CORAÇÃO SERTANEJO: Capítulo 21 – Verdades e Mentiras

CORAÇÃO SERTANEJO: Capítulo 21 – Verdades e Mentiras

CENA I
(TARDE_ Casa de Michel_ ele está tomando um banho_ Luana bate á porta)
MICHEL: Já vai. (ele desliga o chuveiro, se enrola em uma toalha e vai abrir a porta)
LUANA: Oi posso falar com você? (foco no olhar maquiavélico de Luana).
MICHEL: Dona Luana Assis?
LUANA: Não, sou a Luana não, sou a madona desdentada. Não está vendo?
MICHEL: Mas o que uma mulher tão rica e poderosa vem fazer em minha humilde casa?
LUANA: Se você deixar eu entrar eu te conto, e te garanto que é uma proposta boa pra mim e principalmente para você.
MICHEL: (deixando-a entrar) Sim claro, desculpe minha indelicadeza. Entre por favor e não repare na bagunça.
LUANA: Bom vai ser meio difícil não reparar nesse lugar horripilante, caindo aos pedaços e de cabeça pro ar. (pega uma cueca dele que estava em cima do sofá e o entrega com cara de nojo) Mas o que se esperar de um cara que namorou a Marcela não é? Aliás, vocês dois formam um casal perfeito, foram feitos um para o outro, inclusive foi por isso que eu vim até aqui, mas primeiro vá colocar uma roupa e tirar essa cueca da minha frente, depois quando você estiver vestido como gente, você volte á sala, estarei te esperando para a gente conversar. (corta a cena)

CENA II
(TARDE_ Casa de Patrícia_ Maria Efigênia está sentada em uma poltrona lendo uma revista de moda, quando Patricia chega, sua aparencia está totalmente transformada, sorriso aberto como á muito tempo não demonstrava, brilho no olhar que nunca tivera, parecia que pisava nas nuvens e vooava com asas de borboletas_ Ela vai subindo ao quarto quando sua mãe a vê chegar e a chama)
MARIA EFIGÊNIA: Patrícia minha filha. Onde você estava?
PATRÍCIA: (tenta arrumar uma desculpa para não contar para sua mãe que estava transando com um reles desconhecido e ainda por cima pobre, mas não consegue, sua felicidade havia roubado, temporariamente, sua astúcia) Então mãe, ééééé… eu tava lá com o Rodrigo sabe? Lá na cachoeira.
MARIA EFIGÊNIA: Garota, você é muito esperta e inteligente, graças a Deus você herdou isso de mim, sendo assim é capaz de enganar facilmente qualquer pessoa, mas não á mim que te conheço como a palma de minha mão. Vamos, me diga, agora mais do que nunca quero saber onde você estava.
PATRICIA: Já te disse na cachoeira com o Rodrigo.
MARIA EFIGÊNIA: Você está mentindo Patrícia.
PATRICIA: (desistindo de subir ao quarto e saindo da defensiva, se senta em uma das poltronas da sala) Como a senhora sabe?
MARIA EFIGÊNIA: Por dois motivos: primeiro porque, como toda boa mãe, eu te conheço. Esse seu sorriso, esse seu brilho no olhar você nunca chegou assim antes depois de estar com o Rodrigo, depois que o Rodrigo ligou para você á mais de um uma hora querendo falar com você, eu disse que ainda não havia chegado, então ele estranhou por que você havia vindo embora mais cedo da cachoeira.
PATRICIA: E o que a senhora disse?
MARIA EFIGÊNIA: Disse que você havia ligado para seu pai ir te buscar na estrada, porque seu carro havia quebrado, por isso a demora, mas que assim que você chegasse ligaria para ele.
PATRICIA: Ai graças a Deus, a senhora realmente é uma fera mãe, te admiro muito e quero ser igual a você quando crescer. (elas riem)
MARIA EFIGÊNIA: Muito obrigado, mas agora me diga: onde você estava, com quem e fazendo o que?
PATRICIA: Sendo feliz mãe, como eu nunca pensei que pudesse ser na vida.
(nesse momento Ritinha que estava saindo da cozinha e vindo para a sala escuta o restante da conversa).
MARIA EFIGÊNIA: Como assim filha?
PATRICIA: A senhora não vai acreditar.
MARIA EFIGÊNIA: Se você não me contar realmente eu não tenho como acreditar.
PATRICIA: Digamos que a senhora não mentiu totalmente para o imbecil do Rodrigo, meu carro realmente teve um problema na estrada, acabei passando por um burraco e o pneu estourou. Ai tive que pedir ajuda ao primeiro desconhecido que havia passando por ali, era um rapaz lindo, musculoso, forte, viril e a gente acabou transando no meio do mato e foi a melhor transa que tive em toda a minha vida.
MARIA EFIGÊNIA: Você está louca filha? Se entregar á um desconhecido.
PATRICIA: Ah mãe que graça teria a vida, senão fosse as loucuras que, de vez enquanto, cometemos?
MARIA EFIGÊNIA: Esse cara é rico pelo menos?
PATRICIA: (caindo na risada) Rico? Só se for de gostosura, porque de dinheiro, coitado, ele não é. Ele é apenas um sitiante, estava na estrada cortando napiê para dar de comer ás suas vacas magras, em uma charrete.
MARIA EFIGÊNIA: Não, realmente você perdeu a cabeça menina. Se deitar com um homem desconhecido e pobre. Agora me diga: O que você vai fazer se o Rodrigo descobre isso?
PATRICIA: Nada mãe, porque não tem como ele saber, a menos que a senhora conte e outra, foi só uma transa, algo passageiro, combinei com o Gabriel que se nos vissemos na rua era para fazermos de conta que não nos conheciamos, fica tranquila. Ah! Já estava me esquecendo, o Rodrigo vai vir amanha a noite aqui, com toda a renga dele, para me pedir em casamento.
MARIA EFIGÊNIA: Mas que noticia mais maravihosa filha, temos que nos apresar e providenciar tudo para causa uma boa impressão á familia do teu noivo.
PATRICIA: Tá depois vemos isso, agora vou subir tomar um banho e descansar um pouco. (dá um beijo no rosto de sua mãe e sobe as escadarias toda feliz)
MARIA EFIGÊNIA: (vai seguindo sua filha pela escada até o quarto falando sem que Patricia lhe dê atenção) Depois não filha, temos que começar a ver isso agora, tudo tem que estar perfeito: comida, decoração. Ah precisamos comprar um vestido novo também pra você e para mim, afinal sou a mãe da noiva…. (saem da cena)
RITINHA: (que ouvia a conversa) Piranha. Acaba de trair o Rodrigo e ainda tem a cara de pau de organizar jantar para oficializar o noivado com o coitado. Ah mas não vou deixar isso acontecer, não vou mesmo, vou contar tudo para o Rodrigo. (corta a cena com foco no rosto de Ritinha).

CENA III
(TARDE_ Cacau e Eduardo estão no saguão do hospital abraçados)
MÚSICA: Mesmo sem Estar
EDUARDO: Meu amor, e sei que agora não é hora, mas eu preciso te falar algo que está entalado em meu peito.
CACAU: Diga Eduardo.
EDUARDO: Aquele dia, lá no rio, eu fui tão grosso contigo, falei coisas horriveis que devem ter te magoado e assustado muito não foi?
CACAU: Sim eu não esperava aquilo de você. Você acha mesmo que eu estava com você só pensando em dinheiro?
EDUARDO: Claro que não meu amor, eu não estava me referindo á você e sim á minha tia Luana, a Patricia namorada do meu irmão e agora aquela piriguete que meu pai arrumou.
CACAU: Mas não foi o que me deu entender.
EDUARDO: Eu sei, eu estava com a cabeça quente, Será que você poderia me perdoar? Eu te amo.
CACAU: Sim, eu te perdoou, mas quero que você reflita muito bem em suas atitudes e esse arrependimento seja sincero, acompanhado de uma mudança, porque eu não vou sofrer o mesmo que a minha mãe sofre nas mãos de um machista agressivo.
EDUARDO: Pode deixar meu amor, eu farei de tudo para nunca mais te machucar. Eu te amo muito.
CACAU: Eu também.
(se beijam apaixonadamente, saciando a saudade que um sentia do outro_ nesse instante Clóvis Arruda chega ao hospital e pega-os no flagra)
CLÓVIS ARRUDA: Que palhaçada é essa? O que esse cara tá fazendo aqui? (corta a cena com o foco no olhar raivoso de Clóvis)
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IV
(TARDE_ Fazenda de Antônio Dias_ colônia dos peões_ casebre onde Vitinho está morando. Ele está tomando café e se lembra do beijo que trocou com Fabiano_ Nesse momento Fabiano bate a porta, Vitinho então deixa seus pensamentos e vai atender a porta)
VITINHO: Biano, você aqui?
FABIANO: Posso entrar?
VITINHO: Claro, entre fique a vontade. Acabei de passar um cafezinho. Você aceita?
FABIANO: Sim, obrigado. (Vitinho lhe dá uma outra xícara, colocando café dentro e servindo-o)
VITINHO: Eu pensei que depois do que aconteceu, você nunca mais iria voltar aqui.
FABIANO: Que isso homem? Apesar de tudo ainda somos amigos e eu lhe devo a vida e é sobre isso que vim falar com você.
VITINHO: Pode falar.
FABIANO: Conversei com o meu pai e ele, meio contra a vontade, aceitou que você fique aqui na fazenda tentando aprender com a peãozada o serviço deles.
VITINHO: Obrigado Biano
FABIANO: Não precisa agradecer, só precisa se esforçar ao máximo para aprender tudo, afinal você tem só um mês para isso, e se caso não conseguir eu não poderei fazer nada e você terá que ir embora.
VITINHO: Pode deixar Biano, eu farei o possivel para aprender tudo rapidinho, faça tudo para ficar aqui. (pousando carinhosamente a sua mão nas mãos de Fabiano) Pra ficar perto de você. (troca de olhares_ corta a cena)

CENA V
(TARDE_ Hospital_ Saguão_ Clóvis Arruda está adentrando e encontra sua filha Cacau se beijando com Eduardo)
CLÓVIS ARRUDA: Eu fiz uma pergunta. O que esse cara está fazendo aqui? (avança para cima de Eduardo e o agarra pela camiseta) Será que você está querendo que eu termine o que comecei aquele dia lá na minha casa?
CACAU: (tentando soltar Eduardo) Solta ele pai, vamos conversar civilizadamente. Além do mais, outro escandalo aqui nesse hospital ninguem merece, sem contar que pode ser péssimo para sua futura canditadura.
CLÓVIS: (soltando-o) Muito bem, se vocês querem conversar, vamos conversar. (se senta e ascena para a filha e Eduardo também se sente) Vamos desembucha?
EDUARDO: Olha sr Clóvis, eu amo sua filha, meu amor por ela é o que eu tenho de mais puro e verdadeiro no meu coração e tudo o que quero é cuidar da Cacau, fazê-la feliz, construir com ela uma vida nova, uma família. Ela tem uma luz que ilumina meu caminho, desanuvia meus pensamentos ruins e eu não sei como posso fazer sem ela. Por isso sr Clóvis eu quero te pedir que me permita namorar com ela.
CLÓVIS: (rindo ironicamente) Acabou o dramalhão mexicano? Pois bem garoto eu vou te falar uma coisa: eu, ainda não tenho nada pessoalmente contra você, porém você é neto de meu maior concorrente politico, meu inimigo entende? Então nem agora e nem nunca eu deixarei você, um Dias, namorar com milha filha. E agora que você já disse tudo o que tinha para dizer vá embora, vá, antes que eu perca minha cabeça e acabe com sua raça.
EDUARDO: Eu vou sr Clóvis, mas eu volto, eu não desistirei nunca da sua filha. (ele dá um selinho nela sob o olhar indignado de Clóvis e vai embora).
CLÓVIS: Escute aqui dona Kauane, se a senhorita insistir nessa história de namorar esse rapaizinho eu te mando para fazer companhia para sua irmã. Entendeu? (nesse momento Maria Eulália chega)
CLÓVIS: (para Maria Eulália) Aonde a senhora estava, que deixou sua filha solta para se agarrar com aquele moleque?
MARIA EULÁLIA: Eu fui lá tomar um cafezinho e deixei eles conversando a vontade.
CLÓVIS: Você é a pior mãe que existe na fase da terra, e é por isso que sua filha mais velha está lá agora, num hospicio, porque você nunca foi responsável para educar e orientar suas filhas. Agora vamos, vamos embora daqui. (eles saem).

CENA VI
(PÔR DO SOL_ passa várias imagens da fazenda de Antônio Dias: o gado se alimentando, peões cuidando deles, outros tocando alguns que estavam espalhados no pasto, patinhos no lago_ o sol se pondo acompanhado de uma bando de arrarinhas que vão buscar o seu repouso proximo ás avores do Riacho Alegre, a lua surgindo no céu_ corta a cena para a casa de Antônio Dias, na sala de jantar todos estão reunidos junto á mesa apreciando o jantar que Cidinha havia preparado)
ANTÔNIO DIAS: Luana onde está o Fabiano e o Netinho?
LUANA: Ah não sei não paizinho, o Fabiano não para mais em casa, deve ter ido jantar denovo na casa da mãe dele e o Netinho, depois da conversa que tive com ele agora a tarde, saiu igual uma ventania e ainda não voltou, tentei ligar pra ele mas ele não atende.
CECÍLIA: E você fala isso assim? E se aconteceu alguma coisa com ele?
LUANA: Aconteceu sim, um choque de realidade e quem sabe agora ele se toca e percebe, que o que vida tem para ele é bem maior e melhor do que essa vidinha que ele quer viver.
EDUARDO: Gente relaxa, o primão já é bem grandinho, não precisam ficar preocupados com ele.
LUCIANO: O Rodrigo tem razão, não precisamos nos preocupar com o Netinho, vamos comer em paz, ai se ele demorar ainda muito pra chegar eu vou atrás dele.
RODRIGO: Mudando de assunto, eu tenho uma ótima noticia para dar á todos vocês.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Espero em Deus que seja uma boa noticia.
EDUARDO: Espero que não seja o que eu estou pensando.
ANTÔNIO: Deixem o Rodrigo falar gente.
RODRIGO: Amanhã nós não vamos jantar aqui em casa.
CIDINHA: Uai, e posso saber o porquê? Vocês não querem mais comer minha comida?
RODRIGO: Nada a ver Cidinha, é que todos nós, inclusive a senhora, vamos jantar na casa da Patricia. Irei pedir a mão dela em casamento.
EDUARDO: Ah mano! Eu não acredito que você vai mesmo fazer uma burrice dessas.
RODRIGO: Burrice por que Eduardo, se a gente se ama?
EDUARDO: Bom, que você a ama isso eu, infelizmente, não tenho duvidas, agora ela eu não sei se gosta mesmo de você ou do seu dinheiro.
RODRIGO: Eduardo, pare de falar assim da minha noiva. Pra você mulher nenhuma presta, desse jeito vai morrer solteiro e sozinho.
EDUARDO: Não é que para mim ninguém presta, mas é que eu percebo que ela assim como essa guenguinha que meu pai arrumou, são tudo da mesmo laia, só querem dar o golpe do baú.
MARCELA: Escuta garoto, é melhor você começar a me respeitar que eu já estou perdendo a minha paciência com você.
EDUARDO: Isso, mostra mesmo a pessoa baixa que você é. (jogando o guardanapo na mesa e se levantando) Dêem lincença, mas últimamente não tem como fazer uma refeição em paz aqui nessa casa, parece que só tem vez as pessoas que não valem nada. (ele sai)
LUCIANO: Eduardo, volte aqui Eduardo.
RODRIGO: Desculpa gente, eu só queria dar uma boa noticia, não esperava que fosse gerar tanto problema.
LUCIANO: Olha filho, você me desculpa, mas eu também não confio muito nessa sua noiva, acho que você deveria esperar um pouco mais para conhecê-la melhor. Sinceramente, eu não acredito no amor que ela sente por você e acha ela uma menina muito mimada.
RODRIGO: Escuta aqui pai, quando o senhor quis trazer a Marcela para cá eu fiquei criticando? Não né? Ao contrario fui o primeiro a dar meu apoio e recebê-la de braços abertos aqui em casa, agora que eu preciso do seu apoio, o senhor não me apoia. Obrigado pai, muito obrigado. (também sai da mesa e vai para cima, deitar em seu quarto)
MARCELA: (para Luciano) Amor, acho que você exagerou, ele está certo. O Rodrigo foi a pessoa que melhor me acolheu aqui nessa casa e tem nos apoiado desde sempre, mesmo com todo mundo falando contra. Agora, tomando ou não a atitude mais acertada, ele precisa de você do lado dele. Faça sua parte, fique do lado do seu filho, dê a ele todo apoio e rezemos para que ele realmente não esteja sendo enganado por essa noiva. (corta a cena).
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VII
(NOITE_ Casa de Dona Mercedes_ interna_ Ela e Fabiano estão na mesa, jantando)
MERCEDES: Eu adoro filho quando você vem jantar comigo, me fazer companhia, me sinto tão sozinha.
FABIANO: Eu que adoro vir aqui mãe, ficar um pouco no seu colo, comer sua comidinha.
MERCEDES: O Luciano e os meninos também vem, de vez enquanto, mas não tanto como você. Por falar nisso como ele está com a mocinha com quem ele vai se casar?
FABIANO: Ah mãe, ela parece ser uma boa pessoa, de pavio curto e meio arredia, mas parece ter um bom coração e o mais importante, ela o faz muito feliz.
MERCEDES: E você meu filho, é feliz?
FABIANO: (nesse momento lágrimas insistem e rolar dos olhos tristes de Fabiano) a senhora sabe que não, na verdade eu nunca soube o que realmente era ser feliz.
MERCEDES: E você vai se conformar com isso até quando filho?
FABIANO: E a senhora quer que eu faça o que?
MERCEDES: Você que tem descobrir o que te faz feliz filho e lutar por aquilo com toda garra do mundo e, principalmente, se libertar das amarras dessa vida triste de tentar agradar sempre seu pai.
FABIANO: Eu tenho medo mãe.
MERCEDES: Do seu pai?
FABIANO: Não, de mim mesmo, de fazer esse caminho de auto descoberta e acabar descobrindo algo que eu não quero encontrar.
MERCEDES: Mas é necessário encontrar filho, se é que já não encontrou e só não tem coragem de assumir para você mesmo.
FABIANO: Eu tenho tanto medo. (chora)
MERCEDES: (levantando-se de sua cadeira vai até ele e o consola) Calma filho, você sabe que independente de qualquer coisa eu sempre estarei aqui pronta para te amar e te acolher como você é.
FABIANO: Obrigado mãe. (se abraçam)
MERCEDES: Me diga, como está a situação daquele teu amigo que quer ser peão?
FABIANO: Meu pai deu um mês para ele se tornar um bom peão, eu aceitei, mas não acredito que ele vá conseguir por mais boa vontade que ele tenha.
MERCEDES: As vezes, seja bom, até mesmo para esse seu amigo, não trabalhar lá, se não é essa a vocação dele ele precisa procurar o que lhe faça feliz.
FABIANO: Mas mãe…. (olhos marejados)
MERCEDES: O que foi filho?
FABIANO: Eu não quero que ele vá embora, eu não conseguiria mais imaginar minha vida longe dele. (corta a cena com o foco no abraço carinhoso dos dois).

CENA VIII
(NOITE_ Fazenda de Antônio Dias_ quarto de Rodrigo_ ele está sentado na cama, mexendo em seu notebook, Luciano chega).
LUCIANO: Com licença filho. (vai entrando) Posso conversar com você um pouco?
RODRIGO: Olha se for para falar mal da Patrícia de novo é melhor o senhor ir embora, minha paciência já se esgotou por hoje.
LUCIANO: (sentando-se na cama próximo ao filho) Calma filho, eu não vim aqui para falar mal da sua noiva e muito menos para brigar com você, na verdade eu vim aqui para te pedir desculpas.
RODRIGO: Me pedir desculpas?
LUCIANO: Sim filho, a Marcela conversou comigo e me fez perceber que agi muito mal contigo.
RODRIGO: Que bom né?
LUCIANO: Olha filho eu ainda acho precipitada a ideia de você se casar com a Patricia e realmente não confio nela….
RODRIGO: O Senhor disse que não iria falar mal dela.
LUCIANO: Eu não to falando filho, só estou dizendo o que penso de tudo isso e como pai eu tenho o dever de te aconselhar, mas você está certo, quando eu trouxe a Marcela para cá você foi um dos que mais me apoio e deu á ela carinho e amizade, então filho, concordando ou não com sua decisão eu quero te dizer que você pode contar comigo, eu estarei sempre ao seu lado, te apoiando, te ajudando porque tudo o que eu mais quero nessa vida é que vocês meus filhos, sejam felizes.
RODRIGO: Obrigado pai, eu também sempre estarei do teu lado, eu te amo e tenho muito orgulho de ser filho do melhor homem que já conheci, te admiro muito e quero carregar comigo seus valores e princípios.
LUCIANO: Eu é que tenho orgulho dos filhos que eu tenho, principalmente de você. (se abraçam_ corta a cena).

CENA IX
(NOITE_ Fazenda de Clóvis Arruda_ Colônia de peões, rancho de Quinzinho, ele está deitado numa rede tocando violão e cantando: Luar do Sertão, em seu pensamento recordações dos momentos que tivera com Maria Eulália, ela chega e bate a porta, ele atende)
QUINZINHO: Maria Eulália, você aqui?
MARIA EULÁLIA: Não diga nada, só me abraça.
(ele lhe abraça oferencendo todo o carinho, amor, respeito e proteção que tanto necessitava_ e ela, cansada de ter que ser forte todo tempo, desaba em lágrimas).
QUINZINHO: (enxugando suas lágrimas) Por que você está chorando assim meu amor?
MARIA EULÁLIA: O Clóvis conseguiu afastar minha filha de mim, ele levou ela para ser internada em um hospício, e ainda disse que a culpa era minha, que eu não sabia cuidar dela.
QUINZINHO: Meu Deus, que homem cruel. Como ele tem coragem de fazer isso com você? É claro que não é sua culpa, você é uma mãe maravilhosa, a culpa é dele que está louco e não percebe.
MARIA EULÁLIA: (colocando o dedo em seus lábios para calá-lo) Obrigado mas não diga mais nada, só me faz feliz, me faz esquecer todo esse meu sofrimento. (lhe dá um beijo)
MUSICA: A flor e o beija flor
QUINZINHO: E se o seu marido chegar?
MARIA EULÁLIA: Ele não vai chegar, ele foi festejar na casa da Madame Clotilde a façanha de ter internado a própria filha num hospício. Com certeza só volta quando o sol tiver raiando. Temos muito tempo para sermos felizes.
QUINZINHO: Quero passar o resto da minha vida te fazendo feliz. (eles trocam beijos apaixonados, depois cheio de amor e carinho, ela e lhe deita em sua humilde cama de capim e os dois fazem amor_ corta a cena)

CENA X
(NOITE_ Praça da cidade_ Netinho está caminhando, sem sentindo, cada palavra de sua mãe ecoava em sua cabeça e era como uma lança enfiada em seu peito_ De repente vem ao seu encontro a turma de Bady Boy)
BADY BOY: Saca só galera, não é um daqueles boyzinhos que caçou treta com a gente esses dias?
LAGARTIXA: Ih Bady, pior que é sim. (eles fecham ele)
BADY BOY: O que o mané tá fazendo aqui no nosso território?
NETINHO: Território de vocês coisa nenhuma a praça é publica, do povo. Anda me deixe passar!
LAGARTIXA: Olha só Bad, o carinha ainda quer bater de frente com a gente. (ri)
NETINHO: Já disse para você me deixar passar.
BADY BOY: você está sozinho agora, sem ninguém para te proteger, eu bem poderia terminar com você e me vingar daqueles seus amiguinhos com quem brigamos esses dias ai. O que acham cambada? Seria ou não uma ótima ideia?
NETINHO: Por favor, me deixem passar. (aparentemente com medo)
BADY BOY: Tá com medo? Cadê aquela coragem que você teve aquele dia? Esqueceu em casa com a mamãe foi?
EMANUELE: Deixa ele quieto Bady, por que nós ao invés de brigarmos com ele não acertamos logo essa treta e oferecemos para ele um presentinho? (eles riem e Netinho demonstra não estar entendendo mais nada)
BAY BOY: Verdade Manu, mesmo porque ele é quase uma criança, nem teria graça acabar com ele.
LAGARTIXA: (oferecendo um cigarrinho de maconha) Segura ai cara, é um presentinho nosso para você.
NETINHO: É…. não precisa não… to de boa.
EMANUELLE: Ih o que foi gatinho, vai amarelar?
BADY BOY: Ele é só um filhinho de papai riquinho, não tem coragem de uma coisa radical assim?
NETINHO: Me deem aqui. (Lagartixa entrega para ele que começa a usar, inicialmente seu organismo reage, ele tosse, tem vontade vomitar mas continua_ Corta a cena com foco no rosto de Netinho usando a droga)

CENA X
(NOITE_ Fazenda de Antônio Dias_ interna_ Netinho chega em casa completamente noiado, trombando nas coisas e fazendo barulho acordando Cecília que já estava dormindo)
CECÍLIA: Netinho! Onde você estava?
NETINHO: Tava por ai gata.
CECÍLIA: O que ta acontecendo com você? Tá tão estranho.
NETINHO: Nada não, não viaja, tô de boa.
CECÍLIA: Não está de boa coisa nenhuma, e esse cheiro horrivel. Me diga logo onde você estava e o que tava fazendo?
NETINHO: (escorando-se nela) Ih relaxa maninha, o pior já foi, agora fica de boa. (sobe para o seu quarto)
CECÍLIA: Netinho, Netinho volte aqui. (vê que ele já subiu e conversa perdida em seus pensamentos) O que será que está acontecendo com o Netinho? Eu nunca vi ele desse jeito. (toca a campanhia) Quem será a uma hora dessas? (ela abre a porta) Quem é você?
PAI ANDRÉ: Oi moça, meu nome é André, quero falar com a senhorita Luana.
CECÍLIA: Está bem, entre, vou lá chamá-la. (ela vai chamar a tia_ corta a cena com André olhando admirado a casa)
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA XI
(Clinica de doentes psquiátricos onde Lenita está internada_ interna_ Quarto onde ela esta internada_ Lenita está dormindo sedada com os remédios que foram injetadas em sua veia no período da tarde_ lentamente ela vai despertando)
LENITA: Onde estou? Que lugar é esse? (olha ao redor e se dá conta de onde está) Eu não acredito, meu pai conseguiu me trazer para esse lugar de novo? (levanta da cama e começa a bater na porta) Socorro! Socorro! Me tirem daqui. Eu não sou louca, eu não sou louca. (enfermeiros veem ao seu encontro)
ENFERMEIRA: Se acalme moça, desse jeito seremos obrigado a lhe dar uma nova dose de calmante.
LENITA: Vocês não estão entendendo! Eu não sou louca, louco é meu pai que me mandou para cá, eu preciso ir embora.
ENFERMEIRA: Sempre assim, vocês nunca são loucos são sempre os outros.
LENITA: Acredite se quiser, mas agora tenho que ir. (vai saindo pela porta os outros enfermeiros a agarram e a levam para cama)
ENFERMEIRA: Sinto muito moça, mas você não me deixou outra alternativa. (prepara uma injeção de calmante e aplica em Lenita que reluta como pode mas é segurada pelos outros enfermeiros)
LENITA: Não façam isso, não!!! Nãoooooo!!! (foca no rosto que Lenita que vai adormecendo)

CENA XII
(NOITE_ Fazenda de Antônio Dias_ Sala de estar onde Pai André, esperava para falar com Luana)
LUANA: (chega falando) A minha sobrinha disse que tinha uma mendigo aqui querendo falar comigo, olha se for pra pedir esmola eu já vou falando que eu …. (percebe que é seu Pai)
PAI ANDRÉ: Não eu não vim pedir esmola, eu vim aqui para poder falar com você.
LUANA: Você não tem nada pra falar comigo, aliás, eu nem te conheço então faça o favor de sair daqui.
PAI ANDRÉ: Eu sei que você que ainda não me conhece, infelizmente fomos separados quando você era praticamente um bebê, com certeza não deve se lembrar de mim, mas eu sou pai.
LUANA: (rindo com sarcasmo) Pai? O Senhor? Um mendigo que não tem nem onde cair morto é meu pai? O que foi? A pobreza e a sujeira corroeu seus neurônios foi?
PAI ANDRÉ: É verdade filha, eu sou seu pai, mas sua mãe fugiu da nossa casa te levando quando você era muito criança, depois disso, rodei esse mundão todo atrás de você até que eu te encontrei filha. Você não imagina o quanto eu sonhei com esse dia, de poder te ver, olhar seus olhos, te dar um abraço. (da um abraço)
LUANA: Você tá louco né? Me solta (ela consegue se desvencilhar do abraço dele) Vai embora daqui, esqueça que eu e minha mãe existimos.
PAI ANDRÉ: Mas filha eu te amo tanto.
LUANA: Ah ama? Ama mesmo?
PAI ANDRÉ: Claro filha, mais do que tudo nessa vida.
LUANA: Então, em nome desse amor que o senhor diz sentir por mim, vai embora e nunca mais, nunca mais me procure e não diga nada do meu passado para ninguem. Eu tenho vergonha e nojo de você, pra mim você é pior do que um rato de esgoto. Seu cheio é pior do que de uma vala podre, vou ter que passar a noite inteira tomando banho para me livrar da sua catinga.
Anda vai embora, antes que eu peça ajuda de algum peão para te tirar dessa fazenda, e nunca mais volte aqui.
PAI ANDRÉ: Eu vou filha, mas vou desistir de você. (pai André vai embora entristecido, Luana pega um vaso de flor, que decorava a sala, e joga, com toda a força, contra a parede e grita despejando toda sua ira)
MUSICA: A Mulher em mim
(a câmera filma Luana tomando banho, ela começa a recordar de sua infância, de como era feliz com seu pai, lembra das vezes em que ela corria para os braços dele e ele, erguendo-a no ar, rodopiava feliz. Luana começa a chorar, sente-se novamente uma criança abandonada, e encostando sua cabeça no box do banheiro, chora copiosamente, deixando desabrochar todos os seus sentimentos e fraqueza humana).

CENA XIII
(NOITE_ interna da casa da fazenda de Antônio Dias_ Bastião aparece seguido de Bem te vi)
BASTIÃO: Pronto, é aqui o quarto da Cidinha tenho certeza bsoluta!
BEM TE VI: Sei não, mas essas histórias costumam não dar certo.
BASTIÃO: Pare de ficar agorando, vai da tudo certo, a serenata vai ficar linda e a Cidinha vai ficar apaixonadinha por mim.
BEM TE VI: Tá bom tá bom, mas vou só te acompanhar no violão quem vai cantar é você, afinal quem quer conquistar a Cidinha é você.
BASTIÃO: Tá certo, tá certo. Mas o que eu canto?
BEM TE VI: AH canta qualquer música, eu te acompanho.
BASTIÃO: Tá bom. (limpa a garganta e começa a cantar) _ Eu tenho uma mula preta com sete palmos de altura/ A mula é descanelada, tem uma linda figura/ Tira fogo na calçada, no rampão da ferradura/ Co’a morena delicada, na garupa faz figura/ A mula fica enjoada, pisa só de andadura. (Cidinha abre a janela)
CIDINHA: Posso saber que palhaçada é essa aqui na minha janela? (Olha e vê que é Bastião que estava cantando) Ah! Mas só podia ser você né seu traste? Ta querendo o quê? Me chamar de mula é?
BASTIÃO: Claro que não amor, isso é uma serenata procê.
CIDINHA: Ah é? Que lindo né? Pois eu também tenho um presente para você. (sai da janela)
BASTIÃO: (para Bem-te-vi todo feliz e animado) Cê viu? Ela vai me dar um presente.
CIDINHA: Vou sim Bastião, tome seu presente.
(Cidinha despeja um balde de água na cabeça dele) Agora some daqui e me deixa dormir. (nesse instante Maria da Purificação sai com uma espingarda)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Eu vou colocar fim nesse furdunço aqui na frente da minha casa e é agora.
MUSICA: Ser o seu herói
(ela atira pra cima e os dois saem correndo_ Corta a cena com foco no rosto de Cidinha que via tudo da sua janela e se acabava de rir)

CENA XIV
(Passa várias cenas diurnas da fazenda de Antônio Dias: Bastião tirando leite, a família [em off] conversando e discutindo como sempre, Bem te vi cuidando do gado junto de Bastião e Vitinho tentando aprender, Marcela cuidando de Jasmim. Depois já em cenas do período da tarde: Patrícia experimentando o seu vestido para mais a noite e sua mãe lhe ajudando, Ritinha preparando o jantar, passa cena também De Lenita no hospício tentando fugir sendo impedida pelos enfermeiros, Cacau e Eduardo namorando ao pôr do sol. Por fim, cenas noturnas da cidade de Recanto Doce, com o Jair trabalhando na sorveteria e atendendo seus clientes, Pardal sentado comendo um sanduíche em seu beco e dividindo com o seu cachorrinho, Netinho indo até a praça e comprando drogas de Bady boy)

CENA XV
(NOITE_ Casa de Patricia_ ela, Maria Efigênia e Emerson estão recebendo a familia de Rodrigo [Antônio Dias, Maria da Purificação, Luciano, Marcela, Eduardo, Cecília, Clarinha, Jasmim e Netinho] como convidados de Rodrigo também estão Cidinha e sua avó Mercedes)
DR EMERSON: Boa noite, sejam bem vindos.
MARIA EFIGÊNIA: Bom acho que todos nós já nos conhecemos… espera quem é você? (aponta para Cidinha)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: É uma empregadinha nossa que o Rodrigo, assim como o pai dele, insiste em tratar como se fosse da familia.
LUCIANO: Ela é mais do que minha empregada, na verdade é nossa amiga, foi ela que me ajudou a criar os meninos quando a mãe deles morreu.
MARIA EFIGÊNIA: Hum então tá né? (cochicha com Patricia) onde já se viu, trazer uma empregadinha para um noivado? Só essa família busca pé mesmo.
PATRICIA: Shiii.
LUCIANO: O que a senhora disse?
PATRICIA: Nada não, ela só disse que está muito feliz de ter vocês aqui com a gente.
MARIA EFIGÊNIA: (vai cumprimentar a Marcela) Oi você deve ser uma outra empregadinha não é? Seja bem vinda.
PATRICIA: (puxando a mãe pelo braço e tentando desfazer o mico) Não mãe, ela é a noiva do Luciano.
MARIA EFIGÊNIA: Mas tem idade para ser filha dele? (todos ficam constrangidos, menos Luana e Maria da Purificação que se divertem com a confusão)
LUCIANO: Estou achando melhor irmos embora daqui enquanto é tempo. (fala para sua família)
DR EMERSON: Que isso amigo? Imagina? Não liga para minha esposa não ela é assim mesmo, adora fazer umas piadinhas. Mas então vamos ao que interessa? Vamos jantar?
RODRIGO: Dr. Emerson antes do jantar gostaria de uma palavra com o senhor e a Dona Maria Efigênia.
MARIA EFIGÊNIA: Não, queridinho, não precisa não, nós já sabemos o que você quer e tudo bem, tá mais que aceito, pode casar com nossa filha quando voces quiserem, aliás quando mais rápido melhor.
RITINHA: (que vinha trazendo uma bandeija) Nada disso Rodrigo, você não pode se casar com a Patricia.
MARIA EFIGÊNIA: (segurando seu braço) O que você pensa que está fazendo criatura?
RITINHA: Me solta. (se soltando) A Patrícia não vale o que o gato enterra, e eu vou contar tudo agora, tudo que eu sei e que está aqui entalado em meu peito e ninguém vai me impedir. (foco no rosto de Ritinha_ corta a cena)
FINAL DO VIGÉSIMO PRIMEIRO CAPÍTULO

  • Andrea Bertoldo

    Muito bom! Coitado do Bastião…kkkkk Sacanagem da Cidinha.kkkk