Coração sertanejo: Capítulo 14: A mentira

Coração sertanejo: Capítulo 14: A mentira


CENA I
(Abre-se a cena com Clóvis Arruda e Maria Eulália pegando Cacau e Eduardo fazendo amor)
CLÓVIS: O que tá acontecendo aqui? (Cacau e Eduardo se levantam) Eu fiz uma pergunta: O que está acontecendo aqui?
CACAU: Pai, o senhor já voltou? (sem jeito e querendo mudar o rumo da conversa)
CLÓVIS: Não. É só me sombra que tá aqui. Anda logo menina desembucha. O que você está fazendo com esse garoto?
CACAU: Bem nós, nós…
CLÓVIS: Tá chega de enrolação. Eu faço ideia do que vocês dois estavam fazendo aqui sozinhos, nesses trajes.
EDUARDO: (estendo as mãos para cumprimentar Clóvis) Prazer senhor Clóvis, sou Eduardo namorado da sua filha.
CLÓVIS: Eu sei muito bem quem é você e principalmente á qual família você pertence e se pensa que vou deixar um traste como você, neto do Antônio Dias, namorar minha filha está muito enganado. (desembainha uma faca que ele sempre carrega) Eu vou é cortar seus coco pra você aprender a não mexer mais com filha minha. (Cacau e Maria Eulália o segura).
MARIA EULÁLIA: Você está louco homem? Pare com isso.
CACAU: (Falando assustada para Eduardo) Corre Eduardo, é melhor você ir embora. Ande. (Eduardo foge)
CLÓVIS: Isso mesmo seu covarde foge, corre de mim e se você voltar a pisar aqui na minha casa, ou passar na minha frente, eu acabo com você. (Se desvencilha da filha e da esposa e fala bravo com elas) Estão vendo? Por causa de vocês o garanhãozinho deu no pé.
CACAU: Ainda bem né pai? O senhor queria gabar o coitado.
CLÓVIS: Ia mesmo! E você, sua desavergonhada, nunca mais se quer olhe pra esse sujeitinho se não eu não sei o que sou capaz de fazer com você e com ele. Agora suba! Se tranque no seu quarto e só saia dali quando eu mandar. (ela vai)
MARIA EULÁLIA: Calma Clóvis, não tem necessidade de ficar assim.
CLÓVIS: Ah não! Imagina né? Eu chego em casa e pego minha filha, agarrada com o neto do meu maior inimigo político, e você quer que eu chame ele pra tomar um café?
MARIA EULÁLIA: Não, mas não precisa agir dessa forma. Mas é que você sempre coloca essa maldita politica acima de tudo.
CLÓVIS: Cale a boca. A culpa é sua que não soube educar nem uma das duas filhas: uma é louca a outra pelo jeito tá virando guenga. Tomara que o meu filho homem me dê mais orgulho e menos dor de cabeça do que essas filhas que você me deu. (sobe pro quarto deixando Maria Eulália triste e preocupada_ Corta a cena)

CENA II
(MANHÃ_ Panorâmica da movimentada cidade de São Paulo, imagens do movimento na Avenida Brasil, uma legenda surge na tela escrito: “São Paulo” _ externa do escritório do frigorífico Strong Meat- Luana e Luciano estão adentrando e observando certo movimento diferente, polícias federais carregando computadores e várias caixas e pastas).
LUCIANO: (para Luana) O que será que está acontecendo aqui? Por que esse monte de polícia está carregando tudo?
LUANA: Eu não sei, mas bem que achei estranho quando vi aquelas viaturas paradas ali na frente.
LUCIANO: Será que eles foram assaltados?
LUANA: Deixa de ser burro, se fosse apenas um assalto, os policiais não estariam carregando tudo. (alguns policiais passam pelos dois)
LUCIANO: (para um dos policiais) Por favor, o que está acontecendo aqui? Por que vocês estão levando esse monte de computadores e documentos embora?
POLICIAL: Recebemos uma denuncia anônima, tudo indica que o Senhor Bruno Sanches está envolvido em vários crimes.
LUCIANO: Crimes? Como assim?
POLICIAL: Lavagem de dinheiro, caixa dois, pagamento de propinas entre outros.
LUANA: O senhor tem certeza?
POLICIAL: De acordo com a denúncia e com o que descobrimos até agora sim. (os policiais se afastam)
LUANA: (para Luciano) E agora o que faremos?
LUCIANO: Vamos embora daqui agora, acabou a palhaçada. Preciso ter uma conversa muito séria com o senhor Antônio Dias. (corta a cena)

CENA III
(MANHÃ_ Mata da fazenda de Clóvis Arruda- Lenita está dormindo deitada no peito de Lucas que também está adormecido_ ele acorda)
LUCAS: Bom dia onça brava. Hora de acordar.
LENITA: (acordando) bom dia peão, fedido de bosta.
LUCAS: É mas foi no peito desse peão que você dormiu e até roncou.
LENITA: Que mané roncou o que? Eu sou uma dama. Vê lá se eu vou roncar?
LUCAS: Verdade, você não estava roncando, estava apenas brincando de ser uma moto serra.
LENITA: Chega de conversa peão, vamos embora, você tem que voltar pra fazenda e eu vou me escapulir pra cidade e de lá pra São Paulo.
LUCAS: Mas eu ainda não estou conseguindo andar.
LENITA: Então eu vou até a cidade e consigo ajuda pra você.
LUCAS: Não, a cidade é muito longe. Por que você não volta pra fazenda e avisa seu pai?
LENITA: Está louco? Pelo jeito além da perna também machucou a cabeça né? Eu não volto lá de jeito nenhum. Espere ai quietinho que logo a ajuda chega. (sai)
LUCAS: Lenita, espera. Lenita… (corta a cena)
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IV
(MANHÃ_ Casa de Inaiê- ela, Gabriel e Marcela estão tomando café)
INAIÊ: E ai filha, como você está se sentindo?
MARCELA: Ah Inaiê, os enjoos estão melhorando, com o remédio que o doutor Augusto me passou.
GABRIEL: E você já contou pro Michel que está esperando um filho dele?
MARCELA: Sim, ontem de tardinha.
GABRIEL: E então? Ele vai assumir essa criança ou você vai ter que criá-la sozinha?
MARCELA: De início ele não acreditou que o filho era dele, ficou achando que era do Luciano.
GABRIEL: Que desgraçado. (soca a mesa) Infelizmente ele estava enganado.
MARCELA: Sim, infelizmente porque mesmo depois de se convencer que era o pai, ele se recusou a assumir e mandou que eu tirasse a criança.
GABRIEL: Que fila duma égua. E você vai tirar?
MARCELA: Jamais, eu vou ter essa criança e isso é a maior certeza que tenho em minha vida.
GABRIEL: Faça como quiser minha irmã, só quero que você saiba que eu não vou te ajudar a criar essa criança sozinha, você terá que procurar outro lugar pra ficar.
INAIÊ: Mas pra onde sua irmã vai, ainda mais desse jeito?
GABRIEL: Ah isso é problema dela, a casa da Madame Clotilde, por exemplo, está precisando de novas mariposas.
INAIÊ: Não fale uma coisa dessas.
MARCELA: Pode deixar Inaiê, eu já sei que com meu irmão não poderei contar.
GABRIEL: Pode sim irmãzinha, basta que para isso você faça exatamente como falei e, já que o Michel não quis assumir a criança, convença o Luciano a fazer isso, ai sim você terá todo o meu apoio (corta a cena).

CENA V
(DIA_ Várias cenas de trabalhadores rurais se dedicando á criação de gado tanto na fazenda de Antônio Dias como na de Clóvis Arruda_ abre –se para uma panorâmica do centro da cidade de Recanto Doce indo em direção á mansão de Madame Clotilde)
(ALMOÇO_interna da casa de Madame Clotilde indo em direção ao quarto de Madalena ela está deitada e Clotilde chega no quarto)
CLOTILDE: Bom dia querida, preparei um café da manhã especial pra ti: ovos mexidos, pãozinho integral, aveia e um pote de iogurte. Tudo que uma futura mamãe precisa para ter uma criança saudável. (observa que Madalena continua dormindo e coloca a bandeja encima do criado mudo) Filha, tudo bem com você? (coloca a mão na testa dela pra verificar a temperatura) Madalena você está ardendo em febre menina! (levanta a coberta e observa um forte corrimento de sangue ensopando a coberta)
MADAME CLOTILDE: Meu Deus, é melhor chamar logo um médico. (corta a cena)

CENA VI
(ALMOÇO_ Casa de Clóvis Arruda. Clóvis está sentado junto de Maria Eulália)
MARIA EULÁLIA: Acho que você está exagerando no castigo da Cacau. Onde já se viu deixar a menina a pão e água?
CLÓVIS: Eu sou o pai, eu sei o que faço, não discuta. (Ela se cala e começa a comer)
MARIA EULÁLIA: E você, também não vai comer?
CLÓVIS: Estou preocupado com a Lenita e o Lucas, até agora nem sinal dos dois. Temo que eles tenham ficado perdidos na mata.
MARIA EULÁLIA: E a culpa toda é sua novamente, desde seu gênio do cão.
CLÓVIS: Você vai começar a me recriminar?
MARIA EULÁLIA: Só estou dizendo a verdade, além do mais, também estou preocupada com minha filha.
(Nesse momento, chegam dois homens carregando Lucas).
CLÓVIS: Lucas, meu filho. O que aconteceu com você?
LUCAS: Fui inventar de laçar sua filha que estava em uma árvore, para forçá-la a descer, e ela acabou caindo encima de mim, machucando minha perna.
CLÓVIS: E onde ela está?
LUCAS: Se aproveitou da minha condição e deu no pé.
MARIA EULÁLIA: E para onde ela foi?
LUCAS: Disse que iria pra cidade e que de lá pegaria um ônibus para São Paulo.
CLÓVIS: (pegando seu chapéu) Pois eu vou lá atrás dela agora mesmo. (corta a cena)

CENA VII
(ALMOÇO_ Casa de Antônio Dias, todos estão sentados á mesa almoçando_ Luciano e Luana chegam)
FABIANO:Ué já chegaram?
LUANA: Não sua anta, estamos em São Paulo ainda, isso aqui é só uma miragem, retardado.
ANTÔNIO DIAS: Mas é que vocês voltaram rápido demais. Deu tudo certo por lá?
LUCIANO: Não pai, não deu nada certo.
ANTÔNIO: Mas por quê?
LUCIANO: Por que seu comprador foi preso por lavagem de dinheiro, caixa dois e pagamento de propina. Me diga senhor Antônio Dias: então é com esse tipo de gente que o senhor negocia? È com esse tipo de gente que o senhor está envolvido. (foca no rosto de Antônio que demonstra ter sido surpreendido com a descoberta do filho e não sabe o que responder_ Corta a cena)
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VIII
(Retoma com Luciano interrogando seu pai)
LUCIANO: Vamos. Me responda senhor Antônio Dias, o senhor sabia de tudo isso? Até que ponto o senhor está envolvido nesses crimes?
ANTÔNIO: Olha só como fala comigo rapaz, afinal de conta ainda sou seu pai e você ainda me deve o respeito.
LUCIANO: Não desconverse não, responda logo as perguntas que eu te fiz.
LUANA: (Para Luciano) Calma Lu.
LUCIANO: Calma nada, eu preciso saber até que ponto estamos mergulhados nessa sujeirada toda.
ANTÔNIO: Pois eu não sabia de nada, pra mim o senhor Bruno Sanches era um homem decente e honesto como eu.
CIDINHA: Vichi, então vai ver que é por isso que ele foi ver o sol nascer quadrado.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: O que você disse empregadinha?
CIDINHA: Eu? Nada Imagina, minha boca é um tumbalo. (bate levemente em seus lábios)
LUCIANO: Me diga pai: Como é possível o senhor trabalhar, negociar com esse homem por tantos e tantos anos e não saber de nada, não desconfiar de nada?
LUANA: Essas pessoas são assim mesmo Lu, elas se passam por boazinhas, por certinhas pra ninguem desconfiar de quem elas realmente são.
CIDINHA: Eu mesmo conheço uma que é desse jeito. E nem preciso dizer o nome, não é dona Luana Dias?
LUANA: Que foi lacaia insignificante? Já vai começar a me aborrecer?
LUCIANO: É verdade Cidinha, não temos tempo para perder com as briguinhas de vocês duas. (volta a pressionar o pai) Vai pai, até agora o senhor não me disse nada que me convencesse.
ANTONIO: Eu já disse que não sabia de nada, eu entregava a carne pra ele, ele me pagava e ponto. A gente nem se quer tinha uma relação próxima, só mesmo de comprador e fornecedor. Sinceramente estou tão surpreso quanto você meu filho.
LUCIANO: (sentando-se e mostrando-se mais calmo) Espero mesmo que o senhor esteja falando a verdade e não tenha nada a ver com toda essa sujeirada.
FABIANO: A questão agora é: Como vamos fazer, daqui pra frente, sem o Strong Meat pra comprar nossos produtos? (todos se olham de forma pensativa _ corta a cena)

CENA IX
(TARDE_ MANSÃO DE MADAME CLOTILDE_ Quarto de Madalena, ela está acabando de ser atendida pelo médico e Clotilde e Chica gaiteira estão próximas)
MADAME CLOTILDE: E então doutor Augusto. Como ela está?
DOUTOR AUGUSTO: Ela está muito mal, perdeu muito sangue. Precisa de repouso e muitos cuidados, a situação dela é precária. Temos que contar com a sorte e, pra quem acredita, com a força divina para ela se recuperar.
CHICA GAITEIRA: E a criança doutor?
DOUTOR AUGUSTO: Infelizmente ela sofreu um aborto e perdeu mesmo a criança. Sinto muito. (chama Madame Clotilde pra outro canto onde puderam ficar á sós) A senhora acredita em Deus?
MADAME CLOTILDE: Mas que pergunta é essa, doutor? Sou guenga sim, mas temente a Deus.
DOUTOR: Então reze, reze com todas as suas forças porque só um milagre pode salvá-la. (o doutor se despede e sai)
MADAME CLOTILDE: Chica cuida ai da nossa menina, preciso sair.
CHICA GAITEIRA: Claro Clotilde, mas a senhora vai aonde?
MADAME CLOTILDE: Recorrer ao único que pode curar essa menina. Vou rezar e pedir a ajuda de Deus. (ela sai _ corta a cena)

CENA IX
Música: ser o seu herói
(TARDE_ Fazenda de Antônio Dias- Externa_ Cenas dos peões cuidando do gado_ Luciano sai de dentro da casa para observar a lida de seus funcionários_ Gabriel chega)
LUCIANO: Gabriel, tudo bem? Aconteceu alguma coisa com a Marcela?
GABRIEL: Aconteceu sim, mas será que podemos conversar á sós? (Luciano o chama para um canto mais reservado)
(Luciano e Gabriel estão num canto mais reservado da fazenda, ainda na parte externa)
LUCIANO: Então diga homem: o que está acontecendo com nossa menina?
GABRIEL: Ela está grávida, esperando um filho seu. È isso que está acontecendo.
LUCIANO: Grávida? A Marcela está grávida? Esperando um filho meu? (abre um grande sorriso)
GABRIEL: Exatamente, e como irmão mais velho vim até aqui, para saber o que o senhor pensa em fazer.
LUCIANO: O que eu já estava pensando em fazer, trazê-la para morar aqui comigo, como minha esposa. Essa noticia maravilhosa só vai adiantar as coisas.
GABRIEL: Então quer dizer que você vai assumir ela e o filho?
LUCIANO: Claro, não tenha nem dúvidas. Inclusive se você me permite, eu vou agora mesmo até sua casa e vou trazer ela para morar comigo.
GABRIEL: Claro que sim cunhado, claro que sim, vai lá.
(Eles se abraçam, Luciano sai todo eufórico e Gabriel permanece no mesmo lugar, a câmera foca em seu rosto que demonstra um sorriso sarcástico e cheio de satisfação_ Luciano entra em sua caminhonete Hilux tenta dar a partida mas não consegue e desce frustrado)
LUCIANO: Essas coisas modernas, quando mais precisamos dela elas nos deixam na mão. (chama Bem te vi, que estava passando com um cavalo arriado) Bem te vi, me de aqui esse cavalo.
BEM TE VI: O Senhor vai andar á cavalo patrão?
LUCIANO: Claro que sim homem por que o espanto? Já fui peão como você e dos bons, e em certos momentos são esses meios mais antigos que mais dão certo. (sobe no cavalo) me empreste ai o seu berrante também.
MÚSICA: POEIRA
(Bem-te vi lhe empresta o berrante e Luciano sai galopando)
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA X
MÚSICA: É você (instrumental)
(TARDE_ Igrejinha de São Sebastião- está vazia, Madame Clotilde entra, se ajoelha diante do altar e com os olhos marejados e voltados para cima, começa sua oração)
MADAME CLOTILDE: Meu Deus, meu bom Pai, eu sei que eu nunca fui a filha que o senhor gostaria que eu fosse, já fiz muita coisa errada nessa minha vida da qual eu me envergonho e faz com que me sinta indigna de me aproximar de ti. Mas sei também que o senhor conhece meu coração e todos os motivos que me levaram a cometer esses pecados. Sei que apesar de tudo o senhor sempre esteve ao meu lado e nunca me abandonou, por isso eu te imploro Senhor, cura aquela pobre moça que se encontra em minha casa sem pai, sem mãe e agora com sua vida em risco. Olha por ela, cuide-a com carinho e faça com que ela sobreviva. (Padre Bento se aproximam toca –lhe o ombro)
PADRE BENTO: Madame Clotilde, que honra e alegria a senhora aqui em minha igreja.
MADAME CLOTILDE: Padre Santo, que bom te encontrar, preciso muito de sua ajuda.
PADRE SANTO: O que foi minha irmã?
MADAME CLOTILDE: A menina Madalena sofreu um aborto e está muito mal, precisando muito de orações. Eu não posso te pedir para que o senhor vá até minha casa, afinal de contas ali é um puteiro, (bate em sua boca) desculpa, e o senhor é um homem de Deus, mas te peço ore por ela por favor.
PADRE BENTO: Claro que irei rezar por ela sim, mas também vou visitá-la.
MADAME CLOTILDE: Mas se alguém ver o senhor entrando em minha casa, podem maldar do senhor.
PADRE BENTO: Eu não me importo, o importante é levar á todos o amor e a palavra de Deus. Vamos?
MADAME CLOTILDE: Se o senhor deseja assim, então vamos! (Padre Bento oferece o braço para Madame Clotilde e, de braços dados, os dois saem da Igreja atravessando a praça _ Corta a cena)

CENA XII
MÚSICA: Eu nasci pra amar você
(TARDE_ Externa de casa de Inaiê_ Luciano chega galopando em um alazão branco, para próximo da casa e toca o berrante) (Interna da casa de Inaiê, Marcela está lavando louças enquanto Inaiê faz algumas costuras)
MARCELA: É ele. (Fica eufórica, ansiosa, agitada)
INAIÊ: Ele quem filha?
MARCELA: O Luciano.
INAIÊ: Imagina menina? acha que o senhor Luciano ia chegar aqui tocando berrante? Deve ser algum peão chamando algum gado perdido.
MARCELA: Pois meu coração me diz que é ele sim, eu tenho certeza disso. (larga o que estava fazendo, tira o avental que estava usando e corre para fora)
(Externa da casa_ Marcela sai de dentro da casa e vê Luciano montado á cavalo e tocando berrante_ Ele desce do cavalo e ela corre para seus braços, nesse momento a imagem fica em camera lenta até que os dois se encontram, se abraçam e se beijam)
MARCELA: Meu amor, que saudades de você.
LUCIANO: Eu também. (se beijam novamente)
MARCELA: Tenho uma coisa muito importante pra te contar.
LUCIANO: (colocando uma de suas mãos suavemente nos lábios dela) Não precisa amor, eu já sei de tudo.
MARCELA: Como assim, você já sabe de tudo?
LUCIANO: Seu irmão me contou.
MARCELA: E ai o que você pensa de tudo isso? O que vai fazer agora?
LUCIANO: Penso, aliás penso não tenho certeza, de que você conseguiu me fazer ainda mais feliz do que já estava fazendo, e eu estou aqui pra te buscar pra morar comigo.
MARCELA: O que o meu irmão te contou?
LUCIANO: Ah Marcela, como assim? O que o Gabriel me contou? Ele me disse que você está esperando um filho meu. (se inclina beijando a barriga dela que fica sem saber o que fazer ou dizer) Vamos meu amor, eu vim aqui pra te buscar. A partir de hoje quero você morando comigo, sendo minha esposa.
MARCELA: Mas é que…
LUCIANO: Eu sei, eu sei que você quer se casar direito como manda o figurino: juiz, padre, igreja, vestido de noiva, festa tudo isso, eu sei, mas não podemos esperar. Você vem morar comigo ainda hoje e ai marcamos o nosso casamento oficial. O importante agora é a gente ficar juntos e juntos cuidarmos dessa criança. Nosso primeiro filho.
MARCELA: Esta certo amor, você tem toda a razão. Vou lá dentro buscar minhas coisas. (ela sai)
LUCIANO: Não precisa pegar muita roupa não viu? Amanha mesmo a gente vai pra Rio Preto ou Araçatuba comprar tudo novo pra você.
INAIÊ: (interroga Luciano) Você tem certeza do que está fazendo?
LUCIANO: Claro que sim Inaiê, eu amo a Marcela e pode ficar tranquila que eu vou cuidar muito bem dela.
INAIÊ: Eu irei rezar muito pra Oxum abençoar o amor de vocês, pois sei que vocês irão enfrentar uma grande batalha. Mas creio que o amor irá vencer. (colocando as mãos sobre sua cabeça faz uma oração silenciosa _ Corta a cena)

CENA XIII
(TARDE_ externa da casa de Madame Clotilde_ ela entra juntamente com padre Bento e Cândida e Pureza que estavam na praça observam a cena)
PUREZA: Candinha do céu. Você está vendo o mesmo que eu estou vendo?
CANDIDA: Sim Pureza, o padre novo está entrando na casa de Madame Clotilde, esse andro de pecado e perdição.
PUREZA: Que desperdício! Um homem lindo e gostoso desses pagando pra sair com mulheres. Se ele fosse em casa ele iria se divertir e muito e ainda por cima de graça.
CANDIDA: Pare de ser tão desavergonhada mulher. Se a Maria da Purificação te escuta falando assim eu nem sei o que ela é capaz de fazer com você.
PUREZA: Duvido se você e ela iria resistir á esse padreco se ele pegasse vocês duas de jeito. Duvido.
CANDIDA: Cale a boca! Me respeite que não sou da sua laia, nem da sua nem desse padreco desavergonhado que sai da Igreja pra ir na casa das primas. Que absurdo!
PUREZA: Se a Maria da Purificação ficar sabendo vai ser a terceira guerra mundial.
CANDIDA: Se ela ficar sabendo não, ela vai ficar sabendo porque eu vou contar pra ela e é agora. Vamos não podemos compactuar com isso. (Cândida sai arrastando Pureza_ Corta a cena)

CENA XIV
MÚSICA: Poeira
(panorâmica da região do Riacho Alegre cortando para a externa da casa de Inaiê, onde ela e Luciano esperam por Marcela, ela sai de dentro da casa com poucas coisas em uma trouxa feita de pano.)
MARCELA: Estou pronta. (Inaiê a chama de canto)
INAIÊ: Filha você tem certeza do que está fazendo?
MARCELA: Sim Inaiê, eu não tenho outra escolha, reze por mim vou precisar muito. (Inaiê coloca suas mãos na cabeça de Marcela pedindo a proteção dos orixás)
INAIÊ: Vai com Deus filha, que Deus te abençoe.
MÚSICA: Eu nasci para amar você
(Marcela se aproxima de Luciano beijando-o, ele sobe no cavalo e estende as mãos ajudando Marcela a subir. Assim que eles estão acomodados no animal eles partem em direção á vida nova e Inaiê fica se despedindo)

CENA XV
(TARDE_ Casa de Madame Clotilde_ ela está adentrando a casa juntamente com o Padre Bento)
MADAME CLOTILDE: Eu nem sei como te agradecer padre, por sua coragem de enfrentar a maldade desse povo, e vir visitar alguém aqui em minha casa.
PADRE BENTO: Não tem do que agradecer, apenas estou cumprindo meu papel de pastor de minhas ovelhas, e como tal preciso cuidar delas indo ao seu encontro, aonde quer que elas estejam e quem não conseguir entender isso que se acerte depois com Deus.
MADAME CLOTILDE: (abraçando_o) O Senhor é mesmo, um grande homem de Deus. Fique a vontade em minha humilde casa e não repare na bagunça.
PADRE BENTO: Não se incomode com isso, então,vamos ver Madalena?
MADAME CLOTILDE: Sim claro padre. (eles vão subindo a escada que leva aos quartos e toca a campainha) Quem será uma hora dessas? Padre o senhor se importa em ir na frente para que eu possa ficar e atender a porta?
PADRE BENTO: Claro que não, só me diga onde fica o quarto dela.
MADAME CLOTILDE: É só subir as escadas, o quarto dela fica logo de frente.
PADRE BENTO: Tudo bem, obrigado. (ele sobe as escadas e Madame Clotilde atende a porta é Lenita)
MADAME CLOTILDE: (espantada) Você? (corta a cena)

CENA XV
(NOITE_ Panorâmica da fazenda de Antônio Dias, cortando rapidamente para a parte interna onde todos estão jantando_ Luciano chega com Marcela, todos param de comer e ficam pasmos olhando para eles)
ANTÔNIO DIAS: O que está acontecendo aqui?
LUCIANO: Essa é Marcela, minha noiva, ela está esperando um filho meu, a partir de agora ela vai morar aqui comigo. (a câmera passeia pelo rosto surpreso de todos)

(a cena congela em Luana, cheia de surpresa e ira, uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

FINAL DO DÉCIMO QUARTO CAPÍTULO