amor de Deus.
MERCEDES: Se acalme menino. Eu não quero te levar para nenhum orfanato, ao contrário, eu só quero te tirar das ruas, dessa vida que você vive, cheia de sofrimentos e privações, e te levar a morar comigo. Quero te adotar como meu filho.
PARDAL: Verdade?
MERCEDES: Sim, sabe, eu não sei por que, mas, você me lembra muito meus filhos quando eram da sua idade e, como sou uma mulher muito sozinha, queria te levar para morar comigo e te criar como meu filho. Você aceita?
PARDAL: Sim, claro. (lhe dá um abraço bem fortes, se dão as mãos e saem em direção da casa de dona Mercedes)

CENA VI
(HORÁRIO DO ALMOÇO_ a família de Antônio Dias chegam de volta á sua casa e adentram a sala de star)
LUCIANO: (jogando-se no sofá) Ufa que manhã foi essa gente? Pensei que não iria acabar nunca.
FABIANO: Eu também mano. Alias, pra falar a verdade, nem sei como nossa familia conseguiu sobreviver tudo isso que vivemos nessa manhã.
RODRIGO: Olha bem que eu notei que o Netinho estava mesmo diferente, e estranhei muito quando o vi andando com a galera do Bady boy, mas nunca poderia imaginar que ele estava realmente envolvido com drogas. Foi um bague para mim, porque gosto dele como meu irmão.
EDUARDO: Eu também considero para caramba aquele carinha.
FABIANO: O erro foi todo meu. Eu tenho sido um péssimo pai para o meu filho.
LUCIANO: Não fale assim irmão, você fez o que pode, infelizmente somos humanos e, portanto, cheios de erros e defeitos.
FABIANO: É meu irmão, mas com você eu duvido que aconteceria algo desse tipo. Você é um excelente pai e eu te admiro muito por isso.
LUCIANO: Você também é irmão, um bom pai, e agora podera exercer ainda mais isso, afinal de contas o Netinho vai precisar muito de você.
FABIANO: Verdade irmão, a batalha só está começando. Por falar nisso, tenho uma coisa pra fazer agora. (pega o telefone)
LUCIANO: E o que vai fazer irmão?
FABIANO: Vou ligar para uns conhecidos meus da policia federal e pedir a ajuda deles para resolver isso.
LUCIANO: Mas irmão, policia federal? Você tem certeza disso?
FABIANO: Sim irmão, absoluta. Esse é um caso para eles, além do mais, se formos esperar o pessoal do delegado Baleia fazer alguma coisa, nossa cidade inteira já vai ter se transformado em um cemiterio de zumbis drogados, até que ele decida parar de comer e tirar o pé do chão.
(Nesse momento, Luana que estava descendo as escadarias desce rapidamente e o interrompe)
LUANA: Você não pode fazer isso!
FABIANO: Por que Luana? Por que você não quer que eu acione a policia federal? (corta a cena)

SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VII
FABIANO: Anda Luana, responda-me: Por que eu não posso acionar a polícia federal?
LUCIANO: É Luana, Por que você não quer envolver a policia federal nisso?
LUANA: É que.. bem. Se nós envolvermos a policia federal nisso, será um grande escandalo para toda a nossa família.
FABIANO: E você acha mesmo que eu vou me importar com escandalos? Eu quero é descobrir os responsáveis pelo que aconteceu com meu filho, quem vendeu essas porcarias para ele e mandar direto para a cadeia.
LUCIANO: Isso mesmo Fabiano, você está certo.
FABIANO: (falando ao telefone) Oi, Bruno Mendes. Tudo bem amigo? Quanto tempo! Então eu preciso de um favor seu. Aqui onde eu moro, na cidade de Recanto Doce, está tendo um movimento muito grande de vendas de drogas e queria pedir ajuda de vocês ai da federal. (pausa) Sim, aqui tem uma delegacia de policia civil, mas creio que esse problema seja mais da osada de vocês, além do mais, creio que a policia daqui irá necessitar de ajuda para combater esse mal que vem assolando nossa cidade. Ok. Muito obrigado amigo. Contamos com sua ajuda. (desliga o telefone)
LUCIANO: E então Fabiano?
FABIANO: O Dr Bruno Mendes é delegado da polícia federal lá de São José do Rio Preto, eu o conheci quando fizemos a faculdade de direito juntos. Eu contei á ele o que está acontecendo e ele disse que irá entrar em contato com o Delegado Anselmo Baleia para saber de forma eles podem ajudar.
LUANA: Que grande besteira. Você acha mesmo que a policia federal, cheia de problemas que ela tem para resolver, vai se deslocar até esse fim de mundo, para dar jeito em meia duzia de drogadinhos? Até parece.
LUCIANO: Nâo diminua a intensidade e a extensão do problema Luana, Nós sabemos muito bem que o problema é muito maior do que você está querendo pintar e vai sim, ser muito bom, se a policia federal intervir nesse caso.
FABIANO: Eu acredito que sim, pelo menos meu amigo prometeu fazer de tudo para acabar com esse mal e prender todos os envolvidos. (corta a cena)

CENA VIII
(HORA DO ALMOÇO_ Casa de Inaiê_ ela, Marcela e Gabriel dialogam enquanto almoçam)
GABRIEL: Olha Marcela, hoje a tarde irei precisar de você para arrebanhar o gado. É dia de vacinação e isso é muito importante, não podemos adiar e, muito menos deixar de aplicar, com a febre aftosa não se brinca. Além de causar várias doenças em pessoas ainda é pessimo pra os negócios.
MARCELA: Desculpa irmão, mas hoje a tarde eu não posso.
GABRIEL: Mas por quê?
MARCELA: Eu vou até a casa do Luciano.
GABRIEL: Que noticía boa é essa? Então quer dizer que vocês dois voltaram a se entender?
MARCELA: Infelizmente não, ele apenas permitiu que eu fosse até la para ver a Jasmim, pois a menina sente muita falta de mim e precisa de minha ajuda.
GABRIEL: Mas isso já é um começo, pelo menos você estará de volta áquela casa e, quem sabe agora, descubra uma forma de nos vingar daquele familia desgraçada.
MARCELA: Quantas vezes eu tenho que te dizer Gabriel, que eu não vou te ajudar a se vingar de ninguem? Eu nunca quis usar o Luciano para conseguir isso, você acha mesmo que eu vou usar a Jasmim?
GABRIEL: E por que não? Se é a porta que está se abrindo você tem mais é que aproveitar.
MARCELA: Eu não tenho que aproveitar nada, eu apenas vou matar a saudade que sinto daquele anjinho e ajudá-la no que for possivel.
GABRIEL: Já vi que com você não poderei contar, para fazer justiça ao nome e ao sangue de nossos pais, não é?
MARCELA: Exatamente. Se você quer se vingar vingue-se, mas não me envolva mais nisso ok? E muito menos me peça para usar os sentimentos das pessoas para alcançar esse objetivo.
GABRIEL: Se você não quer me ajudar eu irei fazer isso sozinho mesmo, mas que eu irei me vingar daquele velho assassino eu vou, pode escrever e vou destruir toda aquela familia maldita também. (ele sai e corta a cena)

CENA IX
MÚSICA: Unconditional Love_ Susanna Hoffs
(TARDE_ Riacho Alegre. Enquanto patinhos nadam romanticamente e borboletas voam ao longe buscando o perfume suave das flores que enbelezam aquele luga paradísiaco, o vento faz com que os galhos de árvores dançem uma agitada e, ao mesmo tempo, harmoniosa melodia_ Em meio á esse lugar paradíaco vemos Gabriel andando como se estivesse esperando alguem. De repente Patrícia surge ao longe, eles se olham apaixonadamente e demoradamente e correm um para os braços do outro, ao se encontrarem se beijam)
GABRIEL: Ainda bem que você ligou marcando esse encontro aqui, meu amor. Eu não estava mais aguentando ficar longe de você.
PATRÍCIA: Nem eu de você meu homem, nem eu de você. Eu te amo seu peão fedido de bosta. (eles riem e, em seguida, se beijam)
GABRIEL: Depois do nosso último encontro eu pensei que você nem ia mais me procurar, pelo menos foi o que você me deu a entender. Pensei que você iria ficar correndo atrás daquele mauricinho e esquecer da gente.
(eles caminham lado a lado, de mãos dadas, até chegarem á beira do riacho e mergulharem seus pés naquelas águas revigorantes)
PATRÍCIA: Bom, isso em parte é verdade e em parte não é.
GABRIEL: E que parte é real?
PATRICIA: De que eu vou sim tentar reatar com o Rodrigo, aliás, pretendo fazer isso hoje mesmo, depois de sair daqui.
GABRIEL: Mas Patrícia, se você não o ama, por que você insiste tanto em ficar com aquele moleque? Poxa a gente se ama, vamos ficar juntos, vamos assumir esse nosso amor para o mundo inteiro.
PATRICIA: Nós já conversamos sobre isso e você sabe muito bem que eu não posso, minha familia inteira depende desse meu casamento com ele.
GABRIEL: Mas amor, será que você só pensa em dinheiro?
PATRICIA: Você fala como se você também não pensasse. O que você acha que me atraiu tanto em você?
GABRIEL: Minha beleza? Minha pegada?
PATRICIA: Claro tudo isso também, mas principalmente porque, ao contrário do água com batata do Rodrigo, você é igual á mim. Você pensa grande, é ambicioso também e sonha com as coisas boas que o dinheiro pode nos oferecer.
GABRIEL: Pois saiba que eu faria de tudo, abandonaria até esse meu sonho de me tornar um grande fazendeiro, só para ter você apenas para mim e nunca mais te ver junto daquele carinha metido á bacana.
PATRICIA: Que lindo isso amor, mas o melhor é que não precisamos fazer nada disso. Podemos ter tudo o que sonhamos e merecemos, desde que eu me case com o Rodrigo.
GABRIEL: Mas ai, você já não iria ser apenas minha.
PATRICIA: (dando-lhe um selinho) Bobo, eu sou e sempre serei apenas sua, mesmo que eu me case com o Rodrigo, que eu durma com ele todas as noite é você que eu amo, é você que eu desejo e ninguém irá mudar nunca isso. (se beijam)
GABRIEL: (levantando-se e preparando-se para ir embora) Mas dessa forma eu não te quero. Eu não aceito te ver casada e dormindo todas as noite com outro homem que não seja eu. Você vai ter que escolher: ou fica comigo ou com o dinheiro dele?
PATRICIA: Já que você quer assim, sinto muito meu amor, mas eu não posso abrir mão dele, eu não vou abrir mão daquilo que ele pode me oferecer, e muito menos deixar minha familia, pro resto da vida, nas mãos daquela empregadinha. Se você não aceita me dividir com o Rodrigo, então eu não posso mais ser sua, por que, no que depender de mim eu me casarei com ele sim.
MÚSICA: Unconditional Love_ Susanna Hoffs
GABRIEL: Então seja muito feliz, dona Patricia Sampaio Dias. (sai e ela chora).

CENA X
MÚSICA: My Immortal _ Evenescence
(TARDE_ Casa de Mercedes_ Pardal, após o almoço dorme no sofá, enquanto ela vigia o seu sono, sentada em uma outra poltrona. A campanhia toca e ela vai atender_ É Antônio Dias que viera atendendo ao telefone de sua ex mulher)
MERCEDES: Oi Antônio. Entre, que bom que você veio. (eles ficam se olhando por um momento)
ANTÔNIO: Claro que sim. Nunca deixaria de atender um pedido seu.
MERCEDES: Até parece né? Se você realmente atendesse todos os meus pedidos, a gente até hoje estaria juntos, e nossos filhos não teria crescido longe de mim.
ANTÔNIO: Você me chamou aqui para ficarmos relembrando o passado?
MERCEDES: Não, mesmo porque, pelo menos para mim, ele está morto e enterrado. Eu dou é graças a Deus por você ter ficado com a Maria, vocês dois se merecem, e como dizem, é melhor sozinha do que mal acompanhada.
ANTÔNIO: Então você me chamou aqui para me apurrinhar mesmo não é? Olha Mercedes, pois você escolheu um péssimo dia, e eu não vou perder meu tempo com isso. Com licença.
MÚSICA: Casinha Branca _ Roberta Campos
(Antônio se vira para ir embora e, finalmente, vê Pardal dormindo no sofá, no mesmo momento, surge em sua mente a lembrança de Luciano quando era pequeno, imagens do seu filho mais velho ajudando-o nas comitivas, brincando de ser peão quando estava em casa, em seguida; lembra-se de sua juventude, quando ainda era apenas um peão de comitiva, mas feliz, como nunca mais havia sido, junto de Mercedes. Ele se lembra de quando chegava em sua casa, cansado das comitivas, e ela o recebia de braços abertos junto de Fabiano)
MERCEDES: Antônio você está chorando?
ANTONIO: Que brincadeira é essa Mercedes? Esse moleque é a cara de nosso filho Luciano quando era pequeno. (ele vai até ele, ajoelha-se em frente ao seu rostinho angelical) Como isso pode ser possivel Mercedes?
MERCEDES: Eu não sei Antônio, só sei que esses dias atrás ele apareceu aqui em casa, todo faminto e esfarrapado, pedindo comida e hoje eu o encontrei novamente na rua.
ANTÔNIO: E o que você pensa em fazer com ele?
MERCEDES: Vou cuidar dele, criá-lo como se fosse meu filho.
ANTONIO: Mas você não pode fazer isso, você precisa devolvê-lo á familia.
MERCEDES: Ele não tem familia, ele não tem ninguem por ele.
ANTÔNIO: Então você precisa entregá-lo para o conselho tutelar.
MERCEDES: (nervosa) De jeito nenhum. Para quê? Para eles jogarem o coitado novamente em um orfanato? De jeito maneira.
ANTÔNIO: Mas Mercedes, você não pode simplesmente passar a criá-lo como se fosse seu filho. Você precisa procurar o conselho tutelar, e só assim, se ele realmente não tiver familia, e se você realmente quiser cuidar dele, poderá adotá-lo de acordo com a lei.
MERCEDES: Mas quando tempo isso iria demorar? Até lá o que seria dele? Iria sofrer sozinho em um orfanato , ou continuar na rua passando fome? Além do mais, se eu procurar a justiça e fazer tudo de acordo com a lei, quem me garante que ficarei com ele? Acho muito dificil algum juiz conceder a guarda a mim, uma mulher sozinha e já com certa idade.
ANTÔNIO: Bom, faça como você quiser, mas ainda acho que você está cometendo um erro, contudo se você prefere assim, pode contar comigo, irei dar todo o apoio que você necessitar para criá-lo.
MERCEDES: Obrigado
MÚSICA: My Immortal _ Evenescence
(Antônio tenta se levantar, mas devido a idade, tem alguma dificuldade, então Mercedes estende as mãos para ajudá-lo e os dois acabam caindo no tapete, ela por cima dele. Os dois começam a rir, se desmarnando por completo, e assim, estando tão próximos e desarmados, os dois se deixam levar pelo clima e pela emoção e se beijam apaixonadamente).

CENA XI
MÚSICA: She dont Love you_ Eric Paslay
(TARDE_ Cidade de Fernandópolis, interior de São Paulo_ surgem nas telas alguns prédios da cidade, na rua principal notamos um médio tráfego e surge escrito o nome da cidade_ A cena á seguir abre-se em uma grande propriedade rural, com altos muros e uma grande e potente grade, que impedem a saída e a entrada de pessoas sem permissão prévia_ Lucas chega nesse lugar e, olhando no endereço dado á ele por Maria Eulália, certifica-se de que se trata do hospital Psiquiátrico São Lucas, onde Lenita encontra-se internada_ Ele, um pouco indeciso, com medo e vergonha puxa conversa com o guarda que fica, em vigia, no portão)
LUCAS: Oi boa tarde senhor. Por acaso aqui é o hospital psquiátrico São Lucas?
PORTEIRO: Sim senhor, por quê?
LUCAS: Minha noiva está internada aqui eu vim visitá-la.
PORTEIRO: Qual o nome de sua noiva?
LUCAS: Lenita, quer dizer Helena Arruda.
PORTEIRO: Só um instante. (ele se afasta para rinterfonar para o escritório e certifica-se de que ali realmente está a pessoa por quem Lucas procura, depois volta para conversar com Lucas) Sim senhor, é aqui mesmo que essa moça se encontra.
LUCAS: Então será que eu posso vê-la?
PORTEIRO: Sinto muito, mas acabo de receber ordens para não permitir que niguem visite essa moça.
(Lucas, apertando contra o peito a medalhinha de Nossa Senhora Aparecida, se preocupa pois percebe que não será nada fácil retirar Lenita dali_ Corta a cena)

TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA XII
(TARDE_ Casa de Patricía_ Maria Efigênia encontra-se na sala, comodamente sentada em uma poltrona e lendo a sua revista de moda quando alguem toca a companhia)
MARIA EFIGÊNIA: O duro de ter apenas uma empregada é isso: que quando ela tem que sair eu mesmo preciso atender a porta. (ela abre a porta e, vendo a presença de Rodrigo ali, abre também um sorriso, pois acredita que ele viera ver sua filha) Rodrigo! Que surpresa boa. Você veio ver a Patrícia né? Eu sabia que você ia voltar atrás e a acabar se entendendo com minha fillha, vocês foram feitos um para o outro.
RODRIGO: Boa tarde dona Maria Efigênia. Sinto muito mas não vim ver e nem falar com sua filha, na verdade o término de nosso namoro dessa vez foi definitiva e está mesmo tudo terminado entre nós.
MARIA EFIGÊNIA: Então o que você quer?
RODRIGO: Falar com a Ritinha, ela está?
DR EMERSON: (que nesse momento entra na sala e responde á Rodrigo) Ela saiu Rodrigo, foi comprar umas coisas para fazer o jantar, mas ela deve estar chegando. Se você quiser, pode esperar. Sente-se ai.
MARIA EFIGÊNIA: Nada disso, já que você não veio falar com a Patricia, que é uma das donas dessa casa e sim com a empregadinha, você vai esperar por ela lá no quarto dela, se quiser.
RODRIGO: Tudo bem dona Maria Efigênia, como a senhora quiser, só preciso saber onde fica.
DR EMERSON: Venha comigo que e te mostro. (nesse momento a cena corta para o quarto de Ritinha, onde ela guarda todas coisas que retratam sua paixão por Rodrigo)
MÚSICA: Estoy enamorada_ Thalia e Pedro Capo
(Rodrigo entra no quarto e vê escrito no espelho a frase “Rodrigo eu te amo”. Observa as paredes que estão repletas de fotos dele e, encima da cama, o ursinho que ele havia dado para Patricia_ emocionado ele vai ás lagrimas pois reconhece ali, todo o amor que Ritinha guardara por ele, todo esse tempo_ nesse instante Ritinha adentra o quarto)
RITINHA: Rodrigo. Você está aqui? (ele que até então estava de costa observando tudo, se vira e olha para ela, repleto de carinho) Olha, eu posso explicar tudo isso aqui.
RODRIGO: Explicar o que Ritinha? Por acaso você consegue explicar como um homem como eu consegue ser tão idiota? Como um homem como eu, posso ter perdido tanto tempo com uma mulher como a Patricia, sem parar para enxergar, reconhecer e valorizar o amor que você guardou por mim por todo esse tempo? Acho que não! Nada consegue explicar isso, mas também eu não preciso mais de explicação nenhuma, tudo que eu quero agora e preciso é não perder mais tempo.
(Ele se aproxima dela e o beija, um beijo cheio de carinho e emoção. Depois entrelaçam suas mãos e ficam um olhando para o outro)
RITINHA: É isso mesmo Rodrigo, eu te amo, eu sempre te amei.
RODRIGO: E por que você nunca me disse nada?
RITINHA: Porque eu achei que você, sendo tão lindo, tão rico, não iria se interessar por mim.
RODRIGO: Talvez no passado eu não me interessasse mesmo, porque estava cego de paixão pela Patricia, mas agora, agora eu entendo tudo o que o Pai André um dia me disse.
RITINHA: E o que ele te disse?
RODRIGO: Ele me disse que ainda iria descobrir o verdadeiro amor que, após me libertar da paixão que tinha pela Patricia, iria descobrir uma moça que sempre esteve ao meu lado,mesmo me amando em silêncio, que estava destinada a mim pra me fazer feliz e acreditar novamente no amor.
RITINHA: E você acha que essa pessoa pode ser eu? Logo eu uma simples empregadinha, sem beleza nenhuma?
RODRIGO: Não fale isso. (retirando seus óculos e ajeitando um pouco seus cabelos) Você é linda por fora e, principalmente, por dentro. Por isso eu tenho certeza de que você é sim essa pessoa.
RITINHA: Tudo o que eu quero é te ver feliz.
RODRIGO: Se você quer mesmo me ver feliz: fica comigo. Eu não vou mentir para você, a Patricia ainda mexe comigo, mas depois de tudo o que vivemos e, principalmente, de tudo o que aconteceu aqui eu tenho certeza que você é a mulher da minha vida e eu quero ficar com você para sempre.
MÚSICA: Estoy enamorada_ Thalia e Pedro Capo
(Rodrigo e Ritinha se beijam novamente_ nesse instante Patricia, saindo da cozinha adentra o quarto)
PATRÍCIA: Rodrigo, meu amor, minha mãe me disse que você estava aqu…. (nem termina de falar e, adentrando o quarto, ve Ritinha e Rodrigo se beijando)

CENA XIII
(FINAL DA TARDE_ Fazenda de Antônio Dias_ os peões estão reunidos no curral conversando_ Luana chega)
LUANA: Bonito né? Muito bonito! Com tanta coisa pra se fazer aqui na fazenda e vocês todos aqui parados de conversinha.
BEM TE VI: Calma dona Luana, nós já terminamos todos os nossos afazeres de hoje, por isso estamos aqui descansando.
VITINHO: Verdade dona Luana, mesmo porque, acordamos e começamos a trabalhar muito cedo.
LUANA: Está bem! Está bem! Dessa vez passa, mas estou de olho heim! Estou de olho em todos vocês. Vitinho, venha comigo. Preciso falar com você.
VITINHO: Sim senhora. (ele o acompanha e os outros peões, vendo que eles já estão distantes começam a conversar)
PAULO: O que será que essa cascavél quer com o Vitinho heim?
BEM TE VI: Acho que ela vai mandar ele embora.
PAULO: Será?
BEM TE VI: Já passou da hora de alguem mandar essa bichinha embora, e é muito bom que ela faça isso com ele logo.
PAULO: Por que?
BEM TE VI: Porque senão, ela vai acabar perdendo o marido dela para ele. (eles riem e corta a cena)

CENA XIV
MÚSICA: Where You Will Go
(TARDEZINHA_ Fazenda de Clóvis Arruda_ Quarto de Cacau onde ela, deitada pensa em Eduardo, lembrando-se dos momentos mais felizes que tivera com ele)
CACAU: Eduardo, meu amor. que saudades, queria tanto poder estar do teu lado agora, ganhando seu carinho e me sentindo protegida em seus braços. Quando será que esse inferno vai acabar e eu poderei sair desse quarto, sair dessa casa e te encontrar de novo? Como será que você está agora? O que será que está fazendo? Talvez você nem se lembre mais de mim, talvez já tenha uma outra pessoa, mas eu , eu sempre vou te amar. (chora)
(Nesse momento a cena se abre para a casa de Antônio Dias _ quarto de Eduardo_ onde ele tenta ler um livro mas não consegue focar sua atenção e seu pensamento voa ao encontro dos momentos mais felizes que tivera com Cacau e também chora)
EDUARDO: Cecília, como será que você está meu amor? Eu me sinto um inutil sabendo que você esta ai, trancada, presa em seu próprio quarto e eu não consigo fazer nada para te ajudar, para te libertar desse cativeiro e te ver novamente em meus braços. (levanta-se e começa a andar pelo quarto) Eu preciso fazer alguma coisa, não consigo mais ficar sem noticias suas, sem ver seus olhos tão doces e sem sentir seu beijo. (ele sai do quarto batendo a porta_ corta a cena)

CENA XV
Imagens do por do sol na fazenda Aliança de Antônio Dias, onde as araras, em bando, buscam seu repouso noturno e as estrelas começam a alumiar, anunciando a chegada da lua. Abre a cena para a parte interna da casa onde Marcela está brincando com Jasmim_ Luciano chega e Clarinha corre ao seu encontro).
CLARINHA: Pai, desculpa, mas ela veio ver a Jasmim e disse que o senhor já tinha permitido, dai eu deixei ela entrar e ficar aqui.
MUSICA: A Thousand Years
(Nesse momento Luciano, voltando-se para trás vê Marcela brincando com sua filha, em sua mente ecoam as palavras de Cecília sobre o amor: “ O amor não é cego, não é por causa dele que deixamos de enxergar os erros e defeitos do outro, mas, mesmo enxergando-o, ainda assim, continuamos a amar e querer estar perto” _ lágrimas silenciosas e cheias de emoção correm de seus olhos.
LUCIANO: Marcela. (ela virando-se responde)
MARCELA: Luciano. (ela levanta-se, se aproxima dele) Desculpa, eu já estava indo embora, não quero te incomodar com minha presença, só queria ver a Jasmim. (ela vai saindo e ele a segura)
LUCIANO: Não, você não vai mais a lugar nenhum. Vai ficar com nossa menina e comigo.
MARCELA: Não estou entendendo você quer que… você me perdoa?
LUCIANO: Hoje uma pessoa muito sábia me ensinou que amor tudo supera que, por maior que seja o erro do outro, o amor deve ser maior e nos manter do lado amando-o e perdoando. Sim Marcela, eu te perdoou. Fica comigo?
(Marcela, nada responde, apenas corre ao seu encontro e lhe beija, demonstrando em seu beijo que ficar ali, ao lado dele, era tudo o que ela mais queria)

CENA XV
(Tardezinha_ Luana e Vitinho estão no casebre dele, conversando)
LUANA: Escute aqui Vitor, eu te livrei da cadeia e te trouxe para cá para que você seduzisse meu marido e me ajudasse a dar um flagrante nele, mas até agora nada disso aconteceu. Se fosse pelo Antônio você já teria ido embora há muito tempo, mas eu estou tentando impedir, por que preciso que você cumpra com o seu prometido. Mas chega. O Fabiano hoje, além de tudo, ousou me dar um tapa e isso não vou permitir, por isso quero esse flagrante essa noite.
VITINHO: Mas e se eu não conseguir? Faz mais de um mês que estou aqui, fazendo de tudo para seduzí-lo mas ele esta cada dia mais distante, com medo de se envolver, de se entregar.
LUANA:Hoje será diferente, ele está fragilizado porque descobriu que o filhinho dele é um drogado. Tenho certeza que hoje ele se entrega.
VITINHO: Mas, e se mesmo assim ele não se entregar, se ele fugir novamente?
LUANA: Bom se mesmo assim, você for tão inútil que não conseguir seduzir aquela florzinha enrustida (entrega um frasco de remédio) Você vai dar esse remédio para ele misturado com alguma bebida. Ele irá dormir, dai você tira a roupa dele, coloca-o em sua cama e me mande uma mensagem. Quando eu receber essa mensagem dou um jeito de trazer o pai e o irmão dele aqui para pegar vocês dois, supostamente no flagra. Você entendeu? (corta a cena, focalizando o olhar e o sorriso maquiavélico e diabólico)

(a cena congela e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

FINAL DO VIGÉSIMO NONO CAPÍTULO

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