Coração sertanejo: Capitulo 22 – Pare o casamento

Coração sertanejo: Capitulo 22 – Pare o casamento

CENA I
(NOITE_ Casa de Patrícia onde ela recebe a família de Rodrigo para o pedido de casamento, inicia-se o capítulo no momento em que Ritinha adentra a sala e ameaça contar tudo que sabe sobre Patrícia)
RITINHA: A Patrícia não vale o que o gato enterra, e eu vou contar tudo agora, tudo que eu sei e que está aqui entalado em meu peito e ninguém vai me impedir.
MARIA EFIGÊNIA: É melhor você recolher a sua insignificância e ficar bem quietinha, aqui ninguém está interessado em saber o que você tem á dizer.
LUCIANO: Eu estou interessado, deixe ela falar.
RITINHA: (indo para perto de Rodrigo e ficando bem de frente á ele) Rodrigo, você não pode se casar com a Patrícia, ela não vale nada, na verdade ela nunca te amou, a única coisa que ela quer é o seu dinheiro, ela é mesquinha, egoísta, e o pior, ela te trai, ela mente pra você.
RODRIGO: Quem você pensa que é para falar assim da minha noiva?
RITINHA: Eu sei que sou apenas uma empregada, mas eu não posso deixa ela continuar a te fazer te bobo, a brincar com teus sentimentos enquanto te trai com outro, sim porque é isso que ela faz, ontem mesmo, ela estava com outro homem e por isso demorou tanto pra retornar sua ligação.
RODRIGO: (segurando forte em seu braço) Cala a boca! Cale a sua boca! Eu já sei que é tudo mentira, mentira sua, assim como você mentiu para mim, aquele dia que foi em casa e disse que a Patricia não estava doente, sendo que a coitada estava aqui que não se aguentava de dor. Quem mente aqui é você! Quem não vale nada aqui é você que tem a coragem de inventar um absurdo desses da sua patroa por pura inveja.
LUCIANO: Calma filho.
RODRIGO: Desculpa gente, não quero estragar o jantar de vocês, mas não podia permitir que essa menina falasse esse monte de mentiras sobre o meu amor.
DR EMERSON: Tudo bem, a gente entende e fica feliz de saber que você confia em nossa filha e está sempre pronto para defendê-la.
MARIA EFIGÊNIA: (para Ritinha) Anda vá buscar o jantar antes que quem perca a cabeça aqui seja eu.
( ela vai para dentro da cozinha enquanto os demais, se sentam á mesa conversando animadamente)
MÚSICA: Sensações.
(Ritinha chora amargamente pela desconfiança de Rodrigo e a forma como ele a tratou_ corta a cena no olhar triste e marejado de lágrimas de Ritinha)

CENA II
(Patrícia chega na cozinha e encontra Ritinha chorando, Patrícia gargalha)
PATRÍCIA:Rídicula! Você é ridicula. (gargalha) Você pensou que ia acabar com meu noivado e me humilhar na frente da familia do Rodrigo, mas quem acabou sendo humilhada foi você. Enfia uma coisa na sua cabeça: o Rodrigo me ama, ele come aqui na minha mão e não vai ser uma empregadinha insignifcante como você que vai mudar isso. Agora anda, limpa essas lágrimas e vá logo servir o jantar do meu noivado.
RITINHA: Pode deixar chefinha, eu vou servir o jantar. (Ritinha pega uma panela de molho e jogo na cabeça de Patricia)
PATRICIA: Olha só o que você fez sua rídicula, estragou todo o meu vestido novinho que comprei para o meu noivado.
RITINHA: Isso é o mínimo que você merece sua atoa.
PATRICIA: Pois agora você vai ter o que você merece. (Patricia avança para cima de Ritinha grudando em seus cabelos)
RITINHA: Me solta sua biscate sem vergonha. (Ritinha consegue se soltar e derrubar Patrícia no chão, depois senta-se sobre seu abdômem e lhe enche de tapas) Toma sua vaca o que você merece.
(nesse instante todos que estavam na sala vem ver o que está acontecendo na cozinha)
MARIA EFIGÊNIA: Solta minha filha sua miserável. (eles apartam a briga)
PATRICIA: (chorando, fazendo manhã para Rodrigo) Olha só o que ela fez comigo meu amor, só porque eu vim perguntar para ela se ela precisava de ajuda.
RITINHA: Você não veio aqui oferecer ajuda coisa nenhuma, sua mentirosa, você veio zombar de mim.
DR EMERSON: Chega, vão as duas trocar de roupa agora. Chega de escândalos.
MARIA EFIGÊNIA: Você não vai fazer nada com essa empregadinha insolente?
DR EMERSON:(cochicha com ela)Você sabe muito bem que a gente não pode fazer nada, então vamos voltar para sala e continuar nosso jantar. (corta a cena)

CENA III
(NOITE_ Fazenda de Clóvis Arruda_interna_ sala de refeições_ Ele, Maria Eulália e Cacau estão sentados á mesa, jantando em profundo silêncio)
CLÓVIS ARRUDA: Que silêncio. Isso tá parecendo mais um velório.
MARIA EULÁLIA: E o senhor Clóvis Arruda queria o quê, depois de tudo o que fez? Uma festa? Pois dê-se muito por contente ao ver que ainda estamos aqui, porque nós duas deveríamos é estar bem longe, longe da sua presença maligna.
CLÓVIS: Parem de drama. Eu só fiz o que tinha que fazer, não poderia deixar aquela maluca á solta fazendo suas loucuras.
CACAU: Minha irmã não é louca, louco é o senhor, isso mesmo, é o senhor que deveria estar uma hora dessas naquele hospício e não minha irmã.
CLÓVIS: Isso é jeito de falar com seu pai menina?
CACAU: Eu trato o senhor como o senhor merece. Eu estou farta dessa casa, desse seu domínio maligno e só não vou embora para não ficar longe do Eduardo.
CLÓVIS: (rindo) Pois então pode ir, porque eu nunca mais vou deixar você se aproximar daquele moleque.
CACAU: Pois eu duvido o senhor me impedir.
(joga o guardanapo, que estava em seu colo, sobre a mesa e sobe para seu quarto sem escutar seu pai lhe chamando)
CLÓVIS: Pois pode apostar que sim… Hei Menina… volte aqui…. ainda não terminei. Volte…
MARIA EULÁLIA: Está feliz Clóvis? Está feliz em destruir a nossa família? (fala com lágrimas nos olhos)
CLÓVIS: Eu não destruí nada, você que, além de não me dar um filho homem, ainda as que me deu só servem para me dar trabalho e dor de cabeça.
MARIA EULÁLIA: Pois então vá atrás desse seu filho homem e nos deixe em paz.
(também sobe em direção ao seu quarto_ Corta a cena com foco no rosto de Clóvis)
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IV
(CASA DE PATRICIA_ Sua familia está toda reunida a mesa juntamente com a familia de Rodrigo, eles estão rindo e conversando amenidades_ Marcela está totalmente deslocada e sem saber como agir_ Ritinha, que servia a mesa com a cara fechada, serve uma travessa de escargot)
MARCELA: (para Rodrigo) O que é isso? Parece um monte de caramujo.
RODRIGO: (rindo bondosamente) Escargot.
MARCELA: Hum bem que eu senti um cheirinho diferente aqui. (fala alto para todos) Quem fez isso? Que falta de educação gente. (todos riem)
LUCIANO: Escargot é o nome do prato, é muito gostoso, experimente.
(Marcela tenta espetar um com o garfo, fazendo ir ao ar e caindo no decote de Maria Efigênia que dá um pulo de susto e cai da cadeira_ todos riem)
MARCELA: Desculpa ai dona, é que o troço deu um revestrês e pulo do meu garfi, mas pode deixar.
(ela vai até o decote de Maria Efigênia e tira o escargot e joga de volta para a travessa fazendo todos rirem)
MARCELA: Desculpa gente, foi sem querer.
LUCIANO: (pegando em sua mão) Vem cá amor, deixa o escargot para lá. Por que você não come esse franguinho? (mostra um travessa com frango assado).
MARCELA: É melhor mesmo, eu não queria comer esse caracol, o trem é duro igual uma pedra.
(ela vai até a travessa e pega uma coxa com a mão e começa a comer se lambuzando toda, fazendo as pessoas rirem)
MARCELA: O que foi? Do que vocês tão rindo agora?
LUANA: Você ainda pergunta?
PATRÍCIA: Eu já vi gente pagar mico mas você tá pagando um King Kong.
MARCELA: Quem é esse cara que eu tenho que pagar? Não entendi.
LUANA: Eles estão rindo de você sua ridícula. Isso é para você perceber que não é mulher para o meu cunhado.
LUCIANO: Luana chega.
LUANA: Chega nada, ela precisa saber a verdade. (para Marcela) Você é ridícula, digna de pena, é isso mesmo que todos aqui agora estão sentindo de você: pena de um ser tão ridículo, tão insignificante que acha que pode conviver com gente como nós.
Olha essa casa, olha essas pessoas: esse é o mundo do Luciano, se você está fazendo ele morrer de vergonha agora o que não fará depois de casada, quando terá que acompanhá-lo para os jantares muito mais elegantes refinados do que esse?
É isso que você quer para o Luciano? Que ele viva sendo motivo de chacota para todos, como ele está sendo agora? O Luciano está perdido de amores por você, também um cara de meia idade com uma garotinha novinha e bonita como você fica mesmo assim: bobo, cego de amor, mas por favor, pelo menos você pense um pouco, raciocine e se você realmente sente alguma coisa por ele, cai fora enquanto é tempo.
(Marcela percebe que todos a observam e ridicularizam, e acaba chorando desesperada, deixa a casa de Patricia, com lágrimas nos olhos e sem saber direito para onde ir)
LUCIANO: Marcela, Marcela. Onde você vai? (Marcela sai batendo a porta, deixando-o irado com Luana).
Está feliz? Está feliz Luana?
LUANA: Mas gente, eu só disse a verdade que todo mundo aqui pensa mas não tem a coragem de falar. Alguém tem que tentar impedir essa aberração que é seu casamento. Agora senta ai e vamos terminar nosso jantar.
LUCIANO: Pois para mim ele já terminou. Ele era para formalizar o noivado do Rodrigo não é, então? Ele já foi oficializado, a família da noiva já aceitou, tá todo mundo feliz. Agora com licença vou atrás do meu amor, do amor da minha vida.
CIDINHA: Vai mesmo Luciano, não deixa o veneno dessa cobra separar vocês dois. (ele sai correndo_ corta a cena).

CENA IV
MÚSICA: A Thousand Years
(NOITE_ Céu estrelado_ Marcela perambula á margem da Cachoeira do Riacho Alegre, em sua mente as palavras ditas maldosamente por Luana e a risadas de todos da casa de Patricia. Ela se deixa tombar no chão e chora, chora desesperadamente porque se sente um nada, um grão de areia apaixonada pela luz do luar. Nunca a diferença social entre ela e Luciano lhe pareceu tão grande, na verdade, nesse momento ele parece-se com um abismo instransponivel)
MARCELA: A Luana tem razão, eu sempre serei um peso na vida do Luciano, sempre farei ele passar vergonha, eu não sou mulher para ele, com certeza não. (chora)
MÚSICA: I Stardet a Joke by_ Faith No more
(Nesse momento Luciano chega em sua Hilux e para ali próximo da cachoeira e encontra Marcela aos prantos)
LUCIANO: Marcela meu amor. (abraça-a acolhendo e levantando-a do chão) Não chore, não chore. (limpa suas lágrimas)
MARCELA: Meu amor, é melhor a gente cancelar nosso casamento.
LUCIANO: De jeito nenhum meu amor, por que você diz uma coisa dessas?
MARCELA: Eu não quero ser um peso na sua vida.
LUCIANO: Mas que peso Marcela? Eu te amo, você é uma das maiores alegrias da minha vida.
MARCELA: Mas eu sou muito diferente de você, nossos mundos são muito diferentes, não vamos dar certo nunca eu só vou fazer você passar humilhação e eu não quero isso.
LUCIANO: Para de falar isso, você está pensando assim por causa das asneiras que a Luana lhe disse, não ligue para ela meu amor.
MARCELA: Mas você viu, você viu o que eu aprontei la na casa da noiva do Rodrigo, eu não sei me comportar nesses lugares, eu não sei comer e nem falar direito.
LUCIANO: E você acha que eu me importo com isso?
MARCELA: Não?
LUCIANO: Claro que não meu amor, a única coisa que eu me importo é estar perto de você e dos meus filhos. Eu te amo e quero você do meu lado exatamente do jeito que você é.
MÚSICA: I Stardet a Joke by_ Faith No more
(Nesse momento Luciano abraça forte Marcela e beija seus lábios, se entregando ao amor que sente, sem se importarem com posição social ou a maldade do mundo e mais uma vez, aquela cachoeira é o cenário de uma linda noite de amor dos dois).

CENA V
(NOITE_ Casa de Madame Clotilde_ Ela e suas “meninas” estão atendendo seus fregueses_ Som de conversas paralelas misturado com a musica tocada por Chica Gaiteira_ Clóvis Arruda chega e Clotilde vai recepcioná-lo)
MADAME CLOTILDE: Boa noite futuro prefeito, que surpresa o senhor aqui, pensei que depois daquele dia nunca mais voltaria.
CLOVIS: Bem era essa a minha intenção mesmo, afinal você escondeu minha filha de mim.
MADAME CLOTILDE: Fazer o que né? A menina me pediu ajuda, toda nervosa e preocupada eu não podia negar.
CLOVIS: Pois fez muito mal dona Clotilde, afinal ela é uma doente mental que precisa mesmo de tratamento, mas agora ela está em seu devido lugar.
MADAME CLOTILDE: O Senhor mandou mesmo a bichinha para o hospício?
CLÓVIS: Não é bem um hospício, é uma casa de tratamento.
MADAME CLOTILDE: Pra mim dá no mesmo, mas enfim, já me meti demais nesse assunto de família.
CLÓVIS: Ainda bem que você sabe disso né? Mas chega de papo chato, porque se fosse pra ficar conversando sobre essas coisas eu tinha ficado em casa.
MADAME CLOTILDE: Tudo bem, eu vou mandar preparar o uisque que o senhor gosta. E quer alguma menina em especial essa noite?
CLÓVIS: Sim, aquela loirinha, novinha que você arrumou.
MADAME CLOTILDE: Sinto muito senhor Clóvis mas ela não faz parte do meu cash, o senhor vai ter que se contentar com as de sempre.
CLÓVIS: Tudo bem né? Mas aquela loirinha de cabelinho de anjo não me escapa, mas enfim manda a Carmela vir me fazer companhia mesmo.
MADAME CLOTILDE: Tudo bem, mas será que antes o senhor não gostaria de conversar com outra pessoa?
CLÓVIS: Que pessoa?
(Madame Clotilde mostra Michel que estava no balcão tomando uma cerveja, Clóvis se aproxima) Será que podemos conversar? (corta a cena com foco no rosto assustado de Michel)
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VI
(casa de Madame Clotilde onde Clóvis Arruda está pedindo para conversar com seu filho Michel).
MICHEL: O que o senhor deseja comigo?
CLÓVIS: Já disse, quero conversar com você.
MICHEL: (apontando um banco próximo ao dele) Sente-se ai.
CLÓVIS: Olha filho, eu vou direto ao ponto: sei que errei, errei muito abandonando você, imagino que devo ter te causados grandes estragos, estragos que não serão consertados e muito menos esquecidos de uma hora para outra, como um passe de mágica, mas eu queria que você soubesse que eu me arrependo muito, muito mesmo de não ter te acolhido, assumido você e te dado todo carinho, amor e proteção que você merecia. Você é meu único filho homem e quero, de agora em diante, construir uma relação de pai para filho com você, quero que você seja meu herdeiro e recuperar todo esse tempo perdido.
MICHEL: Pronto? Já disse o que tinha para dizer? Pois bem agora sou é que vai falar. Se o senhor pensa que depois de ter abandonado á mim e minha mãe, de ter passado todos esses anos ausentes sem se importar a minha vida, o senhor vai chegar agora e passar uma borracha em cima de tudo isso, está muito enganado sr Clóvis Arruda. Agora é muito tarde para a gente ter uma relação de pai e filho, para recuperar todo esse tempo perdido. Meu pai é o Ademar Barbosa e ele está enterrado la em São Paulo, ele sim, ele foi um pai de verdade, que me deu amor, me deu carinho e tudo o que um filho precisa e espera de um pai, o senhor para mim não passa de um estranho e é assim que eu quero que o senhor continue sendo.
CLOVIS: Mas você perdoou sua mãe, não foi? Senão não estaria aqui hoje.
MICHEL: Sim, eu perdoei, mas não queira se comparar á ela, a Clotilde foi obrigada a me dar para os meus pais adotivos criarem, afinal eu não poderia ser criado num lugar como esse, mas o senhor, o senhor poderia muito bem ter me assumido, ter me dado casa, carinho, atenção e não fez por quê? Por puro preconceito, o senhor não queria ter um filho com uma guenga não é mesmo? Então, acontece que eu continuo sendo filho dela, de um guenga, de uma cafetina, então não entendi o que mudou.
CLÓVIS: Mudou que eu me arrependi muito.
MICHEL: Se arrependeu por quê? Porque a sua esposa oficial não conseguiu te dar um filho de saco roxo como o senhor esperava, dai então, machista como é, veio atras de mim, já que sou sua única e ultima chance de ter um filho homem. Pois saiba que perdeu o seu tempo, assim como o senhor não me quis como filho no passado, hoje sou eu que não te quero como pai, por favor: esqueça que eu existo e some da minha vida.
CLÓVIS: Mas filho…
MICHEL: Não me chame de filho, agora se o senhor me der licença eu gostaria muito de voltar a tomar meu drinque em paz, longe da sua presença maligna.
(Clóvis abaixa sua cabeça, sente o peso do arrependimento de ter abandonado seu único filho homem e vai saindo do bordel_ Carmela o chama).
CARMELA: Sr. Clóvis Arruda, o senhor já vai embora? Espere… Clóvis… (ele vai embora se dar atenção a ela_ corta a cena com o foco no olhar perdido e decepcionado de Clóvis Arruda)

CENA VII
(NOITE_ Casa de Patrícia_ todos estão se divertindo com conversas e brincadeiras após o jantar)
RODRIGO: Bom o jantar estava ótimo, obrigado sr Émerson e dona Maria Efigênia por ter recebido a mim e minha família tão bem.
MARIA EFIGÊNIA: Que isso menino? Não precisa agradecer não. Foi uma honra para nós.
EDUARDO: E desculpa por meu pai ter saido no meio do jantar, mas agora ele só vive em função daquela caipira.
DR EMERSON: Tudo bem Eduardo, ele apenas foi conversar com ela e apaziguar seu coraçao.
LUANA: É, mas se não fosse essa ideia absurda do Luciano de querer enfiar aquela garota no meio de nós, isso com certeza não aconteceria.
DR EMERSON: Ele está apaixonado, e para quem ama não existe diferenças ou barreiras.
RODRIGO: Bom, como eu ia dizendo, agora só nos falta marcar a data do nosso casamento, e eu não quero demorar para me casar.
PATRÍCIA: Nem eu meu amor. (ela da um selinho nele)
RODRIGO: Façamos o seguinte: daqui vinte dias é o casamento do meu pai, depois dessa data marcamos o nosso, tudo bem?
PATRICIA: Como você preferir meu amor.
MARIA EFIGÊNIA: Para mim está otimo.
RODRIGO: Ok então vamos embora pessoal que temos uma longa estrada pelo caminho.
EDUARDO: Sim vamos, estou com sono já e quero ligar para a Cacau antes de dormir.
CIDINHA: Sim vamos, esses sapatos aqui estão me matando. (tira os sapatos e os segura)
LUANA: E o Netinho, onde está ele?
CECÍLIA: Ele saiu, disse que tinha um problema pra resolver la na praça. (corta a cena como foco no olhar preocupado de Cecília)

CENA VIII
(Noite_ cachoeira do Riacho Alegre, Luciano, semi nu, está deitado na relva e sobre seu peito, Marcela, de calcinha e sutiã pretos, descansa protegida).
LUCIANO: O que tá se passando nessa cabecinha heim moça? Você tá tão distante. Tá com algum problema amor?
MARCELA: Estou pensando no dia em que tudo isso se acabar.
LUCIANO: Tudo isso o que?
MARCELA: Essa mata, essa cachoeira, esse lugar maravilhoso onde passei parte da minha infância e toda minha juventude.
LUCIANO: Você está falando da construção da barragem né?
MARCELA: Sim amor, tudo isso vai se acabar, se transformar em um grande lago, milhares de seres vivos irão perder a vida apenas para saciar a sede do homem por progresso.
LUCIANO: Eu sei amor, é muito triste.
MARCELA: Isso sem contar as familias que perderão suas terras.
LUCIANO: Mas meu pai já garantiu que arrumará outras para eles.
MARCELA: E você acha que isso basta? E nossas lembranças? Nossas recordações, uma vida toda vivida em torno desse lugar que simplesmente vai deixar de existir.
LUCIANO: Eu sei amor, eu sinto muito por todos eles.
MARCELA: Eu sei que você sente, mas precisamos fazer muito mais do que simplesmente sentir, precisamos agir e rápido.
LUCIANO: Mas agir como? Fazer o quê?
MARCELA: Ainda não sei Lu, mas vou descobrir, vou arrumar uma forma de evitar essa catástrofe.
LUCIANO: Minha defensora dos frascos e comprimidos, é por isso que eu te amo tanto sabia? (lhe da um selinho) Mas enquanto minha mulher maravilha não encontra uma forma de salvar esse lugar, o que ela acha de aproveitá-lo?
MARCELA: Como assim?
MUSICA: I Stardet a joke by
LUCIANO: Assim…
(Ele a pega no colo, e a leva para dentro da água, onde entre um mergulho e outro eles trocam beijos apaixonados)

CENA IX
(Noite_ praça da cidade_ A guangue de Bady boy está reunida na praça, usando drogas_ Netinho chega)
NETINHO: Salve galera.
LAGARTIXA: Olha só quem veio nos fazer uma visitinha, o playboyzinho da cidade.
BADY BOY: O que manda chefia? Se for drogas fiado já vou avisando que não temos mais, primeiro você vai ter que pagar tudo o que nos deve sacô?
NETINHO: Relaxa cara, eu trouxe algo aqui que com certeza deve pagar o que já consumi e ainda garantir uma boa rodada para todos aqui. (tira do bolso da jaqueta um cinzeiro de ouro cravejado de diamantes que havia roubado da casa de Patrícia)
BADY BOY: Olha só galera, o playba aqui tá ligeiro. Isso ai garoto, continue trazendo coisas pra gente assim como essa que você terá sempre uma conta aberta aqui comigo.
(todos riem e Netinho começa a se drogar)

TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

 

CENA X
MUSICA: Poeira
(POR DO SOL_ cenas da manhã na fazenda de Antônio Dias com Bastião tirando o leite, Bem te vi e Vitinho cuidando do gado, cenas da cachoeira do Riacho Alegre, com algumas aves voando, capivaras, onças e jacarés. Cenas da cidade de Recanto Doce, com algumas pessoas amanhecendo e abrindo suas casas, algumas donas de casa varendo a frente de suas residências, alguns bêbados já enchendo a cara na sorveteria Central)

 

CENA XI
(Manhã_ centro da pequena cidade de Recanto Doce_ Padre Bento está a tocar o sino da Igreja, convocando os fiéis para a missa. Maria da Purificação e suas beatas chegam provocando-o)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Pode bater esse badalo o quanto quiser, enquanto o senhor estiver aqui na paróquia, ninguém vai entrar nessa Igreja.
PADRE BENTO: As senhoras não podem impedir o povo de Deus de participar da Igreja.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Mas ninguém está impedindo nada, acontece que todo mundo já sabe que tipo de padreco é o senhor, um pecador, um luxuriento, profanador da casa de Deus. Ninguém vai querer assistir missa com um herege como o senhor.
PADRE BENTO: Pois se eles não virem estarão muito errados, pois não se deve ir á uma Igreja, seja ela qual for, pensando no padre, pastor ou seja quem for que comande o culto, mas sim pensando em se encontrar com Deus e a paz do espirito que a fé nos proporciona.
PUREZA: Lindas palavras padre, Lindas como o senhor, mas nem adianta vir com esse papinho, o povo não quer e não vai participar da sua Igreja.
PADRE BENTO: Pois bem. (fala para todos que estão na praça ouvirem) Ouçam todos, a casa de Deus está aberto para receber todos vocês e eu os espero de braços abertos, mas se ninguém quiser vir para a missa quem estará perdendo são vocês. Eu irei celebrar o sagrado sacramento da mesma forma, nem que seja sozinho.
CÂNDIDA: Pois vai ter que celebrar sozinho mesmo, porque ninguém vai querer pisar os pés na sua Igreja.
PADRE BENTO: Pois vamos ver. (ele adentra a Igreja e elas ficam na frente da Igreja)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Escutem aqui povo de Deus, eu como serva e porta voz do todo poderoso vos afirmo quem adentrar nessa Igreja para participar da missa celebrada por esse padreco luxuriento estará compactuando com os pecados e profanações desse Belzebu e irá ser punido pela ira divina da mesma forma que ele. Mostrem seu amor e respeito á Deus e suas coisas e vamos todos boicotar esse padreco até que ele vá embora de nossa cidade. (o povo a aplaude dando-lhe total apoio e se dispersando sem participar da Missa_ a câmera passa a filmar dentro da Igreja onde Padre Bento está sentado em um dos bancos, esperando o povo sem que, uma alma viva, adentre a Igreja_ as beatas adentram).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Eu não falei padreco que ninguém ia vir participar da missa? Eu avisei.
PADRE BENTO: Vocês estão loucas, falando em nome de Deus para convencer o povo de não participar da santa Missa.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Foi o senhor mesmo que escolheu isso ao querer viver uma vida de pecado e luxuria, agora aguente. (fala para as demais beatas) Vamos embora meninas, antes que nós sejamos contaminados pelo pecado desse padreco luxuriento. (elas saem_ padre Bento então se dirige até o altar e começa a celebrar a santa missa sozinho_ corta a cena)

CENA XII
(Passa uma sucessão de imagens marcando a virada de tempo em 20 dias: cenas da cidade Recanto Doce com os badys boys vendendo drogas, inclusive para Netinho que cada vez se afunda mais nas drogas, cenas das beatas andando pelas ruas e fuxicando da vida alheia, cenas noturnas da casa de Madame Clotilde atendendo seus cliente,Cena da casa de Inaiê onde Gabriel abre a porta e Patricia pula em seu colo e se beijam apaixonadamente, cenas diurnas da fazenda de Clóvis Arruda que cada dia está mais solitário e sem voz dentro de sua casa, cenas de Lenita lutando para sair da clinica, mas sendo dopada sempre que tenta, Cena de Maria Eulália na colônia de peões indo até o casebre de Quinzinho e fazendo amor com ele, cenas diurnas da fazenda de Antônio Dias com os trabalhadores fazendo seus serviços do campo e Vitinho tentando aprender o ofício, Padre Bento celebrando missas sozinho e sempre pensando em Madalena, Cenas diurnas da casa de Madame Clotilde com Madalena fazendo faxina e cuidando da casa e sempre pesando em Padre Bento, Pai André ajudando a comunidade carente do Riacho Alegre, Eduardo e Cacau namorando escondido, cenas de Marcela experimentando seu vestido de noiva e envolvida com o casamento. Na tela aparece escrita a legenda: “Vinte Dias Depois”)

 

CENA XII
MÚSICA Indispensável para mim.
(Marcela está sentada na cama, apesar de estar se preparando para o casamento com o amor de sua vida, ela guarda no coração e demonstra com o olhar uma grande inquietação, preocupação e até tristeza, Cidinha que a ajuda a se preparar, como uma mulher sábia e sensível que é, nota e comenta com ela)
CIDINHA: O que foi Marcela? O que você tem?
MARCELA: Eu? Não tenho nada não Cidinha.
CIDINHA: Você está inquieta, preocupada. O que foi? Me conta! Somos amigas e tudo o que eu mais quero é que você e o Luciano sejam felizes. (Marcela começa a chorar_ Cidinha a senta na cama, entrega-lhe um lenço para enxugar as lágrimas e depois um copo d’água) Está vendo amiga? Você não está bem, mesmo sendo hoje o dia do seu casamento. O que foi? Você tá arrependida de ter aceitado se casar com o Luciano?
(nesse momento Luana que passava por ali, percebe que as duas estão conversando e encosta seu ouvido na porta para escutar)
MARCELA: Claro que não Cidinha, eu amo o Luciano, ele é o amor da minha vida.
CIDINHA: Então o que foi?
MARCELA: Ah, quer saber de uma coisa? Eu vou te contar, eu não aguento mais esconder esse segredo, é isso que está me pertubando.
CIDINHA: Pois pode me contar, confie em mim.
MARCELA: O filho que estou esperando não é do Luciano e sim do meu ex namorado.
CIDINHA: Mas Marcela, isso é muito grave. Como você teve coragem de enganar o Luciano todo esse tempo?
MARCELA: Eu não queria isso. Deus é testemunha que eu não queria enganá-lo, mas fui levada pelas circusntâncias. Meu ex namorado não quis assumir a criança, meu irmão disse que iria me botar para fora de casa. Eu não tive escolha Cidinha, eu não podia, eu não tinha condições de criar essa criança sozinha, sem nem ter onde morar, foi quando o Luciano apareceu dizendo que já sabia de tudo, que sabia que eu estava esperando um filho dele e me trouxe para cá, e depois eu vi a forma como ele cuida dos filhos dele, ele é o pai que sonhei para meu filho. Algumas vezes eu até tentei contar para ele, mas me faltou coragem, tive medo dele não me aceitar por estar esperando um filho de outro homem e deixei as coisas chegarem onde chegou.
CIDINHA: Meu Deus, mas o Luciano precisa saber disso, ele não pode continuar sendo enganado desse jeito, não é justo.
MARCELA: Eu vou contar Cidinha, mas deixa a gente se casar, deixa eu me sentir mais segura, tenho tanto medo de perdê-lo, eu o amo demais.
CIDINHA: Tudo bem, você se casa e na lua de mel conta tudo, mas conta mesmo, porque se você não contar, quem vai contar sou eu. (corta a cena no olhar ameaçador de Cidinha e o olhar preocupado de Marcela)

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CENA XIII
MÚSICA: A Thousand Years
(Pôr do sol_ jardim da fazenda de Antônio Dias, está tudo lindo e perfeito para o casamento, arranjos rusticos enfeitam o local que combina com as várias flores do jardim. Ao longo do gramal várias mesas, já devidamente ocupadas por seus convidados e uma linda passarela com um longo tapete vermelho que conduz até o altar onde foi montada uma estrutura em madeira envolvida por cortinas de seda branca e flores de primavera de várias cores entrelaçadas em suas pilastras e teto, onde um padre da cidade vizinha aguarda o inicio do casamento. Á frente do altar estão o noivo Luciano, como um smoker bege, e seus padrinhos: Cidinha e Bastião, de outro lado os padrinhos da noiva: Gabriel e Inaiê. Marcela aparece em uma das pontas da passarela e caminha feliz, sendo conduzida por Rodrigo, chegando ao altar Rodrigo entrega Marcela ao seu pai que beija sua testa e a encaminha para junto ao altar_ começa a cerimônia)
PADRE: Imãos caríssimos, reunimo-nos com alegria, diante de Deus, para participarmos nesta celebração, acompanhando Luciano e Marcela no dia em que se propõem constituir o seu lar. Esta hora é para eles de singular importância. Acompanhemo-los com o nosso afeto e amizade, e com a nossa oração, pedindo que Deus os abençoe e os una para sempre.
LUANA:(cochicha com sua mãe Maria da Purificação) É agora que começa o espetáculo, quero assistir de camarote essa pirainha ser desmascarada.
(nesse momento surge Michel em uma das pontas da passarela e caminha em direção aos noivos e fala ao padre).
MICHEL: Pare esse casamento agora, essa mulher é uma vigarista, mentirosa e está enganado esse pobre coitado só para dar o golpe no bau.

(a camera passeia pelo rosto apreensivo de todos cortando no rosto apavorado de Marcela)

  • Andrea Bertoldo

    Ta ficando cada vez melhor.^^

    • Cleber Medeiros

      obrigado linda