Coração sertanejo: Capítulo 16 – Amor e Cumplicidade

Coração sertanejo: Capítulo 16 – Amor e Cumplicidade

CENA I
(Inicia-se o capítulo com a cena em que Madame Clotilde abre a porta e dá de cara com Clóvis Arruda).
MADAME CLOTILDE: Você?
CLÓVIS ARRUDA: Vim buscar minha filha e eu já sei que ela está aqui. (vai falando e empurrando ela, adentrando na casa)
MADAME CLOTILDE: Sua filha? Não ela não está aqui. Você está enganado.
CLÓVIS ARRUDA: Deixe de enrolação Madame Clotilde, a fofoqueira da Candida já me disse que viu ela se escondendo aqui em sua casa, se é que se pode chamar esse estabelecimento de casa.
MADALENA: (fala para Madame Clotilde levantando-se da mesa e indo próximo dela) Quem é esse homem madame Clotilde?
(Clóvis Arruda a encara de alto a baixo, e sente-se despertado por um grande interesse, um grande desejo sexual como nunca antes sentira)
CLÓVIS ARRUDA: Quem é essa guria Madame Clotilde? Uma nova menina sua?
MADAME CLOTILDE: Ainda não sei, mas isso não vem ao caso agora, nosso estabelecimento não está aberto, então por favor, retire-se.
CLÓVIS ARRUDA: Não antes de levar a minha filha comigo.
MADAME CLOTILDE: Já te disse que ela não está aqui, na verdade eu fui atrás dela em sua casa e até agora não a encontrei.
CLÓVIS ARRUDA: Você acha que me engana?
MADAME CLOTILDE: Se você quiser acreditar bem, se não o problema é seu, mas retire-se daqui senão serei obrigado a chamar a policia e abrir um boletim de ocorrência contra você por invasão de domicilio.
CLÓVIS ARRUDA: Domicílio? Você chama esse andro de domicílio? E vai dizer o quê pra polícia? Que um dos seus principais clientes estão aqui em seu estabelecimento? E acha que a polícia vai perder tempo com isso?
CHICA GAITEIRA: (com uma espingarda na mão) Não precisa mesmo Clotilde chamar a policia, eu dou um jeito nesse cara.
CARMELA: E Nós te ajudamos. (todas as prostitutas se colocam diante dele, enfrentando-o)
CHICA GAITEIRA: E então vai querer encarar? Olha que sou melhor com uma espingarda na mão do que com uma sanfona.
CLÓVIS ARRUDA: (para Madame Clotilde) A senhora me paga. (vai embora batendo a porta)
MÚSICA: Fica louca_ Thaeme e Thiago com participação de Gustavo Lima
(todas as prostitutas comemoram _ corta a cena)

CENA II
(HORA DO ALMOÇO_ Interna da casa da Família Antônio Dias- estão todos almoçando)
LUCIANO: (para Marcela) Assim que terminarmos de almoçar vamos para Rio Perto, comprar roupas novas pra você e começar a comprar o enxoval do nosso filho.
LUANA: Que perda de tempo e de dinheiro hein Luciano?
LUCIANO: O dinheiro e o tempo é de quem mesmo? Meu né? Então pode deixar que eu sei muito bem como eu gasto ou deixo de gastar.
CIDINHA: (para Luana) Tomou o que você queria?
LUANA: Cale a boca seu ser insignificante.
CLARINHA: (para Luana) Não fale assim com a Cidinha não sua bruxa.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: (para Clarinha) Cala a boca você sua pirralha, ou senão vou te mostrar que a bruxa aqui sou eu.
LUCIANO: Não fale assim com minha filha, está assustando ela.
RODRIGO: (falando com Luciano) Pai e a questão da Jasmim?
LUCIANO: Já liguei marcando uma pediatra pra ela lá em Rio Preto agora a tarde, assim aproveitamos e fazemos tudo de uma só fez.
MARCELA: (para Luciano) Amor, tem certeza de que precisamos ir pra Rio Preto comprar roupas? Podemos comprar uns tecidos por aqui mesmo e eu peço pra Inaiê e ela faz umas roupas pra mim, ou então uso as que tenho, não sou de luxo. (Maria da Purificação e Luana riem caçoando de sua simplicidade)
EDUARDO: Agora vai possar de desinteressada? Você acha que engana á quem?
LUCIANO: Eduardo, é melhor você aprender a lidar melhor com a Marcela, ou vou perder minha paciencia com você.
EDUARDO: E vai fazer o que pai? Vai me bater? Me colocar de castigo? Tirar minha mesada? Não seja ridiculo.
RODRIGO: Ridiculo é você Edu que fica brigando com a moça.
LUANA: (para Marcela) Está vendo? Você entrou nessa família só pra trazer a discordia e a desarmonia.
EDUARDO: É verdade, éramos muito felizes antes de você aparecer. (vai deixando a mesa)
LUCIANO: Onde você vai? Ainda não terminamos o almoço.
EDUARDO: Pra mim já acabou e, enquanto essa moça tiver aqui em casa, eu não faço mais minhas refeiçoes aqui na mesa com vocês. (sobe as escadarias correndo)
LUCIANO: Eduardo, Eduardo volte aqui.
CECÍLIA: Deixa ele pai, logo logo ele cai em si e percebe a besteira que está fazendo.
CIDINHA: (entra com um pudim tentando desanuviar o ambiente) Pessoal olha o pudim de Nata que a Marcela fez pra gente hoje.
CLARINHA: (com grandes olhos de desejo) Nossa parece que está uma delicia. Obrigada Marcela.
MARCELA: De nada minha linda, espero que todos gostem.
RODRIGO: A cara está ótima. (todos vão se servindo)
CECÍLIA: Hum que delicia Marcela, parabéns.
RODRIGO: Realmente está muito bom.
CLARINHA: Depois vou querer repetir tá.
ANTÔNIO DIAS: Também quero um pedaço.
MARCELA: (observa que só Luana e Maria da Purificação não se serviram) Vocês não querem provar o pudim?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Vê-la, vai saber se você não colocou veneno nessa gororoba.
LUANA: Eu não vou me vender por um pedaço de pudim. (as duas se levantam da mesa e saem)
LUCIANO: (para Marcela) Meu amor está maravilhoso. (lhe dá um beijo e todos fazem festa_ Corta a cena)

CENA III
MUSICA: De onde vem a calma
(TARDE_ Fazenda de Antônio Dias, Fabiano procura Vitinho, que está no meio da peaozada, para conversar)
FABIANO:Vitinho, precisamos ter uma conversa.
VITINHO: Sim, Biano, pois não.
FABIANO: (chamando-o de canto) O Bastião veio me dizer que você não esta sabendo muito bem lidar com o gado, com os cavalos. Como é isso?
VITINHO: A Biano, é que. . é que ando meio destreinado sabe? Já faz um tempo que não trabalho como peão.
FABIANO: Pra mim você não precisa mentir Vitor, eu vi aquele dia em que de salvei do disparo do cavalo. Rapaz você montou no bicho de cara pra trás. Sendo que antes havia caído as duas vezes que tentou montar. (eles riem) Me desculpe mas isso não é falta de treino ou de costume, você realmente não sabe montar e pelo que sei morre de medo de boi. Como você quer ser peão?
VITINHO: Desculpa Biano, foi mesmo um erro eu ter vindo buscar emprego aqui, eu não sirvo pra ser peão realmente, me desculpe.
(Ele vai saindo Fabiano o segura_ troca de olhares_ aumenta o volume da música)
FABIANO: Espere homem! Aonde pensa que vai com tanta pressa?
VITINHO: Arrumar minhas coisas e ir embora.
FABIANO: Vamos com calma, você salvou a minha vida, não quero te mandar embora. Alguma coisa você teve saber fazer.
VITINHO: Sei sim, eu sou cozinheiro.
FABIANO: Mas homem! Se você é cozinheiro porque veio procurar emprego de peão, aqui numa fazenda?
VITINHO: Prefiro não responder essa pergunta.
FABIANO: Mas eu faço questão de saber.
VITINHO: Eu descobri que você morava aqui, que era um dos donos dessa fazenda e por isso resolvi vir pedir emprego de peão aqui. (Abaixa a cabeça e fica envergonhado) pra ficar perto de você.
FABIANO: Perto de mim?
VITINHO: Sim, ou ainda não percebeu que, desde aquele dia em que te salvei, eu me apaixonei por você?
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IV
FABIANO: (espantado) Mas rapaz, eu sou homem.
VITINHO: Eu também sou homem, mas isso não me impede de ser quem sou ou gostar de outros homens. Bom, desculpa tudo que te fiz, desculpa ter atrapalhado sua vida, estou indo embora e nem precisa me pagar nada. Seu sorriso pra mim é meu melhor pagamento. (sai)
MUSICA: De onde vem a alma
(eles ficam se olhando enquanto Vitinho se distancia).

CENA V
MÚSICA: Mesmo sem Estar
(TARDE_ Margem do Riacho Alegre_ Eduardo está sentando esperando Cacau e pensando nela, de repente a vê ao longe e corre ao se encontro, ao se encontrarem, abraçam-se e se beijam, depois de mãos dadas setam-se á beira do Rio)
EDUARDO:Estava com tantas saudades meu amor( lhe dá um selinho e fica abraçado á ela)
CACAU: Eu também meu amor.
EDUARDO: Como estão as coisas em sua casa, depois daquele dia em que seu pai pegou a gente no flagra?
CACAU: Ah ele me deixou de castigo a pão e água.
EDUARDO: Miserável. Mas ele já te liberou do castigo né?
CACAU: Que nada, eu aproveitei que ele esta igual um louco atrás da minha irmã, que fugiu dele e também dei minha fugidinha pra ficar com você, mas não posso demorar, porque ele pode voltar a qualquer momento.
EDUARDO: Então não temos tempo a perder.
(Ele a beija demoradamente com desejo e paixão ao som da musica “mesmo sem estar”)
CACAU: Você parece que está diferente, distante. Aconteceu alguma coisa?
EDUARDO: Uns problemas lá em casa.
CACAU: Você não quer me contar, dividir esse seu problema comigo?
EDUARDO: AH é meu pai que inventou de trazer uma mocinha, que tem a metade da idade dele, pra morar com ele.
CACAU: E o que isso tem demais?
EDUARDO: Como assim? O que isso tem de mais? Será que ele não percebe que ela só está querendo o dinheiro da nossa família?
CACAU: Mas por que você acha isso? Ela já fez alguma coisa que te desse essa certeza?
EDUARDO: Na verdade não, mas é que..
CACAU: Então meu amor, acho que você está se preocupando a toa.
EDUARDO: (levantando-se e ficando nervoso) Como assim ficando preocupado á toa? Qual outro motivo aquela moça linda, mor gostosa teria pra se enrabichar com meu pai que tem idade pra ser o seu pai? Claro que é por interesse, aliás todas as mulheres que se aproximam da minha família é só por interesse: ela, a Patrícia..
CACAU: Eu também? Você acha que eu também me aproximei de você só por interesse?
EDUARDO: Claro que não meu amor, você não entendeu, eu quis dizer que..
CACAU: Chega Eduardo, já ouvi demais por hoje, não fugi de casa pra ficar sendo ofendida e nem pra ficar suportando seu machismo. Fique ai com seu preconceito bobo que eu estou indo. (vai embora)
EDUARDO: Espere Cacau, espere, você não entendeu. (ela finge que não ouve e segue indo embora ele fica entristecido olhando ela se afastar)
MUSICA: mesmo sem estar

CENA VI
MÚSICA: Indispensável pra mim
(TARDE_ São José do Rio Preto_ várias cenas do centro movimentado da cidade: trânsito, pessoas andando, ambulantes, etc. _ surge na tela uma legenda com o nome da cidade e corta para um shopping onde Luciano está com Marcela e Jasmim fazendo compras, ela experimenta vários looks e ele vai ajudando a escolher_ em outra cena eles estão na lanchonete do shopping conversando).
MARCELA: Ai amor acho que exageramos, não precisava ter comprado tantas coisas assim, deve ter ficado uma fortuna.
LUCIANO: Não se preocupe com isso.
MARCELA: Mas acho que sua família não vai gostar de você ter gastado essa dinheirama comigo.
LUCIANO: Não tô nem ai se eles vão gostar ou deixar de gostar, o dinheiro é meu e faço o que eu bem entender. O importante é você ter gostado e ter ficado feliz.
MARCELA: Ah Claro que eu gostei, eu nunca na vida tinha usado uma roupa dessas, na verdade eu nunca tinha entrado num shopping.
LUCIANO: Então vá se acostumando porque agora sua vida vai mudar.
MARCELA: Não sei se quero que ela mude, pra mim ela está ótima assim, o importante é ter você do meu lado.
LUCIANO: Isso você já tem e vai ter pra sempre. (trocam um selinho) (fala pra Jasmim) e vamos terminar logo esse lanche que a princesa aqui tem que ir ao médico.
MARCELA: Se Deus quiser vai dar tudo certo, ela vai ficar bem. (faz um carinho em seu rosto que é bem aceito_ corta a cena).

CENA VI
MUSICA: A Flor e o Beija flor
(TARDE_ imagens da Fazenda de Clóvis Arruda_ corta para a interna da casa onde Maria Eulália está ocupada com os afazeres da casa e começa a se lembrar da noite de amor que teve com Quinzinho)
(Clóvis Arruda chega)
CLÓVIS ARRUDA: Mulher, ei mulher. No que está ai pensando?
MARIA EULÁLIA: (assustada desperta de seus pensamentos) Oi Clóvis, não é nada, só estou preocupada com minha filha. Você conseguiu encontrá-la?
CLÓVIS ARRUDA: Que nada, a diaba é lisa igual sabão.
MARIA EULÁLIA: Então nem sinal dela?
CLÓVIS ARRUDA: A fofoqueira da Candinha me disse que ela havia fugido pra casa da Madame Clotilde.
MARIA EULÁLIA: (Assustada) Meu Deus a minha filha naquele andro? E você homem foi lá atrás dela?
CLÓVIS ARRUDA: Eu fui mas não a encontrei.
MARIA EULÁLIA: E você diz isso nessa calma homem? E se ela estiver escondida la, convivendo com aquelas mariposas.
CLÓVIS ARRUDA: Eu só posso lamentar pelas coitadas das guengas por terem de aturar aquela louca morando ali.
MARIA EULÁLIA: Você não tem um pingo de amor por suas filhas mesmo, né homem?
CLÓVIS ARRUDA: Claro que tenho e por isso luto tanto pra colocar elas na linha. (nesse instante Cacau chega de seu passeio escondido e dá de cara com seu pai que a interroga) Kauane, eu não te tirei do castigo. Então onde você estava? (corta a cena)
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VII
CLÓVIS ARRUDA: Kauane, eu não te tirei do castigo. Então onde você estava?
CACAU: Eu fui ver o Eduardo.
CLÓVIS: O que? Você perdeu totalmente o juízo e a vergonha na cara foi? Eu já não te proibi de namorar aquele garoto? Aliás você ainda está de castigo por causa dele.
CACAU: Eu sei pai, mas relaxa a gente não tá mais juntos e eu não quero mais, nunca mais ver ele.
CLÓVIS: E como eu posso ter certeza de que você está falando a verdade? Se você fugiu pra se encontrar com ele, pode muito bem ser um plano pra sair do castigo e ficar mais fácil continuar a vê-lo.
CACAU: Eu estou falando a verdade, ele é um ignorante, machista, preconceituoso e de gente assim na minha vida já basta o senhor. Agora se o senhor não quer acreditar o problema é seu. Com licença vou voltar pro meu quarto e pro meu castigo. (com muita tristeza no olhar ela sobe as escadarias que dão acesso ao seu quarto)
CLÓVIS: Será que ela tá falando a verdade? Será mesmo que ela terminou tudo com aquele pivete?
MARIA EULÁLIA: Você não conhece mesmo a sua filha, né homem? Nem percebeu o quanto ela estava triste. È claro que ela está falando a verdade. Alguma coisa deve ter acontecido entre eles e ela acabou terminando tudo, o que é uma pena porque pelo jeito ela gosta muito dele.
CLÓVIS: Uma pena? Uma pena seria se ela se misturasse com aquela gente.
MARIA EULÁLIA: Você sempre coloca essa maldita política acima de tudo e eu estou cansada, cansada de tudo isso. (sobe para seu quarto apresadamente mostrando-se nervosa)

CENA VIII
MÚSICA: Mesmo sem estar
(TARDE_ casa de Clóvis Arruda_ quarto de Cacau, ela chega batendo a porta, chorando, se joga na cama, abraça seu travesseiro e chora amargamente o termino de seu relacionamento com Eduardo)

CENA IX
(Por do sol_ Consultório do neuropediatra Cristiano Aragão)
DR CRISTIANO ARAGÃO: Bom Senhor Luciano, depois dessa entrevista contigo e de observar atentamente sua filha já tenho o diagnóstico.
LUCIANO: Já, mas não vai fazer nenhum exame?
DR CRISTIANO: O caso de sua filha nós identificamos só com análise clínica e a entrevista com os pais mesmo.
MARCELA: Então nos diga doutor: A Nossa pequena Jasmim tem algum problema?
DOUTOR CRISTIANO: Infelizmente sim, a filha de vocês…
MARCELA: (interrompendo-o)Não doutor, ela infelizmente não é minha filha apenas minha enteada, mas eu já tenho um grande carinho por ela.
DOUTOR CRISTIANO: OK! Como eu ia dizendo, a pequena Jasmim, pelo que pude detectar é autista.
LUCIANO: (levantando-se da cadeira e andando pela sala de forma agitada e inconformada) Isso é impossível, não pode ser. O senhor deve estar maluco. Acha? Minha filha, minha filhinha com autismo?
MARCELA: (fica próximo dele, lhe abraça e tenta-lhe acalmar) Calma meu amor, deixe o doutor Cristiano falar, explicar tudo certinho, você vai ver que não é o fim do mundo. (lhe leva para sentar-se novamente)
DOUTOR CRISTIANO: Eu entendo sua reação Luciano, é normal, quase todos os pais reagem assim, mas como a Marcela disse isso não é o fim do mundo, sua filha é diferente apenas isso.
LUCIANO: Tá mas e agora o que nós podemos fazer pra curar essa doença?
DOUTOR CRISTIANO: O autismo não é bem uma doença, ele é um transtorno. E infelizmente não existem medidas de tratamento ou medicamentos que possam garantir a cura da doença.
LUCIANO: Meu Deus, eu não posso acreditar, minha menininha, tão linda, meu anjinho, parece que o mundo está caindo sobre mim.
MARCELA: Tente se acalmar meu amor, a medicina está cada dia mais avançada, deve ter um jeito de tratar, de oferecer uma boa qualidade de vida pra ela. E não esqueça eu estou com você. (segura forte sua mão).
DOUTOR CRISTIANO: Ela vai necessitar de acompanhamento constante de pediatra, neurologista e psicólogo, no caso dela, irá precisar também de um acompanhamento fonoaudiólogo.
LUCIANO: Eu trago ela todo dia pra cá se for preciso, eu me mudo pra cá com ela.
DOUTOR CRISTIANO: Acalme-se, no inicio vai precisar sim de um tratamento mais intenso , mas depois ele vai se tornar mais esporádico. Agora o fundamental é a forma como vocês adultos irão tratá-la.
LUCIANO: Como assim?
DOUTOR CRISTIANO: Ela, mais do que as demais crianças precisa de amor, carinho, atenção e principalmente de estímulo, ela precisa constantemente ser motivada, incentivada a evoluir, seja na fala, seja na socialização.
MARCELA: Doutor, eu estou morando na casa deles, eu prometo cuidar dela, eu vou fazer de tudo pra que ela tenha uma boa qualidade de vida e tenha um infância e juventude normal, como a de outros de sua idade.
DOUTOR CRISTIANO: Isso é extremamente importante, vou explicar direitinho pra vocês o que devem fazer. (O médico vai orientando-os em off) (corta a cena)

CENA X
MUSICA: Fica louca
(POR DO SOL_ Rodrigo está tomando uma cerveja na sorveteria do Jair enquanto Cecilia e Netinho tomam um sorvete_ ele observam Patricia passeando pela praça_ Rodrigo vai até ela, pega-a pelo braço assustando-a)
RODRIGO: Patricia, onde vai com tanta pressa?
PATRICIA: Oi meu amor, tudo bem? (tenta dar um beijo ele se esquiva) O que foi? Não quer me beijar?
RODRIGO: Não antes de saber toda a verdade.
PATRICIA: Que verdade meu amor? Do que você está falando?
RODRIGO: Por que você mentiu pra mim? Por que você disse que não ia pra roda de viola porque estava doente?
PATRICIA: Mas amor, eu estava, eu estava com uma enxaqueca insuportável.
RODRIGO: Mentira, mentira sua. A Ritinha me contou que você não estava doente coisa nenhuma.
PATRICIA: AH e você vai acreditar na Ritinha? Numa empregadinha ao invés de acreditar em mim?
RODRIGO: Está vendo? Está vendo como você mente? Você tinha me prometido que havia mudado sua forma de pensar e de tratar as pessoas, mas continua metida a besta se sentindo melhor do que a Ritinha, só porque ela é sua empregada.
PATRICIA: Não é isso amor.
RODRIGO: É isso sim, você mente, você me engana, vai ver você mente até quando diz que me ama.
PATRICIA: Isso não amor, nunca, claro que eu te amo.
RODRIGO: Como posso ter certeza disso?
PATRICIA: Eu estou te falando, acredita em mim, não tem sentido agora você começar a duvidar do meu amor.
RODRIGO: Eu estou começando a duvidar de tudo que venha de você, por isso é melhor a gente dar um tempo.
PATRICIA: Como assim, dar um tempo?
RODRIGO: Você sabe muito bem como é dar um tempo. Eu preciso de um tempo longe de você e você vai ter que reconquistar minha confiança pra que um dia, quem sabe, a gente volte a namorar.
PATRICIA: Não meu amor, não faz isso, eu te amo. (ele volta para a sorveteria e ela o segue até lá) Rodrigo fala comigo, você não pode fazer isso, terminar nosso namoro assim, desse jeito por causa da intriga de uma empregadinha.
RODRIGO: (saindo da sorveteria) Tanto posso que fiz, fui.
CECÍLIA: Aceita que doí menos queridinha, até que enfim meu irmão abriu os olhos. (ela também vai embora da sorveteria deixando Patrícia sozinha)
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA XI
(NOITE_ Fazenda de Antônio Dias, interna_ a família está reunida e Luciano, Marcela e Jasmim chegam)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Até que enfim os pombinhos voltaram né? Pensei que fossem comprar a cidade inteira.
LUANA: (observando com inveja as sacolas de compras) E pelo jeito compraram. O que foi Luciano acha que só um banho de loja vai dar conta de transformar, essa boia fria morta de fome, numa dama á sua altura?
LUCIANO: Não, querida cunhadinha, porque ela já é uma dama á minha altura, e mais: ela é a mulher que eu amo e que eu escolhi para viver comigo o resto da vida.
RODRIGO: Bom vamos ao que realmente interessa. (abraça Jasmim) E então? Levou nossa pequena no médico?
MARCELA: Levamos sim e agora ela vai ter que ter acompanhamento direto né princesa?
RODRIGO: Então digam o que ela tem?
LUCIANO: (colocando a mão no ombro do filho mais velho pra pedir e dar apoio) Nossa menina é autista.
RODRIGO: Eu já imaginava isso.
LUANA: Eu também, nem precisava gastar dinheiro com médico pra saber que essa menina é retardada, uma débil mental.
LUCIANO: (avançando pra cima dela cheio de ira) Olha bem como fala de minha filha, ela não é nada disso
MARCELA: (segura e acalma Luciano) se acalme meu amor, não ligue para o que ela diz. Um dia essa ai ainda vai morrer envenenada com o próprio veneno. (para Rodrigo) fique calmo Rodrigo, o médico explicou tudo certinho pra gente, não é o fim do mundo.
RODRIGO: Eu sei que não.
MARCELA: Ela só vai precisar de um acompanhamento de psicólogo, neuropediatra e fonoaudiólogo e principalmente, todos nós devemos incentivá-la ao máximo.
RODRIGO: Todos aqui vamos ajudar nossa menina não é gente?
CECÍLIA: Claro que sim, eu inclusive vou pesquisar na internet a melhor forma de ajudar.
CLARINHA: Eu também posso te ajudar.
MARCELA: (para Luciano) tá vendo meu amor? Com os filhos que você tem, não precisa se preocupar tudo vai dar certo, tudo vai ficar bem.
LUCIANO: (dando-lhe um selinho) e também com a mulher maravilhosa que eu tenho agora.
MARCELA: Pode contar comigo pra tudo meu bem. Bom vou lá guardar minhas coisas e tomar um banho. (ela sobe_ Bastião entra).
BASTIÃO: Bas noite pessoar.
TODOS: Boa noite Bastião.
LUCIANO: Chegou na hora certinha Bastião, daqui a pouco vamos jantar.
RODRIGO: E fazemos questão de você jantar com a gente hoje.
BASTIÃO: Mas eu gente? Será? Não vou incomodar?
LUCIANO: Claro que não, você já é da família.
BASTIÃO: Bom na verdade eu vim aqui só pra dar um recado, mas já que vocês insistem tanto não vou fazer de arrogado e não vou perder o temperinho da Cidinha.
LUANA: Era o que meu faltava: O Peão comendo na mesa com a gente. Com licença. (sobe as escadarias)
RODRIGO: Liga pra ela não Bastião, vamos tomar uma gelada enquanto a janta não fica pronta. (vai buscar a cerveja)
LUCIANO: Mas me diga, que recado era esse Bastião.
BASTIÃO: A peãozada tá organizando uma outra roda de viola pra dar as boas vindas pra dona Marcela
LUCIANO: Que noticia maravilhosa, adorei( corta a cena)

CENA XII
MUSICA: De zero a dez
(NOITE_ FAZENDA DE ANTÔNIO DIAS_ externa)
(Cecília está passeando no jardim e Netinho chega)
NETINHO: Cecília.
CECILIA: Netinho.
NETINHO: Eu queria ter conversado com você hoje mas com seu irmão sempre por perto não deu.
CECÍLIA: Conversar sobre o que?
NETINHO: Sobre a gente, depois do que aconteceu aquela noite a gente não se falou mais.
CECÍLIA: Porque não tem nada pra se falar. Aconteceu, você quis eu quis e a gente se beijou.
NETINHO: Sim eu sei, mas e agora como a gente fica?
CECÍLIA: Como a gente sempre ficou.
NETINHO: Mas eu te amo, eu quero namorar com você.
CECÍLIA: Eu estaria mentindo se dissesse que não te amo também, na verdade desde que me conheço por gente eu sempre gostei de você. Lembra de quando a gente brincava de papai e mamãe?
NETINHO: Claro que sim, lembro de cada momento que vivemos juntos.
CECÍLIA: Pois é, acho que naquela época eu já gostava de você e sonhava com o dia em que seria sua mulher de verdade.
NETINHO: Então meu amor.
CECÍLIA: Mas você se lembra de como sua mãe ficou, aquele dia em que chegamos juntos em casa e meus irmãos ficaram dizendo que estávamos namorando?
NETINHO: Ela ficou uma fera. (ri)
CECÍLIA: Pois é, eu percebi naquele dia que a gente não ia poder ficar juntos, senão iamos comprar uma briga feia com a toda poderosa Dona Luana Dias.
NETINHO: E daí, a gente compra
CECÍLIA: Eu ainda posso comprar, porque já tô acostumando a brigar com ela.
NETINHO: Até demais. (riem)
CECÍLIA: Mas você não, você não conseguiria enfrentar sua mãe.
NETINHO: Claro que sim.
CECÍLIA: Você sabe que não, por isso, vamos deixar como está, é melhor. (vai saindo, ele a segura e lhe beija sendo correspondido)
MUSICA: De zero a dez

CENA XIII
Música de suspense
(a câmera filma o quarto com as compras da Marcela em cima da cama e o barulho do chuveiro ligado, de repente, entra Luana bem vagarosamente, certifica-se de que Marcela está no banho, pega uma tesoura em cima da penteadeira e corta todas as roupas que Luciano havia comprado para Marcela, a câmera foca em seu rosto delirando de prazer ao praticar aquele ato de maldade, transbordando inveja e rancor. Após cortar tudo, coloca as coisas novamente nas sacolas e saem deixando a tesoura no mesmo lugar)
(a cena congela nas roupas todas rasgadas, uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

FINAL DO DÉCIMO SEXTO CAPÍTULO