Coração sertanejo: Capítulo 10 – A notícia inesperada

Coração sertanejo: Capítulo 10 – A notícia inesperada

CENA I
(CENAS DA CACHOEIRA_ Michel E Marcela estão abraçados e Luciano chega, vê a cena e vai embora).
MARCELA: Obrigado Michel, obrigado pelo abraço, por seu carinho e sua amizade, mesmo depois de termos terminado.
MICHEL: Você sabe que só terminamos porque você quis assim, eu ainda sou apaixonado por você como antes.
MARCELA: Não vamos confundir as coisas ok? Podemos ser amigos, mas desista dessa paixão, amo outra pessoa.
MICHEL: Mas será que ele te ama também?
MARCELA: Não sei, mas independente disso não posso ficar com você amando outra pessoa, não seria certo com você. Agora me deixe ir, tenho muitas coisas pra fazer no sítio antes do anoitecer.
música “Indispensável pra mim
(Beija-lhe a face e sai)

CENA II
Música: Eu nasci para amar você
(FINAL DE TARDE_ PÔR DO SOL_ Luciano dirige sua caminhonete, por uma estrada de terras cercada de várias árvores, ele chora pensando em Marcela).
LUCIANO: Por que você fez isso comigo minha menina? Eu te amo tanto (corta a cena)

CENA III
(NOITE_ casa de Patrícia_ ela está com os pais na mesa do jantar dialogando)
DR. EMERSON: E então filha como vai o namoro com o Rodrigo? Ontem vi que você nem quis ficar muito com ele na festa. Está acontecendo alguma coisa entre vocês?
PATRICIA: Ah pai! O Rodrigo é um porre, tá difícil continuar namorando ele.
DR. EMERSON: Mas por que filha? Pensei que você gostasse dele.
PATRICIA: Eu gosto é da fortuna que ele tem, do nome que ele pode me dar, por que se não fosse isso eu não iria ficar nem um minuto com aquele rapaz idiota, metido a romântico e politicamente correto, uma verdadeira água de batata. Ai me dá nos nervos.
DR.EMERSON: Oras, mas se é assim, termina logo esse namoro, deixa o cara livre para que ele possa encontrar alguém que goste dele de verdade.
MARIA EFIGÊNIA: Que ideia maluca é essa ? Isso é conselho que se dê á sua filha?
DR EMERSON: Mas eu só estou falando a verdade, se ela não gosta dele, não tem porque continuar esse namoro.
MARIA EFIGÊNIA: E onde ela vai arrumar um rapaz como o Rodrigo?
DR EMERSON: Bom eu sei que o Rodrigo é um bom rapaz: direito, respeitador, vindo de uma ótima família, mas assim como ele, existem vários outros.
MARIA EFIGÊNIA: Mas não com a conta bancária que ele tem, não com o mesmo numero de fazendas.
DR EMERSON: Então vocês duas só estão preocupadas com isso? Com dinheiro, com luxo e mordomias.
PATRÍCIA: A mãe está certa, eu não posso deixar um partido como o Rodrigo escapar, é com ele que tenho que namorar e me casar. Só ele pode me dar o futuro que eu quero.
DR EMERSON: Sinceramente, vocês duas são iguaizinhas, só pensam em dinheiro, mas escute Patrícia: você ainda vai se dar muito mal com isso.
PATRÍCIA: Está me jogando praga pai?
DR EMERSON: Não, claro que não minha filha, mas a gente colhe aquilo que a gente planta, a vida nos cobra, e cobra bem caro as nossas más escolhas.
Música: “sensações”_ Paula Fernandes
(Ritinha que ouvia toda a conversa se retira e vai para o seu quarto chorar abraçado com o urso que Rodrigo havia dado para Patricia)

CENA IV
(INÍCIO DA NOITE_ casa de Antônio Dias_ Netinho está sentando em uma poltrona em seu quarto, lendo um livro_ Luana bate á porta).
LUANA: Oi filho, incomodo?
NETINHO: Claro que não mãe. Entre. (ela entra e se se ajoelha diante dele)
LUANA: Amanha irei viajar filho, e vou passar alguns dias fora.
NETINHO: Ah tudo bem mãe, sem problema.
LUANA: Então, eu queria te pedir uma coisa filho.
NETINHO: O que foi mãe?
LUANA: Na verdade irei viajar com o Luciano, faremos uma campanha de divulgação de um frigorífico que é nosso maior comprador, então só vão ficar seu pai e seu avô cuidando de tudo por aqui.
NETINHO: Tá, mais o que eu tenho a ver com isso?
LUANA: Por favor, meu filho, use essa inteligência que Deus te deu e aproveite essa oportunidade para se aproximar do seu avô, mostrar pra ele sua capacidade, honestidade, responsabilidade, mostrar pra ele que você é bem melhor do que o Rodrigo e o Eduardo.
NETINHO: Mas por que eu faria isso?
LUANA: Para conquistar a confiança e a admiração do velho, e provar pra ele que você é a pessoa mais indicada para assumir os negócios dele, quando ele for dessa pra uma melhor e também ficar com a herança dele.
NETINHO: Ih mãe a senhora com esse papinho de novo! Já disse não quero assumir nada, não nasci pra cuidar de boi, por mais que eu admire a profissão de meu avô e meu tio, eu quero passar logo no vestibular e me formar em botânica. (ela avança e toma o livro das mãos dele, rasgando-o).
LUANA: Se formar em Botânica pra quê? Pra morrer de fome com um diploma nas mãos? Pra ficar implorando para alguém contratar seus serviços? Olhe isso aqui: essa casa, essa fazenda. É apenas uma demonstração do tamanho da riqueza de seu avô, e você, ao invés de se preocupar em assumir o lugar dele, fica igual um retardado lendo e estudando pra ser um botânico.
NETINHO: Mas esse é meu sonho.
LUANA: Pois desista disso, não vê o Luciano, ele mal terminou o ensino médio, no entanto comanda um verdadeiro império agrícola. É isso que eu quero pra você e é isso que você vai ser.
(Netinho sai batendo a porta, chorando, sentindo-se inferiorizado, desce as escadas correndo e tromba em Cecilia)
CECÍLIA: Ei Netinho, olha por onde anda! (observa que ele está chorando) O que foi Netinho? Você está chorando. O que te aconteceu?
NETINHO: Nada. Me deixa.
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA V
(ele sai e Cecília vai atrás dele_ ele senta-se próximo ao riacho que atravessa a fazenda e chora_ Cecília chega, passa a mão sobre seus ombros).
CECÍLIA: O que foi primo? Me fala o que ta acontecendo com você? Você sempre é tão alegre.
NETINHO: Isso por que guardo dentro de mim toda a minha dor.
CECÍLIA: Que dor? Abra seu coração, estou aqui pra te ajudar.
NETINHO: Eu não devia ter nascido, nasci pra ser um fracasso mesmo.
CECÍLIA: Pare com isso, pare de se maltratar dessa forma, você é um garoto muito especial, todos te amam.
NETINHO: Todos menos minha própria mãe. Faço tudo pra agradá-la mais é impossível, eu nunca serei o homem que ela quer que eu seja.
CECÍLIA: Mas você não tem mesmo que ser o que ela quer. Você só precisa ser quem é. E outra, não pense que sua mãe não te ama, ela apenas não sabe expressar isso. Vem cá vem. (deita a cabeça dele no ombro dela)
Música: “De zero á dez”_ Luan Santana e Ivete Sangalo
(eles ficam ali abraçados, com Cecília protegendo e consolando seu coração_ corta a cena).

CENA VI
(NOITE_ mesa de jantar da família de Antônio Dias_ todos estão menos Cecília e Netinho)
LUCIANO: Gente vocês viram a Cecília? Não gosto de jantar sem todos os meus filhos por perto.
LUANA: Ai que amor. (fala ironicamente)
RODRIGO: É muito amor mesmo tia, nós amamos muito nosso pai e temos certeza do amor dele por nós, senão fosse isso, não sei como eu e meus irmãos, teríamos superado a perda de minha mãe.
CIDINHA: Ai que lindo isso meu menino, que orgulho de vocês todos. (chora)
EDUARDO: Claro que você e Bastião também tiveram grande importância nisso tudo Cidinha.
LUANA: E eu e seu tio? Nós não fomos importantes não? Vocês preferem uma empregadinha á nós, que somos da sua família?
CIDINHA: Chora recalque. (ri)
CLARINHA: Não é isso tia, é claro que nos amamos muito o nosso tio Biano, ele é muito legal com a gente, mais é que a Cidinha e o Bastião criou a gente como se fossemos seus filhos, entendeu?
LUANA: E daí, ela aproveita desse fato, pra ser indolente e abusada como é.
LUCIANO: Olha eu não quero que vocês comecem a brigar aqui na hora da janta não, pelo amor de Deus.
(Cecília e Netinho chegam de mãos dadas)

CENA VII
(NOITE_ casa de Madame Clotilde_ ela está sentada em sua cama e relembra a conversa que teve com Michel e Lenita, ela chora_ Chica gaiteira chega).
CHICA GAITEIRA: Madame Clotilde! Madame Clotilde, tem um senhor lá na sala querendo falar com a senhora, mas acho que não é cliente não, porque está com a mulher e os filhos. (vê que ela está chorando) Madame Clotilde, tá tudo bem com a senhora? Por que a senhora está chorando?
MADAME CLOTILDE: (sentando Chica gaiteira em sua cama, próximo dela) senta aqui filha, preciso dividir uma coisa com alguém, e você é a única pessoa em quem eu confio.
CHICA GAITEIRA: Pode contar madame Clotilde, a senhora sempre poderá sempre confiar em meu silencio.
MADAME CLOTILDE: Pois bem, eu era uma mocinha assim como vocês e, pra sobreviver, eu me tornei uma mulher da vida.
CHICA GAITEIRA: Eu sei disso, aliás, todo mundo sabe, qual o segredo?
MADAME CLOTILDE: Acontece que não era tão esperta como vocês e acabei me apaixonando por um cliente.
CHICA GAITEIRA: Nossa Clotilde! Logo a senhora que sempre aconselhou as meninas, a não fazer isso?
MADAME CLOTILDE: Pois é, eu as aconselho porque sei bem como essa história termina, mas na época eu era quase uma menina que, mesmo tendo se tornado guenga, se deixou iludir pelas promessas e palavras bonitas de um certo fazendeiro.
CHICA GAITEIRA: E ai? Como essa história terminou?
MADAME CLOTILDE: Terminou comigo ficando grávida, e claro, ele não quis assumir o filho de uma guenga, então, como eu não poderia cria-lo nesse nosso meio, eu fui obrigada a deixa-lo na frente da casa de um casal que eu conhecia e sabia que iria cuidar muito bem do meu bebê.
CHICA GAITEIRA: Nossa madame Clotilde, que triste, sinto muito. E a senhora nunca mais viu seu filho?
MADAME CLOTILDE: Eu nunca mais tinha dito nem noticias dele, e isso corroía meu coração. Mas no dia da festa do padroeiro, um jovem veio me procurar, contou sua historia e queria saber se eu não conhecia a mãe dele, só que a mãe dele sou eu. (chora)
CHICA GAITEIRA: Mas como a senhora pode ter tanta certeza de que ele é seu filho?
MADAME CLOTILDE: Porque quando eu o abandonei, deixei com meu filho uma pulseirinha de ouro que havia ganhado do pai dele, e esse rapaz estava com a mesma pulseira e disse que a mãe dele tinha deixando-a com ele quando o abandonou.
CHICA GAITEIRA: Nossa dona Clotilde! Sinto muito, muito mesmo, imagino que deve ter sido muito difícil esse seu reencontro com seu filho.
DONA CLOTILDE: Sim foi. Não consegui segurar as lágrimas e eles quase perceberam.
CHICA GAITEIRA: E ai, a senhora contou que é a mãe dele?
DONA CLOTILDE: Não tive coragem.
CHICA GAITEIRA: Mas por quê? A senhora quis tanto encontrar seu filho.
DONA CLOTILDE: Sim muito, esse sempre foi meu maior sonho, mas quando vi aquele homem feito, indagando se eu conhecia a mãe dele, fiquei sem reação, além do mais, o que eu poderia dizer? Filho, sua mãe sou eu, te abandonei quando você era um bebê porque era uma guenga e até hoje continuo sendo.
CHICA GAITEIRA: Mas agora a senhora é patroa? Não atende mais os clientes.
DONA CLOTILDE: E você acha que por isso sou melhor que essas meninas que atendem a clientela? Claro que não, somos canja da mesma panela.
CHICA GAITEIRA: E a senhora vai esconder isso do seu filho até quando? Mais cedo ou mais tarde ele vai acabar descobrindo, então é melhor que seja pela senhora, e outra, a senhora sempre sonhou encontrar seu filho, vai perder essa oportunidade por medo?
DONA CLOTILDE: Tem razão filha, vou procura-lo e contar toda a verdade, é melhor ele saber que a mãe dele é uma guenga do que viver sem o carinho de uma mãe. Agora me dê aqui um abraço menina, obrigado por me ouvir.
(elas se abraçam e corta a cena)

CENA VIII
(NOITE_ sala de jantar da casa de Antônio Dias, onde todos estavam reunidos, Cecília e Netinho chegam de mãos dadas).
CECÍLIA: Boa noite família.
LUANA: Onde vocês estavam? E de mãos dadas?
CIDINHA: Ah mais você vê maldade em tudo heim? Só não vê a que tá ai no seu coração.
LUANA: Cala a boca lacaia, ninguém chamou a senzala ainda não. (Falando com Cecília e Netinho) e vocês, me digam o que estavam fazendo?
CLARINHA: Tão namorando, tão namorando, tão namorando. (Netinho e Cecília ficam sem jeito)
LUANA: Cale a boca peste. Claro que não tem nada a ver.
LUCIANO: Será que a gente pode deixar os dois em paz e jantar quieto?
LUANA: Tem razão Luciano, vamos jantar em paz. (começam a jantar) Luciano, eu fiz o que você me pediu: reservei vaga num hotel cinco estrelas e pedi pro nosso piloto vir nos buscar pra nos levar pra São Paulo.
LUCIANO: Não precisava de tanto luxo. Você sabe que eu não gosto. Além do mais é uma viagem rápida.
LUANA: Mas pode não ser, o caso é bem complicado e por isso eu decidi ir com você.
CIDINHA: Olha o golpe!
LUANA: O que você disse ai lacaia?
CIDINHA: Nada não.
LUCIANO: (fala para Luana) Mas eu te disse que iria sozinho, não disse?
CIDINHA: Toma distraída? (ri_ Luana a olha com cara feia)
LUANA: (para Luciano) Sim você disse, mas o caso é serio e importante, quero estar ao seu lado nesse momento.
LUCIANO: E quem cuida de tudo enquanto a gente viaja?
LUANA: O Fabiano cuida de tudo, o Rodrigo também pode ajudar.
ANTÔNIO: Alguém pode me contar o que ta acontecendo?
LUCIANO: O dono do frigorífico Strong Meat, um dos nossos maiores compradores, me ligou hoje e me contou que a polícia federal descobriu vários frigoríficos com irregularidades em suas carnes, por isso o Senhor Sanches me pediu que eu fosse, com urgência para São Paulo, para ajuda-lo numa campanha publicitária da marca dele, para tentar dissocia-la dessa imagem negativa gerada por essas investigações.
ANTÔNIO: Nossa senhora! Isso é sério. Se esse frigorifico entrar em crise, sendo nosso maior comprador, as coisas se complicam e muito pra nós. É melhor mesmo a Luana ir com você, você vai precisar dela por lá, pode deixar que qualquer coisa eu ajudo o seu irmão.
FABIANO: Engraçado! Ninguém me pergunta o que eu acho de tudo isso.
ANTONIO: Você não tem que achar nada, só tem que obedecer e não fazer nenhuma besteira, enquanto seu irmão e sua mulher salvam nossos negócios. (perguntando para Luana) E ai, quando vocês vão?
LUANA: O hotel já está reservado, e o Ademir vem buscar a gente, com nosso jatinho, amanha cedo.
LUCIANO: Mas já?
LUANA: Sim, o caso é serio e precisa ser resolvido com urgência.
ANTÔNIO: A Luana está certa filho, quando mais rápido vocês forem melhor.
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA IX
(Bastião chega à casa de Antônio Dias)
BASTIÃO: Bas noite pessoar, posso entra?
LUCIANO: E desde quando você precisa pedir pra entrar homem? Entre logo, sente-se e jante com a gente.
LUANA: Era o que faltava: o capiau jantando com a gente.
BASTIAO: Obrigado patrão, mas eu já bati a boia, só vim aqui porque os peões tão quereno fazê uma roda de viola e querem saber se o senhor permite.
LUCIANO: Roda de viola? Mas quem vai cantar e tocar? Você?
CIDINHA: Esse traste ai padrão, não sabe tocar nem os mosquitos que senta na comida dele. (todos riem)
BASTIÃO: Realmente não sou bom nessas coisas, mas o novo peão da fazenda: O Bem te vi, toca e canta muito bem.
LUCIANO: Bom se é assim, fiquem á vontade.
BASTIÃO: Gardecido patrão, e ocês não quer participar com a gente?
LUANA: Até parece que vou me misturar com essa gentalha pra escutar moda caipira!
LUCIANO: Pois eu vou.
RODRIGO: Eu também quero ir, vou até ligar para Patrícia chamando-a pra vir também.
EDUARDO: Duvido aquela entoxada vir, mas eu vou Bastião.
CECÍLIA: Eu também vou, vamos Netinho?
NETINHO: Sim claro, adoro moda caipira.
CIDINHA: Padrão posso ir também?
LUCIANO: Claro Cidinha.
BASTIÃO: Então vou falar pro pessoar organiza tudo. Gardecido patrão, até daqui a pouco.
LUCIANO: Bora lá então pessoal.
(Todos vão saindo na mesa ficam apenas Luana e Cidinha que vai recolhendo a comida)
LUANA: Tá com pressa Cidinha?
CIDINHA: Sim vou terminar aqui rapidinho pra ir ver a roda de viola.
LUANA: E quem disse que você vai?
CIDINHA: Meu patrão.
LUANA: Eu também mando nessa casa e digo que você não vai, deixar a casa aqui toda suja, pra ir ver roda de viola nenhuma.
CIDINHA: Mas a casa tá limpinha, só tenho que recolher as coisas aqui e lavar a louça.
LUANA: (Pega uma travessa de molho e derrama no chão) Esse chão lhe parece limpo? (joga também o suco) Acho que não né?
CIDINHA: Não, não está limpo mesmo, mais também não serei eu que irei limpar.
LUANA: E quem vai então?
CIDINHA: Você! Ou quer que eu vá lá naquela roda de viola e conte pra todo mundo um segredinho nosso? (pega uma vassoura e um balde e entrega pra Luana) Bom trabalho madama. Estou indo na minha roda de viola, depois a senhora retira a janta e lava a louça também tá? Fui.

CENA X
(NOITE casa de Patrícia, ela atende o celular).
PATRÍCIA: Oi amor, tudo bem? (pausa) Você quer que eu vá ai na sua casa agora? (pausa) ah que legal ta tendo uma roda de viola? Hummm! (faz cara de desdém) Então amor, é que estou com dor de cabeça, acho que vou dormir. Desculpa tá. (pausa) beijo. (desliga o celular e fala consigo mesma)
Até parece que eu vou sair da minha casa, pra ir ver uma roda de viola feita por peões. Esse Rodrigo está cada dia mais ridículo.
(Ritinha escuta a conversa e corre conversar com Dr. Emerson)
RITINHA: Patrão será que eu poderia dar uma saída? Prometo voltar logo.
DR EMERSON: E você vai aonde uma hora dessas, minha filha?
RITINHA: Eu vou dar uma volta, dar uma espairecida. Estou precisando.
DR EMERSON: Faz muito bem, pode ir e demore o tempo que for necessário.
RITINHA: Obrigado Dr. Emerson.
DR EMERSON: Não precisa agradecer, vai lá filha, divirta-se e se cuide (Ritinha sai toda feliz).

CENA XI
(NOITE_ fazenda de Luciano, todos estão em volta de uma fogueira, Bem te vi toca e canta a música tristeza do Jeca) _ Eduardo percebe que Rodrigo está entristecido e pergunta:
EDUARDO: O que foi manin? Algum problema?
RODRIGO: Chamei a Patrícia para vir ver a roda de viola, mas ela disse que não podia vir, estava com dor de cabeça.
EDUARDO: A desculpa clássica das mulheres. (batendo em seu ombro) Mano você acha mesmo que a Patrícia, entojada como ela é, ia sair da casa de boneca dela, pra vir ver uma roda de viola?
RODRIGO: E você acha que ela mentiria pra mim?
EDUARDO: Você sabe muito bem o que penso daquela garota, mas se você gosta dela eu respeito sua escolha, só não quero te ver assim. Vem entra na roda.
ANTÔNIO: (que está sentada na roda ao lado de Maria da Purificação pergunta pra ela) E então muié, como o padre tá? Ele não bateu as botas não né?
MARIA DA PURIFICAÇÃO: E você acha que vaso ruim quebra? Ele tá lá internado no hospital de Votuporanga. Logo, logo ele volta a encher minhas paciências.
ANTÔNIO: É bom mesmo que esse não quebre, porque se quebrar a culpa vai ser toda sua.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Minha? Minha nada, eu só estava cumprindo minha missão de primeira dama, de zelar pela moral e os bons costumes dessa cidade.
ANTÔNIO: Olha Maria, cuidado. Como diz o ditado: quem não tem telhado de vidro que atire a primeira pedra e o seu minha fia, não é de vidro é de “cristar”. Seu passado te condena.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Vamos deixar de prosa e presta atenção na música. (corta a cena)

CENA XII
MÚSICA: Indispensável pra mim
(NOITE_ casa de Inaiê_ enquanto Inaiê mexe com algumas costuras, Marcela está na janela pensando em Luciano, ela se lembra do beijo que trocaram na cachoeira, nas visitas que fizeram ás famílias carentes, e a noite de amor que tiveram_ Gabriel chega).
MARCELA: Gabriel, alguém procurou por mim hoje, enquanto eu estava na cachoeira?
GABRIEL: Sim, o Michel.
MARCELA: Só ele?
GABRIEL: Sim só ele. Por quê? Tá ai esperando que o fazendeirinho volte a te procurar? (gargalha) Deixa de ser tonta, ele nunca mais vai te procurar, ele é igual ao pai dele, não vale nada e só usou você.
MARCELA: Não é possível, ele me parecia ser uma pessoa tão boa, tão séria, e parecia mesmo estar gostando de mim.
GABRIEL: Como você disse: parecia! Mais não era verdade, ele só queria fazer o que deve fazer direto com mocinhas ingênuas como você: usar, abusar e depois jogar fora. Conforme-se maninha: ao se deitar com ele você perdeu, não só a chance de conseguir um marido rico, mas também de se vingar daquela família desgraçada.
MARCELA: E você acha mesmo que eu estou preocupada com isso? Eu não sou uma mulher interesseira e tô pouco me lixando pra sua ideia fixa de vingança. Eu só queria continuar a ser feliz com ele, eu estou amando-o. (Marcela começa a passar mal, ter tontura_ Inaiê e Gabriel a socorrem).
GABRIEL: Maninha, o que você tem? Tá tudo bem?
MARCELA: Só uma tontura e enjoo, mas acho que é nervosismo.
INAIÊ: Também Gabriel, você deixa todo mundo nervoso com essa sua obsessão de vingança.
GABRIEL: Desculpa maninha, não queria te deixar assim.
INAIÊ: Mas por via das dúvidas, amanhã você vai procurar o postinho da cidade.
MARCELA: Não precisa, está tudo bem, já disse.
GABRIEL: Precisa sim, não é a primeira vez que você passa mal, você vai amanha cedo e pronto, está decidido. (corta a cena)
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA XIII
(NOITE_ fazenda de Luciano_ roda de viola, todos estão sentados em volta de Bem –te- vi que dessa vez canta “Colcha de retalho” _ Ritinha chega, senta-se longe, Eduardo a vê e cutuca Rodrigo mostrando-a).
EDUARDO: É maninho, a sua namorada entojada não veio pra roda, mas outra menina veio. Olha lá. (Rodrigo a enxerga e vai ao seu encontro).
RODRIGO: Ritinha, boa noite. Tá tudo bem?
RITINHA: Sim, está sim senhor Rodrigo, é que eu escutei a Patrícia conversando com o senhor por telefone e falando da roda de viola e, como eu amo musica caipira, eu resolvi vir assistir. Posso?
RODRIGO: Claro, desde que pare com isso de me chamar de senhor. (eles riem) venha, o Bem-te-vi canta muito bem. (vai levando-a para dentro da roda) E a Patrícia está bem?
RITINHA: Sim está sim, está ótima.
RODRIGO: Ótima?
RITINHA: Sim! Por quê?
RODRIGO: Ela tinha me dito que não viria porque estava com dor de cabeça.
RITINHA: Bom que eu saiba ela está ótima, não a vi reclamar de nada não. (Rodrigo fica triste, eles param um de frente ao outro) Desculpa Rodrigo, acho que eu falei de mais, acho que nem deveria ter vindo.
MÚSICA: Sensações _ Paula Fernandes
(Ritinha vai saindo apresada e Rodrigo segura em seu braço_ troca de olhares)
RODRIGO: Pare de besteira menina. Se você veio até aqui, em minha casa, para ver a roda de viola você vai ficar e ver a roda de viola, além disso, você não disse nada demais, só disse a verdade. Vem comigo. (Pega em suas mãos e a conduz até a roda de viola)

CENA XIV
(NOITE_ casa de Madame Clotilde_ ela desce as escadas junto de Chica gaiteira, na sala um casal com sete filhos, vários deles são pequenos, sendo Madalena a mais velha).
MADAME CLOTILDE: Boa noite. O que procuram? Se vieram se divertir fiquem a vontade, mas não creio que esse seja o melhor lugar pra uma família, ainda mais com criança pequena, se divertir.
BENEDITO: Boa noite dona, não viemos nos divertir não, nem temos dinheiro pra isso, na verdade, não tamo tendo dinheiro nem para comer direito.
MADAME CLOTILDE: Sinto muito, eu posso ajudar com um dinheiro, um pouco de alimento.
BENEDITO: Obrigado dona, mais o negocio é que não tamu conseguindo dá de comer pra tanta boca, por isso viemo deixar nossa fia mais veia, a Madalena pra senhora.
MADAME CLOTILDE: Como assim? Pra mim?
BENEDITO: Como eu tavu falano, nóis num tem como dá de comê pra tanta boca, e se não bastasse isso essa desmiolada me enrabichou com um homi casado e embuchou.
MADAME CLOTILDE: Mas por que vocês não procuram o pai da criança? Ele tem que ajudar, tem que pagar pensão.
SUZANA: Que jeito dona? Ele é de Sum Paulo, e caiu no grobo quando soube que nossa fia tava prenha, nem tem como nóis procura ele, poisque Sum Paulo é enorme e não sabemo onde ele mora, nem o que faz, malemá sabemo o primeiro nome do disgramento.
MADAME CLOTILDE: Sinto muito, mas ainda não entendi como posso ajudar e por que querem deixar ela pra mim. Como assim?
BENEDITO: Oxi é simpres, se nossa fia aresorveu se guenga e corre atrás de homi casado até fica embuchada dele, então que seja guenga de vez, eu num quero sabe dessa menina mais não, já num tenho dinheiro e ainda ela acabô ca minha honra e morar.
MADAME CLOTILDE: Calma não é assim, ela é quase uma garota ainda, ela errou, mas quem nunca errou nessa vida? Ela precisa do apoio e do carinho de vocês, e vocês ao contrario disso querem transformar ela numa guenga?
BENEDITO: Guenga ela já é, só vai começa a ganhar dinheiro com isso, e se a senhora acha que ele carece de amor e carinho dê a senhora porque eu tô fazeno iguar Ponço Pilato, tô lavano minhas mão.
MÚSICA: É você_ Maria Cecília e Rodolfo com Fred Liel
(vão saindo_ Madalena Olha pra eles chorando)
MADALENA: Mãe, não me deixe aqui, por favor. (Dona Suzana corre abraça ela)
DONA SUZANA: Sinto muito minha fia, mais esse foi o caminho que ocê merma escoieu, não posso faze nada, não vou contrariá a ordi do seu pai. (beija sua testa) Fica com Deus.
MADALENA: Não. (se prostra ao chão chorando_ Madame Clotilde e Chica Gaiteira a levantam, Ela abraça apertado madame Clotilde). (corta a cena)

CENA XV
(NASCER DO SOL_ panorâmicas da área rural de Recanto Doce_ panorâmica da cidade_ Posto de saúde)
(Marcela e Inaiê estão na sala de espera do posto de saúde, esperando o médico).
MARCELA: Eu não sei por que vocês insistiram tanto que eu viesse no médico.
INAIÊ: Nós só estamos preocupados com sua saúde, apesar de que acho que você não esteja doente. (o médico chama Marcela e ela entra na sala dele, com Inaiê)
DOUTOR: Pois não, em que posso ajudar? Qual o problema?
MARCELA: Nenhum doutor, isso é coisa da cabeça do meu irmão e da Inaiê.
INAIÊ: Não é bem assim doutor, faz mais ou menos uns 20 dias que ela vem sentindo muita tontura, enjoos, vômitos.
MARCELA: É e também venho sentindo muita dor aqui no pé da barriga doutor.
DOUTOR: Diga-me uma coisa Marcela: sua menstruação está em dias?
MARCELA: Não doutor, ela está um pouco atrasada.
DOUTOR: Vou solicitar aqui um exame laboratorial com urgência, mas tudo indica que você está grávida.
(a cena congela no rosto apavorado de Marcela e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).

FINAL DO DÉCIMO CAPÍTULO

  • Isa Miranda

    Show … ótimo capítulo, Luana tentou armar e se deu mal aeee… rs

    • Cleber Medeiros

      ela sempre se dá mal Isa, todas as minhas vilãs são assim. Odeio quando as vilãs se dão mal apenas os 45 min do segundo tempo