Coração sertanejo: Capítulo 26 – Reencontro

Coração sertanejo: Capítulo 26 – Reencontro

CENA I
(Retoma a cena em que Rodrigo e Eduardo, entrando na gruta, pegam Patrícia e Gabriel no flagra)
PATRÍCIA: Relaxa amor, eu não sinto nada por aquele otário, só nojo. Ele é ridiculo, nem tem como competir com o homem de verdade que é você. (lhe beija e Rodrigo chega)
RODRIGO: Vagabunda.
PATRÍCIA:O que é isso? Rodrigo, meu amor, o que você está fazendo aqui?
RODRIGO: Descobrindo o que eu já devia saber á muito tempo: toda a verdade sobre você sua vadia. (lhe da um tapa fazendo-a cair no chão)
EDUARDO: Não faz isso irmão, não vai se rebaixar por conta dessa vagabunda, se controla. Por mas que essa vadia tenha aprontado com você, nada justifica um homem bater em uma mulher.
RODRIGO: Me controlar? Me controlar? Eu quero é matar essa desgraçada.
GABRIEL: Ei cuidado ai hein mocinho, eu não vou deixar você encostar nem mais um dedo nela.
RODRIGO: Cale a boca seu aproveitador, meu assunto aqui não é com você, então não se meta, deixa que eu e essa cachorra resolva isso.
EDUARDO: Chega, meu irmão, você já descobriu tudo o que tinha que saber, agora vamos embora, por favor.
PATRÍCIA: (para Eduardo) Eu tenho certeza que isso tem o seu dedo podre Eduardo, tenho certeza que foi você que causou tudo isso aqui.
EDUARDO: Foi sim, com muito orgulho, finalmente consegui abrir os olhos do meu irmão e livrá-lo das suas garras sua piranha.
RODRIGO: (Para Patrícia que continua no chão) Eu te dei todo o meu amor, eu confiava em você, eu ia me casar com você e você, enquanto isso me traia, me enganava. Como eu posso ter sido tão burro a ponto de acreditar tanto em uma vadia ordinária como você?
(levantando-a do chão com força e jogando-a, de forma violenta contra Gabriel) Fica com ele, vocês dois se merecem. Maldita a hora em que eu te conheci.( joga a aliança na cara dela e vai saindo_ corta a cena)

CENA II
(TARDE_ Casa de Inaiê_ Marcela está atendendo Luana que está na porta)
LUANA: Vamos sirigaita, onde está minha filha?
MARCELA: Me avisaram que alguem iria vir buscar a Yasmim, mas eu nunca iria imaginar que seria você, sua sucuri de salto alto. Pode ir embora, eu não vou entregar minha menina para você.
LUANA: Você está se negando a me entregar a minha filha?
MARCELA: Pare com isso! Ela não é sua filha e você nunca teve nenhum tipo de sentimento por ela, você sempre a desprezou, não venha agora bancar a mãe zelosa que você não é, nem sequer do seu filho verdadeiro.
LUANA: (empurando Marcela e entrando na casa) Dà licença sirigaita, eu vim aqui buscar essa retardada, essa débil mental e é isso que vou fazer, nem seja na marra. Pena que não possa levá-la direto para um hospício ou coisa parecida.
MARCELA: Escuta aqui sua cobra: eu até permito que você me desrespeite e me trate mal, e até aceito que você tenha armado para cima de mim esse tempo todo, mas eu amo essa menina como se fosse minha filha e eu não vou deixar você falar dela desse jeito não. (agarra Luana pelo cabelo e vai colocando-a para fora) Eu já te disse que não vou entregar ela pra você.
LUANA: Me larga sua cachorra sarnenta. Me solta.
MARCELA: Eu vou te soltar sim sua cobra, mas no seu devido lugar. (joga ela á alguns metros da casa em cima de um monte de fezes de vaca, fazendo a cair de cara no dejeto) Pronto. (faz gesto de limpar as mãos) Aí sim é seu lugar, o difícil agora vai ser separar você do cocô, porque vocês dois são iguais. (Marcela volta para a casa e fecha a porta, Luana levanta o rosto que está todo sujo de fezes de vaca_ corta a cena)

CENA III
(TARDE_ Fazenda de Antônio Dias_ Clarinha e Alvinho estão passeando no jardim e conversando)
ALVINHO: E ai Clarinha, como estão as coisas ai na sua casa?
CLARINHA: Não estão nada bem.
ALVINHO: Por que?
CLARINHA: Bom primeiro foi aquele barraco todo no casamento do pai, coitado, estava sendo tão feliz com a Marcela e a criança que ela estava esperando, certo de que era filho dele, e descobriu que era tudo mentira, que o bebê que a Marcela estava esperando é de outro.
ALVINHO: Eu fiquei com muita dó do seu pai aquele dia, e a Marcela parecia ser uma moça tão bacana.
CLARINHA: É parecia mesmo, não sei por que ela fez isso com meu pai, coitado, ele não fala nada, mas sei que ele está sofrendo.
ALVINHO: Eu imagino.
CLARINHA: Imagina como traste? Você lá entende de coisas do coração?
ALVINHO: Você que pensa que não. (fica olhando apaixonado pra ela)
CLARINHA: (tentando desviar o assunto) Mas então, isso tudo nem foi o pior.
ALVINHO: Como assim? Ainda tem coisa pior?
CLARINHA: Sim, tem. O Bastião e a Cidinha foram embora, dizem que foram cuidar de umas terras que o Bastião comprou, mas eu não acredito, pra mim isso tem dedo da Luana.
ALVINHO: Ah! Pra você você tudo tem o dedo da Luana, isso já é mania de perseguição. Sabia?
CLARINHA: Que mania de perseguição o quê Alvinho? Eu conheço a peça e sei que tudo de ruim que acontece nesse casa tem o dedo dela sim. Pensa bem, quase no mesmo dia, a Luana se livrou das suas duas inimigas aqui em casa.
ALVINHO: É isso é verdade.
CLARINHA: Porém ela não sabe que a pior de todas continua aqui.
ALVINHO: No caso, essa inimiga seria você?
CLARINHA: Com certeza, e ela não perde por esperar, vou armar uma com ela. que ela vai se arrepender de ter nascido. (eles riem e corta a cena)
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IV
(TARDE_ Beira do Riacho Alegre_ Eduardo está tentando consolar Rodrigo que está extremamente abalado com o que descobriu)
EDUARDO: Calma mano, não fique assim, por favor.
RODRIGO: E você quer que eu fique como Eduardo? Eu amo aquela desgraçada, a minha vida inteira eu sonhei em me casar com ela, em formar uma familia com ela. Eu acreditava naquela cadela e ela me traia, me enganava, nunca me amou de verdade e tudo o que sempre quis era o meu dinheiro.
EDUARDO: Eu imagino irmão, eu imagino o quanto você está sofrendo, mas ela nunca mereceu o seu amor e muito menos merece o seu sofrimento agora. Meu irmão, você é a melhor pessoa desse mundo, merece ser feliz, amado de verdade.
RODRIGO: Não é o que a Patrícia pensa, ela prefere aquele peãozinho.
EDUARDO: Não importa o que ela realmente pense, essa é a verdade, esqueça ela, siga sua vida em frente e seja feliz.
RODRIGO: Como eu posso ser feliz sem o amor da minha vida?
MÚSICA: Doce é sentir
(nesse momento Pai André chega, colhendo algumas ervas medicinais, que se encontrava por ali, e se aproxima)
PAI ANDRÉ: Nem tudo é o que parece ser meu filho. Assim como essa moça parecia ser uma pessoa e se revelou outra, você pensa que ela é o amor da sua vida mas não é, não é ela que vai te levar a descobrir o verdadeiro amor e te fazer feliz.
RODRIGO: Quem é você? Como pode saber dessas coisas?
PAI ANDRÉ: Apenas sei, e acredite filho, eu sei que está doendo agora, mas isso tudo era necessário para você se libertar dessa ilusão e descobrir o verdadeiro amor, que esteve sempre ao seu lado e você nunca conseguiu enxergar, porque sempre teve olhos apenas para essa moça que nunca te mereceu de verdade.
RODRIGO: Eu não acredito mais em amor.
PAI ANDRÉ: Não se preocupe, pois essa pessoa que está destinada á você, vai te fazer acreditar de novo e te fazer muito feliz.
RODRIGO: Mas quem é essa pessoa?
PAI ANDRÉ: (Fala e vai saindo) Basta você abrir seu coração e com ele, você irá descobrir. Ela sempre esteve ao teu lado, mesmo que muitas vezes te amando em silêncio. (ele vai saindo indiferente aos chamados de Rodrigo)
RODRIGO: Espere senhor, eu não entendi o que o senhor está dizendo, volte aqui, me explique melhor, por favor.

CENA V
(TARDE_ Gruta do Riacho Alegre_Patrícia está conversando com Gabriel)
PATRÍCIA: E agora o que vamos fazer?
GABRIEL: Como assim o que vamos fazer? Não vamos fazer nada. Na verdade foi até melhor assim, pelo menos agora você terminou esse noivado e fica só comigo.
PATRÍCIA: Pirô? Ficar só com você? Pra quê? Para morrrermos de fome é isso? Sim porque você não tem a mínima condição de me oferecer a estrutura e o conforto que eu quero e mereço.
GABRIEL: Mas será que você só pensa nisso: em dinheiro?
PATRICIA: Ah! Por favor, não banca o desinteressado vai, eu sei muito bem que você é tão ambicioso quanto eu, alías esse é um dos motivos da gente ter se dado tão bem.
GABRIEL: Mas eu não entendo por que você precisa dar o golpe do baú nesse otário. Você já é rica.
PATRICIA: Antes eu fosse mesmo, mas tudo o que eu tenho, ou aparento ter na verdade não é meu, na verdade é de uma moça que mora em casa, é o dinheiro que a madrinha dela manda todo mês que garante todo nosso luxo e vida boa, senão fosse isso, talvez já estariamos morando debaixo da ponte.
GABRIEL:(sendo irônico) Nossa que moça boazinha.
PATRICIA: Que nada, ele nem sonha com esse dinheiro, ela não sabe que tem essa madrinha que manda esse dinheiro todo para a gente, por isso ela mesmo não vê nem a cor dessa grana.
GABRIEL: Poxa, você e sua família são bem piores do que eu imaginei.
PATRICIA: Você ainda não viu nada querido. Mas enfim, é por isso que eu não posso abrir mão do meu casamento com o otário do Rodrigo, por que se um dia a Ritinha descobre essa história eu e minha família estamos perdidas. (Corta a cena)

CENA VI
(TARDE_ Fazenda de Clóvis Arruda_ Clóvis está sentado na mesa da sala de estar, tomando café_ Maria Eulália, chega para conversar com ele)
MARIA EULÁLIA: Clóvis, eu quero conversar com você agora.
CLÓVIS ARRUDA: O que foi dona Encrenca? Qual o problema dessa vez?
MARIA EULÁLIA: Como assim? Qual o problema dessa vez? Até parece que você não enxerga que nossa família está desmoronando homem.
CLOVIS: Não sei de nada disso não.
MARIA EULÁLIA: Como não? Você enfiou a Kauane num castigo ridiculo e desnecessário e a Lenita, com ela você fez ainda pior, você jogou a coitada numa clínica para tratamento psiquiátrico.
CLÓVIS: Eu fiz o que tinha que ser feito, eu não posso deixar a Kauane solta por ai para namorar aquele garoto, neto do Antônio Dias e muito menos a Lenita solta, a fazer suas loucuras.
MARIA EULÁLIA: Pois eu exijo que você tire a Kauane do castigo agora e que me diga aonde fica a clínica onde você internou a Lenita, quero pelo menos visitar minha filha, ver como ela está.
CLÓVIS: Escuta aqui dona Encrenca: Quem a senhora pensa que é para exigir alguma coisa heim?
MARIA EULÁLIA: Sou a mãe da Kauane e da Lenita, e não vou deixar você continuar a fazer essas loucuras, que você vem fazendo com elas.
CLÓVIS: (segurando firme em seu braço) Que ousadia é essa dona Encrenca? Quem você pensa que é para me enfrentar dessa forma? Sou seu marido você me deve respeito e obediência.
MARIA EULÁLIA: (soltando-se) Eu não te devo nem uma coisa nem outra, eu não te devo respeito, porque você nunca me respeitou e também não te devo obediencia porque não sou sua escrava, sou sua mulher e sinceramente até isso estou afim de deixar de ser.
CLÓVIS: Do que você está falando criatura?
MARIA EULÁLIA: Estou falando que estou farta desse casamento, farta da sua traição, da sua violência. Eu quero me divorciar de você.
CLÓVIS: Você está louca. (lhe esbofeteia) Um divórcio seria um escandalo, seria péssimo para minha candidatura, então esqueça essa ideia de maluco, você é minha mulher. Tá ouvindo? Minha mulher e eu não vou te libertar nunca, entendeu? NUNCA. (sai deixando-a chorando no chão_ corta a cena)
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VII
(TARDE_ Fazenda de Antônio Dias)
MÚSICA: Estoy Enamorada_ Thalia e Pedro Capo
(várias cenas rurais, os peões andando a cavalo, alimentando o gado, plantando brachiaria, patinhos nadando no corégo que corta a fazenda, araras sobrevoando no céu)
(Interna da casa da Fazenda de Antônio Dias_ Sala_ Luciano chega e encontra somente Cecília em casa)
LUCIANO: Filha, a Luana e o Rodrigo ainda não chegaram com a Jasmim?
CECÍLIA: Não pai, e para ser sincera, não achei uma boa ideia o senhor ter deixado a tia Luana ir buscar a Jasmim?
LUCIANO: E por que não? Posso saber?
CECÍLIA: Ah pai, o senhor sabe muito bem que a tia Luana e a Marcela nunca se entenderam, daí o senhor manda, logo a tia Luana, buscar a Jasmim na casa da Marcela? Sei não, mas acho que isso pode acabar em confusão. (nesse instante chega Luana toda suja e cheirando fezes de vaca)
LUCIANO: Nossa Cecília! Que cheiro horrivel é esse? A Clarinha não limpou a casa hoje não?
CECÍLIA: Limpou sim pai, o cheiro vem dali (aponta para a Luana)
LUCIANO: Luana, o que aconteceu com você?
LUANA: Nada, tropecei e cai em cima de um monte de fezes de vaca só isso, preciso tomar um banho.(Cecília ri)
LUCIANO: E onde estão a Jasmim e o Rodrigo?
LUANA: O Rodrigo eu não sei, não estava na casa da Marcela quando eu fui lá, e a Jasmim eu ia trazer, mas a Marcela não deixou. Bom agora com licença vou tomar um banho, estou precisando.
CECÍLIA: Está mesmo. (Luana sobe as escadas indo ao seu quarto)
LUCIANO: E agora, será que eu vou ter que ir lá buscar a Jasmim.
MÚSICA: I starde a Jocke by_ Faith no More
(nesse instante olha para uma mesinha que Jasmim sempre costuma usar para desenhar e vê uma folha, pega e ve um desenho de uma menina e um casal, Luciano identifica ali, naquele desenho: ele, Marcela e Jasmim e chora de emoção).
CECÍLIA:O que foi pai?
LUCIANO: Veja isso filha! Veja esse desenho que a Jasmim fez.
CECÍLIA: (ao observar o desenho) É o senhor, a Marcela e ela.
LUCIANO: Minha filha sofre, sofre mais do que eu com essa separação, mas eu não vou deixar ela pagar pelos nossos erros. (Luciano sai com o desenho _ corta a cena)

CENA VIII
(TARDE_ Fazenda de Clóvis Arruda_ Quarto de Kauane_ ela está lendo um livro e sua mãe chega)
MARIA EULÁLIA: Oi filha, posso entrar?
CACAU: Claro mãe, entre.
MARIA EULÁLIA: Filha, eu vim aqui lhe pedir uma coisa muito importante.
CACAU: O que foi mãe?
MARIA EULÁLIA: Eu quero que você me ajude a descobrir onde fica essa clinica, para onde o seu pai mandou sua irmã.
CACAU: Mas mãe, como eu vou saber? Por que a senhora não pergunta isso para ele?
MARIA EULÁLIA: Filha, você acha que eu já não perguntei? Perguntei sim e várias vezes, no entanto ele se nega a me contar, por isso vim aqui pedir sua ajuda, o Lucas me prometeu, que se eu descobrisse onde fica essa clínica, ele iria até la resgatar nossa menina.
CACAU: Mas mãe, como eu vou saber?
MARIA EULÁLIA: Eu sei o nome da clínica porque ouvi o Clóvis falando no dia em que ele ligou para lá.
CACAU: Tá e dai?
MARIA EULÁLIA: E dai que eu acho que, você tendo o nome consegue, puxar pela internet o endereço.
CACAU: Sim mãe, eu até conseguiria sim, mas para isso precisava ter internet e aqui eu não tenho nada, meu pai tomou tudo de mim. Lembra?
MARIA EULÁLIA: Eu lembro, por isso te trouxe isso. (lhe entrega um notebook)
CACAU: Meu notebook (fica toda feliz)
MARIA EULÁLIA: Eu descobri onde seu pai escondeu e trouxe para você pesquisar. Agora anda, pesquise logo que tenho que devolver no mesmo lugar, antes que ele desconfie.
CACAU: (pesquisando no celular) Mas qual é o nome mãe?
MARIA EULÁLIA: Clínica São Lucas, e pela rapidez com que chegaram creio que não deve ser tão longe.
CACAU: (pesquisando) Deixa-me ver: Clinica São Lucas, interior de São Paulo. (pesquisa) acho que encontrei mãe. Fica em Fernandópolis mãe. Anota ai o endereço (Maria Eulália pega um papel e uma caneta numa mesinha do quarto e anota _ corta a cena)

CENA IX
MÚSICA: Anjo ou fera
(ANOITECER_ Clinica de tratamento São Lucas_ onde Lenita está internada, ela acorda, olha atentamente tudo ao seu redor, percebe que está tomando uma medicação pela veia que lhe deixa com muita tontura e enjôo, ela se lembra de alguns momentos que se passaram antes dela chegar lá: se lembra do beijo que trocou com Lucas, de quando salvou Madalena de ser violentada pelo seu pai, o acidente, o momento quando ela foi arrastada para lá. Diante de tais lembranças lagrimas correm em seu rosto. Ela se sente sozinha, desamparada, desprotegida. Ela arranca a agulha que está em sua veia, injetando o remédio, e tenta se levantar, apesar das fortes tonturas, vai até a porta que esmurra mesmo sem ter forças)
LENITA: Me tirem daqui. Me tirem daqui. Eu não sou louca, eu não sou louca. Eu não sou louca. (se convence que ninguém irá lhe salvar então deixa-se cair com força no chão e fica ali, deitada, chorando amargamente sua dura situação_ corta a cena).
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL
null

CENA X
MÚSICA: Seu Herói
(TARDE_ Fazenda Poconé onde Bastião e Cidinha tentam limpar, organizar e reformar a casa, consertando as partes que estão quebradas, pintando, enquanto ela varre o quintal e sempre trocando olhares carinhosos_ Num determinado momento ela vai levar um jarro de água para ele beber, ele bebe depois joga o resto nela que, para se vingar joga tinta nele que corre atrás dela, Bastião alcançando a pega no colo e os dois ficam se olhando apaixonadamente_ Ele o beija, sendo inicialmente retribuído por ela e depois ela o rejeita _ para de tocar a música)
CIDINHA: O que pensa que está fazendo seu traste?
BASTIÃO: Fazendo o que sonho em fazer á muito tempo, te ter em meus braços e te beijar.
CIDINHA: Me solta seu traste, va beijar uma pedra e me deixa em paz.
BASTIÃO: Mas por que você tem que ser tão durona? Não percebe que eu te amo.
CIDINHA: Problema seu.
BASTIÃO: Eu sei que você também sente alguma coisa por mim.
CIDINHA: Sinto, sinto muitas coisas por você.
BASTIÃO: O quê? Amor? Paixão? Desejo?
CIDINHA: Pena, dó, nojo, alergia.
BASTIÃO: Para de se fazer de difícil que eu sei que você gostou do meu beijo.
CIDINHA: Pois eu prefiro beijar um sapo.
BASTIÃO: Pois eu prefiro beijar uma cascavel. (fica um de costas para o outro)
MÚSICA: Seu Herói
(eles não resistem e acabam correndo um para o braço do outro e dando outro beijo_ corta a cena)

CENA XI
(PÔR DO SOL_ Casa de Patrícia_ Ritinha está faxinando a sala toca a campanhia e ela vai atender)
RITINHA: Ro… Rodrigo. Você?
RODRIGO: Sim, por que o espanto?
RITINHA: Você veio ver a Patrícia?
RODRIGO: Não, eu vim conversar com você. Posso entrar?
RITINHA: Entre por favor. Mas o que o que você quer falar comigo?
RODRIGO: Eu vim aqui pra te pedir desculpas.
RITINHA: Pedir desculpas á mim?
RODRIGO: Sim, aquele dia do meu noivado eu te tratei muito mal, te ofendi e não acreditei em você.
RITINHA: Está tudo bem, eu entendo, ela é sua noiva não é? É normal que você acredite nela e não em mim.
RODRIGO: Primeiro que ela não é mais minha noiva.
RITINHA: Não?
RODRIGO: Não, eu terminei tudo com ela hoje.
RITINHA: Sinto muito. Eu sei o quanto você a ama.
RODRIGO: Não sinta, terminar com ela foi a melhor coisa que eu fiz, assim com não acreditar em você aquele dia foi a pior. Sim eu ainda a amo, mas ele não merece meu amor e eu quero matar esse sentimento em mim.
RITINHA: Entendo. Só não sei ainda o que eu tenho a ver com isso.
RODRIGO: Na verdade nada, só que você tentou me alertar, abrir meus olhos, né? Mesmo correndo o risco de perder seu emprego e eu, mesmo assim, ainda duvidei de você e te ofendi e por isso achei que te devia um pedido de desculpas.
RITINHA: Não precisava não moço, estou acostumada com todo mundo, principalmente nessa casa, me tratando mal.
RODRIGO: Mas eu não sou assim e por isso estou aqui. Você me perdoa? (estende as mãos para ela)
RITINHA: Claro. (ela aperta a mão dele e eles ficam se olhando)
MÚSICA: Estoy Enamorada_ Thalia e Pedro Capo

CENA XII
(PÔR DO SOL_ Casa de Inaiê_ Marcela está na sala brincando com Jasmim_ alguem bate a porta, Marcela se levanta e atende)
MARCELA: Luciano! Você? (eles ficam se entreolhando apaixonados)
MÚSICA: A Thousand Years _ Christina Perri
LUCIANO: Oi Marcela, posso entrar?
MARCELA: Sim claro, por favor, fique a vontade Lu. Imagino que você tenha vindo buscar a Jasmim né? Olha desculpa não ter entregue-a para a Luana, mas você sabe muito bem que eu não confio nada nela, além do mais ela chegou aqui dizendo um monte de coisas horríveis sobre a minha filh… quer dizer… sobre a Jasmim e eu não admito Lu, eu não aceito que ninguem maltrate a nossa pequena.
LUCIANO: Tudo bem, eu entendo. Eu sei o quanto você ama minha filha, aliás isso é algo que não tem como duvidar nem como negar e por isso vim aqui conversar com você. Será que você tem um tempinho pra mim?
MARCELA: Claro, Lu. Sente-se por favor.
LUCIANO: Como eu te disse: o amor e o carinho que você e a Jasmim sentem uma pela outra é algo inegável. Durante todo o tempo em que você esteve em casa você fez muito bem á ela, e a ajudou muito em seu processo de desenvolvimento e luta contra esse maldito autismo. Isso eu só tenho que lhe agradecer.
MARCELA: Não, você não tem nada que me agradecer Lu, eu fiz porque amo sua filha como se fosse minha.
LUCIANO: Sim eu sei, por isso vim até aqui pra te fazer uma proposta.
MARCELA: Uma proposta? Que proposta?
LUCIANO: Veja isso! (mostra o desenho que Jasmim havia feita dela, a Marcela e o Luciano). Esse desenho foi feito pela Jasmim. Você sabe o que significa né?
MARCELA: Acho que sim. Acho que ela desenhou nos tres como se fossemos uma familia.
LUCIANO: Exatamente. Minha filha sofre Marcela, sofre muito longe de você, além disso, lá em casa ninguém sabe, como você, a forma mais adequada de ajudá-la por isso vim te propor para que você aceite ir trabalhar como babá dela lá em casa.
MARCELA: (se levanta indignada) Você veio até aqui, para me chamar para ser babá dessa menina, que eu amo como se fosse minha filha. É isso?
LUCIANO: Não é uma boa ideia? Assim vocês podem ficar juntas.
MARCELA: Eu não quero e nunca quis seu dinheiro, e não quero ficar perto da Jasmim como uma empregada mas sim como uma… como uma mãe.
LUCIANO: Então, quer dizer, que você não aceita minha proposta?
MARCELA: É claro que não. Agora se você realmente acha que faz bem á sua filha ficar perto de mim, permita que eu, ao menos alguns dias da semana, vá visitá-la, ver como ela está e cuidar dela.
LUCIANO: De graça?
MARCELA: Não, de graça não, por amor. Você sabe o que é isso Luciano? Ou só entende a linguagem do dinheiro?
LUCIANO: Eu entendo sim, porque te amei como um louco, e amei também esse filho que você está esperando como se fosse meu filho. Eu é que não sei se você entende de amor, afinal me enganou, me fez de idiota todo esse tempo.
MARCELA: Eu errei, eu errei muito com você, mas não foi por falta de amor e sim por amor. foi por medo de te perder e, principalmente por medo de não conseguir cuidar de meu filho sozinha, que aceitei entrar nessa ideia absurda do meu irmão. Eu nunca quis seu dinheiro eu só não queria te perder porque eu te amo.
MÚSICA: I Stardet a Joke by_ Faith no more
( por esse breve momento, Luciano esquece tudo o que Marcela havia feito e corre para seus braços e a beija cheia de desejo e amor_ Jasmim comemora batendo palmas_ Corta a cena)

CENA XIII
(NOITE_ Fazenda de Clóvis Arruda_Maria Eulália procura o peão Lucas)
MARIA EULÁLIA: Lucas, meu filho, preciso falar com você.
LUCAS: O que foi dona Maria Eulália?
MARIA EULÁLIA: A Cacau conseguiu descobrir o endereço da clinica em que a Lenita está internada, como você me prometeu que iria salvá-la daquele lugar, o endereço está aqui. Fica numa estradinha indo para Fernandópolios.
LUCAS: Pode deixar dona Maria Eulália, eu vou conversar com o Clóvis, pedir que ele me dê as minhas férias que estão atrasadas e eu irei para lá, o mais rápido possível.
MARIA EULÁLIA: Muito obrigado meu filho, que Deus te abençoe e te proteja nessa sua aventura.
LUCAS: Deus está comigo. (beija uma medalhinha de nossa Senhora Aparecida que ele carrega no pescoço) e Nossa Senhora Aparecida também. Tenho certeza disso.
(Maria Eulália dá um beijo na face de Lucas e se afasta, indo para o barraco de Quinzinho sem se dar conta que Clóvis Arruda a espionava e seguia de longe_ Ela entra no barraco e ele, se aproximando, fica do lado de fora, observando tudo por uma fresta da parede)
QUINZINHO: Meu amor, que surpresa! (lhe beija)
MARIA EULÁLIA: Eu não me aguentava mais de tanta saudades de você meu amor.
(Quinzinho lhe beija, tira seu vestido, ela tira sua camisa e se deitam na cama trocando carícias cada vez mais quente, enquanto Clóvis Arruda assistia a tudo, atônito e repleto de ira)

(a cena congela e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

FINAL DO VIGÉSIMO SEXTO CAPÍTULO