Coração sertanejo: Capítulo 27 – Com a verdade debaixo do nariz

Coração sertanejo: Capítulo 27 – Com a verdade debaixo do nariz

Todos enfrentamos problemas na vida , e ultrapassá-los é uma questão de os encararmos sem medo.

CENA I
MÚSICA: suspense.
(inicia-se o capitulo com Clóvis Arruda espionando Maria Eulália se encontrando com Quinzinho)
QUINZINHO: Meu amor, que surpresa! (lhe beija)
MARIA EULÁLIA: Eu não me aguentava mais de tanta saudades de você, meu amor.
(Quinzinho lhe beija, tira seu vestido, ela tira sua camisa e se deitam na cama trocando carícias cada vez mais quente, enquanto Clóvis Arruda assistia a tudo, atônito e repleto de ira)
CLÓVIS: Eu vou acabar com essa palhaçada agora, vou entrar e matar os dois. (vai entrando, para e pensa) Não! Melhor não, deixa os dois porcos se chafurdarem na lama, depois eu acabo com essa palhaçada da melhor forma possível, mesmo porque, se eu matar esses dois desgraçados agora posso perder muitos votos e até ir pra cadeia. É isso, melhor eu me controlar. (sai e deixa os dois no barracão fazendo amor)

CENA II
MÚSICA: A Thousand Years_ Christina Perri
(varías passagens noturnas da cidade de Recanto Doce, cortando para o sítio de Inaiê, focaliza a casa e depois passamos para a cena que está acontecendo em seu interior, ou seja, o beijo de Marcela e Luciano_ eles estão se beijando apaixonadamente, de repente Luciano interrompe)
LUCIANO: Desculpa, eu não sei o que deu em mim.
MARCELA: O mesmo que também deu em mim: saudade, amor, paixão. Lu a gente se ama, a gente se faz tão feliz. Por que você não me perdoa e me dá mais uma chance?
LUCIANO: Porque você me magoou demais, traiu minha confiança e isso é imperdoável. Bom já estamos combinados, por amor á Jasmim eu permito que você vá visitá-la sempre que você puder, será bem vinda em minha casa.
MARCELA: Queria ser bem vinda novamente em seu coração, em seus braços.
LUCIANO: Esqueça isso. Bom tenho que ir. boa noite. (sai_ deixando Marcela, que ao vê-los sair, chora jogada em sua rede)

CENA III
(Início da noite_ Casa de Madame Clotilde_ ela e suas “mariposas” estão todas agitadas, terminando de preparar a casa para atender os clientes_ Michel chega e é atendido por Carmela)
CARMELA: Oi gatinho, tá afim de compania?
MICHEL: Não, não muito obrigado Carmela, mas minha demora aqui é pouca, vim só trocar uma ideia com minha mãe.
CARMELA: AH sim!(grita para Madame Clotilde) Madame Clotilde, madame Clotilde! Seu filho veio te ver. (Madame Clodilte, sai de onde estava e vem fala com ele)
MADAME CLOTILDE: Oi filho, que saudades (lhe dá um longo abraço).
MICHEL: Eu também mãe, eu vim aqui porque precisava conversar com a senhora.
MADAME CLOTILDE: (levando-o para se sentar junto á ela no balcão) Pode falar filho, aproveite que tá tudo tranquilo por enquanto e os clientes ainda não chegaram.
MICHEL: É sobre isso que vim falar com a senhora.
MADAME CLOTILDE: Como assim filho?
MICHEL: Desculpa mãe, mas eu ainda não aceito a ideia da senhora continuar a viver nessa vida de cafetina. Eu sei que a senhora entrou nessa vida para sobreviver mas eu quero mudar isso.
MADAME CLOTILDE: Mudar como filho?
MICHEL: Eu me entendi com o meu pai e ele vai me dar todo o apoio que eu preciso para abrir uma casa de shows aqui nessa cidade, ai a senhora pode fechar esse andro e ir trabalhar comigo.
MADAME CLOTILDE: Mas filho, toda a minha vida eu trabalhei com isso, e outra, no fundo, no fundo eu gosto desse movimento, desse clima constante de festa.
MICHEL: Mas mãe, sempre é tempo de mudar, além do mais, abrindo uma casa de shows comigo a senhora vai continuar a trabalhar nesse clima de festa. Mas por favor, saia dessa vida.
MADAME CLOTILDE: Mas e toda essa gente que trabalha comigo?
MICHEL: Podemos empregar na casa de shows, os garçons, o barmam podem trabalhar no bar da casa.
MADAME CLOTILDE: E as minhas meninas filho? O que seria delas?
MICHEL: Ah mãe, elas podem fazer outra coisa, sei lá, de repente elas podem fazer shows de dança, uma coisa é certa eu não vou deixar ninguem desamparado.
MADAME CLOTILDE: Sei não filho, essa é uma decisão muito séria, preciso pensar muito bem.
MICHEL: Bom mãe, estou te oferendo a oportunidade de deixar essa nada fácil vida, mas se a senhora quiser continuar, a escolha é sua.
MADAME CLOTILDE: Eu sei filho, obrigado, obrigado também pelo convite. Agora tenho que trabalhar, mas fique ai, tome alguma coisa, é por conta da casa. (ela se afasta, ele pede um uísque e fica tomando_ corta a cena).

CENA IV
(NOITE_ Fazenda de Clóvis Arruda_ ele está sentando em uma poltrona tomando um uísque e Maria Eulália chega, encontrando-o)
MARIA EULÁLIA: Clóvis! Você já chegou do trabalho?
CLÓVIS: Que pergunta ridícula é essa dona Encrenca? Não está me vendo aqui, plantado te esperando? Pois então, e porque eu já cheguei, não acha? Agora, responda-me: Aonde você estava que não estava aqui cuidando da casa?
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

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CENA V
(Reincia-se com a cena entre Maria Eulália e Clóvis Arruda)
CLÓVIS:Vamos mulher! Responda: Aonde você estava?
MARIA EULÁLIA: Eu.. bem eu…
CLÓVIS: Você estava na cama com seu amante sua vagabunda. (ele lhe dá um tapa fazendo-a cair longe_ se aproxima e se inclina para olhá-la nos olhos) Escuta aqui: se você pensa que vai continuar a me colocar um par de chifres está muito enganada ouviu? Eu nunca vou permitir uma coisa dessas.
MARIA EULÁLIA: Como você descobriu?
CLÓVIS: Bom, na verdade isso não tem a mínima importância, mas se você quer mesmo saber, deste aquela conversa que tivemos, em que você me pediu o divórcio, eu fiquei com uma pulga aqui atrás da orelha, daí foi só te seguir e pimba! Vi você entrando no barraco do Quinzinho e se deitando com ele igual uma rampeira. (lhe da outro tapa)
MARIA EULÁLIA: È verdade sim, a gente tá junto, a gente se ama. Pela primeira vez na minha vida estou sabendo o que é ser amada, desejada, protegida e cuidada por um homem de verdade, que sabe reconhecer o meu valor.
CLÓVIS: Cala a boca, esse seu showzinho melodramático não me interessa, mas eu digo á você: se você gosta mesmo desse peãozinho afaste-se dele porque senão você irá visitá-lo sim, mas é debaixo de sete palmos de terra. È isso que você quer para o seu amante? Que ele leve uma bala no peito ou um pexeira no bucho?
MARIA EULÁLIA: Não Clóvis, pelo amor de Deus, não faça nada contra ele, eu te imploro. (se ajoelha e agarra em suas pernas chorando)
CLÓVIS: Eu posso muito bem atender seu pedido e poupar a vida do infeliz, basta que você me prometa que nunca mais vai se encontrar com ele e principalmente, que vai voltar a ser aquela mulher doce e submissa que você era antes da louca da sua filha volta para essa casa.
MARIA EULÁLIA: Tudo bem Clóvis, eu faço tudo o que você quiser, mas não faça nenhum mal á ele. Ele não tem culpa a culpa foi minha, toda minha.
CLÓVIS: Agora engole esse choro e suba, se tranque em seu quarto e só saia de lá no dia em que eu te mandar, até lá, você vai ficar a pão e água para aprender a me respeitar e obedecer.
MARIA EULÁLIA: Tudo bem Clóvis, eu faço tudo o que você quiser. (sai_ ele fica tomando seu uísque e gargalhando da situação) Se ela pensa que conseguiu livrar a vida daquele filhaduégua está muito enganada, vou só esperar o momento certo para dar cabo dele aqui dessa terra. (corta a cena)

CENA VI
(NOITE_ fazenda de Antônio Dias_ quase toda a família, com exceção de Netinho, está na sala de jantar reunida, se preparando para jantar. Nesse momento Luciano chega com Jasmim)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Até que enfim, estavamos te esperando para jantar.
LUCIANO: Obrigado dona Maria, mas eu estou sem fome. (fala com Cecília) Cecília, por favor, cuide de sua irmã e dê comida á ela, sim?
CECÍLIA: Pode deixar pai, eu tomo conta dela.
(Luciano vai subindo as escadarias e Rodrigo o intercepta)
RODRIGO:(falando baixo) E ai pai? O que rolou la na casa da Marcela? Vocês se entenderam?
LUCIANO: Nunca meu filho, eu nunca irei perdoar o que ela me fez. Agora com licença, preciso descansar. (volta pega uma garrafa de uísque causando a admiração de todos) Me deixem sozinho com meus pensamentos. (ele sobe)
CECÍLIA: Voti, nosso pai voltou acabadão da casa da Marcela heim!
CLARINHA: Será que eles brigaram?
LUANA: Tomara, alías, se o pai de vocês tivesse o mínimo de vergonha na cara nem pisaria os pés naquele lugar, não depois de ter sido feito de bobo por aquela mulherzinha.
RODRIGO: Aquela mulherzinha ama o meu pai de verdade, e ele o ama. É verdade que a Marcela errou muito, mas nessa vida quem nunca errou? Quem não tem pecado que atire a primeira pedra.
ANTÔNIO: Aquela mulherzinha Rodrigo, assim como sua noivinha, só queriam saber do dinheiro dessa familia, do dinheiro que eu conquistei á duras penas.
RODRIGO: Eu já terminei tudo com a Patrícia e não quero mais falar sobre isso. Enfim vamos jantar em paz que é o melhor que temos á fazer. (eles começam a jantar)
FABIANO: (para Luana) E o Netinho Luana, ele não vem jantar com a gente?
LUANA: Sei lá daquele muleque.
CECÍLIA: Pois deveria saber, aliás vocês dois deveriam saber o que está acontecendo com o Netinho, debaixo do nariz de vocês e vocês não enxergam.
LUANA: O que você está insinunando do meu filho?
CECÍLIA: Nada, se a senhora como mãe ainda não percebeu como o seu filho está mudado, não adianta eu dizer nada que a senhora não vai acreditar. Só espero que quando vocês abrirem os olhos, não seja tarde demais. (corta a cena)

CENA VII
MÚSICA: Imagine Dragons – Radioactive
(NOITE_ Praça da cidade_ a guange de Bady boy juntamente com Netinho estão se divertindo, bebendo e usando drogas, riem descontroladamente e sem motivo)
NETINHO: Já que sendo um carinha todo certo minha mãe nunca percebeu que eu existo, agora ela e toda aquela família irá descobrir e da melhor forma possivel. (puxa mais trago)
EMANUELLE: Isso ai gatinho. (lhe dá um beijo e morde seu pescoço, arranhando as suas costas) vamos botar essa cidade inteira pra ferver. (eles riem)
NETINHO: Me vê mais uma baganinha aí Bady, essa noite quero ficar doidão e esquecer todos os meus problemas, apagar da minha mente todos os fantasmas que me destroem, toda lembrança amarga e toda decepção.
BADY BOY: Isso ai playba, o negócio é curtir e ficar doidão. (eles continuar a rir, usar drogas e a beber_ Corta a cena)

CENA VIII
(NOITE_ Casa de Madame Clotilde_ A casa já está cheia de “clientes” Madame Clotilde procura receber á todos com atenção enquanto Michel continua a beber no balcão_ nesse momento delegado Baleia [um delegado totalmente atrapalhado e obeso] chega na casa acompanhado de dois policiais_ Delegado Baleia já chega trombando nos garçons e fazendo várias bandeijas caírem)
DELEGADO BALEIA: Todos parados, aqui é a poliça.
MADAME CLOTILDE: Jura! Olhando assim pra você, pensei que fosse o Batman.
DELEGADO BALEIA: Não brinque senhora, o assunto aqui é serio. Sou o delegado Baleia.
MADAME CLOTILDE: Percebe-se, nunca um nome combinou tanto com a fisionomia do peão.
DELEGADO BALEIA: Já disse para parar de gracinhas, sou o delegado Anselmo Baleia, e estou aqui com uma ordem do juiz pra fechar essa espelunca.
MADAME CLOTILDE: Epa! Alto lá! Veja bem como fala de meu estabelecimento!
DELEGADO: Que mané estabelecimento o quê? Isso aqui é um puteiro e minha ordem é fechar tudo ou levar a dona pressa.
MICHEL: (intervindo) Mãe, tudo menos isso, eu não quero ver a senhora na cadeia, por favor.
MADAME CLOTILDE: Mas deve estar havendo aqui algum engano moço, eu tenho esse estabelecimento, já faz pra mais de 15 anos, aqui nesse mesmo lugar.
DELEGADO BALEIA: Não tem engano nenhum, o senhor excelentíssimo prefeito sugeriu essa medida provisória de que, a partir de hoje, está proibido qualquer atividade ligada á prostituição nessa cidade e eu não quero saber, o mandato está mandado, vamos fechar isso agora.
MADAME CLOTILDE: Meu Deus e agora? O que faremos? Para onde vão toda essa gente que vive aqui e que depende desse emprego? (corta a cena no rosto apavorado de Madame Clotilde)
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VII
(Reinicia-se com a cena em que a “casa” de Madame Clotilde está sendo fechada)
MADAME CLOTILDE: Meu Deus! E agora? O que faremos? Para onde vão toda essa gente que vive aqui e que depende desse emprego?
DELEGADO BALEIA: Isso é problema de vocês, se virem, eu recebi a ordem de fechar e estou fechando. (ele é vaiado pelos clientes)
DELEGADO BALEIA: Não quero saber de vaias, nem de reclamações ou xororo. Acabou-se a sem-sem-vergonhice meu povo. O puteiro está fechado. (os clientes vão saindo)
MADAME CLOTILDE: Mas será que podemos, pelo menos, continuar a morar nessa casa? Toda essa gente que mora e trabalhava comigo não tem para onde ir.
DELEGADO BALEIA: Tudo bem, você podem continuar a morar aqui, pelo menos por enquanto, mas se eu desconfiar de alguma atividade suspeita eu levo todos em cana. Entenderam?
MADAME CLOTILDE: Sim.
( O delegado e seus guardas saem da casa_ Atortoada Madame Clotilde joga-se em uma das poltronas e começa a chorar desesperada)
MADAME CLOTILDE: E agora meus queridos? O que faremos para sobreviver? Ainda bem que ele nos permitiu continuar a morar aqui, mas como faremos para comer? Sinceramente eu não tenho condições de continuar a pagar salário para vocês.
MICHEL: Não se preocupe mãe, acho que agora, mais do que nunca, a senhora deveria aceitar meu convite.
MADAME CLOTILDE: Tem razão filho, acho que não tenho outra escolha.
CHICA GAITERA: Do que vocês estão falando? Dividam com a gente, estamos todos preocupados.
MICHEL: Eu irei abrir uma casa de show e irei contratar todos vocês.
CHICA GAITERA: Todos nós?
MICHEL: Sim, você Chica , por exemplo pode abrir os shows da casa e, até mesmo, fazer seus próprios shows, você é talentosíssima.
GARÇOM: E nós?
MICHEL: Ora essas, eu também vou contratar vocês, afinal precisarei de vocês para servir os clientes da casa.
CARMELA: E nós? Para o que nós serviremos em uma casa de shows.
MICHEL: Para fazer shows, ora essa. Eu reparei que todas vocês dançam muito bem, então poderão ser minhas dançarinas.
CHICA GAITERA: Clotilde, seu filho salvou a nossa pele.
MÚSICA: Heaven (Boyce Avenue)
(tomada por grande alivio e alegria, Chica Gaitera pula no pescoço de Michel abraçando-o, depois, ainda abraçados, ficam se olhando)
CHICA GAITERA: Desculpa Michel, eu acabei me empolgando com a noticia.
MICHEL: Tudo bem Chica, fico feliz que vocês tenham gostado. (ele _ em off_`continua a expor os planos para a casa de show).

CENA VIII
(NOITE DE LUA CHEIA_ Candida e Pureza conversam animadas na calçada em frente á casa de Pureza)
CÂNDIDA: Se viu menina, fique sabendo que a filha mais velha do Clóvis Arruda foi levada, numa camisa de forças, para um hospício? Coitada.
PUREZA: Ah mas tava na cara que aquela menina era maluquete né? Também com um pai daqueles, até eu ficaria doida.
CÂNDIDA: Mas, mesmo não sendo filha dele, você já é doida.
PUREZA: O que cê disse?
CÂNDIDA: Eu tava falando que quando eu tava vindo para cá. eu vi uns poliça entrando naquele andro de perdição. que é a casa da Madame Clotilde.
PUREZA: Serio muié? Então será que eles vão fechar aquele escritório do inferno?
CÂNDIDA: Tomara, já passou da hora daquele delegado balofo fazer alguma coisa.
PUREZA: È verdade.
CÂNDIDA: E eu aposto que tem o dedo da Purificação nisso. Ah se tem.
PUREZA: Candinha. Cê reparou num negócio?
CÂNDIDA: Que negócio criatura, vê lá se eu sou fofoqueira igual você pra ficar reparando no negócio dos outros?
PUREZA: Tô falando da lua. Olha como ela tá linda, redondinha redondinha lá no ceu. (estende o braço tentando tocá-la) Dá ate vontade de tocar.
CÂNDIDA: Ih melhor você entrar logo para dentro e tomar um banho gelado, o efeito da lua cheia nunca te fez bem.
PUREZA: (rodopiando alegre) Pois eu nunca me senti tão bem assim, em toda a minha vida, parece que minha alma e a lua são um ser só. Mas você tem razão, preciso me refrescar porque tô com muito calor. (vai até uma torneira que tem no campinho em frente á sua casa) Ai que delícia.
CÂNDIDA: Ih sei não Pureza, sei não.
PUREZA: (tirando a roupa e ficando apenas com calcinha e sutiã) Acho que posso tirar um pouco essa muntueira de roupa, tá mesmo muito calor. (joga mais água no corpo tentando se refrescar mas não consegue) Parece que meu corpo tá pegando fogo. To me sentindo ser incendiada. (começa a andar pelas ruas gritando) Me ajudem! Me ajudem não aguento mais esse calor na bagurinha. Algum homi de verdade me ajuda a apagá? Ai ai, ai que calor na bagurinha. (sai perambulando pelas ruas gritando e pedindo ajuda para apagar o fogo)_ Corta a cena.

CENA IX
MÚSICA: Million Reasons_ Lady Gaga
(NOITE_ Fazenda de Antônio Dias_ Fabiano está sentando em uma mureta pensando nos momentos que tivera com Vitinho)
FABIANO: Meu Deus! O que está acontecendo comigo? Por que eu não consigo tirar ele da minha cabeça? Por que toda vez que eu o vejo, ouço sua voz ou até mesmo penso nele meu corpo estremece, meu coração acelera? O que está acontecendo comigo? Não pode ser! Eu não posso dar mais esse desgosto para o meu pai, eu não posso. Acho que vou conversar com ele e pedir para ele ir embora daqui, pra bem longe, bem longe de mim e disso que estou sentindo e tenho vergonha de confessar a minha mesmo. (Pausa pensante) Mas eu não posso! Eu não conseguiria viver sem ele por perto. O que eu faço meu Deus? Me ajuda! Me ajuda a me entender! A entender essa coisa louca que está acontecendo aqui dentro de mim. Me ajuda a arrancar do meu peito esse sentimento.
(ele pensa mais um pouco, lembrando-se do sorriso de Vitinho)
FABIANO: Eu não aguento mais, preciso vê-lo, olhar pra ele, ouvir a sua voz, nem que seja por alguns instantes.
(ele se levanta e sai, indo atrás de Vitinho, chegando na casa de Vitinho não o encontra, então pergunta á alguns peões que estavam reunidos em volta de uma fogueira conversando)
FABIANO: Oi gente, tudo bem? Boa noite!
PAULO: (um dos peões) Bas noite patrãozinho. O que manda?
FABIANO: Eu precisava conversar com o Vitor, vocês sabem onde ele está? Fui até a casa dele e não o encontrei.
(os peões se entreolham rindo com maldade)
PAULO: O que ocê queria na casa daquele baitola patrãozinho? Ainda mais uma hora dessas da noite?
FABIANO: Baitola? Quem? Eu to perguntando é do Vitor
PAULO: Pois é patrão, e vai me dizer que o senhor não sabe o que moço é um baitolão, um frosô, que ele dorme de meia, pisa na chapinha, morde a fronha?
FABIANO: Que horror! E isso é jeito de falar de um amigo de vocês?
BEM TE VI: Desculpa patrãozinho, mas ele não é amigo nosso não. Acha que nós iamos ser amigo de um boiola daqueles, de gente daquele tipo a gente quer é distância. Sinceramente não sei como o senhor foi capaz de contratar um cara daquele, um péssimo peão e ainda por cima viado.
FABIANO: E se ele for mesmo homosexual? E dai? Isso não é motivo de vocês tratá-lo assim não. Sabiam?
PAULO: AH para patrãozinho, um infeliz daquele merecia era uma surra por dia para ver se aprende a virar homem. Onde já se viu com tanta mulher no mundo e o cara vai gostar de sair com outro macho?
FABIANO: Cada um tem o direito de fazer suas escolhas, apesar de que acho que isso nem é escolha, acho que ninguem escolha ser gay para ser excluido, humilhado, rejeitado pela familia e pela sociedade. A pessoa é o que é, nasce assim.
BEMTE VI: Que isso patrão? Deus fez o homem e a mulher tudo perfeito. Esse negócio de boiolagem é tudo semvergonhice e falta de umas boas porradas na cara, e sinceramente, não sei como o senhor: um dos donos disso tudo, casado, pai de família pode defender um cara desses e ainda viver de papinho com ele.
PAULO: Verdade patrãozinho, cuidado heim! Daqui a pouco o povo maldoso, que tem a língua maior que a boca, vai estar falando que o senhor é igual á ele. (os peões riem)
FABIANO: (sem graça) Eu? Igual á ele? Imagina! Bom deixa eu ir, boa noite pra vocês.
MÚSICA: Million Reasons_ Lady Gaga
(ele se afasta, decepcionado com ele mesmo por ter negado sua verdadeira essência e cheio de medo de sofrer a mesma retaliação. Ao fundo, os peões conversando em off_ corta a cena).

CENA X
MÚSICA: Million Reasons_ Lady Gaga
(NOITE_ PRAÇA DA CIDADE_ Sorveteria Central_ Vitor está sentado numa mesinha na calçada bebendo cerveja, já completamente bêbado, Jair vai passando por ele e ele o chama)
FABIANO: Sr Jair, por favor, me traz mais um loirinho.
JAIR: Você quer dizer uma loirinha não é?
FABIANO: Que mané loirinha o quê? De loira eu quero distância, eu queria mesmo agora era um loirão de 2 metros de alturas, olhos azuis, barriguinha de tanquinho e todo marombado.
JAIR: Ave Maria, cruz em credo. Um homem querendo outro homem. Até aqui chegou essa moda?
FABIANO: Ih Sr. Jair relaxa, relaxa senão não encaixa. Bom! Se não tem esse deus nórdico, me traz mais uma cerveja mesmo, pra eu poder esquecer que to perdido e mal pago.
JAIR: Sinto muito moço, mas já estamos fechando, além do mais o moço, ou moça nem sei mais, já bebeu além das contas. É melhor ir embora.
FABIANO: Nossa mas aqui é mesmo o fim do mundo viu. (da o dinheiro) Pode ficar com o troco bonitão. (vai saindo)
MÚSICA: Mùsica de terror
(Vitinho vai caminhando de volta para a fazenda, num determinado momento escuta passos atrás de sim, quando se vira para olhar não vê nada)
FABIANO: Eita! Bem que o senhor Jair disse que eu já tinha bebido demais, já tô ate escutando passos.
(continua a caminhar, de repente escuta novamente os passos) Eita escutei de novo. O que será? (quando se vira para verificar o que é, dá de cara com a noiva fantasma vindo em sua direção)
FABIANO: Ave maria, com tanta assombração macho para me aparecer: lobisomem, vampiro, Frankenstein, até mesmo o saci servia, e me aparece uma assombração de calcinha? É muito azar.
NOIVA FANTASMA: Vem para meus braços amor.
FABIANO: (dá-lhe uma banana) Aqui que eu vou. Nem pros braços de uma mulher de verdade eu vou que dirá pros braços de uma assombração fêmea. (de dedo levantando e outra mão na cintura) Me pegue se for capaz. (sai correndo)
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA XI
(NOITE_ Fazenda de Antônio Dias_ quarto de Luciano)
MÚSICA: I stardet a jocke by_ Faith no more
(Luciano, sai do banho apenas com uma toalha vermelha enrolada em seu corpo, senta-se em uma poltrona e fica lembrando do beijo que dera á pouco em Marcela. A imagem do beijo passa em sua mente como um filme e ele chora, chora em silêncio por que ainda ama aquela mulher que o enganou_ olha para a sua penteadeira e vê a garrafa de uísque que havia pego, abre e começa a tomar para tentar tirar de sua cabeça aquela imagem, ao mesmo tempo linda e triste_ Corta a cena)

CENA XII
MÚSICA: Away in silence _ Creed
(NOITE_ Praça da cidade_ Netinho está totalmente drogado e alcolizado, toda a turma já havia ido embora e ele continuava ali tendo altos delirios causados pela droga).
(Nesses delírios veem imagens de Cecília sorrindo para ele, vestido de branco esvoaçante e uma linda coroa de flores na cabeça, ela está em um lindo jardim estendendo as mãos para ele que lhe dá a mão e os dois saem felizes a correr por um lindo vale. De repente aparece sua mãe vestida de preto com o rosto diabólico, gargalhando. Nesse instante do delírio, tudo em sua volta desaparece: as flores, o campo, as árvores e principalmente Cecília e ele fica sozinho a beira de um precípio de onde se joga)
(voltando a imagem para a realidade vemos Netinho ainda jogando no chão, delirando e se debatendo para acordar daquele delírio_ Nesse momento passa pela praça, com sua charrete Pai André que o encontra e percebe que ele necessita de ajuda, sem contudo, saber que se trata de seu próprio neto_ Pai André se aproxima dele, se inclina e o chama tirando-o do delírio)
NETINHO: (gritando) Não! Socorro!
PAI ANDRÉ: Calma filho, calma! Eu estou aqui e vou cuidar de você.
MÚSICA: Away in silence _ Creed
(eles se olham cheios de ternura e se abraçam com muito carinho) _ (Pai André o ajuda a se levantar e a subir em sua charrete levando-o para sua casa_ Corta a cena)

CENA XIII
(NOITE_ Fazenda de Antônio Dias_ Quarto de Luciano, ele ainda está apenas enrolado em uma toalha mas já está completamente alcolizado. Nesse instante alguem bate a porta)
LUCIANO: Ô caramba! Quem será que está enchendo o saco uma hora dessas. Eu não disse para me deixarem sozinho com meus pensamentos? (a pessoa que está do outro lado da porta é insistente e continuar a bater) Tá bom, tá bom! To indo abrir essa desgrama. (ao levantar fica tonto e cai, levanta-se e vai, cambaleando, abrir a porta_ do outro lado é Luana interessada em saber como ele esta)
LUCIANO: Você Luana. Nossa quando mais eu rezo mais assombração me aparece.
LUANA: Poxa eu aqui toda preocupada com você, vim até te trazer um lanchinho, já que você não jantou, e é assim que você me agradece.
LUCIANO: Desculpa vai Luana, você sempre se preocupa comigo. Você é um amor de pessoa sabia? Um anjo.
LUANA: Obrigado Lu.
LUCIANO: É serio, eu nem sempre soube te tratar como você merece e te agradecer por cuidar tão bem de mim.
LUANA: Que isso? Não precisa agradecer não. (Ele se joga nos braços dela, tentando abraçá-la, nesse momento ela enxerga a garrafa de uísque quase toda esvaziada) Agora vem aqui. (coloca ele sentado na cama) tome ao menos esse chazinho que eu te trouxe, vai te fazer bem.
LUCIANO: (tomando) Ai Luana é horrivel isso!
LUANA: Eu sei. É horrivel mas vai te fazer bem. È chá de losna com boldo.
LUCIANO: Pronto tomei tudo e agora?
LUANA: Agora! Agora o senhor vai deitar aqui e dormir porque amanha e outro dia e tudo vai se resolver, te garanto.
MUSICA_ From This Moment On (Shania Twain)
(coloca ele deitado na cama. Ficam se olhando_ nesse momento Luciano, movido pela paixao e pelo efeito do alcool, não enxerga mais Luana, em seu lugar ele enxerga Marcela, como se fosse ela que estivesse cuidando dele e, sem pensar duas vezes, lhe abraca e lhe da um lindo e longo beijo)
LUANA: Ai Lu, como sonhei com esse dia. Eu te amo tanto, tanto. Você e a coisa mais importante na minha vida. (lhe beija novamente)
LUCIANO: Eu também te amo muito, meu amor, você é o amor da minha vida Marcela e com você que quero ficar o resto da minha vida.
(Ela então se da conta de que, na verdade ele estava beijando-a imaginando ser Marcela, então, ela se afasta, fecha a porta e, deslizando suas costas na porta chora amargamente).

CENA XIV
MUSICA_ Where You Will Go
(NOITE_ Fazenda de Antonio Dias_ sala de estar_ Eduardo esta pensando em Cacau_ Rodrigo chega)
RODRIGO: E ai manin! Por que voce ta ai com essa cara de quem comeu e não gostou. Na maior depre?
EDUARDO: Oi manin, nem vi que voce estava aqui. É eu estou mesmo meio pra baixo, saudades da Cacau.
RODRIGO: E pelo jeito aquela menina te pegou de jeito né irmaozinho?
EDUARDO: Sim, nos estamos muito apaixonados.
RODRIGO: Mas entao, por que esta ai xururu?
EDUARDO: Ela e filha do Clovis Arruda, maior inimigo politico do vovo e, por isso, ele não permite nosso namoro, coloca ela trancada de castigo, dias e dias sem sair de casa.
RODRIGO: Poxa manin! Ai e tenso heim! Ta igual a historia de Romeu e Julieta.
EDUARDO:Igual mesmo. Mas e ai, voce foi la conversar com a Ritinha?
RODRIGO: Claro ne manin, eu devia isso a ela. A coitada tentou abrir os meus olhos sobre aquela vagabunda da Patricia e eu ainda a tratei super mal, devia ao menos um pedido de desculpas.
EDUARDO: Mas so isso? Não rolou nenhum climinha a mais não?
RODRIGO: Para com isso manin, eu ainda não consegui esquecer aquela piranha da Patricia.
EDUARDO: Pois devia, alias, devia tambem partir para outra e eu acho a Ritinha uma otima pessoa, sem contar que, detras daquelas roupas e daquele oculos, eu sei que esconde uma gatinha linda, doidinha para ter uma chance com o gatao aqui.
RODRIGO: Voce acha que ela e afim de mim?
EDUARDO: Acho não, tenho certeza, e so ver a forma como ela olha para voce maninho. Lembra do que aquele andarilho lhe disse?
RODRIGO: E como eu ia esquecer? As palavras dele ficaram gravadas para sempre em mim, mesmo eu não tendo entendido direito.
EDUARDO: Pois entao! Para mim, aquela mulher que o velho disse e a Ritinha.
RODRIGO: Sera?(ele fica pensativo_ corta a cena)

CENA XV
MUSICA: Crushin It _ Brad Paisley
(MANHA_ varias cenas de paisagem rural do amanhecer do dia naquela fazenda, cena de alguns cavalos galopando livre na campina enquanto outros se alimentam e um outro ainda cuida de seu filhote. Em outra cena a criacao de gado, muito bem cuidada e os peões cuidando deles, enquanto Bem-te-vi tira o leite para a familia)
(Interna da casa de Antonio Dias, todos estao á mesa tomando café, Luana desce as escadas desesperadas)
LUANA: Eu não acredito! Como isso pode acontecer comigo?
LUCIANO: O que foi Luana? Não grite, estou com uma dor de cabeça enorme.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Isso e ressaca das brabas. Também quem manda passar a noite inteira enchendo a cara?
RODRIGO: Diga logo o que aconteceu tia. Parece ate que viu a noiva fantasma.
LUANA:Pior Rodrigo, muito pior do que isso. Olhe meu porta joias. (todos olham espantados) Ele esta vazio. Eu fui roubada. (corta a cena)

(a cena congela e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).
FINAL DO VIGÉSSIMO SÉTIMO CAPÍTULO