Coração Sertanejo: Capítulo 13 – O peão e a fera

Coração Sertanejo: Capítulo 13 – O peão e a fera

CENA I
(Abre com a cena onde Clóvis Arruda está em seu escritório tentando convencer seus partidários a apoiar sua candidatura á prefeito)
CLÓVIS: Eu não conheço melhor pessoa para isso! Rico, poderoso, sem manchas em seu passado politico nem pessoal. Ótimo esposo, excelente pai de família. Eu sou a melhor pessoa pra representar nosso partido daqui alguns anos nas eleições.
(nesse momento Lenita entra no escritório batendo a porta e aplaudindo)
Lenita, O que você faz aqui?
LENITA: Muito bem pai, apoiado. Realmente não existe pessoa mais indicada para ser nosso futuro prefeito. Afinal você é um ótimo pai não é mesmo? Tão bom que jogou sua própria filha em um hospício e deixou-a lá, sozinha abandonada por anos. Tão bom pai que nem quis perder tempo e dinheiro para participar da formatura da sua própria filha. Tão bom pai que assassinou meu noivo e mais, deve a capacidade de abandonar um filho bastardo só por ele ser fruto de um caso seu com uma guenga. (falando para os partidários) Pensem bem! É esse tipo de pessoa que vocês vão apoiar? É uma história dessas que vocês querem ver associada ao partido de vocês? Sim porque se depender de mim todo mundo vai saber o ótimo pai e excelente marido que ele é.
CLÓVIS: (pegando Lenita pelo braço com força, tenta tirá-la dali) Do que você está falando? É melhor você ir embora daqui agora. Estamos falando de politica isso não é assunto pra você.
LENITA: Por quê? Porque sou mulher? (Falando para dona Cenira) Está vendo dona Cenira? É isso que ele pensa de nós mulheres: que somos incapazes de participar da política. Também o que esperar de um machista como ele que, desde sempre, espanca a esposa e a humilha dia e noite?
DONA CENIRA: Chega! Pra mim chega. Obrigado menina por abrir nossos olhos. Eu que não vou apoiar um homem desses para ser nosso futuro prefeito. (falando para seus partidários) E acho que vocês também não devem apoiar. (Um por um, entre burburinho de condenação, vão se retirando dali).
CLÓVIS: Acalmem-se meus amigos, essa menina é louca. Ela não sabe o que diz. Esperem. Não vão embora. (todos saem e ele se volta contra a filha) Está satisfeita? Acabou com todas as minhas possibilidades de me candidatar á prefeito nas próximas eleições.
LENITA: Sorte do nosso povo.
CLÓVIS: Cale a boca. (lhe esbofeteia_ nesse momento entram na biblioteca Maria Eulália e Cacau)
MARIA EULÁLIA: O que esta acontecendo aqui?
(corta a cena)

CENA II
MÚSICA: Imagine Dragons – Radioactive
(Por do sol_ Praça da cidade_ sob os olhares atentos e curiosos daqueles que se encontravam naquele local, chegam três sujeitos estranhos. Um deles é Lagartixa, o mais magro e fraco de todos, traja uma calça preta rasgada na altura do joelho, uma camiseta branca e uma jaqueta preta bem estilosa. O outro é Bady Boy, o líder do bando, ele traja uma calça jeans, coturno preto, jaqueta de couro e camiseta preta, e a última uma linda jovem de nome Emanuelle, sensual de bory rosa, micro short jeans preto e uma sandália poderosa. Eles entram na praça e ficam curtindo uma brisa (droga).
JAIR: (de dentro da sua sorveteria comenta com alguns poucos fregueses) Quem abriu a porta do inferno pra esse povo sair meu Deus?(faz sinal da cruz) Creio em Deus Pai, nossa cidade sempre foi tão calma, tão pacata e agora do nada aparecem esse povo com banca de bandido.
(Maria da Purificação e suas beatas estão saindo da igreja e acabam ficando de cara com a gangue).
PUREZA: Nossa Senhora do livramento. Quem são vocês?
LAGARTIXA: Prazer mina, meu nome é Cleidijeferson, mas pode me chamar de lagartixa sacô?
PUREZA: Sacô? Saquei. (observa ele de alto a baixo e começa a cobiça-lo) ô se eu saquei. (começa a se abanar).
MARIA DA PURIFICAÇÃO: E posso saber o que pessoas como vocês querem aqui na minha cidade? Aqui não é lugar de bandido não e se vocês insistirem em continuar aqui vou colocar todo mundo pra correr. (Bady Boy saca uma arma) mas se quiserem também pode ficar sem problemas.
EMANUELLE: Escuta aqui vovozinha, nós viemos aqui em paz ta ligado? Só pra fazer um servicinho e meter o pé, então se as senhoras não mexerem com a gente a gente também não mexe com vocês, mesmo porque respeitamos muito pessoas anciãs.
LARGATIXA: E pra mostrar nossa boa vontade diz ai chegadas: vocês não tão afim de um cigarrinho do capeta? (elas todas se assustam e fazem o sinal da cruz inúmeras vezes)
CÂNDIDA: Vai oferecer o cigarrinho do capeta pra bruxa da sua mãe. Seu fidumaégua.
PUREZA: (Para Cândida) não vai me entrar em crise justo agora heim Candinha. Com esses ai você não aguenta.
CÃNDIDA: (já com os olhos vermelhos de raiva) Pois você quer ver se não?
(Maria da Purificação e Pureza se abraçam assustada enquanto Cândida enfrenta, desarma e dá uma surra nos três).
CÂNDIDA: E da próxima vez, que eu e minhas amigas aqui. passarmos pela praça rezem pra não estarem aqui. (faz o gesto de limpar as mãos) Vamos embora meninas, esses moleques mal educados já aprenderam a lição. (saem todas exibidas e eles ficam sem entender nada)

CENA III
(TARDE_ Fazenda de Antônio Dias_ Bastião e Bem-te-vi chamando Vitinho pra lida)
BASTIÃO: Vamos home, temos que apartar o gado, monta logo no cavalo. Simbora. (Vitinho tenta montar no cavalo, porém cai de costa).
BEM TE VI: Oxi homem, o que aconteceu? Que peão é esse que não sabe montar num cavalo?
VITINHO: Não! Eu sei sim, só tô destreinado, mas agora eu não erro.
(Tenta montar novamente e passa direito caindo do outro lado_ Bastião e Bem-te-vi caem na gargalhada)
BASTIÃO: Oxi, tô vendo que tamu bem servido de peão.
BEM TE VI: Tem certeza Vitinho, que você já foi peão alguma vez na vida?
VITINHO: Mas é claro e dos bão, já fui até capataz.
BASTIÃO: Só se for cai pra traz.
VITINHO: Pois agora eu não erro, quer ver. (tenta montar novamente, consegue, porém de cara pra trás e o cavalo acaba disparando) Socorro! Socorro! Alguém pare esse bicho! Socorro!
(Fabiano vê o que estava se passando, monta em um cavalo e cavalga atrás de Vitinho, conseguindo alcançar as rédeas do animal em que Vitinho estava montado fazendo-o parar).
VITINHO: Obrigado Biano, se não fosse você não sei o que seria de mim. (o abraça de forma eufórica, Bem-te-vi e Bastião olham de forma desconfiada).
FABIANO: Eu só retribuí o que você fez por mim aquele dia no rio.
BASTIÃO: Oxi sei não, mas esse peão ao invés de cuidar dos bichos, tá mais é pra uma bicha. (os dois caem na gargalhada_ Corta a cena)

CENA III
(TARDE- Escritório da casa de Clóvis Arruda_ Maria Eulália e Cacau estão interrogando o que havia acontecido)
MARIA EULÁLIA: O que esta acontecendo aqui? Por que aquele povo saiu reclamando, brigando falando mal de você Clóvis?
CLÓVIS: Por causa dessa sua filha desgraçada, por causa dela não terei o apoio dos meus partidários, para me candidatar a prefeito nas próximas eleições.
CACAU: Mas o que ela fez pai?
CLÓVIS: Contou um monte de mentiras sobre mim para meus partidários.
LENITA: Mentira? O senhor tem coragem de dizer que tudo o que eu falei é mentira? Vai ter coragem de dizer que não me jogou num hospício, que não espanca e humilha constantemente a minha mãe? E pior, que abandonou um filho, rejeitando-o só por ser filho de uma prostituta?
MARIA EULÁLIA: Que história é essa de filho Clóvis? Era só o que nos faltava.
LENITA: Sabe o Michel mãe? Aquele rapaz bonito e simpático que a senhora conheceu aquele dia, na festa do padroeiro?
MARIA EULÁLIA: Sim sei, mas o que tem ele?
LENITA: Ele é filho da dona Clotilde e do seu excelentíssimo marido: o poderoso e digníssimo Clóvis Arruda.
CACAU: Isso é verdade pai?
CLÓVIS: Claro que não, eu jamais teria um filho com uma guenga.
MARIA EULÁLIA: Teria sim, porque você sempre me traiu com essas mariposas.
LENITA: E mais uma vez suas podridões respingam em mim não é? Não bastou assassinar meu noivo, agora que eu voltei a gostar de outra pessoa, não posso ser feliz do lado dela por sua culpa. Eu te odeio com todas as minhas forças e você vai pagar caro por tudo, tudo que fez e ainda faz comigo, minha irmã, minha mãe e agora com o Michel. Eu não vou sossegar enquanto não tiver acabado com você.
CLÓVIS: Você é uma louca e lugar de gente louca é no hospício e é pra lá que você vai voltar. (pega o telefone) Alô! É da clinica São Lucas? Aqui é o senhor Clóvis Arruda, sim isso mesmo, o fazendeiro de Recanto Doce que internou a filha ai há alguns anos atrás. Ela está aqui tendo uma crise incontrolável, preciso interna-la novamente. Vocês podem mandar uma ambulância vir busca-la? Ok obrigado. (se vira e não vê mais Lenita por ali) Lenita! Onde você foi menina? Não pense que pode fugir de mim! Lenita!(corta a cena)
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IV
MÚSICA: Sensações.
(TARDE_ Casa de Patrícia, quarto de Ritinha. Ela está sentada na cama, abraçada com o ursinho que o Rodrigo deu pra Patrícia e pensando nele).
RITINHA: Meu amor, eu queria tanto ter coragem de te dizer tudo o que sinto por você, conquistar seu coração e te libertar das maldades e ambições da Patrícia. Mas você é um príncipe e eu apenas uma empregada doméstica.
PATRÍCIA: (que estava observando tudo em pé na porta e escutando o desabafo de Ritinha) Ainda bem que você sabe.
RITINHA: (assusta-se e levanta-se da cama, limpando suas lágrimas) Patrícia! Você precisa de algo?
(Patrícia anda pelo quarto observando as várias fotos de Rodrigo que há ali, o ursinho que ela havia ganhado dele, e no espelho escrito em batom: “Rodrigo eu te amo”).
PATRÍCIA: Então é isso garota? (gargalha) você é apaixonada pelo Rodrigo, meu namorado?
RITINHA: Não é que!
PATRÍCIA: Não negue. Cada pedaço desse quarto denuncia essa sua paixão ridícula por ele. Mas venha aqui. (a leva pra frente do espelho) O que você vê? (Ritinha permanece em silêncio) Vamos me diga: o que você vê nesse espelho?
(Ritinha continua de cabeça abaixada e em silêncio, Patrícia, pega em sua cabeça e a levanta na marra e grita) Estou falando com você: O que você enxerga nesse espelho?
RITINHA: A imagem de nós duas.
PATRICIA: Só isso? (ri) Então eu vou te dizer o que está projetada ali no espelho: É a imagem de uma mulher linda, poderosa, sexy e rica que no caso sou eu. E do outro lado um pobre coitada que não tem onde cair morta, uma horrorosa, ridícula. Agora diga-me: qual das duas você acha que o Rodrigo irá preferir, se tiver que escolher entre mim e você?
RITINHA: (baixinho) você.
PATRICIA: Eu não te escutei. Qual das duas você acha que tem condições de ter o amor do Rodrigo?
RITINHA: (grita) Você Patrícia, ele vai escolher você, infelizmente pra ele, vai ser á você que ele escolherá.
PATRICIA: Então deixa de ser ridícula e querer roubar o Rodrigo de mim, ele é meu e sempre será, e não vai ser uma ridícula horrorosa como você que vai tirá-lo de mim. Se enxergue sua empregadinha miserável. Você não tem condições nem de ser pano de chão pro Rodrigo. (joga ela na cama) E se você fizer mais alguma coisa pra tentar estragar nosso namoro eu vou te colocar pra fora dessa casa.
(Ritinha sai chorando e Patrícia fica gargalhando, sentindo-se orgulhosa pelo que fez).

CENA V
(TARTE_ Riacho Alegre_ Ritinha chega ali totalmente abalada por tudo o que havia acontecido. Senta-se á beira do rio e chora de forma descompassada).
MÚSICA: Doce é sentir.
(Pai André vem vindo em sua charrete)
PAI ANDRÉ: (oferecendo uma flor para Ritinha) Uma flor para outra flor. (ela aceita) O que aflige seu coração, linda donzela?
RITINHA: Quem é você?
PAI ANDRÉ: Pai André, e estou aqui só pra te ajudar. Diga-me o que foi. Não espere deixe-me adivinhar: Você está sofrendo assim por um amor não correspondido não é mesmo? Alguém que você acha que nunca será seu.
RITINHA: Como você sabe?
PAI ANDRÉ: Como eu sei não importa, o que realmente importa é o que você não sabe: Não fique assim linda menina, não se deixe diminuir por alguém que está com a alma doente. Você é linda, maravilhosa e um dia seu príncipe vai se dar conta de tudo isso.
RITINHA: Será?
PAI ANDRÉ: Tudo nessa vida minha filha, depende da gente acreditar ou não. Somo aquilo no que acreditamos. Acredite em você, acredite nesse amor. Seu príncipe vai precisar muito dele. (pega a flor que estava nas mãos de Ritinha e coloca em seu cabelo) As coisas mudam você vai ver. (vai embora sem dar atenção aos pedidos de Ritinha para que volte).
RITINHA: Pai André. Pai André, não vá embora me fale mais sobre meu futuro. Espere senhor. Onde o senhor mora?

CENA VI
(TARDE_ SÃO PAULO_ escritório do frigorífico Strong Met. Luciano e Luana se encontram com Sr. Sanches)
SANCHES: Boa tarde meus amigos, obrigado por terem vindo.
LUANA: Boa tarde, claro, nós entendemos a importância e urgência da causa.
LUCIANO: Mas diga-nos, em que podemos ajudar?
SANCHES: Bem, como eu havia lhe dito: precisamos fazer uma campanha publicitária para tirar a imagem negativa, que foi criada depois das denuncias da operação Carne Fraca. E pensamos que nada melhor do que o grande produtor de nossos alimentos para passar uma imagem de confiança. E foi muito bom Luciano o senhor ter trazido sua esposa. (Luana ri toda feliz)
LUCIANO: Tem algum engano ai Senhor Sanches, a Luana é minha cunhada e não esposa eu sou viúvo já faz cinco anos.
SANCHES: Não tem problema, vocês dois são a cara e o nome dos produtos que vocês vendem.
LUANA: Ainda não entendi o que o senhor deseja.
SANCHES: É simples, quero rodar um comercial onde vocês dois irão depor sobre a seriedade de seus produtos e consequentemente dos nossos. (entrega duas folhas á eles) temos aqui um texto pré-elaborado no qual vocês podem se basear se assim quiserem, ou até mesmo decorá-lo.
LUCIANO: Ah eu não sei não, eu nunca fiz esse tipo de coisa, nem teatro na escola nunca fiz por timidez, além do mais, não tenho formação pra isso, tenho apenas o ensino médio. Não seria melhor vocês contratarem dois atores profissionais?
SANCHES: Nada disso, iria ficar muito artificial. Eu quero os meus principais fornecedores fazendo esse comercial e não se fala mais nisso.
LUANA: Bom a causa é importante e urgente e também acho uma grande sacada de marketing o comercial ser feito por nós, que somos os maiores fornecedores de carne para seu frigorífico, então eu aceito.
LUCIANO: Então já vi que eu não tenho muita escolha né?
SANCHES: Não, não tem.
LUCIANO: Tudo bem, eu aceito. Gravamos quando?
SANCHES: Amanha cedo, as nove.
LUCIANO: Não pode ser hoje? Tenho pressa pra voltar.
SANCHES: Não é tão simples assim, tenho que combinar com os demais profissionais envolvidos: maquiador, fotógrafo, entre outros, então tem que deixar pra amanhã mesmo.
LUCIANO: Tudo bem paciência. Vou aproveitar pra decorar esse treco. (corta a cena)

CENA VII
(TARDE_ fazenda de Clóvis Arruda_ a ambulância da Clínica chega_ Clóvis o atende)
ENFERMEIRO: Boa tarde senhor Clóvis Arruda. Viemos buscar sua filha, como o senhor nos pediu.
CLÓVIS ARRUDA: Pois chegaram tarde demais, ela fugiu.
ENFERMEIRO: Como assim fugiu?
CLÓVIS: Fugiu fugindo ué! Deu no pé, picou a mula. Mas esperem que eu vou atrás dela.
ENFERMEIRO: Tudo bem, nós esperamos, mas o senhor não pode demorar muito, temos outros compromissos.
CLÓVIS: Pode deixar, eu vou mandar meu melhor peão atrás dela.
(Clóvis Arruda procura Lucas)
CLÓVIS: Lucas, quero que vá atrás da minha filha Lenita e a traga aqui.
LUCAS: O que? Ir atrás daquela cascavel? Daquela onça famigerada? Pois eu prefiro sair no braço com uma sucuri.
CLÓVIS: Olha eu sei que a Lenita é realmente tudo isso, um osso duro de roer, mas eu estou te dando uma ordem. Você vai deixar de cumprir uma ordem minha, homem?
LUCAS: Tudo bem patrão.
CLÓVIS: E seja rápido, preciso dela aqui com urgência.
LUCAS: Sim senhor.

CENA VIII
(PÔR DO SOL_ cachoeira do Riacho Alegre- Michel está caminhando tristemente pensando na revelação que tivera_ Marcela vem ao seu encontro)
MICHEL: Marcela.
MARCELA: Que bom te encontrar Michel, preciso falar com você.
MICHEL: Seja lá o que for, deixa pra outro dia, outro momento não tenho cabeça pra pensar em nada agora. (vai passando por ela que segura em seu braço)
MARCELA: Já esperei demais Michel, temos que conversar e vai ser agora.
MICHEL: Está bem, diga logo o que você tem de tão importante pra me dizer.
MARCELA: Eu estou grávida.
MICHEL: E o que eu tenho a ver com isso? Procure o pai dessa criança e me deixe em paz.
MARCELA: O pai dessa criança é você. (corta a cena)
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA IX
(Retorna a cena do diálogo entre Marcela e Michel);
MARCELA: O pai dessa criança é você.
MICHEL: Como assim sou eu, você me trocou pra ficar com aquele fazendeirinho esqueceu? Com certeza essa criança é filha dele.
MARCELA: Não Michel, infelizmente não, eu estou grávida há um mês e faz exatamente um mês que tivemos nossa ultima noite de amor e só depois disso eu e o Luciano tivemos alguma coisa, então é impossível essa criança ser filho dele.
MICHEL: Eu não quero saber, é bem melhor que essa criança seja filho do Luciano, homem rico, poderoso, com todas as condições pra ser um bom pai, ao contrário de mim que não tenho nada e muito menos estrutura emocional para assumir uma criança.
MARCELA: Só que as coisas não são assim, o filho é seu, infelizmente é seu. Tendo condições ou não você é que tem que assumir.
MICHEL: Eu já disse que não quero e que não vou assumir filho nenhum. É melhor você convencer o Luciano á assumir esse filho.
MARCELA: Mas ele é seu, querendo ou não é seu.
MICHEL: (tirando certa quantia de dinheiro do bolso) Então pegue, compre um remedinho qualquer e acabe logo com isso.
MARCELA: O que? Acho que não estou entendendo.
MICHEL: Pegue esse dinheiro é tudo o que tenho, e se essa criança realmente for meu filho eu quero, aliás, eu exijo que você tire. Não vou assumir filho nenhum, esqueça.
(Nesse momento, tomada de fúria Marcela o esbofeteia e joga o dinheiro na cara dele)
MARCELA: Pegue seu dinheiro eu não o quero, aliás, eu não quero nada que venha de você a não ser esse filho. Eu não vou abortar. Se você não o quer, problema seu; eu quero e irei cria-lo nem que seja sozinha.
MICHEL: Faça como quiser. O problema a partir de agora é todo seu. (corta a cena)

CENA X
(Pôr do sol_ praça da cidade_ Cacau está passeando por lá, tomando um sorvete. Chegam os marginais).
LAGARTIXA: Olha só Lagartixa, que gata linda dando sopa aqui no nosso território.
BAD BOY: Uma moça linda assim não pode ficar sozinha num lugar como esse, pode chegar o lobo mal e grrrr. (avança fazendo de conta que iria mordê-la, ela assusta).
CACAU: Quem são vocês? O que vocês querem?
BADY BOY: Hum advinha: O que nós dois queremos com uma gatinha como você? (envolve sua cintura com seu braço e a puxa para si)
EDUARDO: (chegando ao local) Larga ela agora.
BADY BOY: (jogando Cacau no chão e indo bater de frente com Eduardo) E quem vai me obrigar á isso?
EDUARDO: Eu. (começam a brigar, mas com a ajuda de Lagartixa Bady Boy da uma surra em Eduardo_ Rodrigo e Netinho chegam).
RODRIGO: Solta meu irmão.
BADY BOY: Vocês vão querer entrar no pau também?
RODRIGO: Se for pra defender meu irmão, não tenho outra escolha. (Rodrigo dá uma soco no estomago de Bady boy. Eduardo, Rodrigo e Netinho brigam com Bady boy e Lagartixa dando-lhes uma surra e colocando-os pra correr).
EDUARDO: Obrigado mano, obrigado primão.
RODRIGO: Que isso maninho? A gente não ia deixar esses caras espancar você. E ai ta doendo muito?
EDUARDO: Um pouco.
CACAU: Vem comigo Edu, vamos pra minha casa, vou te fazer um curativo. (vão saindo abraçados)
NETINHO: (para Rodrigo) Não é melhor a gente ir com eles?
RODRIGO: E empatar o namoro deles? Claro que não. (eles riem e saem)

CENA XI
(POR DO SOL_ Fazenda de Antônio Dias_ Bastião e Bem-te-vi estão tocando o gado, Vitinho que esta na garupa de Bem-te-vi acaba caindo do cavalo e quando vê todos aqueles bois em torno dele, se desespera).
VITINHO: Xô, Xô, vai pra lá! Vaquinha fica longe, fica longe.
(Um boi o olha com raiva e faz gesto de que vai correr atrás dele)
VITINHO: não boi, não! (canta) Boi, boi, boi da cara preta não pega essa bichinha que não gosta de bu…
(o boi corre atrás dele)
VITINHO: Ai minha nossa senhora, Socorrrrrrroooooooooooooooo!

CENA XII
(ANOITECER_ Casa de Madame Clotilde_ ela chega inconsolável_ Chica Gaiteira corre para acolhê-la)
CHICA GAITEIRA: Amiga. O que aconteceu? Por que você está assim?
MADAME CLOTILDE: Eu segui seu conselho e procurei meu filho, contei-lhe toda a verdade.
CHICA GAITEIRA: E ai?
MADAME CLOTILDE: E ai que como eu já imaginava, ele não me aceitou como mãe. Ele não quer ter uma mãe guenga, aliás, ninguém quer né?
CHICA GAITEIRA: Desculpa amiga, se, seguindo o meu conselho você ficou assim.
MADAME CLOTILDE: Não peça desculpas, foi a melhor coisa que eu fiz. Mesmo porque se eu não tivesse feito, teria acontecido uma desgraça.
CHICA GAITEIRA: Desgraça, como assim?
MADAME CLOTILDE: O coitado do meu filho estava se envolvendo com a própria irmã e não sabia.
CHICA GAITEIRA: Nossa que história. (nesse momento toca a campainha)
MADAME CLOTILDE: Por favor, Chica atende pra mim, e se for algum cliente fala que hoje não vai ter expediente.
CHICA GAITEIRA: Sim senhora, pode deixar. (ela vai atender é Michel)
MICHEL: Oi posso falar com minha mãe?
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA XIII
(Retoma a cena aonde Michel chega á casa de Madame Clotilde)
MICHEL: Oi posso falar com minha mãe? (Clotilde se vira e vê Michel)
CLOTILDE: Mãe? Você me chamou de mãe?
MICHEL: (já entrando na casa) Sim, não é isso que você é: minha mãe?
CLOTILDE: Sim eu sou, mas pensei que você não quisesse que eu fosse.
MICHEL: Desculpe-me, eu fui grosso estupido com você aquela hora, mas é que você me pegou de surpresa.
CLOTILDE: Claro filho, eu entendo, você tem todas as razões pra não querer ter uma mãe guenga né?
MICHEL: Realmente é difícil lidar com isso, mas pode ter certeza, bem pior foi viver todo esse tempo longe de você. Não importa seu passado o que importa é que a senhora está aqui na minha frente como eu sempre sonhei.
CLOTILDE: Então quer dizer que você me aceita como sua mãe?
MICHEL: Só se você me quiser como filho.
CLOTILDE: É tudo o que eu sempre quis, eu te amo filho. (se abraçam) me perdoe ter te abandonado, mas eu não tinha outra escolha.
MICHEL: Isso não tem mais importância mãe. O que importa é o que vamos viver daqui pra frente e aproveitarmos bem o tempo que ainda temos. (se abraçam novamente _ Corta a cena)

CENA XIII
(NOITE _ mata da fazenda de Clóvis Arruda_ Lucas está procurando Lenita)
LUCAS: Lenita! Lenita onde você se meteu menina? Já escureceu, não é bom ficarmos uma hora dessas aqui na mata. Lenita. (encontra Lenita encima de uma árvore). Te achei coisa. Desça dai e vamos embora ande.
LENITA: Eu não vou embora para aquela casa, de jeito nenhum nem vou descer dessa árvore enquanto você não tiver bem longe daqui.
LUCAS: Desça dai menina, não me faça perder a paciência que já não é assim tão grande. Desça anda.
LENITA: Eu já te disse que não vou descer.
LUCAS: Ah é? Tudo bem então eu vou fazer você descer na marra.
LENITA: Pois eu duvido.
LUCAS: Pois bem, foi você quem pediu.
MÚSICA: anjo ou fera
(pega seu laço, laça-a e a puxa para baixa fazendo-a cair sobre ele. Ela fica encima dele, um olhando fixamente para outro, seus lábios vão se aproximando e não resistindo se beijam).
LENITA: Está louco peão? Que falta de respeito é essa?
LUCAS: Oxi! Foi você que me agarrou e meteu o beijão.
LENITA: AH! Essa é boa, até parece que eu ia agarrar um peão fedendo bosta como você.
LUCAS: Eu que não ia querer beijar uma onça brava igual a você.
LENITA: Então por que você não me larga?
LUCAS: Oxi, mas é você que está encima de mim até agora. (Lenita levanta)
LENITA: Agora anda, levanta dai! (Lucas tenta, mas não consegue).
LUCAS: Eu não estou conseguindo me levantar. (Lenita o ajuda a levantar)
LENITA: Vamos! Leve-me pra cidade, vou ficar em algum lugar lá e amanha pego um ônibus pra São Paulo.
LUCAS: Eu não consigo andar, machuquei meu pé quando você caiu encima de mim.
LENITA: A culpa foi sua que me laçou e me derrubou da árvore. Mas e agora o que vamos fazer? Se eu tivesse meu celular ligava pra alguém e pedia ajuda, mas sai com tanta presa de casa que até esqueci-me de pegá-lo.
LUCAS: O meu está aqui, ligue pra alguém vir nos buscar. (Lenita pega o celular e observa que ele está sem bateria)
LENITA: Esta coisa pré-histórica está sem bateria. E agora?
LUCAS: Vai pra sua casa e pede pra alguém vir me buscar.
LENITA: Eu não vou voltar pra casa e muito menos sozinha á uma hora dessas da noite. Vamos ficar aqui amanha cedo a gente vê o que faz.
MÚSICA: anjo ou fera
(se ajeita perto dele _ corta a cena)

CENA XIV
(NOITE_ fazenda de Clóvis Arruda_ Cacau está adentrando a casa com Edu pelos braços)
EDU: Cacau, você mora aqui?
CACAU: Sim, sim o que esperava: o castelo da rainha má? Sente-se ai vou buscar as coisas pra fazer o curativo. (Ela vai para o quarto)
EDU: Que loucura! Essa é a casa do Clóvis Arruda, maior inimigo politico do meu avô. Qual será a relação que existe entre eles? (ela volta e começa a fazer o curativo) Cacau, essa casa aqui do Clóvis Arruda.
CACAU: Sim eu sei, ele é meu pai, infelizmente é meu pai.
EDU: Como assim o Clóvis Arruda é seu pai? (dá um salto pra trás)
CACAU: Ah vai me dizer que você não sabe como alguém é pai de outra? Não foi isso que me apareceu aquele dia em sua casa.
EDU: Mas é que.. Mas é que.
CACAU: Mas é o que cara? Vai fala logo. Tá começando a me preocupar.
EDU: É que seu pai é o maior inimigo político do meu avô.
CACAU: Pera ai! Você não me dizer que você é neto do senhor Antônio Dias e que fizemos amor na casa dele?
EDU: Pois é.
CACAU: E agora? O que vamos fazer? Eles nunca vão permitir que a gente fique juntos.
MÚSICA: Sem estar
EDU: Bom eu não sei como vai ser, mas sei que não quero ficar longe de você.
CACAU: (correndo pros seus braços) Nem eu. (se beijam)
EDU: Então porque a gente não vive o agora e aproveita que a gente ta sozinho aqui. A gente já estreou a casa do meu avô bora estrear a do seu pai também? (morde os lábios, de forma provocante provocante_ Cacau nada responde, apenas o beija cheia de desejo e amor_ Corta a cena).

CENA XIV
(NOITE_ fazenda de Antônio Dias_ Bastião encontra Fabiano na varanda da casa)
FABIANO: Boa noite Bastião, como vai?
BASTIÃO: Vou bem patrão, mas preciso levar uma prosa c’ocê.
FABIANO: Pois fale homem, sou todo ouvido. Qual é o problema?
BASTIÃO: O probrema é o novo peão que ocê contratou.
FABIANO: O que tem o Vitinho de mais?
BASTIÃO: O sinhô tem que perguntar o que ele tem de menos né?
FABIANO: Como assim?
BASTIÃO: Patrão, ele de peão não tem nada.
FABIANO: Tem certeza homem?
BASTIÃO: Bom que ele é homi isso eu não tem certeza não, mas que não é peão isso não resta duvidas.
FABIANO: Mas por que você está dizendo isso?
BASTIÃO: Ué patrão, um homi que não sabe montá num cavalo e que morre de medo dos bois pode trabaiá como peão?
FABIANO: É! Acho que não.
BASTIÃO: Pois bem, ele se borra de medo do gado e é mais fáci o cavalo monta ele do que ele monta no cavalo.
FABIANO: Tá bem, irei falar com ele, mas manda-lo embora eu não posso, afinal ele salvou minha vida. (Corta a cena)

CENA XV
(NOITE_ fazenda de Clóvis Arruda_ Clóvis Arruda chega em casa com Maria Eulália)
CLÓVIS: E nem sinal da sua filha. E o pior é que mandei o Lucas atrás dela e ele também sumiu.
MARIA EULÁLIA: Mas a culpa é sua, homem. Você achou que ia chamar o hospício pra vir busca-la e ela iria ficar aqui quietinha esperando?
(Os dois dão de cara com Eduardo sentado no sofá só de cueca box preta beijando Cacau que que está sentada em seu colo apenas de calcinha e sutiã preto)
CLÓVIS: O que tá acontecendo aqui?
(a cena congela em Clóvis, cheio de surpresa e ira, uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

  • Lucas Bittencourt

    Capítulo sensacional, Cleber. A primeira cena do Clóvis sendo desmascarado pela propria filha foi ótima. Parabens.

    • Cleber Medeiros

      obrigado Lucas, modestamente eu também gosto muito dessa cena e da Lenita em si, um dos meus personagens preferidos nessa novela. E ela ainda vai aprontar muito
      Obrigado pela leitura, pela fidelidade e pelo comentário