Coração sertanejo: Capitulo 15 – O amor e a inveja

Coração sertanejo: Capitulo 15 – O amor e a inveja

CENA I
(Abre a cena no momento em que Luciano chega em sua casa com Marcela e a apresenta para sua família)
ANTÔNIO DIAS: O que está acontecendo aqui?
LUCIANO: Essa é Marcela, minha noiva, ela está esperando um filho meu, e a partir de agora ela vai morar aqui comigo. (a câmera passeia pelo rosto surpreso de todos, Antônio mostra se preocupado e incomodado, foca no rosto de Luana que está consumida pelo ódio)
LUANA: Desculpa Luciano, sei que não tenho nada a ver com sua vida, (levanta-se se aproxima do casal e rodeia Marcela) mas não posso permitir que você cometa uma loucura dessas. Você ter um caso, um envolvimento com essazinha ai tudo bem, vá lá, é típico de quem não quer aceitar que a velhice está chegando e quer se sentir jovem namorando uma menina. Agora você trazer essa garota pra dentro de nossa casa, pra morar com sua familia, com seus filhos? Isso já é um pouco demais. E isso eu não posso permitir.
LUCIANO: Você disse muito bem Luana: Você realmente não tem nada a ver com minha vida e eu não tenho que te dar satisfação do que faço ou deixe de fazer. A vida é minha assim como essa casa também é e portanto tenho o direito de trazer para morar comigo quem eu bem entender. Agora o que eu não permito é que você trate a Marcela, minha futura esposa, mãe do meu filho dessa forma.
EDUARDO: (levantando da mesa e mostrando-se nervoso) A tia Luana está certa. Será que o senhor não percebe pai, que essa garota só quer o seu dinheiro?
MARCELA: Ei. Veja bem como fala comigo garoto.
EDUARDO: É isso mesmo, tenho certeza que você não passa de mais uma interesseira a fim de colocar a mão no dinheiro do meu pai, aliás no nosso dinheiro.
LUCIANO: Eu não admito que você fale desse jeito com a Marcela.
EDUARDO: E agora vai brigar com seus filhos por causa dessa guenga? (Luciano levanta seu punho para dar-lhe uma esbofetada) Vai Pai! Me bata por causa dessa sua namoradinha.
RODRIGO: Pare com isso mano, o pai tem o direito de reconstruir a vida dele com quem ele bem entender. (estende as mãos para Marcela) sente-se Marcela, fique a vontade, e não ligue para meu irmão. (ela senta e, ao sentar dá de cara com Antônio Dias que a fulmina com o olhar)
ANTONIO DIAS: Era isso né garota? Era isso que você queria desde aquele maldito dia em que você entrou no meu gabinete para brigar comigo, usando como desculpa a construção da barragem. No fundo tudo aquilo era uma encenação sua não era? No fundo, no fundo, no fundo você queria era isso mesmo: dar o golpe do bau e da barriga no meu filho.
LUANA: (Se colocando em pé ao lado dele e encarando-a) É Claro paizinho, é exatamente isso que essa guenga quer; dar o golpe do bau no seu filho.
MARCELA: (batendo as mãos na mesa) Chega! Eu não estou aqui pra ser tratada dessa forma. (se vira para Luciano e fala para ele) Quer saber Luciano? Eu estou indo embora. (vai saindo Luciano a segura)
LUCIANO: Nada disso, você fica, e esse povo vai ter que aprender a te respeitar por bem ou por mal, por enquanto vamos para o meu quarto. Lá teremos um pouco de paz e sossego. (falando para Cidinha) Cidinha por favor leve nosso jantar no quarto (ele pega Marcela no colo e sobe as escadarias levando-a para o quarto_ focando a camera no olhar condenador de Eduardo, Antônio e Maria da Purificação e, por ultimo, cortando a cena no olhar de ódio e inveja de Luana que sente que mais uma vez, uma outra mulher ocupou o lugar com o qual ela tanto sonhava).

CENA II
(NOITE_ Casa de madame Clotilde_ ela atende a porta, é Lenita que estava tocando a campainha)
CLOTILDE: Você? (mostrando-se surpresa).
LENITA: Sim dona Clotilde, boa noite, desculpe incomodar mas preciso muito de sua ajuda.
CLOTILDE: Que isso filha? Não é incomodo algum, entre. (ele entra) Diga-me filha o que aconteceu? Em que posso lhe ajudar?
LENITA: Dona Clotilde, a senhora é uma das poucas pessoas que conheço aqui nessa cidade. Por favor, será que a senhor me permitira passar essa noite aqui?
CLOTILDE: Mas aqui? Por que? Por que você não volta pra sua casa?
LENITA: Eu não posso, meu pai quer me mandar de volta para um hospício, onde passei meus últimos 3 anos, pelo amor de Deus dona Clotilde, me ajude. Não quero voltar para aquele lugar.
CLOTILDE: Mas porque ele quer fazer isso com você? (fazendo-a sentar em um sofá)
LENITA: Ele encasquetou que eu sou louca, na verdade o louco é ele.
CLOTILDE: Mas por que ele chegou á essa conclusão?
LENITA: Por que sou uma das poucas pessoas que tem coragem de bater de frente com ele, de não acatar todas os mandos dele, daí, pra se ver livre de mim, ele quer me mandar para lá. E então, posso ficar aqui?
CLOTILDE: Bom filha, aqui não é o melhor lugar para uma moça como você ficar, mas eu assim como você também não sou de acatar os mandos nem do seu pai e nem de ninguém e vou te ajudar sim, se você quer passar a noite aqui pode passar, aliás pode ficar o tempo que você julgar necessário. Fique a vontade a casa é sua.
LENITA: Muito obrigado dona Clotilde. Muito obrigado. (se abraçam)

CENA III
(Noite_ externa da casa de Antônio Dias, Cecília está sentada em um balanço feito de correntes e acento de madeira pendurado em um flamboaiã_ Netinho chega bem lentamente).
NETINHO: No que está ai pensando Cecília?
CECÍLIA: Oi Netinho, nem percebi que você está ai. (ele se senta em uma das raízes da árvore ficando bem próximo dela)
NETINHO: Aposto que estava pensando no que aconteceu agora pouco na janta. Na nova esposa do seu pai.
CECÍLIA: É mais ou menos, na verdade estava pensando na vida e que um dia eu também queria encontrar alguém que me amasse de verdade, assim como meu pai parece amar aquela moça.
NETINHO: Então você não é contra o romance dos dois?
CECÍLIA: E por que seria? É inegável que ela faz meu pai feliz e isso que me importa.
NETINHO: Só isso que te importa?
CECÍLIA: Sim. O que mais poderia me importar?
NETINHO: (passando a mão carinhosamente em seu rosto) A sua felicidade. Por que você quer um dia encontrar alguém que te ame se na verdade você já tem?
CECILIA: Do que você está falando?
Música: De zero a dez
NETINHO: Disso.
(se aproxima ainda mais, puxando o balanço onde ela estava para junto dele e lhe beija. inicialmente apenas um encostar de lábios assustados, depois, carinhosamente o dois vão se entregando ao sentimento e beijando com desejo a câmera vai se afastando até cortar a cena).
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IV
(NOITE_ Quarto de Luciano_ ele está jantando com Marcela)
LUCIANO: Eu ainda nem acredito que você está aqui, em minha casa, no meu quarto, morando comigo.
MARCELA: É mas eu não sei se foi boa ideia. Você viu como sua família reagiu? Eles não me querem aqui.
LUCIANO: Não se importe com isso, eles vão acabar se acostumando. O importante agora somos nós tres eu, você e nosso filho. (acarinha o ventre dela)
MARCELA: Eu ainda quero te dizer uma coisa
LUCIANO: Ah amor, deixa isso pra amanhã, eu to com tanta saudades de vocês. (lhe silencia com um beijo)
MUSICA: Eu nasci para amar você.
(Os beijos vão se tornando cada vez mais intensos, ele morde suavemente sua orelha e seu pescoço, Marcela tira seu vestido ficando apenas com suas roupas intimas e desabotoa a camisa de Luciano que já sem camisa deita –se sobre ela beijando seus lábios. _ Corta a cena)

CENA V
(NOITE_ interna da casa de Madame Clotilde_ quarto de Madalena)
Música: É você (De Maria Cecília e Rodolfo)
(padre Bento abre a porta e vai em direção á cama onde Madalena está, a observa demoradamente, depois senta-se na beirada da cama, pega a bíblia e faz uma oração. Beija-lhe a testa e quando ele vai saindo ela, ainda fraca, estende as mãos e alcança as mãos dele_ ele se volta e os dois trocam olhares)
MADALENA: Acho que já morri, porque estou vendo um anjo aqui em meu quarto.
PADRE BENTO: Pare com isso, eu não sou anjo sou apenas o padre Bento, lembra-se? Nos encontramos esses dias na praça da cidade, quando você tentava fugir da dona Clotilde e você também não morreu, ao contrário, parece que está se recuperando, graças a Deus. Agora fique tranquila e volte a repousar. (volta a se sentar á beira da cama) eu vou passar a noite aqui cuidando de você. (troca de olhares_ Corta a cena)

CENA VI
MÚSICA: Poeira
(Várias cenas de paisagens rurais da fazenda de Antônio Dias: peões lidando com o gado, Bastião tirando o leite, gado pastando tranquilamente, peões cortando napiê para dar de comer aos animais_ Corta a cena para a interna da casa onde a família está reunida para tomar café da manhã)
ANTÔNIO: Cadê o Luciano, ainda não acordou?
FABIANO: Pelo jeito a noitada dele foi boa.
CIDINHA: Não diga uma coisa dessas seu Fabiano, temos crianças aqui. (Luciano e Marcela descem de mãos dadas e cumprimentam todos)
ANTÔNIO: Pelo jeito você continua com essa ideia desmiolada de se casar com essa garota.
MARCELA: Assim como o senhor continua com a ideia maldita de alagar as terras do Riacho Alegre.
ANTÔNIO: Então é isso? De agora em diante vai ser isso? Vou ter aturar essa garota topetuda criticando e reclamando do que faço ou deixo de fazer.
LUANA: É verdade garota. Você já não conseguiu dar o golpe do baú no meu cunhado e veio morar nessa mansão? Então pronto esquece aquela maldita terra e deixa a gente em paz.
MARCELA: Eu to morando aqui sim, mas me preocupo com muitos que ainda moram lá e vão perder tudo como a Inaiê e meu irmão.
EDUARDO: Já vi tudo, daqui a pouco ela vai querer enfiar os dois aqui dentro de casa também.
LUCIANO: Vamos parar com essa conversa. Vamos comer em paz.
(Marcela pega uma bolacha, molha no leite e chupa fazendo barulho chamando a atenção de todos, todos riem)
MARCELA: O que foi gente? Fiz alguma coisa errada?
LUANA: Além de ter nascido?
LUCIANO: È que você comeu a bolacha de uma forma estranha. Eles nunca viram ninguém fazendo isso.
LUANA: Mas gente, é uma delicia. (molha novamente a bolacha e sai oferecendo) Alguém quer? (todos com cara de nojo recusam a oferta ela então fica sem graça e come_ depois olha do lado e Jasmim) Que Mocinha linda? Seu nome é Jasmim não é? (Jasmim nada responde) Hei? Seu nome é Jasmim?
LUANA: Deixa de ser retardada. Ela não fala com ninguém, vive isolada no mundinho dela. Acha que vai falar logo com você?
RODRIGO: (falando com Luciano) Inclusive pai, estava esperando mesmo o senhor chegar, precisamos marcar uma consulta num medico pra ver o que essa menina tem.
LUCIANO: Tudo bem filho, vou ver isso hoje mesmo.
(Marcela se levanta da sua cadeira, vai bem devagar até a cadeira de Jasmim, se inclina ficando á altura dela, beija seu cabelo)
MARCELA: Não precisa ter medo tá, nem precisa falar seu nome, só quero que você saiba que estou aqui agora e quero ajudar seu pai a cuidar de você, fique tranquila vai ficar tudo bem.
JASMIM: (indicando o copo de leite) Eu quero sua bolacha. (todos ficam surpreso porque raramente ela fala, corta a cena focando na cara de espanto de todos.)

CENA VII
MÚSICA: Ser o seu herói
(Panorâmica diurna da cidadezinha de Recanto Doce, indo em direção á pracinha da cidade onde Pureza, Candida e Maria da Purificação estão andando na rua. De repente, elas veem Padre Bento saindo com Madame Clotilde de sua casa_ corta a cena)
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VIII
(MANHA – pracinha da cidade, retorna a cena em que as beatas vem Padre Bento saindo com Madame Clotilde de sua casa)
MADAME CLOTILDE: (para padre Bento em frente de sua casa) Muito obrigado padre, Deus te abençoe por sua visita e oração. Graças á Deus e ao senhor nossa menina está bem melhor, isso é praticamente um milagre. Milagre do Santo Padre Bento.
PADRE BENTO: Que mané santo nada e nem ouse pensar que eu fiz alguma coisa demais, eu apenas pedi pra Deus, se foi milagre foi ele quem fez.
MADAME CLOTILDE: Tá certo padre, mesmo assim, muito obrigado. Que Deus te abençoe. (abraçam-se)
(as beatas que viam tudo de longe se revoltam)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Olhem isso, que absurdo.
CÂNDIDA: Eu te disse que ele tinha entrado ai ontem a noite com ela.
PUREZA: E pelo jeito passou a noite aí. A noite deve ter sido boa. (tem um tremelique)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: E ainda tem a cara de pau de ficar abraçando a guenga chefa na frente de todo mundo. Isso deve ser o fim do mundo.
(A câmera volta para a frente da casa de Madame Clotilde onde ela está conversando com o Padre Bento).
PADRE BENTO: Tenho que ir agora dona Clotilde, cuide bem da Madalena e qualquer coisa me avise.
CLOTILDE: Pode deixar padre. (se despedem_ Padre Bento indo em direção á Igreja dá de frente com as beatas)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Que falta de vergonha hein seu padre Bento!
PADRE BENTO: Do que você está falando?
CÂNDIDA: Eu e a Pureza, vimos ontem a noite quando você adentrou aquele andro de perdição com a guenga chefa e vimos hoje quando o senhor saiu abraçadinho com ela.
PADRE BENTO: Escuta aqui, em primeiro lugar: se vocês viram tudo isso é porque com certeza vocês não tem mais nada da vida pra fazer a não ser cuidar da vida dos outros. Segundo: não devo dar satisfação pra vocês mas enfim eu estava lá cuidando de uma moça que estava doente.
PUREZA: Faço uma ideia de como o senhor tava cuidando. O Senhor não quer usar seu termômetro em mim também?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Sossegue Pureza. Escuta aqui: até onde eu sei o senhor é padre e não médico, então não tinha nada que entrar naquele lugar pra cuidar de ninguém se é que realmente estava la fazendo isso o que eu duvido muito.
PADRE BENTO: Querem saber? (empurra elas abrindo espaço e sai falando) Vão pro inferno. (elas se viram e ficam olham ele boquiabertas) Corta a cena

CENA IX
(MANHÃ_ Praça da cidade_ Sorveteria de Senhor Jair_ Clóvis Arruda adentra o estabelecimento)
JAIR: Bom dia, senhor Clóvis Arruda, nosso futuro prefeito. Como vai essa força?
CLÓVIS ARRUDA: Vou bem, na medida em que Deus permite.
JAIR: O que o senhor deseja?
CLÓVIS ARRUDA: Me vê uma gelada da boa. (Jair lhe serve uma cerveja)
(Nesse instante as beatas entram na sorveteria)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Senhor Jair, serve um refrigerante bem gelado aqui pra mim e pra minhas amigas. (ele as serve)
CLÓVIS ARRUDA: (falando com Jair) Senhor Jair, por acaso o senhor não viu minha filha mais velha por ai não?
JAIR: Quem? A Lenita?
CLÓVIS ARRUDA: Exatamente homem, ela sumiu de casa desde ontem.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Hum, se não consegue nem sequer tomar conta da filha como é que quer tomar conta da cidade?
CLÓVIS ARRUDA: O que a senhora disse?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Isso mesmo, o senhor não consegue nem tomar conta da filha, como vai tomar conta da cidade? Ainda bem que toda vez que se candidata perde feio pro meu marido. (ri)
CLÓVIS ARRUDA: Se eu não consigo tomar conta da minha filha a senhora por outro lado não consegue cuidar da própria vida e quer cuidar da vida dos outros. Na verdade nem da língua, que é do tamanho da cachoeira do Riacho Alegre, a senhora não toma conta.
CÂNDIDA: (para Clóvis) Olha seu Clóvis, eu vi sua filha sim.
CLÓVIS ARRUDA: Então me diga: Aonde você a viu?
CÂNDIDA: Entrando na casa da Madame Clotilde. (as beatas caem na risada)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Não falei que não sabe tomar conta da filha, agora além de louca a menina vai virar puta. (ri descontroladamente)
CLÓVIS ARRUDA: Agora essa menina passou de todos os limites, ela vai ver quem é Clóvis Arruda. (ele sai debaixo das gargalhadas das beatas_ corta a cena)

CENA X
MÚSICA: POEIRA
(várias paisagens rurais, cenas panorâmicas da fazenda de Antônio Dias_ Interna da casa de Antônio Dias_ cozinha_ Cidinha está preparando o almoço Marcela entra)
MARCELA: Oi Cidinha, tudo bem com você?
CIDINHA: Sim, seu nome é Marcela né?
MARCELA: Isso mesmo. Atrapalho?
CIDINHA: O que é isso dona Marcela? A casa também é da senhora agora, fique a vontade. No que posso te ajudar?
MARCELA: (sentando-se numa cadeira envolta de uma mesinha) Bom me ajudaria muito se parasse de me chamar de dona.
CIDINHA: Tudo bem, dona.. quer dizer tudo bem Marcela. Você precisa de mais alguma coisa?
MARCELA: Preciso.
CIDINHA: Sim, então diga.
MARCELA: Preciso saber em que posso te ajudar aqui na casa.
CIDINHA: Me ajudar aqui na casa? Como assim?
MARCELA: AH sei lá, se você quer que eu faça a comida, lave a louça ou a roupa, faça uma faxina. Enfim no que eu posso te ajudar?
CIDINHA: (sentando-se junto dela) Menina, a senhora agora é madame, vai se casar com um dos homens mais ricos desse Estado.
MARCELA: E dai? Eu vou casar com ele porque eu o amo e não pensando em dinheiro, e outra: eu cresci cuidando da casa da Inaiê, ajudando ela a lavar roupa na cachoeira e também ajudando meu irmão a cuidar de bois, não sei ser esse tipo de dondoquinhas que ficam sentadinhas sem fazer nada o dia inteiro não.
CIDINHA: ai menina. (balançando a cabeça com um leve sorriso amigo) Essa é boa. Então tudo bem. Me ajude a fazer o almoço estou mesmo atrasada. (elas se levantam vão até a pia cortar alguns legumes_ Luana Chega)
LUANA: Olha só. Então a boia fria morta de fome encontrou finalmente seu lugar: a senzala junto de seus iguais.
MARCELA: Obrigado pelo elogio, sim porque me dizer que sou igual á Cidinha pra mim é um elogio, eu ficaria nervosa se você disse que sou igual a você.
LUANA: Igual a mim? (gargalha) Isso você nunca vai ser queridinha.
MARCELA: Nunca mesmo, porque eu tenho caráter e principalmente amo o meu marido e ele me ama, não preciso ficar correndo atrás do homem das outras como você faz.
LUANA: Escuta aqui sua boia fria morta de fome. Quem você pensa que é pra falar assim comigo?
MARCELA: Sou a pessoa que você sempre quis ser: A mulher, a amante a pessoa que o Luciano ama.
(Luana arma a mão para esbobefetea-la, ela pega a faca que está encima da mesa).
MARCELA: Vem, vem sua sucuri de salto alto, vem, me dá esse tapa que eu boto suas tripas pra fora.
(close nas duas_ corta a cena)
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA X
(Luana desarma o punho)
MARCELA: Se você pensa que eu tenho medo de você, está muito enganada. Tô acostumada a lidar na roça e ter que enfrentar cobras como você, talvez não tão peçonhentas.
LUANA: Eu vou acabar com você sua boia fria morta de fome.
MARCELA: Antes disso, sua cobra de salto alto, eu te risco o coro.
LUANA: Eu já perdi meu tempo demais aqui nessa senzala, com licença. (sai)
CIDINHA: Eu não acredito que você fez isso.
MARCELA: Isso o que? (rindo)
CIDINHA: enfrentou a Luana com uma faca.
MARCELA: E por que não? Eu que não ia apanhar de graça dessa cobra. Odeio ela.
CIDINHA: Então se considere minha melhor amiga, porque eu também odeio. (corta a cena com as duas gargalhando)

CENA XI
(MANHÃ_ Casa de Antônio Dias. Maria da Purificação está chegando da rua e encontra sua filha que está saindo da cozinha transbordando ira e inveja, Maria da Purificação, segura levemente em seu braço e a convida a sentar para conversar)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: O que foi filha? Por que está transtornada desse jeito?
LUANA: Ah mãe essa boia fria, morta de fome, que o Luciano enfiou dentro de casa.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: (deitando-a em seu colo) deve estar sendo muito difícil pra você né filha?
LUANA: AH mãe, outra vez alguém ocupa um lugar que deveria ser meu. Eu amo o Luciano, o amo com toda a minha força, daria minha vida por ele, sou capaz de fazer tudo por ele mas ele nem me nota. Pensei que me livrando da zonza da Yasmim ia ter o caminho livre e a gente ia acabar ficando juntos, mas o tempo passou e ao contrário disso, ele se enrabichou com essazinha. Eu é que deveria estar morando com ele, dormindo com ele, fazendo amor com ele. Eu que deveria ter um filho dele, me casar com ele e não essa ordinária. (levanta-se)
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Acalme-se filha, eu vou te ajudar a se livrar dessa menina, e eu duvido que ela vai conseguir vencer nos duas juntas, mas olha, dessa vez você não pode sair fazendo besteiras sozinha, levada pela emoção, como você fez quando matou a Yasmim.
LUANA: (fazendo sinal de silencio) shiiiu!! Quer que alguém escute mãe?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Claro que não, o que quero te dizer é que temos que analisar bem cada passo e prever também cada passo da inimiga, só assim venceremos essa guerra, mas seja como for: quero que você saiba que sempre estarei do seu lado e que juntas somos imbatíveis.
LUANA: Obrigado mãe, e eu já até sei por onde começar a destruir essa vadiazinha.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: O que tá passando por essa cabecinha ai hein?
LUANA: A senhora lembra aquele povo dos sem terras, que há alguns anos invadiram a fazenda Poconé?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Aqueles de quem você fez churrasquinho? (elas riem sarcasticamente)
LUANA: Exatamente, mas quando a senhora me disse que haviam crianças eu fiquei com pena, tava esperando um filho também, entende? Então resolvi salvar os dois filhos do chefe do bando.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: E conseguiu?
LUANA: Sim, a prova é que uma cresceu e está aqui, dentro da nossa casa, ocupando um lugar que é meu.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Então quer dizer que essa menina é filha de um daqueles sem terras?
LUANA: Exato, e vou usar isso pra acabar com ela, vou fazer todo mundo acreditar que ela está aqui só pra se vingar do dono da fazenda que seus pais estavam ocupando, ou seja, o Antônio Dias, do jeito que o Luciano idolatra o pai, duvido se ele vai continuar querendo casar com essa pivetizinha.
(foca em seu olhar maquiavélico_ corta a cena)

CENA XII
(HORA DO ALMOÇO_ Casa de Madame Clotilde_ ela e todas as meninas estão á mesa se preparando para comer)
CHICA GAITEIRA: Clotilde, a menina Madalena não vai descer para comer?
CLOTILDE: Creio que não, ela está bem melhor, mas ainda precisa repousar. (fazendo uma bandeja de comida pra ela) Por isso vou levar a comida pra ela lá no quarto. (Madalena desce, ainda convalescente, as escadas)
MADALENA: Não precisa dona Clotilde, estou bem melhor, quero comer aqui com vocês.
CHICA GAITEIRA: Mas menina. Ontem mesmo você está tão mal.
MADALENA: Estava mesmo, mas aconteceu um milagre, um milagre do anjo Bento.
CLOTILDE: Ela agora encasquetou com isso.
CHICA GAITEIRA: Você quer dizer que você se curou graças á um milagre do padre Bento?
MADALENA: Eu tenho certeza disso, ele é um anjo, e anjo fazem milagres, não é?
CLOTILDE: (servindo-a) Deixe de besteiras menina, ele é apenas um padre, não tem nada de anjo.
CARMELA: E que pena que é Padre, porque adoraria ter ele como meu cliente.
CHICA GAITEIRA: Sossega menina, ou está querendo virar mula sem cabeça? (toca a campainha)
CARMELA: Será que é algum cliente?
CLOTILDE: Creio que não, mas deixe que eu atendo. (abre a porta e dá de cara com Clóvis Arruda). Você?
CLÓVIS ARRUDA: Vim buscar minha filha e eu já sei que ela está aqui. (vai falando em empurrando ela e adentrando na casa)
(a cena congela no rosto assustado de Madame Clotilde, uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

FINAL DO DÉCIMO QUINTO CAPÍTULO