Coração sertanejo: Capitulo 18 – A ameaça bate á porta

Coração sertanejo: Capitulo 18 – A ameaça bate á porta


CENA I
(NOITE_ Retoma a cena do encontro de Maria da Purificação e Pai André)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Você aqui?
PAI ANDRÉ: Sim sou eu Geralda. Até que enfim te encontrei.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: E como você conseguiu me encontrar aqui, tão longe daquela cidadezinha em Goiás onde morávamos?
PAI ANDRÉ: Estou há quase 40 anos rodando esse mundão de meu Deus atrás de você e principalmente da minha filha. Onde ela está?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Você não tem filha nenhuma.
PAI ANDRÉ: Como não? E a Luana a nossa menina?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Olha essa fazenda. Olha essa casa. Você acha que a Luana ainda lembra de tudo o que sofreu com você? Cada noite que dormiu sem comer? Todas as privações e necessidades? Pois eu te digo: ela não quer nem lembrar que você existe. Para ela o pai é o meu atual marido e está muito feliz assim e eu não vou permitir que você, depois de tantos anos, venha estragar a nossa vida.
PAI ANDRÉ: Eu não quero estragar a vida de ninguém, eu só quero rever minha filha, dar-lhe um abraço, dizer-lhe que lhe amo e que sofri muito por todo esse tempo longe dela.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Você realmente a ama?
PAI ANDRÉ: É claro que sim. Eu só fiquei todo esse tempo longe dela porque você fugiu, levando ela com você, sem dizer para onde ia e nunca mais deu noticias.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: E o que você queria? Que eu continuasse morando naquele barraco, passando fome, todo tipo de necessidade, muitas vezes sem ter um leite para dar pra minha filha enquanto você bancava o santo peregrino? Não eu não podia continuar ali com você eu tinha que buscar uma vida melhor e principalmente dar uma vida melhor para minha filha.
PAI ANDRÉ: Desculpa, me desculpa por tudo, mas você sempre soube de minha missão.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Então vá vivê-la bem longe da gente e nos deixe em paz.
PAI ANDRÉ: Eu nunca mais vou sair de perto da minha filha.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Ah vai sim, nem que eu tenha que acabar com tua raça. E agora vai embora antes que eu peça aos empregados para te expulsar na marra.
PAI ANDRÉ: Eu vou, mas eu volto. (sai a cena corta no rosto preocupado de Maria da Purificação)

CENA II
(NOITE_ Casa de Madame Clotilde- quarto de Madalena_ Clóvis que ainda está lá, recupera suas forças e reconhece ali a sua filha).
CLÓVIS: Lenita, como você tem coragem de bater em seu próprio pai?
LENITA: E você como tem coragem de deixar minha mãe sozinha em casa, pra atacar uma menina que tem idade pra ser sua neta?
CLÓVIS: Isso não é da sua conta. Você não tinha nada que entrar agora e estragar tudo.
LENITA: Toma vergonha na tua cara velho babão. Eu esperava tudo de você, agora estuprador eu nunca imaginei
CLÓVIS ARRUDA: Que estupro o quê? Ela é mais uma das guengas da Madame Clotilde, está aqui para nos atender e muito bem.
LENITA: Mas ela não quer ser guenga e ainda que ela fosse, a partir do momento em que ela se recusou a se deitar com o senhor e o senhor queria obrigá-la usando da força e da violência é estupro sim.
CLOVIS: Cale a boca sua defensora dos fracos e oprimidos. Pois bem, agora que você resolveu dar a cara para defender sua amiguinha vou te levar daqui.
LENITA: Daqui eu não saio.
CLÓVIS ARRUDA: Ah vai sim, nem que seja na marra.
(Lenita tenta correr mas ele o segura e desce com ela as escadarias indo até o saguão onde se encontrava Madame Clotilde, suas meninas e seus clientes)
MADAME CLOTILDE: O que aconteceu lá encima, Senhor Clóvis, que fez a menina Madalena sair correndo, só de calcinha e sutiã?
CLÓVIS: Isso não interessa. Eu não te devo satisfações. Agora muito me impressiona a senhora mentir pra mim e esconder minha filha nesse andro.
MADAME CLOTILDE: Sim, porque ela me disse que você quer levá-la para um hospício.
CLÓVIS: O que eu faço ou não com a minha filha é problema meu. Agora eu vou levá-la embora e depois, prepare-se dona Clotilde porque vou acabar com essa espelunca. (vai saindo arrastando Lenita á força)
CHICA GAITEIRA: (para Madame Clotilde) A senhora não vai fazer nada? Ele ta levando a menina embora?
MADAME CLOTILDE: O que podíamos fazer para ajudá-la, nós fizemos. Agora não podemos fazer mais nada a não ser rezar por essa coitada. (corta focando no rosto preocupado de Madame Clotilde)

CENA III
MUSICA: Fascinação
(NOITE_ Casa e quarto de Candida_ ela esta beijando Jair que vai aos poucos e, cheio de carinho, tirando sua roupa, de repente ela cai em si e interrompe o romance esbofeteando-o)
CANDIDA: Quem você pensa que eu sou? Uma das mariposas da Madame Clotilde?
JAIR: Claro que não meu amor.
CANDIDA: Então tire essas suas patas imundas de cima de mim agora e saia daqui.
JAIR: Mas por quê? Eu achei que você também estava gostando.
CANDIDA: Que gostando o quê? Vê lá se eu sou alguma guenga pra gostar de safadeza.
JAIR: Mas amor, não é safadeza é paixão.
CANDIDA: Que mané paixão o que sô? Isso é safadeza, pecado da carne, fornicação, luxuria. Saia daqui encarregado do capeta.
JAIR: Para com isso amor, vem cá me dá um beijinho vai.
CÂNDIDA: Você vai sair daqui agora e senão sai por bem. (levanta da cama e pega uma vassoura) vai sair por mal (corre atrás dele com a vassoura expulsando_ corta a cena)
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IV
(NOITE_ Casa e quarto de Patrícia_ ela está deitada na cama mexendo no celular, sua mãe entra)
MARIA EFIGÊNIA:Filha, posso entrar?
PATRÍCIA: Claro mãe, entre por favor. Trouxe meu lanche?
MARIA EFIGÊNIA: Não.
PATRÍCIA: Por que não?
MARIA EFIGÊNIA: Porque você vai sair agora.
PATRICIA: Sair? Pra onde mãe?
MARIA EFIGÊNIA: Você vai levar o Alvinho para ver a roda de viola, na casa do Antônio Dias.
PATRÍCIA: Mas mãe, primeiro que eu odeio música caipira, segundo que eu já te falei que o Rodrigo terminou comigo, justamente porque eu menti para não ir na outra roda de viola que teve.
MARIA EFIGÊNIA: Por isso que você vai.
PATRÍCIA: Ainda não entendi.
MARIA EFIGÊNIA: Você vai lá com a desculpa de levar o Alvinho e aproveita para ver o Rodrigo, além disso, participando dessa roda de viola vai tirar essa impressão negativa que ele está de você e quem sabem, vocês acabam fazendo as pazes.
PATRÍCIA: A Senhora não desiste de me casar com o Rodrigo né?
MARIA EFIGÊNIA: Filha, faz mais de seis meses que seu pai não consegue uma causa decente para defender e insiste em não sair dessa cidade, desse fim de mundo. Senão fosse essa madrinha da Ritinha que todo mês deposita uma pensão gorda na conta dela a gente estaria passando fome.
PATRICIA: A idiota trabalha igual escrava, e nem sequer desconfia que é ela que sustenta a casa, com a pensão dessa madrinha que ninguém conhece.
MARIA EFIGÊNIA: E é bom que ela continue assim, senão estaremos perdidos, porque até essa casa está no nome dela.
PATRICIA: Mas é uma trouxa mesmo. (riem)
MARIA EFIGÊNIA: Agora faça o que te falei, se arrume e vá, tenho certeza que o tonto do Rodrigo não vai resistir ao seu charme. (riem _ corta a cena focando no olhar maquiavélico de Patrícia)

CENA IV
(NOITE_ Praça principal da cidade_ Madalena ainda está correndo, fugindo de Clóvis sem se dar conta de que está apenas de sutiã e calcinha_ correndo e olhando sempre para trás, para ver se Clóvis a seguia, ela acaba esbarrando em Padre Bento_ troca de olhares)
MUSICA: É você_ Maria Cecília e Rodolfo
(padre Bento fica olhando com atenção e desejo o corpo quase desnudo de Madalena)
MADALENA: Desculpa padre, me perdoa, eu não vi que o senhor estava vindo. (o ajuda a levantar)
PADRE BENTO: (ainda hipnotizado com a beleza de Madalena) Tudo bem Madalena. Só me diga: aonde você vai com essa pressa e vestida dessa forma?
MADALENA: (ela olha para si e se toca que está de roupas intimas) Meu Deus! Padre Bento me perdoe eu nem percebi que estava nesses trajes me perdoa.
PADRE BENTO: Você ainda não respondeu minha pergunta.
MADALENA: Eu respondo, mas me ajude a arrumar algo para me cobrir. (ele tira sua camisa e coloca nela)
PADRE BENTO: Bom não é lá grande coisa mas já ajuda. (ela fica encantada pelo seu físico másculo e sarado) Agora vem, vou te levar para a casa paroquial, te fazer um chá para rebater a friagem e enquanto isso, você me conta tudo o que aconteceu. (indo para a casa paroquial, os dois passam em frente á sorveteria central onde Pureza está tomando conta do estabelecimento)
PUREZA: Meu Deus! Que falta de vergonha a desse padreco! Desfilando com essa mariposa quase nua, vestida só a camisa dele e ele sem camisa mostrando seus músculos definidos (ele vai falando dele e visivelmente ficando alterada de desejo) E que Músculos meu Deus!!! (se abana com a tolha de uma mesa) A Maria da Purificação precisa saber disso. Ai ai que calor, vou tomar um sorvete para tentar espantar esse quenturão. (corta a cena)

CENA V
(NOITE_ Sorveteria Central_ Pureza está chupando um sorvete sentada em uma cadeira e com os pés encima de uma mesinha que está em um canto da calçada_ Jair chega nervoso)
JAIR: Então é desse jeito que você está tomando conta da minha sorveteria?
PUREZA: É sim, se não gostou toma conta você, afinal o negócio é seu.
JAIR: Eu tomaria, se não tivesse que acudir sua amiga toda vez que ela entra em crise.
PUREZA: E por que você demorou tanto desse jeito? A casa da Candinha é logo ali.
JAIR: Ah não te interessa. Também pensa o quê? Sua amiga é magra mas pesa mais que elefante.
PUREZA: Mais respeito com minha amiga hein!
JAIR: É isso mesmo. (olhando o sorvete enorme que ela tava tomando) E quem te deu permissão pra tomar sorvete de graça?
PUREZA: Uai meu fi, é meu pagamento.
JAIR: Pagamento? Pagamento? Quero só saber quando é que eu vou receber o meu pagamento por suportar vocês. Vai anda, circula daqui. (Pureza vai saindo e ele o chama de volta) Pureza, e aquele menino. Está ali até agora?
PUREZA: Pois é acho que tá com fome. (Pureza sai e Jair vai até ele, se inclina e começa a falar com ele)
JAIR: Menino… Menino….
PARDAL: Oi.
JAIR: Qual seu nome?
PARDAL: Pardal.
JAIR: Mas pardal não é nome de gente.
PARDAL: Mas é o meu.
JAIR: Ta certo. Você tá com fome.
PARDAL: (com vergonha responde) Sim.
JAIR: Então vem, vou preparar um sanduíche para você.
(eles vão até a sorveteria_ Jair lhe prepara um sanduíche e lhe entrega junto com uma lata de refrigerante)
JAIR: Tome, pegue. E você pode vir aqui toda noite que eu te darei um sanduíche como esse.
PARDAL: (com olhos enormes de felicidade) Muito obrigado
MUSICA: De zero á Dez
(Pardal vai até um beco da rua onde costuma dormir e começa a comer. Um cachorrinho se aproxima, é um cachorrinho de rua, está aparentemente faminto. Pardal divide seu lanche com ele e fica ali comendo e brincando com o bichinho_ Corta a cena).

CENA VI
(NOITE_ Fazenda de Clóvis Arruda_ interior_ quarto de Clóvis onde sua esposa Maria Eulália está dormindo e é despertada com barulho de conversa na sala_ ela coloca seu roupão por cima da camisola e desce as escadarias, chegando na sala encontra Clóvis Arruda e sua filha Lenita, Cacau também descera porque fora despertada com a gritaria)
MARIA EULÁLIA: Filha. Onde você estava? Eu quase morri de tanta preocupação. (lhe abraça)
LENITA: Eu estava escondida na casa da dona Clotilde.
CLÓVIS: Além de louca agora ela tá querendo virar guenga também.
LENITA: Não é nada disso pai, eu só estava fugindo pra não ter que ir outra vez, para o inferno daquela clínica, para onde o senhor queria me levar.
MARIA EULÁLIA: Fica calma filha, seu pai já desistiu dessa ideia de jerico. Você vai ficar aqui com a gente. Aqui é seu lugar.
CACAU: Claro que vai minha irmã. (a abraça também)
CLÓVIS: Eu se fosse vocês não teria tanta certeza assim.
MARIA EULÁLIA: Como assim?
CLÓVIS: Eu vou trancar essa menina no quarto, e amanhã, bem cedo, eu mesmo vou levá-la para a clínica e darei ordem para não deixarem ela sair de lá nunca mais.
MARIA EULÁLIA: Mas homem! Você não pode fazer isso com nossa filha.
CACAU: Quem está louco é o senhor. Eu não vou deixar o senhor fazer isso com minha irmã.
CLÓVIS: Pois quero ver quem vai me impedir. (agarra Lenita pelos braços e vai levando ela para o quarto na marra sob os protestos de Maria Eulália e Cacau)
MARIA EULÁLIA: Não faz isso Clóvis, solta nossa filha, não faz isso eu te peço (chora) por favor homem solta nossa filha, solta.
CACAU: Para com isso pai. Solta minha irmã.
(Alheio aos gritos desesperados de Maria Eulália e de Cacau, Clóvis leva Lenita até seu quarto e a joga na cama)
CLÓVIS: Agora você está nas minhas mãos. (Cacau e Maria Eulália também entra no quarto para socorrê-la) Que bom que vocês vieram aqui para acudir a doidinha, assim eu deixo as três juntinhas e não corro risco de uma das duas soltá-la. (empurra Maria Eulália e Cacau no chão e tranca a porta pelo lado de fora_ corta a cena focando em seu olhar maligno)
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VII
(NOITE_ Externa da fazenda de Antônio Dias onde está acontecendo a roda de viola e Bem-te-vi canta “tocando a boiada” emocionando todos_ um carro se aproxima e para em frente da porteira, é Patrícia com seu irmão Alvinho_ eles entram e se sentam juntos da viola, Alvinho perto de Clarinha e Patricia ao lado de Rodrigo)
RODRIGO: O que você está fazendo aqui Patrícia?
PATRÍCIA: Eu vim ver a roda de viola junto do meu irmão Alvinho.
RODRIGO: E você gosta de rodas de viola?
PATRÍCIA: Sim claro, amo música sertaneja.
RODRIGO: Então porque mentiu aquela noite para não vir assistir?
PATRÍCIA: Será que você ainda não percebeu meu amor? Eu não menti pra você, quem tentou te enganar foi a Ritinha, que veio aqui para fazer intriga. Ela mentiu porque ela me odeia, morre de inveja de mim. Por isso que, ás vezes, falo dela com desprezo. Não pela sua condição social, mas por que eu sei do seu caráter e sei que ela é uma cobra pronta a me picar.
RODRIGO: (que até então permanecia sentado, observando Bem-te-vi cantando, sem dar atenção para Patricia, se volta pra ela) Será que eu posso mesmo acreditar em você?
MUSICA: Fica comigo_ Marcos e Belutti
PATRÍCIA: Claro que sim, eu te amo. (entrelaça seus dedos com os dedos dele e deita em seu ombro).
RODRIGO: Eu também. (ela levanta a cabeça e recebe um beijo apaixonado de Rodrigo)

CENA VIII
(NOITE- Fazenda de Antônio Dias_ roda de viola_ Alvinho está sentando ao lado de sua amiga Clarinha)
CLARINHA: Que bom que você veio Alvinho, tava mesmo querendo conversar com você, vem aqui! (o leva para um canto mais afastado)
ALVINHO: O que foi Clarinha?
CLARINHA: A megera da minha tia Luana aprontou de novo.
ALVINHO: Ah é? E o que ela fez?
CLARINHA: Ela cortou toda a roupa que meu pai tinha comprado para a Marcela e colocou a culpa em mim.
ALVINHO: Quem é Marcela?
CLARINHA: Tá vendo, fica um tempão sem aparecer aqui em cas,a com a cara enfiada nos livros, dá nisso: acaba perdendo todos os bafos. Tá vendo aquela moça bonita ali? (ela mostra Marcela para ele) É ela! Meu pai trouxe para morar aqui com ele, ela vai ser minha madrasta.
ALVINHO: Coitada, mais uma que vai sofrer na sua mão, né mocinha?
CLARINHA: Ainda não, pelo menos por enquanto eu to gostando dela, ela parece ser bacana e gostar do meu pai de verdade, não é como a bruxa da Luana.
ALVINHO: Tá certo, bom agora podemos voltar pra a roda?
CLARINHA: Calma. Você acha que eu vou deixar isso que a Luana fez passar em branco?
ALVINHO: Ih to vendo que você vai aprontar de novo.
CLARINHA: Claro, aliás, eu não. Nós vamos.
ALVINHO: Quantas vezes tenho que te pedir para não me meter nos seus rolos?
CLARINHA: Ah Alvinho. Você é meu amigo ou não?
ALVINHO: Claro que sou.
CLARINHA: Então vai ter que me ajudar.
ALVINHO: Tá bom, tá bom. O que você quer que eu faça?
CLARINHA: Primeiro vai pedir para sua irmã para passar noite aqui, depois… (cochicha em seu ouvido_ corta a cena)

CENA IX
(NOITE_ Fazenda de Clóvis Arruda_ quarto de Lenita onde ela está presa com sua mãe e irmã)
CACAU: E agora o que vamos fazer? Temos que dar um jeito de sair daqui antes que amanheça, e o pai leve a Lenita para a clínica.
MARIA EULÁLIA: Infelizmente, quando ouvi a voz da Lenita, eu desci do quarto tão correndo que esqueci meu celular no meu quarto, senão eu ligaria pedindo ajuda para alguém.
CACAU: Boa ideia mãe eu vou ligar. (pegando o celular) vou pedir ajuda para o Eduardo ( olha o celular e vê que está sem bateria) Que droga! (joga o celular no chão) Meu celular está sem bateria. Liga você Lenita.
LENITA: Eu ligaria era pra polícia se fosse possível, porque cárcere privado é crime, mas infelizmente eu sai com tanta presa do quarto onde estava na casa da Madame Clotilde, para socorrer a minha amiga Madalena, que acabei esquecendo meu celular também.
CACAU: Então o que vamos fazer agora?
MARIA EULÁLIA: Só nos resta gritar. (as três correm para a porta, que socam gritando pedindo socorro)
LENITA: Esqueçam gente, ninguém vai nos ouvir aqui e com certeza meu pai nunca vai abrir a porta. (as três, uma do lado da outra, deslizam as costas pela porta indo sentar-se no chão exausta_ Corta a cena)
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA X
(NOITE_ Casa paroquial_ interna_ Padre Bento está servindo um chá para Madalena)
PADRE BENTO: Pronto! Um chazinho de erva cidreira, bem quentinho, para te esquentar e te acalmar
MUSICA: É VOCÊ_ Maria Cecília e Rodolfo
(Ele estende a xícara para ela que, ao pegar, segura em suas mãos, e ficam assim por um tempo, enquanto trocam olhares apaixonados, o coração dos dois estão disparados, sem palavras, o olhar terno e apaixonado fala por si)
PADRE BENTO: Agora você pode me contar tudo o que aconteceu.
MADALENA: Eu estava lá na casa da Madame Clotilde, tinha acabado de tomar um banho e estava me penteando e quando percebi, o Clóvis Arruda adentrou meu quarto e quis me obrigar a me deitar com ele.
PADRE BENTO: Ele te machucou?
MADALENA: Não, mas me assustei, foi traumatizante aquele homem encima de mim, querendo me obrigar a me entregar pra ele.
PADRE BENTO: Ordinário (soca a mesa) mas ele conseguiu fazer algo com você?
MADALENA: Graças a Deus não, a filha dele entrou no quarto e deu com um abajur nas costas dele, então aproveitei e fugi do jeito que eu estava porque ele já havia rasgado minha roupa.
PADRE BENTO: Como assim, a filha dele?
MADALENA: É! Ela estava lá escondida dele, pelo que a Madame Clotilde me contou o pai estava querendo mandá-la para um hospício.
PADRE BENTO: Precisamos dar parte na policia desse criminoso.
MADALENA: E você acha que a polícia vai fazer alguma coisa? Ele é um dos homens mais poderosos e ricos da cidade e do Estado e eu sou o quê? Uma mulher condenada a virar guenga.
PADRE BENTO: Pois eu te prometo que vou fazer de tudo, mas você não volta mais para aquele lugar e não vai ser mais uma das mariposas da Madame Clotilde.
MADALENA: E eu vou fazer o quê da vida? Onde vou ficar?
PADRE BENTO: Depois nos vemos isso, mas hoje você dorme aqui mesmo.
MADALENA: Aqui? Mas o povo vai maldar.
PADRE BENTO: Agora não é hora de me preocupar com a maldade desse povo e sim com sua segurança. E você dorme aqui na minha cama e eu improviso uma cama no chão mesmo. Amanhã vemos o que fazer.
MADALENA: Mas padre…
MÚSICA: É você
PADRE BENTO: Nada de mas, vá se deitar agora. (ele coloca ela para deitar em sua cama, a cobre e dá um beijo em sua testa, depois vai deitar-se num colchonete no chão os dois ficam se olhando em silencio)

CENA XI
(MADRUGADA_ Fazenda de Antônio Dias_ Quarto de Luana onde ela está dormindo com Fabiano_ Clarinha entra no quarto e chama Fabiano)
CLARINHA: Tio Biano, tio Biano. Acorde.
FABIANO: (despertando) Clarinha, o que foi?
CLARINHA: O Netinho está passando mal no quarto dele, está com febre, e pediu para que eu chamasse o senhor.
FABIANO: Vou lá agora ver o que meu filho tem, se for preciso levo ele agora para Rio Preto.
(Clarinha fica no quarto, com olhar sapeca, chama Alvinho que estava na porta esperando, ele entra. Clarinha coloca um prato descartável com fezes de vaca em uma das mãos de Luana e ascende um fósforo, colocando-o na testa da tia. Ao sentir sua testa queimar, Luana ainda meia adormecida leva a mão onde está o prato com fezes na testa para espantar o que ela pensava ser um pernilongo ou algo parecido, dessa forma ela acaba lambuzando seu rosto com as fezes de todo o prato. Quando se dá conta do que havia feito olha ao lado da cama e vê Clarinha se acabando de rir_ corta a cena focando no rosto irado de Luana).

CENA XII
(MANHÃ_ Fazenda de Clóvis Arruda_quarto de Lenita_ Clóvis abre a porta e vê Lenita, Cacau e Maria Eulália dormindo no chão_ Ele pega Lenita, tampa-lhe a boca para que ela não grite e não acorde as outras e a arrasta para fora, onde a enfia dentro de sua caminhonete e sai acelerado)

CENA XIII
(MANHÃ_ Fazenda de Antônio Dias, interna, sala de jantar. Todos estão reunidos em volta da mesa tomando o café)
LUCIANO: E então Alvinho dormiu bem?
ALVINHO: sim dormi sim senhor Luciano.
(Luana desce as escadas com uma marca de queimado na testa e um mal cheiro, todos olham para ela sentindo o cheiro das fezes)
LUANA: Dormiu nada. Ele a sua filhinha ficaram foi fazendo arte a noite toda.
LUCIANO: Como assim Luana? O que esses dois aprontaram?
LUANA: Eles colocaram um fósforo acesso em minha testa.
LUCIANO: (para Alvinho e Clarinha) Vocês enlouqueceram? Podiam ter queimado a Luana.
LUANA: Calma, o pior eu ainda não te contei.
LUCIANO: Ainda tem coisa pior?
LUANA: Sim. Eles colocaram um prato de fezes de vaca em uma das minhas mãos, quando senti minha testa queimar levei a mão para ver o que era e acabei sujando toda a minha cara de coco de vaca. (grita por ultimo)
CECÍLIA: Por isso você tá nesse fedo todo. (ela, Clarinha, Alvinho, Marcela, Rodrigo e Cidinha riem)
LUCIANO: (segurando para não rir também ralha com Clarinha) Isso não tem graça nenhuma. Quantas vezes eu vou ter que te ensinar a ter respeito pelos mais velhos?
CLARINHA: O Senhor viu o que ela fez ontem? Cortou todas as roupas da Marcela e colocou a culpa em mim.
MARCELA: Isso é verdade.
LUCIANO: (para Marcela) Por favor amor, não dê trela.
LUCIANO: Pois eu não quero nem saber, vai subir agora para seu quarto e ficar lá de castigo. Você vai passar o domingo todo lá e sem computador ou celular. (ela vai, mas antes mostra a língua para Luana)
MARCELA: (falando para Jasmim) oi meu bem! Tá dificil ai de comer? Eu vou ai te ajudar. (ela sai do lugar onde estava ao lado de Luciano e começa a ajudar Jasmim a comer, mas não dando na boca dela, mas ensinando e incentivando-a a comer sozinha e melhor_ Toca o telefone e Cidinha atende).
CIDINHA: Alô? Sim é da casa do Luciano Dias. Pois não?
LUCIANO: É alguém querendo falar comigo Cidinha?
CIDINHA: Não é para a Marcela. (Marcela se levanta e vai atender o telefone_ nesse momento a tela se abre em duas: de um lado Marcela atendendo o telefone e de outro Michel)
MICHEL: Marcela.
MARCELA: Você? (corta a cena no rosto apavorado de Marcela)
FINAL DO DÉCIMO OITAVO CAPÍTULO

(a cena congela no rosto apavorado de Marcela e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).