Coração sertanejo: Capítulo 20 – A cobra e o cordeiro

Coração sertanejo: Capítulo 20 – A cobra e o cordeiro

CENA I
(FINALZINHO DA MANHÃ_ Retoma a cena em que Luana acelera o carro e atropela Pai André, ele dá uma cambalhota passando por cima do carro e caindo todo ferido e ensanguentado no chão)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Filha, pare o carro, você atropelou o André. Precisamos descer e socorrê-lo.
LUANA: Nada disso, eu o atropelei de propósito e quero mais que ele morra. Vamos logo embora daqui.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Mas filha, ele é teu pai.
LUANA: Eu não tenho pai, sou filha de chocadeira. (acelera o carro, indo embora do lugar)
(Jair vai socorrer Pai André, nesse momento, podemos ver suas feridas se auto cicatrizando, até que, quando Jair chega para socorrê-lo, ele já não está mais com nenhum machucado e se levantando para ir embora).
JAIR: Pai André, como o senhor está? Se machucou muito?
PAI ANDRÉ: Isso não foi nada, fique tranquilo meu filho.
JAIR: Ficar tranquilo coisa nenhuma. (pegando seu celular) Vou ligar agora mesmo para a policia e para o hospital pedindo uma ambulância.
PAI ANDRÉ: (segurando suas mãos para não ligar) Não precisa. Já disse que estou muito bem. E não quero a polícia envolvida com essa história.
JAIR: Mas o que aconteceu aqui foi um crime. A Luana Dias veio em toda velocidade, muito acima do permitido, te atropelou e ainda nem prestou socorro.
PAI ANDRÉ: Deixa isso com Deus. Me prometam que não vão envolver a policia nisso e que além de você mais ninguém vai ficar sabendo do que aconteceu aqui.
JAIR: O senhor tem certeza disso?
PAI ANDRÉ: Certeza absoluta, isso é o mais certo a ser feito, fique em paz e obrigado por tudo.
JAIR: Mas o senhor está bem?
PAI ANDRÉ: Melhor do que nunca, renovei uns 20 anos. (ri bondosamente e vai até sua carroça)
MÚSICA: Doce é sentir.
Pai André segue até sua casa, chorando muito por saber que sua própria filha o havia atropelado e na certeza de que não fora um acidente, mas algo proposital para se ver livre dele e da história que tiveram no passado_ Corta a cena no olhar entristecido e banhado de lágrimas de Pai André)

CENA II
(FINAL DE TARDE_ interna_ Hospital_ Maria Eulália e Cacau estão na recepção aguardando o momento de verem Clóvis e Lenita_ Clóvis sai de um dos quartos)
MARIA EULÁLIA: Clóvis. (lhe dá um abraço) fiquei tão preocupada com vocês.
CACAU: Como o senhor está pai?
CLÓVIS: Eu estou bem, alias já até recebi alta, agora é só esperar nossa menina ficar totalmente boa, receber alta também e irmos todos pra casa.
CACAU: Pra casa? Então quer dizer que o senhor desistiu da ideia maluca de levar a Lenita para o hospício?
CLÓVIS: Sim filha. Quando vi aquele carro capotando, a vida da minha menina correndo risco eu cai em mim e percebi que estava muito errado fazendo aquilo. Sua irmã, não precisa de clínica nenhuma, só precisa do nosso amor e carinho e, a partir de hoje, ela terá.
MARIA EULÁLIA: Você está dizendo isso de coração?
CLÓVIS: Claro meu amor, aliás também preciso me redimir da forma como tenho te tratado todos esses anos, talvez você não consiga me perdoar, mas saiba que passarei o resto da minha vida tentando.
MARIA EULÁLIA: Que bom meu amor. (lhe dá um beijo_ Nesse momento a enfermeira adentra a recepção)
ENFERMEIRA: Bom dia. Vocês são da família da Lenita Arruda.
MARIA EULÁLIA: Sim somos.
ENFERMEIRA: Pois ela acordou e vocês podem visitá-la, mas não podem demorar.
MARIA EULÁLIA: Vamos meu amor.
CLÓVIS: Acho melhor irem só vocês duas, se ela me ver pode ficar nervosa e isso não vai ser nada bom para a sua recuperação. Vão conversem com ela e digam o quanto estou arrependido.
MARIA EULÁLIA: Pode deixar (elas adentram por um corredor seguindo a enfermeira)
CLÓVIS: (limpando a boca do beijo que recebera de Maria Eulália) Imbecis. Sabe quando eu vou desistir de trancafiar aquela louca no hospício? Nunca. (vai até um dos balcões de atendimento) por favor, posso usar o telefone? (ele liga) Alô é da Clínica São Lucas? (corta a cena com foco no olhar maquiavélico de Clóvis)

CENA III
MUSICA: Indispensável
(HORA DO ALMOÇO_ Rodrigo e seus irmãos, juntamente com Marcela estão sentados á sombra de uma árvore, á beira do Riacho Alegre, fazendo um piquenique. De repente Luciano chega em seu alazão, bem devagar sem ser visto pelos participantes do piquenique, que estão comendo e conversando animadamente_ Luciano se aproxima)
LUCIANO: E ai macacada. Tão se divertindo? (todos se alegram)
CLARINHA: Pai, o senhor veio?
LUCIANO: Claro filha.
JASMIM: Pai.
LUCIANO: Você disse pai? (Marcela ascende com a cabeça que sim, Luciano fica extremamente feliz, pega ela no colo rodopiando com a filha) Eu te amo filha. (para todos) Aliás, eu amo todos vocês. Você são o maior motivo da minha vida. (os filhos correm e lhes dão um abraço coletivo_ Marcela fica ao longe) E você meu amor, não vai me dar um abraço?
RODRIGO: Vem logo Marcela, Você já e da família e a maior responsável pelas melhoras da Clarinha (ela corre e junta aos demais.)

CENA IV
(HORA DO ALMOÇO_ Fazenda de Antônio Dias, na mesa estão apenas Fabiano e Antônio, Cidinha os servem)
ANTÔNIO DIAS: Não sei se seu irmão já está sabendo, afinal agora ele só tem tempo para aquela menina que ele arrumou, mas os peões me contaram uma coisa me deixou muito bravo.
FABIANO: O que foi pai?
ANTÔNIO: Olha meu querido filho, eu sei que você é uma anta, mas contratar um peão sem pedir currículo, sem pedir recomendações e nem fazer nenhum tipo de teste já é um pouco demais. A única coisa que te pedi para fazer, enquanto sua esposa e seu irmão estavam viajando, era não fazer nenhuma besteira, pois você foi lá e fez e o pior pelo que a peaozada está falando, esse tal de Vitinho não sabe nem montar num cavalo.
FABIANO: Calma pai, também não é assim. Ele ainda não sabe algumas coisas mas já pedi para o Bastião ensiná-lo.
ANTONIO: E você acha que eu vou ficar pagando salário para um peão que não sabe nem montar a cavalo, que ainda está, como você disse: aprendendo?
FABIANO: Mas pai, esses dias eu quase me afoguei lá no Riacho Alegre e foi ele quem me salvou, eu lhe devo a vida. Eu te peço pai, dê á ele a chance de ficar um mês aqui. Se ele não se sair bem eu mesmo mando ele embora, mas se ele conseguir o senhor contrata ele.
ANTÔNIO: Tudo bem, mas nesse mês, o salário dele, sairá do seu bolso.
(corta a cena)
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA V
(TARDE_ Cachoeira do Riacho Alegre. Marcela e Luciano estão abraçados cuidando de Yasmim, Rodrigo á beira da cachoeira beija Patrícia, Netinho toca violão para Cecília que, com uma flor no cabelo, se emociona com a música cantada por Netinho_ Alvinho chama Clarinha para um canto)
CLARINHA: É parece que o cupido pegou de vez a minha família.
ALVINHO: Só falta você.
CLARINHA: Do que você tá falando?
ALVINHO: Sério mesmo que você nunca notou nada?
CLARINHA: Notar o que? Ai odeio quando você começa a falar em códigos. (eles que estavam caminhando por uma trilha lado a lado param e ficam frente a frente)
ALVINHO: Nós já estamos crescendo Clarinha, estamos deixando as coisas de criança e nos abrindo á uma nova vida, novas sensações, novos sentimentos.
CLARINHA: Eu sei, mas por mim a gente continuava criança sempre.
ALVINHO: A gente pode preservar nosso lado de criança para sempre, mas não dá para fazer de conta que as coisas que estão acontecendo, não estão acontecendo. (pega em sua mão)
CLARINHA: Ainda não entendi, aonde você quer chegar.
ALVINHO: Eu gosto de você.
CLARINHA: Eu também, muito, você é meu melhor amigo.
ALVINHO: Eu não to falando de amizade.
CLARINHA: Então você tá falando de que?
MÚSICA: De zero á dez
ALVINHO: (todo timido e sem jeito) disso… (segura seu queixo, depois faz um carinho em sua face e vai se aproximando até que seus lábios se tocam e eles se entregam ao primeiro beijo de ambos e para uma realidade completamente nova, Clarinha então se toca do que está acontecendo e empurra Alvinho)
CLARINHA: Nunca mais faça isso. Entendeu? (sai deixando Alvinho caído no chão mas com um sorriso no rosto pelo primeiro beijo que eles trocaram)

(voltando á cachoeira onde os demais personagens estão, Rodrigo e Patricia, estão namorando á beira da cachoeira com os pés na água)
MUSICA: Fica comigo
PATRICIA: Obrigado meu amor, pelo passeio maravilhoso de hoje, junto com sua família. Aliás tudo ao seu lado é maravilhoso. (trocam um selinho)
RODRIGO: Eu também adoro estar com você, eu quero estar assim durante toda a minha vida, por isso quero te perguntar uma coisa. (pega uma caixinha que está em sua mochila)
PATRICIA: Perguntar o que amor? Tô curiosa.
RODRIGO: (pegando a caixinha e abrindo mostrando o anel de noivado) Casa Comigo?
PATRICIA: Sim claro meu amor. (estende as mãos para pegar o anel)
RODRIGO: Não ainda não, eu quero te entregar esse anel amanha a noite lá na sua casa, onde eu vou pedir sua mão em casamento para seus pais.
PATRICIA: Ah Rô, não precisa disso não.
RODRIGO: Precisa sim, eu quero fazer tudo certinho, Amanhã a noite vou lá com meu pai, meus irmãos e ai oficializamos tudo.
PATRICIA: Tudo bem, seja como você quiser, o importante é a gente se casar e ser felizes para sempre (se beijam)

(debaixo de uma árvore Marcela e Luciano cuidam de Jasmim que está brincando)
MÚSICA: Eu nasci para amar você
MARCELA: Sua filha é mesmo muito especial Luciano, eu estou muito feliz de estar cuidando dela.
LUCIANO: Ela é sim, muito especial como você. Obrigado por estar cuidando tão bem da Jasmim e estar fazendo diferença na vida dela. (se beijam) Daqui a pouco vai ser nosso filhote que vai estar por ai brincando com a Jasmim e alegrando mais a nossa vida.
MARCELA: Não vejo a hora. (dá um selinho em Luciano)
LUCIANO: Mudando de assunto, eu liguei para a secretaria paroquial da cidade vizinha e já combinei tudo com o padre. Ele vai vir celebrar nosso casamento.
MARCELA: Ai meu amor, que noticia maravilhosa. E para quando você marcou?
LUCIANO: Daqui vinte dias.
MARCELA: Você tá louco? É pouco tempo para a gente organizar tudo: comida, decoração, vestido…
LUCIANO: Fique tranquila meu amor, nossa família é grande, faremos uma força tarefa e tudo dará certo. O importante é a gente se casar e continuar a ser tão feliz como a gente já é (se beijam apaixonadamente, nesse momento Jasmim vai até um pé de primavera e apanha uma linda flor e, voltando para onde estava, estende a mão e oferece a flor para Marcela)
JASMIM: Pra você, mamãe. (Marcela olha emocionada para Luciano e começa a chorar, depois recebe a flor colocando-a no cabelo e abraça Jasmim)

CENA VI
(TARDE_ estrada que liga a cidade á Riacho Doce_ Patrícia está dirigindo seu carro conversando com sua amiga no celular)
PATRÍCIA: Oi Sophia, pois é menina eu e o Rodrigo voltamos, ele até meu pediu em casamento. (ri) claro que eu aceitei…Que nada menina, eu não gosto dele não, o que eu gosto mesmo é do dinheiro que ele tem, além do mais não ia perder um partido daqueles para minha empregadinha. (ri).
(Dispersa por causa do celular, Patrícia acabando passando por um buraco com o carro que ela dirigia, ela quase perde o controle do carro e percebe que um dos pneus estorou). Que droga! (desce do carro para ver o que havia acontecido) agora vou ter ligar para o Rodrigo e pedir para ele vir trocar essa porcaria aqui para mim.
(ela liga, na tela da camêra aparece toda a família se divertindo na cachoeira e o celular de Rodrigo tocando sem que ninguem escute)
PATRICIA: Maldição, ele não atende. E agora o que vou fazer? (nesse instante, Gabriel, de charrete vem passando por aquela via, em direção oposta, ela o chama) Moço, moço. Por favor. (ele desce da charrete e vai ao encontro da dondoca).
GABRIEL: Pois não? O que a senhora deseja?
PATRICIA: Você sabe trocar pneus?
GABRIEL: Sim, claro, eu até tenho um fusquinha veio lá em casa. To aqui de charrete porque vim cortar napiê pro meu gadinho. Aqui perto do rio tem um campão cheio e cada moita verdinha verdinha.
PATRICIA: Hum, então você é fazendeiro?
GABRIEL: Que nada, só tenho um sitiozinho e umas 20 cabeça de gado.
PATRICIA: Hum. Bom, o pneu do meu carro quebrou e eu preciso voltar para casa. Tem como o senhor me ajudar?
GABRIEL: Tem sim, claro. (estendendo as mãos para ela) prazer meu nome é Gabriel e o seu?
PATRICIA: meu nome é Patricia. E então o senhor vai ou não trocar o pneu? Estou com presa!
GABRIEL: Relaxa gata, eu troco isso em um leve e traz. (tira a camisa mostrando o peitoral e o abdômen definido, e fortes músculos no braço, despertando o desejo de Patricia que percebe que, ali, muito além de um homem simplório estava um homem de belas formas e um corpo que despertava nela um grande desejo_ ele começa a trocar os pneus enquanto ela o observa cheia de desejo).
PATRICIA: E você é feliz com essa vidinha que você leva?
GABRIEL: Mais ou menos, eu gosto do que faço, mas ainda quero me tornar um grande fazendeiro igual o Luciano Dias. Conhece ele?
PATRICIA: Sim, já ouvi falar.
GABRIEL: Pronto dona, não disse que ia ser em um leve e traz?
PATRICIA: Obrigado.
GABRIEL: De nada. (ele vai saindo)
PATRICIA: Ei, não vai querer receber seu pagamento?
MUSICA: Fica comigo
(ela vai até ele o beija com profundo desejo, depois abraça-o com as pernas e fica beijando no colo dele_ ele então a leva para um lugar mais afastado da rodovia, debaixo de uma árvore. Ele deita-a ali, beija os lábios de Patricia, morde sua orelha e seu pescoço, depois rasga seu vestido e se beijam (corta a cena)
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VII
(TARDE_ Casa Paroquial_ padre Bento está diante de um oratório em oração)
PADRE BENTO: (em oração) Meu Deus, sonda o meu coração. O senhor sabe que eu tenho tentado, tenho feito de tudo para me conservar em castidade, puro e intocável para cumprir minha missão, mas eu não estou conseguindo controlar esse sentimento que nasceu em mim e, cada vez, mais tem tomado espaço em meu coração. Eu tento me afastar da tentação, mas não consigo, parece que é um teste. É isso Senhor? O Senhor está me testando? Porque cada vez que tento me afasta dela, parece que o senhor insiste em colocá-la no meu caminho. Tão frágil, tão delicada, tão necessitada da minha ajuda. O que eu faço meu Deus? Me ajude.. (chora descontroladamente_ Madalena chega)
MADALENA: Padre Bento, por que o senhor está chorando assim?
PADRE BENTO: Não é nada Madalena, esqueça.
MADALENA: Como não é nada? Eu to vendo o senhor está angustiado e se derramando em lágrimas. O que foi? Foi algo que eu fiz ou que eu te falei? Por que se for, o senhor me des….
MUSICA: É você
PADRE BENTO: Não, você não fez nada de errado, nunca fez e esse é o problema. Não dá pra resistir á seu jeito doce. (passa a mão em braço) Essa luz que tem seu olhar. Esse seu sorriso lindo.
MADALENA: Então não resista Bento, apenas se entregue á esse sentimento que tem dentro do seu peito. (coloca a mão no peito dele e sente seu coração bater acelerado) e no meu (coloca a mão sobre seu peito e sente que se coração bate acelerado no mesmo ritmo que o coração de seu amado) desde o dia em que te vi. (ela o beija _ Um beijo puro, cheio de sinceridade e amor_ Madame Clotilde adentra a casa paroquial e presencia a cena, ficando escandalizada).
MADAME CLOTILDE: Meu Pai do Céu! O que está acontecendo aqui? (corta a cena focalizando o rosto assustado e sem jeito do casal).

CENA VIII
(TARDE_ Fazenda de Antônio Dias_ sala de estar onde Maria da Purificação e Luana estão conversando)
MARIA DA PURIFICAÇÃO:Filha estou muito preocupada.
LUANA: Com o que mãe?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: E se você acabou matando o seu pai?
LUANA: Shiiii, para de falar essas coisas principalmente aqui. E se a senhora quer mesmo saber, eu estou torcendo para ele ter batido as botas.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Mas filha, apesar dos pesares, ele é teu pai.
LUANA: Eu já te disse que não tenho pai.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: É mas e se alguém mais viu o acidente e anotou sua placa? Vai dar um problemão lascado afinal de contas, alem de você estar muito além da velocidade permitida você ainda não prestou socorro.
LUANA: E a senhora acha mesmo que alguém vai ser capaz de me denunciar? Eu sou Luana Dias, uma das herdeiras de todo esse Império, duvido que alguém tenha a coragem de me denunciar.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Ah não sei não filha.
LUANA: Ah parou em! Parou de ficar me jogando praga, vai dar tudo certo e agora tenho algo mais importante para pensar.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: O que filha?
LUANA: Encontrar o namoradinho da Marcela e convencê-lo a ficar do meu lado, á desmascarar aquela ordinariazinha e o que é melhor, entrar no justiça para ter a posse do filho que ela está esperando. Aquela vadiazinha não perde por esperar. (corta a cena no olhar maquiavélico de Luana)

CENA IX
(TARDE_ Hospital_ quarto onde Lenita se encontra_ ela está na cama, ainda cheia de ferimentos, sua mãe e irmã estão uma de cada lado da cama)
MARIA EULÁLIA: Mas filha, você foi muito louca e sem juízo. Onde já se viu avançar no volante e disputá-lo com seu pai? Poderia ter acontecido o pior e um de vocês terem morrido.
LENITA: Só assim mãe eu teria sossego, ou matando ele ou morrendo.
MARIA EULÁLIA: Não diga uma coisa dessas filha, pelo amor de Deus.
CACAU: Além do mais, as coisas podem ser resolvidas sempre de outra forma.
LENITA: Que forma? Comigo indo passar o resto da vida naquele lugar?
MARIA EULÁLIA: Fica tranquila filha, seu pai nos prometeu que não vai mais tentar te levar pra lá.
LENITA: E vocês acreditaram?
CACAU: Ah mana ele parecia estar sendo sincero. Eu acho que esse acidente, e a possibilidade de acontecer algo pior com você, fez ele colocar a mão na consciência e mudar seu jeito.
LENITA: Pois eu duvido. (Nesse instante Clóvis entra no quarto) O que você veio fazer aqui?
MARIA EULÁLIA: Calma minha filha. Eu lhe disse que ele mudou.
CLÓVIS: Com certeza filhinha, eu não vou mais te levar para a clínica. (elas festejam)
CACAU: Tá vendo mana? Não te falei que ele está mudado?
CLÓVIS: Eu não vou mais te levar para a clínica Lenita, por que ela mesmo veio até você te buscar. (Lenita se desespera já sabendo do que lhe esperava)
MARIA EULÁLIA: O que você está falando Clóvis? (4 enfermeiros adentram o quarto)
CLÓVIS: Podem levar.
(Dois enfermeiros pegam Lenita, que mesmo se debatendo contra eles, acabou sendo levada enquanto os outros seguram Maria Eulália e Cacau, Cacau e Maria Eulália se desesperam e gritam, tentando pedir ajuda).
CLÓVIS: Não adianta gritarem, eu alertei o hospital que a clinica iria vir buscar uma doente mental e que a mãe e irmã iriam fazer um escândalo por isso e pedi para ninguém se entrometer. (gargalha_ Corta a cena no olhar desesperado de Cacau e Maria Eulália)
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA X
(TARDE_ Fazenda de Antônio Dias_ Maria da Purificação e Luana ainda estão na sala maquinando contra Marcela, quando toda a família chega fazendo festa e elas cortam o assunto)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Demoraram hein? Pensei que iam jantar por lá também.
CECILIA: Até que a gente queria, mas o Rodrigo e o Netinho comeram tudo o que levamos.
LUANA: Só vocês mesmo pra fazer piquenique, coisa mais cafona!
MARCELA: Cafona é não ser feliz, é perder o momentos felizes ao lado de quem amamos.
LUCIANO: Por falar nisso, o Eduardo está aí?
LUANA: Não, ele recebeu um telefone e saiu correndo igual uma bala.
LUCIANO: Será que aconteceu alguma coisa seria?
LUANA: Talvez seja, mas não com ele, ele está bem, apesar do pai dele ter o deixado de lado para defender uma vadiazinha.
LUCIANO: Olha como você fala da Marcela hein.
MARCELA: Deixa meu amor, isso tudo é inveja e ciumes da gente. (Marcela dá um beijão em Luciano na frente de todo, provocando a ira de Luana)
LUCIANO: Bora macacaiada, todo mundo tomando banho. (Luciano, Marcela, Rodrigo, Clarinha, Cecília e Jasmim sobem as escadarias conversando animadamente)
LUANA: Quero ver até quando vai durar essa felicidade toda dessa família de comercial de margarina. (olha e vê que Netinho está ali) E você Netinho, o que tá fazendo ai parado igual um poste?
NETINHO: Preciso conversar com a senhora.
LUANA: Vindo de você coisa boa não deve ser, mas vai, desembucha logo que não to com paciência para rodeios.
NETINHO: Tá bem mãe, então eu irei bem direto ao ponto. Eu e a Cecília estamos namorando.
LUANA: O que? Eu não vou permitir que você namore aquela peste, de jeito nenhum.
NETINHO: A senhora ainda não entendeu, mas eu não estou pedindo sua permissão eu apenas estou comunicando.
LUANA: Só que vocês não podem namorar.
NETINHO: E posso saber o por quê? Por que a senhora não gosta dela? Ah tenha a santa paciência.
LUANA: Filho, você não pode namorar com ela por que vocês dois são irmãos.
NETINHO: O que a senhora está dizendo? Como ela pode ser minha irmã? Nós crescemos juntos o pai dela é Luciano e…
LUANA: E o seu também.
NETINHO: Como é que é? A senhora tá querendo me dizer que eu sou filho do Luciano? Mas como isso pode ser? A senhora só pode estar mentindo para me separar da Cecília.
LUANA: Eu e Luciano sempre nos amamos, nossa história sempre foi marcada por idas e voltas.
NETINHO: Então quer dizer que a senhora trai o meu pai com o próprio irmão dele?
LUANA: Eu e o Luciano nos amamos e você é fruto desse amor.
NETINHO: (para Maria da Purificação que até então ouvia tudo em silêncio) Vó, isso que minha mãe está contando é verdade?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Sim filho, você é filho do Luciano.
NETINHO: (desesperado) Eu não consigo acreditar nisso. Eu vivi dentro de um mentira esse tempo todo, eu sou fruto de uma traição e das mais nojentas. Meu pai precisa saber disso tudo.
LUANA: Isso mesmo filho, dê ao seu Fabiano esse desgosto. Conte para ele que além de ser um corno, o filho que ele tanto ama não é filho dele, que até você ele perdeu para o irmão. Como você acha que ele vai receber essa noticia?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: É bem capaz dele cometer um besteira. Se você ama o seu pai, quer dizer o Fabiano, você não vai contar nada para ele, é melhor que as coisas continuem assim.
NETINHO: E eu? Como eu fico? Além de perder a mulher que eu amo acabo de descobrir que meu pai que tanto amo, não é meu pai?
LUANA: Para de fazer drama.
NETINHO: A senhora não tem coração, é uma verdadeira pedra de gelo. (sai batendo a porta_ Corta a cena).

CENA XI
(TARDE_ Casa paroquial_ Madame Clotilde acabar de pegar padre Bento e Madalena se beijando)
PADRE BENTO: Acalme-se dona Clotilde, isso não é o que a senhora está pensando.
MADAME CLOTILDE: Para, para com essa historinha vai. Você esqueceu quem eu sou? Ninguém nesse mundo sabe muito bem o que tava acontecendo, e o pior, o que ainda poderia acontecer se eu não tivesse chegado. E essa foi a sua sorte, que quem chegou fui eu. Já pensou se tivesse sido uma das beatas, ou pior, a líder delas: a dona Maria Purificação?
PADRE BENTO: Eu não quero nem pensar nisso.
MADAME CLOTILDE: Pois deveria pensar. Você tem uma missão especial, não pode se dar ao luxo de se levar pela tentação da carne.
MADALENA: Não é só uma tentação da carne, eu estou realmente apaixonada por ele.
MADAME CLOTILDE: Você tá louca? Tá querendo virar mula sem cabeça? Sim porque esse é o castigo pra quem se engraça com algum padre.
MADALENA: Eu não acredito nisso, para mim tudo é lenda.
MADAME CLOTILDE: Acreditando ou não, o fato é que esse relacionamento é proibido. O melhor que vocês dois têm a fazer é terminar com isso agora.
MADALENA: Mas dona Clotilde…
PADRE BENTO: A dona Clotilde está certa, eu sou um homem proibido, separado para Deus, nunca vou poder corresponder á esse seu sentimento.
MADAME CLOTILDE: Até que enfim está recuperando o juízo hein padre! (falando para Madalena) E você vem comigo para casa e nunca mais volte aqui ou se aproxime dele.
PADRE BENTO: Mas a menina não quer ser sua guenga.
MADAME CLOTILDE: Não vai ser.
MADALENA: (toda feliz) Não?
MADAME CLOTILDE: Não, eu não vou te forçar a se tornar uma guenga contra a sua vontade. (Madalena e Padre Bento ficam felizes) mas você também não vai poder ficar lá em casa sem fazer nada. Vai ter que fazer todo o trabalho de faxina, da cozinha e lavar as roupas minhas e das outras meninas.
MADALENA: Tudo bem dona Clotilde eu faço tudo que a senhora quiser desde que não tenha que ser guenga. (lhe dá um abraço_ corta a cena)

CENA XII
(TARDE_ Patricia e Gabriel estão deitados sob o sombra de uma árvore, depois de terem feito amor)
PATRICIA: (colocando a roupa) Vamos embora daqui logo.
GABRIEL: Ué, porque você está assim? Não gostou?
PATRICIA: Eu estaria mentindo se dissesse que não gostei, na verdade eu nunca havia sentido algo assim.
GABRIEL: Então a gente vai voltar a se ver?
PATRICIA: Á se ver sim, provavelmente, afinal essa cidade é um ovo, mas quando isso acontecer você vai passar por mim como se nunca havia me visto. Entendeu?
GABRIEL: Então quer dizer que não vamos mais ficar?
PATRICIA: (gargalhando) Deixa de ser ridículo. Olha só pra você. Você acha que vou continuar a ficar com um cara como você?
GABRIEL: Um cara como eu? Como assim?
PATRICIA: Pobre, fedendo bosta de vaca. Eu sou noiva de um dos homens mais ricos desse Estado, você acha mesmo que eu vou ter algo á mais com você?
GABRIEL: (segurando seus braços) Mas não foi o que pareceu quando a gente fez amor.
PATRICIA: Que amor o quê? Foi apenas atracão física, um passatempo. Agora segue sua vida e esquece que eu existo. (vai saindo_ foco no rosto confuso de Gabriel_ Corta a cena)

CENA XIII
(TARDE_ Hospital_ recepção_Cacau e Maria Eulália estão desoladas com o que havia acontecido com Lenita)
CACAU: Eu ainda não acredito no que aconteceu? Como meu pai pode ser tão cruel? Se aproveitar que minha irmã estava internada e da nossa inocência para levá-la de volta para aquela clínica?
MARIA EULÁLIA: A culpa é minha, eu não devia ter acredito naquela historinha dele que ele havia mudado, ninguém muda assim de uma hora para outra.
CACAU: Para mãe, a culpa não é sua e sim dele que não tem um pingo de amor e respeito por você e por nós suas filhas. (nesse momento Eduardo chega) Eduardo. (corre ao seu encontro e lhe dá um abraço)
MARIA EULÁLIA: Bom vou ali tomar um café e deixar vocês a sós. (ela sai)
CACAU: Obrigado por ter vindo
EDUARDO: Imagina Cacau, eu vim o mais rápido que pude, não ia te deixar sozinha nesse momento. E ai como estão seu pai e sua irmã?
CACAU: Meu pai está ótimo, ótimo até demais.
EDUARDO: Como assim?
CACAU: Ele só teve uns arranhões e, se aproveitou que a Lenita estava aqui de observação, chamou uma clínica de tratamento psiquiátrico para levá-la internada.
EDUARDO: Sinto muito. Posso fazer alguma coisa pra te ajudar?
MUSICA: Mesmo sem estar
CACAU: Pode sim, me abraça forte (ele a abraça) eu estou me sentindo tão frágil, com tanto medo.
EDUARDO: Eu to aqui meu amor, e estarei sempre. (eles se beijam_ cortam a cena)

CENA XIII
(TARDE_ Casa de Michel_ ele está tomando um banho_ alguém bate á porta)
MICHEL: Já vai. (ele desliga o chuveiro, se enrola em uma toalha e vai abrir a porta, quando ele abre surge a imagem de Luana)
LUANA: Oi posso falar com você? (corta a cena no olhar maquiavélico de Luana)

  • Cleber Medeiros

    obrigado Andrea

  • Andrea Bertoldo

    Muito bom como sempre! Parabéns!